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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Desonrem sua memória

eu não gosto de natal

mas isto não impede
que lhes deseje
que tenham um feliz
pobre cristo
que- dizem-
morreu por nós

em vão

homens gostam de poder
a natureza gosta dos poderosos

eu gosto de rir dos poderosos
de homens que vendem suas dignidades
esquecem seus sonhos
e se agarram em um deus
para salvá-los- de quê?

comam seus perus
empanturrem-se de farofa
lambuzem-se de doces

tudo para comemorar
 o suposto nascimento
de um homem pobre
que pregava despojamento
que fazia do ser
não do ter
o caminho a seguir

desonrem sua memória
ele vos perdoará

hipócritas...que somos.

by: interrogações

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Onde estão vossos deuses?

O dorso nu.
A pele negra
brilha sobre o
sol escaldante

Está acorrentado
ao tronco
o negro homem

O chicote sibila
no ar e rasga
a pele- dor lancinante!
Uma.... duas...trinta vezes...
O sangue escorre.
Vermelho,
como o meu
o seu
o do feitor
e o de seu dono.
Não soltou um ai.
O suor escorre
misturado ao sangue,
o corpo desfalecido
acorrentado ao tronco.
Onde estão vossos deuses?
Onde está vossa humanidade?
Mais no chicote que no tronco,
que acolhe o corpo torturado.
Precisamos aprender a ser troncos,
rijos e acolhedores.
É um longo caminho, pegajoso,
pelo sangue que brota
de corpos inocentes,
vítimas de homens e deuses
covardes e indecentes!
no Interrogações

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Poeminha desajeitado e machista


Eu preciso de um amor
que fale pouco,
cobre pouco,
gaste pouco,
não tenha TPM,
não venha com sogra,
não fique enjoada,
não tenha dor de cabeça,
não faça coleção de sapatos e bolsas,
e não viva às turras com a balança.
Ah, e que adore ter relação em vez de discutir a relação!
Já sei,
já estou indo...à merda!

by: interrogações

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O mais barulhento dos silêncios é o da omissão



Giordano Bruno
O mais barulhento dos silêncios
é o da omissão. Quando baixamos
a cabeça para os poderoso e dizemos:
Sim, senhor!!!
Déspostas, ditadores, tiranos, só
existem graças à covardia dos que,
empertigados pelo poder, os servem,
de cabeça erguida e espírito envergado,
de vergonha. Mas há- ainda bem-sempre
os que dizem não, e mais das vezes pagam
com seus corpos torturados, suas famílias
peseguidas a ousadia de serem homens dignos
de sua humanidade. No fim eles sempre perdem,
mas sua grandeza sempre vence ao inspirarem outros
a trilharem o caminho da verdadeira humanidade, em que
sejamos dignos de nós mesmos ao dizermos um simples:
Não!!! Eu não me curvarei!

( Em memória de Giordano Bruno )

no interrogações

domingo, 9 de outubro de 2011

Foi aí que me danei.


Sai com uma puta
d'uma mulher e
em um motel
fomos transar
para meu azar
dormi depois
de muito aproveitar
foi ai que me danei
a puta filha da puta
roubou minha carteira
e leso lá fiquei
para um amigo apelei
e minha desdita contei
a conta ela pagou
mas tanto me gozou
que aquela puta
jamais esquecerei.



interrogações

Felicidade Aparente


Ao reflectir sobre a frescura das recordações, sobre a cor encantada de que elas se revestem num passado longínquo, não pude deixar de admirar esse trabalho involuntário da alma que separa e suprime na recordação desses momentos agradáveis tudo o que poderia diminuir o encanto do momento então vivido.
(...) Poderá uma pessoa afirmar ter sido feliz num determinado momento da sua vida, que lhe parece encantador retrospectivamente? O próprio facto de o recordar ao dar-se conta da felicidade que então deve ter sentido deve satisfazê-lo. Mas ter-se-ia sentido efectivamente feliz nesse instante de pretensa felicidade? 

Pode-se compara essa pessoa com um indivíduo que possuísse uma parcela de terra em que estivesse escondido um tesouro, do qual ele, contudo, não teria conhecimento. Poder-se-à considerar «rico» esse homem? Do mesmo modo não considero feliz aquele que o é sem se aperceber disso, ou sem saber a que ponto monta a sua felicidade. 
Eugène Delacroix, in 'Diário'

domingo, 2 de outubro de 2011

faz mal.não.



não fume. faz mal!
não beba. faz mal!
não coma porcaria. faz mal!
à merda!
faz mal!
seus deuses iníquos!
Faz mal!
os obtusos das saladas!
faz mal!
o controle social!
faz mal.
vender esperança.
faz mal...
a morte vos espera.
faz mal. não.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Como a morte!


Eu vi:
Um homem
                                        caído no chão
                                                                                     mais abandonado

                                                 que um cão
Será que só eu vi.....................o homem caído
                                                              abandonado em sua solidão?
Pensei em lhe dar
um abraço
                                                       Quem sabe?
                                                                                               Compartilhar solidões!
Mas segui..............................em frente
                                      egoisticamente solitário...


Como a morte!

                                

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PÁTRIA MINHA - VINÍCIUS DE MORAIS




Vinicius de Moraes


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."
Extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.



domingo, 14 de agosto de 2011

A lua está linda

De tudo
                       Apesar
                                A vida é bela

                                                   E a Lua                                                
                                                             Está linda
                                              Hoje



interrogações

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Vergonha Partiu

Vídeo Poesia- Carlos Latuff

A VERGONHA PARTIU

Carlos Latuff

Vossa Excelência, estou de malas prontas.
Eu, a Vergonha, vou sair de vez de sua personalidade.
Afinal, desde que começou a subir em palanques,
não tive mais qualquer utilidade.

Fui deixada nos mais escuros escaninhos de seu íntimo.
Nunca pude esquentar sua face toda vez que uma mentira saía de sua boca.
Porque a madeira de que é feita sua cara, é fria demais pra pegar fogo.

Aprisionada por tanto tempo nesse corpo
revestido de paletós e gravatas
acabei encontrando por acaso
sua consciência no caminho.

Está morta, só resta um leve esqueleto.
Por isso mesmo é que ela nunca pesa toda vez que negocias as almas do povo.

Por isso, Vossa Excelência, antes que eu também morra,
nas masmorras de seu caráter obscuro,
é que eu, a Vergonha, me mudo daqui,
direto pro coração do camponês e do operário,
porque sei que eles levam muito de mim em seus rostos,
já que suas mãos foram sujas apenas por barro e graxa,
e não por dinheiro.

bY: Contramaré

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Canção do Dia de Sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

- Mario Quintana -

 by: passeandopelocotidiano

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Frustração

Amei o Amor, ansiei o Amor, sonhei-o
uma vez, outra vez (sonhos insanos!)...
e desespero haja maior não creio
que o da esperança dos primeiros anos.

Guardo nas mãos, nos lábios, guardo em meio
do meu silêncio, aquém de olhos profanos,
carícias virgens para quem não veio
e não virá saber dos meus arcanos.

Desilusão tristíssima de cada
momento, infausta e imerecida sorte,
de ansiar o amor e nunca ser amada!

Meu beijo intenso e meu abraço forte,
com que pesar penetrareis o Nada,
levando tanta vida para a morte!...

Por Gilka da Costa de Mello Machado - Poetisa brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 12 de março de 1893.

 By: passeandopelocotidiano

domingo, 1 de agosto de 2010

Abaixo a resignação



Nada,
Nada mais que a dor
Caminho imperfeito
Triste encruzilhada
Resignação?
Nem pensar!

Resignação é o que as Igrejas pregam, submissão à dor como ato heróico, pobreza como fruto  "natural" do destino. Enquanto os desprotegidos se conformam com suas carências, os burgueses exploram-lhes até a exaustão! Mas, em nome de Deus, estes obtêm o perdão divino, mais uma vez e sempre, a cada ato infame. Hipocrisia é a palavras dos enganadores e  sofrimento, a dos enganados.

Tânia Marques, Degrau Cultural
Fonte da imagem: blogs.jovempan.uol.com.br

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava
Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ausência

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 26 de julho de 2010

poema

“Dizem que desgraça atrai desgraça,
e é bom que assim seja, 
os baques me seriam muito dolorosos
se eu já não estivesse caído."

(Chico Buarque in: Leite Derramado)


   Que ela saia por ai florindo os olhos com toda essa cor de esperança e as mãos prontas pra enxugar qualquer errinho que ouse cair dos olhos. Caiu feio Moço, mas levantou. Porque a vida fica ainda mais bonita de lá do alto do coração e o tempo.. Ah, esse faz passado rapidinho. A verdade é que ela tem um medo danado de morrer assim fora de si, nesse chão. Seus medos doem o pé de quem pisa com verdade e não recua no primeiro soluçar. Mas olha, o amor aprende a ser próprio. E perdoa.

(Priscila Rôde)

Mar - íntimo http://priscilarode.blogspot.com/#ixzz0ul8WhmLE

domingo, 25 de julho de 2010

Pedras

PRESENTES

Um homem parou na beira de uma mulher e atirou uma pedra
para dentro dela.
4 anos depois a mulher disse: eu amo pedras.
4 anos depois o homem disse: quero minhas pedras de volta.
A mulher deixou-se operar.
O homem embrulhou as pedras em papel de seda vermelho e
deu-as de presente à mulher.
A mulher deu de presente ao homem a conta do hospital.
O homem deu de presente à mulher de 1 a 2 filhos.
Os filhos deram de presente ao casal 1,6 kg de alegria.
O casal, de alegria, pulou da janela.
A repartição de enterros deu de presente aos filhos um caixão duplo.
Os filhos deram de presente aos seus filhos a história de seus alegres pais.
Um filho deu a outro filho 1 lágrima.
O filho chorou-se todo e afogou-se no choro.
120 anos depois uma mulher parou na beira de um homem e
atirou uma pedra para dentro dele.
O homem disse: não gosto de pedras.
A mulher tentou com um pedaço de pau.
A felicidade deles tornou-se insuportavelmente bela.
(por Aglaja Veteranyi)
impiedade dos signos