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sábado, 4 de setembro de 2010

Osho, sobre suas palavras


  Você deve estar se perguntando por que, apesar de eu falar usando as palavras, eu continuo a afirmar que nada pode ser transmitido por palavras. Para aqueles que querem falar, não há outra maneira, exceto por meio de palavras. Normalmente, somente com palavras eu posso expressar o que eu quero dizer, mas também é verdade que o que tem de ser dito não pode ser transmitido por palavras. Ambas as coisas são verdadeiras. No entanto, a situação em que nos encontramos é tal que podemos falar somente com o uso das palavras. Não há outro caminho para um diálogo.

Devemos tentar mudar esta situação. Para aqueles que podem entrar em profunda meditação, o diálogo é possível mesmo sem o uso das palavras. Mas, para levá-los até a profunda meditação, primeiro terei que usar palavras. Chegará um momento, depois de um longo esforço continuado, em que a comunicação será possível sem as palavras. Mas até esse momento chegar, vou ter que me expressar por meio de palavras. 

Para levá-lo ao mundo do inexprimível, vou ter que usar as palavras, esta é a real situação. Mas há muitos perigos também. Vou ter que falar usando palavras, sabendo muito bem que se você se apegar a elas, se você acreditar nelas como elas são, todo o trabalho que estamos fazendo perderá seu sentido.

Estamos tentando atingir o inexprimível, mas ainda temos de falar com o uso das palavras. É totalmente sem saída, não há outra alternativa. Mas se você se apega às palavras, todo o esforço se torna inútil, já que o objetivo é levá-lo ao inexprimível. Ao falar apenas com o uso das palavras, teremos que falar contra as palavras. E, ao falar contra, também teremos que usar as palavras. Não há outra maneira. 

Se eu falar, você vai se apegar às palavras. O perigo é que, se você se apegar às palavras, o que eu quero comunicar e atingir não vai se realizar. Mas, se eu ficar em silêncio, não há dúvida de que não estou comunicando coisa alguma. A princípio, se eu falar há a possibilidade de que minha mensagem chegue a algumas pessoas.

Se eu falar com uma centena de pessoas, haverá, pelo menos, uma que talvez possa receber minha mensagem sem se apegar às palavras. Para os outros noventa e nove, o esforço será inútil. Que assim seja! Dessa forma, pelo menos algo poderá ser comunicado a alguém, mas se eu ficar em silêncio até essa única possibilidade não existirá. Portanto, o meu esforço continua.
Osho, em "Dimensions Beyond the Know, palavras de Osho

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Tai chi chuan da felicidade

Sempre que você sentir que está ficando infeliz, diminua o ritmo, não se apresse, faça movimentos suaves como no tai chi chuan.

Se estiver triste, feche os olhos e deixe o filme passar muito lentamente. Observe o que está acontecendo de acordo com uma perspectiva abrangente. Faça tudo sem pressa, de forma que você possa ver cada ato separadamente. Se estiver ficando irritado, faça a mesma coisa — mergulhe lentamente no sentimento.

Durante alguns dias, reduza o ritmo de sua vida. Ande mais devagar do que o habitual, tome um banho mais demorado, coma com mais vagar e mastigue mais vezes.
palavras de osho
Quando você reduz o ritmo de todas as coisas, automaticamente a máquina do seu corpo diminui a velocidade. Não há diferentes mecanismos em ação, apenas um único mecanismo orgânico — o mesmo que lhe permite andar, falar e ficar irritado.

É uma experiência única: seus pensamentos e desejos tornam-se mais lentos, todos os seus velhos hábitos ficam diferentes. Reduzindo todos os ritmos, você verá que a tristeza, a raiva e a violência também diminuirão.

Isso lhe dará uma chance de ver como você está lidando com as coisas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dê a volta por cima das rotinas da mente


Sentindo-se triste? Dance ou vá tomar uma ducha e veja a tristeza desaparecer de seu corpo. Sinta como a água que bate em vocêleva junto a tristeza, da mesma forma que leva embora o suor e a poeira de seu corpo.

Coloque sua mente em uma situação tal que ela 
não seja capaz de funcionar de maneira habitual. Qualquer coisa serve. Afinal, todas as técnicas que foram desenvolvidas ao longo dos séculos não passam de tentativas para distrair a mente e demovê-la dos velhos padrões.

Por exemplo, se você estiver se sentindo irritado, 
inspire e expireprofundamente durante apenas dois minutos e veja o que acontece com a sua raiva.

Ao respirar profundamente, você terá confundido sua mente, pois ela
não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente começa a se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"

A dica é 
nunca se repetir. Caso contrário, se toda vez que se sentir triste você for para o chuveiro, a mente transformará isso num hábito. Após a terceira ou quarta vez, ela aprenderá: "Isso é algo permitido. Você está triste, então é por isso que está tomando uma ducha." Nesse caso, a ducha irá apenas transformar-se em parte de sua tristeza. Seja inovador, seja criativo. Continue confundindo a mente.
Seu companheiro diz algo e você se sente irritado. Em vez de bater nele ou jogar alguma coisa em sua direção, mude o padrão do pensamento: dê-lhe um abraço e um beijo. Confunda-o também! De repente, você perceberá que a mente é um mecanismo e que ela se sente perdida com o que é novo.
Abra a janela e deixe novos ventos entrarem.
palavras de Osho, em "Uma Farmácia Para a Alma"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Adão

Adão foi o primeiro homem, não porque ele foi literalmente o primeiro homem — deve ter existido muitos outros antes dele,mas ninguém disse "não".

Assim, a história não pôde registrá-los; eles não tinham ego. E esta é a minha opinião: como Adão podia ter sido o primeiro homem? Deve ter existido milhões antes dele, mas nenhum outro disse "não". Eles não podiam se tornar homens, eles não podiam se tornar ego.

Adão disse "não". É claro que ele sofreu por dizer aquilo; ele foi expulso do jardim do êxtase.

Adão é homem, e todo homem é como Adão. Cada infância é um Jardim do Éden. Cada criança é tão feliz quanto os animais, quanto as árvores.

Você já observou uma criança correndo entre as árvores, correndo na praia? — ela não é ainda um ser humano. Seus olhos ainda são límpidos, mas inconscientes. Ela terá que sair do Jardim do Éden.

Este é o significado da expulsão de Adão do Jardim do Éden — esta criança não faz mais parte do êxtase inconsciente. Ela tem que se tornar consciente comendo a fruta da árvore da sabedoria. Esta criança tem que se tornar um homem.

Não é que Adão foi expulso uma vez, todo Adão tem que ser expulso repetidamente. Toda criança tem que ser expulsa do Jardim de Deus; faz parte do seu crescimento. A dor faz parte do seu amadurecimento. 

Ele tem que perder para obter novamente, obter conscientemente. Este é o seu dever e o seu destino, sua agonia e sua liberdade, e esta é uma questão crucial a ser compreendida pelo homem.
Osho, em "O Livro do Homem


  

domingo, 8 de agosto de 2010

A divindade real

Quando eu digo que a vida é divina, quero dizer isso — não fique confinado em templos e não fique confinado em igrejas e não fique confinado pelas Bíblias e pelos Gitas e pelos Alcorões.

Não fique confinado de modo algum. A vida é infinita. Enfrente a vida como ela é. Encare o infinito. Não fique com medo do infinito.

Onde está o medo do infinito? O medo é que com o infinito você vai desaparecer. Em uma igreja você não pode desaparecer. Você pode administrar. Uma igreja é sua construção.

É arbitrária. É artificial. É uma flor de plástico. Você pode controlá-la, manipulá-la. Por trás das cortinas estão suas mãos. O deus na igreja é criação sua.

A divindade real é totalmente diferente. Se você vier à divindade real — a vida — estão você será uma criação dela. Então ela estará por trás de tudo.

Osho, em "Nirvana: The Last Nightmare"

sábado, 24 de julho de 2010

Gostar não basta

Há séculos já se sabe que o silêncio é a maior das necessidades; por isso as pessoas fogem do mundo, achando que é impossível ficar em silêncio no mundo.

Essa é uma conclusão absolutamente errada, uma lógica errada, porque o silêncio nada tem a ver com o mundo exterior. Ele é uma coisa interior. Você pode cultivá-lo em qualquer lugar.

Você pode ir à montanha, mas sua mente será a mesma — você vai jogar os mesmos jogos, porque não vai ter outra coisa para fazer, e toda a energia estará disponível para a mente.

Nos mosteiros, nos desertos, nas montanhas, a mente se torna ainda mais dominante que numa feira livre, no dia-a-dia. 

Há pessoas que gostariam de ficar em silêncio, mas gostar não basta. É necessário amar. Gostar é morno, é mais ou menos. Amar significa envolver-se apaixonadamente. Amar significa que é uma questão de vida ou morte. O amor significa intensidade, totalidade.

E as grandes dádivas da vida são somente para as pessoas que estão dispostas a entrar totalmente em algo, seja ele o silêncio, a liberdade, a verdade — não importa o quê. Todos os valores supremos exigem que você ame.

Osho, em "Meditações Para o Dia"
Palavras de Oslo