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sábado, 28 de julho de 2018

Eleições em Gotham City


A confusão reina em Gotham City. Aproximam-se as eleições e os supervilões trocam sopapos para chegar ao poder na cidade. A bagunça ficou ainda maior porque quase todos se parecem com o Charada.

A começar pelo líder das pesquisas. Ninguém tem muitas dúvidas quanto ao que Bolsonaro pensa sobre mulheres, negros, gays, socialistas e sindicalistas. E, se eleito, certamente a vida pioraria muito para a ralé da cidade. Até aí, tudo bem para o bando mafioso que domina Gotham. Mas não se sabe o que o tresloucado faria em relação a economia, mercado, relações exteriores etc. Daí a resistência da elite local em adotá-lo como seu malvado favorito.

Outro forte candidato a ser o Charada é Ciro Gomes. Mas sua retórica nacionalista e pseudoesquerdista oscila cada vez mais. Ora, aproxima-se dos vilões, ora diz defender os fracos e oprimidos. De modo que nesse movimento pendular desloca-se como se fosse o Pinguim.

Alckmin e Marina são os próprios enigmas uniformizados. Não pelo que defendem, mas porque ninguém sabe com certeza qual é seu potencial eleitoral.

O fato é que o único personagem capaz de realmente colocar ordem nisso tudo seria o Coringa. Não o vilão do sorriso arreganhado, mas aquele do baralho. Uma figura que já mostrou ser capaz de apaziguar os de baixo e garantir tranquilidade aos mafiosos que governam em cima.

Ele existe e teria enormes chances de vitória, não fosse um magistrado duas-caras tê-lo trancado na cadeia de uma cidade no sul do País.

Mas, cadê o Batman, perguntariam todos. Bem, este é o único personagem verdadeiramente imaginário nessa delirante e triste Gotham City.

http://pilulas-diarias.blogspot.com/search/label/rir%20pra%20n%C3%A3o%20chorar

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Dicas (pouco animadoras) para ler “O Capital”


Há exatos 150 anos, em novembro de 1867, ano em que foi publicada a primeira edição de “O Capital”, Marx enviou uma carta a seu amigo Ludwig Kugelmann. Era a resposta às dificuldades que a esposa de Kugelmann, Gertrud, estava encontrando para entender a mais recente obra de Marx:

Diga à sua mulher que as partes mais imediatamente legíveis são “A jornada de trabalho”, “A cooperativa, a divisão do trabalho e a maquinaria” e, finalmente, “A acumulação primitiva”. Depois disso, será preciso explicar a ela a terminologia incompreensível. Sobre quaisquer outros pontos duvidosos, estou à disposição.

Ora, então por que Marx não começou seu livro por estes temas? Porque não seria dialético. O primeiro capítulo de “O Capital” é sobre a mercadoria, “célula econômica da sociedade burguesa”. Síntese do modo como funciona a lógica social sob o capitalismo.

O professor e filósofo José Paulo Netto costuma citar aquela correspondência com Kugelmann para explicar que para entender plenamente a maior obra de Marx é preciso superar a lógica quadrada que rege nossa cabeça há alguns séculos. É preciso pensar dialeticamente.

De fato, Marx só conseguiu desvendar o funcionamento do capital porque partiu do método dialético hegeliano para criar seu próprio modo de explicar a realidade material da sociedade burguesa.

É por isso que ninguém menos que Lênin afirmou em seus "Cadernos filosóficos":

É completamente impossível entender “O Capital” de Marx, e em especial seu primeiro capítulo, sem ter estudado e entendido a fundo toda a “Lógica de Hegel”. Portanto, faz meio século que nenhum marxista tem entendido Marx!

Ou seja, caras e caros camaradas... fodeu!

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/11/dicas-pouco-animadoras-para-ler-o.html