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domingo, 28 de setembro de 2014

O estranho caso dos "revolucionários" que votam em Pezão, Garotinho e Alckmin


Rio e São Paulo foram os epicentros das chamadas jornadas de junho de 2013. Tudo começou  na capital paulista com a luta pela tarifa zero. Mas nenhuma cidade do país colocou tanta gente na rua, para protestar "contra tudo que está aí", como o Rio de Janeiro.

 Um ano e pouco depois, fora a conquista da revogação do aumento das tarifas no auge das manifestações, o saldo do tão propalado avanço extraordinário da consciência política da população seria cômico se não fosse trágico.

Pezão e Garotinho são favoritos para a disputa do segundo turno no Rio, enquanto o governador tucano Geraldo Alckmin nada de braçada para vencer a eleição de São Paulo no primeiro turno, mesmo sendo o responsável pela crise de abastecimento de água que afeta a região metropolitana da maior cidade brasileira.

Como sempre estive na contracorrente das análises ufanistas sobre o fenômeno das manifestações, em nada me surpreende o quadro eleitoral nos dois estados. Mas estou curioso para saber o que pensam os entusiastas de junho diante das pesquisas eleitorais. Queria que eles me explicassem porque a gigantesca onda de civismo virou marolinha em tão pouco tempo.

É interessante observar que a visão triunfalista das manifestações foi compartilhada por acadêmicos de esquerda, artistas, dirigentes sindicais e dos movimentos sociais, além de um boa parte dos militantes e dirigentes dos partidos do campo popular e democrático. Não vou aqui perder tempo detalhando a utilização política das manifestações por parte do monopólio midiático para atingir Dilma e o PT, pois seria chover no molhado. O meu ponto é tentar entender por que diabos tanto lutador social, tanta gente boa e bem intencionada conseguiu enxergar ímpeto revolucionário em mobilizações profundamente despolitizadas e, em boa medida, alienadas. 

Nada foi capaz de conter o ufanismo em torno das manifestações. Ganharam contornos revolucionários até mesmo arruaceiros e vândalos mascarados responsáveis pela destruição indiscriminada do patrimônio público e privado em todas as manifestações, culminando com a morte do cinegrafista da Bandeirantes. Os que davam verniz intelectual às manifestações também não se incomodavam com a negação reacionária da política levada às ruas, com a falta absoluta de eixos, prioridades, bandeiras políticas concretas, reivindicações exequíveis e de táticas e estratégias de negociação.

A oposição ao governo da presidenta Dilma, à esquerda e à direita, mal cabia em si de tanta satisfação. Afinal, os índices de aprovação do governo caíram de forma significativa. Pouco importa se o mesmo tenha ocorrido com praticamente todos os governadores e prefeitos do país. 

A direita e os fascistas se aproveitaram e deram um grande passo adiante. Se há um produto palpável das jornadas de junho é o fato de que a direita mais raivosa e antidemocrática perdeu a vergonha de assumir tal condição. Hoje marca forte presença nas redes socais e arrisca até atos de rua em defesa de suas teses obscurantistas.

No Rio de Janeiro, a popularidade do governador Sérgio Cabral se erodiu em 30 dias e foi a quase zero. Sua casa foi cercada por um acampamento durante 45  dias e sua rejeição passou dos 80% em todas as pesquisas. Mas agora seu candidato, o Pezão, lidera as intenções de voto, na certa com apoio de uma fatia desses "revolucionários". Garotinho era visto até há pouco tempo, não sem razão, como exemplo de político com p minúsculo. Mas está em segundo nas pesquisas, impulsionado pela adesão de muitos que marcharam para "mudar o país."

Moral da história : junho de 2013 não fez avançar o nível de consciência política das pessoas coisa nenhuma. Sindicatos, partidos e movimentos organizados da sociedade, que para os manifestantes deviam ser atirados à lata do lixo, sempre serão peças fundamentais numa democracia. E fora da política só existe a ditadura e a barbárie. Se o desenrolar dos fatos mostra que o "gigante não acordou', os que nunca dormiram, pois há muito lutam todos os dias, caminham para mais uma vitória com a reeleição da presidenta Dilma.    
http://blogdobepe.blogspot.com.br/2014/09/o-estranho-caso-dos-revolucionarios-que.html

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A crítica de Marx à alienação política



Para Marx, a preservação dos direitos do homem, presentes na sociedade civil, seria a razão de ser do Estado. Numa formulação que continuará a ser central no restante da sua obra, considera que ao invés de pôr fim às contradições da sociedade civil, como acreditara Hegel, o Estado existiria como instrumento para a manutenção dessas contradições, ou seja, a política não resolveria os problemas da sociedade civil, mas como que os refletiria. Nesse sentido, haveria uma espécie de alienação política, em que se acredita que as particularidades constitutivas da sociedade civil seriam superadas na universalidade do Estado. O artigo é de Bernardo Ricupero.

Quando escreveu Sobre a questão judaica Marx não tinha ainda vinte e seis anos. Pouco antes, iniciando o “ajuste de contas com sua consciência filosófica”, empreendera uma cerrada crítica à Filosofia do direito, de Hegel. Pouco depois, em Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel, encontra a “classe com cadeias radicais”, o proletariado, o que marca sua adesão ao socialismo......