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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Precisamos aprender a lição


Menalton Braff, Revista bula

“Há poucos dias fomos alvo de brincadeiras nos jornais do mundo todo, principalmente nos espanhóis. E mexeram justamente em nossa ferida, ou aquilo que a grande mídia elegeu como tal: o futebol. Numa das manchetes publicadas em Barcelona, lia-se o belo trocadilho “Deuses e Santos”. 

Bem, o fato de o Santos Futebol Clube, ou seja lá qual for seu nome completo, ter perdido para uma equipe espanhola, teria sido digerido com a maior facilidade, não fôssemos o “país do futebol”.  A mídia, sobretudo a grande mídia, que em um de seus segmentos vive à custa do esporte, cria uma expectativa, forjada à base da repetição (técnica de Goebbels?), que muitas vezes não encontra base na realidade.

Primeiro, nos convencem de que o Santos é o Brasil. E não é. Depois vão formulando por vias indiretas o silogismo “Se o Brasil é o melhor do mundo (a premissa maior já é uma falácia) e o Santos é o Brasil (premissa menor é outra), (conclusão) o Santos é o melhor do mundo. Ora, com duas premissas falsas eles criam a tal da expectativa que só pode redundar na frustração dos torcedores, pois não acontece o que se espera. 

Mas deixando a lógica menor de lado, o fato é que perder para o Barcelona, como muita gente assinalou, não é desdouro nenhum. Concordo. Mas perder de 4 a zero, bem, amigos, aí já é mais difícil de engolir a pílula. Já me parece um caso de humilhação.”
Artigo Completo, ::Aqui:

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O mito "Barcelona"

O Barcelona Futebol Clube deixou de ser um clube de futebol para tornar-se uma instituição mítica. Não se comenta apenas a vitória acachapante sobreo Santos, comenta-se que o Barcelona FC joga melhor porque possui uma outra filosofia. Valorização da base, administração diferenciada, ousadia, relação com sua terra e seu povo... e por aí vai. 

Na história da rivalidade Barcelona x Real Madrid, há raízes históricas profundas. No processo da Guerra Civil Espanhola, o Real Madrid encarnou a Espanha franquista, institucional, enquanto o Barcelona que já era ligado à luta do povo catalão, vinculou-se à causa republicana. Vamos convir que, um rivalidade assim é muito mais apaixonante que a maioria das rivalidades que conhecemos no futebol brasileiro.
Toda essa história confere ao Barcelona uma aura diferenciada. Não é só o melhor time do mundo, mas é um time no qual identificamos valores que gostaríamos de ver nos times brasileiros: garra; amor à camiseta; continuidade d eum trabalho; jogadores que se divertem jogando e, ao mesmo tempo, fazem bem feito o que são pagos para fazer. O Barcelona dá aos seus torcedores e admiradores do futebol aquilo que mais se deseja: jogo bonito com vitória no final. Na pior das hipóteses,  assiste-se a um jogo jogado e com vontade de vencer. Não é à toa que, após a vitória do Barça, as pessoas saíram com a camiseta do time como se fosse o time "da casa". O Barcelona tornou-se uma bandeira, uma causa, um mito.
Talvez, em algum momento apareça alguém para desfazer tudo isso. Talvez a explicação de como um clube consegue pagar salários tão altos em um país assolado pelo desemprego não seja nada romântica. O fato é que os caras jogam muito e, em um mundo envolvido em escândalos, mesquinharias, despido de qualquer apego a uma causa nobre, ver gente suandoa camiseta, jogando bonito e ganhando dê um alento. É como se nos dissessem, é possível vencer estando do lado do bem e do belo. É a vingança da Hungria de 54, da Holanda de 74, do Brasil de 82; do futebol brilhante, mas derrotado. Ainda que o mito venha a ser desfeito, vale a pena ver o Barcelona jogar. E para nós, colorados, resta o singelo orgulho de poder dizer: "já ganhamos desses caras".

No Opinião Singela