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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Vaticano e a pedofilia

Cartilha usada para os novos bispos reforça a omissão da Igreja Católica com os casos de abusos sexuais em suas fileiras

A Igreja Católica mostrou na semana passada, mais uma vez, que não está preparada, nem sequer disposta a enfrentar a chaga da pedofilia em suas entranhas. Em meio ao desconforto e à vergonha causados pelas centenas de vítimas de padres pedófilos espalhadas pelas dioceses do mundo, o Vaticano afirmou que não é necessariamente dever dos bispos denunciar situações de abusos sexuais por parte de elementos do clero. Cabe a eles apenas lidar internamente com as acusações. Quem deve denunciar formalmente a situação às autoridades são as vítimas ou as famílias das vítimas. Essa posição é contrária ao Comitê Pontifício para a Proteção de Menores, criado pelo papa Francisco para conter justamente essa escalada de abusos. Segundo essa comissão, denunciar esses casos é, acima de tudo, uma obrigação moral. Orientações tão divergentes, dentro das colunas da Praça São Pedro, mostram por que a Igreja Católica comandada pelo bem-intencionado Francisco continua omissa diante desses crimes pavorosos que continuam impunes. E, mais do que isso, seguem acontecendo nas paróquias pelo mundo.
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EM SEGUNDO PLANO 
Nas instruções, pouco se fala sobre a prevenção aos novos casos de pedofila
A orientação de que os bispos não precisam denunciar tem sido dada durante o curso de formação de bispos recém nomeados. “De acordo com as leis civis de cada país onde a denúncia é obrigatória, não é necessariamente dever dos bispos entregar os suspeitos às autoridades, polícia ou procuradores, no momento em que tomam conhecimento destes crimes ou ações pecaminosas”, lê-se no documento. As instruções foram redigidas pelo padre francês Tony Anatrella, consultor do Concílio do Pontificado para a Família e conhecido por ter considerado que “a homossexualidade desestabiliza a sociedade”.
Nas mesmas instruções, são poucas as referências à prevenção do abuso sexual a menores no interior da Igreja Católica, o que deveria ser a prioridades
http://oblogdoabelha.blogspot.com.br/2016/02/152-o-vaticano-e-pedofilia.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Principal cardeal britânico renuncia em meio a alegações de abusos


TRÊS PADRES E UM EX-PADRE RELATARAM QUE CARDEAL KEITH O'BRIEN TEVE UM 'COMPORTAMENTO INADEQUADO' NA DÉCADA DE 1980; RENÚNCIA É ACEITA POR PAPA, QUE DEIXA CARGO NA QUINTA

O principal clérigo britânico da Igreja Católica, o cardeal Keith O'Brien, renunciou nesta segunda-feira como arcebispo de St. Andrews e Edinburgo após alegações de abuso contra quatro padres na década de 1980. O'Brien nega as acusações. De acordo com a Igreja Católica da Escócia, o papa Bento 16 aceitou a renúncia.
O cardeal confirmou que não participará do conclave em que será eleito o sucessor do papa, que deixa o cargo oficialmente na quinta-feira , fazendo com que o Reino Unido não tenha representante na votação.
Domingo: Papa, em seu último Ângelus, diz que segue vontade de Deus 

Reação:  Vaticano critica 'fofocas' e 'calúnias' sobre renúncia do papa 
Em uma declaração, o cardeal O'Brien afirmou que entregou há meses sua carta de renúncia, que entraria em vigor quando ele fizesse 75 anos em 17 de março, mas que Bento 16 "agora decidiu que ela passará a valer desde hoje". Segundo ele, em seu lugar ficará um admistrador apostólico para governar a arquidiocese até que seu sucessor seja nomeado.
A renúncia do principal clérigo da Igreja Católica no Reino Unido em meio a alegações de comportamento impróprio cria um crise para a igreja na Escócia e representa um amplo golpe para toda a instituição enquanto ela batalha para melhorar sua reputação antes da eleição papal.
Já se espera que o conclave seja difícil nas circunstâncias criadas pela renúncia sem precedentes de Bento 16, a primeira em quase 600 anos . Além disso, o Vaticano encontra dificuldades para lidar com informações de corrupção interna e mau gerenciamento .
Relatório: Papa transfere monsenhor após vazamento de dossiê sobre VatiLeaks 
A renúncia do cardeal O'Brien também é uma tragédia pessoal. Seu papel como único representante britânico no conclave do próximo mês seria uma de suas últimas ações antes da aposentadoria.
De acordo com a edição de domingo do britânico The Observer, três padres e um ex-padre - da diocese de St. Andrews e Edinburgo - reclamaram ao representante do papa no Reino Unido, nuncio Antonio Mennini, na semana anterior ao dia 11, quando o papa anunciou sua renúncia, o que alegaram ser comportamentos inadequados do cardeal.
O ex-padre alega que o cardeal o abordou de forma imprópria depois das preces noturnas em 1980, quando era um seminarista no Colégio de St. Andrew, em Drygrange. O reclamante diz ter renunciado como padre quando O'Brien se tornou bispo. Ele é citado em uma declaração afirmando: "Soube então que ele sempre teria poderes sobre mim. Inferiu-se que eu deixei a igreja porque me casaria. Não casei. Renunciei para preservar minha integridade."
Sucessão: Papa abre porta com Twitter, mas jovens esperam 'sucessor 2.0' 
Uma segunda reclamação de um outro religioso indica que ele vivia em uma paróquia quando recebeu a visita de O'Brien e houve contato impróprio entre os dois. Um terceiro querelante alega ter lidado com o que descreve como "comportamento não desejado" do cardeal nos anos 1980 depois de uma noite de bebedeira. E o quarto reclamante diz que o cardeal usou as preces noturnas como uma desculpa para contato inadequado.
Ao renunciar a seu posto, o cardeal O'Brien mancha o fim de uma ilustre carreira poucas semanas antes de se aposentar. Acredita-se que a renúncia tenha acontecido pela intenção de proteger a igrejar de mais especulações durante a eleição papal. O processo já está obscurecido por alegações contra vários cardeais participantes pela forma como lidaram com os escândalos de abusos sexuais da igreja.
Análise: Novo papa vai liderar Igreja ameaçada por escândalos e avanço protestante 
O cardeal O'Brien será lembrado particularmente como um defensor franco do ensinamento católico sobre aborto, eutanásia e homossexualismo. Na semana passada, ele disse acreditar que os padres deveriam poder se casar se quisessem.
Para ele, o novo papa poderia considerar se a Igreja Católica Romana devia mudar sua posição sobre alguns assuntos que não tenham origem divina. "Por exemplo, o celibato do clero, se os padres deveriam casas - Jesus não diz isso", afirmou.
*Com BBC

Do Portal do IG.COM.BR 

terça-feira, 27 de março de 2012

Pedofilia mancha visita


Os abusos sexuais cometidos durante anos pelo já falecido sacerdote mexicano Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, ensombraram a visita que o Papa terminou ontem no México. Vítimas desses abusos criticaram Bento XVI por não aceitar recebê-los e a Igreja Católica por ter tolerado os crimes. Bento XVI já está em Cuba, naquela que já é considerada uma visita histórica do seu pontificado.



"O Vaticano ignorou sistematicamente a sua responsabilidade. Não só sabia, como também tolerou e protegeu Maciel. O Vaticano mentiu", declarou Bernardo Barranco, que investiga os crimes praticados por Maciel, durante uma conferência de imprensa com vítimas desses abusos em León, capital do estado de Guanajuato, onde Bento XVI pernoitou de sábado para domingo e onde recebeu vítimas e familiares da violência do narcotráfico no México. Bento XVI terminou a sua visita ao país com uma missa, ontem, em León, na qual participaram mais de 600 mil pessoas.
Do México, o Sumo Pontífice voou para Cuba, onde o governo de Raul Castro fez questão de receber o Chefe da Igreja Católica com pompa e circunstância, tendo decretado tolerância de ponto para que todos possam participar nos eventos públicos.
Apesar das críticas que o Papa teceu ao regime comunista, o governo cubano quer fazer da visita um marco histórico, mostrando ao Mundo que o país está a mudar e até as "Damas de Branco", mães e esposas de dissidentes desaparecidos, mortos ou presos, foram autorizadas a participar nos eventos religiosos e possivelmente serão recebidas por Bento XVI.




domingo, 28 de agosto de 2011

Bispo justifica pedofilia: 'tem crianças que provocam




"Se ficares distraído, provocam-te". Refere-se assim a meninos de 13 anos. O bispo Bernardo Álvarez, encerra nesta justificativa a origem de um crime: os abusos sexuais contra menores.
Em uma entrevista concedida ao diário La Opinión de Tenerife, o bispo desenvolve a ideia até contestar à jornalista que, previamente, lhe tinha assinalado que "a diferença entre uma relação homossexual e um abuso está clara". Por se persistirem as dúvidas, a entrevistadora recorda ao bispo que "um abuso é uma relação não consentida". A resposta do prelado não deixa lugar para as dúvidas:
"Pode ter menores que sim o consintam e, de fato, há. Há adolescentes de 13 anos que são menores e estão perfeitamente de acordo e, além disso, desejando-o. Inclusive, se ficares distraído, provocam-te". Na mesma conversa, o prelado apresenta, sem nuances, todos os preconceitos da Igreja católica contra os homossexuais. "É algo que prejudica as pessoas e a sociedade", critica o bispo.
"Não é politicamente correto dizer que é uma doença, uma carência, uma deformação da natureza própria do ser humano", descarrega Bernardo Álvarez, após se proteger em uma frase feita: "As pessoas são sempre dignas do maior respeito".
Ainda assim, o titular da diocese de Tenerife chega a assegurar que, em ocasiões, a homossexualidade se pratica "como vício". "Eu não digo que se reprima, mas entre não o reprimir e o promover há uma margem", acrescenta. O porta-voz do prelado assinalou ontem ao jornal espanhol Público que "em nenhum caso pretendeu justificar nem compreender um fenômeno rejeitável".
Na Trincheira, via Com textolivre

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O que terão a dizer os inúmeros padres pedófilos da Igreja Católica sobre as declarações de Myrian Rios?

  1. Missionária da Canção Nova, comunidade católica de renovação carismática, a atriz e deputada estadual Myrian Rios (PDT-RJ), que é mineira, primou pela carolice exacerbada. Com seus melhores trejeitos de atriz, verbalizou: “Não poder discriminar homossexuais é abrir uma porta para a pedofilia”. [Fonte] 
  2. A comunidade Canção Nova é uma associação de fiéis reconhecida pela Igreja Católica. Juridicamente, é intitulada Associação Internacional Privada de Fiéis.
    Com sede em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, foi fundada em 1978 por Jonas Abib.
    É mantida pela Fundação João Paulo II e foi reconhecida pelo Papa Bento XVI em 2008.
    A comunidade possui a Rádio Canção Nova e a TV Canção Nova, que possuem alcance nacional e internacional. [Wikipedia]
Para esclarecer a deputada Myrian Rios e mostrar de onde se deve temer a pedofilia:
Só nos EUA, a igreja comandada pelo papa já teve que desembolsar mais de US$ 2 bilhões para cinco mil casos de abusos sexuais. Não há engano nos números, são cinco mil casos e dois bilhões de dólares mesmo, para livrar da cadeia padres pedófilos. Dinheiro de quem? Dos fiéis. Será que eles apoiam essa utilização de suas contribuições para a “Santa Madre Igreja”?
Mas o curioso é ver que o papa mudou a estratégia da igreja Católica, batendo de frente com a anterior, que sempre fora defendida por um certo cardeal Ratzinger – ninguém mais ninguém menos que o papa antes de ser consagrado.
Ratzinger (o papa Bento XVI, para quem ainda não caiu a ficha) acobertou durante vários anos os crimes dos padres pedófilos, ameaçando com excomunhão quem denunciasse os padres criminosos, brandindo um documento – chamado Crimen Sollicitationis - assinado por ele. O documento dizia que se você fosse molestado por um padre, poderia se queixar ao bispo, ao cardeal, ao papa, mas, se denunciasse o caso à Justiça, babau, seria excomungado.
Agora, o papa contradiz Ratzinger e reconhece para o mundo a pedofilia no seio da igreja. Pedofilia que foi muito bem documentada numa produção da BBC, chamada Sexo, Crimes e Vaticano. Assista-a.
blog do melo, via Com textolivre

sábado, 18 de junho de 2011

Fumar um baseado é igual a seviciar uma criança?

via, blog da cidadania

Penso que estou ficando velho. Deve ser por isso que a burrice e a má fé me cansam tanto, de um tempo para cá. Antigamente, tinha mais paciência. Mas esse tempo passou. Não me resta tempo suficiente neste mundo para gastar com burrice, que gasta o tempo limitado que também tem quem a adotou como lema de vida.
Aqueles mesmos que diziam que discriminar pessoas pela cor da pele era “liberdade de expressão”, agora acham que defender o debate sobre a proibição de uma droga leve não seria esse tipo de liberdade, pois seria igual a atacar sexualmente uma criança através da pedofilia.....

sábado, 22 de janeiro de 2011

Papa manda "apagar" da história um pedófilo de batina


Fotos como esta estão proibidas nos seminários católicos
O Vaticano determinou que os seminários e outras instalações católicas no mundo eliminem as fotografias, pinturas e outras recordações do padre Marcial Marcel, condenado por vários crimes de pedofilia e pai de vários filhos em diferentes países. Ele havia sido considerado pelo Papa João Paulo II um "modelo e guia da juventude", e chegou a ser cogitada sua canonização. Maciel morreu há dois anos, aos 88 de idade, depois de expulso de suas funções pelo Vaticano e enviado de volta a seu México natal.
Sua congregação, os "Legionários de Cristo", entretanto, não foi punida pelos crimes do fundador. Juan G. Bedoya, em matéria para "El País" de 24 e 25 de dezembro de 2010, afirma: "Protegido por João Paulo II e admirado por cardeais da Cúria vaticana por sua capacidade de mobilização e porque lhes aportava bastante dinheiro, o fundador legionário foi expulso de Roma a caminho de seu México natal tão logo tomou posse o sucessor do Papa polonês, Bento XVI. Foi o único castigo que recebeu em vida o carismático fundador".
O comissário pontifício que assinou o decreto punitivo proibe que os seguidores de Maciel festejem as datas de seu nascimento, batismo, ordenação sacerdotal. Somente a data de sua morte, o 30 de janeiro de 2008, será "dia dedicado à oração". Entre as fotos agora proibidas estão especialmente aquelas em que Maciel aparece ao lado do Papa anterior, sempre recebendo gestos de afeição. Também estão proibidas as referências públicas ao padre-fundador, que não pode mais ser chamado de "nosso Pai", como ocorria, mas apenas citado como "fundador da Legião de Cristo". Os escritos de Maciel não mais estarão à venda.
Apesar de tudo, reconhece-se a "liberdade pessoal" daqueles que queiram conservar "de maneira privada alguma fotografia do fundador, ler seus escritos ou escutar suas conferências gravadas".
A congregação reúne dezenas de milhares de fiéis pelo mundo, inclusive 800 padres, 61 dos quais ordenados na Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma, no Natal passado.
By: Terra Brasilis

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O ESTADO BRASILEIRO É LAICO E A PRESIDENTE NÃO PRECISA EXPLICAR NADA , MUITO MENOS PARA OS PEDÓFILOS PROTEGIDOS PELO VATICANO

Dilma precisa explicar suas convicções, diz arcebispo 


"Ministro" do Vaticano cobra posição em temas como aborto e homossexualismo


Segundo religioso, as ideias expressadas pela petista na campanha podem não ser o que balizará seu governo 
Sérgio Lima/Folhapress
Dom João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília 

UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO

Alçado repentinamente à condição de um dos principais nomes da Igreja Católica no mundo, dom João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília, afirma que a presidente Dilma Rousseff (PT) precisa explicar melhor o que pensa a respeito de certos assuntos caros à igreja.
"Não temos uma ideia clara de quem é Dilma do ponto de vista religioso. Ela precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir."
Segundo Aviz, 63, as posições sobre o aborto que Dilma expressou durante as eleições não necessariamente representam o que acontecerá sob seu governo: "Durante a campanha é uma coisa, e na prática o caminho às vezes é outro".
No dia 4, a igreja anunciou que o papa Bento 16 nomeou dom João prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Ele deve assumir o cargo, um dos nove "ministérios" da Igreja Católica, em fevereiro.
Na entrevista a seguir, Aviz também comenta o crescimento das igrejas evangélicas e critica o fato de algumas denominações terem "compromisso fortíssimo com a arrecadação de dinheiro".

Folha - Qual a sua avaliação a respeito do debate sobre o aborto durante as eleições? João Braz de Aviz - Foi um pouco ruim, porque a discussão dos bispos e de pessoas leigas ligadas à igreja apareceu com a exclusão de um partido [o PT]. Ou seja, havia uma definição de posição político-partidária muito clara [a favor do PSDB], e a Igreja Católica não sustenta isso.
Do outro lado, o que está à flor da pele é que uma imensa parte da população brasileira não aceita essa enxurrada de propaganda a favor do aborto que é feita de modo impositivo. Há um movimento de legalizar o aborto e considerá-lo um direito humano, o que é uma coisa muito difícil de a gente compreender.
Portanto, a posição dos bispos até estava correta, mas o que houve de dificuldade foi identificar apenas em um partido essa posição e aproveitar esse fato para uma escolha política.


No geral, o sr. considera que as eleições correram bem? O que se viu foi sobretudo um processo político muito maduro. O crescimento de um terceiro elemento [o PV, de Marina Silva] que não se identifica com as duas principais forças me parece muito positivo. Há um crescimento da consciência política e do diálogo democrático.


O sr. imagina que a igreja terá alguma dificuldade de diálogo com o governo Dilma? Claro que a gente sempre espera que o diálogo seja muito bom. Mas a verdade é que não temos uma ideia clara de quem é Dilma do ponto de vista religioso. Ela precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir.
O que sabemos é que Dilma mostrou flexibilidade com relação a temas importantes para a igreja. Mas também sabemos que políticos fazem isso: durante a campanha é uma coisa, e na prática o caminho às vezes é outro.


O que o sr. espera dela com relação a isso? Eu espero que as posições dela se aproximem das posições da igreja. Para isso, precisamos conhecer melhor o que pensa a Dilma presidente em relação a certos temas.
Não só o aborto, que teve destaque na disputa eleitoral, mas também quanto ao PNDH-3 [Plano Nacional de Direitos Humanos], que traz posições contudentíssimas para a igreja. Há aspectos muito bonitos com relação à questão social, mas temos aborto, homossexualismo, um monte de coisa que precisamos ver como vai ficar.


Eventuais diferenças não inviabilizariam o diálogo? Para que exista um bom diálogo, é fundamental que ela diga exatamente o que pensa para podermos avançar a partir daí. O fundamental é dar ao outro a oportunidade de ser ele mesmo, para o diálogo continuar. Se a posição dela for outra, tenho direito a uma atitude diferente.
Até o momento, não sabemos como será, pois ela assumiu a posição do ex-presidente Lula, que é impossível moralmente. Ele diz que tem uma posição pessoal como homem de fé e outra como presidente, como homem de Estado. Ora, a gente tem apenas uma moral, e não duas.


Muitas igrejas têm bancada no Congresso. Qual sua opinião sobre a separação entre religião e política e a possibilidade de mistura entre os dois campos? A separação entre igreja e Estado foi uma conquista e representa uma grande vantagem democrática em relação ao passado, quando havia a imposição da religião sobre o Estado.
O problema é que muitas vezes não fica claro se estão usando a afirmação do caráter laico do Estado para dizer que ele é ateu e que o cidadão religioso não tem lugar na discussão política. Aí já é complicado, porque é preciso haver liberdade religiosa e respeito a essas posições.
Esse equilíbrio é que ainda não apareceu, e o debate acaba sendo recheado por posições já tomadas de antemão.
Mas não podemos considerar que a experiência religiosa esteja reduzida apenas à dimensão da consciência ou à dimensão pessoal, como se não tivesse nenhuma função social. Por isso é que a Igreja Católica está recuperando a atenção à política.


Como o sr. vê o forte crescimento das igrejas evangélicas, em especial entre as classes mais baixas? Muitos desses movimentos religiosos mais modernos não exprimem uma fidelidade à doutrina do Evangelho como ela é -escolhem apenas partes e, às vezes, assumem compromissos com coisas que não são corretas. Por exemplo, há igrejas que têm compromisso fortíssimo com a arrecadação de dinheiro.


Por que essas igrejas têm tido mais êxito entre os pobres do que a Igreja Católica? Não sei dizer uma razão particular. Sei que, hoje, essas igrejas usam os meios de comunicação de maneira muito forte, com motivações psicológicas... Isso tem uma força sobre as pessoas, que têm uma dimensão religiosa grande no coração.
Mas a Igreja Católica não segue essa estrada. Há muito de proselitismo por trás [de outras igrejas], não só de verdade. E nosso caminho [da Igreja Católica] não é o proselitismo, é o testemunho.


O sr. poderia citar alguma em particular? Prefiro não citar nenhuma. O importante é mencionar o fenômeno. As pessoas sabem que isso existe. 


Comentário do Contramaré: Por que uma pessoa (católica, protestante, ou de outras modalidades) que acredita em Deus, prefere terceirizar a sua realação pessoal com esta divindade, e assim, delega aos outros (padres, freiras, pastores, bispos, papa) esta importante tarefa, que devia ser pessoal e intransferível. 

Com todo respeito que tenho aos que assim se entregam, digo que isto para mim não faz o menor sentido, nem tem lógica. Passou-se o tempo em que eu deixava que outras pessoas pensassem por mim, ou me benzesse com água "benta". Agora dizem para mim, "a fé remove montanhas", remove? Acreditar por acreditar, prefiro a letra da música que diz, "fé cega, faca amolada". 

Em outos tempos (século XIII), pelo pouco que disse aqui, eu seria declarado herege e queimado numa fogueira "santa" em praça pública pela Igreja Católica ou Protestante, e tudo feito em nome destas igrejas e de Deus. 

Vaticano impediu Igreja da Irlanda de denunciar pedofilia

Uma carta do Vaticano de 1997 recém-revelada pedia para bispos irlandeses não reportarem à polícia todos os casos de suposto abuso infantil. A divulgação da carta pode levar à abertura de mais processos contra a Igreja Católica em todo o mundo, que nega qualquer envolvimento com acobertamento dos casos.
ida pela emissora irlandesa RTE e fornecida para a Associated Press, documenta a rejeição do Vaticano de uma iniciativa da Igreja irlandesa de começar a ajudar a polícia a identificar padres pedófilos.
A mensagem da carta debilita as persistentes afirmações do Vaticano de que a Igreja nunca instruiu bispos a reter evidência ou suspeita de crimes da polícia. Ela enfatiza o direito da Igreja de lidar com todas as alegações de abuso infantil e determinar punições, ao invés de delegar esse poder às autoridades civis.
Para ativistas, a carta de 1997 demonstra de uma vez por todas que a proteção de padres pedófilos da investigação criminal não é apenas sancionada pelos líderes no Vaticano, mas ordenada por eles.
Um argumento fundamental utilizado pelo Vaticano em defesa de dezenas de processos judiciais sobre abuso sexual clerical nos EUA é que eles não tiveram nenhum papel na ordenação de autoridades da Igreja local de eliminação de provas dos crimes.
Em sua carta pastoral de 2010 ao povo irlandês, o Papa Bento 16 não condenou bispos irlandeses por não terem respeitado a lei canônica e não ofereceu nenhuma menção explícita dos esforços de proteção às crianças da Irlanda pela Igreja da Irlanda ou do Estado.
Colm O''Gorman, diretor da divisão irlandesa da Anistia Internacional, abusado várias vezes por um padre irlandês quando era coroinha e esteve entre as primeiras vítimas a falar sobre o assunto, em meados da década de 1990, disse que há evidências de que alguns bispos irlandeses continuaram a seguir as instruções do Vaticano de 1997 e reteram relatos de crimes contra crianças até 2008.
Segunda a carta, a Congregação para o Clero estabeleceria as políticas mundiais para a proteção da infância "no momento adequado".
O Vaticano não aceitou formalmente nenhum dos três principais documentos da Igreja irlandesa sobre proteção de menores desde 1996. Os três enfatizam a denúncia obrigatória de supostas violações.
Folha.com
By: Nassif

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Qual o legado da crise com os pedófilos na Igreja?

No século XVI no auge do poder dos Papas renascentistas em Roma envoltos em escândalos de toda ordem, surgiu um clamor em toda a Igreja de "reforma na cabeça e nos membros". Esse clamor vinha dos leigos, do baixo clero e dos teólogos como Lutero, Zwinglio e outros. Em resposta veio a Contra-Reforma que transformou a Igreja Católica num baluarte contra o movimento dos Reformadores, enrijecendo ainda mais suas estruturas de poder.