É preciso analisar pelo que vale o quilométrico artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o jornal Folha de São Paulo anuncia hoje (12 de abril) em manchete principal de primeira página e que no meio da manhã já se espalhava por blogs da imprensa alinhada à oposição ao governo Dilma.
São sete páginas recheadas por 5.485 palavras, espaço suficiente para conter montanhas de propostas e com uma divulgação que não me lembro de ter sido dada recentemente a outro texto opinativo emitido por um ser humano – o artigo, repito, foi anunciado na manchete principal de primeira página do jornal pago de maior circulação no Brasil.
O que se esperaria de tal texto? Que tivesse alguma grande fórmula não só para o Brasil, mas para a humanidade. No mínimo. Entretanto, não consegui encontrar uma só linha que justificasse o alarde que esse amontoado de idiossincrasias de um político sem votos recebeu e continua recebendo – e que deverá receber ainda mais, nos próximos dias.
E tudo para quê? Nas palavras do próprio FHC, “Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo”.
Não admira que o texto de FHC seja longo, pois. Para anunciar a que veio, gastou os primeiros sete parágrafos. E nada anunciou. A idéia central desse texto imenso resume-se ao seguinte:
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, falarão sozinhos”
Para dar publicidade a percepção tão brilhante, uma revista que pouca gente deve conhecer, a “Interesse Nacional”. A publicação foi lançada em 2008. São membros de seu Conselho Editorial pessoas de visões tão distintas quanto os abaixo citados:
André Singer,
Berta Becker,
Carlos Eduardo Lins da Silva,
Cláudio Lembo,
Cláudio Moura Castro,
Daniel Feffer,
Demétrio Magnoli,
Eduardo Giannetti da Fonseca,
Eliézer Rizzo de Oliveira,
Eugênio Bucci,
Fernão Bracher,
Gabriel Cohn,
Glauco Arbix,
João Geraldo Piquet Carneiro,
Joaquim Falcão,
José Luis Fiori,
Leda Paulani,
Luiz Carlos Bresser Pereira,
Raymundo Magliano,
Renato Janine Ribeiro,
Ricardo Carneiro,
Ricardo Santiago,
Roberto Pompeu de Toledo,
Rubens Barbosa
Sérgio Fausto.
Ao menos dois dos conselheiros são leitores deste blog, o ex-ombudsman da Folha de São Paulo Carlos Eduardo Lins da Silva e o professor Renato Janine Ribeiro. É um espectro amplo que vai da direita magnoliana à centro-esquerda. E o site da revista está hospedado no UOL.
A escolha do veículo para divulgar a idéia (?) de FHC vale talvez mais do que um texto paquidérmico que não diz nada de novo ou de lógico, pois aqueles que se quer conquistar para as hostes de oposição a Dilma Rousseff são justamente os que a peça publicitária do Grupo Folha diz integrarem a “Nova classe média, içada da pobreza pelo crescimento econômico dos últimos anos”.
Trocando em miúdos: são aqueles que se beneficiaram mais do que quaisquer outros durante o governo Lula e que vêm dando uma banana tanto para o Grupo Folha quanto para FHC desde 2002 até 2010. Agora, com mais motivos do que no começo.
Entre a nova e a velha classe média, segundo os resultados estratificados de pesquisas de opinião, Dilma e Lula fazem muito sucesso. Se o apanhado for nacional, Dilma e Lula vêm empatando com a mídia e a oposição ou derrotando-as há muito tempo em todos os segmentos de idade, gênero e escolaridade, apesar de perderem em determinados Estados do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste e entre os mais ricos.
De fato, a nova classe média lidera o pelotão das classes médias que já responde por mais da metade da população do Brasil, o que significa que FHC quer deixar para os adversários apenas os muito ricos ou muito pobres, por mais que a sua base eleitoral seja a dos mais ricos, tanto regional quanto economicamente.
É ridículo porque FHC não se preocupa com propostas que seduzam contingentes amplamente satisfeitos com o Brasil que vem sendo construído desde 2003. Quer apenas convencer esses setores de que ele é que fez o país de que a nova classe média passou a desfrutar somente sob Lula.
Ou seja, é a velha tática, o velho discurso que não funcionou em 2002, em 2006 e em 2010. Assim fica difícil, não acham?
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Quem quiser poder ler o texto é só clicar em "mais informações" logo abaixo. Quem o divulgou em primeira mão foi o blogueiro da Globo Ricardo Noblat.....