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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Palófi? Ah, ah, ah, ah, ah...


Enquanto isso, em uma sala luxuosa da Febraban...

– E aí, como vai Bob?

– Tudo ótimo, Peter. Mas essa crise me preocupa.

– Crise? Já viu os lucros de nossos bancos?

– Não! Tô falando dessa história de delações premiadas do Palocci. Já pensou?

– Ah, o Palófi...

– O quê?

– O Palófi!

– Ah,ah,ah,ah,ah,ah. Muito boa essa! Palófi! Por causa da língua presa, né? Ah,ah,ah,ah,ah,ah...

– É isso aí. Não tenho medo do Palófi!

– Ah,ah,ah,ah... Tudo bem mais ele sabe muita coisa podre de nosso pessoal.

– Por isso mesmo que o Temer baixou medida provisória autorizando o Banco Central a fechar acordos de leniência com as instituições financeiras. Ou seja, os bancos que cometeram crimes ou irregularidades poderão colaborar com as autoridades para diminuir suas penas.

– E você acha isso bom?

– Bom? É ótimo! Na verdade, o grande lance aí são os termos de compromisso que serão firmados com as autoridades. Provavelmente, eles vão ser secretos porque sua divulgação pode causar “danos ao sistema”. Não é lindo?

– Mas o valor das multas vai passar de R$ 250 mil pra R$ 2 bilhões!

– Nada disso! Este é só o novo teto das multas. Não quer dizer que elas vão chegar a isso tudo. Além disso, só vale para infrações cometidas daqui pra frente.

– Hummm...

– Que foi? Tô te falando. Não dá pra ter medo do Palófi.

– Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah. Ai, tô até passando mal...

– Boa essa né, da língua presa? Palófi! Ah,ah,ah,ah…

– Não. Não tô mais rindo do seu "Palófi". Tô rindo é de felicidade. Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah, ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah, ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah,...








quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nassif fala sobre a demissão de Palocci

Luis Nassif

A demissão de Antônio Palocci, em si, não prejudica o país. De minha parte, considerei rematada imprudência sua nomeação para um cargo-chave, como Ministro-Chefe da Casa Civil.

Mesmo que formalmente não tenha cometido nenhum ilícito, como consultor, era evidente que o mero exercício da consultoria e o fato de ter enriquecido no último ano daria margem a toda sorte de exploração política.

***

É grande a lista de ministros que enriqueceram depois de terem deixado o governo. É enorme o capital acumulado no exercício da função, permitindo várias formas de usufruto, dos legítimos aos ilícitos.

Por exemplo, antes da crise mundial, havia uma operação praticada no Banco Central que permitiu ganhos expressivos a muitas empresas: o swap reverso. A empresa ganhava se houvesse uma apreciação do real. Muitas relutavam em apostar por não ter segurança sobre quando poderia haver uma inversão do câmbio....

O Palocci que me perdoe, mas beleza é fundamental

Eu, como eleitor da Dilma, apoio integralmente a troca por ela realizada na Casa Civil, nomeando Gleisi Hoffmann pra o lugar do feioso do Palocci. Se alguém tem alguma coisa contra é só olhar a foto dos dois ali embaixo. E, pelo que li, dizem que a quadrilha do PMDB a detesta, um excelente sinal.
O Palocci que me perdoe, mas beleza é fundamental. A benção Vinicius...


                                                
interrogações

terça-feira, 7 de junho de 2011

Palocci, a ‘psolização’ do PT e o poder da direita midiática



Acompanhei, passo a passo, o surgimento das redes sociais no Brasil. Egresso de uma época em que, para a esquerda, era dificílimo fazer política por falta do que sobrava à direita, isto é, os meios de se comunicar com a sociedade, cheguei a acreditar em que o acesso que agora a mesma esquerda tinha à comunicação deixaria a direita fora do poder por muito tempo.

O inacreditável caso Palocci mostra que me enganei. Nem a esquerda tendo agora meios de se comunicar – como os blogs, o Orkut, o Facebook, o Twitter e congêneres –, mostra-se capaz de superar a sua deficiência histórica que a ditadura militar tão bem detectou: esquerdistas só se unem na cadeia, ou seja, exclusivamente em situações-limite.....

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O que fica e o que passa

Ministros em apuros são mais a regra que a exceção em nossa experiência recente. Se alguém se desse ao trabalho de calcular quantos dias passamos, nos últimos 20 anos, sem que pelo menos um estivesse complicado, veríamos que não foram muitos
O que é realmente importante na informação que recebemos todo dia sobre o sistema político? E o que é secundário, referindo-se a coisas que não duram muito e apenas parecem ter maiores consequências?
Neste momento, por exemplo, o noticiário sobre a crise causada pelos problemas de Antonio Palocci domina os meios de comunicação. Ela é importante?.....

Quem vazou dados da empresa de Palocci foi a Secretaria de Finanças de SP. Confira

Todo mundo conhece aquela piada dos pais que são chamados à escola para conversa com a diretora que acusa o filhinho deles de ter colado a prova de um colega. Indignados, eles perguntam como ela pode acusar o filho, "e se foi o outro que colou do nosso?". E a diretora diz: É que todas as respostas eram iguaizinhas, menos uma. O colega de seu filho escreveu:"Não sei". O filho de vocês: "Nem eu". Pois é, o gato deixou o rabo de fora.

O mesmo aconteceu com o vazamento dos dados da Projeto, empresa do ministro Antonio Palocci. A Folha, que publicou o vazamento, quer que Palocci confesse tudo, nomes de clientes, valores recebidos, tipo de consultoria, mas se recusa a fornecer a sua fonte: quem vazou dados sigilosos da empresa de Palocci.
Mas, hoje, escondidinha em meio a uma reportagem sobre Kassab, na página A7 do Estadão, o rabo do gato apareceu. O vazamento só pode ter sido a partir da Secretaria de Finanças paulistana, comandada pelo serrista Mauro Ricardo. A prova do crime (o rabo do gato) é a seguinte: A Projeto emitiu uma nota de ISS para a Prefeitura, mas depois pediu correção. "O valor vazado seria o anterior à correção e só a Prefeitura teria o registro". Abaixo, confira a imagem do trecho da A7 do Estadão de hoje, onde está a informação.

By: Blog do Mello

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Falar tornou-se dever político para Palocci

Uma crise não se resolve sozinha. Ela tem de ser desatada.
A esta altura, só uma pessoa pode, com total liberdade, resolver a crise criada em torno do ministro Antonio Palocci.
Chama-se Antonio Palocci.
Para o bem ou para o mal, ele tem, como todo homem público, de se expor quando percebe que  está sendo usado contra o projeto político do qual participa.
Repito o que sempre disse aqui: não há, até este momento, nenhum ato que se possa afirmar irregular do Ministro. Até porque tudo o que se noticiou até agora ocorreu durante seu mandato como deputado e, até prova em contrário, deu-se dentro dos limites legais.
Se não o foi, é coisa que está por se provar.
Mas o silêncio do Ministro não pode mais prevalecer sobre o deve de enfrentar esta crise.....

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Que País é este?




Para quem estivesse um pouco ausente do País nos últimos tempos algumas hipotéticas manchetes sobre a Previdência Social, o Código Florestal, o ministro da Casa Civil e a privatização de aeroportos seriam um sinal de grave alteração na cena política brasileira.
A paternidade da frase é normalmente atribuída ao antigo dirigente do partido do governo à época da ditadura militar, a ARENA, Francelino Pereira. Em 1976, na condição de líder do governo do General Geisel, lançou a pergunta em um evento em SP. O mote foi imediatamente apropriado pela oposição à ditadura e depois acabou virando título de livro, de filme e por aí vai. Na verdade, reflete bem um misto de dúvida, indignação, surpresa e até mesmo a confissão de ignorância a respeito da essência mesma da nossa forma de ser, de estar e de agir.
Afinal, trata-se de uma formação social que nos surpreende a cada instante. Muitas vezes, de forma positiva, apresentando soluções inovadoras e oferecendo a seus cidadãos e ao resto do mundo aspectos que nos orgulham da condição da nossa brasilidade. Infelizmente, no entanto, por outro lado não são poucas as situações em que os fenômenos da dinâmica política nos enchem de perplexidade e indignação.
Para quem estivesse um pouco ausente do País nos últimos tempos – pouca coisa, não mais do que 2 semanas - as hipotéticas manchetes abaixo seriam um sinal de grave alteração na cena política brasileira:   ...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Para entender a consultoria de Palocci

Para entender o festival de irrelevâncias com que a velha mídia trata o caso Palocci – e sua dificuldade em entrar nos temas centrais.


Antonio Palocci cumpriu bem seu papel de fazer o meio campo do governo com o grande capital. Mas queria mais: ser aceito no clube, ser recebido na sala de visitas. Tornou-se o Pedro Malan do PT, não apenas na orientação econômica, mas nos maneirismos adquiridos nos salões, na maneira de falar baixo, como gente fina.

Sua consultoria faz lobby, sim.

Juntando as informações que saem picadas na imprensa, percebe-se que provavelmente sua maior fonte de receita decorreu da operação de capitalização da WTorre pelo banco BTG Pactual.....

domingo, 29 de maio de 2011

“Paloccigate” é só o ensaio




O que é ser ético em política? A cada dia que passa, fica mais difícil associar honestamente as palavras “política” e “ética”. Tornaram-se quase antônimas. Ou você é ético ou você é político. Há os que conseguem não ser as duas coisas, mas ser ambas é viagem astral. Você pode ser um sonhador, idealista, crente na ciência política exercida com ética, mas assim que inicia sua primeira campanha eleitoral, mesmo para chefe do diretório acadêmico de sua faculdade, você é contaminado pelo jogo de interesses e toda a barra pesada que envolve os processos políticos. Se ganha a eleição não é por ser o melhor, mas o menos ruim. Daí em diante, sua carreira política quase sempre passa longe da ética. Ninguém – absolutamente ninguém – empobrece depois de ocupar cargo público! É da natureza do ambiente que experiência e conhecimento adquiridos se convertam em benefício próprio. Lula dobrou seu patrimônio em menos de 6 meses: já na 3a palestra que deu, somou mais dinheiro do que o acumulado nos 8 anos de salário como presidente. FHC demorou mais tempo por duas razões: a) já era rico – portanto levou mais tempo para dobrar sua riqueza. b) vale menos que Lula como palestrante – portanto precisou de mais palestras para receber o que Lula recebeu em 3....

sábado, 28 de maio de 2011

Para olhar o caso Palocci




Para cada um de nós, ao analisarmos a crise política que se formou em torno deste episódio envolvendo o Ministro Antonio Palocci, importam, e muito, os aspectos éticos que possam merecer qualquer tipo de condenação moral de nossa parte.
Mas, para a dinâmica do processo político isso é absolutamente secundário. Cada fato, detalhe ou suspeita serve essencialmente como combustível para que uma máquina de interesses entre em movimento, avance e alcance o máximo de seus objetivos.
E isso é fácil de provar, como a um teorema.....

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Palocci: À mulher de César, não basta ser honesta...



No fim de semana, a Folha de São Paulo publicou matéria demonstrando o grande crescimento dos bens pessoais do ex deputado federal e atual chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Entre 2006 e 2010, o patrimônio do ministro foi de R$375 mil para R$7,5 milhões, através da Consultoria Projeto, que ele montou com a sua esposa Margareth.

Com a publicação da matéria, a imprensa correu atrás dos envolvidos, para repercutir e tentar esclarecer o crescimento patrimonial de Palocci. O Ministro se recusou a detalhar a natureza de suas consultorias ou os clientes envolvidos, e o Planalto, pela palavra do Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, considera o assunto encerrado.

Tendo em vista a conturbada relação do Governo Lula com a imprensa, que o perseguiu implacavelmente durante os seus oito anos de presidência (e ainda o persegue), talvez fosse o caso de o Planalto refletir melhor sobre essa sua postura de não se preocupar em explicar nada para a imprensa. Senão, vejamos:.....

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Caso Palocci: a luta é política

Por Brizola Neto, no blog Tijolaço:

Não estou fazendo juízo de valor sobre qualquer situação. Nem tenho porque condenar ou absolver alguém antes de que os fatos sejam esclarecidos. No mínimo, antes que se aguarde a entrega, esta semana, das informações pedidas pelo procurador-geral da República ao Ministro Antonio Palocci. E, mais de uma vez, já disse que nunca morri de amores por sua linha de idéias político-econômicas.

Seja como for, os fatos alegados não se referem a ações de Governo, mas atos e negócios praticados fora do Governo, pelos quais, se for o caso, ele deve responder.

Todos, aliás, devemos responder por nossos atos.

A análise que cabe agora não é jurídica ou factual.

É política......

PT formaliza acusação de quebra de sigilo; base de Kassab reage

Petistas cogitam chamar secretário de Kassab a prestar esclarecimentos; tucano envia ofício ao ministro Gilberto Carvalho

Ricardo Galhardo, iG São Paulo
As acusações lançadas pelo PT sobre uma suposta violação do sigilo do ministro Antonio Palocci abriram nesta terça-feira uma queda de braço entre base e oposição em São Paulo. Após petistas protocolarem um requerimento cobrando explicações da prefeitura paulistana, em uma ação endossada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a base de apoio ao prefeito Gilberto Kassab decidiu reagir......

terça-feira, 24 de maio de 2011

MINISTRO ANTONIO PALOCCI PRECISA FALAR AOS CIDADÃOS BRASILEIROS.


O Ministro da Casa Civil Antônio Palocci está devendo uma palavra ao cidadão brasileiro. Não uma explicação à oposição e aos políticos que integram PSDB / DEM / PPS, pois não tem nenhuma credibilidade ou autoridade para cobrar nada.

Mas, o cidadão brasileiro, esse tem o direito de ouvir do Dr. Palocci, o que ele tem a dizer sobre o caso. Que o Ministério Público apure, e que a Procuradoria Geral da República exija informações do Ministro é cabível e oportuno, mas, o que precisa ser feito de imediato é uma declaração pública que mostre não haver nada a esconder, nem ilegalidade nenhuma nas ações de Palocci.

A demora em apresentar sua versão sobre a evolução de seu patrimônio, rebatendo as insinuações de que foi obtido de forma ilegal ou fora dos preceitos de moralidade pública, coloca Palocci numa posição de fragilidade, e expõe o governo que ele compõe.

É certo que muito do que está sendo jogado na MÍDIA, tem como objetivo tirar de Palocci o poder de deter os avanços dos ruralistas sobre alterações do Código Florestal. Palocci vinha até então sendo a barreira escolhida por Dilma para impedir anistia aos desmatadores.

Mesmo assim, os brasileiros esperam uma palavra oficial do Ministro Palocci.
007 bondeblog

domingo, 22 de maio de 2011

Cantanhêde atiça a “massa cheirosa”




Foto: Wilson Dias-ABr


Eliane Cantanhêde, uma das principais colunistas da FSP (Folha Serra Presidente), sempre teve “laços afetivos” com o alto tucanato. Durante a chamada crise do “mensalão do PT”, em 2005/2006, ela foi uma das vozes mais estridentes contra o presidente Lula. Já na campanha eleitoral do ano passado, ela mostrou todo o seu entusiasmo militante com a candidatura de José Serra ao estrelar um vídeo, toda faceira, no qual elogiava a “massa cheirosa” do PSDB.

Confirmada a vitória de Dilma Rousseff, a “calunista” da Folha parecia que havia abandonado seu ativismo tucano. Até andou elogiando a presidenta, tentando colocar uma cunha entre ela, agora uma “estadista”, e o ex-presidente Lula, “o populista”. Mas......

sábado, 21 de maio de 2011

O escândalo Palocci e as miçangas

Até o momento, mesmo com todos os revezes de sua vida pública, a imagem de Antonio Palocci, titular da Casa Civil, que emerge das denúncias de que teria aumentado o seu patrimônio pessoal em 20 vezes de 2006 a 2010, está longe de ser a de um ministro enfraquecido. É o retrato de corpo inteiro de um político muito forte. Palocci não tem poder apenas porque isso foi conferido a ele pela presidente da República, Dilma Rousseff, mas pela capacidade de se investir do papel de fiador de governos petistas, principalmente junto ao mercado. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi o fiador de um candidato eleito considerado pelo mercado como um incendiário; no governo Dilma, de uma presidente com um passado revolucionário que carregava a tiracolo um ministro da Fazenda, Guido Mantega, nada ortodoxo, e optou por tirar do Banco Central outro "fiador" do mercado, Henrique Meirelles.
No governo Lula, Palocci não caiu porque se viu envolvido em denúncias. Enquanto eram apenas elas, foi suficientemente poupado pelo mercado, pelos jornais e também pela oposição. Caiu devido a um excesso seu, depois de já ter retomado o controle sobre seu destino no Congresso. Depois de sair-se muito bem em uma ida ao Legislativo para prestar esclarecimentos, sua assessoria divulgou o sigilo bancário de um caseiro, a testemunha do caso. Se esse excesso não tivesse acontecido, é provável que tivesse continuado no governo, inclusive fortalecido, numa conjuntura em que o presidente estava frágil e o PT sob fogo cruzado. Seria, pelo menos naquele momento, um ministro forte sustentando um presidente fraco. Palocci não voltou para o governo antes de ter sido absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mas, já nessa condição e ainda na campanha eleitoral de Dilma, colocou-se – e foi colocado – novamente como o grande interlocutor do partido junto ao poder econômico. A manutenção de Guido Mantega na pasta da Fazenda foi um aceno, para o partido, de que a presidenta não abandonaria a opção desenvolvimentista representada pelo titular da pasta. A escolha de Palocci como "gerente", todavia, deu a ele o espaço de articulador e mediador junto a setores empresariais e financeiros.
Palocci ocupou todos os espaços de poder conferidos à Casa Civil: não há um assunto de governo, hoje, que não seja acompanhado pelo ministro. Não interessa para esses setores, que têm uma forte ascendência também sobre os partidos de oposição, que se mude a relação de poder dentro de um governo cujos espaços divide com a esquerda, ou que desapareça do cenário um político pragmático, que tem bom trânsito a empresários e a partidos mais conservadores da base aliada, além de uma certa simpatia da oposição. Se cair, será por seus excessos, não pelo zelo da oposição em defenestrá-lo.
O primeiro excesso já ocorreu. Em sua defesa, partiu para o ataque. Sua nota, em que nomeia ex-ministros que ficaram ricos depois que saíram do governo, é uma saída à La caseiro: uma aposta de que tem apoio de quem interessa do lado de fora do governo, e de quem consegue fazer isso prevalecer dentro do Congresso e do próprio núcleo de poder; a certeza de que a intimidação pode levar adversários ao corner. Como grande gerente da máquina de governo, conseguiu, por exemplo, traduzir isso em votos na Câmara para evitar sua convocação para prestar esclarecimentos. Confiante em sua própria capacidade de reverter uma situação contrária, apela com naturalidade ao discurso de que se todos fazem – ganham dinheiro depois que saem do governo -, ele também tem esse direito.
É uma situação que pouco contribui para a discussão de sistema político do país. Um debate de reforma política que abrir mão de entender por que é tão normal ex-dirigentes governamentais da área econômica acumularem fortunas depois que saem de cargos públicos será uma discussão sobre miçangas. O que é hoje, segundo o ministro, um padrão normal de relações, onde fatalmente um homem forte de governo se torna rico quando volta para a planície, é também um elemento importantíssimo de análise das causas da corrupção no Brasil. O discurso oficial, assumido pelos jornais e pela opinião pública, é o de que a classe política é intrinsicamente corrupta: faz parte da sua natureza ruim o político tirar proveito de seu mandato. O problema é bem mais amplo. Na verdade, num sistema onde transitam grandes vantagens privadas, a corrupção é um negócio que interessa tanto ao corruptor, como ao corrupto. Para os setores que têm interesses econômicos no governo, é uma situação muito mais cômoda arcar com os ônus de financiar campanhas políticas e contratar consultorias de quem tem informações de governo do que defender, por exemplo, o financiamento público de campanha. Num sistema político que é movido a dinheiro privado, esses recursos não apenas financiam partidos, mas escolhem nas agremiações quem vai representá-lo. O financiamento privado é uma terceirização da atividade partidária. O dinheiro mantém nos partidos homens fortes, cujos erros são relativizados, e todo o sistema político na defensiva, ao jogar para os representantes eleitos a responsabilidade exclusiva das mazelas morais da democracia.
Maria Inês Nassif
Ilustração by: Netto , via Com textolivre
By: Nassif

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Caso Palocci e a seletividade da mídia



Por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa

Leigos costumam achar que jornalismo é profissão sem rotina. Ledo engano. Todo ano tem Carnaval, Campeonato Brasileiro, enchentes em São Paulo e em cidades do Nordeste; a cada dois, eleições e bienais; de dois em dois ou Copa do Mundo ou Olimpíada; todos os dias, fofocas políticas e denúncias de corrupção. As pautas estão sempre pré-montadas à espera de repórter que lhe acentue os contornos e que tenha disposição para cobri-las com imagens candentes, com frases bombásticas, com depoimentos indignados de cidadãos.....

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A verdade sobra a quebra de sigilo de Francenildo

Nesses dias voltou ao noticiário o caso da suposta quebra do caseiro Francenildo Costa pelo Palocci, que foi mencionado no programa eleitoral do PSDB pelo Serra e no do PSOL, partido que o Francenildo se filiou.
Nos dois programas o Palocci é acusado de ter violado o sigilo do Francenildo.
Não é bem assim. Por falta de informação ou má-fé, os dois programas e a velha mídia omitem informações importantes que inocentam o Palocci e mostram quem é o verdadeiro culpado da quebra do sigilo do Francenildo.
Em 2006, logo após a confusão da suposta quebra de sigilo do caseiro pelo Palocci, no dia 05/04/2006, o jornal O Globo publicou uma matéria onde o conceituado constitucionalista e Professor Pedro Estevam Serrano da PUC-SP, afirma que o Palocci não cometeu crime algum.
No mesmo dia da sua publicação, estranhamente, a matéria desapareceu do site e dos arquivos do jornal. Mas, como tenho a mania de copiar tudo, fiz uma cópia do texto. Na matéria, o Professor Pedro Estevam Serrano afirma: