Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de março de 2016

Chegou a hora de uma conversa séria

Se esse pessoal da oposição tivesse ao menos dois neurônios em funcionamento sentaria hoje mesmo com a presidenta Dilma para pôr um fim nessa escalada rumo à destruição do Estado de Direito brasileiro promovida pelos lava-jatos.

Nessa reunião para salvar o país de se tornar, em poucos meses, uma imensa repartição policial, onde os meganhas dão as ordens para prender e arrebentar qualquer um que não vista o seu figurino ou dê uma piscada fora de hora, deveriam comparecer também os integrantes do Ministério Público e do Judiciário que foram excluídos da orgia curitibana.

Se esse encontro não ocorrer será o fim de Dilma, Lula, Aécio, Alckmin, de toda essa geração de políticos, responsáveis por tudo de bom e de ruim que aconteceu no Brasil nas últimas décadas.

É que os lava-jatos usam a desculpa de combater a corrupção para um propósito muito diverso.

O que eles desejam mesmo, com toda a criminalização da política em geral, com toda a destruição que estão promovendo na economia, é tomar conta do país - e não como achava a oposição, dar a um tucano, de mão beijada, a chave do Palácio do Planalto.

O buraco, como se dizia antigamente, é mais embaixo.

Tem muita gente de fora de olho no Brasil, apostando no caos para tomar, na mão grande, as suas imensas riquezas.

Para tais pessoas pouco importa quem seja o presidente que ocupe o lugar dos trabalhistas, desde que ele seja um fantoche de seus interesses.

Como, na torrente incontrolável que jorra dos lava-jatos, a lama acabou pegando também de jeito tucanos e peemedebistas, o negócio é partir para o plano B, ou seja, colocar em cena, bem em frente da plateia, um novo salvador da pátria.

Que pode, muito bem, ser o próprio juiz Moro, o mais serelepe dos lava-jatos.

Ou até mesmo o tosco e desequilibrado deputado Jair Bolsonaro, herói de uma legião de sociopatas.

Nesse cenário aterrador, a mídia desempenha papel fundamental.

Afinal, cabe a ela concluir, com os subsídios e o desempenho teatral dos lava jatos, a lavagem cerebral que vem promovendo há mais de uma década, transformando indivíduos já ignorantes, de inteligência limítrofe, em boçais absolutos.

A bola que vai definir o placar do jogo não está mais com nenhuma das equipes. 

O árbitro interrompeu a partida para que os atletas se recuperem do tremendo esforço que fizeram até agora.

E vai apitar o bola ao chão: ele atira a pelota para o alto e dois jogadores, um de cada time, vão disputá-la assim que ela tocar o solo.

O melhor seria que o chute fosse para a lateral, bem longe do campo.

Assim, todo mundo poderia respirar, tomar uma água e conversar com o juizão para interromper a partida antes que não sobre ninguém vivo no gramado.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2016/03/chegou-hora-da-conversa-seria.html

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A Cavalgada das Mulas Sem Cabeça.

 
Do blog de Mauro Santayana
 

 
Esperam-se, para o próximo dia 16 de agosto — mês do suicídio de Vargas e de tantas desgraças que já se abateram sobre o Brasil — novas manifestações pelo impeachment da Presidente da República, por parte de pessoas que acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.
 
Se esses brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o FMI - Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que se o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.
 
Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.
 
Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 346 bilhões de dólares, em 2014, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.
 
E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.
 
Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial — caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.
 
O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, agora.
 
As reservas monetárias internacionais — o dinheiro que o país possui em moeda forte — que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para37.832 bilhões de dólares — nos oito anos do governo FHC.
 
Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.
 
Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 370,803 bilhões de dólares, em dados de ontem (Bacen), transformando o Brasil de devedor em credor do FMI, depois do pagamento total da dívida com essa instituição em 2005, e de emprestarmos dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.
 
E, também, no terceiro maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano — (usa treasury).
 
O IED - Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial: passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares entre 2002 e 2014.
 
A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.
 
Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 — segundo Ipeadata e o Banco Central.
 
E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha — cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” — ou o Canadá (economichelp).
 
Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (quandl).
 
Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, no início do ano, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.
 
Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola — ou da "cachola" — o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem sucedido.
 
Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo dia seis: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa — supostamente maravilhosa - “herança” de Fernando Henrique Cardoso.
 
O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.
 
Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, e que é constantemente alimentada e realimentada por medidas de caráter jurídico que afetam a credibilidade e a estabilidade de empresas e por uma intensa campanha antinacional, que fazem com que estejamos crescendo pouco, neste ano, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos ainda do que nós.
 
Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos, como desonerações desnecessárias e um tremendo incentivo ao consumo que prejudicou — entre outras razões, também pelo aumento da importação de supérfluos e de viagens ao exterior — a balança comercial.
 
Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.
 
Muitos brasileiros também vão sair às ruas, mais esta vez, por acreditar — assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país — que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil.
 
Quais são os pressupostos e características de um país democrático, ao menos do ponto de vista de quem "acredita" e defende o capitalismo?
 
a) a liberdade de expressão — o que não é verdade para a maioria dos países ocidentais - dominados por grandes grupos de mídia pertencentes a meia dúzia de famílias, mas que, do ponto de vista formal, existe plenamente por aqui;
 
b) a liberdade de empreender, ou de livre iniciativa, por meio da qual um indivíduo qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando quiser;
 
c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;
 
d) um sistema financeiro particular independente e forte;
 
e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;
 
f) a independência dos poderes;
 
g) um sistema que permita a participação da população no processo político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos, de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios, Estados e União.
 
Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.
 
Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha — hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário de que o PT não é um partido "brasileiro" ou "patriótico" — que transformam alguém em comunista — e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no dia 6, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo de seu saco de brinquedos revistado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.
 
Da mesma forma que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém em patriota, como mostrou a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna, no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas estratégicas brasileiras, na época da privataria.
 
Qualquer pessoa de bom senso prefere um brasileiro vestido de vermelho — mesmo que seja flamenguista ou sãopaulino, que não são, por acaso, times do meu coração — do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a Petrobras.
 
O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos bancos, que foi de aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito anos do governo Lula.
 
É claro que isso ocorreu também por causa do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos, mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e dos bancos — que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no Congresso Nacional — já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.
 
O PT é um partido tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas eleições de 2014.
 
Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés juntos, que Dilma era assaltante de banco na década de 1970, ou se desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar um golpe comunista no Brasil?
 
O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.
 
Foi o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20 bilhões de reais em financiamento, para compra de material de construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende, com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase um milhão de empreendedores; que aumentou, por mais de quatro, a disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário — no governo FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7 milhões — e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais, em 2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar (só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12 bilhões dos oito anos de FHC).
 
Aumentando a relação crédito-PIB, que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014, gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.
 
As pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.
 
Mas, estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado — equivocadamente a nosso ver — bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas de milhões de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em remessa de lucro, para nunca mais voltar.
 
A questão militar
 
Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações, à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e de defesa da história brasileira.
 
Lula nunca pegou em armas contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato, tinha medo “desse negócio de comunismo” — como já declarou uma vez — surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.
 
Dilma, sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça Militar.
 
Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, e muitos outros que antes eram contra a ditadura e estão, hoje, contra o PT.
 
Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a França, de vários submersíveis convencionais e do primeiro submarino nuclear brasileiro, cujo projeto se encontra hoje ameaçado, porque suas duas figuras-chave, o Presidente do Grupo Odebrecht, e o Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, figuras públicas, com endereço conhecido, estão desnecessária e arbitrariamente detidos, no âmbito da "Operação Lava-Jato"?
 
Teria, da mesma forma, o governo do PT, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões) São Paulo, na compra de um novo navio científico oceanográfico na China, na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de Paz da ONU no Líbano ?
 
Se fosse comunista, o governo do PT estaria, para a Aeronáutica, investido bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos caças-bombardeio Gripen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de exportação para outras nações, depois de uma novela de mais de duas décadas sem avanço nem solução, que começou no governo FHC ?
 
Se fosse comunista — e contra as forças armadas — teria o governo do PT encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de reais, do governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até blindados, que já começou a voar neste ano — a maior aeronave já fabricada no Brasil?
 
Teria comprado, para os Grupos de Artilharia Aérea de Auto-defesa da FAB, novas baterias de mísseis IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento conjunto — em um projeto que também participa a Odebrecht — com a DENEL Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter, que ocupará os nossos novos caças Gripen NG BR?
 
Se fosse um governo comunista, o governo do PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS ?
 
Se fosse um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais?
 
Ou o desenvolvimento e a fabricação da nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil?
 
Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos e na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido nossas tropas — em benefício da experiência e do prestígio de nossas forças armadas — no Haiti e no Líbano?
 
Em 2012, o novo Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta, em entrevista à Folha de São Paulo:
 
Lucas Reis:
 
“Em 2005, o então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo (no Exército). A realidade atual mudou?
 
General Eduardo Villas Bôas:
 
“Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.”
 
Deve ter sido, também, por isso, que o General Villas Bôas, já desmentiu, como Comandante do Exército, neste ano, qualquer possibilidade de "intervenção militar" no país, como se pode ver aqui (O recado das armas).
 
A questão externa
 
A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa, e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o continente sul-americano.
 
Não é possível, em pleno século XXI, que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a América Latina — incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime — ou só nos restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação europeu e anglo-americano?
 
Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, como se pode ver aqui (O México e a América do Sul) que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo?
 
Jogando, assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em território e população e sétima maior economia, e nos transformando, definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?
 
Ou alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir, graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa influência, política e econômica, quando eles já competem, descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?
 
Do ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba — a mesma empresa brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no assunto, como se pode ver aqui (A Odebrecht e o BNDES) — muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar no Governo do General Ernesto Geisel.
 
Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a reconhecer a independência de Angola.
 
Isso, quando estava no poder a guerrilha esquerdista do MPLA - Movimento Popular para a Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens, lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários norte-americanos, do território angolano depois da vitoriosa batalha de Cuito-Cuanavale.
 
Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”, Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT, prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do petróleo.
 
Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no governo de Fernando Henrique Cardoso.
 
Se houvesse, hoje, um Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial, da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados na área de defesa.
 
O mesmo ocorreria com relação à Europa e aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.
 
Os neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem ser incomodados.
 
Mas não deixam de comprar, hipocritamente, celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que contam, entre seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.
 
Serão os "comunistas" chineses — para a neo-extrema-direita nacional — melhores que os "comunistas" cubanos ?
 
A questão política
 
A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.
 
Mesmo quando interrompido o processo democrático, com a instalação de ditaduras — o que ocorreu algumas vezes em nossa história — a política sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já que, sem aprovação — mesmo que aparente — do Congresso, ninguém consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.
 
Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.
 
Fora disso, só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja, na mesma posição de vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.
 
O “toma-lá-dá-cá” nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se parar para observar um grupo de primatas.
 
Ai daquele, entre os macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.
 
Em seu longo e sábio aprendizado com a natureza, já entenderam eles, uma lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.
 
O problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo ou de um determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais, é trocada por pura pilantragem ou o mero uso da ameaça e da pressão.
 
O corrupto, entre os primatas, é aquele que quer receber mais cafuné do que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase engasgando, o que foi encontrado.
 
O fascista é aquele que faz a mesma coisa, mas que se apropria do que pertence aos outros, pela imposição extremada do medo e da violência mais injusta.
 
Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas.
 
Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de chimpanzés, babuínos e gorilas, ou da sociedade humana, a dos "macacos nus", quando contra eles se une a maioria.
 
Já que a negociação é inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com golpe nem por decreto?
 
Mudar o que for possível, para que, no processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.
 
O caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, se elas estiverem dispostas ainda a financiá-los, como se pode ver aqui (A memória, os elefantes e o financiamento empresarial de campanha) — e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro Barusco, de um Alberto Youssef, voltarão a meter a mão em fortunas, não para fazer “política” mas em benefício próprio, e as mandarão para bancos como o HSBC e paraísos fiscais como os citados no livro "A Privataria Tucana".
 
O que é preciso saber, é se essa Reforma Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um processo criminal, que tem beneficiado principalmente bandidos identificados até agora, que, em sua maioria, devido a distorcidas "delações", que não se sustentam, na maioria dos casos, em mais provas que a sua palavra, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que, quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e de contas bancárias.
 
Pessoas falam e agem, e sairão no dia seis de agosto às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um de uma longa série de escândalos, a maioria deles sequer investigados antes de 2002.
 
Se a intenção é passar o país a limpo e punir de forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente, mas com a mesma atenção e "empenho", casos como o do Banestado — que envolveu cerca de 60 bilhões — do Mensalão Mineiro, o do Trensalão de São Paulo, para que estes, que nunca mereceram o mesmo tratamento da nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, em nome da verdade e da isonomia, na grande faxina "moral" que se pretende estar fazendo agora.
 
Ora, em um país livre e democrático — no qual, estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura — qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais com o ódio e com o fígado do que com a cabeça e a razão.
 
Esse tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de ocorrência dos mais variados — e perigosos — incidentes, e o seu aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país, de ver o circo pegar fogo.
 
Para os que estão indo às ruas por achar que vivem sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do anticomunismo, se instalaram — de Hitler a Pinochet — alguns dos mais terríveis e brutais regimes da História.
 
E que nos discursos e livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se encontram hoje disseminadas na internet brasileira, e que seus seguidores também pregavam matar a pau judeus, socialistas e comunistas, como fazem muitos fascistas hoje na internet, com relação aos petistas.
 
A questão não é a de defender ou não o comunismo — que, aliás, como "bicho-papão" institucional, só sobrevive, hoje, em estado "puro", na Coréia do Norte — mas evitar que, em nome da crescente e absurda paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.
 
Esperemos que os protestos do dia 16 de agosto transcorram pacificamente — considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso da violência que já estão sendo feitos por alguns grupos nas redes sociais — e que não sejam utilizados por inimigos internos e externos, por meio de algum "incidente", para antagonizar e dividir ainda mais os brasileiros, e nem tragam como consequência, no limite, a morte de ninguém, além da Verdade — que já se transformou, há muito tempo, na primeira e mais emblemática vítima desse tipo de manifestação.
 
Há muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da Democracia e o da Liberdade.
 
O rápido fortalecimento da radicalização direitista no Brasil — apesar dos alertas que tem sido feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores — só beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais descontrolada, odienta e divorciada da realidade.
 
Na longa travessia, pelo tempo e pelo mundo, que nos coube fazer nas últimas décadas, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:
 
Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.
 
Quem não perceber isso — e esse erro — por omissão ou interesse — tem sido cometido tanto por gente do governo quanto da oposição — ou está sendo ingênuo está sendo fraco, ou irresponsável, ou mal intencionado.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O sanatório geral da política


Tem-se um país pronto para alçar voo, com uma sociedade civil complexa, estrutura universitária, de pesquisas, grandes empresas, diversidade regional, mercado de capitais, múltiplas vocações econômicas.

Mas há um vácuo político e uma imprevisibilidade total sobre os desdobramentos da crise.

* * *

Vamos a uma análise dos principais personagens:

Fernando Henrique Cardoso — ainda é o principal mentor dos grupos de oposição. Mas seu único objetivo é a revanche com Lula. O resto — país, PSDB, aliados — que exploda.

Lula — entrou na chamada sinuca de bico. Tem que preservar Dilma e o PT, mas, ao mesmo tempo, teme afundar com ambos. Sua decantada intuição travou.

PT — desde a prisão dos principais líderes, uma militância sem comando. com os parlamentares votando sistematicamente contra bandeiras que levantou um dia. A única bandeira capaz de unir a todos é a perspectiva de um impeachment de Dilma.

PSDB — não existe mais como partido. Tem votado sistematicamente contra o rigor fiscal e contra um conjunto de leis que ele próprio patrocinou. Há um grupo com articulação com mídia e empresariado (FHC-Serra), um governador que tenta se articular, mas sem possuir familiaridade para os grandes arranjos políticos (Geraldo Alckmin) e um garotão sem noção (Aécio). Debaixo deles, um bando de tresloucados.

Aécio Neves — colocado na linha de frente por FHC para o chamado fogo de exaustão no governo Dilma desgastou-se sozinho. É figura descartável, assim que formar-se um consenso sobre os rumos da crise.

PMDB — os presidentes da Câmara e do Senado precisam acumular poder para escapar do risco de prisão. Ou sentam no trono ou vão para o calabouço. A única âncora de bom senso é o vice-presidente Michel Temer.

Grupos de mídia — a palavra de ordem é impeachment, e se colocam todos a produzir clima para tal. A ponte quebrou, exageramos, e toca a produzir artigos de bom senso relativo. Todos disciplinadamente andando em manada ao sabor da falta de rumo.

Presidência da República — poucas vezes na história se teve uma quadra tão medíocre e sem noção. Dilma só se valeu da palavra de presidente para defender a si própria das insinuações e dos abusos do inquérito. Não montou nenhuma estratégia consistente para poupar a economia dos reflexos da Lava Jato, nem se abriu para fora do seu gabinete, para preparar projetos minimamente articulados com a opinião pública.

Procurador Geral da República — hoje em dia, qualquer réu pode acertar contas com qualquer adversário. Basta tornar-se delator e mencionar o nome do desafeto em um interrogatório. Os bravos procuradores e delegados da Lava Jato se encarregarão de levar para a mídia. Foi necessário o Ministro Teori Zavascki chamar os procuradores à razão, para o PGR agir.

STF (Supremo Tribunal Federal) — só tem dois Ministros com coragem de investir contra as ondas: Marco Aurélio Mello, e sua tradição de remar contra a corrente; e Gilmar Mendes, e sua tradição de atuar de forma vergonhosamente partidária.

Grupos econômicos — o “road show” de Dilma nos EUA mostrou que ruim com ela, pior sem ela, péssimo com o impeachment. Mas, sem Dilma apresentar um projeto consistente, ficam ao sabor das manchetes.

Repito: quem disser que sabe o que sairá dessa miscelânea estará mentindo.

Luís Nassif
No GGN via: http://www.contextolivre.com.br/2015/07/o-sanatorio-geral-da-politica.html

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A falta que faz uma oposição de verdade


Quanto mais leio o noticiário político, mais sinto a necessidade de o Brasil contar com uma oposição séria, de verdade, não esse bando de oportunistas, picaretas em grau variado, que tenta defenestrar o governo trabalhista do Palácio do Planalto na base do grito.

Toda democracia forte se constrói com uma oposição de princípios ideológicos profundos.

Desde o fim da ditadura militar até 2003 o PT foi oposição. 

Muitas vezes, inconsequente.

De uma coisa, porém, o partido não pode ser acusado: todo mundo conhecia a sua linha ideológica, seus próceres nunca esconderam a simpatia pelo socialismo, embora não soubessem - e até hoje há dúvidas quanto a isso - que tipo de socialismo queriam.

O PT sempre foi um saco de gatos, abrigando cristãos, trotskistas, marxistas-leninistas linha dura, sindicalistas, pessoas de toda linha de pensamento político da esquerda, enfim - as chamadas "tendências".

Com a vitória de Lula, foi feito um pacto com o empresariado, agronegócio, setor financeiro, partidos de centro-direita, para que o governo tivesse um mínimo de governabilidade.

O PT claramente deixou de ser socialista para se tornar uma agremiação na linha da social-democracia escandinava.


Proporcionou grandes ganhos ao capital, ao mesmo tempo que deu suporte a políticas sociais que tiraram da miséria dezenas de milhões de brasileiros.

Ampliou extraordinariamente, com isso, o mercado de consumo.

O Brasil passou praticamente incólume pelos primeiros anos da maior crise econômica vivida pelo planeta desde o crash da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

Foi uma década de desenvolvimento em várias áreas - Lula deixou o segundo mandato com aprovação popular recorde.

Dilma, de certa forma, deu continuidade ao projeto do PT, de transformar o Brasil numa social-democracia na qual o Estado é ao mesmo tempo indutor do crescimento econômico e protetor das camadas mais pobres da população.

A crise internacional, porém, cobrou o seu preço, e já começam a aparecer alguns problemas econômicos, com consequências óbvias no campo social.

A derrota de Aécio Neves para Dilma, no ano passado, quando o cenário parecia extremamente favorável ao tucano, despertou na faixa mais à direita do eleitorado uma ira profunda contra o petismo, reverberada pela imprensa empresarial, que igualmente não suporta a ideia de o Brasil ser uma democracia verdadeira.

A oposição, em vez de aproveitar o momento delicado do segundo governo Dilma, às voltas com as seguidas traições de um parceiro movido pelo oportunismo, para passar à sociedade uma mensagem clara de seus princípios, de sua alternativa para a construção do futuro do país, simplesmente atua de forma irresponsável, carbonária, incendiária, fazendo a política de terra arrasada, do quanto pior, melhor.

Parece que sua intenção é apenas passar à história como participante do pior Congresso jamais eleito, trazendo à luz temas tão irrelevantes como polêmicos para a sociedade.

A reforma política que vota é uma antirreforma.

A pauta social é digna dos programas popularescos da televisão - Datena que se cuide...

As manifestações "religiosas" são patéticas, com seu viés medievalista.

A política é uma das mais nobres e importantes manifestações do ser humano.

No Brasil de hoje, se tornou uma das mais perniciosas atividades a conspirar contra as mudanças econômicas e sociais tão urgentes e necessárias.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/06/a-falta-que-faz-uma-oposicao-de-verdade.html

segunda-feira, 9 de março de 2015

E o show de horrores vai continuar...

Monitoramento das redes sociais feito pelo PT mostrou que a organização do ridículo "panelaço" de domingo à noite foi iniciativa de partidos da oposição. 

Muito já se escreveu sobre a legitimidade dessas manifestações.

Fazem parte da democracia.

Assim como as que estão marcadas para este fim de semana, uma promovida por centrais sindicais, organizações de classe e movimentos sociais, e a outra uma espécie de "Marcha com Deus em Defesa da Família e da Propriedade".

Vão ser dias barulhentos.

E por quê?


Bem, a de sexta-feira pretende mostrar ao país que a Petrobras é muito maior que os seus detratores - e aqueles que a usam com interesses pessoais. Em suma, o ato será em defesa da maior empresa do país, responsável por centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, referência mundial em tecnologia, dona de uma receita muito superior ao PIB de dezenas de países, e que, prestes a se converter na fonte primária de recursos para educação e saúde, sofre, a pretexto de se punir a roubalheira de alguns diretores, o maior ataque de sua história.

Já a manifestação do dia 15 faz parte do longo processo golpista que a oligarquia brasileira, com a inestimável ajuda da imprensa, desenvolve para defenestrar de Brasília o governo trabalhista.

A exemplo do vexatório "panelaço" domingueiro dos burgueses, não se verá quase nenhum negro ou pobre entre os participantes. 

O povo não é bem-vindo nessas festividades "cívicas" promovidas pela oposição.

Ela é exclusiva de uma classe que odeia os trabalhistas pelo sucesso que tiveram em resgatar dezenas de milhões de brasileiros da miséria e proporcionar-lhes a cidadania.

Haverá, como no risível "panelaço" domingueiro, um festival de xingamentos e um show de preconceito, ódio e intolerância, em meio a "selfies", bandeiras do Brasil, discursos desconexos, faixas atentatórias à lógica e ao vernáculo - um desfile de monstruosidades que não faria feio nos antigos espetáculos mambembes nos quais a mulher barbada era destaque absoluto.

Faz parte da democracia, dizem.

O problema é que os que batem panelas caríssimas, xingam a presidenta de "vaca" e "filha da puta", e pedem a intervenção dos militares, não estão nem aí para a democracia.

Eles querem mesmo é a volta da escravidão.

 http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/03/e-o-show-de-horrores-vai-continuar.html

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A lógica da oposição


O cenário político segue marcado pela continuidade da ofensiva oposicionista visando a imobilizar e desgastar o governo da presidenta Dilma.

Articulando a ação do campo conservador com o forte impulso da mídia monopolizada, o sistema oposicionista usa todo o seu poder para influenciar a condução das investigações no curso da chamada “Operação Lava Jato”.

O braço midiático da oposição conservadora — com ampla hegemonia na comunicação nacional — atua com lógica maquiavélica: aos que fazem oposição ao governo Dilma, mesmo os reconhecidamente envolvidos em “esquemas”, é oferecida uma blindagem que equivale a um salvo-conduto. Já para os que estão no campo progressista, qualquer ilação é transformada imediatamente em manchete, repercutida em telejornais e tratada como verdade incontestável. Usa-se a sedução do poder midiático.

Assim, servidores públicos da Polícia Federal e do Poder Judiciário têm à disposição generosos espaços na mídia desde que façam declarações convenientes aos interesses do sistema oposicionista. Agir com isenção e independência pode significar entrar no temido “index” do monopólio midiático, o que implica ficar vulnerável a ataques públicos infundados que, mesmo comprovadamente falsos, rendem à vítima graves prejuízos morais. É preciso grande firmeza de caráter para resistir a tal pressão mafiosa, e nem todos resistem.

Mesmo com o principal acusado do escândalo tendo sido nomeado para a direção da Petrobras durante o governo FHC, nada se diz sobre isso. Personagens do campo da oposição, ou que com ela simpatizam, se têm seus nomes citados entre os acusados em um dia, no outro dia já são “absolvidos” pela mídia sem que nenhuma explicação seja dada. O PSDB, partido de oposição citado nominalmente por um dos “vazamentos”, passa quase invisível no noticiário.

O governo Dilma, diante deste cenário, adota medidas visando a isolar a ofensiva golpista, o que precisa fazer com mais assertividade e abrangência. A cedência à pressão conservadora fragilizaria a relação do governo com sua base social de sustentação.

Cabe às forças progressistas entender a delicadeza deste momento e agir com mais energia tendo em meta três objetivos imediatos: denunciar ao povo os objetivos golpistas; fortalecer o governo da presidenta Dilma e atuar para impedir que o governo fique refém de uma postura politicamente defensiva que, objetivamente, o obrigaria a constantes cedências diante da lógica chantagista e golpista da oposição. A ocasião exige iniciativas políticas amplas conjugadas com a mobilização em defesa da democracia, do mandato da presidenta Dilma e das reformas estruturais.

No Vermelho — Editorial, via http://www.contextolivre.com.br/2015/01/a-logica-da-oposicao.html

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O golpismo, escancarado


O "povo" arregimentado pela oposição invade o Congresso
(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
A invasão do Congresso por cerca de 30 bate-paus profissionais a soldo de partidos oposicionistas é mais um episódio do golpe de Estado que está em curso no Brasil, visando defenestrar do Palácio do Planalto a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente reeleita com mais de 53 milhões de votos, e promover o desaparecimento da vida política nacional do Partido dos Trabalhadores.
O golpe se dá em várias frentes: a extrema-direita faz badernas nas ruas e, agora, no Parlamento; o Judiciário criminaliza sempre que possível as ações do PT e da Presidência; a Polícia Federal investiga e prende apenas quem é da base política do governo; a imprensa pinta um cenário de caos econômico e social no país.

O filme a que o Brasil assiste é velho, tem roteiro batido, não passa de um déjà vu.
Teve um fim feliz para seus realizadores em algumas ocasiões, a última das quais empurrou o Brasil para uma noite de trevas que durou 20 anos - o momento mais tenebroso da nossa história.
Desta feita, como a eleição presidencial não ocorreu, por falta de votos, como se esperava para as forças reacionárias, esses agentes do que mais sórdido, atrasado e cruel existe no capitalismo internacional, se lançam numa aventura do estilo "tudo ou nada". 
Aécio e seus companheiros, é óbvio, são apenas os fantoches, os mamulengos movimentados por mãos de dedos longuíssimos, extremamente fortes e com a incrível capacidade de quase sempre escamotear suas impressões, sua identidade - embora, cá entre nós, ela seja facilmente reconhecida...
A presidenta Dilma Rousseff toma posse em menos de um mês.
O Congresso entra em férias antes disso.
As festas de fim de ano já estão aí, com todo o seu apelo sentimental e consumista.
Os golpistas, porém, não vão parar o seu trabalho.
2015 não será um feliz ano novo.
Será, sim, um ano de muita dificuldade para aqueles que sonham em construir um país mais justo e menos desigual.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/12/o-golpismo-escancarado.html#more

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Após oito derrotas, a direita sonha ou delira com um novo golpe de estado. Vai ter que encarar 150 milhões de brasileiros e brasileiras






O cenário político brasileiro pós-eleições, com mais uma vitória de Lula e Dilma e do povo brasileiro - dos de baixo, enfim - deixou uma parcela minoritária da população agitada. Pequenos grupos saíram às ruas de algumas cidades defendendo o Impeachment da presidenta Dilma e a volta da ditadura militar. Na sequência desses atos de saudosistas dos tempos sombrios, houve um pequeno golpe contra a população no congresso nacional, com a união de deputados derrotados e ressentidos, que derrubaram o decreto da presidenta Dilma que regulamentava a criação de conselhos populares. Essa gente não gosta de participação popular, de povo, a não ser como massa de manobra.

Em seguida, foi a vez do candidato derrotado à presidência da República usar a tribuna do senado para fazer discurso. Disse que falava em nome de um exército de opositores, uma linguagem que agrada os ouvidos da direita fascista que cada vez mais mostra os dentes nas ruas: agride as mulheres, os negros, os pobres e os nordestinos, como se tratassem de uma raça inferior. Coisa de fascistas mesmo. Ainda na sequência, algumas poucas famílias privilegiadas disseram que pretendem mudar para Miami. Pena que sejam poucas famílias. Disse outro dia: a passagem de ida sem volta para Miami é a serventia da Casa (Brasil) para os filhos ingratos. E não esqueçam de levar o cantor Lobão, que ao que parece desistiu de mudar do Brasil. Que pena. Seria tão bom se ele não tivesse desistido.

Toda essa irritação de uma parcela até expressiva da população, embora minoritária, tem uma razão de ser. Há uma explicação para isso. E por que eu coloco nesses termos, como se houvesse uma certa surpresa nessa reação desta parcela da população? Simples. Porque nos últimos 12 anos o Brasil melhorou como nunca antes. Um número muito expressivo da população - mais de 30 milhões de pessoas - saíram da miséria e da fome. No período mencionado, o Brasil conseguiu a proeza de viver com inflação baixa, baixo desemprego, aumentos reais de salários e crescimento do PIB, assim, tudo junto, durante mais de uma década. Toda essa combinação seria motivo para que uma enorme maioria da população botasse fé nas potencialidades do Brasil e do povo brasileiro, ao contrário do que ocorre atualmente. E vamos entender porquê.

Antes do período citado, o Brasil crescia no PIB, mas arrochava salários. Ou seja: uma minoria se enriquecia e a maioria vivia na miséria; ou então, para controlar a inflação, os governos confiscavam direitos, arrochavam salários e lascavam políticas de recessão. Atingia um determinado objetivo - inflação mais baixa, por exemplo, mas sempre às custas dos mais pobres. Os governos do PT, com todas as limitações que já citamos aqui antes, conseguiram quebrar essa lógica, desenvolvendo políticas sociais de amparo aos de baixo, além de não permitir que a macroeconomia fosse sustentada na lógica do arrocho salarial, ou do desemprego, como acontecia nos tempos neoliberais de FHC.

O PT cometeu o erro de não combinar os avanços sociais com um embate político com as elites. Ou seja, o PT não fez política em cima de suas políticas sociais, se acomodou e com isso não contribuiu para a construção de uma consciência crítica das parcelas da sociedade que melhoraram de vida.

Uma parte da elite brasileira, muito poderosa e ligada a grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros, não concorda com essa política de inclusão, de mais investimentos sociais, de solidariedade aos vizinhos latino-americanos e a outros povos como os palestinos. Essa elite dominante detém a maior parte do PIB brasileiro, é dona da maior parte das terras do país e detém também praticamente 100% dos meios de comunicação, a mídia. TVs, rádios e jornais estão a serviço desse pequeno grupo de famílias que detém as riquezas produzidas por todos os brasileiros e brasileiras.

Essa gente não gosta do povo brasileiro, a não ser como escravos, ou como funcionários mal remunerados, sem direito algum. Eles gostavam quando os pobres não podiam andar de avião, a não ser como empregados deles - babás, carregadores de malas, etc. Hoje os pobres andam de avião de igual para igual com a classe média alta. Nem vou mencionar aqui os ricaços, porque estes têm seus jatinhos e helicópteros e não passam por esta "humilhação" de ter que se sentar ao lado, num avião, ou num restaurante, de um assalariado de baixa renda.

Essa elite é preconceituosa contra os pobres, contra os negros, contra as mulheres e contra os nordestinos. Um preconceito de classe, representado politicamente pelos tucanos e afins, embora haja mesmo entres estes pessoas com bom senso, capazes de respeitar o outro. Mas, essa elite é minoria da minoria. Não representa nem 10% da população. Por que então se tem a impressão de que quase a metade do país estaria insatisfeita com o governo federal a ponto de não ter votado pela reeleição da atual presidenta?

Existem várias explicações para isso. Uma delas é que, com o crescimento do consumo e com a melhoria das condições de vida das pessoas dentro da lógica de disputa de mercado, várias pessoas que se deram bem passaram a adotar a forma de ver o mundo das elites dominantes. Houve uma assimilação cultural. É muito comum encontrarmos "pobres, pobres, pobres, de marré, marré, deci" defendendo os interesses dos de cima. Porque a ideologia dominante da nossa sociedade é ditada pelos de cima, pelas elites dominantes. Muita gente foi culturalmente educada para acreditar que os pobres não são capazes de "vencer na vida", de ascender socialmente. E muitos, quando "chegam lá", ou seja, como adquirem uma condição social melhor, continuam acreditando nisso. Eles foram capazes de crescer individualmente, e não se enxergam enquanto parte de uma parcela da sociedade da qual vieram. Falta-lhes aquele instinto de classe, de solidariedade ao próximo, que brota quase sempre nos embates políticos. Mas, felizmente, não é a maioria que tem esse bloqueio mental que dificulta o seu entendimento do processo social como um todo.

Uma outra explicação complementar, e talvez mais forte ainda, é a nefasta ação da mídia golpista. Dominada por poucas famílias ligadas umbilicalmente com a elite dominante, essa mídia trabalha 24 horas por dia contra os interesses da maioria do povo brasileiro. Atacam os movimentos sociais, as conquistas dos trabalhadores, criticam governos como o de Lula e Dilma justamente naquilo que eles fazem de melhor, que são as políticas sociais, como: Bolsa Família, Pronatec, Prouni, Mais Médicos, Minha casa minha vida, Luz para todos, além do controle dos preços da energia elétrica e da gasolina, etc. Este aumento de 3% na gasolina, por exemplo, após um ano sem aumento, está abaixo da inflação e a mídia apresenta isso como fosse uma coisa de outro mundo. Ninguém menciona que os tucanos em Minas tentaram aumentar em quase 30% de uma tacada só, o preço da luz.

Esses meios de comunicação estão nas mãos de famílias que apoiaram e sustentaram o golpe civil-militar de 1964. Quando houve o processo de reabertura política, desgraçadamente, nessas manobras palacianas urdidas na calada da noite, e graças às tenebrosas negociatas em benefício de poucos, foi preservado o monopólio privado das comunicações. Um verdadeiro atentado à democracia brasileira e à liberdade de expressão. Hoje, graças a esse monopólio da mídia nas mãos de poucas famílias, o que se lê nos jornais e revistas e o que se ouve nas rádios e TVs é praticamente a mesma notícia. Uma mesma nota musical. O pensamento único, sempre em favor de políticas neoliberais, da privatização de tudo, contra a participação popular, contra o controle social do estado pela população, contra, enfim, os governos mais comprometidos com os de baixo.

É por isso, por exemplo, que Dilma foi atacada nos últimos anos sem dó. Quem ouviu os telejornais da Band, da Globo, da Itatiaia, do SBT - da revista Veja nem precisamos falar, é o pitbull da direita golpista - sabe muito bem o que estou dizendo. Não houve um dia sequer sem ataques diretos ao governo Dilma, enquanto os governos tucanos eram e continuam poupados pela mídia e seus comentaristas. O pior é que tentam cinicamente se apresentarem como "neutros", "imparciais", quando na verdade fazem aberta campanha anti-petista e anti-governo federal.

Durante a campanha
 eleitoral nós vimos o que aconteceu: era Dilma sozinha contra 10 candidatos a serviço da direita, além da mídia que fazia campanha abertamente, todos os dias, contra o PT, contra Lula e contra Dilma. Uma verdadeira agressão à inteligência do povo brasileiro, que respondeu, talvez por isso mesmo, mas não somente, com mais uma derrota das elites.

A Rede Globo lançou uma novela das 9h - o escândalo na Petrobras - com roteiro e personagens bem definidos, cuidadosamente selecionados e prontos para entrar em cena nos próximos capítulos. Cansamos de enxergar a careta de dois bandidos confessos, que se tornaram os heróis da direita e da Globo, com acusações sem prova apenas contra o PT. Até que finalmente, depois de vários dias, apareceu uma acusação contra o PSDB. Pronto. Foi o suficiente para que a Globo mudasse o tom da conversa, a novela foi definhando, assim como definhou uma outra novela, a da morte súbita de Eduardo Campos e a divina aparição de Marina Silva. O golpe final, a bala de prata, foi a capa da revista, ou melhor, do panfleto Veja, que a militância tucana tratou de copiar e distribuir nas ruas de SP um dia antes das eleições.

Tudo isso acontecendo na cara de um TSE morto, covarde até, incapaz de colocar um freio no abuso praticado pela mídia. Apesar de toda esse esquema montado com a mídia, pastores de direita pregando contra Dilma, bolsa de valores despencando toda vez que Dilma subia nas pesquisas, enfim, apesar de todas essas jogadas, o povo brasileiro, na sua maioria, não se deixou manipular. Resistiu heroicamente. Um viva todo especial ao bravo povo nordestino, que mais uma vez não se curvou. E desta vez, temos que destacar também a postura do eleitorado de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e da maior parte do Norte do país. Em nome da preservação das conquistas sociais, e temendo as consequências danosas de um retorno dos tucanos ao governo, a maioria dos eleitores elegeu novamente Dilma presidenta do Brasil. Foi uma vitória de todo o povo brasileiro, já dissemos aqui. Simbolicamente falando.

Com esta, são oito vitórias sobre as forças das elites. Quatro com Lula (primeiro e segundo turnos dos dois mandatos) e quatro com Dilma. É muita derrota eleitoral para uma elite acostumada a mandar e desmandar sem voto. É o caso da mídia golpista. Nunca recebeu um voto sequer de qualquer cidadão e tenta ditar a agenda dos governos, dos tribunais de justiça, dos parlamentos. E o pior é que tem conseguido, quase sempre. Por isso é preciso regulamentar a mídia, acabar com o monopólio, fortalecer as rádios e TVs públicas, e uma imprensa alternativa formada por rádios e TVs comunitárias, jornais de Interior e blogs independentes.

Se o governo Dilma quiser sobreviver até 2018, desta vez terá que encarar a democratização da mídia como tema central. Não dá mais para aceitar que meia dúzia de famílias e seus comentaristas de aluguel ditem o que é certo e o que é errado. Nós brasileiros temos voz própria e não precisamos da tutela de uma mídia que está claramente a serviço dos piores interesses. É preciso garantir a diversidade de opinião, a diversidade e a riqueza cultural do nosso país, hoje ameaçada pelo monopólio das comunicações. É preciso garantir a real liberdade de expressão, que só acontece quando as pessoas podem falar, e podem responder, se atacadas, o que não acontece hoje no Brasil, a não ser através da Internet. Se a Rede Globo resolve me atacar eu não terei direito de resposta. É muito poder para uma família que não recebeu um único voto dos cidadãos para exercer tal poder. Rádios e TVs, por exemplo, são concessões públicas e deveriam manter um padrão ético de respeito ao próximo, de valorização das riquezas e da diversidade cultural e de fortalecimento da nossa democracia. Ao contrário, as rádios e TVs se tornaram partido político, cujos comentaristas, praticamente sem exceção, atacam o governo Dilma, o PT e Lula 24 horas por dia, enquanto poupam os tucanos e afins.

Essa elite, que domina a maior parte do PIB brasileiro - sabe-se lá como conseguiram tanto poder econômico - e domina também a mídia, não tolera conviver com um governo federal que faz concessões à direita, mas que defende os interesses dos de baixo. Essa elite se julga dona do Brasil. É arrogante. Para ela, o candidato dela, elite dominante, fosse Marina ou Aécio, tinha que ser eleito. Para essa elite, como pode o povo pobre não acatar essa ordem de cima, desse grupo que manda e desmanda no Brasil? A mídia vem dizendo claramente que tudo está errado, que o Brasil está em crise terminal, que não há salvação enquanto o governo do PT lá estiver, então por que essa gentinha continua votando na Dilma e no Lula?

É por isso que algumas hordas de fascistas saíram às ruas pedindo a volta dos generais de pijama. Na compreensão deles, se pelo voto não dá, vai pela força mesmo, como fizeram em 1964, derrubando um dos melhores presidentes que o Brasil já teve: João Goulart. Mas, uma parte da elite raivosa é menos ignorante do que estes grupos que brigam nas ruas e pedem o retorno da ditadura. Eles querem agora derrubar o governo Dilma de outra forma, mais sutil, mas não menos canalha e golpista. Para isso, apostam na formação de uma maioria no congresso nacional, com a eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara dos Deputados. É o terceiro cargo na hierarquia dos poderes. Na ausência de Dilma e do seu vice, é ele quem assume a presidência. Essa elite então agora trabalha com a possibilidade de um impeachment da nossa presidenta. Mesmo que não consiga levar até o final esta ridícula proposta, eles querem desgastar ao máximo a presidenta, para impedir que ela governe e realize mais conquistas em favor dos de baixo.

Querem impedir que haja reformas políticas que garantam maior participação e controle popular; querem impedir que haja a regulação da mídia, com a democratização dos meios de comunicação; querem impedir que haja mais investimentos no social, especialmente na Saúde e na Educação, pois isso representa tirar recursos de bancos e grupos de rapina que controlam o orçamento público.

Enfim, é contra esses golpes urdidos pela elite dominante, e que atentam contra a vontade majoritária da população brasileira, que devemos estar atentos. E prontos para defender os nossos direitos e interesses. E também para defender o governo Dilma, caso atacado pelas elites. Temos todo o direito e o dever de criticar o governo Dilma naquilo que não concordarmos. Mas, não podemos permitir que a presidenta Dilma seja chantageada ou pressionada por essa elite e seus capachos. Os interesses dos de baixo estão acima dos interesses dessa minoria que não aceita repartir o pão, e quer manter eternamente o seu domínio sobre o Brasil. Não conseguirá. Se tentarem um novo golpe, terão que se ver com mais de 150 milhões de brasileiros e brasileiras.

Viva o povo brasileiro!
Defender o governo Dilma contra a chantagem dos de cima!
Por mais conquistas sociais, mais direitos trabalhistas, mais aumentos salariais, mais empregos e mais distribuição de renda!
Contra os golpismos da mídia, dos ressentidos do congresso nacional e dos grupos de rapina!


Novembro - Mês da Consciência Negra. Viva Zumbi dos Palmares, herói do povo brasileiro!


Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

Do: http://blogdoeulerconrado.blogspot.com.br/2014/11/apos-oito-derrotas-direita-sonha-ou.html