Mostrando postagens com marcador Adolf Hitler. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adolf Hitler. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

DE MESSIAS ELE NÃO TEM NADA: A VOCAÇÃO DO BOZO É PARA CAVALEIRO DO APOCALIPSE

 


Jair Bolsonaro jamais me convenceu no papel de perigoso ultradireitista que fosse capaz de reeditar a Marcha sobre Roma de Mussolini ou de, coroando de êxito alguma versão brazuca do putsch da cervejaria, superar o próprio Hitler.  

Sendo o Bozo isso que infelizmente estamos agora sendo obrigados a aturar,  dele jamais esperaríamos tal repetição da História, nem mesmo como farsa. Sua única afinidade é com as chanchadas...

Depois de uma década de carreira militar marcada por iniciativas estapafúrdias e insubmissão a seus comandantes, e de três décadas de trajetória totalmente medíocre nos Legislativos municipal e federal, nada indicava que, da noite para o dia, ele houvesse se transformado num verdadeiro líder, ainda que de más causas.

Não deu outra. Bastou um ano e meio de mandato presidencial para ele ser derrotado, de forma acachapante, por quem dá as ordens, de facto, no Brasil: o poder econômico. 

No caso, o poder econômico tradicional, das multis, das grandes corporações e do capital financeiro, cujo poder de fogo é infinitamente superior ao dos vira-latas do capitalismo  que embarcaram no trem fantasma do Bozo (os piores dos quais sendo os ecotrogloditas que estão simultaneamente destruindo a Amazônia e a imagem do Brasil no mundo civilizado). 
De olho nos dividendos eleitorais do assistencialismo... 

Por meio do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e da imprensa, o poder econômico fez ver ao Bolsonaro que, se continuasse brincando de autogolpe, estaria flertando com o impeachment.

A ficha acabou finalmente caindo para o papalvo, que, movido pelo instinto de sobrevivência, despiu as fantasias de paladino do combate à corrupção, de neoliberal comprometido com a austeridade e de opositor da velha política, respectivamente descartando Sergio Moro, fritando Paulo Guedes (que é hoje uma exoneração esperando acontecer) e entregando as jóias e os cargos da Coroa ao famigerado centrão.

A recompensa veio com a popularidade conquistada nos grotões do atraso, do coronelismo reciclado e do assistencialismo eleitoreiro, por ele encarada como uma compensação para a perda de prestígio e credibilidade nos estados mais desenvolvidos. 

O articulista Samuel Pessôa disse tudo:
"Na política, Bolsonaro parece caminhar para repetir o ciclo que tem ocorrido com todas as forças que mantêm alguma hegemonia ou autoridade política durável no Brasil há muitas décadas. 
...Bolsonaro pirateia programas do PT...  
A nova força política surge com forte apoio do eleitorado da região Sudeste. Com o passar dos tempos e o natural processo de desgaste, o apoio no Sudeste cai ou desacelera, e a base eleitoral do grupo político que tem a liderança do Executivo nacional se movimenta para o Nordeste, a região mais dependente das transferências do governo central" .
A guinada de neoliberal para desenvolvimentista (já que precisará detonar as restrições limites orçamentárias para poder comprar votos com obras e esmolas) e a volta ao toma-lá-dá-cá do fisiologismo político que sempre o acompanhou garantirão tranquilidade e reeleição para Bolsonaro? Não, por duas razões principais, que se completam.

Primeiramente, porque a força dominante do capitalismo é sempre seu segmento dinâmico, aquele que está desenvolvendo as forças produtivas, e não os rincões do atraso, que as estão travando. 

Isto já se evidenciou emblematicamente no resultado da guerra civil estadunidense (1861-1865), com os nortistas, que intentavam deslanchar a industrialização do país, acabando por impor sua vontade aos sulistas, que, a grosso modo, o queriam manter agrário e escravista.

Na década passada, enquanto os petistas permaneciam deitados em berço esplêndido acreditando que os votos dos pobres beneficiados pelo assistencialismo os manteriam indefinidamente no poder, eu já sabia que o castelo de cartas desabaria tão logo outra força emergisse no Brasil próspero; tal força, com votos ou sem votos, prevaleceria sobre o Brasil do atraso.

...e sente atração pelo abismo no qual Dilma afundou 
Infelizmente, dito papel acabaria sendo cumprido por um palhaço de mafuá, beneficiado por muitas circunstâncias fortuitas, pelo maior estelionato eleitoral da História brasileira e, last but not least, pelo endosso do poder econômico, para quem a única coisa que realmente contava era entronizar um Paulo Guedes ou outro neoliberal qualquer como czar da economia.

Não percebendo quem realmente mandava no país, guiado por um guru picareta e pelos três patetas do seu sangue que ele designa por números, o Bozo tentou brincar de Mussolini e Hitler, sem um centésimo sequer da qualificação que ambos tinham para concretizar seus respectivos objetivos hediondos. E, claro, tropeçou nas próprias pernas o tempo todo.


Agora, mudando sua imagem para a de Jairzinho Paz & Amor, ele realmente ganhará algum fôlego no curto prazo, mas o resultado, em tempos normais, já acabaria sendo o mesmo colhido pelos partidos e políticos do passado que apostaram nos currais eleitorais e na demagogia assistencialista para se manterem no poder a partir dos votos dos coitadezas: a debacle.

Há, contudo, uma diferença fundamental: nunca as perspectivas econômicas foram tão ruins quanto as de agora, portanto as etapas deverão ser queimadas, desta vez, com rapidez bem maior. 

Em meio à depressão terrível que já começou e tende a chegar ao auge em 2021, desembestar os gastos públicos sem ter com que bancá-los será receita certa para acrescentar à estagnação econômica uma recaída inflacionária, despertando um fantasma que parecia exorcizado desde o pesadelo que foi o final do desgoverno de José Sarney 
.
Populistas tendem ao descontrole das contas públicas    
[Vale lembrar que Sarney detém até hoje os recordes de maior inflação anual (1.764%, em 1979) e mensal (84,3%, em março/1980) de todos os tempos no Brasil.] 

Ou seja, após maximizar a Peste, fazendo o trabalho da Morte, Bolsonaro deverá também trazer-nos a Fome, ao tomar decisões que vão tornar muito mais devastadora a depressão econômica. 

Se não o detivermos logo, acabará encontrando um jeito de enfiar-nos numa Guerra, pois de messias ele não tem nada: sua vocação  é para cavaleiro do apocalipse... (por Celso Lungaretti

sábado, 13 de junho de 2020

A ESCOLHA QUE TEMOS SOB O CAPITALISMO É DA FORMA COMO PREFERIMOS MORRER


dalton rosado
O CAPITAL É GENOCIDA
Brado libertário do povo estadunidense
O Brasil acaba de superar a marca de 40 mil mortes causadas pela Covid-19, segundo o consórcio de imprensa que se tornou a única fonte confiável de totalizações dos dados da pandemia, depois de o governo federal haver tentado toscas manipulações para menos.

A média de óbitos tem sido superior a mil por dia e as contaminações já excedem 800 mil, enquanto o total mundial está acima de 400 mil mortos e 700 milhões de infectados. 

Agora a pandemia começa a alastrar-se com mais velocidade nos países pobres e populosos, principalmente nas cidades do interior e áreas rurais. 

Enquanto isto, o mundo capitalista se vê aturdido com o déficit somado do PIB dos 20 países economicamente mais expressivos, no 1º trimestre deste ano tenebroso de 2020: queda de 3,4%, mais do que o dobro do pior momento da crise do subprime em 2009. E a tendência é de piora no 2º trimestre, quando o isolamento social se intensificou nessas nações que compõem o G-20.

Embora o quadro seja dos mais alarmantes, ao invés de a sociedade unir-se no isolamento profilático, lança-se desesperadamente à flexibilização da quarentena, pois os poderosos da economia pressionam os governantes a fazer-nos enfrentar os riscos de contaminação e falecimento, como alternativa à nossa morte por inanição. Ou seja, só nos restaria a escolha de como preferimos morrer.

Trata-se de uma lógica perversa e genocida. Não precisaria ser assim.

Essa coisa se parece muito com a questão do trânsito urbano caótico e poluente, mas que atende a muitos interesses econômicos em detrimento da comunidade. 

É claro que um transporte público eficiente e movido a energia limpa (tecnologia para tanto não falta) resolveria tanto o problema da rapidez de locomoção quanto da necessidade de reduzirmos a emissão dos poluentes causadores do efeito-estufa e, portanto, do aquecimento global. 

Mas o interesse da indústria de pneus e peças sobressalentes; de postos de gasolina e da Petrobrás; da indústria automotiva, principalmente; e dos segmentos que oscilam na órbita desses aí não permite uma abordagem racional dessa questão. 

O capital não é apenas genocida, mas irracional. E isto vale tanto para o capital financeiro quanto para o agrícola, o industrial e o de serviços.

A pandemia nos está fazendo descobrir que muitas das nossas atividades anteriores a ela podem hoje ser resolvidas com o uso de comunicação eletrônica. Esse é um ensinamento que não vai esquecido nem retrocederá substancialmente.

Tenho como hobby compor músicas. Por meio delas, posso transmitir  muitas mensagens (diretas ou subliminares) de uma forma que facilita a absorção por parte de meus públicos-alvo.  

Como estou recluso em minha casa há cerca de três meses por, como idoso, pertencer a um grupo de risco, idoso, acabei descobrindo que posso enviar de minha casa as músicas gravadas no celular e que os músicos podem gravá-las da mesma forma, com tudo sendo condensado no estúdio musical sem que ninguém precise sair à rua. Tudo mais econômico e até mais ágil.

Igualmente, os serviços advocatícios e até as audiências puderam ser realizadas eletronicamente, aí incluída a consulta de processos (os quais agora estão digitalizados, eliminando o uso de papel que deriva da celulose obtida pelo desmatamento antiecológico. Economia de tempo, madeira, gasolina e sola de sapato.

Estes são alguns dos exemplos pessoais que a crise do isolamento social nos está a ensinar. Em muitas outras atividades (incluindo-se a computação eletrônica que racionaliza procedimentos e a robotização industrial que pode produzir ininterruptamente) podemos, a partir dessas lições comportamentais, tornar mais cômoda a vida social. 

Para tanto, contudo, precisamos adaptar o modo de mediação social às exigências da realidade do saber adquirido pela humanidade. Sem isso, as coisas vão é piorar. 

É que as relações sociais sob a forma-valor (que não é algo ontológico, imprescindível, mas apenas um modo de ser social negativo e que se tornou obsoleto) nos impõem a aceitação passiva de irracionalidades comportamentais que, de tão repetidas, agora nos parecem normais. 

A crise sanitária desmascara a pretensa boa fé dos governantes e do capital industrial, do agronegócio e do comércio, que querem flexibilizar o isolamento sanitário a despeito dos números alarmantes, contrariando os mais elementares raciocínios lógicos, científicos e humanitários. 

É que eles estão presos à camisa de força da lógica de relação social em nome da qual ocupam seus cargos e que sempre foi escravista, embora inicialmente parecesse ser libertadora em face da escravidão direta, na qual os seres humanos eram propriedade ou servos de outrem.

A guerra da secessão nos Estados Unidos, que, como sabemos se deu pelo conflito separatista dos anti-abolicionistas do sul daquele país em confronto com o capital mercantil do norte industrializado no início da segunda metade do século 19, é um bom exemplo disso: na verdade, não aboliu a segregação social dos afrodescendentes, tendo apenas modificado o jeito de oprimi-los. 

Acresça-se a isto a segregação social que ali é praticada também contra indígenas e latinos fugidos da miséria nos seus países de origem, conjuminada com a crise sanitária que provocou desemprego em larga escala sem garantias sociais para os demitidos, e estarão dados os motivos pelos quais o país se levantou em uníssono exigindo justiça. 

Infelizmente, faltou um questionamento da essência da base constitutiva das relações sociais negativas estabelecidas.

A democracia burguesa, representada pela política que lhe dá sustentação, faz água por todos os lados e demonstra quão cínicos são os argumentos apresentados pelos representantes do povo como justificativas para seus atos.  

O capital exige do governo a emissão de moeda sem lastro como forma de manutenção minimamente sustentável das relações de produção e comércio de mercadorias; mas, ciente de que tal emissão é insustentável já no médio prazo, posiciona-se pela flexibilização do isolamento a qualquer custo.
Temos um parlamento cujos representantes eleitos são pelo capital e pelo coronelismo político dos currais eleitorais a que continua submetida a população dependente na periferia das cidades e nos grotões do Brasil profundo.

Vemos políticos tirarem a máscara de caráter usada nas campanhas eleitorais e justificarem o injustificável, ou seja, a prática à luz dos holofotes do mais absoluto totalitarismo governamental, em a aliança com a escória mais abjeta da representação política.  

Diante de tamanha (des)ordem institucional, fica a falsa dicotomia de que o contrário disso seria a ditadura militar, daí a conveniência de aceitarmos o ruim para evitarmos o pior. Devemos desmascarar tal camisa de força.

Ora bolas, como é que, num quadro dantesco como esse, poderemos introduzir soluções racionais de abastecimento, de modo a que seja mantido o isolamento social e evitado o morticínio de alguns milhões de seres humanos em todo o planeta? 

O capital é genocida, irracional e embota a capacidade social de pensar fora da caixa. É graças a isso que os governantes promovem a flexibilização do isolamento mesmo ao preço de vidas. 

Um dia a história haverá de reconhecê-los como criminosos, tanto quanto Hitler e Stalin, que foram por algum tempo tidos como salvadores de suas pátrias. (por Dalton Rosado)


segunda-feira, 25 de maio de 2020

O LAÇO EM TORNO DO PESCOÇO DO BOZO ESTÁ CADA DIA MAIS APERTADO: SUA AGONIA LOGO CHEGARÁ AO FIM



BOLSONARO MENTE
O registro da reunião ministerial de 22 de abril, cuja divulgação foi liberada por decisão de Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, na 6ª feira (22), traz novas evidências conclusivas sobre o que já se suspeitava: o presidente Jair Bolsonaro mente.

Depois do vídeo, a versão presidencial de que queria interferir na sua segurança pessoal, e não na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, torna-se completamente inverossímil.

Como demonstrou reportagem da TV Globo, menos de um mês antes da reunião Bolsonaro havia promovido o responsável por sua segurança e o substituído pelo então número dois na função.

No vídeo, o presidente fala textualmente: 
"Já tentei trocar gente de segurança no Rio, oficialmente, e não consegui. E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda (...) porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe dele, troca o ministro. E ponto final. Não estamos para brincadeira".
Tudo o que ocorreu depois da reunião se encaixa na narrativa do ex-juiz Sergio Moro. Não há dúvidas de que o presidente trata da PF, um órgão de Estado, quando promete ir até o fim para fazer valer a sua vontade antes que a sua família seja atingida.

De resto, o encontro do ministério entra para a história dos 130 anos da República no Brasil como um dos episódios mais execráveis do exercício do poder presidencial.

Evidencia-se, nos termos chulos, nos rompantes autoritários e nas exibições de incapacidade gerencial diante de uma crise monstruosa, que Jair Bolsonaro aviltou e avilta a Presidência da República, colocada pelos constituintes de 1988 no pináculo do edifício democrático. A democracia que o elegeu é a mesma que tem sido vilipendiada por seus atos e suas falas.

Partem do próprio presidente as ofensas a governadores. O celerado à frente da pasta da Educação quer cadeia para ministros do STF, que qualifica de vagabundos.

Mandatários estaduais e municipais também serão alvo de pedidos de prisão, promete a exaltada ministra que cuida, paradoxalmente, dos Direitos Humanos.

Um elemento a mais aparece no vídeo. Bolsonaro afirma que tem acesso a um dispositivo de inteligência particular. Ora, nada no ordenamento constitucional, nem nos princípios que norteiam as sociedades democráticas, autoriza o chefe de Estado a dispor de um aparelho pessoal de bisbilhotagem.

Por tudo o que se mostrou, o procurador-geral da República, Augusto Aras, está obrigado a aprofundar a investigação acerca da conduta de um mandatário que, além de cercar-se de assessores insanos, autoritários e incapazes, pode ter cometido crimes. Que Aras se mostre à altura do cargo que ocupa.

A apuração não pode se deter, ademais, diante de ameaças abjetas como a do general Augusto Heleno, do GSI, segundo o qual uma eventual apreensão do celular presidencial teria consequências imprevisíveis

Dados a baixeza e o desvario mostrados numa reunião formal, assusta de fato imaginar o que Bolsonaro diz em privado. (editorial dominical da Folha de S. Paulo)
Toque do editor — mais um editorial da Folha tem o tom inconfundível que os jornalões adotam quando a remoção de um presidente da República já foi decidida pelos poderosos e o processo entra em suas etapas derradeiras.

Aliás, também na edição de hoje (24), o jornal publica um minucioso e didático passo-a-passo de como retirar-lhe a faixa presidencial em função dos crimes de responsabilidade por ele cometidos, de seus crimes comuns ou dos crimes eleitorais da chapa Bolsonaro-Mourão. Ou seja, já não se discute o SE, apenas o COMO e QUANDO

Dá-me um tédio imenso ver quantos internautas continuam torcendo para o lado perdedor de uma partida que, até onde eles conseguem entender o que presenciam, estaria 0x0, mas cujo verdadeiro placar é 7x1 contra o time para o qual torcem, faltando apenas uns 5 minutos para o apito final.

Por último: seria cômico, se não fosse trágico, ver o esforço desses torcedores em apresentar a divulgação do vídeo incriminador como uma vitória do Bolsonaro, quando, na verdade, foi catastrófica para ele em termos jurídicos (o diabo mora nos detalhes, e são exatamente os detalhes que mais facilmente passam despercebidos aos leigos) e causou uma impressão horrorosa nas pessoas dotadas de capacidade crítica, sofisticação e espírito solidário, tanto no Brasil quanto (mais ainda!) no exterior.

Ou seja, exultam em ver um presidente e seus ministros se comportando como fanfarrões delirantes, desmiolados e desbocados, o que fez daquela reunião "um dos episódios mais execráveis do exercício do poder presidencial" em toda a história de nossa República, como bem avalia o editorial da Folha.

O espetáculo de aberrações que se desenrola sob nossos olhos desde 2018 jamais poderá ser esquecido. Adiante, quando essa trupe grotesca tiver sido atirada na lixeira da história, certamente se atribuirá toda a culpa ao Bozo e seus celerados de estimação, assim como o nazismo foi apresentado como uma obra diabólica de Hitler e seus cúmplices imediatos.

Mas, nazista era quase todo o povo alemão antes de a guerra tomar outro rumo com a fracassada invasão da URSS. E 39% dos eleitores brasileiros foram capazes de tornar presidente da República um indivíduo que não preenchia os mais ínfimos requisitos intelectuais, equilíbrio mental, valores éticos e histórico pessoal para ser nem mesmo síndico de condomínio. (por Celso Lungaretti) 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A REALIDADE DESNUDA E A FALSA DICOTOMIA ENTRE DIREITA E ESQUERDA


"A terceira revolução industrial é considerada, e não sem razão,
a causa de longe mais profunda da nova crise mundial. Pela
primeira vez na história do capitalismo, os potenciais de
racionalização ultrapassam as possibilidades de
expansão dos mercados.(Robert Kurz)
.
O PÊNDULO DA INEFICÁCIA
Se é verdade que o pensamento socialista sempre teve uma dose elogiável de humanismo, expressa na conquista de avanços sociais e defesa de direitos civis, é igualmente verdade que se constituiu apenas numa forma política de capitalismo. Daí a sua insustentabilidade. 

É por assim ser que terminou sempre por se quedar à imperiosa lógica autotélica e segregacionista do capital, que se opõe ao melhor sentimento humanista. Daí decorre que o socialismo não passa de um conjunto de ideias bem intencionadas, constituindo-se, no final das contas, em algoz do interesse popular e no contrário do que anuncia ser (mesmo quando suas intenções são honestas e não um mero oportunismo eleitoral para a conquista do poder).   

O capital é uma forma de relação social subtrativa do esforço coletivo de modo a criar riqueza abstrata concentrada num processo de acumulação que tende ao infinito, segregando a maior parte dos seus súditos como forma de satisfação de seu sentido tautológico, vazio de sentido virtuoso. E isto só até o momento de alcançar o limite interno absoluto de expansão, quando definha e morre, não sem antes arrastar toda a humanidade para o abismo, caso não seja contida a sua derrocada final.

As vitórias eleitorais do socialismo de esquerda (1) sempre se deram por conta da ingovernabilidade do aparelho de Estado pela direita e seus métodos segregacionistas de promoção dos privilégios do capital e dos capitalistas.  

Ora, é de se perguntar: por que todos os governos de direita, com todos os mecanismos de controle institucionais, monetários e midiáticos a seu favor, fracassam e ensejam a simpatia popular eleitoral ao pensamento socialista? 

Esta indagação pode ser complementada por outra: por que todos os governos socialistas de esquerda fracassam e ensejam a antipatia popular como se fossem traidores dos seus próprios postulados e bandeiras, acabando por ensejarem a volta da direita, numa eterna e infrutífera alternância de poder  e sem questioná-la como tal?

A resposta é óbvia: isto se dá porque todos os governos apenas obedecem e aplicam os ditames de uma lógica de relação social (o sistema produtor de mercadorias) que, por sua natureza específica, impõe sacrifícios ao povo e transforma o Estado em sua força de coerção militar, além de instrumento de regulamentação legal e de controle monetário. 

Os governantes não governam, mas são governados.   

Os governantes, quando sentam na cadeira dos poderes do Estado, não têm vontade soberana, a não ser em questões periféricas e de escolha de prioridades dentro da escassez de recursos do Estado para atendimento das demandas sociais globais.

QUANDO A REALIDADE BATE À PORTA

Assim, quando é atingido o estágio do limite interno absoluto de expansão e a realidade de sua essência ontológica bate à porta sem subterfúgios sob a forma de miséria e desespero social inesperado, como agora ocorre, isto provoca a explicitação de alguns pontos, a saber: 
a) a identidade na aplicação do receituário da administração financeira da crise por qualquer partido que esteja no poder, independentemente de sua inclinação ideológica, capitalista ortodoxa ou socialista (2). 
b) a verdadeira função e caráter do Estado. Este, antes de ser um provedor das demandas sociais, é um coletor de impostos que mascara o pesado ônus que impõe aos exauridos ombros dos trabalhadores (duplamente extorquidos, pelo capital e pelos tributos estatais) com serviços públicos cada vez mais ineficientes; e que exige do contribuinte a pagamento da conta da infraestrutura da produção mercantil e do funcionamento dos poderes institucionais que sustentam a opressora lógica mercantil. O trabalho e o trabalhador são categorias capitalistas que sustentam o Estado, a máquina de coerção sistêmica. 
c) o desejo de grande parte da população da volta à situação anterior, quando da ascensão capitalista. Então os trabalhadores conseguiam sobreviver, embora miseravelmente, e tinham esperança de subirem na vida, enquanto a minoritária classe média, formadora de opinião, vivia razoavelmente bem – isto com diferenciações de país para país, dependendo do grau de capacidade de produção de mercadorias de cada nação (a classe média dos Estados Unidos sempre teve benefícios estatais e confortos maiores que a classe média do Haiti, obviamente); 
d) a consciência, para uma pequena minoria formada pelos mais argutos, de que a crise não é uma questão de mau gerenciamento do Estado, decorrendo, isto sim, da falência dos próprios fundamentos de uma relação social que se tornou anacrônica e não consegue promover a mediação social de modo minimamente aceitável. 
A tal da classe média, consciente de que seus privilégios ora definham, prefere, por comodidade e medo do novo, embarcar na cantilena midiática de que toda a crise decorre da corrupção com o dinheiro público, como se o combate a tal cancro institucional (que não passa de um subproduto endêmico de uma corrupção sistêmica) fosse uma varinha de condão, capaz de promover a restauração do status quo antigo. E, assim, influencia toda a população.

A escolha dos Sérgio Moro e Joaquim Barbosa da vida como salvadores da pátria desfoca o cerne do problema e, ainda que aprovemos as suas atuações, não podemos ser ingênuos a ponto de crer que a corrupção se constitua na causa maior das nossas agruras. Ademais, o desvirtuamento do foco da crise estrutural para o combate a corrupção é do interesse do sistema, pois serve como desculpa para o seu fracasso e para o aumento da miséria enquanto perdurar a agonia do capitalismo.   
Quando se compreende o significado do processo eleitoral e da função dos partidos e dos políticos como um mecanismo de legitimação jurídico-institucional de uma forma de relação social segregacionista, não há que querermos melhorar o seu desempenho com a eleição de cidadãos honestos e partidos bem intencionados, na esperança de que mudem os padrões éticos de comportamento, quaisquer que sejam os seus matizes ideológicos. 

Isso não passa de sonho de uma noite de verão, pois tal desejo é irrealizável sob uma base de relações sociais de natureza capitalista, mercantil, que tem na subtração do valor produzido pelos trabalhadores (leia-secorrupção original) a sua razão de ser. Sob o capital, toda a institucionalidade funciona em falso, e dessa falsidade não pode nascer nada de bom do ponto de vista coletivo. 

Temos de denunciá-la e combate-la, ao invés de a fortalecer. Temos de buscar a produção fora do mercado, paulatinamente, exaustivamente, como modo de afirmação da vida.

Agora, quando a realidade bate à nossa porta e torna explícita a falsa dicotomia entre direita e esquerda sob o capitalismo, só nos resta negar o próprio capitalismo e suas categorias fundantes (valor, trabalho abstrato, mais-valia, dinheiro, mercadoria, mercado, Estado, política, políticos, democracia, socialismo, nacionalismo, capital, etc.). 

Temos de enfrentar tal gigante de pés de barro com todas as nossas forças; o preço a se pagar por isso não é pequeno, mas a vitória é possível. (por Dalton Rosado)
  1. existe também socialismo de direita, como foram os casos do Partido Nazista de Hitler, que se definia como nacional socialista; e do fascismo italiano de Mussolini, que defendia lemas ditos socialistas e nacionalistas, tendo sua legislação trabalhista sido copiada pelo ditador brasileiro Getúlio Vargas.
até ontem governando a França, Nicolas Sarkozy, de direita, foi defenestrado do poder pelo socialista François Hollande, o qual, por sua vez, hoje não consegue sequer ser candidato à reeleição, com os novos Sarkozys se apresentado como competentes governantes capazes de superar a crise do capital instalada na União Europeia.
 https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/a-realidade-desnuda-e-falsa-dicotomia.html

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

TRUMP: AMEAÇA À HUMANIDADE OU BUFÃO QUE SE FINGIRÁ DE REI?

O CAPITALISMO TRUMPARIANO SE APROXIMA DO NACIONALISMO NAZISTA
.
Se a vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, sob certos aspectos, foi uma surpresa, sob outros resulta coerente com determinadas mudanças verificadas nas últimas décadas na realidade contemporânea a partir do fim do sistema soviético.

O término da Guerra Fria, que dividia o mundo em duas facções hostis, provocou uma série de mudanças políticas, econômicas e ideológicas.

Elas geraram desde o radicalismo islâmico no Oriente Médio até o populismo latino-americano, que vive seus últimos momentos. Mas não só: provocou também reações diversas tanto no capitalismo europeu quanto no capitalismo norte-americano, de que a eleição de Trump é, sem dúvida, uma das consequências mais graves.

É claro que o fim do sistema soviético fortaleceu o capitalismo tanto econômica como ideologicamente, mas também provocou divisões no próprio capitalismo, de um lado favorecendo a tendência mais moderna –que aprendera com o socialismo a lição da igualdade social– mas, de outro, estimulando ideologicamente o capitalismo atrasado, que se valeu do sectarismo comunista para justificar a exploração sem limites e o lucro máximo.

Não é novidade dizer que o sonho da sociedade justa que o comunismo inspirava estimulou o surgimento de partidos e movimentos políticos que, durante quase um século, puseram em questão o regime capitalista, cujo caráter explorador do trabalho humano é indiscutível.

Esses movimentos e partidos, por sua vez, provocaram da parte dos setores mais conservadores reações –nazismo e fascismo foram exemplos extremos, mas não os únicos. Em muitos momentos e países, estabeleceu-se uma divisão insuperável, que se define até hoje como esquerda e direita.

Se é verdade que os erros do regime comunista –mesmo antes de sua derrocada final– impediram uma pretendida hegemonia mundial, o fim dele como realidade política e econômica teria consequências diferentes nos diferentes países capitalistas, indo desde certa socialização do capitalismo em alguns países até, contraditoriamente, a exacerbação da exploração capitalista, já que –segundo estes– ficara demonstrado pela história como a tese de que o capitalismo seria um mal a ser extirpado era resultado de um preconceito e de um erro da esquerda.

E essa tese não foi aceita apenas pelos militantes anticomunistas, mas também pelos setores mais diversos de alguns países europeus que optaram recentemente por governos de direita, não radicais como o de Donald Trump, mas igualmente dispostos a apagar, de uma vez por todas, o pesadelo do anticapitalismo que os assustou por décadas e décadas.

Esse anticomunismo é, portanto, bem mais radical que o europeu, porque a ele se soma a necessidade de erradicar do capitalismo todo e qualquer preconceito socializante, o que o opõe não apenas ao falecido comunismo como também ao chamado capitalismo moderno, minado de intenções progressistas.

Esse caráter do capitalismo trumpariano caracteriza-o como uma opção abertamente reacionária que, não por acaso, o aproxima do nacionalismo nazista, do qual estão excluídos quaisquer sentimentos de solidariedade com o sofrimento humano. Tudo isso é encarado como hipocrisia.

O capitalismo, assim entendido, é o regime dos mais capazes e dos vitoriosos, como Donald Trump.

O que importa é o lucro, ou seja, o aumento do capital e da riqueza, não importando que consequências tenham. Azar daqueles que a natureza criou incapazes.

Por isso mesmo, Trump nega que o desenvolvimento industrial gere o aquecimento do planeta e ameace a sobrevivência da humanidade. Ou seja, après moi, le déluge (depois de mim, o dilúvio).

Gostaria de concluir esta crônica tranquilizando o leitor com a seguinte lembrança: todas as tentativas semelhantes a essas, que ignoraram a realidade do processo econômico, político e científico, fracassaram.

Puderam até por algum tempo ganhar o apoio dos menos lúcidos e ressentidos, mas não sobrevivem porque são fruto do sectarismo, de ilusões e de ressentimentos, sem base na realidade. 
.

Pitaco do editor
O APRESENTADOR DO "BIG BROTHER" NÃO PODE DEMITIR OS PATROCINADORES DO PROGRAMA
.
Dentre os analistas que levam o Pato Donald Trump a sério, o veteraníssimo Ferreira Gullar foi o que melhor discorreu sobre o pesadelo que nos aguardaria. 

Não é o meu caso, mas considerei interessante apresentar suas divagações aos leitores deste blogue. Muitos, decerto, concordarão. E a discussão civilizada de pontos de vista discordantes é sempre proveitosa.

O que estamos assistindo,  no meu entender, é a repetição da História como farsa. Adolf Hitler detinha realmente o poder e podia realmente ordenar sandices como a invasão da URSS, que acabou quebrando a espinha da Wehrmacht.

A retórica e o passado macartista de Richard Nixon nos levavam a crer que acabaria desencadeando a 3ª Guerra Mundial. Ao invés disto, estabeleceu um modus vivendi com a URSS e a China, assegurando a paz entre as maiores potências militares do planeta.

O canastrão Ronald Reagan, surpreendendo quem tomava ao pé da letra seus discursos, combateu o império do mal com armas econômicas, deixado de lado as bélicas, salvo para sovar pigmeus como a Líbia.

George Bush, o pior dos últimos presidentes republicanos, jogou a civilização no lixo com suaguerra ao terror, restabelecendo, ele sim, práticas nazistas. Mas, nem de longe, provocou furacão equiparável ao que Gullar antevê a partir da posse de Trump.

Por que? Porque, no capitalismo globalizado, o poder político se tornou mero fantoche do econômico, o palco em que os bufões se fingem de reis, enquanto as verdadeiras majestades permanecem na sombra, tomando as decisões verdadeiramente importantes.

Talvez Hitler, tendo a bomba atômica, conseguisse efetivamente lançá-la sobre os EUA e a Inglaterra. Duvido que deixem Trump fazê-lo, caso queira. Isto rende boas novelas de ficção e filmes de sci-fi, nada mais.

Uma ou outra de suas promessas Trump precisará cumprir, para manter as aparências. A deportação de imigrantes sem documentos, p. ex. Mas que vá erguer barreiras nacionalistas a torto e a direito, afetando os interesses das maiores empresas do planeta, lá isto eu duvido. 

Estamos na sociedade do espetáculo e o apresentador do Big Brother estadunidense não tem poder suficiente para demitir os patrocinadores do programa. 
(por Celso Lungarettihttps://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/por-ferreira-gullar-o-capitalismo.html