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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Que 2017 seja melhor e que Temer tenha medo das vaias e deixe a presidência



Com medo de vaias, Temer não vai buscar Michelzinho na escola
Gregorio Duvivier 
Ninguém lembra como é que começou. Talvez tenha sido na Olimpíada, quando Temer, com medo de vaias, não foi ao encerramento dos Jogos. Aquilo foi estranho. Não que alguém tenha ficado triste com sua ausência. Mas foi estranho ver um país sem presidente –pela primeira vez em toda a história dos Jogos Olímpicos.

Mais estranho ainda foi quando caiu o avião do Chapecoense e o presidente, com medo de vaias, não foi ao funeral dos jogadores. Em vez disso, pediu aos pais dos jogadores pra que fossem visitá-lo, como se fosse ele quem tivesse perdido um ente querido. Tomou um esculacho. Desde então, nunca mais se pronunciou. E lá se vão meses que o Brasil não vê seu presidente.

Os ministros já não têm reunião faz mais de um mês. Com medo de vaias, Temer já não aparece no Planalto. Os ministros não reclamam –afinal não é como se gostassem muito de trabalhar. O motorista presidencial diz que está esperando o patrão na portaria do Alvorada, mas, com medo de vaias, Temer não atende ao interfone.

Interrogada, Marcela, sua mulher, afirma também que não faz ideia de onde o marido esteja. Com medo de vaias, Temer já não dorme na mesma cama que ela. Marcela já tentou ligar pro marido mas, com medo de vaias, Temer não atende suas ligações.

Nem Michelzinho, o filho preferido, faz ideia de onde está o pai. Com medo de vaias, Temer parou de buscar o filho na escola. A família esperava o patriarca na ceia de Natal. Michelzinho tinha esperança de que o bom velhinho aparecesse na chaminé. Nada. Com medo de vaias, Temer enviou um vale-presente pelo correio. Cada filho teria direito a R$ 50 na Saraiva.

Dona Jaci, copeira do palácio, afirma que, com medo de vaias, Temer não saía da cama havia meses, "nem pra tomar café". Ficava imóvel debaixo do edredom. Preocupada com a saúde do presidente, a copeira tomou coragem e puxou os lençóis –mas o presidente não estava lá. Com medo de vaias, o presidente tinha colocado vários travesseiros em seu lugar na cama.

Foi a Polícia Federal que rastreou a origem do vale-presente da Saraiva e descobriu que o presidente do Brasil agora está morando na Coreia do Norte. Perguntado sobre quando pretende voltar, Temer afirma que só volta quando o país inteirinho prometer que não vai ter vaia. "Mas tem que jurar", disse o presidente-fantasma.

Enquanto isso, a cadeira presidencial segue vazia. Olhando pra ela, o Brasil se pergunta se alguma vez já não foi tão bem ocupada.
via: http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2016/12/que-2017-seja-melhor-e-que-temer-tenha.html

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O que a direita quer é voltar a roubar em paz, como sempre fez


Algum deles estaria solto na Alemanha ou no Canadá? 
Duvivier fez a análise mais lúcida do momento que vive o país 

Por Paulo Nogueira - Diário do Centro do Mundo

Você vê Lobão, Gentili, Fábio Júnior e pensa em perder a fé na capacidade de reflexão da classe artística.

Mas aí você vê Gregório Duvivier e volta a acreditar nos artistas.

A entrevista que Duvivier concedeu a uma emissora portuguesa em Lisboa é uma das mais luminosas análises da cena política contemporânea nacional.

A frase chave é esta: os caras querem tirar Dilma para poderem continuar a roubar.

A não ser que você acredite nos bons propósitos de figuras como Eduardo Cunha, Caiado e, como bem notou Duvivier, Aécio.

Aécio deveria explicar o aeroporto privado que construiu, ou as verbas públicas que alocou para rádios suas quando governador de Minas, e em vez disso fala com a maior cara de pau em combater a corrupção.

Atenção.

As pessoas que mais falam em corrupção são, em geral, as almas mais corrompidas.

No Brasil, o foco de espertalhões em corrupção desvia o debate do verdadeiro câncer nacional: a desigualdade.

Duvivier usou, com graça irreverente, uma sentença que todos deveríamos ter em mente. Limpar a corrupção com os pseudocampeões da moralidade que estão aí é como “limpar o chão com bosta”.

Um caso exemplar é o de Agripino Maia, presidente do DEM.

Enroscadíssimo num caso em que é acusado de achacar um empresário, ele consegue comparecer, como se tivesse a ficha mais limpa do mundo, a protestos anticorrupção.

Isto se chama tratar os brasileiros como se fossem imbecis.

A entrevista de Duvivier em Portugal é um magnífico contraponto a toda a canalhice cínica que marca o movimento pró-impeachment. Os políticos que o lideram se batem, todos eles, pela manutenção do financiamento privado às campanhas, sabidamente o maior foco de corrupção que existe, e a maneira como a plutocracia toma de assalto a democracia.

As críticas que Duvivier faz ao PT não são poucas, e são justíssimas.

O PT fez muito menos pelos índios do que deveria fazer. Na questão ambiental, deixou também muito a desejar.

Mexeu muito pouco na estrutura abjeta da política brasileira ao se ídedicar a acordos lastimáveis em nome da governabilidade.

Mas não é nenhuma dessas questões que comove os defensores do impeachment.

O que eles querem, como disse Duvivier, é poder meter a mão em paz, como sempre fizeram.
http://caviaresquerda.blogspot.com.br/