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domingo, 22 de junho de 2014

Os principais micos da Copa 2014


Pragmatismo Político 

"A Copa do Mundo do Brasil ainda não passou da primeira fase, mas já são fartas as gafes, foras e barrigadas do mundial, especialmente fora do campo.
E, curiosamente, elas nada têm a ver com as previsões das “cartomantes do apocalipse” que alardeavam que o país não seria capaz de organizar o evento e receber bem os turistas estrangeiros. Muito pelo contrário.
Os estádios ficaram prontos, os aeroportos estão funcionando, os gringos estão encantados com a receptividade brasileira e a imprensa estrangeira já fala em “Copa das Copas”.

Confira, então, os principais micos do mundial… pelo menos até agora!

1 – O fracasso do #NãoVaiTerCopa

Mesmo com o apoio da direita conservadora, da esquerda radicalizada, da mídia monopolista e dos black blocs, o movimento #NãoVaiTerCopa se revelou uma grande falácia. As categorias de trabalhadores que aproveitam a visibilidade do evento para reivindicar suas pautas históricas de forma pacífica preferiram apostar na hashtag #NaCopaTemLuta, bem menos antipática e alarmista. E os que continuaram a torcer contra o evento e o país, por motivações eleitoreiras ou ideológicas, amargam o fracasso: políticos perdem credibilidade, veículos de imprensa, audiência e o empresariado, dinheiro!

2 – A vênus platinada ladeira abaixo

Desde os protestos de junho de 2013, a TV Globo vem amargando uma rejeição crescente da população. E se apostava no #NãoVaiTerCopa para enfraquecer o governo, acabou foi vendo sua própria audiência desabar. Uma pesquisa publicada pela coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, com base em dados do Ibope, mostra que no jogo de abertura da Copa de 2006, na Alemanha, a audiência da Globo foi de 65,7 pontos. No primeiro jogo da Copa de 2010, na África do Sul, caiu para 45,2 pontos. Já na estreia do Brasil na Copa, neste ano, despencou para 37,5 pontos.

3 – #CalaABocaGalvão

Principal ícone da TV Globo, o narrador esportivo Galvão Bueno é o homem mais bem pago da televisão brasileira, com salário mensal de R$ 5 milhões. Mas, tal como o veículo que paga seu salário, está com o prestígio cada vez mais baixo. Criticar suas narrações virou febre entre os fãs do bom futebol. E a própria seleção brasileira optou por assistir os jogos da copa pela concorrente, a TV Band. O movimento #CalaABocaGalvão ganhou ainda mais força! O #ForaGlobo também!

4 – A enquadrada na The Economist

A revista britânica The Economista, que vem liderando o ranking da imprensa “gringa” que torce contra o sucesso do Brasil, acabou enquadrada por seus leitores. A reportagem “Traffic and tempers”, publicada no último dia 10, exaltando os problemas de mobilidade de São Paulo às vésperas de receber o mundial, foi rechaçada por leitores dos EUA, Japão, Holanda, Inglaterra e Argentina, dentre vários outros. Em contraposição aos argumentos da revista, esses leitores relataram problemas muito semelhantes nos seus países e exaltaram as qualidades brasileiras, em especial a hospitalidade do povo.

5 – O assassinato da semiótica

Guru da direita brasileira, o colunista da revista Veja, Rodrigo Constantino, provocou risos com o texto “O logo vermelho da Copa”, em que acusa o PT de usar a logomarca oficial do mundial da Fifa para fazer propaganda subliminar do comunismo. Virou chacota, claro. O correspondente do Los Angeles Times, Vincent Bevins, postou em seu Twitter: “Oh Deus. Colunista brasileiro defendendo que o vermelho 2014 na logo da Copa do Mundo é obviamente uma propaganda socialista”. Seus leitores se divertiram usando a mesma lógica para apontar outros pretensos ícones comunistas, como a Coca-Cola (lol)!

6 – A entrevista com o “falso” Felipão

Ex-diretor da Veja e repórter experiente, Mário Sérgio Conti achou que tivesse tirado a sorte grande ao encontrar o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, em um voo comercial, após o empate com o México. Escreveu uma matéria e a vendeu para os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, que a publicaram com destaque. O entrevistado, porém, era o ator Wladimir Palomo, que interpreta Felipão no programa humorístico Zorra Total. No final da conversa, Palomo chegou a passar seu cartão à Conti, onde está escrito: “Wladimir Palomo – sósia de Felipão – eventos”. Mas, tão confiante que estava no seu “furo de reportagem”, o jornalista achou que era uma “brincadeirinha” do técnico…

7 – A “morte do pai” do jogador marfinense

O jogador da costa do Marfim, Serey Die, caiu no choro quando o hino do seu país soou no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Imediatamente, a imprensa do Brasil e do mundo passou a noticiar que o pai dele havia morrido poucas horas antes. A comoção vias redes sociais foi intensa. O jogador, porém, desmentiu a notícia assim que pode. Seu pai havia morrido, de fato. Mas há dez anos. As lágrimas se deveram a outros fatores. “Também pensei no meu pai, mas é por tudo que vivi e por ter conseguido chegar a uma copa do mundo”, explicou.

8 – “Vai pra casa, Renan!”

Cheio de boas intenções, o estudante Renan Baldi, 16 anos, escolheu uma forma bastante condenável de reivindicar mais saúde e educação para o país: cobriu o rosto e se juntou aos black block paulistas para depredar patrimônio público na estreia do mundial. Foi retirado do meio do protesto pelo pai, que encantou o país ao reafirmar seu amor pelo filho, mas condenar sua postura violenta e antidemocrática. A hashtag #VaiPraCasaRenan fez história nas redes sociais!

9 – O fiasco do “padrão Fifa”

Pelos menos 40 voluntários da Copa em Brasília passaram mal após consumir as refeições servidas pela Fifa, no sábado (14), um dia antes do estádio Mané Garrincha estrear no mundial com a partida entre Suíça e Equador. Depois disso, não apareceu mais nenhum manifestante desavisado para pedir saúde e educação “padrão Fifa” no país!

10 – Sou “coxinha” e passo recibo!

Enquanto o Brasil e o mundo criticavam a falta de educação da “elite branca” que xingou a presidente Dilma no Itaquerão, a empresária Isabela Raposeiras decidiu protestar pela causa oposta: publicou no seu facebook um post contra o preconceito e à discriminação dirigidos ao que ela chamou de “minoria de brasileiros que descente da elite branco-europeia”. “Não sentirei vergonha pelas minhas conquistas, pelo meu status social, pela minha pele branca”, afirmou. Virou, automaticamente, a musa da “elite coxinha”.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Copa do Mundo: o complexo de vira-lata e a defesa com unhas e dentes

A Copa do Mundo desperta diferentes sentimentos nos brasileiros atualmente. Através desses sentimentos, é possível inclusive descobrir as preferências políticas de um cidadão. Os opositores ferrenhos costumam ter razões políticas para se opor. Os apoiadores incondicionais também têm seus motivos. Dificilmente se encontram discursos equilibrados entre críticas e defesas. Isso porque a Copa é hoje, o foco principal da política nacional. É o campo de batalha entre os atores políticos. O Governo Federal defende o evento com unhas e dentes, enquanto a oposição busca qualquer tipo de falha que permita um ataque político através da imprensa. Além disso, por ser o principal evento de um esporte massivo e extremamente popular, a Copa do Mundo está na boca de todos. Todos opinam sobre o tema. Por isso ela adquiriu um panorama que vai muito além do esporte.

Há algum tempo esse blog publicou um texto sobre a conscientização política e social que a Copa do Mundo FIFA de futebol vem promovendo no Brasil. De repente todos estavam preocupados com a situação dos serviços públicos do país. Educação, segurança, saúde e transporte eramo, e ainda são, temas centrais do evento. Esse reconhecimento de problemas é benéfico para o Brasil. Afinal, reconhecer um erro é o primeiro passo para superá-lo. Entretanto, surge um problema quando o objetivo dos que difundem as críticas não é melhorar o Brasil, mas sim desqualificar certos partidos políticos com objetivo eleitorais. Usam a honesta indignação das pessoas como massa de manobra: quem tem menos interesse por política acaba caindo no discurso “anti-Brasil” e começa a ser contra tudo que o Brasil faz ou produz.

A cobertura da imprensa transmite o "discurso do caos". Ilustração de Vitor Teixeira.

O brasileiro nunca foi muito patriota. Mas o que existe atualmente é uma campanha da imprensa e da oposição contra a Copa do Mundo. Isso cria um "complexo de vira-lata" no brasileiro, que passa a ver o Brasil como o pior país na face da Terra. Mas esse detalhe tem um fundo oculto. Acontece que o PT trouxe a Copa do Mundo e, se o evento for um sucesso, o partido será aplaudido, o que significaria o fim das aspirações políticas da oposição. Esta, então, representada pela imprensa, ignora as notícias e dados positivos sobre o Mundial, dando ênfase às notícias negativas e buscando o desgaste político com o evento, o que se traduz em dano à reputação petista. Ou seja, a oposição, hoje, deseja o fracasso do Mundial para obter vantagens eleitorais. A questão chave para a oposição, nesse caso, não é a imagem que os estrangeiros terão do Brasil, mas sim a imagem que os próprios brasileiros terão do Brasil (afinal, estrangeiro não tem poder de voto).

Isso se vê claramente com o ex-astro do futebol Ronaldo Nazário. Membro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo, o Fenômeno de repente mudou seu discurso sobre a Copa, antes favorável somente ao Governo Federal e à organização do evento. Pouco antes de divulgar seu apoio político à Aécio Neves (com quem tem amizade há 15 anos, segundo o próprio), Ronaldo deu entrevistas criticando duramente os preparativos. Nesse caso, existe relação direta entre o discurso assumido e o apoio declarado. Por dar um exemplo: o jornal GGN publicou uma matéria de Pablo Villaça, que atua no Cinema em Cena e mostrou em seu blog o que chamou de “cronologia de um demagogo”. Segundo a matéria, “Villaça resgatou as principais declarações de Ronaldo sobre a realização do evento e o momento exato em que o fenômeno parece mudar de opinião”.

Esses são os fatos relatados por Villaça. No dia 21 de fevereiro, Ronaldoafirmou que está“animado” para a Copa de 2014. Depois de um mês, postou uma foto de apoio à candidatura de Aécio Neves. E vinte dias depois, começam as entrevistas, onde se diz“envergonhado” com a preparação da Copa, entre outras declarações anti-Copa.

Entrevista de Ronaldo publicada na capa da Folha de S. Paulo essa semana

É um claro exemplo de que a Copa do Mundo e as eleições vêm polarizando a sociedade. As pessoas escolhem um lado de acordo com suas preferências políticas: se apoiam o Governo, são à favor da Copa, se se opõem, são contra. Quem apóia, não deixa de buscar motivos para apoiá-la (principalmente se conta com motivos eleitorais para isso). Quem se opõe, encontra facilmente motivos para odiá-la (principalmente se tem motivos eleitorais para isso). O certo é que a realidade é muito mais complexa que essas simplificações partidaristas. Nenhum evento é perfeito. Mas nenhum é um completo fracasso a ponto de não ter nenhum ponto positivo. Nesse sentido, cada um acredita no que quer. Obviamente aqueles que apoiam o Governo Federal acreditam no sucesso do evento. E obviamente a oposição vai acreditar que “o Brasil está perdido”.

O correto é chegar à um equilíbrio bem delimitado. Não é necessário ser "contra o Brasil" para criticar a Copa do Mundo. É possível criticar e questionar o lado injusto dela enquanto se comemora os gols do Brasil. Não há razões que não sejam políticas para se opor ferrenhamente ao evento ou para defende-lo incondicionalmente. A FIFA não pagou impostos dos bens trazidos ao Brasil, o que é injusto e deve ser questionado e discutido. Por outro lado, isso não quer dizer que a Copa está sendo péssima para o país. Dizer algo tão extremo é errado, pois a realidade dificilmente tem somente um lado. Sempre há outros pontos de vista e outros dados que não são enfocados. Por isso é errado ser radical com a Copa do Mundo.

Seguindo essa linha de pensamento, é bom lembrar que auto-crítica é positiva, mas somente quando ela tem um viés construtivo. Criticar é bom. É saudável para a Democracia. Sem critica os políticos governam sozinhos e não existe representação, mas sim imposição. Mas não é isso que os opositores ao mundial vem pregando. Dão ênfase somente ao caos e à destruição; o que é ruim para o Brasil e para o estado de espírito das pessoas, que, enganados pelas meias-verdades publicadas pela mídia, acabam odiando algo que também trará benefícios do Brasil, apesar de todas injustiças sociais e das preferências injustas concedidas à FIFA. 

Por outro lado, o Governo também poderia ser mais transparente deixando de esconder os lados “feios” da Copa. Claro que em época de eleições eles têm muito a perder falando dos pontos negativos, e claro que a imprensa já faz esse papel, mas o Governo do PT ganharia muita credibilidade se lutasse somente à favor do povo e não da FIFA, e se apostasse na transparência dando apoio político aos manifestantes, ao invés de se distanciar, como vem fazendo nos últimos anos. 

Enfim, existe um conflito de interesses ao redor da Copa do Mundo. Em 15 dias o panorama provavelmente mudará, principalmente porque já vêm mudando nos últimos dias. Muitas pessoas aceitaram o #vaitercopa e sabem que é mais eficiente protestar nas urnas que nas ruas (pelo menos nesse tema). Enquanto isso, outros movimentos sociais aproveitarão os holofotes do mundo para dar ênfase as suas causas. Foi o que professores cariocas em greve fizeram ontem com a chegada da Seleção Brasileira à Granja Comary. Usaram a imagem da seleção brasileira paradar ênfase à sua luta. Os jogadores não têm culpa de nada, mas serão usados como meio de obter causas justas (os professores querem aumento de 20% no salário, redução da carga horária dos servidores administrativos, plano de carreira unificado para a categoria e eleição direta para diretor de escolas). Esse holofote que mostra os problemas de certos coletivos é um dos pontos positivos da Copa quando as causas são justas, e não eleitorais.

É importante que o leitor abra os olhos e tente entender o papel de cada ator da Copa do Mundo. Quase todos têm lado nessa guerra política. Conhecendo o lado de cada um será possível saber “quem é quem” e “quem defende o que”, o que é muito útil na hora de desenvolver aquela consciência política que a Copa do Mundo motiva e que foi citada no começo do texto. Então, leitor, não caia na balela dos políticos ou da mídia. Eles têm muitos interesses à defender e nunca abrirão mão deles. Seja crítico com as injustiças do Mundial e aproveite essa festa porque ela será bonita apesar de tudo. Nada levado ao extremo é positivo. Por isso é necessário abordar o tema da Copa com equilíbrio e seriedade, evitando paixões partidaristas que não passam de interesses mesquinhos e, muitas vezes, são fruto de manipulações sem pudor.
sugado do: http://1outroponto.blogspot.com.br/     Blog do Rafael Buza

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Indignados do futebol



Sem dúvidas estamos vivendo na época dos indignados. Mundo afora e em diferentes idiomas, esta palavra se converteu na bandeira dos protestos políticos, sindicais, juvenis e sociais. Mas a novidade é que, agora, os indignados começam a se expressar também no glamoroso mundo do futebol.

O mais popular dos esportes do planeta, o que prende e emociona bilhões de torcedores em todo o mundo, o que converteu humildes meninos em superastros que deslumbraram por suas mágicas jogadas como Pelé, Puskas, Garrincha, Maradona ou Di Stefano está mudando. Desde há algumas décadas, apesar do brilhantismo de alguns craques e da paixão dos torcedores, o futebol começou a ser noticia pelos grandes negócios envolvendo transferências absurdas que servem para lavar dinheiro, pela corrupção e pelo enriquecimento ilícito dos cartolas, pela utilização de sua popularidade em favor dos políticos e pela multiplicação dos lucros das multinacionais de roupa esportiva como Nike e Adidas. 

Mas o fato importante é que esta mudança, para pior, não passou despercebida e começa a ser contestada...

sábado, 4 de junho de 2011

Mino e a bandalheira no futebol. Havelange e apaniguados

O genro e o sogro. Viva a família !
Extraído da Carta Capital: 
O futebol da bandalheira 
por Mino Carta 

Já enxerguei no futebol o ópio do povo brasileiro, embora na adolescência chutasse com gosto não somente a bola, mas também tudo aquilo que se postava diante dos meus pés, inclusive pedras e latas, para desespero dos sapatos e da minha mãe. Que o futebol se prestou e se presta aos jogos da política e favoreceu e favorece o sossego dos herdeiros da casa-grande é inegável. Se Corinthians ou Flamengo ganham, a senzala exulta e esquece seus males.....

domingo, 5 de setembro de 2010

Governo vai qualificar 150.000 para a Copa de 2014

“O Ministério do Trabalho lançou ontem o Plano Setorial de Qualificação destinado a preparar aproximadamente 150.000 trabalhadores, sobretudo em atividades de transporte e turismo, para a Copa do Mundo de 2014.

Serão oferecidos 25 cursos gratuitos nas 12 cidades que sediarão os jogos da Copa e também em cidades localizados no entorno da sedes. O plano será executado com R$ 124,2 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).”
Brasília Confidencial

sábado, 10 de julho de 2010

CBF, uma CNI que dá lucro. Pode isso, Arnaldo?




Flávio Gomes escreveu isto no seu Blog da Copa. O Rob Gordon achou bom, mas quixotesco; o Gravataí Merengue achou que era um monte de merda e devolveu com isto. E eu? Eu vou de mundo corporativo, sindicatos, verminose e outros bichos.