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terça-feira, 30 de abril de 2013

O novo flagelo da África se chama Edir Macedo



Seu império ascendente nos países lusófonos é a prova de que tudo o que é ruim sempre pode piorar.
Culto da IURD em Moçambique
Culto da IURD em Moçambique
Se, como quer aquele pastor de cabelo lambido, a África é amaldiçoada, já se sabe qual é o seu maior flagelo hoje: as igrejas pentecostais – especialmente a Igreja Universal do bispo Macedo.
Em seu plano de expansão mundial, a chamada IURD encontrou um terreno fértil na África lusófona. Em Angola e Moçambique (onde foi apelidada “igreja dos ladrões), os cultos lotam estádios para 50 mil pessoas, sempre com gente do governo. No dia 31 de dezembro do ano passado, 16 pessoas morreram e 120 ficaram feridas num tumulto em Luanda durante uma certa “Vigília da Virada – Dia do Fim”, uma picaretagem que prometia acabar com “todos os problemas que estão na sua vida: doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja e olho grande”. Depois de dois meses impedida de operar por causa de “propaganda enganosa”, a IURD reabriu em 1º de abril. Acredita-se que as boas relações com o governo foram fundamentais para que a suspensão caísse.
De acordo com o jornalista e ativista Rafael Marques, o presidente angolano José Eduardo dos Santos, do MPLA (no poder desde 1975), teria conexões com a igreja. Marques afirma que a Universal angaria votos para o MPLA e ajuda a lavar dinheiro.
Segundo o site religioso The Revealer, “em Moçambique, tal como em outros lugares, o credo da Universal tem levado à bancarrota alguns dos seus crentes. Os fiéis têm deixado chaves de carros, títulos de propriedade e salários no altar, na esperança de alcançar um milagre prometido, apenas para abandonar a Igreja meses ou anos depois sentindo-se enganados”.
Os pastores, muitos deles importados do Brasil, fazem aquele circo clássico de exorcismos, “milagres”, ataques a deuses africanos e à “feitiçaria”. Pagando o dízimo, fica tudo em casa. Se aqui a Universal dispõe de poder político, lá não é diferente. Num evento no final de 2011, com mais de 500 mil espectadores, estavam o então primeiro ministro moçambicano, Aires Ali, o ministro da Justiça e o ministro dos Desportos e Cultura.
Edir Macedo não se manifestou publicamente sobre a tragédia em Luanda. Mas apareceu há dias na revista Bloomberg numa extensa reportagem sobre seu império. “Do ponto de vista de minha fé em Jesus Cristo, eu sou o homem mais rico do mundo”, disse cinicamente, por email, ao repórter Alex Cuadros. Sua fortuna é estimada em 1,2 bilhão de dólares. Tudo graças à teologia da prosperidade, a aberração que foi definida pelo próprio Macedo de maneira sucinta: “O Deus desse mundo é o dinheiro”. Ele mesmo continua: “Uma oferta é um investimento. Aquele que dá tudo, recebe tudo de Deus. É inevitável. É toma lá, dá cá”.
Lá como cá, a IURD é dona, em Moçambique, do canal de TV mais popular, de um jornal que está entre os mais lidos e de emissoras de rádio. No final dos anos 90, um jornalista chamado Carlos Cardoso escreveu uma série de artigos argumentando que as práticas financeiras da Universal se assemelhavam mais às de uma empresa do que às de uma igreja e por isso ela deveria recolher impostos. Não deu em nada, naturalmente.
Pobre África, tão longe de Deus, tão perto do bispo Macedo.
A vigília em Luanda que acabou em tragédia
A vigília em Luanda que acabou em tragédia
Kiko Nogueira
No DCM

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bispo Macedo enfrenta 'demônio' da Igreja Mundial, que lhe toma fieis, bispos e grana


A guerra da Record contra a Globo está agora em um segundo plano para o bispo Edir Macedo, fundador e principal nome da Igreja Universal, dona da Rede Record.
Quem mobiliza todas as forças de Macedo no momento é seu principal antagonista, o bispo Valdemiro Santiago de Oliveira, que foi da cúpula da Universal e de lá saiu (ou foi saído) em 1997, depois de 18 anos na igreja.
Líder da Universal, Edir Macedo publicou em seu site um vídeo onde fica escancarada a guerra contra Valdemiro (que Macedo chama de Valdomiro no vídeo), fundador da Igreja Mundial, uma Universal B (como a Record é uma Globo B), mas que já conta com 1400 igrejas, e tem tomado fieis, pastores e bispos da Universal. E junto com esses, dinheiro que eles levam, conseguem, arrecadam.
A Igreja Mundial é aquela que conseguiu parar a Dutra recentemente, quando inaugurou sua sede em Guarulhos, mesmo contra ordem judicial.
A Universal está sentindo o baque nas finanças. A grana que corria solta para novos projetos na Record recebeu um freio de arrumação. O grupo anunciou que vai desativar a Line Records (a Som Livre da Record).
O desespero do bispo Macedo com o crescimento da rival é tanto, que ele não se faz de rogado e "expulsa o demônio" de uma fiel. Esse "demônio" (confira no vídeo) afirma que Valdemiro é seu servo e que só teme a Universal de Macedo, porque ali o demônio não tem vez.
Não tenho o conhecimento que Macedo tem de seu público, mas acho o vídeo primário e a encenação (desculpem-me os que acreditam, mas é o que me parece) primária.
Vamos ver se atinge o alvo.
Por sua vez, a Globo há pouco fez um festival evangélico, não apenas visando o imenso número de fieis, mas o fortalecimento dos adversários de Edir Macedo. (Parêntesis: em fevereiro de 2009 a Igreja Mundial arrendou a Rádio Mundial, das Organizações Globo).
Curioso é o título que Macedo colocou no vídeo: "Aviso aos incautos". Afinal, o aviso tanto pode significar que ele pretende fazer um alerta para defender os incautos como, lapsus linguae, um alerta que só os atingirá...
No Blog do Mello