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sexta-feira, 6 de março de 2015

Planos de saúde: Eduardo Cunha barra CPI depois de receber da Bradesco Saúde





Vergonhosamente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), vetou a constituição da CPI dos Planos de Saúde.

Em apenas um dia, o deputado Ivan Valente (PSOL/SP) coletou 201 assinaturas de parlamentares pedindo a CPI para investigar as irregularidades e abusos praticados pelos planos de saúde — que transformaram a saúde em mercadoria.

A alegação do presidente foi que a CPI não tem foco.

Ou seja, ele desprezou a quantidade enorme de queixas nos Procons, com mais de 80% dos casos revelando ilícitos contratuais das operadoras.

Desprezou ainda as práticas abusivas cometidas pelas empresas contra médicos e demais trabalhadores da saúde, além de outras dezenas de reclamações sobre procedimentos, baixa remuneração, aumentos abusivos acima da inflação, violação de autonomia legal dos profissionais de saúde para obter mais lucros com menos serviços e adiamento indeterminado dos processos — que na Justiça os consumidores ganham em 88% dos casos.

Num universo de pelo menos 50 milhões de cidadãos prejudicados por esta conduta, Eduardo Cunha diz que a CPI não tem foco.

Os motivos de Eduardo Cunha, na verdade, são outros.

Ele precisa explicar porque, como relator da Medida Provisória 627, fez uma emenda anistiando multas dos planos de saúde em 2 bilhões de reais.

Ou seja, de cada mil multas, as empresas pagariam apenas vinte. Que beleza para os comerciantes da saúde! Dilma acabou vetando o dispositivo.

Agora, na prestação de contas ao TSE, o deputado Eduardo Cunha declarou ter recebido 250 mil reais da Bradesco Saúde. E o Código de Ética Parlamentar é bem claro no seu Artigo 5º: “Atenta contra o decoro relatar matéria de interesse específico de pessoa que tenha contribuído para campanha eleitoral”.

Vamos entrar com mandado de segurança no STF contra essa medida arbitrária e interesseira do presidente da Câmara, com base em voto já exarado pela Ministra Rosa Weber sobre os pedidos de CPI que diz “preenchidos os requisitos para a instauração da CPI, o seu conteúdo, no que diz respeito ao fato determinado apontado pela minoria parlamentar, não está à disposição da maioria, tampouco das Mesas das Casas Legislativas e de seus Presidentes”.

Não vamos admitir a manobra de Eduardo Cunha e usaremos todos os meios disponíveis para instalar a CPI e desmoralizar presidentes que não tem moral para ocupar cargos de mando no legislativo brasileiro.

Do Facebook de Ivan Valente
No Viomundo

sábado, 9 de agosto de 2014

Opinião abalizada



Parece ingenuidade, mas é apenas estupefação.

Como pode a maior emissora do País, os maiores jornais em circulação e a revista semanal mais vendida se unirem para vender aos seus leitores e espectadores a ideia de que houve um escândalo, um crime vergonhoso, na CPI da Petrobras, apenas por que alguns dos depoentes receberam algumas das perguntas que seriam feitas por alguns dos parlamentares?

O que há de ilegal, imoral ou ao menos ilógico nisso? Qual o problema se um diretor da empresa foi treinado por assessores ou técnicos sobre como responder às prováveis perguntas que lhe seriam feitas? O que se espera de um aliado além de apoio e aliança? Alguém impediu que alguma pergunta terrível fosse feita? Algum representante da oposição teve sua palavra cassada?

Os jornalistas da grande imprensa perderam completamente o senso de ridículo, além da remota honestidade? Vocês não tem o mínimo de vergonha na cara? Por que os senhores ainda não foram à merda?

Ah, é. Porque o PT e o Lula e a Dilma não bancaram a regulamentação da mídia, porque eles se acovardaram, preferiram lamber as botas dos tubarões e são uns bostas que impedem que o Brasil puna abusos e mentiras de sua imprensa marrom, ideologizada e mesquinha (diferentemente dos EUA, Inglaterra, França e muitos países ditos desenvolvidos que criaram mecanismos democráticos e juridicamente perfeitos para proteger o cidadão e a democracia).

Mas sabe o que é pior, insuportável? Ver amigos supostamente inteligentes consumindo esse estrume que acham ser informação e vomitando o mesmo esterco pela boca, achando que se trata de uma opinião.

Quer saber? Já que é assim, vou-me embora pra Passárgada. Lá, sou amigo do Rei.
no: http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/08/opiniao-abalizada.html

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Artigos mostram contradições da mídia no caso Cachoeira



Vem em muito boa hora o artigo do jornalista Pedro Rogério Couto Moreira que faz reflexões sobre o poder da imprensa e a responsabilidade dos jornalistas. Luís Nassif e Mino Carta também tratam do poder da imprensa e da campanha contra o relatório final da CPI do Cachoeira.
No Observatório da Imprensa, Pedro Rogério – profissional experiente e com passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do país – aborda diretamente as ligações do jornalismo com o esquema Cachoeira.
Ele cita o caso do jornalista Policarpo Júnior, da Veja, que se recusa a “esclarecer o motivo de ter sido escolhido por Cachoeira, um dos atuais Mariscot, para ser o depositário das bombásticas informações do fora da lei”. Policarpo é um dos investigados pela CPI do Cachoeira.
“Não entendo o motivo da enxurrada de artigos de proteção ao jornalista alçado ao posto, quiçá não almejado, de queridinho do fora da lei”, acrescenta Pedro Rogério.
“Ora, o que se quer saber é muito simples: por que o Cachoeira escolheu o jornalista de Veja, e não outros bambambãs de O Globo, da Folha, do Estadão, da TV Globo, do Correio Braziliense ou de qualquer outro veículo?”
Luís Nassif também trata da CPI e diz que o relatório final da comissão mostra um cenário mais perigoso do que o escândalo do The Sun – que se envolveu com baixos e médios escalões da polícia para atentar contra o direito à privacidade de cidadãos ingleses.
Nassif diz que a CPI revelou “ligações diretas entre jornalistas e o crime organizado”. Segundo ele, “o relatório mostra, com abundância de detalhes, como Policarpo era acionado para derrubar autoridades e servidores públicos que incomodassem Carlinhos Cachoeira, atacar concorrentes do marginal e como encomendava dossiês a ele, muitos obtidos por métodos criminosos”.
E, em editorial na CartaCapital, Mino Carta critica "a tradicional ladainha" sobre o "assalto à liberdade de imprensa" feita pela grande mídia, para tentar abafar o caso Policarpo Júnior
“Situações similares em outros países provocaram a expulsão de jornalistas não somente de suas redações, mas também, e sobretudo, das próprias entidades da categoria. Por ter formulado acusações falsas, um diretor de redação italiano pagou recentemente pela culpa do seu jornal e foi condenado a alguns anos de reclusão. No Reino Unido, Rupert Murdoch teve de sair do país por ter praticado façanhas muito parecidas com aquelas cometidas pela Veja de Policarpo Jr”, afirma Mino.
No Blog do Zé

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Vídeo íntimo de Denise Leitão Rocha 'Furacão da CPI', é divulgado no congresso


 

A assessora jurídica do senador Ciro Nogueira (PP), Denise Leitão Rocha, que ficou famosa após ter suas fotos íntimas divulgadas na internet, e por causa disso está sendo considerada uma das musas da CPI do caso Cachoeira, é assessora especial e não precisa comprovar frequência no gabinete de Ciro Nogueira. Segundo informações disponíveis no Portal Transparência, no Diário Oficial e no ato de nomeação da advogada no Senado, Denise Rocha foi nomeada para o cargo de assistente parlamentar – AP-03 com salário de R$ 4.084,29 (Quatro mil, oitenta e quatro reais e vinte nove centavos) por indicação de senador Ciro Nogueira na data de 15 de fevereiro de 2011 e não precisa bater ponto, pois está incluída no regime especial de frequência.
A advogada e assessora do senador Ciro Nogueira (PP), Denise Rocha, tem chamado as atenções masculinas durante os trabalhos da CPMI do Cachoeira. A jovem, que possui um corpo escultural tem sido bastante assediada e até um suposto vídeo de sexo da jovem estaria rondando no Senado e agora caiu na internet.
Quer assistir ao vídeo?
[ATENÇÃO! CONTEÚDO, EXCLUSIVAMENTE, ADULTO. SE VOCÊ NÃO SE ENQUADRA NESTA CATEGORIA, FAVOR NÃO ACESSAR.] Então, está AQUI.
No Terra Brasilis

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Veja na CPI, por que não?



O Estado democrático não confere privilégios a ninguém. Não deveria. Digo isso a propósito dessa discussão sobre a eventual convocação do jornalista Policarpo Júnior à CPI do Cachoeira – e a depender das averiguações, do próprio Roberto Civita, o todo-poderoso da Editora Abril, a mão que balança o berço da revista Veja. Do meu ponto de vista, se houver, como há, claros indícios de participação da publicação nos propósitos criminosos de Carlinhos Cachoeira, não há atalhos possíveis para evitar a convocação de um deles, ou de ambos. O jornalista Luís Nassif tem insistido que se esqueça Policarpo Júnior porque o mandante de tudo é Roberto Civita.
É evidente que a discussão sobre o relacionamento dos jornalistas com a fonte não é simples. Lembro-me de um livro que li há muito tempo, de Yves Mamou, em que ele desenvolve a tese de que, longe de os jornalistas manipularem as fontes, são estas que os manipulam. É uma formulação que, em minha opinião, está muito próxima da verdade – ele trata no livro tanto do mundo dos negócios quanto do território da política.
Não há e não pode haver ingenuidade nessa relação, que é sempre um intercâmbio, uma troca. Há, sempre, um toma lá, dá cá – perigoso, tenso, delicado, sensível. E, nesse jogo, o jornalista pode esforçar-se para defender os interesses da sociedade, e não são todos que conseguem esse feito. Há aqueles que se submetem à fonte, aos interesses exclusivos da fonte, e aí, é claro, a notícia verdadeira, ou mais próxima da verdade, é sacrificada. E isso, como sabemos, não é raro.
Essa relação, nos dias de hoje, não pode ser pensada em termos individuais, como se o problema se circunscrevesse apenas à relação entre a fonte e o jornalista. Hoje, os jornalistas saem às ruas com a pauta pronta, com a ideia de provar uma hipótese elaborada na redação. São os editores que guiam os repórteres na sua relação com as fontes, mesmo que cada um tenha suas singularidades. Alguém pode imaginar um repórter de Veja cismando de pesquisar, aprofundar as denúncias contidas no livro do Amauri Júnior sobre as privatarias tucanas? Ora, ora, claro que não. A relação é mediada desde cima – a orientação editorial é que comanda a pauta e a relação fonte-jornalista, e o faz com mão de ferro, que ninguém se engane.
Dito isso, volto a nossa revista. Sabidamente, Veja se dedica, de modo militante, e sem nenhum escrúpulo, a combater o projeto político que o PT comanda no Brasil desde 2003. É uma revista filosófica e politicamente de direita – e nisso não haveria, em tese, nenhum mal. Bastava que fizesse isso observando algumas lições de manuais do jornalismo, que não chutasse tanto, não mentisse de modo tão desavergonhado, não fosse tão irresponsável e, agora podemos dizer, tão murdochiana. Sua visão tão sectariamente partidária – no amplo sentido da palavra, de ter um lado do qual não abre mão – faz com que mande às favas quaisquer escrúpulos e use quaisquer métodos, inclusive criminosos. O que fez Rupert Murdoch senão valer-se da arapongagem? E a Inglaterra soube reagir aos crimes daquele cidadão e suas empresas.
O que fez a revista nessa relação com sua fonte, Carlinhos Cachoeira? Poderia dizer que nos últimos anos tornou-se refém dela. Isso, no entanto, seria pouco. Veja terceirizou a pauta – é fácil perceber, pelo pouco que ainda sabemos, as muitas pautas que a fonte criminosa encomendou à revista, e foi prontamente atendida. Ou como a fonte atendeu a pedidos da revista para usar seus arapongas e construir matérias, verdadeiras ou falsas, muito mais falsas que verdadeiras. Pelas escutas divulgadas, a fonte comemorou tantas vezes o que Vejafazia, tudo previamente combinado. Muitas vezes comemorou com o senador Demóstenes Torres.
E é claro que Veja sabia quem era Carlinhos Cachoeira, a natureza de seus negócios, quem eram seus arapongas criminosos, quem era o senador Demóstenes Torres. Que justificativa há para tal, vá lá, conivência? Que justificativa há para tão íntima convivência? Que justificativa há para acobertar tantos crimes, inclusive contra o erário, que Veja, nos casos que seleciona, no mais das vezes sem critério, diz defender?
A CPI, instrumento que Veja sempre defendeu, é um instrumento do Estado de Direito. É um espaço democrático. Por que o medo da CPI? É só a revista se apresentar, se convocada, e provar que os mais de duzentos telefonemas trocados entre seu jornalista e Carlinhos Cachoeira atenderam aos critérios do bom jornalismo, aos interesses da sociedade. Ou não. E, se não, enfrentar as consequências. Simples assim.
Emiliano José, na revista Teoria e Debate
No ContrapontoPIG

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mídia tentou evitar CPI para poupar Perillo do que se vê



Quando Willian Bonner aparece na telinha lá pelas oito e meia da noite, durante o Jornal Nacional, fico prestando atenção em suas expressões faciais. Por mais que seja hábil em disfarçar o que pensa ao dar uma notícia, para mim ele é um livro aberto.
Contentamento e contrariedade, medo e arrogância, clareza ou dissimulação podem ser medidos se você sabe que aquela notícia que está sendo dada é verdadeira ou não ou se sabe qual é a posição de quem noticia este ou aquele assunto.
Analisando como se comportam as expressões de alguém conforme o que pensa sobre o que diz, você passa a conhecer a pessoa. Willian Bonner, para este blogueiro, é um livro aberto…
Exemplo: foi instrutivo ver o âncora do Jornal Nacional relatar a intervenção federal no Banco Cruzeiro do Sul sem citar que a instituição, ora acusada de fraude, pertence à família do ex-candidato a vice-presidente na chapa de José Serra em 2010, Índio da Costa.
Vi a expressão de Bonner quando mentiu – ou omitiu, o que dá no mesmo. Este é apenas um exemplo da técnica que uso para “conhecer” aqueles que precisam de vigilância. Com base nas expressões faciais em situações de mentira, omissão ou sinceridade, você aprende sobre a pessoa.
Nos últimos dias, as expressões desse e de outros âncoras de telejornais que diuturnamente tratam de tentar manipular o público, demonstram desalento. O que os desalenta é a CPI do Cachoeira, que já começa a chegar ao ponto em que a mídia e a oposição tanto temiam.
A mídia tentou impedir a abertura da CPI. Fez ameaças, previu que se voltaria contra o PT, esgrimiu com a tese absurda de que oposição não pode ser investigada por CPI porque esta é “instrumento da minoria”, o que, se fosse verdade, tornaria essa minoria inimputável.
Instalada a CPI, Globo, Folha, Veja, Estadão e assemelhados desandaram a decretar que terminaria “em pizza”, que haveria acordo entre tucanos e petistas porque os dois lados estariam igualmente envolvidos. E, supremo caradurismo, equiparou Agnelo Queiroz e Sergio Cabral a Marconi Perillo.
Colunistas do PIG como Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira e Ricardo Noblat chegaram a dizer que havia mais indícios contra Agnelo e Cabral do que contra Perillo, que, simultaneamente, diziam um inocente alvejado pelo “desejo de vingança” maligno de Lula.
O que se vê, agora, é muito diferente do que a media “previu”. Até o momento, a CPI não se voltou contra seus autores – que a mídia chegou a negar que eram os governistas, apesar da teoria da “vingança”. Pelo contrário, o que vai ficando claro é que o esquema Cachoeira era, essencialmente, demo-tucano.
Não foi preciso usar informações de fontes sobre a Operação Monte Carlo, apesar de existirem, para concluir que Carlos Cachoeira integrava a máquina denuncista da mídia contra Lula, PT e aliados. Para comprovar, basta analisar as informações que passava à revista Veja.
Durante os oito anos de Lula e o primeiro ano de Dilma, as denúncias de Cachoeira à Veja tiveram um só foco: o governo do PT e seus aliados. Ora, como é possível que estes integrassem o esquema do bicheiro se ele vivia fazendo denúncia contra governistas?
É tão simples, é tão lógico que chega a ser constrangedor ter que dizer isso. É um truísmo, uma platitude, de tão óbvio.
O que a lógica mostra, também, é que a mídia sabe muito menos sobre a Operação Monte Carlo do que insinua. Talvez menos do que blogueiros que vinham dizendo o que aconteceria, ou seja, que o desenrolar dos trabalhos faria com que recaíssem sobre a oposição.
Mas, também, sobre a mídia. Assim como havia informações de que as provas contra Perillo se amontoariam quando a CPI começasse a avançar, também se sabia o que em mais algum tempo ficará mais claro do que já está: Veja e Globo compactuaram com os crimes de Cachoeira em troca de informações que ele levantava contra o governismo.
E a cumplicidade cachoeiro-demo-tucano-midiática não para por aí. Em troca de informações contra o governo federal, contra o PT e seus aliados, alguns dos meios de comunicação acima citados publicavam matérias contra desafetos do esquema de Cachoeira.
Você leu neste e em outros blogs que Perillo iria entrar na roda, e entrou. Agora anote aí, leitor: os próximos serão Gilmar Mendes, Veja e Globo. E contra Agnelo e Cabral não verá nada de relevante simplesmente porque estão do outro lado.
Não se diz, aqui, que o governador de Brasília ou o do Rio de Janeiro são santos. Podem – eu disse, apenas, que podem – ser até dois gangsters, mas no esquema Cachoeira não surgirá nada contra eles. Simplesmente porque o bicheiro trabalhava para a oposição midiática.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Se vão igualar Agnelo e Cabral a Perillo, faltam Serra e Kassab




A mídia demo-tucana é viva, há que reconhecer. Está tendo algum sucesso em confundir o público para livrar a cara dos dois principais envolvidos no esquema de Carlinhos Cachoeira: a revista Veja e o governador Marconi Perillo. Globo, Folha, Estadão, Veja e certa “esquerda” vão minando a credibilidade da CPI do Cachoeira com bobagens:
1)      Dizem que estaria sendo “a mais demorada da história” – a investigação começou não faz nem um mês –, como se rapidez fosse sinônimo de apuração séria e apesar de a Comissão ter prazo de 180 dias para funcionar, os quais podem ser prorrogados por mais 180.
2)      Dizem que a CPI está virando “pizza” porque não vai – ou não ia – igualar os governadores Agnelo Queiroz e Sergio Cabral a Marconi Perillo, como se houvesse contra estes um milésimo do que há contra o governador goiano.
3)      Estão popularizando como bordão a frase estúpida do SMS do petista Cândido Vaccarezza de tal forma que até petistas desandaram a repeti-la a cada 30 segundos, ajudando a nivelar Perillo a Agnelo e Cabral.  Veremos essa frase na mídia durante anos, por conta disso.
4)      Agora, a Folha de São Paulo pegou pra Cristo uma assessora de gabinete do presidente da CPI, Vital do Rego, para estigmatizar ainda mais a CPI, o que mostra que a mídia está em busca de elementos contra os investigadores em vez de se interessar pelos verdadeiros investigados.
Tudo isso é pressão, é para não haver convocação da Veja e para deixarem Marconi Perillo em paz. Sem a revista e o governador tucano, a CPI desaba e a mídia sai do processo revigorada, discursando contra quem dirá que quis “ameaçar a imprensa livre”.
Com seu principal governador e o presidente da CPI no olho do furacão, espanta que o PMDB não reaja. Claro que parcela relevante do partido é tucana, mas a maioria não é, tanto que aprovou a aliança com o PT. A mídia, no entanto, está triturando o PMDB e este reluta em reagir.
Vai aqui, então, uma ajudinha à CPI para não se deixar trucidar pela mídia e pela ingenuidade de certa militância dita “de esquerda”.
Se querem igualar Agnelo e Cabral a Perillo apesar de só haver uma ou duas menções inconclusivas contra o primeiro nas escutas da Polícia Federal e de não haver uma mísera menção a Cabral, por que o ex-governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab estão de fora do rol de convocações de aliados do governo federal que a mídia e a oposição exigem?
Vamos refrescar algumas memórias.  A CPI do Cachoeira já teve  acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho do ano passado e janeiro deste ano. As escutas mostram que a construtora Delta foi favorecida por José Serra durante seu mandato de governador e pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Por exemplo: em janeiro último, Carlinhos Cachoeira telefona para o diretor da Delta Cláudio Abreu e pergunta se ele teria conversado com o então dono da empreiteira, Fernando Cavendish, sobre “O negócio do Kassab”. Em seguida, diz que o prefeito de São Paulo “triplicou o contrato”. Esse fato é de amplo conhecimento dos membros da CPI e do Ministério Público de São Paulo.
Veja, leitor, os diálogos que fizeram o Ministério Público paulista abrir inquérito e que estão sob escrutínio da CPI

A Delta começou a atuar em São Paulo em 2005, quando Serra assumiu o comando do município. Naquele momento, os contratos com o governo paulistano somavam R$ 11 milhões. Em 2006, quando Serra deixou a prefeitura e se elegeu governador, os negócios se multiplicaram sem licitação. Em 2010, os R$ 11 milhões já tinham virado R$ 36,4 milhões. Entre 2008 e 2011, a Delta abocanhou R$ 167 milhões em São Paulo.
A CPI e o Ministério Público de São Paulo, porém, estão atentando muito mais para o fato de a Delta ter vencido, ano passado, uma concorrência para limpeza urbana em São Paulo no valor de R$ 1,1 bilhão. O MP abriu inquérito, inclusive, devido à existência de documentos falsos e de um edital aparentemente dirigido.
Se a Delta cometeu essas irregularidades em outros Estados e municípios, precisamos apurar se isso ocorreu também em São Paulo”, diz o promotor Silvio Marques, do Patrimônio Público.
Há muito mais contra Serra e Kassab do que contra Agnelo e Cabral. Por exemplo: em conversa gravada com autorização judicial em agosto do ano passado, um homem identificado como “Jorge” pergunta a Gleyb Ferreira, membro da quadrilha de Cachoeira, se o edital de uma licitação em São Paulo “evoluiu”.
A quadrilha disse que aguardava “Estar com o edital” naquele dia “à tarde” e que Cachoeira queria que os comparsas conversassem com o Heraldo Puccini Neto, representante da Delta na região Sudeste, pois estava conseguindo “Uma prorrogação com o secretário”.
A Polícia Federal garante que o diálogo se refere a uma concorrência de R$ 1,1 bilhão com o governo de São Paulo e que foi vencida pela empresa ligada ao bicheiro.
A Delta também conseguiu negócios suspeitos com o governo do Estado de São Paulo, então sob administração de Serra. Durante o mandato do tucano, a construtora recebeu R$ 664 milhões do governo paulista. O valor corresponde a 83% de todos os 27 convênios firmados pela Delta com o Estado de São Paulo na última década.
A obra sobre a qual se concentram as suspeitas é a de ampliação da Marginal Tietê. Além de  atrasos e falta de compensação ambiental na obra, o valor pago à Delta aumentou 75% após ela ter vencido a licitação. Ou seja: a empreiteira venceu a licitação com preço mais baixo e depois fez um acerto com o governo do Estado para aumentá-lo.
O Ministério Público de São Paulo instaurou Inquérito para apurar a existência de irregularidades na licitação, superfaturamento e conluio entre agentes públicos do governo de São Paulo, mais especificamente por Delson José Amador e Paulo Vieira de Souza, este conhecido como Paulo Preto, que, durante a eleição de 2010, notabilizou-se como um dos arrecadadores de doações eleitorais a Serra.
Paulo Preto e Amador foram alvos da Operação Castelo da Areia, da Polícia Federal, por envolvimento com empreiteiras. Entre os envolvidos da Delta com a aparente negociata com o governo de São Paulo está o diretor da empreiteira para a região Sudeste, Heraldo Puccini Neto, que está foragido após ter a prisão preventiva decretada.
Na disso, porém, saiu em qualquer outro veículo da grande imprensa. Não passa um dia sem que Globo, Folha de São Paulo, Estadão ou Veja equiparem supostas evidências contra Agnelo Queiroz e Sergio Cabral à montanha de evidências que pesa contra Marconi Perillo, mas Serra e Kassab jamais são mencionados.
Aliás, para não ser injusto, há que reconhecer que nem os militantes ditos “de esquerda” que se dizem preocupados com a “blindagem” de Cabral e com o SMS do Vaccarezza têm cobrado que Serra e Kassab sejam nivelados a Perillo como está ocorrendo com os governadores de Brasília e do Rio de Janeiro.
Não ponho a mão no fogo por nenhum desses aí. A Delta celebrou contratos com 21 Estados, com uma imensidão de municípios e até com o governo federal. Apoiarei, portanto, uma CPI da Delta. Acho até necessária. Agora, transformar a CPI do Cachoeira em CPI da Delta ou do SMS do Vaccarezza, é inaceitável. Mas se querem mesmo fazer isso, então vamos chamar todo mundo para depor, desde que esse “todo mundo” envolva Serra e Kassab.
Todavia, essa será a melhor forma de ajudar Veja e Perillo, contra os quais pesam elementos muito mais graves no âmbito das Operações Vegas e Monte Carlo. Para investigar seriamente o esquema Cachoeira, o correto seria focar nos principais envolvidos e deixar os contratos da Delta com todas essas administrações municipais, estaduais e federal para outra investigação.
A recomendação deste blog à parcela da CPMI do Cachoeira que quer apurar alguma coisa, portanto, é a de que comece a cobrar que Serra e Kassab figurem nas cobranças midiáticas que são feitas pelo nivelamento de Cabral e Agnelo a Perillo. É uma afronta a mídia e a oposição esconderem os envolvimentos desses dois com Cachoeira.

sábado, 5 de maio de 2012

Silêncio gritante: na cobertura da CPI mídia não fala de suas ligações com crime organizado



Odair Cunha e Vital do Rego 
recebem documentos da PF
Há um assunto que ronda a CPI do Congresso sobre Carlinhos Cachoeira que praticamente não aparece na mídia tradicional, embora esteja bombando nas redes sociais: as trocas de informações e favores entre o grupo do empresário e veículos de imprensa, com destaque para a revista VEJA. A cortina de silêncio que a mídia mantém sobre o assunto é quebrada raramente.
TV Record foi uma exceção quando tratou do tema de forma explícita, o que já destacamos aqui no blog (veja o programa). AFolha de S.Paulo intercalava longos silêncio com, vez ou outra, um registro do escândalo e das relações deste com a mídia. Ontem e hoje, ela trata diretamente do tema.
Antes a Folha reproduziu trechos de declarações do deputado Paulo Teixeira (SP), ex-líder do PT e membro da CPI, em que ele afirma que jornalistas cooptados pelo esquema Cachoeira deveriam ser ouvidos.
Em sua edição de hoje, o mesmo jornal publica entrevista que lhe foi concedida - e ao portal UOL - na qual o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirma que não há tema proibido a ser investigado pela comissão e que "se houve cooptação e corrupção de alguns atores da mídia, isso deve ser investigado".
Condutas que serviram ao crime organizado têm de ser investigadas
O relator deixa claro a observância de critérios e os cuidados da CPI neste caso, quando afirma àFolha/UOL: "É preciso individualizar condutas. Quer seja entre alguns membros da imprensa, membros do empresariado brasileiro, membros do Congresso Nacional, agentes de governos municipais e estaduais e agentes do governo federal. Essas condutas que, individualizadas, serviram à organização criminosa, têm que ser investigadas por nós."
A gravidade da situação, observem, vem do lugar institucional que a imprensa ocupa na democracia. Não é à toa que a Constituição brasileira protege, por exemplo, o sigilo da fonte dos jornalistas. Isso ocorre porque à imprensa cabe o papel de informar a população sobre o que acontece.
Ela não têm, porém, o direito de utilizar o espaço público e institucional que lhe é garantido por lei para defender interesses escusos, sejam dos proprietários e sócios dos veículos, sejam de grupos criminosos. Sua obrigação é informar da forma mais ampla e isenta possível.
Mídia não pode considerar-se acima e fora da lei
Há veículos de comunicação que gostam de confundir liberdade de imprensa com liberdade de empresa e de transformar essa mesma liberdade no direito de alguns poucos proprietários de veículos e de seus jornalistas mais próximos de fazerem o que bem entendem.
No Brasil existe a mais ampla liberdade de expressão e nós a defendemos. Inclusive, com a perda de vidas de valorosos combatentes como aparece agora no livro Memórias de uma Guerra Suja (leia a nota). Durante toda a minha vida tenho me dedicado à defesa da liberdade de expressão e, portanto, da liberdade de imprensa, que é filha daquela.
Mas esta liberdade não dá à imprensa salvo conduto para publicar mentiras sobre quem quer que seja e muito menos para agir em conluio com o crime, ou para praticar atividades ilegais. Numa democracia de verdade, ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo a mídia, por mais poderosa que seja, por mais imune que se imagine.
Inquérito da PF mostra troca de informações
Concordo portanto com os deputados Paulo Teixeira e Odair Cunha quando destacam que o assunto tem que ser investigado - um tema a ser analisado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Entre o material já divulgado, principalmente, pelos blogs independentes de veículos de comunicação - e que estão dando de 10 a zero na mídia tradicional - cita-se claramente a troca de informações entre o pessoal do Carlos Cachoeira e reportagem favorável aos jogos eletrônicos no Correio Braziliense, que consta também do relatório do delegado responsável pelo inquérito.
As escutas da Polícia Federal (PF) contabilizam um grande número de telefonemas entre a chefia da  sucursal da revista Veja em Brasília e a turma de Cachoeira. Há indícios de que a revista teria negociado a publicação de material de interesse do bicheiro em troca de informações. Quais reportagens ou informações publicadas foram fruto desses acordos?
A CPI definiu os trabalhos e depoentes no seu primeiro mês de existência. O depoimento de Carlinhos Cachoeira está marcado para o próximo dia 15. Os parlamentares da Comissão precisam levantar essa questão da troca de informações e interesses entre  a imprensa e as atividades criminosas.
Tem que seguir o exemplo da Grã-Bretanha, país com leis e regulamentação própria sobre a imprensa. Ali, a partir do caso das escutas clandestinas do jornal News of The World, de Rupert Murdoch, a comissão nacional de auto regulação foi desmoralizada e agora se trabalha para uma revisão na legislação.
Foto: José Cruz/ABr
No Blog do Zé

A crise moral da notícia



Imagine-se um gestor público entregue ao superfaturamento, à licitação direcionada e ao pagamento de serviços mal feitos. Este é o tipo de prevaricação que, normalmente, o cidadão comum entende como “roubar do Estado”. Em torno disso costuma girar o foco denunciativo da imprensa, ampliado por um tráfico de influências ao qual não escapam autoridades dos três poderes constituídos da República. É tal a proliferação dos escândalos e a amplitude do apodrecimento moral que se torna cada vez mais difícil para o leitor não especializado o acompanhamento racional dos casos, assim como o discernimento do que está em jogo nas denúncias.
A questão do discernimento é propriamente ética e, em última análise, um dos fundamentos da imprensa moderna. Em meio à crise do momento, ela aparece com mais clareza quando se toma conhecimento de que um órgão de imprensa (no caso, a revista Veja) foi manipulado no passado recente pelo bicheiro situado no centro da atual CPI, com o objetivo de detonar denúncias capazes de afetar grupos rivais (casos da propina dos Correios, da Operação Satiagraha etc.).
Diante de parcerias dessa natureza, a que se agregam declarada ou sub-repticiamente partidos políticos e autoridades constituídas, perdem-se as balizas éticas que deveriam nortear os comportamentos e as atitudes morais dos agentes sociais.

Mercado no comando

Na realidade, o fenômeno da perda dessas “balizas” tem origem na própria normalidade política do atual regime republicano, contaminada por uma espécie de “herança maldita” do regime militar, que é o excesso de centralização administrativa por parte da União. Os escândalos decorrem da impossibilidade de se abafar a podridão moral inerente às escaramuças em torno da tomada de decisões políticas e da apropriação privada de recursos públicos.
Tudo isso se agrava com a impunidade sistemática, alimentada pelo corporativismo parlamentar e pelo oportunismo judiciário. E com esse quadro institucional, um pano de fundo de carência ético-política, as “profecias autorrealizadoras” da mídia podem se tornar fatos sociais.
O que significa uma “profecia” dessas? Em termos concisos, é a dimensão reflexiva – no sentido de praticar e receber a ação ao mesmo tempo – dos textos informativos. O discurso midiático não é meramente informativo, mas também autoconfirmativo, o que leva à hipótese de uma circularidade: a representação dos fatos, por mais veraz que seja, põe em jogo crenças ou pressupostos tendentes a validar essa mesma veracidade.
Não é nenhuma novidade a hipótese de que a atividade de produzir enunciados informativos na esfera pública (o jornalismo) modifica o objeto da informação, ou seja, o fato. O discurso da informação é, em consequência, operativo e performativo, ocasionando uma circularidade: a enunciação fazo que o enunciado diz. Neste caso, verifica-se a profecia autorrealizadora, ou seja, uma suposição ou predição que, só pela única razão de ter sido feita, converte em realidade o fato suposto, esperado ou profetizado e, desta maneira, confirma a sua própria “objetividade”.
Em nosso jornalismo cotidiano, escrito e televisivo, esse mecanismo atua na própria definição do que seja uma questão pública ou na implementação de uma opinião dominante. Claro, há sempre meios de se fazer confrontarem os enunciados jornalísticos com a sucessão histórica dos fatos sociais, mas isso depende de um espaço público capaz de favorecer o contraditório por meio de debates ou da disseminação de opiniões conflitantes.
Quando é o caso, aparece na própria imprensa – na fissura das contradições entre a factualidade do noticiário cotidiano e a opinião de editorialistas e colunistas – a verdadeira razão, ou pelo menos a razão consensual de um fato. Mas isso acontece com o jornalismo investido de responsabilidade publicística e não apenas mercadológica, o que se torna cada vez mais raro com o controle da informação pelo mercado e sua quase coincidência com o tecido orgânico da própria sociedade, por efeito da internet.

Denuncismo cego

Ora, na medida em que a imprensa agiganta o seu poder como ator social, tornando-se “mídia” (uma forma de vida articulada com mercado e tecnologias da informação) num contexto de esvaziamento do liberalismo clássico, vai-se ampliando tecnologicamente o espaço público tradicional, mas se tornando caducas as exigências comunitárias quanto ao exercício de uma ética civil. A comunidadeé sustentada pelo pressuposto de um compromisso “moral”, entendido como aspiração original e civilizada.
Hoje se informa quase como se respira, o que elimina da função informacional a pausa reflexiva que leva ao discernimento ético. Este discernimento é imprescindível à estabilidade do corpo social. Pressupondo sempre uma “sociedade de seres morais”, a ética toma como sua questão própria o relacionamento entre consciência moral e sociedade. Ela é, portanto, sempre algo concreto, posto em relação com a comunidade, entendida como o locus da reciprocidade entre os atores da vida social.
A proposta histórica do jornalismo é afinar-se eticamente (logo, com virtudes públicas) com a causa da verdade ou com ideais coletivos, tais como a visibilidade das decisões de Estado, o estabelecimento da verdade sobre questões essenciais para a coletividade, a informação isenta sobre a vida cotidiana, a livre manifestação de pensamento etc. É isto precisamente o que Immanuel Kant (1724-1804) chamava de “publicidade” e que conviria hoje melhor designarmos como “publicismo”: a possibilidade de discernimento ético-político sobre a história presente.
Mas é precisamente isso o que deixa de existir quando a imprensa, tornada parceira do fato social, chafurda no lodaçal que está sempre à margem do terreno mais sólido desse mesmo fato. O índice mais evidente desse descaminho é o denuncismo cego, que não visa à saúde da coisa pública, mas ao aniquilamento dos interesses rivais. O exagero da “profecia autorrealizadora” é a autodesmoralização da imprensa livre. E o mais grave: é a obnubilação da consciência moral do público leitor.
Muniz Sodré, jornalista, escritor e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro
No Observatório da Imprensa

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sem a Delta, mídia e oposição ficam no escuro



Essa tentativa da Globo e suas coirmãs de colocar a Delta como foco principal da CPI do Cachoeira é primária e, agora, inútil. A intenção é botar o PAC na dança e intimidar o governo federal e o PT, de modo a não se investigar o que realmente interessa: as relações do bicheiro com a mídia, notadamente, com a Veja. A repórter Conceição Lemes, do site “Viomundo”, deLuiz Carlos Azenha, revelou que as gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, em São Paulo, fizeram contratos de 1 bilhão de reais com a Delta. Logo, essa tentativa de colar a empreiteira com o governo federal só vai dar certo se a bancada governista na CPI, que é maioria, tiver um acesso coletivo de demência e paralisia moral.
A velha mídia fez um acordão para silenciar as ligações de Cachoeira com a Veja, como se não existisse internet, blogs e as redes sociais. É ridículo e inacreditável esse descolamento da realidade. No futuro, será um dos estudos de caso mais interessantes sobre a história do jornalismo no Brasil. Sem a Delta, a mídia perde, também, a capacidade de fazer pressão sobre o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. Ainda mais depois que se descobriu a dinheirama colocada pelos tucanos na empreiteira nos governos Alckmin e Serra.
Digo mais: se o país perder essa chance de sanear esse esgoto midiático e golpista que nos transformou numa sociedade iletrada e ignorante, o futuro irá nos escorrer pelos dedos, talvez, para nunca mais.
Leandro Fortes
No CartaCapital

sábado, 28 de abril de 2012

#VejaGolpista - Mídia tenta abortar CPI da mídia


Mídia tenta abortar CPI da mídia


Há uma intensa movimentação dos monopólios midiáticos para evitar que a CPI do Cachoeira apure também as relações do crime organizado com setores da imprensa. A Operação Monte Carlo da PF já confirmou a existência desta promíscua relação – só entre o editor daVeja, Policarpo Jr., e o mafioso Carlinhos Cachoeira, foram mais de 200 telefonemas, além de jantares sinistros. Neles muita coisa deve ter sido tramada para interferir nos rumos políticos do país e para beneficiar alguns negócios “privados”.
Apesar de todos os indícios, a mídia quer evitar que a CPI investigue a mídia! E ela se articula neste sentido. Na semana passada, o executivo Fábio Barbosa, atual presidente do Grupo Abril, que edita a Veja, e ex-presidente da federação dos banqueiros, esteve em Brasília. Ele visitou várias “autoridades” da República. Nos bastidores, circulou o boato de que o seu único intento foi impedir que o “capo” do império midiático, Roberto Civita, seja convocado por parlamentares para depor na CPI.

Ameaças de retaliação


Segundo reportagem do sítio Brasil 247, outros dois barões da mídia também já entraram em campo, num “pacto” para abortar qualquer risco de investigação. “João Roberto Marinho, da Rede Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ)”.
Por coincidência, numa notinha da coluna Painel da Folha, a jornalista Vera Magalhães confirmou a trama. Intitulado “Vacina”, o texto revela: “O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”. Ou seja: os barões da mídia procuram “vacinas” para se proteger!

Editoriais e colunistas amedrontados


Uma leitura mais atenta dos editoriais e dos principais colunistas da chamada grande imprensa confirma o medo. Os mesmos que sempre vibraram com as CPIs, principalmente no governo Lula, agora falam que ela é “precipitada”, “revanchista”, “imprevisível”. Os mesmos que sempre bravatearam sobre o “jornalismo investigativo”, agora fazem de tudo para abortar qualquer investigação sobre as relações da mídia com o crime organizado. A CPI pode ser transformar num processo bastante educativo, elucidativo!
Altamiro Borges

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Globo, Abril e Folha se unem contra CPI da mídia



Principais grupos de comunicação fecham pacto de não agressão e transmitem ao Planalto a mensagem de que pretendem retaliar o governo se houver qualquer convocação de jornalistas ou de empresários do setor; porta-voz do grupo na comissão é o deputado Miro Teixeira; na Inglaterra, um país livre, o magnata Rupert Murdoch depôs ontem

Há exatamente uma semana, o 247 revelou com exclusividade que o executivo Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e ex-presidente da Febraban, foi a Brasília com uma missão: impedir a convocação do chefe Roberto Civita pela CPI sobre as atividades de Carlos Cachoeira. Jeitoso e muito querido em Brasília, Barbosa foi bem-sucedido, até agora. Dos mais de 170 requerimentos já apresentados, não constam o nome de Civita nem do jornalista Policarpo Júnior, ponto de ligação entre a revista Veja e o contraventor Carlos Cachoeira. O silêncio do PT em relação ao tema também impressiona.
Surgem, aos poucos, novas informações sobre o engavetamento da chamada “CPI da Veja” ou “CPI da mídia”. João Roberto Marinho, da Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).
Na edição de hoje da Folha, há até uma nota emblemática na coluna Painel, da jornalista Vera Magalhães. Chama-se “Vacina” e diz o que segue abaixo:
“O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas. O PT tenta levar parte da mídia para o foco da investigação”.
O argumento de Miro Teixeira é o de que jornalistas não poderão ser forçados a quebrar o sigilo da fonte, uma garantia constitucional. Ocorre que este sigilo já foi quebrado pelas investigações da Polícia Federal, que revelaram mais de 200 ligações entre Policarpo Júnior e Carlos Cachoeira. Além disso, vários países discutem se o sigilo da fonte pode ser usado como biombo para a proteção de crimes, como a realização de grampos ilegais.

Inglaterra, um país livre

Pessoas que acompanham o caso de perto estão convencidas de que Civita e Policarpo só serão convocados se algum veículo da mídia tradicional decidir publicar detalhes do relacionamento entre Veja e Cachoeira. Avalia-se, nos grandes veículos, que a chamada blogosfera ainda não tem força suficiente para mover a opinião pública e pressionar os parlamentares. Talvez seja verdade, mas, dias atrás, a hashtag #vejabandida se tornou o assunto mais comentado do Twitter no mundo.
Um indício do pacto de não agressão diz respeito à forma como veículos tradicionais de comunicação noticiaram nesta manhã o depoimento de Rupert Murdoch, no parlamento inglês. Sim, Murdoch foi forçado a depor numa CPI na Inglaterra – não na Venezuela – para se explicar sobre a prática de grampos ilegais publicados pelo jornal News of the World. Nenhum jornalista, nem mesmo funcionário de Murdoch, levantou argumentos de um possível cerceamento à liberdade de expressão. Afinal, como todos sabem, a Inglaterra é um país livre.
O Brasil se vê hoje diante de uma encruzilhada: ou opta pela liberdade ou se submete ao coronelismo midiático.