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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A verdade que se esconde dos brasileiros




Há pelo menos duas décadas, quase diariamente, sucessivos governos federais e a mídia comercial têm denunciado uma suposta crise na Previdência Social. Os propulsores dessa tese advertem também que se nada for feito a Previdência vai quebrar. Jornais conservadores não fazem por menos e divulgam editoriais defendendo de todas as formas possíveis uma reforma que basicamente prejudicaria os assalariados.
Pois bem, a economista Denise Gentil, baseada em argumentos insofismáveis, acaba de apresentar tese de doutorado mostrando que a falência da Previdência Social tão alardeada é mentirosa e não resiste a análise mais aprofundada.
Falso déficit da Previdência
Denise Gentil prova por A mais B a existência de uma gigantesca farsa contábil transformando em déficit o superávit do sistema previdenciário, que atingiu a cifra de R$ 1,2 bilhões em 2006.
No aprofundado trabalho acadêmico da professora do Instituto de Economia da UFRJ fica demonstrado a cascata governamental com total apoio da mídia conservadora.
Omite-se o fato de que o superávit da Seguridade Social, abrangendo a Saúde, a Assistência Social e a Previdência, foi de 72,2 bilhões de reais.
E o que aconteceu então? Segundo Denise Gentil, boa parte desse excedente vem sendo desviado para cobrir outras despesas, especialmente de ordem financeira.
Mas tal fato é omitido e os brasileiros recebem a mentira repetida inúmeras vezes com o objetivo de que vire uma verdade, seguindo velha técnica do chefe da propaganda do III Reich nazistaJoseph Goebbels.
A falsa crise da Seguridade Social no Brasil: uma análise financeira do período de 1990 a 2005”, o título da tese de doutorado deveria ser apresentada como contraponto pela própria mídia conservadora, mas, claro, se ela fosse realmente imparcial como propaga. Mas não é, e por isso os leitores, ouvintes e telespectadores não têm acesso a esse tipo de reflexão.
Mas a edição do Jornal da UFRJ do último dia 11 de janeiro, a economista explica em detalhes a sua tese que contraria a “verdade” que vem sendo propagada há pelo menos duas décadas.
Numa longa entrevista concedida à Coryntho Baldez, Denise Gentil assinala entre outras coisas que “a  ideia de falência dos sistemas previdenciários públicos e os ataques às instituições do estado de bem estar social tornaram-se dominantes em meados dos anos 1970 e foram reforçadas com a crise econômica dos anos 80 em que o pensamento liberal-conservador ganhou terreno no meio político e no meio acadêmico”.
Em sequência ela afirma que “a questão central para as sociedades ocidentais deixou de ser o desenvolvimento econômico e a distribuição da renda, proporcionados pela intervenção do Estado, para se converter no combate à inflação e na defesa da ampla soberania dos mercados e dos interesses individuais sobre os interesses coletivos. Um sistema de seguridade social que fosse universal, solidário e baseado em princípios redistributivistas conflitava com essa nova visão de mundo”.
“O principal argumento para modificar a arquitetura dos sistemas estatais de proteção social, construídos num período de crescimento do pós-guerra, foi o dos custos crescentes dos sistemas previdenciários, os quais decorreriam, principalmente, de uma dramática trajetória demográfica de envelhecimento da população”.
“A partir de então, um problema que é puramente de origem sócio econômica foi reduzido a um mero problema demográfico, diante do qual não há solução possível a não ser o corte de direitos, redução do valor dos benefícios e elevação de impostos. Essas ideias foram amplamente difundidas para a periferia do capitalismo e reformas privatizantes foram implantadas em vários países da América Latina”.
Fernando Henrique Cardoso que o diga, bem como seus seguidores nos mais diversos campos, um deles Armínio Fraga, consultor amplo e irrestrito do SenadorAécio Neves e muito ligado ao ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy. (1)
Denise Gentil em essência defende a ideia segundo a qual o déficit previdenciário não está correto, porque não se baseia nos preceitos da Constituição Federal de 1988, que estabelece o arcabouço jurídico do sistema de Seguridade Social.
“O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit. Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a CPMF(Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração”.
Foco de corrupção silenciado
Já que este espaço está dedicado a colocar em cheque um falso argumento que vem sendo apresentado para iludir os brasileiros, vale a pena também mencionar artigo do economista José Carlos de Assis mostrando o silêncio total e absoluto da mídia conservadora em relação a um grave foco de corrupção de responsabilidade do Banco Central. Segundo ele, no ano passado foram desviados para o setor financeiro algo em torno de 89 bilhões e 600 milhões de reais, quantia 40 vezes maior do que as fraudes cometidas por bandidos na Petrobras.
Esse desvio passou deliberadamente e ninguém reclamou. Até porque, claro, se o tema for aprofundado vai atingir também muitos setores que se apresentam diante da opinião pública como moralistas de plantão.
No Banco Central, ainda segundo Assis, rouba-se à vontade e longe de qualquer tipo de fiscalização da cidadania. E ainda por cima tudo sob a cobertura de “operações monetárias especiais só dominadas por ‘especialistas’”.
Em seu desabafo muito bem fundamentado, Assis assinala ainda que “generoso com os bandidos do setor financeiro, o Banco Central é excessivamente parcimonioso com os agentes produtivos da economia. Sobre estes recaem as taxas extorsivas de jurosque em outros partes do mundo, se efetivadas, resultariam em cadeia”.
Por estas e ainda muitas outras, para se combater para valer a corrupção, não basta apenas espetáculos de pirotecnia como a Operação Lava Jato e outras do gênero. É preciso seguir informando questões como as denunciadas pelo economista José Carlos de Assis e a tese de Denise Gentile.
Lei dos meios de comunicação
E para finalizar, em matéria de silêncio da mídia conservadora vale informar que na Argentina uma juíza federal de San Martin e um juiz federal de Buenos Airesdeixaram sem efeito os decretos do presidente argentino Maurício Macrirelacionados com a revogação da lei dos meios de comunicação.
Os jornalões e telejornalões deram grande destaque ao que havia determinado Macri, mas ignoraram totalmente as decisões dos juízes mencionados que revogaram o decreto que interessava ao grupo Clarin.
Podem imaginar o motivo do silêncio desinformativo?

A propósito de omissão e silêncio midiático, quando os jornalões e telejornalões vão aprofundar a questão dos 100 milhões de reais de propinas no governo FHC?

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
*****
Nota Claudicante:
(1) Uma crítica aqui tem que ser feita aos Governos Lula e Dilma. Lula, no ano de 2003, com base nas mentiras e falacias de déficit na Previdência, fez uma reforma conservadora, herdada de FHC. Dilma tem falado na necessidade de uma nova reforma e Lula, que se diz agora mais de esquerda(?), referendou a fala de Dilma. Assim fica difícil. Dá grande mídia e da direita não podemos esperar nada. E agora?
Por Mário Augusto Jakobskind, via Direto da Redação

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Escolas na Argentina abolem divisão por sala e usam arte como fio condutor


"Iniciativa de professoras universitárias começou em 1958, com um pequeno centro de estudos, se expandiu e hoje é composto por pelo menos 30 escolas

Caio ZinetCentro de Referências em Educação Integral 


A história das Escolas Experimentais, na Argentina, remonta a 1958, quando duas professoras universitárias decidiram abrir uma pequena escola baseada na avaliação de que era necessário estudar e implementar experiências alternativas de educação. Passados 58 anos de muita luta, existem ao menos 30 escolas experimentais espalhadas por toda a Argentina.

Os docentes implementaram um método de ensino inspirado pela pedagogia da tolerância, do educador brasileiro Paulo Freire. Cada escola experimental comporta entre 100 e 200 alunos de ensino infantil, fundamental e médio e a arte é usada como fio condutor para abordar as disciplinas obrigatórias do currículo.

Desde o primeiro dia de aula os estudantes mais novos são colocados em contato com ferramentas artísticas, como pincéis, tintas e instrumentos musicais. Enquanto pintam ou aprendem a tocar algum instrumento musical, os professores conduzem a aula, ensinando história, contando qual foi o contexto social e histórico de algum artista.

A divisão por sala ou por idade inexiste e os estudantes são divididos em rodas de discussão compostas por no máximo 25 alunos. O objetivo de trabalhar em pequenos grupos é permitir aos docentes que estabeleçam uma relação muito próxima com os estudantes."

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em cadeia nacional de televisão, Cristina Kirchner denuncia guerra midiática contra seu governo


Cristina Kirchner faz o que Dilma não faz
A presidenta Cristina Fernandez Kirchner da Argentina denunciou, nesta quarta-feira, os ataques da mídia contra dirigentes de seu governo candidatos nas eleições primárias previstas para 09 de agosto.

"Quando você é atacado é porque eles sabem que não podem lidar com você", disse Cristina em sua primeira atividade oficial depois de ter sofrido de laringite aguda que a manteve de repouso por 48 horas.

A presidenta reiterou que não vai ser candidata para as próximas eleições presidenciais, mas sublinhou que não tem medo "de qualquer juiz pistoleiro, nem mafioso ou chantagista", disse ela. Disse que a única condenação que importa "seria a do povo."

Aumento das aposentadorias na Argentina

A presidenta argentina anunciou um aumento das aposentadorias de 12,49 por cento.

"A recuperação de nossos aposentados foi tomada como uma política de Estado. As aposentadorias aumentaram 28 vezes e a cobertura para os nossos idosos atingiu 97 por cento, ou seja, tem caráter universal ", disse ela.

Assinalou que isso era possível "graças à moratória e ao aumento do número de contribuintes, que foi de 152 por cento."

Um total de 13 candidatos com seus companheiros de chapa de vários partidos políticos vão se reunir nas próximas "Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias" — (PASO), que buscarão a ratificação do povo como candidatos para disputar a presidência em 25 de outubro, assim como a vice-presidência, 24 senadores, 130 deputados nacionais, e os 19 parlamentares argentinos do Mercosul.

Repare como a mestre de cerimônias anuncia a presidenta Cristina Kirchner no início da transmissão em cadeia nacional de televisão:


No CubaDebate, via http://www.contextolivre.com.br/2015/08/em-cadeia-nacional-de-televisao.html

quinta-feira, 14 de março de 2013

Manifestações de apoio e repúdio ao novo papa dividem argentinos



Logo após o anúncio, fiéis católicos se reuniram nas escadarias da Catedral de Buenos Aires
Logo após o anúncio, fiéis católicos se reuniram nas escadarias da Catedral de Buenos Aires
Buzinaços foram ouvidos nas ruas de Buenos Aires logo após o anúncio da escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, como novo papa. Mas as comemorações logo deram lugar às manifestações de apoio ou repúdio ao novo pontífice. Logo após o anúncio, fiéis católicos se reuniram nas escadarias da Catedral de Buenos Aires, no centro da cidade. Com bandeiras azuis e brancas, as cores da Argentina, gritavam: “O papa é argentino” e “Salve Bergoglio”.
A catedral fica a poucos passos da sede da Presidência da República, a Casa Rosada, e em frente à Praça de Maio, símbolo dos protestos em defesa dos direitos humanos e contra os crimes da ditadura, com a qual o agora papa Francisco foi acusado de colaboração por um jornalista local. Nas ruas, a euforia durou poucos minutos. O clima ainda era de surpresa e, ao mesmo tempo, de orgulho com o nome de um papa argentino. “Temos rainha (princesa Máxima, mulher do príncipe herdeiro da Holanda), temos Messi e agora o papa”, disse a comerciante Maribel Cortinez, de 36 anos.
- Ele nos acolheu, nos abraçou e se emocionou com cada um de nós quando perdemos nossos filhos naquela tragédia de Cromañon – disse, na quarta-feira, o pai de uma das vítimas do incêndio em uma discoteca que deixou dezenas de mortos em 2004, em Buenos Aires. Nas principais emissoras de rádio e de televisão do país, como os canais TN e C5N, comentaristas destacavam a “austeridade” de Bergoglio, que costumava viajar de metrô e de trem na capital argentina, e suas homilias criticando a exclusão social e a corrupção nos governos. “Um povo que não cuida de suas crianças e de seus idosos é um povo em decadência”, disse ele em uma missa.
Casamento gay
Suas declarações polêmicas incluíram a condenação publica ao então projeto do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado em 2010 no país, transformando a Argentina no primeiro país da região a adotar a medida. “Não sejamos ingênuos, não se trata de simples luta política, mas a pretensão destrutiva ao plano de Deus, o de um homem e uma mulher crescerem e se multiplicarem”, afirmou.
Os sacerdotes que trabalharam com ele, em Buenos Aires, onde nasceu e foi cardeal, disseram à imprensa local que “ele condenou as críticas e a falta de respeito aos gays”. Outro tema controverso foi seu papel durante a ditadura argentina (1976-1983), com acusações de que teria sido “omisso” ou “cúmplice” naqueles anos de chumbo e, principalmente, suas diferenças públicas com o governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), morto em 2010, e de sua mulher e sucessora, a presidente Cristina Kirchner.
Em um discurso, transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão do país, nesta quarta, Cristina Kirchner disse que espera que ele “defenda o diálogo” e “os excluídos”. Mas quando ela citou o nome do papa Francisco, setores da platéia vaiaram e outros aplaudiram. Cristina fez um gesto pedindo silencio, e lembrou que Francisco “é o primeiro papa latino-americano”. “É um dia histórico para a América Latina. Desejamos ao papa Francisco toda a sorte do mundo nesta missão pastoral”. O público, então, aplaudiu.
Ditadura
O porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, disse que a presidente comparecerá à posse do novo papa, no Vaticano. Analistas disseram às rádios locais que a presidente “não compareceria à posse caso Bergoglio tivesse vínculos com a ditadura”. A polêmica sobre o posicionamento de Bergoglio durante a ditadura foi destaque nas redes sociais. “Um cardeal que não excomungou (o ex-ditador Jorge Rafael) Videla nunca será um papa para todos e todas”, escreveu em seu mural no Facebook a transexual Melisa Stella Saagratta.
A denúncia sobre os supostos vínculos de Bergoglio com o regime militar foi feita pelo jornalista Horacio Verbitsky, no livro El Silencio. Segundo ele, testemunhos de vítimas do regime indicavam em 1976 Bergoglio, então chefe da congregação jesuíta na Argentina, teria retirado a proteção a dois sacerdotes de sua ordem que realizavam tarefas sociais em bairros pobres de Buenos Aires.
Os dois religiosos – Orlando Yorio e Francisco Jalics- foram detidos em 1976 e ficaram presos por cinco meses na Escola Mecânica da Marinha, local conhecido por ter sido um dos principais centros de tortura durante a ditadura argentina. Bergoglio posteriormente rechaçou as acusações. “Fiz o que podia, com a idade que tinha e os poucos relacionamentos com que contava, para advogar por pessoas sequestradas”, disse. Ele afirmou que não havia respondido às acusações imediatamente para “não fazer o jogo de ninguém, não porque tivesse algo a ocultar”.
O cardeal também foi chamado como testemunha em processos relacionados à ditadura, como o caso do desaparecimento de uma mulher grávida, filha de uma das cofundadoras da organização Avós da Praça de Maio, ou o sequestro e assassinato de um padre francês na província de La Rioja, em 1976.
- Segundo a fonte que se consulte, Bergoglio pode ser definido como o homem mais generoso e inteligente que já existiu ou um maquiavélico que traiu seus irmãos e os entregou ao desaparecimento e à tortura aos militares – escreveu Verbitsky. O Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, que recebeu o prêmio por seu ativismo durante o último regime militar, disse à agência britânica de notícias BBC  que “o papa (Francisco) não tinha vínculos com a ditadura”.
O escritor Ceferino Reato, autor do livro Disposición final, no qual Videla reconhece o desaparecimento de vítimas da ditadura, disse à BBC Brasil: “Bergoglio é austero, atento com o cotidiano dos pobres, apóia fortemente o trabalho dos sacerdotes nas favelas. É um homem inteligente e a favor do diálogo com o judaísmo e o islamismo. Sobre as acusações sobre seus vínculos com a ditadura, Bergoglio disse que, ao contrário, que ele se preocupou com estes sacerdotes (dois jesuítas) e conseguiu que a Marinha os liberasse”, disse.
Reato afirmou que “uma das criticas de Bergoglio ao casal Kirchner (Nestor e Cristina Kirchner) é que defende os direitos humanos agora, na democracia, mas não o fez durante a ditadura”, afirmou o escritor.
“Caráter forte”
Especialista em questões sobre a Igreja Católica, José Ignácio López disse à imprensa argentina que Bergoglio “sempre denunciou a corrupção” no país. “De (ex-presidente Carlos) Menem até hoje, ele sempre denunciou a corrupção, condenou a inflação e esteve ao lado dos familiares das vítimas da tragédia da (discoteca Republica) Cromañon e da tragédia do trem na estação Once (na capital argentina, em 2012, que matou 51 pessoas)”, afirmou López.
Setores da oposição ao governo central afirmam que “ninguém do governo compareceu nestas tragédias, mas ele sim”. O padre Alejandro Bunge, professor da UCA (Universidade Católica Argentina), disse que Bergoglio tem “gênio forte, ouve muito, mas não deixa de dizer o que pensa de forma direta”.
O rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano, em Buenos Aires, contou à imprensa local que costuma conversar com Bergoglio e que ele “ouve os diferentes credos”. “E que Deus o abençoe, porque merece estar ali”, disse. A série de comentários sobre o novo papa incluiu declarações de apoio de políticos da oposição ao governo da presidente Cristina Kirchner, com quem Bergoglio mantinha diferenças públicas.
- Quando saiu o anúncio do nome de Bergoglio como papa, a bancada do governo na Câmara dos Deputados parecia que estava num velório. Por favor, é o primeiro papa latino-americano e deveríamos estar comemorando  disse a deputada Elisa Carrió, da opositora Coalición Cívica. O deputado e cineasta Fernando “Pino” Solanas, do Projeto Sur, afirmou “lamentar” que o governo atual “não tenha dialogado com Bergoglio, homem preparado, defensor dos excluídos e do diálogo com os diferentes setores e credos”.
Antes de ser papa, Bergoglio foi definido como “muito argentino” e “muito portenho” na biografia “El Jesuíta” (“O Jesuíta”) assinada pelos jornalistas Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti, de Buenos Aires. “Torcedor do time de futebol San Lorenzo, apaixonado por tango e leitor do escritor Jorge Luis Borges”, descreveram.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina



Anunciado hoje (13) como novo papa em uma votação tida como surpreendente, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é investigado dentro de seu país pela colaboração com a ditadura. Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do último regime militar (1976-83).
A participação de Bergoglio no governo responsável pela morte de 30 mil pessoas é antiga e famosa, mas os sinais mais claros surgiram ao longo da última década, quando, após a derrubada de leis que protegiam os repressores do passado, foi possível dar início a julgamentos. O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.
Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida. A causa Esma é uma das principais iniciadas nos últimos anos, e tem resultado em desdobramentos que alcançaram Bergoglio.
Ciente disso, e ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzigner, Bento XVI, Bergoglio encomendou em 2010 uma operação de "limpeza" de seu nome. Segundo reportagem do jornal argentino Página12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979.
Em 2010, juízes do Tribunal Oral Federal número 5 foram até a sede do arcebispado de Buenos Aires tomar o depoimento do cardeal, acusado de trabalhar pelo sequestro e pela tortura de dois jesuítas em 1976. Naquele momento, Bergoglio comandava a Companhia de Jesus em San Miguel, e uma série de testemunhos o conectam ao crime. 
Francisco Jalics e Orlando Yorio, as próprias vítimas do sequestro, acusam Bergoglio de havê-los denunciado, em uma operação policial na qual desapareceram Mónica Candelaria Mignone,María Marta Vázquez Ocampo e Martha Ocampo de Vázquez. Em 2011, o jornalista Horacio Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que corrobora a suspeita. Naquele momento, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de seu passaporte. O informe da chancelaria aponta que Bergoglio apontou que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.
Em 2010, o médico Lorenzo Riquelme, então com 58 anos, declarou que o grupo que o sequestrou e torturou saiu da sede da Companhia de Jesus. Militante da Juventude Peronista e do movimento cristão, Riquelme deu a declaração com base no que foi dito a sua mulher, também raptada. Ela trabalhava no Observatório de Física Cósmica de San Miguel, que passou de um reduto peronista a um lugar de atuação de homens infiltrados da Marinha e sob controle de Bergoglio. 
Mom Debussy, um jesuíta que tinha a confiança de Bergoglio, afirmou que algumas vezes o cardeal lhe contou sobre os projetos de Massera, sempre demonstrando simpatia pelo regime, e que pretendia vender à Marinha o Observatório de Física. Debussy disse ainda que os trabalhadores do Observatório eram demitidos pelo religioso depois de voltar das sessões de tortura.
Outro documento oficial, datado de 1976, narra o que o líder religioso defendeu a comandantes militares. Advogou esclarecer a posição da Igreja Católica, de suporte ao regime, afirmando que “de nenhuma maneira pretendemos formular uma posição de crítica ao governo”, dado que um fracasso “levaria, com muita probabilidade, ao marxismo”. 
Em 2011, veio à tona a possível participação de Bergoglio em um caso de sequestro de bebês, uma prática adotada pelo regime, que executou várias mulheres grávidas ou com filhos pequenos. O Tribunal Oral Federal número 6 convocou o cardeal a depor no processo de Estela de la Cuadra, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio. Segundo Estela, o agora papa tem relevantes informações sobre o desaparecimento de sua sobrinha, Ana, roubada dos braços da mãe em uma delegacia de La Plata, cidade vizinha a Buenos Aires. 
No mesmo ano, a Justiça francesa determinou que o Judiciário argentino tomasse o depoimento de Bergoglio pela suspeita de participação no desaparecimento de um padre francês que morou na Companhia de Jesus. O testemunho de uma monja em 1984 já indicava a relação do então chefe da congregação com o sequestro que resultou nas mortes de Gabriel Longueville e do sacerdote Carlos de Dios Murias.
Por João Pereshttp://www.aldeiagaulesa.net/2013/03/novo-papa-e-associado-sequestros-de.html

sábado, 22 de dezembro de 2012

CIA, elites, setores do judiciário e oposição preparam golpe na Argentina e no Brasil

Amigos (as) vejam o amálgama do golpe em curso na Argentina e por tabela no Brasil. A mídia, especialmente a Globo da Argentina (Clarín), aposta no caos econômico-social na América do Sul.

No Brasil está em curso o golpe, perpetrado por setores da mídia (Rede Globo, Veja, Folha, Estadão) em sintonia com setores da PF, MPF, STF. O primeiro passo é a criminalização da política e mostra uma falência das instituições e do caos político no Brasil. E por isso, devemos estar vigilantes. 
Vejam abaixo o modus operandi do golpe que se avizinha na Argentina. A luta será encarniçada. E mais uma vez os EUA estão por trás, dando a logística necessária para o golpe nesta parte de cá das Américas.

Saques terminam com 2 mortos na Argentina


STRINGER: People carry boxes taken from the
A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força em um hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires. A presidente Cristina Kirchner acusa a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentar desestabilizar seu governo
BUENOS AIRES, 21 Dez (Reuters) - Duas pessoas morreram na sexta-feira durante saques a supermercados em uma populosa cidade argentina, enquanto agentes de segurança tentavam evitar mais ataques em outras localidades, numa onda de violência atribuída pelo governo a sindicatos da oposição.
A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força em um hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires.
Imagens de TV mostraram dezenas de jovens atirando pedras nos policiais que cercavam o supermercado localizado em San Fernando, cidade cerca de 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires, onde há vários bairros pobres.
Os saques a supermercados começaram na quinta-feira em Bariloche, pólo turístico no sul da Argentina, e depois se estenderam a outras localidades das províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Chaco.
"Quando se vê que levaram (TVs de) plasma, não é fome", disse à jornalistas o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, garantindo que os saques não foram protagonizados por pessoas com queixas sociais.
As imagens evocam o triste Natal que os argentinos viveram em 2001, quando o então presidente Fernando de la Rúa renunciou em meio a uma onda de violência e uma grave crise econômica e social, que jogou metade da população na pobreza.
A presidente Cristina Kirchner acusou em várias ocasiões a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentarem desestabilizar seu governo para frear reformas economias e sociais que seus críticos qualificam de populistas.
Cerca de 250 pessoas foram detidas nos saques. Em Rosário, principal cidade da província de Santa Fé, duas pessoas morreram baleadas em meio à onda de ataques a supermercados.
O governo mobilizou 400 policiais para reforçar a segurança em Bariloche, onde centenas de pessoas com os rostos escondidos saquearam um loja da rede norte-americana Wal-mart.
"Há um setor na Argentina que quer levar o caos, à violência e tingir de sangue nossas festas", disse a uma rádio o vice-ministro da Segurança, Sergio Berni, que estava em Bariloche. "Esta não é a mesma Argentina de 2001", acrescentou.
Mas a economia, que vinha se recuperando desde 2003, estancou neste ano, a situação fiscal e o ambiente para negócios se deterioraram, e a elevada inflação golpeia os bolsos da classe média e de setores com menores recursos.
Berni disse que a violência registrada na localidade portuária de Campana, cerca de 80 quilômetros ao norte de Buenos Aires, foi orquestrada por grupos vinculados a um sindicato de caminhoneiros dirigido por Hugo Moyano, que também dirige a central sindical oposicionista CGT.
"Talvez isso seja fruto da necessidade que muita gente está passando. Não posso imaginar que isso possa ser organizado por alguém", disse Moyano a uma rádio, sem responder às acusações do governo.
(Reportagem de Guido Nejamkis e Alejandro Lifschitz)
No Olhos do Sertão

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Aécio, Bresser e a privataria tucana




Por Altamiro Borges

A Folha de hoje traz dois artigos que tratam das privatizações. Aécio Neves, o provável presidenciável tucano em 2014, defende de forma apaixonada a venda das estatais no reinado de FHC. Já o economista Bresser Pereira, que recentemente se desfiliou do PSDB, elogia a atitude corajosa da presidenta Cristina Kirchner de reestatizar a empresa de petróleo da Argentina, a YPF.


Enquanto o primeiro revela toda a sua mentalidade colonizada, o segundo demonstra preocupação com a questão da soberania nacional. Para o senador mineiro, a entrega do patrimônio público inseriu o Brasil no paraíso da globalização neoliberal. “Há 250 milhões de celulares em uso no país”, festeja, bajulando FHC pela “coragem de desencadear o processo de privatização da telefonia”.

Tentativa de castrar o debate

Ele nada fala sobre os péssimos serviços prestados pelas teles, a maioria multinacionais, hoje recordistas de queixas no Procon. Ele também não critica estas empresas, que reduziram os investimentos no país e aumentaram as remessas de lucros para salvar suas matrizes na falida Europa. O artigo serve apenas para elogiar “a coragem” do PSDB e para demonizar os críticos da privatização.

Maroto, o mineiro conclui o seu artigo afirmando que “as restrições ideológicas à privatização são, hoje, página virada na história do país. Vide, por exemplo, as concessões iniciadas, ainda que tardiamente, para a administração dos aeroportos. Incoerências à parte, resultados como esse deveriam inspirar quem tem responsabilidade de governar”. Pura conversa mole!

O debate sobre o tema não está encerrado. Além de analisar os prejuízos causados pela entrega de estatais em áreas estratégicas, é preciso apurar a roubalheira que contaminou todo o processo. O livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro, dá importantes pistas sobre a lavagem do dinheiro da corrupção. Aécio Neves teme que este debate seja retomado no Brasil.

“A Argentina tem razão”

Na Argentina, a presidenta Cristina Kirchner teve a coragem de reabrir a ferida. Diante da rapinagem da Repsol, que não perfurou um poço de petróleo nos últimos anos e aumentou a remessa de lucros para a Espanha, o governo do país vizinho reestatizou este setor estratégico. Bresser Pereira, no extremo oposto ao de Aécio Neves, não tem dúvida de que “a Argentina tem razão”.

Apesar da gritaria do governo espanhol, dos rentistas e de “alguns jornalistas”, o ex-tucano é taxativo. “Não faz sentido deixar sob controle de empresa estrangeira um setor estratégico para o desenvolvimento do país como é o petróleo, especialmente quando essa empresa, em vez de reinvestir seus lucros e aumentar a produção, os remetia para a matriz espanhola”.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

AMEAÇA DE NOVA GUERRA NAS MALVINAS

Ilhas Malvinas, no verão

INGLATERRA AFIRMA QUE NUNCA NEGOCIARÁ AS ILHAS MALVINAS

“Em uma mensagem de Natal dirigida aos habitantes das Malvinas, divulgada na sexta-feira (23) no Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron afirmou que “nunca” negociará a soberania desse território [que lá é chamado de Ilhas Falkland] com a Argentina, a menos "que seus moradores queiram". “Nenhuma democracia pode proceder de outra maneira”, disse o premiê britânico....

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Inveja da Argentina? Conheça o “Efeito Tango”




A expressão “Efeito Tango”, largamente usada no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, caiu em desuso por aqui, no século XXI. Todavia, continua sendo produto de um fato: o estágio político e social mais avançado da Argentina sempre fez do país vizinho, para nós, uma espécie de “eu sou você amanhã”, bordão que remete a uma propaganda de vodka da época.
Na peça publicitária dos anos 1980, um homem bem-vestido e penteado olhava para o espelho, antes de sair para a “balada” à noite, e  se via irreconhecível, com cara de ressaca. Então perguntava à imagem: “Quem é você?”. E ela respondia: “Eu sou você amanhã”....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lei da Mídia: razões, entraves, detalhamento e viabilização


 mais difícil do que a da Comissão da Verdade, que terá apenas conseqüências políticas enquanto que a regulação da mídia teria enormes desdobramentos econômicos, políticos e sociais.
Vamos a esses fatores, pois.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Em defesa de Lula


Só no Brasil mesmo para alguém ter que defender o autor de uma obra como a de Luiz Inácio Lula da Silva, o eterno presidente Lula. E o que mais espanta não é a mesquinhez dos inimigos, mas a ingratidão de parte dos que apoiaram seu governo e que agora apóiam o da sucessora que ele indicou e elegeu com a sua popularidade imensurável...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Brasil prepara a desvalorização de sua moeda ($R)

Presidenta Dilma Rousseff


*Thierry Apoteker - publicado no Financial Times
inSurGente.org - Internacional – América  
Traduzido por Vera Vassouras



Brasil enfrentará algumas decisões difíceis nos próximos tempos, tendo, final do jogo, “provavelmente” que fazer uma redução importante das taxas de financiamento e uma forte depreciação da moeda.

A região treme, principalmente a Argentina e  Uruguai.

Em Londres funciona o principal mercado: O mercado de Divisas. Londres e o Financial Times sabem do que falam quando decidem falar. A Presidenta brasileira, Dilma Rousseff, antes de assumir o cargo afirmou que o Brasil necessitava de uma desvalorização. Lula instou-a a calar-se, então.....