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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Jovens devem ocupar o mundo todo, e não só as escolas


Kailash Sayarthi. Foto: Agência Senado
Kailash Sayarthi. Foto: Agência Senado
O Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, divide palco com estudantes que ocuparam escola em São Paulo e pede apoio a nova campanha contra o trabalho infantil
Por Vinícius de Oliveira, do Porvir –
Vencedor do Nobel da Paz em 2014, o indiano Kailash Satyarthi, de 62 anos, disse “tirar o chapéu” para os estudantes que lutaram contra a reorganização escolar planejada e suspensa pelo governo de São Paulo após série de protestos. Sentado no palco com um grupo de alunos da Escola Estadual Fernão Dias, o ativista que há 35 anos abandonou a engenharia para combater o trabalho infantil comparou o movimento com um episódio de sua juventude, quando foi preso e apanhou de policiais por não concordar com a imposição do inglês no currículo escolar. Em seguida, fez uma proposta: “Posso me juntar à luta de vocês? Vocês devem ocupar o mundo todo, e não só as escolas.”
Na palestra promovida pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação e realizada no Senac Lapa Scipião, na zona oeste da cidade, Satyarthi pediu que os jovens voltem a se unir, desta vez em torno de uma nova campanha, denominada “Cem milhões por cem milhões”, em que a nova geração se tornaria voz contra a exploração de crianças ao redor do mundo.
Em mais de três décadas de atuação, a Bachpan Bachao Andolan (BBA, Movimento para Salvar a Infância), ONG comandada por Satyarthi, contabiliza o resgate de 84.711 de crianças, muitos deles com a presença do próprio ativista. Dentre essas centenas de milhares de casos, ele lembra um em especial, que mostra como analfabetismo e escravidão, particularmente a infantil, são dois lados de uma mesma moeda.
Logo no início das atividades da BBA, Satyarthi tomou conhecimento da história de homens, mulheres e crianças escravizados em uma fábrica de tijolos. Uma operação secreta para o resgate foi montada durante a noite e o grupo foi levado para Nova Déli (capital do país). Uma menina, que convivia há longo tempo com tuberculose não tratada, acabou morrendo no dia seguinte. Diante da papelada do hospital para liberar o corpo da filha, o pai respondeu ao médico. “Senhor, se pudesse ler alguma coisa, de fazer minha assinatura, minha filha nunca teria morrido”. O analfabetismo também serviria para explicar as razões que levaram a família a viver em situação de extrema vulnerabilidade. O contrato de trabalho profissional, assinado apenas com o polegar direito carimbado, impedia a família deixar o local de onde foram resgatados. “Se pudesse ler e escrever, nunca teria assinado aqueles papéis da mesma forma que não assinei hoje os papéis da morte da minha filha”, disse o pai, segundo relato do ativista.
Episódios como esse fizeram Satyarthi entender que seria impossível eliminar a escravidão sem que a educação se fizesse presente. “A educação é a chave para o futuro, é o direito humano fundamental e que abre a porta para todos outros direitos. Educação pode ajudá-lo a superar a pobreza, pode empoderá-lo, pode trazer justiça social, pode proporcionar equidade de gênero, ajudar a proteger o planeta. Portanto, educação é vital”.
Apesar de a ONU (Organização das Nações Unidas) desde 1990 colocar como meta a educação para todos, Satyarthi mostra números que assombram, mas que ainda assim foram reduzidos graças à Campanha Global pela Educação e pela Marcha Global contra o Trabalho Infantil, duas iniciativas que criadas por ele. Em 2015, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), 168 milhões de crianças estão trabalhando; 89 milhões são mantidas como escravas, na prostituição ou servindo a exércitos; 59 milhões nunca foram à escola, enquanto outras 120 milhões saem dela sem saber o básico. “O número de crianças que nunca foram à escola somado ao daquelas que abandonam os estudos é mais ou menos equivalente ao de crianças trabalhando. Mas há outro ângulo nessa relação triangular, que é a pobreza. Muita gente diz que a pobreza é a razão para a evasão, o analfabetismo ou acesso à educação. O mesmo argumento é usado para o trabalho infantil. Então, não surpreende o fato de 200 milhões de desempregados virem a ser pais de crianças que trabalham”, analisou.
Para virar o jogo, o Nobel da Paz vê a emancipação da sociedade civil como questão crucial. Ao dizer aos jovens da escola Fernão Dias que eles “têm toda a capacidade de lutar e de ganhar”, Satyarthi espera lançar o alicerce do que chama de “maior campanha da história humana” em defesa da educação. “Uma criança enterrada viva na Síria não é sua irmã ? Um grupo de meninas foi sequestrado pelo [grupo radical islâmico] Boko Haram e ninguém sabe o que aconteceu e outros milhões de crianças saíram das escolas por medo. Vocês querem fazer a diferença no mundo ou ficar sentados?” (Porvir/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Porvir.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A besta-fera não tem filhos?


As imagens que circulam nas redes sociais são inacreditáveis: a molecada protestando contra o fechamento de escolas no Estado de São Paulo, mostrando, com isso, um alto grau de cidadania e exercendo um direito absolutamente garantido pela Constituição, e a Polícia Militar tratando-os como bandidos.

Esses estudantes covardemente agredidos pela PM são menores de idade, a maioria talvez na faixa dos 14 a 17 anos, que estão dando, em várias cidades paulistas, um exemplo de como um governo sem nenhuma preocupação com o social, deve ser combatido: nas ruas, com manifestações pacíficas, fazendo pressão, usando argumentos.


Contra esses atos que, em qualquer democracia mequetrefe deveriam ser encarados com total tranquilidade, aparece uma Polícia Militar sem nenhum preparo psicológico ou profissional, agindo como se estivesse combatendo o mais cruel dos inimigos, o mais sórdido bando de delinquentes e os criminosos mais sanguinários.

Não sei, mas desconfio, que grande parte desses policiais tem família, tem filhos que estudam em escolas públicas - talvez mesmo em algumas dessas que o governador Alckmin pretende fechar.

Também acredito que o secretário de Educação, aquele sujeito com cara de nazista do qual não lembro o nome, e até o próprio governador, foram, algum dia, adolescentes com sonhos de construir uma vida digna, de progredir interiormente, de passar esta existência num mundo em que as pessoas tenham oportunidade de ser felizes.

Mas é justamente essa convicção que me confunde e me faz refletir sobre o que leva um ser humano a ser tão cruel, tão insensível e tão inconsequente em seus atos.

Bater em professores, bater em estudantes adolescentes, bater em sindicalistas, bater em cidadãos comuns que nada mais fazem do que exercer o seu direito de protestar contra o que acham errado, humilhar e assassinar jovens negros da periferia porque eles são jovens, negros e pobres...

A Polícia Militar, pelo menos essa força descontrolada, acima das leis, que decide sobre quem deve viver ou morrer, essa besta-fera fascista que amedronta o mais pacato indivíduo, é o exemplo perfeito do que este país pode vir a ser se os bárbaros que tentam, por todos os meios, sequestrá-lo, vencerem esta guerra que iniciaram contra a civilização.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A "JUVENTUDE" do PSDB quer acabar com carteira de estudante.

PSDB é contra a carteirinha

A Juventude do PSDB vai divulgar amanhã, ao final de seu primeiro congresso nacional, a Carta de Goiânia. Nela, os tucanos vão pedir o fim da carteira de estudante, que dá direito à meia-entrada em cinemas, teatros e shows. As carteirinhas são emitidas pela UNE e pela Ubes, que usam o dinheiro que recebem para custear suas atividades. O PSDB quer que a meia seja garantida aos jovens via carteira de identidade.
Com esta atitude, o PSDB só mostra quem ele realmente é.
O PSDB esconde sua veia elitista por trás da reivindicação de que a meia entrada seja garantida pela carteira de identidade. Parece uma ação inocente, pois, na verdade, eles não querem que a meia entrada acabe. Mas com isso, a "juventude" do PSDB quer minar e eliminar a única entidade que, verdadeiramente, representa os estudantes no país.
A UNE é uma entidade combativa, em prol dos estudantes. E hoje, durante o governo da esquerda, a UNE está mais forte do que nunca e os estudantes se sentem representados pela entidade.
A direta, representada pelo PSDB, prega a desigualdade social e de distribuição de renda. Eles dizem que não. Mas quando se coloca o mercado como regulador da economia, podem acontecer duas coisas: os pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, aumentando o abismo social ou a ganância capitalista pode arrastar o país para uma crise como a que vivem Europa e USA.
É a lei dos mais fortes!!! E os fracos que se f...
No Tô de Olho Malandragem!

sábado, 13 de agosto de 2011

O que é política?



Polis - Grécia antiga
"A desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta" - Platão

A palavra política tem origem no grego “ta politika” que, por sua vez, deriva da palavra grega “polis”. Mas o que é polis?

Polis é a Cidade, entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos ( no grego “politikos” ), isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais. (Convite a Filosofia, capítulo 7, Marilena Chaui, Editora Ática).

Polis é o que chamamos, ao estudarmos a Grécia Antiga, de Cidades-Estado. Os moradores dasPolis eram os “politikos” (cidadãos), aqueles que exercem a civilidade....

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sala de aula brasileira é mais indisciplinada que a média, diz estudo

As salas de aula brasileiras são mais indisciplinadas do que a média de outros países avaliados em um estudo do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês).

Pesquisa foi realizada entre estudantes de 15 anos
O estudo, feito com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que, no Brasil, 67% dos alunos entrevistados disseram que seus professores "nunca ou quase nunca" têm de esperar um longo período até que a classe se acalme para dar prosseguimento à aula.....

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tucanos paulistas criminalizam o direito ao protesto

Estudantes que manifestavam pelo passe livre e contra o aumento dos coletivos no centro de SP foram reprimidos com violência pela PM no fim da tarde desta quinta-feira, 13 de janeiro de 2011. Os policiais disparam balas de borracha a curta distância contra os jovens.