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sábado, 3 de janeiro de 2015

Veja os carros que serão lançados no Brasil em 2015


Jeep Renegade — O SUV compacto será produzido em Goiana, no norte de Pernambuco, a partir do início de 2015, e chega às lojas até abril, com versões flex e a diesel e preços estimados entre R$ 68 mil e R$ 105 mil. Haverá opções de câmbios manual de seis marchas e automáticos de seis e nove relações, além de tração dianteira e 4X4, com programas de condução off-road e selo "Trail Rated" — que atesta a capacidade para encarar trilhas pesadas. É, sem dúvida, um dos lançamentos mais importantes de 2015, e uma das principais ameaças ao líder do segmento, o Ford EcoSport
Honda HR-V — O crossover derivado dos compactos Fit e City foi mostrado na versão final, que começa a ser produzida em Sumaré, interior de São Paulo, a partir do início de 2015. O utilitário usará o motor 1.8 FlexOne de 140 cv (com etanol) do sedã Civic, já dotado do sistema de partida a frio que despreza o tanquinho auxiliar de gasolina. Este terá opções de câmbios manual e automático do tipo CVT (continuamente variável) e, por enquanto, está prevista apenas tração dianteira.
Renault Duster Oroch — A versão picape do Duster estreou como show car na feira de carros paulistana, e está recebendo os últimos ajustes. Seu lançamento ocorrerá em 2015, possivelmente no primeiro semestre, para ser a primeira picape "meio-média" do mercado brasileiro
Peugeot 2008 — Sucesso de vendas na Europa, com mais de 200 mil unidades produzidas em pouco mais de um ano, o crossover compacto estreou no Salão de São Paulo cheio de expectativa por parte da marca do leão. O 2008 começa a ser produzido na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, no início de 2015 e chega às lojas até o meio do ano que vem, para desafiar Ford EcoSportRenault DusterChevrolet Tracker e a legião de jipinhos novatos
O SUV médio chinês chega às lojas em dezembro para fazer frente a modelos bem-sucedidos no mercado brasileiro, como Honda CR-V e os sul-coreanos Hyundai ix35 e Kia Sportage. Seu principal apelo será o preço: por R$ 66.990, virá completo de fábrica, tendo apenas alguns opcionais, como forração em couro e central multimídia. A mecânica terá motor 2.0 flex de até 160 cv e câmbio manual de cinco marchas

Volkswagen Jetta — novo Jetta chega com um tapa no visual (que o deixará parecido com o Passat) e o inédito motor 1.4 Turbo Flex para o lugar do veterano 2.0 aspirado
Ford Focus Sedan — A marca do oval azul promoverá a reestilização do modelo, para deixar sua linha brasileira com o mesmo design da gama global. O sedã chegará primeiro às lojas, seguido do hatch, no segundo semestre de 2015
Hyundai Veloster Turbo — Ele voltou! Após deixar de ser importado no começo deste ano, o Hyundai Veloster retorna ao Brasil em 2015 com motor 1.6 turbo de 204 cavalos. O objetivo é reverter a imagem manchada pelo seu desempenho "modesto". O preço não foi divulgado, mas deve ficar na faixa de Honda Civic Si e Volkswagen Golf GTI.
Fiat Bravo — Renovado no Salão de São Paulo, o novo Bravo estreia no comecinho de 2015 com o visual levemente repaginado e uma central multimídia mais moderna, com tela touch
Honda CR-V — O utilitário médio recebeu retoques estéticos em Paris e tem tudo para vir a São Paulo mostrar seus novos faróis contornados por filetes de LEDs. Seu lançamento deve ficar para 2015
Land Rover Discovery Sport — Sucessor do Freelander, será lançado mundialmente no início de 2015 e chega ao Brasil até o meio do ano, com "status" de nacional. Durante o Salão de São Paulo, a montadora britânica confirmou que o SUV "meio-médio" de luxo será produzido na fábrica de Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, a partir de 2016
Jaguar XE — A Jaguar confirmou que venderá o XE no Brasil em 2015. O novo e inédito sedã de entrada da marca vai disputar vendas com Mercedes-Benz Classe C e BMW Série 3. O XE tem tração traseira, carroceria com mais de 75% das chapas em alumínio, cinco versões de acabamento e opções de motorização quatro e seis cilindros, com injeção direta de combustível, acionamento de válvulas variável e sistema start-stop
Audi TT — A Audi anunciou no salão que o A3 Sedan será flex partir de 2015. O modelo será produzido na fábrica que a montadora está erguendo em São José dos Pinhais (PR), onde será produzido também o utilitário compacto Q3 (em 2016). A marca alemã também confirmou que venderá o hatch híbrido A3 Sportback e-tron a partir do segundo semestre de 2015 no País. Outra novidade no estande da Audi é a nova geração do esportivo TT, exibido na versão roadster
BMW M4 — O BMW M4 rompe uma tradição germânica ao mudar de nome e apostar em motores turbinados para oferecer desempenho e economia de combustível. O modelo chega no comecinho de 2015
Mercedes-Benz AMG GT — Poderoso e sedutor, o novo esportivo da marca da estrela foi um dos supercarros mais brilhantes desta edição 2014 da feira paulistana. Sua importação está confirmada para o primeiro semestre de 2015, com a mira apontada para o Porsche 911, modelo mais emblemático da fábrica de Stuttgart. Seu motor 4.0 V8 biturbo gera 426 cv de força e pesados 61,1 kgfm de torque — o 0 a 100 km/h é feito em apenas 3,9 segundos
Ford Mustang — A nova geração do esportivo símbolo dos muscle-cars será importada oficialmente para o Brasil, para delírio dos fãs brasileiros. Mas ainda vai levar um tempo. A previsão é de que o novo Mustang só chegue entre o fim de 2015 e o início de 2016, porque esta é a primeira geração "global" do Mustang, e será comercializada em uma centena de países
Nissan New Versa — O sedã compacto chega no início de 2015 renovado por fora e por dentro, e com produção nacional, na fábrica de Resende, no sul do Rio de Janeiro. Especula-se que estreará um moderno motor 1.0 de três cilindros, que também será produzido na unidade sul-fluminense. Se a informação se confirmar, o New Versa ganhará preços bastante competitivos, e usará a carroceria encorpada como diferencial — será um dos sedãs mais confortáveis e espaçosos do mercado
BMW Série 2 Active Tourer — Primeiro veículo de tração dianteira da história da marca bávara, o hatch com características de minivan chega no País no início de 2015 para encarar o Mercedes-Classe B, modelo que até hoje não tinha um adversário direto. A mecânica terá o motor 2.0 turbo de 231 cv de potência. Preços serão anunciados no futuro
Lexus NX — Maior aposta global da divisão de luxo da Toyota, o SUV compacto chega no início de 2015 para disputar o filão que mais cresce no País. Entre os adversários estão Audi Q3BMW X3 e Mercedes-Benz GLA
Volvo XC90 — Estrela da marca sueca em Paris, a nova geração do SUV grande de luxo é aguardada no pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo, daqui a duas semanas. Um filme comercial com pedaços do modelo já circula na tevê paga. Destaque para os faróis inspirados no martelo de Thor, Deus do Trovão, e a central multimídia que inclui uma "tela-tablet" no console central do painel
Kia Sorento — Um dos campeões de vendas da marca sul-coreana no Brasil, o SUV ganhou nova geração em Paris e já está estreou no motor show paulistano, ao lado do elétrico Soul EV e da minivan Carnival. A expectativa é de que o modelo desembarque no Brasil no primeiro semestre do ano que vem
JAC J5 — Desde que chegou ao Brasil, o sedã médio chinês nunca impressionou, mas a atualização promete deixar o J5 muito mais interessante que a versão anterior/atual. Além do design mais belo e moderno, o modelo terá motor 1.5 flex, câmbio automático tipo CVT e acabamento mais chique na cabine, além de uma lista de equipamentos ainda mais completa. Se a JAC reposicionar seu preço, pode se tornar muito maior do que é hoje
Kia Carens — A nova geração da minivan desembarca no Brasil no início de 2015 e terá dificuldade para se reposicionar de forma competitiva, uma vez que a Kia não possui, no momento, fábrica ou planos de construir uma no País. Ainda assim, o modelo familiar terá motor flex e vai encantar muita gente com tecnologias — virá apenas em versões tops

Do R7

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Veja os modelos de carros mais valiosos já produzidos


Ford GT40 (ano 1968) — o modelo participou do filme clássico “Le Mans” (1971), com Stevie McQueen, e ficou conhecido por sua carroceria laranja e azul bebe. Em 2012, ele foi arrematado por R$ 28,8 milhões (US$ 11 milhões) em leilão nos EUA
Ferrari 375-Plus Spider Competizione (ano 1954) — equipado com propulsor V12 de 4,9 litros, ele chegou a ser chamado de “O Temível 49” por seu desempenho notável nas corridas da época. Ele foi leiloado em junho deste ano, no Reino Unido, por R$ 42 milhões (US$ 16,3 milhões)
Mercedes-Benz W196 — ele foi usado pelo argentino Juan Manuel Fangio em duas corridas de Fórmula 1, em 1954. Entre as 14 unidades do modelo produzidas, uma foi comprada por particular, que pagou R$ 75,18 milhões (US$ 29,6 milhões) 
Ferrari 275 GTB/C Speciale — uma Ferrari cinza? Isso mesmo, e com chassi em alumínio para reduzir o peso do carro, uma novidade à época. Equipado com motor 3.3 V12 de 324 cv, o modelo construído em 1964 foi leiloado por R$ 68 milhões (US$ 26,4 milhões)
Ferrari 275 GTB/4 S NART Spider — o conversível equipado com motor V12 de 304 cavalos conquistou a N.A.R.T. (sigla pata Time de Corrida Norte-Americano), que em 1967 encomendou dez unidades. Em 2013, ele foi leiloado por R$ 71 milhões (US$ 27,7 milhões)
Ferrari 250 GT California LWB (longa) Competizione Spider (ano 1960) — o modelo foi arrematado em leilão em Pebble Beach, nos Estados Unidos, por R$ 29,57 milhões (US$ 11,27 milhões)
Ferrari 250 GTO Berlinetta (ano 1962) — o modelo foi leiloado nos anos 60 por R$ 96,5 milhões (US$ 38 milhões), em sua apresentação no Concours d'Elegance de Pebble Beach (EUA)
Ferrari 250 GT SWB (curta) California Spider (ano 1961) — o modelo costuma ser associado ao filme “Curtindo a Vida Adoidado” e pertenceu ao ator norte-americano James Coburn. Em 2008, ele foi leiloado na Itália por R$ 28 milhões (US$ 10,89 milhões)
Mercedes-Benz 540K Spezial Roadster (ano 1936) — o modelo pertenceu à baronesa da Prússia, Gisela von Krieger, que permaneceu com ele até a sua morte, em 1989. Em 2012, ele foi leiloado nos EUA por R$ 30,8 milhões (US$ 11,77 milhões)
Ferrari 250 Testa Rossa — parece o carro do Speed Racer, mas não é. O modelo disputou a corrida de Nürburgring (Alemanha), em 1957, e foi leiloada em 2013 por R$ 43 milhões (US$ 16,4 milhões)
Ferrari 250 Testa Rossa (ano 1957) — chamativo por seu visual com faróis brancos, contorno vermelho da grade e carroceria preta, o modelo foi leiloado na Itália em 2009 por R$ 32 milhões (US$ 12,18 milhões)
Ferrari 250 LM (Le Mans) — um dos primeiros carros da montadora italiana produzidos com motor central, em 1964, ele tem propulsor V12 250 de 324 cv e foi leiloado em Nova York (EUA), em 2013, por R$ 37,4 milhões (US$ 14,3 milhões)
Ferrari 250 LM Scaglietti (ano 1964) — o modelo foi apresentado no Salão de Paris, em 1963, e venceu a corrida de Le Mans em 1965. Em leilão nos EUA, foi arrematado por R$ 30,2 milhões (US$ 11,55 milhões)
Ferrari 340/375 MM Berlinetta "Competizione" — o modelo participou de diversas corridas e quebrou o recorde mundial de velocidade em competições em pista aberta, atingindo 222 km/h. Em 2013, foi leiloada na Itália por R$ 33,4 milhões (US$ 12,74 milhões)
Do R7, via http://carrosemfotos.blogspot.com.br/2014/11/veja-os-modelos-de-carros-mais-valiosos.html

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

São Paulo é a sexta cidade com mais bilionários, à frente de Dubai e Tóquio


"A capital paulista tem 36 bilionários segundo levantamento do banco suíço UBS. O perfil é de homens com idade média de 65 anos 
CartaCapital 

São Paulo é a sexta cidade com mais bilionários do mundo. O levantamento batizado de "Censo de bilionários" é publicado pelo banco suíço UBS e pela consultoria especialista em alta renda Wealth-X. A capital paulista tem 36 bilionários, À frente de Dubai, com 34, Paris, 33, e Tóquio, 26. A maioria é de homens e a idade média é de 65 anos.

No mundo todo são 2.325 com mais de um bilhão de dólares em patrimônio. A campeã é Nova York, com 103 bilionários, seguida de Moscou, com 85, e Hong Kong, com 82.

A soma do patrimônio do bilionários da capital paulista é de 91 bilhões de dólares, cerca de 215 bilhões de reais. O censo ainda mostra que 83% deles nasceram no Brasil e 61% contribuíram na construção de sua fortuna ou de parte dela. 53% estão envolvidos com o setor público e 28% fazem parte do mercado financeiro.

Apenas um quarto do total é composto por mulheres, ou seja, são nove bilionárias morando em São Paulo. Entretanto, essa média é maior do que a global, onde o percentual de mulheres é de 12,3%.

O censo ainda mostra que o mundo ganhou 155 novos bilionários em 2014. O maior aumento foi identificado na América Latina e no Caribe, onde o número aumentou de 111 para 153."

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os carros mais caros do mundo


O experiente jornalista Joel Leite, que durante muitos anos trabalhou na equipe do Jornal do Carro, suplemento pioneiro do Jornal da Tarde, e hoje é diretor da agência de notícias AutoInforme, publicou nesses últimos dias em seu blog O Mundo em Movimento uma série de matérias que simplesmente desnuda um dos maiores enigmas do mundo empresarial: por que os carros brasileiros são os mais caros do mundo?
Até então, a culpa, segundo os fabricantes, era do tal "Custo Brasil", que engloba uma série de fatores: dólar barato, mão de obra cara, frete caro, e, finalmente, a queixa mais recorrente de onze entre dez empresários, a carga tributária do país.
Pois bem, quem leu a série do Joel viu que tudo isso não passa de balela, um tremendo papo furado para esconder o que ocorre de fato: o carro vendido no Brasil custa a exorbitância que custa por um motivo até mesmo prosaico - as montadoras e importadoras têm mesmo é lucros absurdos em seus produtos, e para isso contam com a conivência de um mercado consumidor que vê no veículo um item de luxo, não de necessidade, um símbolo de status, não um meio de transporte.
Um carro médio custa no Brasil quase o mesmo que uma habitação popular do programa Minha Casa, Minha Vida!
A série integral que Joel publicou no seu site está transcrita abaixo. Imagino o tremendo trabalho que ele teve para fazê-la. Arrancar alguma coisa do pessoal dessa área não é tarefa para qualquer um. E quem se dispuser a gastar alguns minutos para ler as matérias certamente ficará com a impressão de que, se alguma vez comprou um carro, fez o papel de um completo idiota.
É simplesmente inacreditável como as montadoras atuam no Brasil!
Aí vão as matérias:

Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo


O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.
A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.
A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.
Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.


A carga tributária caiu e o preço do carro subiu


O imposto, o eterno vilão, caiu nos últimos anos. Em 1997, o carro 1.0 pagava 26,2% de impostos, o carro com motor até 100cv recolhia 34,8% (gasolina) e 32,5% (álcool). Para motores mais potentes o imposto era de 36,9% para gasolina e 34,8% a álcool.
Hoje – com os critérios alterados – o carro 1.0 recolhe 27,1%, a faixa de 1.0 a 2.0 paga 30,4% para motor a gasolina e 29,2% para motor a álcool. E na faixa superior, acima de 2.0, o imposto é de 36,4% para carro a gasolina e 33,8% a álcool.
Quer dizer: o carro popular teve um acréscimo de 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias o imposto diminuiu: o carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, o imposto também caiu: 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.
Enquanto a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010, o imposto sobre veículo não acompanhou esse aumento.
Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (retirou, no caso dos carros 1.0) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse totalmente repassado para o consumidor.
As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência fora-de-estrada. Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.


A margem de lucro é três vezes maior que em outros países


O Banco Morgan concluiu que esses carros são altamente lucrativos, têm uma margem muito maior do que a dos carros dos quais são derivados. Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais.
O Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker), custa R$ 52,5 mil e a versão normal R$ 40,9 mil (motor 1.4), uma diferença de 28,5%. No caso do Doblò (que tem a mesma configuração), a versão Adventure custa 9,3% a mais.
O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.
O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX). Neste preço está incluído o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.
Adicionando os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692,00. Considerando que nos R$ 20,3 mil faturados para o México a montadora já tem a sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (adicional) é de R$ 15.518,00: R$ 56.210,00 (preço vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.
Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv.
Será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa “não fala sobre o assunto”.
Na Argentina, a versão básica, a LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o Auto Blog.
Já o Hyundai ix35 é vendido na Argentina com o nome de Novo Tucson 2011 por R$ 56 mil, 37% a menos do que o consumidor brasileiro paga por ele: R$ 88 mil.


Por que o carro é mais barato na Argentina e no Chile?


A ACARA, Associacion de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina, divulgou no congresso dos distribuidores dos Estados Unidos (N.A.D.A), em São Francisco, em fevereiro deste ano, os valores comercializados do Corolla em três países:
No Brasil o carro custa US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00.
Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil.
Por que essa diferença? Vários dirigentes foram ouvidos com o objetivo de esclarecer o “fenômeno”. Alguns “explicaram”, mas não justificaram. Outros se negaram a falar do assunto.
Quer mais? O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46 mil.
O Corolla não é exceção. O Kia Soul, fabricado na Coréia, custa US$ 18 mil no Paraguai e US$ 33 mil no Brasil. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço.
A Volkswagen não explica a diferença de preço entre os dois países. Solicitada pela reportagem, enviou o seguinte comunicado:
“As principais razões para a diferença de preços do veículo no Chile e no Brasil podem ser atribuídas à diferença tributária e tarifária entre os dois países e também à variação cambial”.
Questionada, a empresa enviou nova explicação:
“As condições relacionadas aos contratos de exportação são temas estratégicos e abordados exclusivamente entre as partes envolvidas”.
Nenhum dirigente contesta o fato de o carro brasileiro ser caro. Mas o assunto é tão evitado que até mesmo consultores independentes não arriscam a falar, como o nosso entrevistado, um ex-executivo de uma grande montadora, hoje sócio de uma consultoria, e que pediu para não ser identificado.
Ele explicou que no segmento B do mercado, onde estão os carros de entrada, Corsa, Palio, Fiesta, Gol, a margem de lucro não é tão grande, porque as fábricas ganham no volume de venda e na lealdade à marca. Mas nos segmentos superiores o lucro é bem maior.
O que faz a fábrica ter um lucro maior no Brasil do que no México, segundo consultor, é o fato do México ter um “mercado mais competitivo” (?).
Um dirigente da Honda, ouvido em off, responsabilizou o “drawback”, para explicar a diferença de preço do City vendido no Brasil e no México. O “drawback” é a devolução do imposto cobrado pelo Brasil na importação de peças e componentes importados para a produção do carro. Quando esse carro é exportado, o imposto que incidiu sobre esses componentes é devolvido, de forma que o “valor base” de exportação é menor do que o custo industrial, isto é: o City é exportado para o México por um valor menor do que os R$ 20,3 mil. Mas quanto é o valor dos impostos das peças importadas usadas no City feito em Sumaré? A fonte da Honda não responde, assim como outros dirigentes da indústria se negam a falar do assunto.
Mas quanto poderá ser o custo dos equipamentos importados no City? Com certeza é menor do que a diferença de preço entre o carro vendido no Brasil e no México (R$ 15 mil).
A conta não bate e as montadoras não ajudam a resolver a equação. Apesar da grande concorrência, nenhuma das montadoras ousa baixar os preços dos seus produtos. Uma vez estabelecido, ninguém quer abrir mão do apetitoso “Lucro Brasil”.
Ouvido pela AutoInforme, quando esteve em visita a Manaus, o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, respondeu que, retirando os impostos, o preço do carro no Brasil é mais caro que em outros países porque “aqui se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis”.
Ele disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro no Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. “O que vale é o preço que o mercado paga”.
E porque o consumidor brasileiro paga mais do que os outros?
“Eu também queria entender – respondeu Takanobu Ito – a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até os sanduíches do McDonalds aqui são os mais caros do mundo”.
“Se a moeda for o Big Mac – confirmou Sérgio Habib, que foi presidente da Citroën e hoje é importador da chinesa JAC - o custo de vida do brasileiro é o mais caro do mundo. O sanduíche custa US$ 3,60 lá e R$ 14,00 aqui”. Sérgio Habib investigou o mercado chinês durante um ano e meio à procura por uma marca que pudesse representar no Brasil. E descobriu que o governo chinês não dá subsídio à indústria automobilística; que o salário dos engenheiros e dos operários chineses não são menores do que os dos brasileiros.
“Tem muita coisa errada no Brasil – disse Habib, não é só o preço do carro que é caro. Um galpão na China custa R$ 400,00 o metro quadrado, no Brasil custa R$ 1,2 mil. O frete de Xangai e Pequim custa US$ 160,00 e de São Paulo a Salvador R$ 1,8 mil”.
Para o presidente da PSA Peugeot Citroën, Carlos Gomes, os preços dos carros no Brasil são determinados pela Fiat e pela Volkswagen. “As demais montadoras seguem o patamar traçado pelas líderes, donas dos maiores volumes de venda e referência do mercado”, disse.
Fazendo uma comparação grosseira, ele citou o mercado da moda, talvez o que mais dita preço e o que mais distorce a relação custo e preço:
“Me diga, por que a Louis Vuitton deveria baixar os preços das suas bolsas?”, questionou.
Ele se refere ao “valor percebido” pelo cliente. É isso que vale.
“O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.
“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.