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quinta-feira, 11 de abril de 2019

A máquina Enigma de nossos tempos


A máquina “Enigma” ficou famosa por ter sido utilizada pelos nazistas na Segunda Guerra, para codificar mensagens de modo quase indecifrável. 

Seu funcionamento baseava-se em de três rotores intercambiáveis, possibilitando mais de 105 mil combinações possíveis para criptografar uma mensagem.

A máquina teria seu mecanismo totalmente desvendado em 1940 por matemáticos britânicos. Entre eles, Alan Turing, conhecido por ser um dos primeiros idealizadores do computador.

Mas o trabalho de decodificação começou com matemáticos poloneses, em 1933. Bem antes da guerra, portanto. Afinal, já naquela época, Hitler não escondia seus planos macabros de ninguém.

Os tempos em que vivemos também têm sua própria máquina Enigma. E muitos fascistas por trás dela. São os algoritmos das redes virtuais, cada vez mais onipresentes na vida social.

O problema é que demoramos demais a descobrir não apenas o código, mas a própria existência da máquina que os gera. Foi apenas quando suas mensagens já estavam fazendo estragos aos montes que atentamos para a situação.

Nós até tivemos alguns “poloneses” tentando fazer sua parte. Denunciando a máquina e seu potencial destruidor. Mas foi tudo simplesmente ignorado. E isso apesar dos vários equivalentes de Hitler circulando mundo afora.

Agora, é tentar recuperar um valioso tempo perdido. Mas não basta somente decifrar os códigos do inimigo. Precisamos descobrir também porque nós e nossos potenciais aliados nos tornamos

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Sob as patas de Bolsonaro


Na campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que seu governo pretendia voltar ao Brasil de 50 anos atrás. Realmente, as recém-divulgadas propostas de Sérgio Moro para a segurança pública lembram o regime governado pelo AI-5.

A Reforma da Previdência pretendida por Paulo Guedes também remete a meio século atrás. Seu modelo previdenciário é o da ditadura Pinochet, que levou à miséria a grande maioria dos aposentadores chilenos.

Mas há propostas do governo que pretendem atrasar o País uns 80 anos, pelo menos. É o caso da Carteira de Trabalho verde e amarela. Quem optasse por ela, poderia abrir mão de seus direitos trabalhistas.

Voltaríamos aos tempos anteriores ao getulismo. Com direito a tratar as lutas sociais na base das patas de cavalos. Retornaríamos às “políticas públicas” dos tempos da República Velha.

Diante disso tudo, há os que enxergam com esperança algumas divergências surgidas no interior do governo. As mais importantes delas manifestadas pelo vice-presidente.

Mourão, no entanto, é outro saudosista. Não só dos tempos da barbárie do início do século 20, mas do poder fardado e absoluto. Vem bancando uma espécie de “tira bom” diante de Paulo Guedes, o “tira mau”. No meio deles, um presidente “Débi” com vários candidatos a “Lóide”.

Precisamos parar de buscar soluções em conflitos palacianos ou nas contradições das cúpulas parlamentares.

Elas podem e devem ser exploradas pela esquerda. Mas jamais ao custo de continuar a colaborar para a apatia em que se encontram alguns setores importantes das forças populares. Especialmente, o movimento sindical.

Ou rompemos com essa paralisia ou acabaremos nos acostumando a ficar sob patas de cavalos.


https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=6681045807931022919#editor/target=post;postID=5283128175749105100

domingo, 27 de janeiro de 2019

Quando a barbárie governa


Em 06/01/2019, Paulo Arantes, professor de Filosofia da USP, deu um depoimento, publicado no portal Sul21, afirmando que:

...a ideia de que um que país periférico como o Brasil pudesse se tornar uma democracia com desenvolvimento social “foi rifada em 64”. Essa inviabilidade vai se tornar ainda mais evidente com a eleição de Collor, em um momento em que o capitalismo vivia um processo de reestruturação produtiva em nível internacional.




Neste momento de “catástrofe nacional”, no entanto, assinala Arantes, emerge um partido de massas, renovando as energias utópicas na sociedade brasileira. Para ele, porém, essa novidade, que foi a criação do Partido dos Trabalhadores, ignorou o diagnóstico da inviabilidade de construção de um projeto nacional, estabelecido em 64. “Havíamos batido no teto e a lógica era outra. A partir do período da redemocratização, a violência passou a ser o nexo social central”, sustenta.

O difícil é encontrar algum momento da história nacional em que a violência tenha deixado de funcionar como nexo social.

No entanto, três situações dão a esse quadro cores ainda mais sombrias. Uma delas é o assassinato de Marielle. Outra, a desistência do deputado federal Jean Wyllys, do PSOL, de reassumir seu mandato devido a ameaças de morte. Por fim, a condenação de quatro militantes do MST, em outubro passado, com base na lei antiterrorismo. Esta última, como se sabe, proposta e sancionada pelo governo Dilma.

Segundo Arantes, com o PT, as esperanças em uma governabilidade minimamente civilizada ruíram. “Não se governa mais”, conclui.

Mas, de fato e definitivamente, a barbárie governa. E disputar o governo da barbárie é participar dela.  



http://pilulas-diarias.blogspot.com/2019/01/quando-barbarie-governa.html

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Até agora, Trump vem perdendo para Churchill


Dias atrás, Trump chamou de “países de merda” o Haiti e nações africanas.

No mesmo período, estreou o filme “O Destino de uma Nação”, que retrata Winston Churchill como herói da liberdade.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Vejamos.

Em 11/01, Richard Seymour escreveu na revista “Jacobin” sobre o famoso primeiro-ministro britânico. Segundo o artigo, no final da Segunda Guerra, Churchill afirmou: “Devemos varrê-los, cada um deles, homens, mulheres e crianças. Não deve restar um japonês na face da terra”.

Mas tem mais.

...não admito que um grande mal tenha sido feito aos índios vermelhos da América ou aos negros da Austrália (...) pelo fato de que uma raça mais forte, uma raça superior, (...) invadiu e tomou seu lugar.

Visitando a Itália em 1927, declarou a Mussolini: "Se eu fosse italiano, com certeza estaria a seu lado desde o início para concluir sua luta triunfante contra os apetites e paixões bestiais do leninismo".

Escrevendo sobre suas "relações íntimas e agradáveis” com Mussolini, acrescentou que "no conflito entre fascismo e bolchevismo, não há dúvidas sobre de que lado ficam minha simpatia e convicções".

Mas Churchill não se limitava a proferir barbaridades. Ele autorizou o uso de gás venenoso contra rebeldes que combatiam o domínio britânico no Iraque. Na verdade, já havia ordenado que se fizesse o mesmo contra a Rússia dos bolcheviques.

Um caso de pioneirismo foi a utilização do terrível “agente laranja” contra rebeldes na Malásia. Muito antes que as tropas estadunidenses fizessem o mesmo no Vietnã.

Por enquanto, Trump vem perdendo para Churchill na condição de criminoso racista. Por enquanto...

domingo, 19 de novembro de 2017

Psicologia de massas e capitalismo


A crise capitalista deixa os neonazistas cada vez mais à vontade. Demonstram suas crenças racistas, homofóbicas, machistas, autoritárias e truculentas à luz do dia.

Um traço muito comum dessas manifestações é seu caráter coletivo. Pessoas apenas conservadoras podem se transformar em monstros de intolerância quando formam bandos ou multidões. O fascismo é bem mais perigoso quando conquista milhões.

É por isso que o marxista alemão Wilhelm Reich escreveu seu famoso livro “Psicologia de massas e fascismo”. A obra foi lançada em 1932, pouco antes de Hitler chegar ao poder. Reich queria saber por que o nazismo atraía grandes parcelas da classe trabalhadora. 

Explicações que buscassem causas apenas racionais eram insuficientes. O próprio Hitler sabia disso. Em seu livro, “Mein Kampf”, ele diz que os pensamentos e ações do povo “são determinados muito mais pela emoção e sentimento do que pelo raciocínio”.

Por isso, Reich buscou unir as obras de Marx e Freud. Era preciso levar em conta o inconsciente, o irracional, a repressão sexual. Seus estudos fornecem pistas importantes. Mas parecem muito presos aos esquemas explicativos da psicanálise.

Oitenta anos depois, o desafio permanece. Além de Freud e Marx, muitos outros pensadores e teóricos podem ajudar a enfrentá-lo. Gramsci e Foucault, por exemplo.

De qualquer modo, Reich formula corretamente o problema. Não se trata apenas do fascismo. Como ele diz, é preciso “saber por que razão os homens suportam desde há séculos a exploração e humilhação moral, em resumo, a escravidão”.

A massificação dessa “servidão voluntária” é um dos segredos da dominação capitalista. É desse estrume que o fascismo surge e se fortalece.

https://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2012/07/psicologia-de-massas-e-capitalismo.html

Wilhelm Reich e o orgasmo do proletariado


O marxista alemão Wilhelm Reich sempre buscou entender porque o nazismo atraía grandes parcelas da classe trabalhadora. Sua leitura é mais do que nunca recomendável.

No livro em quadrinhos “Reich para principiantes”, de David Z. Maiorowitz e German Gonzales, descobrimos, por exemplo, que:

O que preocupa Reich não são apenas as ideias, mas também as emoções, que são determinadas por fatores sociais. Marx acreditava que o capitalismo pode determinar nossas ideias. A isto, Reich junta o inconsciente. A ideologia dominante pode mesmo chegar aos nossos impulsos, aos nossos sonhos...

Algumas propostas de Reich para o Partido Comunista Alemão:

- Não manipular ou persuadir as massas, ser concreto e direto.
- Politizar todos os aspectos triviais da vida diária: a discoteca, o cinema, a mercearia, o quarto, o bar, as corridas de cavalos – é aí que está a energia da revolução...
- Panfletos chatos, não, por favor!
- Heróis não. Mártires não. Conservem as vossas energias.
- Lembrem-se que os policiais são trabalhadores.
- Não se acovardem frente à autoridade. Imaginam o policial de cuecas!

Quanto ao aspecto sexual:

...muitos adolescentes entram para as organizações juvenis do Partido para encontrar um parceiro sexual, ou dois ou três. A moral oficial do Partido rejeita esta ideia. Resultado: os jovens vão-se embora, muitos deles para os Nazis. O Partido teria feito melhor se levasse em consideração suas vidas pessoais.

A estas ideias o partido respondeu censurando as publicações de Reich. Afinal, segundo uma resolução partidária, “não existem dificuldades de orgasmo no proletariado”.

Com concepções como estas, a conservadora direção dos comunistas alemães ajudou a abrir espaço ao pior conservadorismo.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Psicologia de massas e capitalismo


A crise capitalista deixa os neonazistas cada vez mais à vontade. Demonstram suas crenças racistas, homofóbicas, machistas, autoritárias e truculentas à luz do dia.

Um traço muito comum dessas manifestações é seu caráter coletivo. Pessoas apenas conservadoras podem se transformar em monstros de intolerância quando formam bandos ou multidões. O fascismo é bem mais perigoso quando conquista milhões.

É por isso que o marxista alemão Wilhelm Reich escreveu seu famoso livro “Psicologia de massas e fascismo”. A obra foi lançada em 1932, pouco antes de Hitler chegar ao poder. Reich queria saber por que o nazismo atraía grandes parcelas da classe trabalhadora. 

Explicações que buscassem causas apenas racionais eram insuficientes. O próprio Hitler sabia disso. Em seu livro, “Mein Kampf”, ele diz que os pensamentos e ações do povo “são determinados muito mais pela emoção e sentimento do que pelo raciocínio”.

Por isso, Reich buscou unir as obras de Marx e Freud. Era preciso levar em conta o inconsciente, o irracional, a repressão sexual. Seus estudos fornecem pistas importantes. Mas parecem muito presos aos esquemas explicativos da psicanálise.

Oitenta anos depois, o desafio permanece. Além de Freud e Marx, muitos outros pensadores e teóricos podem ajudar a enfrentá-lo. Gramsci e Foucault, por exemplo.

De qualquer modo, Reich formula corretamente o problema. Não se trata apenas do fascismo. Como ele diz, é preciso “saber por que razão os homens suportam desde há séculos a exploração e humilhação moral, em resumo, a escravidão”.

A massificação dessa “servidão voluntária” é um dos segredos da dominação capitalista. É desse estrume que o fascismo surge e se fortalece.

http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2012/07/psicologia-de-massas-e-capitalismo.html