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domingo, 3 de março de 2019

Tecnologia: amor, medo, luta de classes


Atualmente, poucos temas apaixonam tanto como a tecnologia. Mas as paixões envolvidas são, principalmente, amor e medo.

Em “Rua de mão única”, Walter Benjamin afirma:

...que “[a] dominação da natureza, assim ensinam os imperialistas, é o sentido de toda técnica”. Mas a essa visão ele contrapõe outra: “A técnica não é dominação da natureza: é dominação da relação entre natureza e humanidade.” Na segunda versão de seu ensaio sobre “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, ele desenvolve uma distinção entre a primeira técnica, cujo fim é o sacrifício da vida, e uma segunda técnica (...) calcada no jogar junto com a natureza: “A origem da segunda técnica deve ser buscada onde o ser humano, com uma astúcia inconsciente, chegou pela primeira vez a tomar uma distância em relação à natureza. Em outras palavras, ela encontra-se no jogo. […] A primeira [técnica] realmente pretende dominar a natureza; a segunda prefere muito antes um jogo conjunto entre natureza e humanidade.” Ele nota ainda: “Justamente porque essa segunda técnica pretende liberar progressivamente o ser humano do trabalho forçado, o indivíduo vê, de outro lado, seu campo de ação (...) aumentar de uma vez para além de todas as proporções...

(Acesse aqui o comentário acima)

O jogo a que se refere Benjamin, nas sociedades divididas em classes, torna-se luta. Luta de classes. Ou como sintetiza com perfeição meu amigo de Facebook, Caio Almendra: “Tecnologia é técnica mais ideologia”.

Só a partir dessa perspectiva, podemos começar a entender o maravilhoso ou catastrófico potencial da tecnologia. A partir do amor e do medo, mas para muito além deles.

https://pilulas-diarias.blogspot.com/2019/03/partidos-digitais-precisamos-falar.html

sábado, 1 de dezembro de 2018

Sobre a onda obscurantista que varre o país. Relincha Brasil, a república dos jumentos.

por Pepe Damasco


Merece atenção uma mensagem publicada pelo juiz Rubens Casara em seu twitter:

“O empobrecimento subjetivo, que também leva à regressão do Eu, faz com que o brasileiro busque identificação com políticos, artistas, pastores, padres, comediantes e outras figuras públicas a partir daquilo que os une: a ignorância. Perdeu-se a vergonha de ser ignorante ou burro.”

Casara acertou na mosca: a onda obscurantista que varre o país pode ser comparada a uma espécie de epidemia galopante de burrice. Até há pouco tempo, era comum numa roda de amigos ouvir expressões do tipo “sou apolítico” ou “nada entendo de política, por isso não vou opinar” ou ainda a frase-síntese da alienação: “política, religião e futebol não se discutem.”

Se essa autoexclusão das pessoas do debate político revelava um preocupante déficit de consciência cidadã e participação democrática, hoje observamos um fenômeno inverso. Todos têm opinião pronta e acabada sobre política, mesmo que jamais tenham lido uma linha a respeito, mesmo sem terem visto um filme sequer capaz de lhes fazer saltar a veia crítica, mesmo que sistematicamente seus ouvidos estejam bloqueados para ideias e argumentos fora da mediocridade do senso comum.
É inescapável a constatação de que só um país profundamente ignorante e doente de ódio pode eleger um boçal do calibre de um Bolsonaro. E que fique claro: não me refiro à educação e cultura formais e eruditas. Lula, o melhor presidente da história do país, não tem curso superior, mas sempre demonstrou capacidade para discutir qualquer tema com os doutores que dão as cartas na política há mais de 500 anos. De Inteligência acima da média, Lula, além de um comunicador inigualável, tem sua genialidade política reconhecida até por adversários.

O meu ponto principal é o analfabetismo político que assola inclusive boa parte das classes média e alta, gente que teve acesso à universidade, mas segue iletrada e incapaz de deixar de raciocinar de forma simplista e binária.

Não há como fazê-la entender que seu ódio aos pobres só alimenta uma sociedade vergonhosamente desigual e excludente, cujos índices de criminalidade  crescentes se voltam contra a própria elite.

Enquanto os bem-nascidos se limitam a repetir os chavões e mantras reacionários do oligopólio da mídia, na parte de baixo da pirâmide os pastores charlatães, apresentadores de programas populares de televisão e o patrão antipetista até a raiz dos cabelos cuidam de fazer a cabeça do povão, naturalizando a violência contra pobres e negros. Pronto, está criado o terreno fértil onde vicejam levas e levas de políticos canalhas, que se elegem com o voto popular para depois colocarem seus mandatos a serviço dos ricos e do roubo dos direitos da maioria.

E neste oceano de estupidez muitos perderam qualquer constrangimento de expressar falta de conhecimentos básicos sobre o que estão falando ou escrevendo nas redes sociais. 

Babam contra a Lei Rouanet, mas se perguntados sobre o que ela significa emudecem; veem comunismo na própria sombra, mas desconhecem os fundamentos  mais elementares dessa ideologia; confundem bandeira de partido com bandeira nacional; tacham a Venezuela de ditadura, mas ignoram que é o país da América Latina que mais realizou eleições na última década; esconjuram Cuba, mas não têm  a menor noção dos avanços sociais extraordinários da ilha revolucionária. Ah, e o supra sumo da ignorância da história : eles estão convencidos de que o nazismo foi de esquerda.

Esse quadro ajuda a entender porque na campanha  eleitoral os “fake news bolsonaristas” mais  absurdos e grotescos influenciaram tantos eleitores. Afinal, só um completo imbecil  pode dar crédito ao  “kit gay” ou às mamadeiras simulando a genitália masculina.

*Nota(s) do blog Frasista:
1 – O original encontra-se em blogdobepe.com.br,
2 – Imagens ilustrativas editadas/inseridas pelo blog Frasista,
3 – E o resultado de tudo isso aí acima, graças aos ‘intéresses de expertos’ aliados a ignorância de estúpidos eleitores que votaram e elegeram uma fraude à presidência da república é explicitado na frase abaixo do juiz Casara e é hoje, uma sinistra realidade.

http://frasistaneofito.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Qual a função de um partido político. Entenda sua atuação

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Os partidos políticos são responsáveis por lançar os candidatos a cargos eletivos

 sendo os meios de ligação entre a sociedade e o Estado


Um partido político é um grupo organizado, legalmente formado, que busca influenciar ou ocupar o poder político. Cada partido político possui o seu pensamento próprio com relação à maneira como o país deve ser governado. No Brasil, a história dos partidos políticos é marcada por períodos de negação, seguidos de um sistema bipartidário e, atualmente, a Constituição da República Federativa do Brasil adota o pluripartidarismo.

Breve histórico

Os partidos políticos vêm sendo objeto de discussão entre os teóricos da Ciência Política desde o século XVIII, por meio de pensadores como Henri Bolingbroke, David Hume, Karl Marx, Max Weber e outros.

De um ponto de vista mais ideológico, um partido político pode ser definido como uma reunião de indivíduos que seguem a mesma doutrina política. Os partidos também podem ser compreendidos como uma estrutura da organização democrática.
Qual a função de um partido político. Entenda sua atuação
Foto: depositphotos
Na Inglaterra do século XVIII surgiu a distinção entre “Whigs” e “Tories”, sendo considerada a primeira forma de bipartidarismo tradicional ao fim do reinado de Carlos II. Apesar das inúmeras crises enfrentadas pelos partidos políticos ao longo dos anos, eles continuam sendo fundamentais nos sistemas políticos contemporâneos.
No contexto da corrente marxista, é possível afirmar que os partidos políticos assumiram o objetivo de unificar os operários, superando as suas divisões e diferenças.

A função dos partidos políticos

No geral, pode-se afirmar que as várias agremiações políticas representam as diferentes convicções políticas existentes na sociedade. Os partidos políticos são responsáveis por lançar os candidatos a cargos eletivos, sendo os meios de ligação entre a sociedade e o Estado. Por esse motivo, antes de se filiar a determinado partido, o cidadão deveria se informar sobre o conhecimento do estatuto partidário, que é a norma interna que rege a sua organização e o seu funcionamento.
Quando os líderes de um partido atuam de maneira responsável e representativa, conseguem dar visibilidade aos interesses dos grupos sociais. Dessa maneira, o diálogo entre o partido político e o Estado contribui para a formação direta da cidadania.
O partido pode atuar em nível nacional, estadual e municipal, desde que tenha órgãos de direção válidos. A principal importância dos partidos políticos registrados no TSE está justamente em lançar os candidatos às eleições.
A importância dos partidos no debate político e nas discussões sobre o futuro do país é enorme, tanto que a Constituição de 1988 brindou-lhes autonomia administrativa e financeira, atribuindo-lhes recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão de acordo com a lei. Em contrapartida, os partidos políticos têm a obrigação de prestar contas das receitas arrecadadas e despesas realizadas durante as campanhas eleitorais e todo o ano.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Para onde caminha o Brasil?

“Somos governados por grupos políticos altamente suspeitos de corrupção e cujo presidente tem 6% de apoio da população”

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
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Paulo Bretas é presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais / Reprodução
Chegamos a mais um final de ano. No mundo, comemora-se a chegada de 2018. No Brasil, seguimos sem grandes motivos para celebrar, a julgar pelo que vem indicando as estatísticas sociais: a situação dos trabalhadores e a lenta retomada da economia, em moldes bastante injustos para com os mais vulneráveis.
Somos mais de 205 milhões de brasileiros e de brasileiras. Estamos envelhecendo, não só porque a população está vivendo mais, mas também porque a população de jovens (0 a 9 anos) está se reduzindo. Aos poucos, vamos perdendo o bônus demográfico porque não estamos abrindo possibilidades de qualificação e emprego para nossos jovens.
As últimas informações sociais vindas do IBGE, no campo da educação, não são nada alentadoras. Somos 11,8 milhões de analfabetos, sem contar os chamados analfabetos funcionais. Entre pessoas pretas ou pardas, a taxa de analfabetismo é o dobro.
Somos uma população de baixos níveis educacionais e de mão de obra de baixa qualificação. Segundo dados da Pnad Contínua, metade da população brasileira de 25 anos ou mais não completou o ensino médio, o equivalente a 66,3 milhões de pessoas. Outro dado estarrecedor: 51% da população de 25 anos ou mais de idade estavam concentradas nos níveis de instrução até o ensino fundamental completo ou equivalente. O número médio de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade foi para as mulheres 8,2 anos e, para os homens, 7,8 anos. Os brancos com 9 anos de estudos em média têm mais tempo de estudos do que pretos ou pardos, com 7,1 anos.
O número de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam em 2016 cresceu no país, chegando a 22,5% da população dessa faixa etária. Que triste futuro nos aguarda?
O documento “Síntese de Indicadores Sociais 2017” constatou que o Brasil tinha 52,2 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza em 2016, o que representa um quarto (25,4%) da população. Mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filho eram 7,389 milhões de pessoas em 2016, das quais 64% viviam abaixo da linha da pobreza. Já entre homens brancos, 43,13 milhões de habitantes, apenas 15,3% eram pobres.
Crise econômica
O governo federal se encontra numa situação fiscal extremamente difícil. Há uma forte probabilidade de não ser cumprido o teto de gastos no futuro próximo (2019 em diante). Também há o risco do governo entrar em “shutdown”, ou seja, parar de funcionar por absoluta falta de recursos. Um cenário nebuloso econômico se desenha para o próximo presidente da República, seja ele quem for.
A relação da dívida pública sobre o PIB (Produto Interno Bruto) vai rapidamente se aproximando dos 80%. E se o mercado duvidar da capacidade do governo de pagar esta dívida? Estados membros e municípios seguem na mesma situação: Quebrados! A continuar o atual estado de coisas, os recursos do governo federal só conseguirão pagar a folha de salários.
A massa salarial e o consumo das famílias, ambas variáveis intimamente ligadas às condições do mercado de trabalho, respondem por cerca de 60% da receita bruta do governo central. Como o governo vem com uma reforma trabalhista que reduzirá a renda dos trabalhadores, sentirá novamente as consequências na queda de arrecadação. Apenas 13,5 % dos impostos arrecadados vêm dos lucros. Sem falar no volume de renúncias fiscais, que é de aproximadamente R$ 285 bilhões, em torno de 4,5% do PIB. Contribuindo para a redução de receitas. Temos um sistema tributário injusto e regressivo. Os benefícios que o governo concede para diferentes setores da economia, uma espécie de “bolsa empresário”, custam cada vez mais caro na hora de financiar as aposentadorias dos trabalhadores do setor privado. O déficit da Previdência Social seria 40% menor sem as renúncias fiscais, segundo levantamento do Ministério da Fazenda.
No governo Temer, o Brasil teve o menor nível de investimentos públicos de todos os tempos, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal: 2% do PIB entre junho de 2016 e junho deste ano. Não há como cortar mais os gastos, daí cortam-se os investimentos públicos. O orçamento federal é muito amarrado e as chamadas despesas discricionárias, aquelas que o governo pode cortar, representam apenas 9% do total. Como crescer com pujança e justiça social sem a ajuda dos investimentos públicos? Vale um alerta: impostos poderão ser elevados no novo ano que se inicia.
Futuro difícil
O governo que assumir em 2019 terá que decidir como vai cumprir o limite imposto pela lei do teto de gastos, ou eliminá-la com uma nova lei que libere o congelamento das despesas públicas. A lei do teto de gastos me parece um apartamento em chamas e aí o ministro Meirelles tranca as portas para que ninguém saia. O que resta aos moradores do apartamento Brasil? Ou apagam o incêndio das contas públicas, ou morrem queimados. Já sinto cheiro de queimado e não são os rentistas e banqueiros, que vivem alegremente de especulação financeira, que estão se queimando.
Estamos numa situação fiscal extremamente difícil. Assim como por absoluta falta de recursos e dívidas que vão se acumulando as Universidades Federais e os Institutos Tecnológicos estão ameaçados de parar suas atividades, total ou parcialmente. Vivemos num país incapaz de seguir produzindo ciência e tecnologia. Incapaz de aumentar a produtividade do trabalho pela inovação tecnológica.
A situação dos trabalhadores não esta nada boa. Com o início da implantação da Reforma Trabalhista, aprovada pelo governo Temer, nós viveremos o uso indiscriminado de contratos de trabalho a prazo, uso de trabalho a tempo parcial, a terceirização, o trabalho intermitente, muito subemprego, a sobrequalificação da mão de obra e o ataque à representação sindical. Foi isto que aconteceu no mercado de trabalho espanhol na segunda década do século XXI. Parece que caberá ao povo pobre e trabalhador o ônus dos ajustes da economia.
Em maio de 2017, a ONU fez um exame das políticas públicas do Brasil voltadas para os Direitos Humanos e criticou as reformas do governo Temer, alertando que o congelamento de gastos públicos é “incompatível” com os compromissos internacionais assumidos pelo país. A ONU criticou especialmente a situação de superlotação e as más condições dos presídios brasileiros, masmorras medievais que não recuperam ninguém, criticou também a violência policial e a precarização das condições sociais do país.
É assustador pensar que somos governados por grupos políticos altamente suspeitos de corrupção e cujo presidente tem tão somente 6% de apoio da população, segundo as últimas pesquisas do IBOPE. Mais assustador ainda é pensar que ao seu lado, dando-lhe total respaldo político, está um Congresso desacreditado, que foi legitimamente eleito pelo povo, mas que se perdeu em meio a uma crise política, cujas raízes se encontram atoladas na lama da corrupção, ao som de delações premiadas. Poucos parlamentares escapam das denúncias de caixa 2.
Evidentemente, nem tudo são desgraças, a inflação está controlada e os juros começam a abaixar, ainda que na ponta seja difícil para o consumidor ter esta benesse por causa dos altos spreads bancários e de seu alto nível de concentração. Também a agricultura e pecuária vêm mantendo elevados níveis de crescimento, mas que não promete a mesma pujança em 2018. A balança comercial vai bem e as reservas internacionais seguem próximas de atingir os US$ 400 bilhões. A recessão parece estar encerrada, mas ainda falta muito para eliminarmos um desemprego superior a 12%, representando mais de 12 milhões de trabalhadores fora do mercado de trabalho.
Em suma, regredimos muito, temos um país socialmente doente, com um Estado em estado terminal. Um judiciário que se politizou e que segue sem fazer justiça, nem mesmo serve para trazer segurança para a sociedade. De maneira egoísta e quase irresponsável, avançam de maneira corporativista sobre os recursos públicos, preservando altos salários e vantagens. Teremos certamente um processo eleitoral bastante disputado com muitas abstenções, votos brancos e nulos e com boas chances para a vitória de candidatos de oposição ao atual governo, populistas ou não. Este é o Brasil que entra em 2018.
Edição: Frederico Rick
https://www.brasildefato.com.br/2018/01/05/para-onde-caminha-o-brasil/

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Tiros pela culatra

 

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O doutor Givanildo abriu o exemplar de "Tiros pela culatra", uma coletânea de contos de diversos autores. Abriu numa página qualquer, calhou ser a página inicial do conto intitulado "O semeador de ventos". Leu a epígrafe: "Celui qui sème le vent récolte la tempête".
por Fernando Soares Campos
O telefone tocou. Atendeu. Era o Lúcio. Cumprimentou-o com um "oi", sem disfarçar certo enfado. Súbito, olhos arregalados, levantou-se. Tudo indicava que o Lúcio estava lhe passando uma informação bombástica.
A mulher entrou na sala e estranhou o comportamento do marido ao telefone. Ele aparentava estar entre pasmo e eufórico, caminhava em círculo e repetia a pequenos intervalos: "Não! Não! Nããão!". Ela fez sinais, acenou, piscou, sussurrou: "Quem é?", "O que está acontecendo?". Ele apenas repetia: "Não! Não! Nããão!". A mulher impacientou-se, bateu palmas para chamar sua atenção. Tentou umas batidinhas com o pé. Nada, quer dizer, "Não!", era só o que ele dizia ao seu interlocutor.

- E agora dá pra você me explicar o que está acontecendo?! - exigiu ela.
Ela desistiu, resolveu esperar sentada. Ele mudou sua monossilábica comunicação para "Sim! Sim! Sei!". Impaciente, ela levantou-se bruscamente e perguntou: "Afinal, é sim ou não?!". Ele colocou o indicador entre os lábios e fez "psiu!". Ela já estava disposta a lhe tomar o telefone e perguntar ao outro o que estava acontecendo. Ele agradeceu pelas informações e despediu-se. 
- Você não vai acreditar, querida!
- Vai logo, desembucha, homem! Que aconteceu de tão grave?!
- Grave? Ah, grave, sim! Mas não para nós. Eles que fiquem com a gravidade da questão. A nós só resta comemorar mais um gol de placa. 
- Para com isso, homem! Conta logo essa história, senão eu tenho um troço!
- Então, sente-se pra não cair de costas. 
 A mulher sentou-se. Ele permanecia com o livro na mão, falava gesticulando, entusiasmado:
- O Jonas confessou!
- Jonas?!
- Sim, o Jonas!
- Quem é o Jonas?!
- O quê?! Você não sabe quem é o Jonas?!
- O único Jonas que conheço não seria capaz de confessar nada.
- Mas é esse mesmo, o contador, o guarda-livros da C&R Ltda.
- Mas o que foi que ele confessou? Claro que não deve ter confessado que é ele quem consegue as notas frias para a venda das cargas roubadas receptadas pela C&R.
- Não, isso não, o cara é bandido, mas não é louco.
- Bom, também não deve ter confessado que foi ele próprio quem matou a primeira mulher e mandou matar a segunda...
- Certamente não. Pode-se acusar o Jonas de tudo, mas ele não é maluco! 
- Já sei! Confessou que foi o autor intelectual do sequestro do dono daquela rede de supermercado...
- Querida, o depoimento foi na Polícia Federal, e eu já disse que o cara tem juízo!
- Mas o que de tão grave ele confessou?
O doutor Givanildo esforçou-se para parecer sério, sisudo, mas exibia um estranho sorriso que lhe emprestava o aspecto de idiota, o que ele certamente não era.
- O Jonas, em seu depoimento, confessou, com todas as letras, que...
O telefone tocou. Ambos olharam para o aparelho trinando insistente. Ela colocou a mão em cima do telefone e, decidida, falou:
- Você só vai atender quando terminar de me contar o que o Jonas confessou.
- Espere um pouco, meu bem, deve ser o Lúcio. Ele ficou de me retornar informando o que aconteceu com o Jonas. Se vai ficar preso ou responder em liberdade.
Ela cedeu. Num salto, ele pegou o aparelho.
- Alô, Lúcio, e aí, o que aconteceu com o Jonas?!
- Doutor Givanildo?
- Sim...
- É o Jonas. 
- Jonas?! Mas você... é que... Bem, o que está acontecendo?! 
- O Lúcio não lhe contou? 
- Sim, ele me falou que você foi interrogado pela Polícia Federal. Contou que você confessou que a C&R deu dinheiro, por fora, pra campanha daquele deputado estadual, o achacador. Complicou a vida daquele malandro. Mas não me contou os detalhes...
- Nem poderia.
- Como assim?!
- Porque os detalhes virão depois. 
- Você vai depor novamente?
- Não, não vou. Estou me referindo às investigações. Os detalhes, sem dúvida, serão revelados durante o processo investigatório. 
A mulher se levantou, aproximou-se do marido e encostou o ouvido no fone. Ele não reclamou, continuou falando:
- Que detalhes?
- Pediram a quebra do sigilo bancário do deputado.
- E daí?
- O problema é o cheque, doutor Givanildo, o cheque. Sei que eles vão chegar ao cheque.
- De que cheque você está falando?!
- Bem, doutor Givanildo, o senhor queira me desculpar...
- Desculpar de quê?! Dá pra explicar melhor?!
- Acontece que só agora eu me lembrei.
- Lembrou-se do quê?
- Me lembrei do cheque que o senhor deixou pra pagar o aluguel do galpão da C&R.
- O que tem uma coisa a ver com a outra?
- Acontece que eu dei aquele cheque para o cara na época da campanha. Era uma emergência, doutor.
O doutor Givanildo amarelou, sentiu as pernas bambas, vertigem, um friozinho na barriga. Berrou: 
- Você está maluco?! Endoidou?! Onde já se viu usar cheque numa transação dessas?! Isso é coisa de louco!
- Desculpe, doutor Givanildo, eu nunca pensei que fosse dar no que deu...
- Pensar? Pensar?! Você não deve ter essa faculdade, seu estúpido! Você é louco! Louco, entendeu?! Maluco! Pirado! Doido! Demente! - desligou.
Pasma, a mulher olhava para o marido, apenas acompanhava sua inquieta movimentação pela sala. 
Transtornado, o doutor Givanildo arriou-se no sofá como um fardo atirado a um canto. Não sabia o que fazer. Abriu o livro novamente na página do conto "O semeador de ventos" e releu a epígrafe: "Celui qui sème le vent récolte la tempête". 
- Que diabos isso quer dizer?! 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Algumas instruções para a autossabotagem da esquerda


Em sua coluna do Globo, de 05/11, Dorrit Harazim informa que em janeiro de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, uma agência estadunidense de inteligência e espionagem precursora da CIA, publicou um documento secreto chamado “Manual de Sabotagem Simples”.

“Elaborado para países do Eixo ou já ocupados pela Alemanha nazista, diz Dorrit, o guia orientava seus agentes na formação e treinamento de ‘cidadãos sabotadores’”.

A publicação foi tornada pública em 2008, sendo possível acessá-la no próprio site da CIA. Mas o que interessou a articulista foi um capítulo “específico para desestabilizar organizações e conferências. Entre as inúmeras formas de sabotagem sugeridas, estão”:

Insista em submeter tudo a “canais competentes”. Jamais permita atalhos capazes de acelerar decisões. Faça discursos longos. Assuma a palavra com o máximo de frequência. Sempre que for viável, repasse qualquer questão para maior análise e consideração de outras comissões. Tente formar comissões de muitos membros — nunca menos de cinco. Levante temas irrelevantes com a maior frequência possível. Retome questões decididas na reunião anterior e procure meios de reabrir o tema.

Dorrit utiliza a citação para comentar as trapalhadas do governo federal e parlamentares brasileiros durante uma recente visita de uma comissão de eurodeputados ao País.

Mas, para nós, seria interessante saber até que ponto boa parte da esquerda adota alguns daqueles procedimentos recomendados pelo manual em seu próprio meio. E, muito provavelmente, sem qualquer necessidade de infiltração de agentes da CIA entre nós.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2017/11/algumas-instrucoes-para-autossabotagem.html


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Indecisões na Vida - E na política

indecisão
Indecisões na vida

Nada pior do que a indecisão. Corremos o risco de decidirem nossa vida por nós, que sabemos o que queremos. Muitas vezes não podemos nem discutir o que queremos.

A indecisão é como a esquina de duas ruas para quem atravessa uma encruzilhada e se dirige para a esquina. Não volta para trás, não vai para a direita nem para a esquerda. Pára em frente à esquina e ali fica. Preciosos momentos em que reflete em círculos, sem decidir nada de sua vida. Não sabe o que fazer, ou se sabe, não sabe que lado ou rumo escolher. Há quem não tenha nada para decidir na vida! Pode empacar numa praia, num bar, num cinema, num shopping, mas jamais numa esquina, num deserto, no meio da selva ou no mar. Isso ser-lhe-ia fatal.

Pôr uma banana numa gaiola e esperar que ela cante, vai nos levar um par de dias sem chegarmos a nenhum resultado. Depois ela apodrece sem dar nem um pio.

E assim se divide a humanidade em dois grupos: Os que podem empacar e os que não podem, porque para os primeiros, isso não tem importância. Para os últimos, sim. Disso depende o futuro de sua vida.

De todas as indecisões comuns a todos nós, algumas sobressaem pela sua importância: Namorar esta (e) ou aquela (e), casar ou não, fazer ou não um curso, trocar um emprego por outro, gastar numa compra ou economizar, abrir um negócio ou aplicar em outra coisa, seguir este ou aquele partido político, ter (fazer) ou não um filho.

Nossa vida rege-se passo a passo desde que começamos a andar. Somos produto de todas as nossas ações. É um longo caminho em que vamos traçando o nosso caráter, tomando erros como acertos ou acertos como erros se nos equivocamos na apreciação, ou, de forma consciente e com bom índice de análise e crítica próprias, corrigindo o nosso perfil, a nossa identidade como ser humano. O que não vemos, a sociedade enxerga, e assim teremos amigos mais ou menos fiéis, mais ou menos amigos, mais ou menos inimigos.

Costumamos varrer os nossos erros para debaixo de um enorme tapete. Outra forma, talvez mais adequada, é reciclar o lixo que produzimos através de correção. O saber pedir desculpas pode ser um bom começo. Isso lhe trará mais benefícios? Depende do que se quer na vida. Amigos não se compram, e num sistema social corrupto até se pode comprar muita coisa com dinheiro, mas o tempo costuma corrigir as coisas, e aqueles que se compram podem no futuro vir a denunciar-nos. É um risco como outro qualquer em negócios. Podemos passar toda uma vida mergulhada em erros e até morrer de forma tranqüila numa cama sem sentir dor alguma, remorso, arrependimento. Deus aparentemente não se intromete nessas coisas pueris da vida. Muitos nem acreditam que Deus exista.

Mas falar de justiça após a morte é como perguntar a um morto quem o matou. Não sabemos nada do que acontece para lá dela. Como a morte é comum a toda a vida na terra, sem jamais ter havido exceção, poderíamos até presumir que houvesse justiça para quem atira com arma de fogo num animal selvagem apenas pelo prazer de matar, a que chamam despreocupadamente de “caçar”.

Vem tudo isto a propósito de uma situação mundial que não tem paralelo na história. Vivemos a era da corrupção. Em todo o mundo o povo está indo para as ruas porque há uma crise econômica que só encontra paralelo na de 1929 que culminou na segunda guerra mundial em 1939.

Helmuth Koln saiu do governo e descobriu-se que era corrupto posteriormente. Sarkosy da França, ex-presidente que perdeu as últimas eleições, está sob investigação pelo mesmo motivo. Um ex-presidente de Israel assediava e abusou de uma moça que trabalhava num departamento de estado e está preso. Uma ministra francesa fez uma compra de aviões para a União Européia e foi corrompida ou corrompeu. Na Grécia caíram vários governos e em Portugal, Itália, Espanha e por toda a Europa. O dono de um jornal famoso com sede em Londres utilizava escutas telefônicas para pressionar indesejáveis ou colunáveis e políticos. No norte de África o povo muçulmano não suportou anos e anos de despotismo e abriu a caça a ditadores que se escondiam nas páginas e nas suras do Corão para abusar de seus cidadãos.

Descrentes das constituições que permitiam o aparecimento e o enriquecimento de políticos astutos, Islândia, Suécia, Noruega, Finlândia e Suíça usaram as redes sociais da Internet para aprovar, item a item, uma nova constituição que não permitisse que interesses escusos fossem beneficiados em detrimento dos interesses dos cidadãos. Saíram da crise.

Os índices de corrupção em todo mundo são alarmantes. No Brasil, várias comissões parlamentares de Inquérito decorrem num senado que não faz retornar aos cofres públicos as enormes verbas desviadas e que tanta falta fazem para o desenvolvimento nacional. Um dia, o ministro Mantega terá que se explicar pela exorbitância dos juros cobrados a título de “conter a inflação”, e seu enriquecimento vasculhado em contas internacionais.

Como estamos não estamos bem. Temos que mudar. Uma das opções parece ser a Democracia participativa, através de um primeiro passo: Exigir dos governantes uma nova constituição semelhante às dos países que já as adotaram. Nelas nada pode ser alterado sem que se proceda a nova votação.

Não fique indeciso: Se deseja saber o que é a Democracia Participativa, Real, Verdadeira consulte


Se deseja conhecer um modelo de nova constituição para o Brasil



Rui Rodrigues

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA, TOTAL, VERDADEIRA,



Na Democracia Participativa, os Partidos Políticos podem ou não existir, como fonte de consulta, mas não são importantes, não têm importância alguma, e não elegem nenhum de seus membros para o Senado ou qualquer órgão público, exceto se por vontade cidadã através de votação, mas fica preso e amarrado à constituição sem poder feri-la ou alterá-la. É o povo que manda e diz o que quer pelo voto.  Não existem políticos tal como os conhecemos porque não têm poder algum. São apenas conselheiros, servidores públicos que podem ser deseleitos. O presidente é uma figura "decorativa" que não pode comprometer a nação internacionalmente sem consultar a população.
Na Democracia Participativa, após as eleições, o voto pode ser retirado e quando apenas votarem menos de 50% dos eleitores possíveis se fará outra, o sistema deve ser revisto, o povo inquirido sobre o que tem que mudar, porque com menos de 50% de votantes, nenhum governo representa a população. Têm nos mantido iludidos, levando as votações adiante e elegendo-se sem representarem os cidadãos em sua maioria.
Na Democracia Participativa verdadeira, completa, total, não há lugar para "comitês", representantes... O diálogo se faz através de perguntas e respostas de forma instantânea por votação usando as redes sociais ou sistema semelhante. 
Como funciona a Democracia Participativa?
Na Democracia Participativa, o governo se constitui dos órgãos que normalmente fazem parte de qualquer governo democrático do mundo. Cada povo poderá escolher qual o modelo que mais lhe convém, com os três poderes: Legislativo, Executivo e o judiciário. O sistema da democracia Participativa pode ter quantos ministérios forem desejados pelos cidadãos.
São válidos os modelos democráticos tal como os conhecemos... Eis o que muda.
 1.     Todos os membros em cargos do governo são escolhidos por voto dos cidadãos interessados. A eleição se fará através de voto em Bancos 24 horas de Votação a serem criados, por Internet grátis em sites específicos ou até mesmo por dispositivo comum de comunicação, evitando-se assim “arranjos políticos” entre partidos, proteção de qualquer natureza ou compra de votos. O cidadão vota a qualquer momento sempre que achar necessário.
 2.     Os votos podem ser retirados (deseleger – desaprovar), o que amplia a cidadania democrática a muito mais do que votar apenas de quatro em quatro anos: Vota-se sempre que se desejar, a qualquer instante.

 3.    As leis são propostas ao Senado por qualquer órgão ou cidadão, para que sejam previamente aprovadas ou negadas por voto popular. Se a população achar que algum político ou ocupante de cargo no governo não atende os seus interesses, retira-lhe o voto dado e ele sai imediatamente sem necessidade de impeachment, quando a quantidade de votos que permanecem for inferior ao mínimo necessário para ocupar o cargo.
  4.   Qualquer lei ou ato de governo deve ser submetido a voto, o que inclui mas não se limita a: declaração de guerra; percentuais de aplicação de verbas publicas em educação, centros de pesquisa, infra estruturas, preservação do ambiente, saúde, segurança pública, transportes;  taxas de impostos,  e tudo o que normalmente se vota nos senados, câmaras, governos estaduais, prefeituras.
 5.    O processo de implantação da Democracia participativa começa com a aprovação popular, via NET, item por item, de uma Constituição que somente poderá ser alterada também por voto popular, impedindo a manipulação de interesses escusos de políticos. 
Cada nação crescerá e se desenvolverá segundo sua capacidade e vontade popular de progredir, segundo o que acha mais importante. Esta é a verdadeira, real e única Democracia que de fato o é!
Para Portugal e Brasil, existem neste site dois modelos para uma nova constituição, baseados na Constituição Suíça. Uma constituição não depende do tamanho do país, mas de sua vontade em ter o que deseja. O que se deseja deve estar escrito na constituição sem dúbias interpretações que justifiquem Atos institucionais ou Medidas Provisórias que deturpam a constituição. Se desejar mais informações leia por favor as páginas deste site e abaixo:

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 Outras considerações:
Acreditamos na humanidade. Não acreditamos que a humanidade seja pecadora desde a nascença. Acreditamos na boa vontade entre homens e mulheres, Não acreditamos que a violência possa resolver algum conflito, porque nada nesta vida é eterno. A história Universal é prova do que dizemos.
Não representamos nenhuma ideologia em particular, nem partido político, nem nenhum político, filósofo, religião, empresa ou nação. Nem a nós mesmos nos representamos. Pelo contrário, cada um de todos nós, que compomos a humanidade tem a sua consciência do que deseja de bem para si mesmo e para a humanidade.
Acreditamos que o progresso do mundo, sem guerras nem violência de qualquer natureza, sem partidarismos, sem excessos, pode ser muito maior e proveitoso se os recursos dos impostos puderem ser canalizados para as maiores necessidades da população: Infra-estruturas, Saúde Pública, Trabalho, Transportes, Saúde, Pesquisa, Sustentabilidade, Educação. Tem sido enorme o desperdício de verbas em corrupção e guerras que atrasaram o progresso e a evolução da humanidade.
Não vemos outra forma efetiva de melhorar o mundo senão através da palavra de cada ser humano expressa pelo voto instantâneo, dado ou retirado a qualquer instante, podendo eleger/deseleger e aprovar/desaprovar.
Ideologias, algumas extremistas, e líderes que as seguem mais ou menos estritamente, demonstraram ao longo da história que não conseguiram resolver qualquer problema sério da humanidade.
A palavra deve ser dada à humanidade independente.
A humanidade espera a sua vez de falar e de se fazer ouvir.
O mundo tem que provar que pode ser melhor.

Como funcionaram os governos desde o inicio da humanidade até hoje?
Os livros de História Universal contam a história da Humanidade. Uma consulta, mesmo simples, nos diz que desde cerca de 12.000 anos, o poder se estabeleceu pela necessidade de gerir grupos humanos que variavam de 60 indivíduos, no começo da humanidade, até cerca de 10.000 quando se descobriu a agricultura que permitiu a concentração maior de massas humanas, pela disponibilidade de alimento. Geralmente este poder de uma pequena parte do grupo sobre a maioria, foi exercido pela força das armas, ou pela submissão consentida, baseada na religião, que propagava a idéia de que o Rei ou soberano tinha origem divina. Muitos governos, ou quase todos os da antiguidade, como os de Roma, Grécia, Egito, eram baseados no poder divino de deuses folclóricos inventados para governar através de doutrinas dos religiosos que amedrontavam as populações com os poderes divinos. Quase todos os governos eram Teocracias, isto é, os chefes de governos eram também sacerdotes.
Porém, cerca do ano 400 AC, apareceu na Grécia um modelo novo de governo: Em praça pública, aos cidadãos lhes era perguntado se apoiavam ou não uma lei do governo, um projeto de uma nova rua, de criação de impostos, e lhes eram explicadas as razões de sua necessidade. Levantando os braços, a população determinava pela maioria de braços levantados, o que apoiava ou não, se elegia, ou retirava de cargo público. Mas outros interesses, que não os da população, se impuseram, e um grupo que posteriormente foi identificado como “sofistas”, acabou com esta linda democracia. Era a Democracia Participativa, porque o povo participava dela. Deixou então de participar. O povo passou a assistir ao que os governos determinavam sem poder interferir. Cidadãos de todas as classes passaram a, passivamente, assistir à sua exploração sem terem uma palavra que pudessem gritar pelas ruas e lares, contrarias à vontade dos governos. Deram depois novos nomes a várias formas de governo, mas em nenhuma delas o povo tem realmente voz ativa, mesmo elegendo os seus “representantes” a cada quatro anos com voto isolado, órfão, ineficiente, solitário.
Não podemos dizer que o mundo não evoluiu. Evoluiu sim, mas como os deuses eram guerreiros, e o poder exercido pela força inventou-se mitos de que a humanidade tinha sido “fabricada” com pecados originais e tinha sido castigada pelo deus criador. O deus guerreiro castigava e a humanidade tinha-lhe medo. Não só a deuses a humanidade tinha medo, mas também e de forma mais imediata ao governo com o seu poder das armas e de apedrejar, matar, confiscar bens, criar impostos extorsivos. Isto aconteceu até cerca do ano 1.500 de nossa era, quando o Feudalismo chegava ao fim. No Feudalismo, um senhor nobre era o “suserano”, submisso ao rei, que tinha terras doadas pelo rei, e governava essas terras e os escravos que pertenciam às terras e não podiam ser vendidos sem elas. Como as terras eram muitas e situadas em lugares diversos, cada suserano podia ter os seus “vassalos”, senhores daquelas terras, que recolhiam a maior parte dos lucros dos seus escravos, artífices e artesãos.
De lá para cá, houve um movimento para que o povo fosse mais participativo, como a Revolução francesa do século XVI, que se baseava na liberdade, na Igualdade e na Fraternidade, mas não foi adiante. Em 1917, a humanidade assistiu a um novo amanhecer com a revolução russa instaurando o comunismo, mas em menos de cem anos, ficou reduzida a três países por não conseguir resolver os principais problemas da humanidade,
A partir de 2008, assiste-se ao auge daquela forma de governo que se iniciou há cerca de 12.000 anos atrás: O capital das grandes empresas e dos Bancos domina os Partidos Políticos. Estes, com as verbas do capital dessas empresas e dos Bancos, indica os políticos que ocuparão os cargos no governo. Quando eleitos, dependem da vontade dos Partidos. Nos corredores dos palácios dos governos, existem indivíduos especializados a que chamamos de lobistas, que cuidam dos interesses daqueles Bancos e daquelas empresas que pagaram os custos da eleição dos representantes dos partidos... Todo o governo a serviço do capital das empresas e dos Bancos.
Não há um só Lobby dos cidadãos nesses corredores. A corrupção é geral, instaurou-se a ditadura democrática de governos “democráticos”. Enquanto a Suíça e a Islândia usaram as redes sociais da Internet para aprovarem pelo voto dos cidadãos as suas constituições, ainda não completamente democráticas, e a Espanha reclama a sua oportunidade de ter uma constituição assim, aprovada popularmente; enquanto todo o Norte de África de tradição fortemente muçulmana pede a democracia plena aprendida pelas redes internacionais da NET, no restante do mundo assiste-se a dois panoramas: a dos três ou quatro pequenos países comunistas onde reinam ditadores que somente pretendem largar o poder quando morrerem; e uma imensa parte da humanidade, o restante, que, ou por ignorância como em África, ou com todo o conhecimento disponível, como na Europa, Oceania, Ásia e Américas, não perceberam ainda que seu padrão de vida esteja seriamente ameaçado, sua liberdade condicionada, o trabalho ocupando a maior parte de suas vidas, apesar dos distúrbios e movimentos recentes na Espanha, na Grécia, em Portugal, no Chile, na Inglaterra, e no rebaixamento dos governos dos EUA e da Inglaterra no índice de risco de aplicação financeira estabelecidos por agências especializadas na análise da capacidade de governos de honrar suas dívidas do capital.

Então porque não existe ainda a não ser nos países nórdicos, Suíça e Islândia?
Primeirto, porque criamos o costume de que quem está no governo manda, e não pode ser assim. isso é ditadura que não deixa os cidadãos se manifestarem nem ouvem o que o povo quer. Nem nos dias de propaganda para eleição. Político tal como os conhecemos, têm ambição desmedida e lhe damos o poder de continuar com essa ambição. São pachás e o povo o harén. 
E não existe ainda porque há doze mil anos os governos se impõem sobre os cidadãos, ora movidos pela força, ora pela religião, ora pelo capital, ou simplesmente pela vaidade pessoal no poder. Estes quatro grandes motivos para a perpetuação do governo de uns poucos sobre multidões tem-se perpetuado, sem que, a cada novo governo, não ficassem os resquícios da inércia que movia os regimes anteriores. O povo, a população, os cidadãos, contribuem sempre para os governos na expectativa de que algum dia, um deles olhe devidamente para o povo e lhe pergunte o que o povo quer... Até hoje, está patente que isso só aconteceu em Atenas há 2.500 anos e mais recentemente na Suécia, Noruega, Finlândia, Suíça, Islândia, onde usam uma nova constituição aprovada - item a item - pelos cidadãos através de redes sociais. Sem medo de hackers, ou truques de políticos. Lá os políticos "indicam" aconselham, mas não governam porque não têm o poder de decidir. Quem decide é o povo. 
A democracia participativa tem muitos segredos que nunca quiseram desvendar, e nunca foi devidamente explicada pelos professores. Parecia impossível até o advento da Internet e das redes sociais. Hoje vemos que é a mais fácil forma de governar, a mais simples, a mais eficiente, capaz de eliminar dos governos os vícios que os acompanham há milhares de anos. A democracia participativa obriga á consulta popular pelo voto. 
Que cidadão votaria contra a melhoria das escolas e estabelecimentos de ensino, da educação, da saúde pública, das estradas, das infra-estruturas como água, esgotos, energia elétrica... Ou dos centros de pesquisa, da qualidade de vida, dos transportes, da preservação do planeta, da qualidade das plataformas continentais...?  
Que cidadão votaria a favor de uma guerra sem motivo forte de antes ter sido atacado em seu próprio território? 
Que cidadão votaria na porcentagem de impostos a ser aplicada sobre seu trabalho e seus lucros, sem primeiro ter aprovado o orçamento prévio que os justificasse? 
Que cidadão votaria nos altos salários dos eleitos para o governo, em suas mordomias, se não os representam realmente?

Rui Rodrigues
no http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/