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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assim se prepara uma nova Guerra Mundial



França, Grã-Bretanha e Alemanha, além dos EUA, ampliam intervenção no Oriente Médio; o alvo principal não é o EI, mas a Rússia


Por Joseph Kishore

Os eventos da semana passada passarão à história como divisor de águas na constituição do imperialismo no século XXI. No período de poucos dias, EUA, Grã-Bretanha e Alemanha ampliaram o respectivo envolvimento militar na Síria, depois que a França intensificou sua campanha de bombardeio no mês passado.

O pretexto para essas operações são os ataques terroristas de 13 de novembro em Paris, seguido agora pelo horrendo ataque a tiros em San Bernardino, Califórnia, na quarta-feira passada. As razões declaradas publicamente, contudo, pouco têm a ver com discussões estratégicas que estão acontecendo nos escalões superiores das forças militares e das agências de inteligência.

Por trágica que seja a matança de 130 pessoas em Paris e 14 em San Bernardino, não explicam a repentina convulsiva escalada militar das principais potências imperialistas contra o Oriente Médio. Não é difícil ver semelhanças e diferenças em relação a 1915, quando os EUA recusaram-se a entrar na Primeira Guerra Mundial, mesmo depois do afundamento do RMS Lusitania, com perda de 1.198 vidas. Naquele momento, a classe capitalista norte-americana ainda estava dividida sobre se seria aconselhável intervir na então chamada “Grande Guerra” (que só passou a ser chamada “Primeira Guerra Mundial” depois que houve a Segunda).

A força básica por trás da guerra na Síria é a mesma que motivou a formatação imperialista de todo o Oriente Médio: os interesses do capital financeiro internacional. As grandes potências imperialistas sabem que, se quiserem pôr a mão no butim, têm também de fazer sua parte da matança.

Esse movimento de guerra no Oriente Médio é altamente impopular, o que explica o frenesi para utilizar os ataques recentes na Europa, além da atmosfera de medo que a mídia-empresa cria e infla, para ativar as ações o mais rapidamente possível. Considerem-se os eventos da semana passada:

Na terça-feira, o governo Obama anunciou que enviaria novo contingente de Forças de Operações Especiais, oficialmente contra o EI (Estado Islâmico no Iraque e Levante). Em conferência de imprensa no mesmo dia, Obama repetiu que qualquer acordo na Síria terá de incluir a derrubada do presidente Assad da Síria, aliado chave da Rússia.

Na quarta-feira, o parlamento britânico aprovou apoio à ação militar na Síria, depois que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, desimpediu qualquer caminho rumo à guerra, ao aceitar “livre votação” sobre o tema para os deputados de seu partido. Aviões britânicos decolaram imediatamente para bombardear alguns alvos na Síria já na quarta-feira à noite, com o primeiro-ministro Cameron declarando “simpatizante de terroristas” quem se opusesse à guerra.

Na sexta-feira, o parlamento alemão correu a aprovar moção para que a Alemanha também se juntasse à guerra contra a Síria, praticamente sem nem discutir a questão. A aprovação parlamentar ao envolvimento da Alemanha na guerra veio depois da decisão do governo Merkel, no início da semana, de enviar 1.200 soldados, seis jatos Tornado e um navio de guerra para a região.

E então, durante o fim de semana, a mídia-empresa nos EUA e todos os políticos doestablishment dedicaram-se a explorar o tiroteio em San Bernardino, Califórnia, para pressionar a favor da expansão da guerra no Oriente Médio. Os candidatos republicanos à presidência dispararam “declarações” beligerantes insistindo que os EUA estariam diante da “próxima guerra mundial” (governador de New Jersey, Chris Christie); que “o país precisa de presidente para tempos de guerra” (senador Ted Cruz, do Texas), e que “eles declararam guerra contra nós e nós temos de declarar guerra contra eles” (ex-governador da Flórida, Jeb Bush).

Em discurso no domingo à noite, Obama defendeu, contra os críticos republicanos, a própria política na Síria; repetiu que se opõe ao envio massivo de soldados em solo para a área de Iraque e Síria, e que é a favor de acelerar os ataques aéreos; o financiamento para grupos dentro da Síria; e o uso de tropas de países vizinhos. Elogiou os movimentos de França, Alemanha e Reino Unido, e declarou: “Desde os ataques em Paris [dia 13/11], nossos mais próximos aliados (…) aceleraram a contribuição deles à nossa campanha militar, que nos ajudará a acelerar nossos esforços para destruir o EI”.

Por mais que pressionem e pressionem a favor de mais guerra, nem Obama nem qualquer outro setor do establishment político nos EUA diz sequer uma palavra sobre as raízes reais do ISIS, que já serviu de pretexto para a “guerra ao terror” a partir do qual começou, e nunca mais se alterou, a política externa dos EUA para 15 anos.

No discurso de domingo, Obama fez uma referência oblíqua ao crescimento do EI “em pleno caos da guerra do Iraque e depois na Síria” – como se nada tivesse a ver com a própria política dos EUA. A verdade é que EUA e aliados é que ocuparam (ilegalmente) e devastaram (consequentemente) o Iraque, e na sequência criaram e ou inflaram grupos de islamistas fundamentalistas na Síria, a partir dos quais o ISIS emergiu como cabeça de ponte da guerra contra o presidente Bashar al-Assad da Síria.

Os terroristas do EI que executaram os atentados em Paris puderam viajar livremente, entrando e saindo da Síria, porque milhares de jovens como eles viajavam da Europa para a Síria, livremente, e com o apoio de autoridades, para que se unissem ao golpe e à guerra contra Assad.

Quanto ao ataque em San Bernardino, funcionários citaram a viagem dos dois atiradores à Arábia Saudita e seus contatos com indivíduos da Frente Al-Nusra, para poderem referir-se ao tiroteio como ataque terrorista. A Arábia Saudita, centro de financiamento e apoio para os grupos fundamentalistas islamistas em todo o Oriente Médio, é aliada-chave dos EUA na região, e a Frente Al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda, é aliada de facto dos EUA na Síria.

Em vez de resposta contra os ataques recentes, as ações das potências imperialistas são a realização de planos já existentes e de ambições já conhecidas há muito tempo.

Na Grã-Bretanha, votação dessa semana reverteu a decisão de 2013, da Câmara de Comuns, segundo a qual o país não participaria de guerra planejada e liderada pelos EUA contra a Presidência da Síria. A elite governante alemã não para de “exigir” que o país participe mais ativamente do avanço militar na Síria, para afirmar a própria posição como potência dominante na Europa.

Nos EUA, antes dos ataques em San Bernardino, ouviam-se vozes insistentes do establishmentpolítico e da mídia-empresa a favor do envio de tropas de solo e da imposição de uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Com os EUA à frente, as potências imperialistas já se engajaram numa guerra infinita, centrada no Oriente Médio e Ásia Central, já há um quarto de século. Mais de um milhão de pessoas já foram mortas e outros muitos milhões foram convertidos em refugiados. Depois das guerras no Afeganistão e no Iraque durante o governo Bush, Obama supervisionou a guerra na Líbia e as campanhas conduzidas pela CIA para mudança de regime na Ucrânia e na Síria. As consequências desastrosas de cada operação prepararam o terreno para que o governo Obama expandisse e intensificasse a guerra.

O que se vê hoje é uma reformatação para recolonização do mundo. Todas as velhas potências levantam-se, exigindo a parte de cada uma no neobutim. Embora hoje centrado no Oriente Médio rico em petróleo, o conflito na Síria já se vai convertendo em “guerra por procuração” contra a Rússia. Do outro lado da massa de terra eurasiana, os EUA dedicam-se a ações cada vez mais provocativas contra a China no Mar do Sul da China.

A situação geopolítica é hoje mais explosiva que em qualquer outro momento anterior, desde as vésperas da Segunda Guerra Mundial. Acossada por crise econômica e social para a qual a classe das elites governantes não têm resposta progressista a oferecer, aquela classe das sempre mesmas elites cada vez mais recorre à guerra e ao saque, como a única resposta que conhecem para quaisquer das suas dificuldades.

(*) Artigo originalmente publicado em português pelo site Outras Palavras e, em inglês, peloWorld Socialist Web Site.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

OTAN convoca às armas



Por Manlio Dinucci, Il Manifesto - Tradução: Vila Vudu

O Conselho do Atlântico Norte reuniu-se em Bruxelas, reunião de urgência, dos ministros da Defesa, "num momento decisivo para nossa segurança". A OTAN está "fortemente preocupada ante a escalada da atividade militar russa na Síria", especialmente o fato de que "a Rússia não está lá para atacar o grupo Estado Islâmico (EI), mas para atacar a oposição síria e civis."

A OTAN não especifica qual a "oposição síria" que estaria sendo atacada pela Rússia. Dia 16 de setembro o Pentágono teve de admitir que conseguira treinar na Turquia, ao custo de 41 milhões de dólares, não mais de 60 combatentes cuidadosamente selecionados, os quais, contudo, no instante em que foram infiltrados na Síria sob a sigla "Novo Exército Sírio" foram "quase completamente varridos pelas forças da Frente al-Nustra".

A "oposição síria" que a OTAN tanto cuida de proteger é constituída dessa galáxia de grupos armados, a maioria dos quais são mercenários ex-combatentes de vários exércitos pelo mundo, pagos pela Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo, muitos dos quais passaram pelos campos de treinamento da CIA e das Forças Especiais dos EUA na Turquia.

A fronteira entre esses grupos e o EI é muito fluida, a ponto de frequentemente as armas entregues à "oposição" acabarem em mãos do grupo Estado Islâmico. O único objetivo que os une é o objetivo, que se harmoniza com a estratégia de EUA/OTAN, de derrubar o governo eleito de Damasco.

A acusação feita à Rússia, de que estaria atacando deliberadamente civis na Síria (mesmo que não se possa excluir a morte de civis nos ataques concentrados contra o Estado Islâmico) brotam de uma OTAN que em várias guerras é responsável por vários massacres de civis (dos quais o mais recente aconteceu em Kunduz no Afeganistão).


Basta recordar que, contra a Iugoslávia em 1999, a OTAN empregou 1.100 aviões que, durante 78 dias, fizeram 38 mil ataques, nos quais foram lançadas 23 mil bombas e míssies, que até hoje causam vítimas e mortos civis por causa do urânio baixo enriquecido e substâncias químicas liberadas das refinarias bombardeadas.

Na guerra contra a Líbia, em 2011, a aviação de EUA/OTAN realizou 10 mil ataques, com mais de 40 mil bombas e mísseis. E às vítimas desses bombardeios devem-se somar outras, ainda mais numerosas, do caos resultante da demolição do Estado líbio.

A OTAN que denuncia a penetração acidental de aviões russos no espaço aéreo turco, chamando-a de "violação do espaço aéreo da OTAN", nem assim consegue esconder o verdadeiro problema: o fracasso de seus próprios planos, que foi determinado pela decisão dos russos de realmente atacarem o grupo Estado Islâmico, que a Coalizão dos EUA (oficialmente, não é a OTAN quem promove a atual intervenção na Síria) finge que ataca, mas só seleciona alvos secundários.

Não se pode explicar de outro modo como colunas de centenas de caminhões e caminhonetes carregadas de mantimentos continuem a ser entregues da Turquia, diretamente para os centros controlados pelo Estado Islâmico (como o comprovam inúmeras imagens de satélite), nem como colunas de veículos militares do EI continuem a deslocar-se livremente, a descoberto.

Sobre esse cenário, os ministros do Exterior da OTAN, reunidos ontem em Bruxelas, anunciaram que o Plano "Prontidão para a Ação" [orig. Readiness Action Plan] será reforçado.

Depois de ativar em setembro seis "pequenos quartéis-generais" na Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia, destinados a uma integração mais estreita de forças, agora a OTAN decidiu abrir mais dois, na Hungria e na Eslováquia, e "pre-posicionar material militar na Europa Oriental, para poder reforçar rapidamente, se necessário, os aliados orientais". Também ficou decidido reforçar a "força de resposta", aumentada com 40 mil homens.

O secretário-geral Stoltenberg fez, quanto a isso, anúncio importante: a Alemanha assumirá em 2019 o comando da "Força de ponta de alta rapidez operacional", a qual, como o demonstra o exercício Trident Juncture 2015, pode ser projetada em 48 horas "em qualquer local a qualquer momento". E a Grã-Bretanha "enviará mais tropas em rotação para os países Bálticos e para a Polônia para treinamentos e exercícios". O engajamento suplementar anunciado pela Alemanha e Grã-Bretanha na OTAN, por ordem dos EUA, confirma que as grandes potências europeias, que vez ou outra têm interesses específicos contrários aos dos EUA, rapidamente se enquadram, quando a hegemonia do 'ocidente' é ameaçada.

Os ministros da Defesa da OTAN anunciam "passos suplementares para reforçar a defesa coletiva", não só na direção oriental mas também para o sul. "Nossos comandantes militares" – comunica Stoltenberg – "confirmaram que temos o que é preciso para deslocar a Força de Resposta também para o sul".

A OTAN portanto está pronta para outras guerras no Oriente Médio e no Norte da África.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

'Ocidente' prepara-se para ataque militar direto à Síria

Sob disfarce de luta contra o ISIS...

 

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A chanceler alemã Merkel praticamente convocou uma avalanche de migrantes, quando declarou a Alemanha casa aberta edesconsiderou o acordo de Dublin sobre pedidos de asilos dentro da Europa. 
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Seguiu-se campanha de mídia sem precedentes, e milhares de migrantes sírios estão sendo pastoreados pela Europa por dúzias de jornalistas que registram cada passo deles, para exibir nos noticiários noturnos – incluídas 
fotos falsas (em alemão). Ninguém pergunta aos migrantes por que estão deixando a Turquia, onde muitos deles permaneciam já há vários meses ou anos, nem quem lhes forneceu dinheiro.

Já indaguei quais objetivos pode ter essa campanha de propaganda pela mídia. Agora parece bem claro que é parte da preparação do público europeu para guerra total contra a Síria, o governo e o povo sírio.


Editores do Guardian 
usam a crise inventada das legiões de migrantes para 'exigir' que 'algo' seja feito 'imediatamente. Muito ridiculamente nos fazem lembrar que a falsa campanha de implantação de uma "zona aérea de exclusão" sobre a Líbia terminou com o país destroçado e muito mais refugiados, e, isso, para 'exigir' que se faça o mesmo tipo de ataque mortal também, agora, contra a Síria. Vozes britânicas mais sãs recordam-nos de que a intromissão do 'ocidente' no Oriente Médio sempre é fonte, não solução, das atuais catástrofes.


Mas a BBC já está informando que o governo britânico está em
preparações para guerra contra a Síria, apesar de haver voto do Parlamento, já há algum tempo, contra esse tipo de ação:


Na próxima semana, os ministros começarão a argumentar a favor de ação militar britânica na Síria – com Downing Street ansiosa para dar "o passo seguinte" contra o chamado "Estado Islâmico – como entende a BBC.

A França, é claro, 
já embarcou na mesma canoa:

A crise de refugiados da Europa, largamente provocada por alto número de pessoas que fogem da guerra civil na Síria, o fracasso na tentativa de fazer retroceder o Estado Islâmico e crescente presença de russos na região pode provocar uma mudança de política, noticiou o Le Monde, que acrescentou que Hollande discutiu a questão com sua equipe de Defesa, em reunião na 6ª-feira.

A guerra contra a Síria será "liderada" pelos EUA e nada terá a ver com algum "Estado Islâmico". Os EUA 
deixaram que o Estado Islâmico prosperasse, numa  decision bem pensada. E sua campanha atual de bombas contra o Estado Islâmico e bem pouco ativa, para dizer o mínimo. Os EUA também estão impedindo que as milícias xiitas no Iraque ataquem o "Estado Islâmico" em Ramadi e Fallujah. O próximo ataque será contra o governo sírio e o povo sírio; o Estado Islâmico e a "crise dos refugiados" servirá, só, como conveniente pretexto.


Para inflar ainda mais a artificial urgência de bombardear imediatamente a Síria, imediatamente, já foi iniciada uma campanha para 
fazer crer que a Rússia estaria mandando jatos de combate e soldados para a Síria. Há até "notícias" de novos jatos russos chegando a Síria, embora nenhum deles tenha sido visto até agora. Uma movimentação normal de transporte de materiais para o exército sírio, feito por navios russos e que está em andamento, regularmente, já há alguns anos, foi noticiada como surpreendente novidade. Velhas fotos distribuídas pelas redes sociais, de soldados russos na Síria e até imagensadulteradas são repentinamente "descobertas" e apresentadascomo "provas" de algum intento nefando dos russos. Os russos já negaram qualquer movimentação de jatos de combate ou contingentes de soldados para a Síria.

Os russos também mantiveram conversações com figuras da oposição síria e com vários países vizinhos da Síria. Putin
apresentou um novo plano que incluiria Síria e Rússia numa campanha contra o "Estado Islâmico" e assim sabotaria os planos dos EUA para 'mudança de regime':


O presidente da Síria Bashar al-Assad concordou com eleições parlamentares antecipadas e com partilhar algum poder com seus adversários – concessão que pode facilitar uma coalizão internacional mais ampla contra o 'Estado Islâmico', disse o presidente russo Vladimir Putin. 


A Rússia consideraria participar da coalizão, e já discutiu discutiu o tema com o presidente dos EUA, da Turquia e do Egito, disse o presidente Putin a jornalistas em Vladivostok na 6ª-feira. A Rússia está trabalhando a favor de campanha mais ampla contra o 'Estado Islâmico' que incluiria forças do Exército Árabe Sírio – inclusão à qual se opõem EUA e UE.

Os EUA não distribuíram qualquer resposta oficial ao plano. Claro que faz perfeito sentido incluir o Exército Árabe Sírio e a Rússia, em qualquer medida real que se tome realmente contra o 'Estado Islâmico'. Ao anunciar o plano, a Rússia expõe a clara evidência de que os EUA não querem combater 'Estado Islâmico' algum; que estão, sempre, seguindo seus próprios planos para destruir a Síria.


Putin também negou quaisquer movimentos de tropas russas:

"Muito cedo" para falar de ação militar russa na Síria, mas "estamos considerando várias opções" – disse Putin. A Rússia está ativamente ajudando o governo Assad com armas e treinamento militar, disse o presidente russo.

Para mim, a parte "estamos considerando várias opções" da fala de Putin é cláusula de alerta. Mas não conto com a Rússia engajar-se plenamente na Síria. Muito corretamente, a Rússia teme outra "armadilha afegã" que os EUA estariam construindo. Mas pode haver outras opções acessíveis aos russos para blindar as defesas áreas da Síria ou, de algum outro modo, sabotar os planos de ataque dos EUA. Por enquanto, 
semear dúvidas e temores no planejamento dos EUA é boa via de ação.

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Sergey e Kerry
ATUALIZAÇÃO:
O Departamento de Estado acaba de distribuir o seguinte 
Resumo da Conversa do Secretário Kerry, que telefonou ao Ministro de Relações Exteriores Lavrov Lavrov:

"O Secretário telefonou ao Ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia, essa manhã, para discutirem a Síria, inclusive as preocupações dos EUA em torno de matérias que sugerem iminente ação militar russa ampliada naquele país. O Secretário fez ver ao ministro russo que, se essas matérias são acuradas, essas ações podem fazer escalar ainda mais o conflito, levar a perda de mais vidas inocentes, aumentar o fluxo de refugiados e do risco de confronto contra a Coalizão anti-ISIL que opera na Síria. 


Ambos concordaram com continuar as discussões sobre o conflito sírio em New York, no final do mês."

"Aumenta o risco de confronto contra a Coalizão anti-ISIL que opera na Síria". Aumenta mesmo. O que deixa nervosíssimos(as) muita gente na Casa Branca e no Pentágono. Tão nervosíssimos(as), que Kerry está oferecendo mais "discussões". ("Hey Sergey, você não está falando sério... Oh! Está?! Temos de conversar, por favor, por favor...") *****

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Agora, é a vez da Síria



 
Se a semelhança entre os cenários da devastadora mudança de regime no Iraque e na Líbia significa alguma coisa, o futuro da soberania de Bashar al-Assad na Síria pode estar por um fio. O xis da questão – lembro eu – é que mudar o regime na Síria é providência absolutamente central para todos os objetivos dos EUA no Oriente Médio. As coisas estão de tal modo interligadas, que vários objetivos estratégicos podem ser obtidos numa só cajadada, dentre os quais, e importante, diminuir muito a influência de Rússia e China na região. Não é oportunidade que Washington deixe passar...