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sexta-feira, 31 de julho de 2015

BRASIL, PAÍS DOS 'INDIGNADOS ÚTEIS', MASSA DE MANOBRA DE MÍDIA E POLÍTICOS INDIGNOS E INÚTEIS


Um blog antigo não é um blog antiquado, quando postagens feitas há mais de nove anos, ainda são atuais. Como esta, de 18 de julho de 2006, que trata dos "indignados úteis", expressão que lancei aqui no Blog do Mello:

O país dos 'indignados úteis'



"Lula e o mensalão, os males do Brasil são"
- Mantra dos Indignados úteis

Quando criei a expressão nunca imaginei que pessoas tão inteligentes, espertas, cultas e interessantes um dia parariam aqui neste blog. Mas, foi só eu fazer a postagem aqui abaixo sobre o divertido blog do Reinaldo Azevedo, para elas aparecerem. Como borboletas monarcas, chegaram aqui em panapaná. Sem cerimônia invadiram a área de comentários, mas, especialmente, entupiram minha modesta caixa postal com suas mensagens raivosas.

Muitos indignados por serem chamados de "indignados úteis" - embora a designação não atinja a todos. O "indignado útil" não é um indignado qualquer. Nem é - como eles parecem crer - todo aquele que critica o presidente e quer vê-lo longe do Palácio do Planalto, porque acha que Alckmin (ou outro candidato qualquer) será melhor para o país.

O "indignado útil" é uma categoria especial dentro da classe dos indignados. Guarda parentesco com o "inocente útil", usado como massa de manobra. Dois aspectos os diferenciam: primeiro, o "indignado útil" não tem nada de inocente; segundo, o "inocente útil" achava que agia para o bem do Brasil, já o "indignado útil" quer que o Brasil se dane, o que ele deseja é ferrar Lula e o PT - ou, no dizer honesto de seu porta-voz, "ver-se livre dessa raça pelos próximos 30 anos".

Se ainda não está claro, dou um exemplo de "indignado útil": Diogo Mainardi. Basta ler sua última coluna, onde ele declara que vai tapar o nariz e votar em Alckmin, mesmo achando que "Geraldo Alckmin é um mau candidato, tem um mau partido e, se eleito, será um mau presidente". O país que se dane, desde que Lula e o PT saiam do poder. Eis o "indignado útil". 
O mesmo não ocorre hoje com Dilma? Querem que o Brasil se dane, desde que Dilma e o PT saiam do poder.
via: http://blogdomello.blogspot.com.br/2015/07/brasil-pais-dos-indignados-uteis-massa.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A hipocrisia do Natal!



Beijos, abraços, presentes, amigo secreto, todo mundo desejando “Feliz Natal”… Noventa por cento de tudo quanto acontece nessa época é a mais pura expressão da hipocrisia.

Há muitos anos namorei uma médica judia. Era especialista em fazer plantão no dia de Natal. O Natal simplesmente não existia para ela. Simples. E era feliz assim. Alguns bilhões de seres humanos não estão nem aí para o Natal.

O cristianismo deu um jeito de reforçar, em proveito próprio, as mazelas humanas com o Natal. (aliás, não é só com o Natal…). E o consumismo desenfreado criado pelo capitalismo, idem. Bem, nisso judeus, cristãos, mulçumanos, chineses (principalmente), indianos e tantos outros estão “muito aí”. Querem vender, vender, vender e vender.

Somos, na maior parte do tempo, senão infelizes, ao menos não felizes. Todos temos chefes imbecis, colegas idiotas (e para eles também somos isso), que passamos o ano inteiro desejando que sumam da face da Terra. Mas dê-lhe presentinho de amigo secreto…

O índice de pessoas solitárias é altíssimo. Estejam sozinhas ou acompanhadas, não importa. E o Natal é vendido como uma festa de confraternização, de união, ou seja, o oposto da realidade das pessoas em geral. Se já sofremos com a solidão durante o ano inteiro, o Natal tem o condão de precipitar suicídios… E dizemos “Feliz Natal”, para quem vai se matar na noite em que não estaremos juntos! Na noite em que estaremos solitários…

Já passamos o ano inteiro correndo atrás das contas. E o Natal nos fará passar o próximo ano do mesmo jeito: endividados correndo atrás do gerente do banco, do atendente da financeira, e até do padre, para tentar se eximir do pecado da ganância. Mas não importa, no dia do Natal eu sou feliz!

E as famílias? Ah! Tão unidas que são. Irmãos que adoram irmãos, pais que estão sempre com os filhos… É lindo, né? E existe isso? Onde, por favor? Maridos que amam as esposas e não traem, e vice-versa.

Gente que literalemente “se aguenta” o ano inteiro, mas “Feliz Natal” dizem…

E o pior de tudo, é que acreditamos piamente, como bons cristãos que somos,  que devemos ensinar isso para nossos filhos. A acreditar em Papai Noel (para aos seis anos ter que explicar porque mentimos até então). Por que não fazer como tantos e de cara já dizer que Papai Noel não existe, que não acreditamos nisso? Por que somos hipócritas: acreditamos numa coisa, mas nos comportamos de outra. E somos covardes o suficiente para não assumir isso diante dos próprios filhos. Algo tão fácil, que qualquer desses bilhões que não acreditam fazem com a maior naturalidade.

Com certeza vai aparecer algum psi dizendo que isso é importante na formação da criança, etc… e tantas outras baboseiras que qualquer chinesinho de dois anos consegue desmentir…

Vendemos o peixe pelo preço que nos venderam, dizemos. Mentira! O Natal não precisa existir. Mais, deveríamos ter a coragem de abolir o Natal. Natal foi uma data inventada para aumentar o rebanho de bois cornetas soltos por aí.

Esses dias ouvi uma frase (e não sei de quem é): “não importa o que fazemos entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que fazemos entre o Ano Novo e o Natal”. E disso muitos esquecem. Mas desejam feliz natal assim mesmo…

E o diamante da época: a solidariedade. Beleza! A expiação dos pecados. Sou incapaz de ajudar uma criança durante o ano todo, mas vou aos Correios buscar uma cartinha… e mando junto um cartão dizendo “Feliz Natal”. Pronto, fiz uma criança feliz, mesmo que ela morra de fome antes do final do ano.

Por toda hipocrisia que o Natal representa, deveríamos abolí-lo das nossas existências.

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy, via http://www.contextolivre.com.br/2014/12/a-hipocrisia-do-natal.html

domingo, 21 de dezembro de 2014

Ricardo Semler: Nunca se roubou tão pouco!

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país


Ricardo Semler
Empresário Grupo Semco
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão –cem vezes mais do que o caso Petrobras– pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro.Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui nãose volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.
via: http://www.ocachete.org/2014/12/ricardo-semler-nunca-se-roubou-tao-pouco.html

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Golpismo, 'comunismo', hipocrisia e reforma política


Agora, que a reforma política volta à tona, o que importa é saber se teremos uma de fato, ou se uma reforma de faz de conta
"Doadores de campanhas não agem por interesse público. Não são 'azuis' nem 'vermelhos'. As distorções históricas do sistema político ainda sustentam um modelo que o país tem o desafio de superar

Mauro Santayana, RBA

Nas últimas semanas, insatisfeitos com o resultado das eleições, golpistas que nos últimos anos praticavam seu ódio à democracia e às instituições pela internet têm convocado caminhadas pelo país, pedindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff ou intervenção militar. Para tentar derrubar o governo, os novos golpistas fazem como fizeram os que os antecederam na história brasileira, que praticamente mataram Getúlio em 1954, tentaram inviabilizar Juscelino Kubitscheck em 1955 e derrubaram João Goulart em 1964.

Apelam para o tosco, velho e surrado discurso anticomunista da época da Guerra Fria, que justificou crimes como os milhares de civis mortos e torturados no Chile, na Argentina, na Indonésia, e em conflitos prolongados e estéreis como a Guerra do Vietnã.



Dizer que é comunista um país em que o sistema financeiro lucra bilhões, em que as multinacionais fazem o mesmo e remetem fortunas para o exterior, em que qualquer cidadão pode montar um negócio a qualquer momento, com ajuda do governo e de instituições, como o Sebrae, e em que nossos armamentos são produzidos em estreita cooperação com empresas inglesas, norte-americanas, francesas, suecas, israelenses, é tremenda hipocrisia.
À oposição institucional cabe também agir com responsabilidade. Caso fosse adiante um pedido de impeachment, ou caso venha a ser impedida por outras manobras a diplomação de Dilma Rousseff, a ascensão do vice Michel Temer à Presidência da República corroeria, em vez de ajudar, as chances de Aécio Neves de chegar ao Palácio do Planalto em 2019. E na remotíssima possibilidade de os golpistas terem sucesso por outros meios, jamais entregariam o poder ao ex-governador mineiro. Os mais radicais o desprezam e desconfiam de seu discurso antipetista.

O problema do Brasil não é comunismo, como apregoam essa minoria extremista e alguns golpistas de plantão, em seus comentários nos portais e redes sociais. O que põe a opinião pública em estado de perplexidade é a corrupção. Esse mal nasce de uma acumulação histórica de defeitos no universo político, como o clientelismo e o fisiologismo, que vêm desde o Brasil Colonial. Sua raiz está na busca permanente do poder, por partidos e candidatos, e da necessidade de fontes de financiamento para suas campanhas. No caso da Petrobras, o próprio Ministério Público declarou que o esquema funciona desde 1999 – logo, ainda antes da chegada do PT ao poder.

Quando das manifestações de junho de 2013, Dilma saiu em defesa de reformas que tirassem o país da dependência desse quadro de relações incestuosas entre o governo e o Congresso, e de se criarem mecanismos que permitissem maior espaço para a população manifestar seus anseios e interesses. Suas teses, no entanto, não prosperaram no Legislativo. Agora, que a reforma política volta à tona, o que importa é saber se teremos uma de fato, ou se uma reforma de faz de conta, comandada pelos grupelhos de sempre, com mudanças cosméticas para enganar a população.

O caixa dois não é mais do que uma extensão do financiamento eleitoral privado, e legal. O menos citado caixa um, que poderia ser suprimido por meio do financiamento público de campanhas, como prevê a proposta de reforma política defendida por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e tantas outras entidades e movimentos com representação em amplos setores sociais.

No meio desse processo estão pilantras que aparecem para viabilizar “negócios” e “acertos”, extorquem recursos de empresas e irrigam, com parte dos recursos auferidos, candidatos e partidos. Eles não agem em nome do interesse público ou partidário, não são “azuis” ou “vermelhos”, nem “golpistas” nem “comunistas”. Se existisse um termo exclusivo para defini-los, seria simplesmente “corruptistas”, ladrões que se aproveitam das distorções históricas do atual sistema político."

sábado, 15 de novembro de 2014

FHC, de "príncipe da sociologia" a "rei da hipocrisia"


Ontem o Jornal da Gazeta veiculou matéria sobre a Operação Lava Jato dando grande destaque ao fato de FHC ter dito que está envergonhado do que ocorre no Brasil. Sobre o passado do próprio FHC nada foi dito pelos telejornalistas.

FHC é suspeito de ter mandado comprar votos parlamentares para garantir a aprovação da Emenda Constitucional que possibilitou a sua reeleição. Com ajuda da imprensa, ele se apropriou da paternidade do Plano Real, o qual foi concebido por outras pessoas durante a gestão de Itamar Franco. Todos os membros da equipe de FHC enriqueceram de maneira não muito honesta durante a troca da moeda (episódio contado em detalhes por Luis Nassif em seu livro “Os Cabeças de Planilha"). A escandalosa venda de estatais a preço de banana durante o governo FHC é objeto de suspeitas até os dias de hoje e já rendeu vários livros. Durante o governo dele as denúncias de corrupção eram sumariamente arquivadas pelo Procurador Geral da República e a PF era absolutamente inoperante.

Ontem FHC exigiu a punição dos petistas por causa do escândalo na Petrobras. Curiosamente, ele nunca exigiu apuração e punição para tucanos envolvidos em corrupção (mensalão tucano de Minas Gerais, roubalheira do Metrô em SP, etc…), nem tampouco se mostrou indignado com o desfecho do caso envolvendo o tráfico de 450 quilos de cocaína num helicóptero de propriedade de um deputado ligado a Aécio Neves. O ex-príncipe da sociologia também não estranhou o fato da Sabesp ter distribuído lucros pouco antes da maior crise hídrica de São Paulo e o instituto dele embolsou 500 mil reais da companhia sem que o ex-presidente ficasse corado. FHC nunca criticou os Ministros Gimar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Ellen Gracie em razão das decisões absurdas que os três proferiram para beneficiar réus tucanos e impedir ou bloquear investigações contra banqueiros ligados ao PSDB.

FHC é um ator consumado. Ao atacar os petistas na televisão ontem ele se portou como se fosse um homem de reputação ilibada, alguém cujo passado é absolutamente isento de manchas. Quem não o conhece chega até a acreditar que FHC está realmente preocupado com o combate à corrupção. Há algumas décadas a imprensa transformou-o no príncipe da sociologia. Ontem o Jornal da Gazeta o utilizou como uma arma para destruir o governo Dilma Rousseff e FHC se ajustou perfeitamente ao novo papel que a imprensa lhe atribuiu. Ele é o novo rei da hipocrisia.

O idoso líder tucano disse no Jornal da Gazeta que está envergonhado com o que ocorre no Brasil. Mas a verdade é que ele está envergonhando os brasileiros. Não só isto, FHC coloca em risco a democracia, a mesma democracia que ele supostamente ajudou a construir.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN, via http://www.contextolivre.com.br/2014/11/fhc-de-principe-da-sociologia-rei-da.html

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A alcateia faminta e a paz de espírito


Por mais que tente, a minha oceânica ignorância não me permite entender esse pessoal que vai à missa ou outros cultos religiosos, é visto em algumas ocasiões movendo os lábios, como se estivesse rezando, dá, quando em vez, esmolas enquanto espera o semáforo abrir em seus carrões, e não admite que o pobre melhore de vida, que o miserável não passe fome, que os médicos, cubanos ou marcianos, deem assistência a quem precisa. 
Ora, se não fazem a menor questão de que este mundo em que são obrigados a viver melhore, um pouco que seja, que as pessoas tenham uma existência digna, ao menos deixem em paz quem luta por isso. 
Ou seja, numa linguagem que todos entendem, parem de encher o saco de quem está fazendo algo para diminuir a desigualdade social a fim de que todos, eles inclusive, vivam num Brasil melhor que o de hoje. 

Se têm divergências ideológicas, políticas ou partidárias, que as explicitem, mostrem que o caminho que recentemente passaram a defender é melhor que o escolhido pelo atual governo. 
Espalhar boatos, calúnias e mentiras, xingar a presidenta, o ex-presidente, ameaçar ir embora do país, demonizar o PT, implorar por um golpe de Estado, não são atitudes de gente civilizada. 
Diria até que demonstram um alto grau de patologia. 
O caminho para mudar os rumos do Brasil ao seu gosto é elaborar um projeto alternativo ao dos trabalhistas, que vise não só enriquecer os mais ricos, mas ampliar as oportunidades dos mais pobres, e apresentá-lo à nação o mais rapidamente possível, quem sabe já nas próximas eleições. 
Mas parece que essa via, para tais pessoas, é inviável, por exigir trabalho, talento e um aparelhamento intelectual de que infelizmente não são dotados. Por isso, para a desgraça de todos nós, agem como uma alcateia faminta, com os dentes prontos para dilacerar qualquer pobre vítima que encontrarem pela frente. 
E depois vão à missa para rezar pela paz no mundo e tentar salvar suas almas.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/10/a-alcateia-faminta-e-paz-de-espirito.html#more

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Corruptos, corruptores e a hipocrisia da "gente de bem"


Combater a corrupção é fundamental para que o Brasil seja ainda melhor do que é.
Mas o combate tem de ser de verdade, não esse de mentirinha que os nossos prezados tucanos apregoam.
Aécio teve o cinismo de dizer, nesse último debate televisivo, que para acabar com a corrupção era só tirar o PT do poder!
Como um político que quer ser levado a sério diz uma imbecilidade dessas?
Ora, a corrupção existe no Brasil desde os tempos de Cabral.
É uma das práticas favoritas não só de políticos, mas de empresários - não existe corrupto sem corruptor, não é? - e dos cidadãos comuns, esses mesmos que escrevem essa besteirada toda nas redes sociais de que estão fartos da corrupção do PT.
Um monte de "gente de bem" vive de carteiradas, de pequenos golpes que aplicam no dia a dia, de expedientes e jeitinhos.

Você dá uma volta na sua cidade e em 10 minutos observa não sei quantas infrações no trânsito.
Vai ao supermercado e vê a vaga de estacionamento de idosos e deficientes físicos tomada por carrões dirigidos por peruas loiras e rapagões sarados.
Conheço gente que se orgulha de fazer "gato" do sinal da NET e de ter sonegado o Imposto de Renda.
E os nossos queridos médicos, dentistas, advogados, que nunca emitiram uma nota fiscal na vida toda?
E os comerciantes, então, que só dão a nota se a gente implorar?
Ora, quem são essas pessoas para cobrar o fim da "corrupção do PT"?
Que exemplos eles dão aos seus filhos, infringindo as mais elementares leis?
O combate à corrupção deve ser sistemático, sem trégua.
Lembro a todos que foi no governo Lula que se criou a Controladoria-Geral da União, que tem feito um trabalho incessante contra a corrupção.
Lembro ainda que foi Fernando Haddad que criou órgão semelhante na Prefeitura de São Paulo.
Esses são bons exemplos institucionais de como combater a corrupção.
O trabalho da Polícia Federal é outro.
Seu desempenho sob os governos petistas é prova que o país evoluiu muito nesse quesito.
Agora, o cidadão comum também tem de colaborar - e não ficar só nesse discurso babaca de que o PT é culpado de tudo, de que os políticos são corruptos, isentando todos os outros atores, inclusive ele próprio, do crime.
No fundo, o que eu acho é que as pessoas não conseguiriam sobreviver sem aquela corrupçãozinha do dia a dia e morrem de medo que tenham, eventualmente, de pagar pelo que fazem com a maior naturalidade do mundo.
Só para terminar: será que esse pessoal "anticorrupção" toparia endurecer a lei, como querem covardemente fazer com os menores de idade?
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/10/corruptos-corruptores-e-hipocrisia-da.html#more

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Só a corrupção alheia incomoda brasileiro






Eleições, tio Arthur e a geladeira

Sofremos de uma curiosa disfunção em que ignoramos os próprios desvios


Nós, brasileiros, sofremos de uma curiosa disfunção cognitiva, que incide sobre a população com a mesma frequência que a intolerância à lactose, entre os japoneses, ou a inclinação para os trocadilhos, entre os ingleses. Falo da nossa capacidade de nos indignar com a corrupção alheia ao mesmo tempo em que ignoramos completamente os próprios desvios. Conforme o segundo turno das eleições presidenciais se aproxima, dia 26, o mal se alastra como uma epidemia.

Nos bares, nas ruas e nas redes sociais, defensores de Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, e do senador oposicionista Aécio Neves, do PSDB, não se cansam de apontar o dedo uns pros outros e relembrar as roubalheiras em que o partido rival se envolveu. Os petistas costumam citar o escândalo da reeleição, em que o PSDB é acusado de subornar congressistas para aprovarem uma emenda constitucional, permitindo que Fernando Henrique Cardoso concorresse novamente à Presidência, em 1998. Os psdbistas citam o caso do mensalão, em que políticos da base do PT, na Câmara, recebiam mensalmente dinheiro desviado do caixa 2 da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Infelizmente, quando se trata de reconhecer as próprias lambanças, o silêncio é sepulcral. Nem aqueles poucos que conseguem se manter isentos no meio do tiroteio partidário escapam à disfunção cognitiva. É comum ouvirmos que o problema não seria o PT nem PSDB, mas os políticos, como um todo; como se os políticos fossem uma espécie à parte, ETs infiltrados com o intuito de corromper nossa idônea população. Nesse quesito, porém, a população não precisa de ajuda.

Lembro bem de quando fui apresentado à corrupção. Era domingo, eu tinha uns sete, oito anos de idade e almoçava na casa de um tio. Vamos chamá-lo de Arthur. Arthur era o meu parente mais rico e morava numa casa com piscina. Lá pelo meio do almoço ele contou à família, orgulhoso, como havia encontrado um jeito de desligar o registro de água em frente à casa, de modo a encher a piscina sem gastar um tostão. Não me lembro de o terem repreendido. Hoje, meu tio está aposentado, mora num apartamento e, vira e mexe, me repassa uns e-mails revoltados contra a corrupção do PT, no governo.

Eu gostaria de acreditar que tais condutas são coisa de gente mais velha, que os avanços do país nas últimas décadas tornaram mais ética a nossa postura, mas isso não parece ter acontecido. Uma amiga minha, advogada de trinta e poucos anos, criou no computador um documento falso de cabeleireira para ter desconto numa loja de xampus. Ela é sócia de um escritório de direito tributário e com o que ganha em um ano poderia, provavelmente, comprar xampus para as futuras três gerações de sua família. Um psicanalista com quem me consultei, anos atrás, cobrava mais barato caso eu pagasse as sessões em dinheiro vivo, permitindo-lhe burlar a Receita Federal. Quando você pede um recibo para um taxista, no Rio de Janeiro, costuma ouvir como resposta: "Que valor quer que eu ponha?". O raciocínio do motorista é que, como uma empresa te reembolsará aquele valor, você pode supervalorizar a corrida e roubar uns R$ 10 ou R$ 20 do seu empregador. Em troca do "favor", claro, ele espera uma pequena porcentagem do desvio. As possibilidades de corrupção estão até nas situações mais prosaicas. Uma ida ao cinema, por exemplo. Todo cidadão brasileiro acredita que é seu direito inalienável furar a fila, caso encontre um amigo melhor posicionado. Você chega ao cinema, garante o lugar no fim da fila e diz ao seu par: "Peraí que eu vou ver se eu conheço alguém mais lá na frente". No Facebook e no Twitter, contudo, a culpa por todos os nossos males é do PT, do PSDB ou dos políticos, em geral.

Claro que houve avanços, nos 20 anos em que PSDB e PT estiveram no poder.

Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), do PSDB, acabou com a hiperinflação, valorizou a moeda, tirou a economia da UTI. Lula (2003-2011) e Dilma (2011 até hoje) aprofundaram, reformaram e criaram programas sociais que alçaram 50 milhões de pessoas da pobreza à classe média. Esses avanços, porém, se deram sem sanar os velhos problemas: alianças espúrias para se obter maioria no Legislativo, troca de favores, fisiologismo, corrupção.

São traços de um país que surgiu, 514 anos atrás, como uma despensa ultramarina de Portugal, onde homens vinham ganhar dinheiro longe da lei, da cruz e das mulheres: primeiro, extraindo pau-brasil, (árvore cuja seiva vermelha era usada para tingir tecidos e que emprestou o nome ao nosso país), depois plantando cana de açúcar, traficando escravos, garimpando ouro e pedras preciosas.

Muito da inconsequência e do imediatismo daqueles exploradores continua vivo entre nós.

Seria eu o único brasileiro livre desses traços? Evidente que não. Ano passado, comprei uma geladeira. Na loja, disseram que, além de entregar, poderiam instalá-la, por R$ 450. Achei caro, disse que eu mesmo a instalaria. Quando ela chegou, no entanto, percebi que não daria conta sequer de tirá-la da caixa, imagina só de fazer as conexões hidráulicas necessárias. O entregador deu uma tussidinha e propôs: "Amigão, se quiser, eu instalo agora, por R$ 100. Mas, assim... A loja não pode ficar sabendo...". "Claro", assenti. O tio Arthur ficaria orgulhoso, se soubesse.

Outro dia, olhando essa geladeira, compreendi que ela é um pouco a imagem do Brasil atual: moderna, potente, vistosa, na frente, mas funcionando somente graças às velhas conexões que insistimos em perpetuar, lá atrás. Pode ganhar Dilma ou Aécio, dia 26: ainda vai levar muito tempo para resolvermos os problemas que estão nas raízes do pau-brasil.

* Antonio Prata, escritor, também é colunista da Folha de S.Paulo. 

http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2014/10/so-corrupcao-alheia-incomoda-brasileiro.html

sábado, 3 de agosto de 2013

Não existe milagre!




Em seu artigo da semana, o professor Wanderley Guilherme dos Santos explica porque a luta contra a corrupção jamais irá adiante enquanto a humanidade continuar parindo pecadores. E enfatiza que o problema essencial da corrupção está nos corruptores.

Miguel do Rosário, O Cafezinho

Mudança de regras – quais?

Por Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político.

Os programas da bolsa-família, luz para todos e de apoio à agricultura familiar, entre outros, não exigiram modificações prévias na legislação eleitoral ou partidária. O mesmo se diga do “minha casa, minha vida” e de todos os demais implantados nos últimos dez anos. O substancial aumento do salário mínimo também ocorreu à distância das regras de formação de partidos e das cláusulas do código eleitoral. Não são estes os obstáculos reais à melhoria nos serviços públicos.

Tal como se propala mundo a fora, o mal estar de grandes segmentos da sociedade decorre da convicção de que as autoridades contratadas, via eleições, para administrar os recursos das comunidades, não estão oferecendo serviços à altura do acordado. Pior, estariam se apropriando ilegalmente de parte desses recursos públicos. Daí a suposição de que exista um conjunto de normas partidárias e eleitorais capaz de propiciar uma limpeza em regra nos costumes. Embora tal conjunto, se acaso existisse, não garanta tipo ou qualidade das políticas públicas que venham a instituir, alguns imaginam que pelo menos os recursos públicos não seriam mal administrados ou seqüestrados de forma pecaminosa.

Não conheço e sou cético quanto à existência de tão eficientes regras partidárias e eleitorais. Em todo caso, elas não se aplicariam ao outro lado das transações espúrias, isto é, aos corruptores. Talvez no futuro, mas não agora, as sociedades disponham de filtros aptos a só deixarem vir ao mundo cidadãos virtuosos. Nesse quesito, e por enquanto, é forçoso reconhecer que o Brasil hospeda sensacional taxa de corruptores, alguns operando por meios persuasivos, outros por assédios agressivos. Do jovem motoqueiro insinuando uma gorjeta ao policial que o multa por excesso de velocidade ao indignado cidadão que esbraveja contra as instituições políticas, mas, enquanto feliz proprietário de um estabelecimento comercial, oferece modesta propina para que o fiscal ignore as insatisfatórias condições de segurança de incêndio de seu negócio – são raríssimas as exceções à cultura prevalecente no Brasil, segundo a qual é quase sempre possível esconder uma ilegalidade promovendo outra. E não há talvez brasileiro que nunca tenha sido objeto de ameaçadora pressão corruptora por parte dos profissionais liberais – médicos, advogados, dentistas, analistas, etc. – a cujos serviços recorre com freqüência, deixando de cobrar-lhes recibos e tornando-se cúmplice de crimes fiscais. Pois, neste caso, são os corruptores e corruptos que se consideram iguais na demanda por ética na política, e até justificam a violência niilista de alguns grupos em passeatas intimidantes pelas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades.

Se o conteúdo material das políticas de governo praticamente nada deve às regras eleitorais e partidárias, e se a taxa de corrupção na arena pública depende, em primeiro lugar, da taxa de corruptores privados, há motivo para duvidar de que a enorme balbúrdia em que se encontra a vida social e política do país, no momento, venha a resultar em ganhos civilizatórios universalmente aceitos. Enquanto isso, o mundo da matéria, da economia e da sobrevivência marcha inexoravelmente, ainda quando as bússolas dos passageiros se encontrem em adiantado estado de desorientação. O cotidiano nacional se alimenta de opiniões volúveis e de ideologias desesperançadas. Mas em breve se há de fazer um levantamento de estoque e o registro dos restos a pagar.”

quinta-feira, 17 de novembro de 2011