terça-feira, 29 de agosto de 2017

Marx não fala de classe operária em O Capital


É inegável que as velozes e radicais mudanças por que passa o “mundo do trabalho” vêm causando grande confusão na esquerda. Mas muito dessa confusão poderia ser evitada se alguns conceitos fossem mais precisos.

É o caso da ideia de que a única parte da classe trabalhadora capaz de abalar o poder do capital seria a classe operária.

Esse equívoco costuma ser produto de algumas leituras distorcidas de “O Capital” a partir de erros de tradução. Nos 150 anos da publicação dessa grande obra de Karl Marx vale a pena destacar, por exemplo, as observações feitas pelo historiador Marcelo Badaró no artigo “A classe trabalhadora: uma abordagem contemporânea à luz domaterialismo histórico”:

Nas línguas neolatinas, tendemos muitas vezes a traduzir (...) a expressão alemã empregada por Marx, Arbeiterklasse, ou o correlato inglês working class, por classe operária. Tal tradução aparece muitas vezes associada à ideia de que o verdadeiro sujeito revolucionário é o operário industrial – trabalhador produtivo...

Este entendimento restritivo e equivocado é responsável por muitas crises da esquerda nas últimas décadas: “A classe operária desapareceu ou tornou-se residual. Portanto, adeus à revolução!” Conclusões desse tipo soam como música aos ouvidos dos capitalistas.

Enquanto isso, o capital arranca imensas taxas de lucro de milhões de trabalhadores de serviços, como teleatendimento e fast-food. Explora multidões em pequenas oficinas ou grandes fábricas que integram cadeias de produção espalhadas pelo planeta. Todas ligadas a grifes tão modernas quanto escravocratas, como Nike ou Apple.

Ou seja, o constante surgimento de candidatos ao papel de sujeito revolucionário estava previsto em O Capital. Mais importante, eles estão aí, na vida real.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/08/marx-nao-fala-de-classe-operaria-em-o.html

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Conheça Fufuca, deputado que comandará a Câmara na ausência de Maia

Pepista terá de coordenar votações como da reforma política

Ele
O deputado André Fufuca (PP-MA) deverá assumir interinamente a Presidência da Câmara nesta 3ª feira (29.ago.2017). Será a primeira vez que ele comandará a Casa fora do período de recesso.

O motivo da substituição é a viagem de Michel Temer à China. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ficará na Presidência. E o 1º vice-presidente, Fábio Ramalho estará na comitiva que acompanha Temer à Ásia.

Fufuca só comandou sessões inexpressivas. Esteve oficialmente à frente da Câmara durante uma semana no recesso de julho, quando os trabalhos são interrompidos.

Nesta semana, ele terá a missão de liderar os deputados durante votações importantes da Casa. As principais são de dois projetos da reforma política: o que cria cláusula de desempenho e proíbe coligações partidárias, de relatoria da deputada Shéridan (PSDB-RR); e o que estabelece um fundo público para campanhas e altera o sistema eleitoral, de Vicente Cândido (PT-SP). Este tem sofrido resistência e ainda é motivo de impasse.

A Câmara tem pressa em analisar as propostas. O Congresso – Câmara e Senado – precisam aprovar as propostas até a primeira semana de outubro para as regras valerem já para 2018. Além do afastamento de Maia, o feriado de 7 de setembro tende a reduzir os trabalhos da Casa.

Outro ponto com o qual Fufuca pode lidar é a possibilidade de nova denúncia contra Michel Temer. Um eventual pedido do Procurador Geral da República ainda deve passar pelo STF, mas a chance de chegar à Câmara afeta os ânimos dos deputados.

Quem é Fufuca

Formado em medicina, está em seu primeiro mandato na Câmara Federal. Foi deputado estadual pelo PSDB no Maranhão de 2011 a fevereiro de 2015. Seu pai, atual prefeito de Alto Alegre de Pindaré, é apelidado de “Fufuca”, o que fez com que o deputado fosse chamado de “Fufuquinha”.



Completou 28 anos neste domingo (27.ago), dois dias antes de ganhar o comando temporário da Câmara.

Eleito pelo PEN, hoje é de um partido do centrão, o PP. Votou a favor da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Em agosto, foi contra o prosseguimento da denúncia de Michel Temer. Foi um dos 43 congressistas que não participaram da votação que cassou o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em setembro do ano passado. Apesar de estar presente na sessão, foi impedido de registrar o voto por oficialmente estar de licença por motivos de “interesse particular”. Veja aqui seu perfil no site da Câmara.

Durante a discussão do processo de Cunha no Conselho de Ética, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) foi contra a entrada de Fufuca no colegiado por ser ligado a Cunha. “O deputado Fufuca chama Eduardo Cunha de ‘papi’ nos corredores da Casa”, disse Delgado.

Fufuca negou e chamou pessebista de “canalha”. “Hoje demonstra que é um verdadeiro moleque. Não queira macular minha imagem pela minha juventude. Vossa Excelência é o exemplo que até os canalhas envelhecem. Nesta Casa ninguém me viu usar de ato de bajulice. Até porque venho de um Estado em que usar esse termo ‘papi’, com todo o respeito, é até afeminado” , afirmou. Assista:



Já nas redes sociais (Facebook e Twitter), suas publicações são mais amenas. Em geral, com mensagens motivacionais ou lembrando datas comemorativas, como o Dia do Café.


Naomi Matsui

O que está por trás do espancamento de Gilmar por seus antigos amigos na mídia e “nas ruas”


Manifestação do Vem Pra Rua em SP com 17 pessoas repetindo o que mandam
Gilmar Mendes.

Esse você conhece. A melhor definição dele é a do professor Dalmo Dallari: a degradação do Judiciário.

Você já sabia.

A novidade é que os amigos de Gilmar estão fingindo que não sabiam.

A Veja deu uma capa o chamando de “juiz que discorda do Brasil” e a Globo o critica dia sim, dia sim também. Dá pena ver Merval Pereira criticando o chegado.

No domingo, alguns poucos gatos pingados arregimentados pelo Vem Pra Rua (de onde ainda vem o dinheiro para carros de som, bandeiras etc?) estavam nas ruas com faixas xingando o ministro do STF e repetindo como papagaios o que leram e ouviram em sua dieta indigente de notícias.

Para resumir: Gilmar soltou os empresários Jacob Barata Filho e Lélis Marcos Teixeira. Gilmar é o inimigo número 1 da Lava Jato. Gilmar é o anti Sergio Moro e o anti Marcelo Bretas (o equivalente carioca ao savonarola de Curitiba).

Até ontem, GM era o herói dessa gente.

Tucano assumidíssimo, fiel protetor de Aécio, principal propagador do termo “cleptocracia” para definir o governo do PT, ele jogou a pá de cal em Dilma Rous­seff ao impedir a posse de Lula como ministro da Casa Civil.

O que aconteceu?

O motivo para a mudança de espírito é a mesma que o fizeram amado: Lula.

A própria Veja explica num parágrafo de sua reportagem de capa (o grifo é nosso):

A prisão em segunda instância, aliás, será o próximo embate para o qual Gilmar Mendes está se preparando. Em outubro de 2016, o Supremo entendeu que um réu sentenciado em segunda instância já podia começar a cumprir a pena, deixando de ser necessário que se esgotasse toda a sucessão de recursos que, antigamente, costumava chegar até o STF, retardando indefinidamente a prisão de condenados. A decisão virou uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de muitos acusados, e boa parte deles, sentindo a amea­ça da lâmina, resolveu selar acordos de delação e contar tudo o que sabia. Em conversas reservadas, o ministro Edson Fachin, relator dos casos da Lava-­Jato no STF, já revelou seu receio de o plenário do tribunal voltar atrás na decisão de autorizar a execução da pena após sentença de segunda instância. Gilmar Mendes, que outrora defendia a antecipação da pena, está em campanha aberta para que a prisão só seja cumprida após o julgamento dos recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que funciona como uma espécie de terceira instância. Os condenados ganhariam tempo, e a medida teria efeito suprapartidário. Lula, outro desafeto de Gilmar Mendes, seria o grande beneficiário da mudança.

Se o habeas corpus dos baratas no Rio vale para eles, vale para Lula e os outros. A Lava Jato não poderá prender Lula mesmo que a condenação seja confirmada pelo TRF-4 — o que é batata.

No Estadão de hoje, Sergio Moro faz uma nova queixa. “Não penso que as questões devem ser tratadas a nível pessoal, mas institucional”, diz. “Respeito o ministro Gilmar Mendes e espero que, ao final, ele, pensando na construção da rule of law, mantenha o precedente que ele mesmo ajudou a construir.”

Gilmar está amparado na Constituição: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Nós concordamos que Gilmar é tudo o que você pensa. Mas, nesse caso, ele tem razão. 

Vale acionar Brizola: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… se a Rede Globo for a favor, seja contra. Se for contra, seja a favor”.


A Globo está do mesmo lado desses artistas. A língua portuguesa, não



Kiko Nogueira
No DCM

Kiko Nogueira
No DCM

Enquanto a realidade se transforma, a verdade evolui


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Enquanto a realidade se transforma, a verdade evolui

Por Fernando Soares Campos - CPLP - Brasil - Portal do jornal russo Pravda, edição em português , 20.08.2017

Trecho:

A transformação da realidade e a evolução da verdade

Antoine-Laurent Lavoisier, reconhecido como o "pai" ou "fundador" da química moderna, pôde, através de seus trabalhos de pesquisa, enunciar uma lei que ficou conhecida como Lei da Conservação das Massas ou Lei de Lavoisier.

"Numa reação química que ocorre num sistema fechado, a massa total antes da reação é igual à massa total após a reação".





reação".

Ou,

"Numa reação química a massa se conserva porque não ocorre criação nem destruição de átomos. Os átomos são conservados, eles apenas se rearranjam. Os agregados atômicos dos reagentes são desfeitos e novos agregados atômicos são formados".

Ou ainda, sob conceito filosófico,

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Daí se conclui que "nada pode surgir do nada; e nada pode transformar-se em nada".

A partir dessa constatação, entendemos que os elementos que constituem o nosso corpo material (o ente material) são eternos, indestrutíveis, eles apenas reagem entre si e se transformam (durante e após o ciclo vital). Assim sendo, considerando suas existências concretas, podemos dizer que eles encerram em si (ou simplesmente representam) a realidade.

O ente psíquico, etéreo, autoconsciente, individual, único, unido ao nosso corpo material, é igualmente eterno, indestrutível, entretanto este, à medida que aprofunda seu autoconhecimento, é capaz de criar mecanismos próprios para controlar seus desejos e impulsos afetivos e emotivos; adquire conhecimentos através de processo mental (cognição) em que aplica a percepção, atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem; desenvolve métodos próprios para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas; nele não ocorre a simples transformação de seus elementos, mas, sim, o progresso quantitativo e qualitativo de conhecimentos e o aperfeiçoamento do emprego de suas principais funções (cognição, volição, afeto e motivação), portanto o ente psíquico evolui, podemos também afirmar que, por ele desejar conhecer a verdade e persegui-la, esta evolui consigo. 

LEIA COMPLETO: http://port.pravda.ru/cplp/brasil/20-08-2017/43860-realidade-0/


via: http://assazatroz.blogspot.com.br/2017/08/enquanto-realidade-se-transforma.html

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Como é o Brasil da sua Venezuela?

Nosso entendimento da crise venezuelana é prejudicado pela qualidade da mediação informacional disponível. De um lado, temos o reducionismo sensacionalista das agências e dos grandes veículos. De outro, um microcosmo subjetivo de testemunhos e opiniões selecionados segundo critérios de variadas conveniências.


Quem usa sentidos diversos de “golpe” e “democracia” ao tratar de Brasil e Venezuela fala sobre qualquer coisa, menos de golpe e democracia. Fala muitoNinguém sabe direito o que se passa na Venezuela. Nem a tal “mídia progressista” estrangeira, a julgar por suas fontes. De qualquer forma, não precisamos de intérpretes para notar que a narrativa da ditadura ilegítima e consensualmente odiada é tão frágil e questionável quanto a narrativa do levante imperialista contra os heróis bolivarianos. 

Falto de base empírica, o debate sobre o assunto virou um mosaico de respostas a polêmicas da atualidade brasileira, projetadas para o universo vizinho. Na esfera antipetista, a vilanização caricatural de Nicolás Maduro tem óbvias referências locais. Também o repúdio intempestivo à Assembleia Constituinte, um fantasma que ronda o reformismo hipócrita da direita verde-amarela.

Mas nem tudo prima pela coerência nesse jogo de projeções. Boa parte dos argumentos negativos usados contra Maduro poderia servir para a desqualificação de Michel Temer, da Lava Jato, do impeachment e até dos governos estaduais tucanos. Ideias que no Brasil seriam estigmatizadas como “petralhas” ganham status civilizado ao tratar da Venezuela.

Segundo os democratas conterrâneos, ditadores abocanham o poder manipulando normas constitucionais. Enviam polícias e mascarados para reprimir manifestantes. Compram apoio da mídia com publicidade estatal. Destroem adversários através de arbítrios judiciais. Aparelham as cortes e aliciam magistrados. Subornam congressistas.

Soa familiar?

Sintomaticamente, a maioria dos ataques apaixonados à ditadura venezuelana vem de pessoas que jamais qualificam o impeachment brasileiro como golpe parlamentar. São intolerantes com “bandidos de estimação”, fãs de juízes e procuradores ativistas, inimigos de acordos de governabilidade, incrédulos quanto ao sistema representativo no país.

Sim, os contextos (sempre) são diferentes, mas aqui o álibi perspectivista vale pouco. Não interessa o conflito de posicionamentos. A questão é baseá-los em conceitos volúveis, que se transmutam ao sabor das conclusões desejadas: a identidade do réu definindo a essência criminosa do ato. O exemplo jurídico, tão atual e assustador, mostra a força deletéria da esquizofrenia “pós-verdadeira”.
, certamente, de si mesmo. Essa revelação involuntária, se não ajuda a compreender a crise alheia, fornece pistas interessantes sobre as nossas próprias vicissitudes.
http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/08/como-e-o-brasil-da-sua-venezuela.html

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA, TOTAL, VERDADEIRA,

D





(Por favor curta nossa página em https://www.facebook.com/pages/Democracia-Paticipativa/234440236750650?ref=hl)

Na Democracia Participativa, os Partidos Políticos podem ou não existir, como fonte de consulta, mas não são importantes, não têm importância alguma, e não elegem nenhum de seus membros para o Senado ou qualquer órgão público, exceto se por vontade cidadã através de votação, mas fica preso e amarrado à constituição sem poder feri-la ou alterá-la. É o povo que manda e diz o que quer pelo voto.  Não existem políticos tal como os conhecemos porque não têm poder algum. São apenas conselheiros, servidores públicos que podem ser deseleitos. O presidente é uma figura "decorativa" que não pode comprometer a nação internacionalmente sem consultar a população.
Na Democracia Participativa, após as eleições, o voto pode ser retirado e quando apenas votarem menos de 50% dos eleitores possíveis se fará outra, o sistema deve ser revisto, o povo inquirido sobre o que tem que mudar, porque com menos de 50% de votantes, nenhum governo representa a população. Têm nos mantido iludidos, levando as votações adiante e elegendo-se sem representarem os cidadãos em sua maioria.
Na Democracia Participativa verdadeira, completa, total, não há lugar para "comitês", representantes... O diálogo se faz através de perguntas e respostas de forma instantânea por votação usando as redes sociais ou sistema semelhante. 
Como funciona a Democracia Participativa?
Na Democracia Participativa, o governo se constitui dos órgãos que normalmente fazem parte de qualquer governo democrático do mundo. Cada povo poderá escolher qual o modelo que mais lhe convém, com os três poderes: Legislativo, Executivo e o judiciário. O sistema da democracia Participativa pode ter quantos ministérios forem desejados pelos cidadãos.
São válidos os modelos democráticos tal como os conhecemos... Eis o que muda.
 1.     Todos os membros em cargos do governo são escolhidos por voto dos cidadãos interessados. A eleição se fará através de voto em Bancos 24 horas de Votação a serem criados, por Internet grátis em sites específicos ou até mesmo por dispositivo comum de comunicação, evitando-se assim “arranjos políticos” entre partidos, proteção de qualquer natureza ou compra de votos. O cidadão vota a qualquer momento sempre que achar necessário.
 2.     Os votos podem ser retirados (deseleger – desaprovar), o que amplia a cidadania democrática a muito mais do que votar apenas de quatro em quatro anos: Vota-se sempre que se desejar, a qualquer instante.

 3.    As leis são propostas ao Senado por qualquer órgão ou cidadão, para que sejam previamente aprovadas ou negadas por voto popular. Se a população achar que algum político ou ocupante de cargo no governo não atende os seus interesses, retira-lhe o voto dado e ele sai imediatamente sem necessidade de impeachment, quando a quantidade de votos que permanecem for inferior ao mínimo necessário para ocupar o cargo.
  4.   Qualquer lei ou ato de governo deve ser submetido a voto, o que inclui mas não se limita a: declaração de guerra; percentuais de aplicação de verbas publicas em educação, centros de pesquisa, infra estruturas, preservação do ambiente, saúde, segurança pública, transportes;  taxas de impostos,  e tudo o que normalmente se vota nos senados, câmaras, governos estaduais, prefeituras.
 5.    O processo de implantação da Democracia participativa começa com a aprovação popular, via NET, item por item, de uma Constituição que somente poderá ser alterada também por voto popular, impedindo a manipulação de interesses escusos de políticos. 
Cada nação crescerá e se desenvolverá segundo sua capacidade e vontade popular de progredir, segundo o que acha mais importante. Esta é a verdadeira, real e única Democracia que de fato o é!
Para Portugal e Brasil, existem neste site dois modelos para uma nova constituição, baseados na Constituição Suíça. Uma constituição não depende do tamanho do país, mas de sua vontade em ter o que deseja. O que se deseja deve estar escrito na constituição sem dúbias interpretações que justifiquem Atos institucionais ou Medidas Provisórias que deturpam a constituição. Se desejar mais informações leia por favor as páginas deste site e abaixo:

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 Outras considerações:
Acreditamos na humanidade. Não acreditamos que a humanidade seja pecadora desde a nascença. Acreditamos na boa vontade entre homens e mulheres, Não acreditamos que a violência possa resolver algum conflito, porque nada nesta vida é eterno. A história Universal é prova do que dizemos.
Não representamos nenhuma ideologia em particular, nem partido político, nem nenhum político, filósofo, religião, empresa ou nação. Nem a nós mesmos nos representamos. Pelo contrário, cada um de todos nós, que compomos a humanidade tem a sua consciência do que deseja de bem para si mesmo e para a humanidade.
Acreditamos que o progresso do mundo, sem guerras nem violência de qualquer natureza, sem partidarismos, sem excessos, pode ser muito maior e proveitoso se os recursos dos impostos puderem ser canalizados para as maiores necessidades da população: Infra-estruturas, Saúde Pública, Trabalho, Transportes, Saúde, Pesquisa, Sustentabilidade, Educação. Tem sido enorme o desperdício de verbas em corrupção e guerras que atrasaram o progresso e a evolução da humanidade.
Não vemos outra forma efetiva de melhorar o mundo senão através da palavra de cada ser humano expressa pelo voto instantâneo, dado ou retirado a qualquer instante, podendo eleger/deseleger e aprovar/desaprovar.
Ideologias, algumas extremistas, e líderes que as seguem mais ou menos estritamente, demonstraram ao longo da história que não conseguiram resolver qualquer problema sério da humanidade.
A palavra deve ser dada à humanidade independente.
A humanidade espera a sua vez de falar e de se fazer ouvir.
O mundo tem que provar que pode ser melhor.

Como funcionaram os governos desde o inicio da humanidade até hoje?
Os livros de História Universal contam a história da Humanidade. Uma consulta, mesmo simples, nos diz que desde cerca de 12.000 anos, o poder se estabeleceu pela necessidade de gerir grupos humanos que variavam de 60 indivíduos, no começo da humanidade, até cerca de 10.000 quando se descobriu a agricultura que permitiu a concentração maior de massas humanas, pela disponibilidade de alimento. Geralmente este poder de uma pequena parte do grupo sobre a maioria, foi exercido pela força das armas, ou pela submissão consentida, baseada na religião, que propagava a idéia de que o Rei ou soberano tinha origem divina. Muitos governos, ou quase todos os da antiguidade, como os de Roma, Grécia, Egito, eram baseados no poder divino de deuses folclóricos inventados para governar através de doutrinas dos religiosos que amedrontavam as populações com os poderes divinos. Quase todos os governos eram Teocracias, isto é, os chefes de governos eram também sacerdotes.
Porém, cerca do ano 400 AC, apareceu na Grécia um modelo novo de governo: Em praça pública, aos cidadãos lhes era perguntado se apoiavam ou não uma lei do governo, um projeto de uma nova rua, de criação de impostos, e lhes eram explicadas as razões de sua necessidade. Levantando os braços, a população determinava pela maioria de braços levantados, o que apoiava ou não, se elegia, ou retirava de cargo público. Mas outros interesses, que não os da população, se impuseram, e um grupo que posteriormente foi identificado como “sofistas”, acabou com esta linda democracia. Era a Democracia Participativa, porque o povo participava dela. Deixou então de participar. O povo passou a assistir ao que os governos determinavam sem poder interferir. Cidadãos de todas as classes passaram a, passivamente, assistir à sua exploração sem terem uma palavra que pudessem gritar pelas ruas e lares, contrarias à vontade dos governos. Deram depois novos nomes a várias formas de governo, mas em nenhuma delas o povo tem realmente voz ativa, mesmo elegendo os seus “representantes” a cada quatro anos com voto isolado, órfão, ineficiente, solitário.
Não podemos dizer que o mundo não evoluiu. Evoluiu sim, mas como os deuses eram guerreiros, e o poder exercido pela força inventou-se mitos de que a humanidade tinha sido “fabricada” com pecados originais e tinha sido castigada pelo deus criador. O deus guerreiro castigava e a humanidade tinha-lhe medo. Não só a deuses a humanidade tinha medo, mas também e de forma mais imediata ao governo com o seu poder das armas e de apedrejar, matar, confiscar bens, criar impostos extorsivos. Isto aconteceu até cerca do ano 1.500 de nossa era, quando o Feudalismo chegava ao fim. No Feudalismo, um senhor nobre era o “suserano”, submisso ao rei, que tinha terras doadas pelo rei, e governava essas terras e os escravos que pertenciam às terras e não podiam ser vendidos sem elas. Como as terras eram muitas e situadas em lugares diversos, cada suserano podia ter os seus “vassalos”, senhores daquelas terras, que recolhiam a maior parte dos lucros dos seus escravos, artífices e artesãos.
De lá para cá, houve um movimento para que o povo fosse mais participativo, como a Revolução francesa do século XVI, que se baseava na liberdade, na Igualdade e na Fraternidade, mas não foi adiante. Em 1917, a humanidade assistiu a um novo amanhecer com a revolução russa instaurando o comunismo, mas em menos de cem anos, ficou reduzida a três países por não conseguir resolver os principais problemas da humanidade,
A partir de 2008, assiste-se ao auge daquela forma de governo que se iniciou há cerca de 12.000 anos atrás: O capital das grandes empresas e dos Bancos domina os Partidos Políticos. Estes, com as verbas do capital dessas empresas e dos Bancos, indica os políticos que ocuparão os cargos no governo. Quando eleitos, dependem da vontade dos Partidos. Nos corredores dos palácios dos governos, existem indivíduos especializados a que chamamos de lobistas, que cuidam dos interesses daqueles Bancos e daquelas empresas que pagaram os custos da eleição dos representantes dos partidos... Todo o governo a serviço do capital das empresas e dos Bancos.
Não há um só Lobby dos cidadãos nesses corredores. A corrupção é geral, instaurou-se a ditadura democrática de governos “democráticos”. Enquanto a Suíça e a Islândia usaram as redes sociais da Internet para aprovarem pelo voto dos cidadãos as suas constituições, ainda não completamente democráticas, e a Espanha reclama a sua oportunidade de ter uma constituição assim, aprovada popularmente; enquanto todo o Norte de África de tradição fortemente muçulmana pede a democracia plena aprendida pelas redes internacionais da NET, no restante do mundo assiste-se a dois panoramas: a dos três ou quatro pequenos países comunistas onde reinam ditadores que somente pretendem largar o poder quando morrerem; e uma imensa parte da humanidade, o restante, que, ou por ignorância como em África, ou com todo o conhecimento disponível, como na Europa, Oceania, Ásia e Américas, não perceberam ainda que seu padrão de vida esteja seriamente ameaçado, sua liberdade condicionada, o trabalho ocupando a maior parte de suas vidas, apesar dos distúrbios e movimentos recentes na Espanha, na Grécia, em Portugal, no Chile, na Inglaterra, e no rebaixamento dos governos dos EUA e da Inglaterra no índice de risco de aplicação financeira estabelecidos por agências especializadas na análise da capacidade de governos de honrar suas dívidas do capital.

Então porque não existe ainda a não ser nos países nórdicos, Suíça e Islândia?
Primeirto, porque criamos o costume de que quem está no governo manda, e não pode ser assim. isso é ditadura que não deixa os cidadãos se manifestarem nem ouvem o que o povo quer. Nem nos dias de propaganda para eleição. Político tal como os conhecemos, têm ambição desmedida e lhe damos o poder de continuar com essa ambição. São pachás e o povo o harén. 
E não existe ainda porque há doze mil anos os governos se impõem sobre os cidadãos, ora movidos pela força, ora pela religião, ora pelo capital, ou simplesmente pela vaidade pessoal no poder. Estes quatro grandes motivos para a perpetuação do governo de uns poucos sobre multidões tem-se perpetuado, sem que, a cada novo governo, não ficassem os resquícios da inércia que movia os regimes anteriores. O povo, a população, os cidadãos, contribuem sempre para os governos na expectativa de que algum dia, um deles olhe devidamente para o povo e lhe pergunte o que o povo quer... Até hoje, está patente que isso só aconteceu em Atenas há 2.500 anos e mais recentemente na Suécia, Noruega, Finlândia, Suíça, Islândia, onde usam uma nova constituição aprovada - item a item - pelos cidadãos através de redes sociais. Sem medo de hackers, ou truques de políticos. Lá os políticos "indicam" aconselham, mas não governam porque não têm o poder de decidir. Quem decide é o povo. 
A democracia participativa tem muitos segredos que nunca quiseram desvendar, e nunca foi devidamente explicada pelos professores. Parecia impossível até o advento da Internet e das redes sociais. Hoje vemos que é a mais fácil forma de governar, a mais simples, a mais eficiente, capaz de eliminar dos governos os vícios que os acompanham há milhares de anos. A democracia participativa obriga á consulta popular pelo voto. 
Que cidadão votaria contra a melhoria das escolas e estabelecimentos de ensino, da educação, da saúde pública, das estradas, das infra-estruturas como água, esgotos, energia elétrica... Ou dos centros de pesquisa, da qualidade de vida, dos transportes, da preservação do planeta, da qualidade das plataformas continentais...?  
Que cidadão votaria a favor de uma guerra sem motivo forte de antes ter sido atacado em seu próprio território? 
Que cidadão votaria na porcentagem de impostos a ser aplicada sobre seu trabalho e seus lucros, sem primeiro ter aprovado o orçamento prévio que os justificasse? 
Que cidadão votaria nos altos salários dos eleitos para o governo, em suas mordomias, se não os representam realmente?

Rui Rodrigues
http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Teria Marx previsto o Uber?


Claro que a resposta à pergunta acima é não. Mas muito do que ele escreveu mostra que a “inovadora economia colaborativa” pode assumir formas de exploração bem antigas.

No artigo “Capitalismoem tempos de uberização: do emprego ao trabalho”, Virgínia Fontes lembra o pagamento de salários por “peças”, muito comum no século 19. Nele, a remuneração do trabalhador depende não de sua jornada, mas de sua produção.

Em uma nota de rodapé, o texto cita trechos de “O Capital”:

Dado o salário por peça, é naturalmente do interesse pessoal do trabalhador aplicar sua força de trabalho o mais intensamente possível, o que facilita ao capitalista elevar o grau normal de intensidade. Do mesmo modo, é interesse pessoal do trabalhador prolongar a jornada de trabalho. (...) Mas a maior liberdade que o salário por peça oferece à individualidade tende a desenvolver, por um lado, a individualidade e, com ela o sentimento de liberdade, a independência e autocontrole dos trabalhadores. Por outro lado, a concorrência entre eles e de uns contra os outros.

Mas no caso da Uber, quem seria o patrão? Os próprios motoristas, diriam seus defensores. Afinal, eles seriam donos de seus meios de produção.

O problema é que os automóveis só se tornam meios de produção quando acionados pela Uber. E mesmo assim, o “apurado” final ainda precisa ser dividido com outros “parceiros”: cartões de crédito, locadoras de automóveis, empresas de telefonia, seguradoras, planos de saúde e montadoras de automóveis.

O salário “por peça” só perdeu espaço quando os trabalhadores conquistaram direitos através de muita luta. Mas luta contra os patrões, não entre eles.
https://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/08/teria-marx-previsto-o-uber.html




Renda mínima universal, lucros privados máximos


Empresas bilionárias como Facebook, Google e Apple andam defendendo a adoção da Renda Mínima Universal.

Elas sabem que as inovações tecnológicas que lhes garantem imensos lucros podem destruir tantos empregos, que, sem essa “mesada universal”, o caos social seria inevitável. A Inteligência Artificial, por exemplo, poderá substituir nos próximos anos tanto taxistas (e “uberizados”), como jornalistas, médicos e advogados.

Mas quem pagaria a conta? O poder público, respondem.

E, aí, começam os problemas. É o que mostra um artigo publicado por Jaime Bartlett no portal BBC. Um dos destaques do texto é a aversão desse pessoal que ocupa o Vale do Silício ao pagamento de impostos.

No local onde estão Google, Apple, Facebook, as empresas pagam impostos sobre a propriedade a uma taxa de 1% do valor de todos os seus edifícios e equipes.

Ou seja, essas novíssimas empresas querem que o Estado banque a renda mínima para diminuir os estragos que causam nos níveis de emprego, mas se recusam a participar de seu financiamento pagando impostos na proporção de seus enormes lucros.

Quem não está gostando nada disso são os setores tradicionais do capital, cujas atividades são mais tributadas. São muito menos do que deveriam ser, é verdade, mas nenhum capitalista gosta de diminuir suas margens de lucros em favor do bem público.

Nada disso impede que a esquerda discuta a importância tática de lutar por uma renda básica digna para todos. Ao contrário, essa questão pode estar iniciando uma briga entre os cachorros grandes do capital. Não se trata de escolher de que lado ficar nesse possível confronto, mas de explorar suas contradições.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/08/renda-minima-universal-lucros-privados.html





Os PMs que matam e os PMs que morrem

Os PMs que matam e os PMs que morrem

Em meio à onda de mortes de PMs no Rio de Janeiro, escapa ao senso comum o fato de que pode haver dois tipos de policiais. Alguns estão condenados a morrer, outros, encarregados de executar.

É o que discute, por exemplo, A PM que mata e a PM que morre. Esta pílula de 2015 utiliza números daquele ano sobre a polícia paulista. Os dados sugerem que é falsa a ideia de que a alta taxa de mortes de policiais resulta de enfrentamentos com bandidos.

Ao contrário, na grande maioria das vezes em que a PM mata, suas vítimas estão dominadas. E muitas das mortes de PMs também resultam de execuções. Parece haver uma espécie de divisão macabra de tarefas.

De um lado, os policiais encarregados de executar criminosos, muitas vezes meros suspeitos. De outro, aqueles abandonados à própria sorte, quando surpreendidos ou emboscados por bandidos. O fato de que alguns dos executados possam ser também executores não ameniza a selvageria da situação.

“Em comum entre os que morrem e os que matam, salários baixos e origem pobre”, dizia a pílula. Enquanto isso, para a alta hierarquia policial e governamental, “só importa que os mortos, civis ou militares, continuem a ser os mais pobres e pretos”.

Não há razões para acreditar que esta situação se restrinja a São Paulo ou tenha mudado nos últimos anos. A lógica militarista assassina das PMs continua forte e generalizada.

A esquerda e os setores populares devem continuar denunciando a repressão policial, mas para realmente enfrentá-la, é preciso compreender seu caráter de classe também no interior dos aparelhos policiais.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/08/os-pms-que-matam-e-os-pms-que-morrem.html

sexta-feira, 31 de março de 2017

Por Dentro da Direita Brasileira

Introdução

Muitas vezes é difícil entender o cenário político. Existem vários fatores que influenciam as posições e interesses das forças em atuação, e transcendem as explicações simplistas que tentam reduzir tudo a economia ou outros elementos deterministas. Há, concordemos ou não, ideologia.
É claro, um setor pode adotar a concepção ideológica que lhe é mais conveniente, no entanto compreender as visões de mundo das diversas organizações – incluindo nossas adversárias e inimigas – é fundamental para uma boa análise. E é isso que pretendo fazer nesse texto, jogar luz sobre a direita brasileira, suas correntes, divisões e, principalmente, suas compreensões de mundo.
Vou excluir a chamada “direita fisiológica”, ou seja, os políticos voltados a negociatas, tais como Paulo Maluf, José Sarney ou Fernando Collor. Apesar deles serem desse lado do espectro político, suas atuações se embasam mais em oportunismo pessoal do que numa doutrina mais ou menos clara. Também não pretendo abordar agora a “Direita Cristã”, em suas manifestações evangélicas ou católicas, pois o fator “Religião” pode estar presente para justificar quaisquer uma das tendências explanadas aqui.
Dito isso, irei explanar algumas correntes políticas que ganharam, em maior ou menor grau, holofotes nos últimos anos. Começarei da maior e mais forte até as linhas minoritárias e com menor relevância.

1 – Conservadorismo-liberal e variantes

Não é fácil datar as origens dessa posição de pensamento, pois se inspira em diversos autores diferentes, tendo influência de conservadores (Edmund Burke, Russel Kirk) bem como de liberais ( John Locke, Stuart Mill).
Ronald Reagan e Margaret Tatcher, ícones do conservadorismo-liberal
A origem dessa ideologia se encontraria, falando de forma ampla, em um ponto de encontro entre a Burguesia ascendente e a Aristocracia decadente dos Séculos XVIII, XIX e XX. É hoje, também, um dos principais pilares ideológicos do Capitalismo atual. Essa visão política se baseia em um conservadorismo moral flexível, em uma visão elitizada de defesa do empresariado e do empreendedorismo individual. Um mundo globalizado, mas com a “ordem” mantida pela tolerância zero.
Se tornou predominante após o Consenso de Washington e é a doutrina política central do Neoliberalismo, trazendo como ídolos os nomes de Friedman, Hayek e Mises, e vendo o keynesianismo e o Estado de Bem Estar social como novos inimigos a serem demolidos.
Milton Friedman em reunião com o Ditador chileno Pinochet
Dois grandes partidos conservadores-liberais são o Republican Party norte-americano e o Conservative Party britânico, mas podemos ver elementos dessa ideologia – ainda que com variações -, na maioria dos partidos ditos liberais e conservadores, como Os Republicanos dos franceses Fillon e Sarkozy ou a União Democrata Cristã de Angela Merkel.
A maioria desses partidos estão organizados nas “Internacionais Conservadoras”, como a Internacional Democrata Centrista e a União Internacional Democrata (UID), incluindo o DEM aqui no Brasil. Há outras articulações, como a Internacional Liberal e a IALP.
Nos Estados Unidos, o Conservadorismo-liberal era a ideologia predominante no Republican Party, pelo menos até a recente ascensão da “Alt-Right” (que não abordaremos aqui por ser inexistente no nosso país). Outro partido que, no entanto, possui elementos ideológicos semelhantes é o Libertarian Party, sendo ambos ligados a Atlas Network.
E é por esse caminho que chegamos no Brasil.
Há vasto material explanando as redes e conexões do conservadorismo-liberal por aqui, remontando suas origens aos interesses dos irmãos Koch, grandes patrocinadores das causas do livre mercado e da negação do aquecimento global.
O Conservadorismo-liberal, assim como todas as outras correntes políticas, possui elementos de discordância interna: quão mínimo deve ser o papel do Estado na economia, a preservação ou não de um moralismo social nos costumes, a radicalização na luta contra a esquerda.
Kim Kataguiri, MBL
A organização mais famosa dessa concepção política sem dúvidas hoje é o Movimento Brasil Livre. O MBL começa a ganhar destaque após as eleições de 2014, onde ganha musculatura ao fazer oposição ao Governo do PT, recrutando quadros principalmente no eleitorado tucano. Tendo entre seus principais nomes Fernando Holliday (DEM), Kim Kataguiri e Renan Santos, esse grupo foi um dos articuladores do Impeachment da Dilma e também dos ataques às ocupações de escolas por secundaristas. Em 2016, conseguiu eleger vereadores, incluindo pelo PSDB e PMDB. É assumidamente de direita e defende um radicalismo de livre mercado, além do combate incessante às esquerdas.
Em uma linha mais “light”, e se opondo ao excessivo conservadorismo do MBL, está o LIVRES, tendência do Partido Social Liberal.
Livres, PSL
O PSL, originalmente apenas um partido de aluguel envolvido com negociatas, decidiu dar uma guinada ideológica e iniciar um processo de “desfisiologização”, adotando as pautas de livre mercado. Apesar de ainda não ser hegemonico no partido, o Livres busca promover o neoliberalismo com um discurso mais amigável, até mesmo tentando disputar as juventudes progressistas normalmente alinhadas aos grupos de esquerda. O Livres, longe do discurso direitista do MBL, tenta se apresentar como moderado, defensor das liberdades individuais e minorias, que só podem ser alcançadas através do empreendedorismo e do mercado. Apesar disso, a proximidade teórico-ideológica é inegável, conforme demonstrada numa entrevista de Fábio Ostermann [http://zip.net/bntF3T], um dos fundadores de ambos os grupos.
No campo dos think tanks (ideólogos), há vários institutos de apologistas do livre mercado, como o Instituto Mises ou o Instituto Liberal, mas sem dúvida o mais poderoso é o Instituto Millenium.
Segundo a linha editorial, o Instituto presa pela “meritocracia” e tem como um dos seus temas prioritários a “economia de mercado”. O que surpreende, no entanto, são os seus membros, pois são personalidades chaves em nossa sociedade.
Na sua lista de “especialistas”, temos: Bernardo Santoro (diretor do Instituto Liberal do RJ e direitista ligado à Bolsonaro); Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central); Helio Beltrão (“anarcocapitalista”, presidente do Instituto Mises e membro do conselho do Grupo Ultra); Ives Gandra(Professor da Mackenzie e membro da Opus Dei); Judith Brito (diretora-superintendente do Grupo Folha); Leandro Narloch (autor dos “Guias Politicamente Incorretos”); Marcel van Hattem (Deputado estadual gaucho pelo PP e promotor do projeto “Escola Sem Partido”); Rodrigo Constantino (presidente do Instituto Liberal); e a blogueira cubana Yoani Sánchez.
Rede de influência midiática do Instituto Millenium
Na sessão de colunistas “convidados” temos mais alguns nomes: Ali Kamel (Editor-chefe da Globo); Andre Franco Montoro Filho (ex-presidente do BNDES); Carlos Alberto Di Franco (consultor do Estadão e membro influente da Opus Dei); Demétrio Magnoli (colunista da Folha e d’O Globo); Fábio Ostermann (do PSL); Ilan Goldfajn (consultor do FMI, Banco Mundial e presidente do Banco Central de Temer); Jorge Gerdau(presidente da Gerdau); José Padilha (diretor de ambos Tropa de Elite e de Narcos) e Wagner Lenhart (associado do Instituto de Estudos Empresariais-IEE, diretor de conteúdo do Instituto Liberdade).
Entre os mantenedores do Instituto Millenium, se destacam João Roberto Marinho (vice-presidente do Grupo Globo) e Nelson Sirotsky(membro do Conselho de Administração do Grupo RBS). É por essa razão que o Instituto Millenium, dentre todas as forças conservadoras-liberais, é o mais poderoso: sua rede de apoiadores engloba quase toda a mídia brasileira, de jornais e revistas à radios e o maior canal de televisão.

2 – Reacionarismo difuso

Um fenômeno que ganhou força com a crise do PT foi um visceral “anti-esquerdismo”. Sem muita coerência, essa posição com elementos macartistas passou a desejar o fim e a destruição de tudo que fosse associado a socialismo e esquerda, e em cima disso algumas personalidades conseguiram se destacar.
Ao contrário dos conservadores-liberais, que possuem uma certa coerência ideológica, o reacionarismo brasileiro não. Enquanto os primeiros possuem propostas políticas claras de mercado (ainda que criticáveis), aqui não há quaisquer coerência ou consistência além da oposição pela oposição.
Marco Feliciano e Jair Bolsonaro
Há uma conspiração comunista em andamento que teria assumido o controle do Governo e da Mídia, e é necessário destruí-la. Essa é a única coisa que todos os reacionários brasileiros concordam. Fora disso, é uma complexidade de posições.
O mais próximo de alguma teoria vem das ideias de Olavo de Carvalho.
Elas consistem em um apanhado de discursos dos Republicanos norte-americanos, mas voltados mais para o campo dos costumes do que de economia. Apesar de se aproximar de algumas organizações conservadoras-liberais (exemplo:o MBL) em pautas específicas, tais como o fim do Estatuto do Desarmamento, em diversos pontos se afastam. A maioria dos conservadores-liberais não se preocupam que as pessoas LGBT+ apareçam se beijando na televisão, enquanto para Olavo isso é uma prova da vitória do “gayzismo” e do “marxismo cultural”.
Segundo Olavo de Carvalho, forças globalistas tentam destruir a cultura judaico-cristã ocidental, e por isso é preciso protegê-la de muçulmanos, comunistas e gays. E é por isso que Olavo apoia Donald Trump, que assustou tanto os conservadores-liberais norte americanos.
Olavo de Carvalho e o Padre Paulo Ricardo
A situação fica mais instável quando colocamos Jair Bolsonaro sob os holofotes. Ele, um populista nato, altera o seu discurso conforme a conveniência. Enquanto afirma que quer um “Estado Cristão” e que as minorias “devem se curvar”, diz que não é preconceituoso. Jair diz que vai favorecer o livre mercado e o liberalismo, mas é contra a reforma da previdência e considera a dívida pública abusiva. Quer integrar o Brasil com o “Primeiro Mundo”, mas reservas indígenas são um plano do capital internacional para roubar nossas riquezas. Briga internamente com o PSC por coligação com o PcdoB no Maranhão, mas se for presidente quer cooperar com a China. Diz que devia fechar o Congresso Nacional e que a ditadura matou pouco, mas agora afirma que nem existiu ditadura.
Jair Bolsonaro não é um liberal de direita. Sua preocupação é o Conservadorismo social e a militarização da sociedade. A adoção de alguns elementos liberais na Economia em seus recentes discursos são feitos de modo a seduzir setores da direita liberal para seu lado, tal como Benito Mussolini, em seus primeiros anos de governo, colocando um liberal como Ministro da Economia para agradar os industriais italianos. Ou mesmo como Lula fez com Meirelles e Dilma com Levy.
Rachel Sheherazade e Danilo Gentili
Outras vozes se somam ao reacionarismo difuso bolsonarista: os Pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia, o Padre Paulo Ricardo, a jornalista Rachel Sheherazade, o ex-CQC Danilo Gentili. Há liberais simpáticos a Escola Austríaca entre seus fãs, mas também nacionalistas defensores da intervenção estatal na economia. Há quem o apoie apenas pela propaganda moralista de salvar o país da corrupção, e quem gosta do seu perfil “macho alfa” (em especial entre adolescentes classe média). Bernardo Santo (liberal) ajudou na construção do programa econômico de Flávio Bolsonaro para a prefeitura do RJ, enquanto Levy Fidelix (PRTB), crítico ferrenho do livre mercado, já disse interessado em chapa conjunta com Jair.
Uma das organizações que representam esse “macartismo político” é o Revoltados Online, criado pelos organizadores da Marcha da Família de 2014 , que reuniu mil pessoas em SP pedindo um golpe militar. Vários grupos vão aderir a campanha com o tempo, tal como o “SOS Forças Armadas”, que vai ser mal visto por outras forças de direita, como os conservadores-liberais.
Bolsonaro no casamento com Michelle, 27 anos mais nova, celebrado por Silas Malafaia
É inegável que Jair Bolsonaro conseguiu construir uma rede de apoio forte no mundo virtual. Dezenas de grupos direitistas conseguem se mobilizar em poucos minutos para floodar comentários de páginas rivais ou mesmo derrubá-las. Em vários casos, apelam para hackers.
Também mantém centros de difusão de boatos contra a esquerda, uma técnica usada habilmente por Donald Trump.
Aliás, há comparações com o caso aqui e lá. Donald Trump foi eleito por um partido majoritariamente conservador-liberal, mas com apoio de outras forças ideológicas, como a Alt-Right. Recebeu apoio de nazifascistas, conservadores evangélicos e judeus de direita.
No Brasil, em 2011 houve um ato de neonazistas e integralistas em apoio à Bolsonaro. E é aqui que entramos na próxima força política brasileira.

3 – Terceira Posição Política, ou Fascismo Escancarado


Mussolini e Hitler
Em 1922, Benito Mussolini chega ao poder na Itália e implanta o chamado Fascismo no país. Sua ideologia se baseia no militarismo, no ultraconservadorismo, no corporativismo e na promessa da reconstrução do Império romano, rejeitando os valores iluministas. Nas palavras do próprio:
“Do fundo das ruínas das doutrinas liberais, socialistas e democráticas, o Fascismo extrai aqueles elementos que ainda são vitais. […] ele rejeita a idéia de uma doutrina cabível a todos os tempos e a todos os povos. […] Sabendo que o Século XIX foi o século do socialismo, liberalismo e democracia, isso não quer dizer que o Século XX também tenha que ser o século do socialismo, liberalismo e democracia. Doutrinas políticas passam, nações se mantêm. Nós estamos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século que tende para a ‘direita’, um século Fascista.”
E finaliza,
“O Fascismo adquiriu agora pelo mundo, o que universalmente pertence a todas as doutrinas, que conquistando expressão-própria, representam um momento na história do pensamento humano.”
Integralistas
Rapidamente, as ideias totalitárias de Mussolini se espalham pelo mundo. Rejeitando tanto o Liberalismo quanto o Socialismo, ele busca ser um terceiro caminho. Na Espanha, se manifesta com a Falange; na Alemanha, é o Nacional-Socialismo (Nazismo); e no Brasil, teremos o Integralismo. Os principais nomes integralistas incluiam Plínio Salgado, Miguel Reale e Gustavo Barroso (tradutor do livro antissemita Os Protocolos dos Sábios de Sião).
Apesar da derrota do Fascismo internacional na Segunda Guerra Mundial, ainda hoje há remanescentes dessas ideias.
A Frente Integralista Brasileira (FIB) é uma das organizações que busca preservar o legado do totalitarismo tupiniquim. Muitos integralistas e neonazistas também se organizam em gangues – muitas vezes de skinheads, mas nem sempre -, e se dedicam a espancar
Resistência Nacionalista, 2015
militantes de esquerda e minorias, dentre as quais podemos citar os Carecas do Brasil, Carecas do Subúrbio, Carecas do ABC, White Powers, Resistência Nacionalista, Kombat RAC e Impacto Hooligan.
As iniciativas mais ousadas da Terceira Posição foram a criação da Frente Nacionalista e da Frente Social-Nacionalista, ligadas ao PRTB (de Lexy Fidelix) e ao Partido Militar (do Deputado Federal Capitão Augusto e o Ex-Comandante Geral da PM-SP, Coronel Meira).
Entre os aliados das forças fascistas estão monarquistas, defensores da intervenção militar e os Eurasianos.

4 – Quarta Teoria Política, Eurasianismo ou Fascismo Disfarçado

Aleksandr Dugin fundou com Eduard Limonov, em 1994 na Rússia, o Partido Nacional Bolchevique, uma fusão de valores do Nazismo com o Stalinismo. Quando Vladimir Putin assumiu o poder, Dugin percebeu que poderia obter vantagens ao se associar a ele, rompendo com seu antigo amigo Limonov e subindo na escada de poder russo.
Readaptou sua ideologia sob o nome de Eurasianismo, ou Quarta Teoria Política (as anteriores seriam o Liberalismo, o Socialismo e o Fascismo), que no fundo nada mais é do que uma Terceira Posição que admira Stalin, e que age em benefício dos interesses geopolíticos russos.
David Duke e Aleksandr Dugin
Dugin quer a reconstrução do Império russo, e defende uma frente ampla de todas as ideologias contra o Liberalismo, onde ele recheia com misticismo esotérico (com elementos nazistas) e sua rede de aliados e simpatizantes inclui David Duke (ex-chefe da Ku Klux Klan), Steve Bannon (ligado a Trump) e Richard Spencer (fundador da Alt-Right), além de já ter participado de inúmeros encontros com a extrema direita europeia. Em essência, Dugin é um fascista.
E então vem a grande curiosidade: Dugin tem um interesse especial pelo Brasil.
Já veio a nosso país, enfrentou Olavo de Carvalho em um debate entre conservadorismos e, claro, fala português.
Nos últimos anos começaram a surgir organizações claramente apoiadoras do Eurasianismo. São pequenas e dispersas, mas devido a força e influência de seu mentor, considerei importante incluí-las nesse artigo, pois são uma ameaça em crescimento. Suas ações passam desapercebidas pela conivência de organizações de esquerda admiradoras de Vladimir Putin, que nutrem uma certa simpatia por esses grupos, e pelo fato dessa direita “russa” disputar (por enquanto) espaço com as direitas pró-EUA, pois até pouco tempo ambas eram rivais. Com a vitória de Donald Trump e sua aproximação com Vladimir Putin, não se sabe por quanto tempo a direita olavista-bolsonarista continuará vendo as forças eurasianas como inimigas, uma vez que Jair Bolsonaro já declarou simpatizar com Putin em entrevista à JovemPan.
Treinamento da Nova Resistência com a Juventude Conservadora de Sergipe, 2016
Os Eurasianos possuem algumas páginas no Facebook (“Nova Direita Cultural”), e a maioria delas é direcionada para o público de esquerda, se passando por “comunistas conservadores” (Rede Social de Esquerda, Frente de Solidariedade à Ucrânia, Frente de Solidariedade à Síria, etc).
No entanto, já existem organizações físicas: o Avante (curiosamente, nome do jornal de Mussolini), a Nova Resistência (que possui fotos fazendo treinamento paramilitar com organizações da TCP) e a Legião Nacional Trabalhista (admiradora de Getúlio Vargas). Todas negam ser fascistas, mas basta uma verificada em suas páginas, em seus apoiadores e no seu site supremo, o Legio Victrix, para perceber que são variantes da doutrina de Mussolini à serviço de Moscou.

5 – Conclusão

Todos esses grupos defendem o Capitalismo, a divergência pode ocorrer é entre aspectos técnicos, no qual esse sistema deve funcionar de forma corporativista-intervencionista ou nas regras do livre mercado. Podem divergir sobre o grau de conservadorismo ou prioridades momentâneas, mas todos são adeptos do valor fundamental da Direita: a Hierarquia. Uns merecem governar e outros a obedecer, pois esta seria a “ordem natural e justa do mundo”.
Norberto Bobbio já dizia:
“A Direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A Esquerda encara-a como uma aberração a ser erradicada.”

Bandeira integralista em carro de som do SOS Forças Armadas
Não vivemos uma ascensão da direita, pelo menos não da forma que é vendida. As pessoas não começaram a, repentinamente, se tornarem reacionárias e conservadoras. Durante os 13 anos de Governos do PT, a direita esteve próxima ao poder. Mas quando a crise chega, o amor acaba e muitas pessoas com essas posições, as vezes sem ter uma consciência doutrinária delas, começaram a se organizar. A responsabilidade isso se dá, em partes, a falta das reformas estruturais e o abandono do trabalho de base da esquerda em prol da acomodação.
Diante dessa nova rearticulação, da centro-direita à extrema-direita, a esquerda não possui condições necessárias para reagir. Às vezes, como vimos, ela se deixa até mesmo fazer acordos e alianças com alguns grupos, cedendo sempre à reação.
A saída é a resistência, por todas as formas possíveis. Devemos unir a luta cultural – progressista e inclusiva – com as pautas de classe e anticapitalistas, e partir para a ofensiva. Precisamos conversar com a população, esclarecê-la, nos organizarmos. As forças da tirania atacam no Brasil e no mundo. Hoje, mais do que nunca, é socialismo ou barbárie.
Carecas em ato de apoio a Jair Bolsonaro, 2011

Por: http://elcoyote.org


http://assuntosprodutodamente.blogspot.com.br/2017/03/por-dentro-da-direita-brasileira.html