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quinta-feira, 30 de abril de 2015

E eles? Caso MC Melody ofusca 'erotização de meninos' no funk


Além de MC Melody, MC Pikachu (foto) junto a outros "meninos do funk" são alvo de inquérito do MP
"MC Melody, a funkeira de 8 anos que aparece em vídeos com roupas justas, cantando sobre "recalque" e dançando no chão de uma casa noturna paulista, alcançou o topo entre os assuntos mais buscados no Google na última quinta-feira.

 

Mas o mesmo não ocorreu com MC Brinquedo, MC Pedrinho e MC Pikachu - funkeiros-mirins com milhões de seguidores nas redes sociais, famosos pelas letras pornográficas que cantam por aí.

Como a BBC Brasil revelou nesta sexta-feira, a "erotização" destes cantores por familiares e produtores está sendo investigada pelo Ministério Público de São Paulo. Entretanto, mesmo com letras mais pesadas que as de Melody (que não usa palavrões, referências a drogas ou sexo explícito), os meninos do funk vêm sendo poupados de críticas.

Enquanto o verso mais polêmico de Melody diz "para todas as recalcadas, aí vai minharesposta, se é bonito ou se é feio, mas é foda ser gostosa”, o refrão mais conhecido de MC Brinquedo (13 anos) afirma: "Tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho".

MC Pedrinho, 12, é conhecido como desbocado: "Como é bom transar com a p*** profissional. Vem f**** no clima quente, no calor de 30 graus".
MC Pikachu, de 15 anos, vai além: "Estava na rua, fumando um baseado, chegou a novinha e pediu para dar um trago (...) Dá a b***** para mim, (dá) o c* e fuma".

Além da erotização infantil, a diferença no tratamento entre funkeiros e funkeiras mirins leva a uma discussão sobre gênero: a sexualização dos meninos é permitida e a das meninas não?

Machismo

Procurado, o pai de MC Pedrinho disse que não fala com a imprensa. A BBC Brasil também tentou contato por telefone com a KL Produtora, responsável pelas carreiras de MC Brinquedo e MC Pikachu, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Para Claudia Bonfim, pesquisadora da Unicamp, especialista em educação sexual, a discussão reflete a "desigualdade de gênero histórica" e a "educação machista" presentes da sociedade brasileira.

"O padrão moral para meninos e meninas é diferente aqui no Brasil. Menininhos de 2 ou 3 anos de idade são estimulados a mostrar o pipi para familiares em sinal de masculinidade", diz. "Já às meninas pede-se discrição, sobriedade - elas têm que se sentar de pernas fechadas, por exemplo."

A questão também foi levantada por leitores nas redes sociais. Pelo perfil da BBC Brasil no Facebook, o comentário da leitora Zulmira Bracco alcançou 2.170 likes:

"Aproveitando o embalo vejam também o MC Pedrinho - Dom Dom Dom - 12 anos, mas por ser do sexo masculino a sexualização precoce dele passa despercebida, na lei do 'meu filho pode tudo, minha filha não pode nada'. Vamos entender que não podem e não devem porque são crianças e não pelo gênero sexual com o qual nasceram", escreveu.

Para a especialista da Unicamp, autora dos livros Educação Sexual e Formação de Professores: da educação sexual que temos à educação que queremos e Desnudando a Educação Sexual, "o tratamento desigual sobre a sexualização de meninos e meninas tem que ser superado".

"A cada cinco minutos uma mulher sofre violência no Brasil e isso é fruto da desigualdade de gêneros", ressalta Claudia Bonfim, que afirma que esta exposição pode render prejuízos e traumas como "vida sexual reprimida ou o contrário, quantitativa, muito genitalizada, em uma busca desesperada por prazer."

O comentário não indica, entretanto, que sexo deva ser um tabu entre as crianças.

"A sexualidade está presente desde sempre e não só pode como deve ser discutida junto aos pais de maneira delicada, não necessariamente só pela palavra, mas por gestos, toques, com cuidado", diz Bonfim.

Estigmatização

A popularidade dos funkeiros-mirins é atestada por sua audiência nas redes sociais: "Roça Roça", de MC Brinquedo, alcançou mais de 10,5 milhões de visualizações em menos de dois meses no YouTube.

Nas mesmas redes, após o caso MC Melody, o genero musical funk vem sendo alvo de ataques frequentes.

"Tem que acabar com o funk", disse um internauta, pelo Twitter. "O funk é um câncer que precisa ser estirpado do Brasil", afirmou outro, via Facebook.
A professora da Unicamp contemporiza. "A música sertaneja no Brasil tem letras e coreografias que também induzem à sexualização e as crianças estão reproduzindo sem críticas", afirma.

"No axé, idem. Às vezes não é a letra que está carregada de sexualidade, mas a coreografia sim", diz Bonfim. "Infelizmente sabemos que o funk sofre muito preconceito no Brasil, mas é importante lembrar que o problema não está só nele."

A perseguição ao funk é o argumento de MC Belinho, pai de MC Melody, que em vídeo publicado recentemente no Facebook disse ser alvo de ameaças de morte por conta da exposição da filha.

"Só estão criticando porque ela canta funk", disse."

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mensagens satânicas subliminares em músicas: o que é fato e o que é lenda?


Ozzy, filho do capeta
Da BBC

"Em 1878, um ano depois de criar o fonógrafo, o inventor americano Thomas Edison percebeu que o cilindro do aparelho poderia ser rodado no sentido contrário, gerando um efeito sonoro peculiar.

“A música continua bastante melódica em muitos casos, e alguns dos acentos são doces e novos, mas é algo totalmente diferente da música quando tocada no sentido correto”, escreveu ele.

No século 20, com a explosão da indústria de discos de vinil e fitas cassete, muitos músicos usaram essa técnica para gravar mensagens “escondidas” no meio de suas canções. As mensagens só podiam ser ouvidas quando tocadas de trás para frente. Mas junto com o fenômeno surgiram também muitos boatos falsos sobre supostos recados secretos em discos.

Então, quais são as mensagens verdadeiras, e quais são lenda?

Beatles

Entre as bandas de death metal – um dos gêneros de rock pesado – é quase uma regra que se deve gravar mensagens satânicas secretas em discos.
Mas nenhuma banda em nenhum outro gênero atraiu tantas histórias quanto a mais influente de todos os tempos: os Beatles.

A primeira vez que eles tiveram contato com esse tipo de técnica de gravação foi em 1965, durante a criação do álbum Rubber Soul. Ao final da música Rain, ouve-se a voz de John Lennon – de trás para frente – cantando a primeira frase da canção.

O cantor contou à revista Rolling Stone em 1968 como teve a ideia:
“Nós tínhamos gravado a parte principal da canção na EMI e tínhamos o hábito de levar as músicas para casa e pensar em coisas extras que poderíamos incluir, ou o que seria colocado de guitarras. Quando cheguei em casa no dia seguinte, totalmente chapado, eu rastejei até o gravador de fitas e liguei, só que de trás para frente, e entrei em uma espécie de transe com os fones de ouvido. ‘O que é isso? – O que é isso? Isso é demais, sabe, e eu quase quis lançar toda a música de trás para frente. E foi assim que aconteceu. Então decidimos colocar no final da música. ‘”

Boatos sobre Beatles

Os Beatles popularizaram esta técnica, chamada “backmasking” em inglês. Mas foi outro boato que fez com que muitos de seus fãs tentassem identificar mensagens secretas nos discos do conjunto.

Universitários americanos espalharam um rumor de que Paul McCartney havia morrido em 1966, e que tinha sido substituído por um sósia. A prova? Poderia ser identificada em mensagens passadas pelos Beatles em seus discos – tanto na capa quanto nas gravações.

Em outubro de 1969, um ouvinte de uma rádio em Detroit disse ter conseguido ouvir a frase “turn me on, dead man” (“me ligue, homem morto”) ao rodar a canção Revolution 9 de trás para frente, no disco branco dos Beatles.

Outras pessoas dizem ter ouvido John Lennon murmurar “Paul is a dead man. Miss him” (“Paul é um homem morto. Sinto falta dele”) entre as canções I’m TiredBlackbird.

Na época, a assessoria de imprensa da banda se manifestou a respeito dos boatos, classificando-os de “um monte de lixo velho”. Naquele ano, a manchete de uma entrevista de Paul McCartney à revista LIFE foi: “Paul ainda está conosco”.

Em 1995, quando os Beatles gravaram em cima da demo Free as a Bird de John Lennon, de 1977, o conjunto decidiu colocar uma mensagem de trás para frente. Nela, Lennon diz: “turned out nice again” (“acabou tudo bem de novo”). Paul McCartney revelou que se tratou de uma brincadeira com os fãs.

“Nós colocamos uma dessas gravações de trás para frente no final do single apenas para nos divertir, para dar alguma ocupação a todos aqueles malucos por Beatles.”

Sátiras

Nos anos 1980, muitos boatos envolviam mensagens satânicas – talvez inspirados pelo filme O Exorcista, de 1973, em que uma vítima deixa um recado em uma fita gravada de trás para frente.

De fato, Ozzy Osborne gravou, na canção Bloodbath in Paradise, de 1988, a frase “Your mother sells whelks in Hull” (“Sua mãe vende caramujos em Hull”) – uma paródia de um xingamento impublicável que ficou famoso em O Exorcista.

Em 1985, fundamentalistas cristãos nos Estados Unidos criaram o Parents Music Resource Center (PMRC), uma organização que acusou bandas como Led Zeppelin, Judas Priest e até mesmo The Eagles de espalhar mensagens satânicas de forma subliminar.

A organização acusou a faixa-título do disco Eldorado, do grupo Electric Light Orchestra (ELO), de trazer uma mensagem satânica, quando tocada de trás para frente: “He is the nasty one – Christ you’re infernal” (“Ele é o perverso – Cristo você é infernal”). O ELO sempre negou ter gravado a mensagem subliminar, mas decidiu abusar do “backmasking” nos próximos discos.

Na música Fire on High, do disco Face the Music, o recado secreto é: “A música é reversível, mas o tempo não. Volte. Volte. Volte. Volte”. Em 1983, o conjunto lançou o álbum Secret Messages feito com vários vocais gravados ao contrário. A mensagem ao final do disco diz: “obrigado por ouvir”.

Diante das paranoias generalizadas na época, o comediante Weird Al Yankovic fez uma paródia da técnica na canção Nature Trail to Hell, de 1983, em que aparece o trecho “Satan eats Cheese Whiz” (“Satan come Cheese Whiz”, em referência a uma pasta de queijo comum nos supermercados americanos).

Mais recentemente Justin Bieber e Miley Cyrus foram acusados de coisas semelhantes em canções pop aparentemente despretensiosas.
Bieber teria cantado, segundo alguns, a frase: “We’re going to bomb these banks/Satanic new world order/Soon, bro!” (“Nós vamos bombardear estes bancos/Nova ordem satânica/Em breve, irmão.”)

Já Miley Cyrus teria feito um apelo a Deus na canção The Climb: “Help me, Find Me, Save Me, God I’m lost” (“Ajude-me, ache-me, salve-me, Deus, estou perdida”). Ambos negam o uso de mensagens subliminares.

Sentido contrário, mas qual o sentido?

Algumas mensagens são enigmáticas mesmo quando as palavras são bem claras.

Na canção Empty Spaces da ópera-rock The Wall do Pink Floyd, de 1979, Roger Waters diz: “Parabéns, Você acaba de descobrir a mensagem secreta. Por favor, mande a resposta ao velho Pink, aos cuidados da fazenda engraçada, Chalfont…” (como se estivesse passando um endereço para correspondências).

E no fundo ouve-se uma voz: “Roger, Carolyne está no telefone”. E Waters nunca completa o endereço que começou a passar.

Para alguns, o “Velho Pink” citado por Waters seria o primeiro vocalista da banda, Syd Barrett, que sofreu um colapso nervoso em 1968 e nunca mais voltou a tocar com o conjunto.

Na canção Christian Rock Concert, de 1991, o grupo britânico Half Man Half Biscuit gravou uma das mensagens mais esquisitas: “O corpo de Shane Fenton está na calha da lavanderia no hotel New Ambassadors, perto da estação Euston”.

Mas provavelmente a frase mais esquisita é de Robert Fripp, criador do conjunto King Crimson, que gravou ao contrário na música Haaden Two, de 1979, o seguinte verso: “One thing is for sure – the sheep is not a creature of the air. Baaaah” (“Uma coisa é certa – a ovelha não é uma criatura do ar.

Baaaah.”) A mensagem seria uma referência a um quadro do programa de humor Monty Python, sobre ovelhas voadoras."

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A sutil diferença entre um Sábio e um Idiota

O sábio: 


ZÉ GERALDO
Ei você que tem de oito a oitenta anos
não fique aí perdido,
como ave sem destino
pouco importa a ousadia dos seus planos
eles podem vir da vivência do ancião
ou da inocência de um menino
o importante é você crer
na juventude que existe dentro de você
Meu amigo, meu compadre, meu irmão,
escreva sua história
pelas suas próprias mãos
Nunca deixe se levar por falsos líderes
todos eles se intitulam
porta-vozes da razão
pouco importa o seu tráfico de influências
pois os compromissos assumidos
quase sempre ganham sub-dimensão
o importante é você ver
o grande líder que existe dentro de você
Não se deixe intimidar pela violência
o poder da sua mente é toda a sua fortaleza
Pouco importa este aparato bélico universal
toda a força bruta representa nada mais
do que um sintoma de fraqueza
O importante é você crer
nesta força incrível que existe dentro de você
O idiota:

MICHEL TELÓ
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Agora que você consegue notar a diferença entre vitamina e veneno, tenha uma ótima semana.
No Mateus Brandão de Souza
via Com textolivre

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A verdade sobre o "Sucesso Mundial" de Michel Teló

Há uma mania da mídia brasileira superestimar a aparição de nomes comerciais no exterior. De forma exagerada, diz que os ídolos "estouraram no mundo inteiro", mas esse "sucesso" todo nunca passa de mera boataria daqui, o que mostra o quanto muitos brasileiros são ainda provincianos, por mais que estejam conectados com a Internet.
Recentemente, houve o caso de Michel Teló. Criaram factóides que, aos nossos olhos, transformaram o medíocre cantor em "fenômeno mundial". Tudo por conta de uma mídia provinciana, velha, que já repete as mesmas fórmulas desgastadas do hit-parade à brasileira, seja no brega-popularesco ou na nossa "peculiar" forma de encarar os sucessos internacionais.
Tentei conferir, em dois sítios, os supostos efeitos do "sucesso" do cantor paranaense. Um deles é o Olimpo do hit-parade mundial, a revista Billboard, no sítio da matriz norte-americana, e outro é o portal da revista britânica New Musical Express, maior referência do pop de sucesso na Europa.
Foi um fiasco em ambos os casos. No sítio da Billboard, simplesmente Michel Teló não existe. Preferi escrever a palavra-chave sem o acento do sobrenome Teló, ou seja, escrevendo "Michel Telo", que é o que os norte-americanos entendem e o que a informática, em muitas buscas, recomenda.
Quanto à busca no sítio da NME (sigla pronunciada como se fosse a expressão inglesa enemy, "inimigo", num trocadilho brincalhão), o resultado é enganador. O sítio opera com os mesmos mecanismos oferecidos pelo Google, e, aparentemente, aparecem vários resultados da palavra-chave "Michel Teló". No entanto, são sítios sem a menor relação com o New Musical Express, que por sinal nem está aí com o sucesso do cantorzinho.
Pelo contrário, quem conhece a natureza da imprensa britânica, sabe que, se Michel Teló aparecer na New Musical Express, é da forma de resenhas satíricas, pejorativas, dessas feitas para esculhambar certos astros de gosto duvidoso.
Além disso, o NME anda muito ocupado com seus nomes locais, seja o cantor Morrissey, o grupo Beady Eye (formada por integrantes do Oasis sem Noel Gallagher), a volta dos Stone Roses e o sucesso mundial da soulwoman Adele. O "enemí" não iria mesmo se curvar para a visão provinciana do mercadão brazuca.
O brega-popularesco nunca teve grande sorte no exterior. É essa a verdade. O "sucesso" estrangeiro se dá por factóides, ou pela apresentação para públicos de imigrantes brasileiros que vivem no exterior.
Desde a primeira "leva" de bregas no exterior, a partir de figuras hoje conhecidas (Fábio Jr., Michael Sullivan e Christian da dupla Christian & Ralf) que passaram a gravar em inglês, o brega-popularesco nunca se tornou um grande sucesso.
Só dois cantores realmente furaram o cerco: Morris Albert, com "Feelings", e, com menor intensidade, Terry Winter, com "Summer Holiday". Mas mesmo assim os dois fizeram sucesso para públicos bastante conservadores, afeitos a nomes como Ray Conniff e Julio Iglesias.
Fora isso, nem sequer os "sofisticados" Alexandre Pires e Chitãozinho & Xororó e nem mesmo a "cultuada" Tati Quebra-Barraco fizeram a música brega emplacar no exterior. Alexandre Pires foi adotado pelo casal cubano anti-castrista Gloria Estefan e Emílio Estefan Jr., e cantou até para o então presidente dos EUA, George W. Bush, mas teve que desistir da carreira no exterior pela ampla concorrência de cantores - seja no segmento latino de Ricky Martin e Enrique Iglesias, seja no segmento black de Jay Z e R Kelly - e pela associação a celebridades conservadoras.
Quanto a Chitãozinho & Xororó, eles chegaram a entrar em contato com Billy Ray Cyrus - o então pouco conhecido cantor country, depois famoso por ser o pai de Miley Cyrus - e Reba McEntire, e a se lançar no mercado sob os nomes de batismo Jose & Durval (José sem o acento agudo e provavelmente pronunciado como "rossé"). Não emplacaram.
Mais tarde, os filhos de um e sobrinhos de outro, Sandy & Júnior, também tentaram carreira no exterior, mas não conseguiram. O público norte-americano viu a dupla como clone de outras duplas conhecidas, como Carpenters e Roxette (dupla sueca adotada pelo hit-parade dos EUA).
Tati Quebra-Barraco, por sua vez, foi jogada para fazer turnê europeia porque os empresários do "funk carioca" estão sempre cheios da grana (embora se autoproclamem "ainda pobres"). E, se alguém falou dela - se é que alguém se interessou em falar - , provavelmente não seria de forma positiva nem elogiosa. Quando muito, ela seria tratada como um "exotismo bizarro".
O Kaoma, o grupo que "lançou" a lambada, também não teria feito muito sucesso, senão para imigrantes brasileiros no exterior. E o É O Tchan, quando se apresentou no Festival de Montreux - numa fase lamentável do evento, antes conhecido como um festival de jazz - , foi da forma mais constrangedora possível, com alguns brasileiros querendo invadir o palco por causa da Carla Perez.
Portanto, o brega-popularesco, essa "música popular" com gosto azedo de mercantilismo, em toda sua trajetória não teria sido um grande sucesso como a verdadeira MPB, que talvez não seja de um "P" tão maiúsculo como gostaríamos de ver, mas com certeza tem "M" maiúsculo de música e "B" de brasileira.
Seria até muita bondade dizer que Michel Teló foi um "fogo de palha" na Europa, ou que a crise no continente abriu caminho para seus sucessos medíocres. Teló, na verdade, nem de longe representa algum sucesso real no exterior, fora algumas rádios de imigrantes latinos.
Dizer que Teló toca mais do que Adele é um contrassenso. Ou melhor, uma grande e vergonhosa mentira. Daqui a pouco, vão comparar o suposto sucesso de Michel Teló na Europa à chegada dos Beatles aos EUA.
Aí será demais. Será muita tolice para uma visão provinciana até demais, que não enxerga o que rola nas nossas "províncias", quanto mais o mundo aí fora.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço, via Com textolivre

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobre o Hino Nacional Brasileiro



"A música está em tudo. Do mundo sai um hino"(Victor Hugo).

Somos do tempo em que o Hino Nacional Brasileiro era ensinado e cobrado com rigor na escola. Era nossa obrigação pesquisar as palavras desconhecidas, copiá-lo determinado número de vezes e decorá-lo para a temível chamada oral e individual. Esta prova era um recurso das professoras, pois as deficiências imperceptíveis em meio aos colegas revelavam-se no cantar isolado. A trabalheira da época converteu-se em gosto sincero pela música dedicada a simbolizar oficialmente nosso país. É comovente quando os primeiros acordes são emitidos e logo as pessoas demonstram lembrar a letra....

sexta-feira, 18 de março de 2011

Evolução da conquista através da música

Uma análise da evolução da relação de conquista e do amor do homem para a mulher, através das músicas que marcaram época. Não é saudosismo, mas vejam como os quarentões, cinquentões tratavam seus amores.
É por isso que de vez em quando vemos uma mulher nova enroscada no pescoço de um cinquentão.
Década de 30: Ele, de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
"Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada.
És formada com o ardor da alma da mais linda flor, de mais ativo olor, na vida é a preferida pelo beija-flor...."
Década de 40: Ele ajeita seu relógio Pateck Philip na algibeira, escreve para Rádio Nacional e, manda oferecer a ela uma linda música: 
"A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar."
Década de 50: Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça. É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que eu já vi passar."
Década de 60: Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme: 
"Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar, como é grande o meu amor por você...."
Década de 70: Ele chega em seu fusca, com roda tala larga, sacode o cabelão, abre porta pra mina entrar e bota uma melô jóia no toca-fitas: 
"Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar.... Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar...."
Década de 80: Ele telefona pra ela e deixa rolar um: 
"Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...."
Década de 90: Ele liga pra ela e deixa gravada uma música na secretária eletrônica: 
"Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?"
Em 2001: Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail: 
"Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão! Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!
Em 2002: Ele manda um e-mail oferecendo uma música:
"Só as cachorras! Hu Hu Hu Hu Hu! As preparadas! Hu Hu Hu Hu! As poposudas! Hu Hu Hu Hu Hu!"
Em 2003: Ele oferece uma música no baile: 
"Pocotó pocotó pocotó...minha éguinha pocotó!
Em 2004: Ele a chama para dançar no meio da pista: 
"Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!"
Em 2005: Ele resolve mandar um convite para ela, através da rádio: 
"Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lele!"
Em 2006: Ele a convida para curtir um baile ao som da música mais pedida e tocada no país: 
"Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!! Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou pra mim!"
Em 2010: Ele encosta com seu carro com o porta-malas cheio de som e no máximo volume: 
"Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás. Pra que você quer saber? Eu sou o lobo mau, au, au Eu sou o lobo mau, au, au E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer, Vou te comer, vou te comer, vou te comer, Vou te comer, vou te comer, vou te comer"
ONDE FOI QUE ERRAMOS?
SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?
Oxe, ainda falta o Reboletion e a do Super-Homem e a Mulher Maravilha...
Saudades dos Tons, dos Miltons, dos Gonzagas, dos Rauls, dos Caetanos, dos Djavans, dos Chicos...
Vi no Bicho Maluka Beleza!!!