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domingo, 16 de novembro de 2014

Seca em São Paulo ou Indústria da Seca Sudestina?

Seca em São Paulo ou Indústria da Seca Sudestina? Tudo indica que a seca não migrou para o planalto paulista. O que migrou para São Paulo foi a indústria da seca?

Fábio de Oliveira Ribeiro - Jornal GGN - 14/11/2014 

Charge: Moesio Fiuza - Tribuna do Ceará
A crise hídrica no sudeste é grave e, curiosamente, ocorre exatamente no momento em que o governo federal está otimizando os recursos federais aplicados no nordeste para combater a seca. A construção de cisternas familiares e de pequenos reservatórios para captar água da chuva, a manutenção dos açudes e a transposição do São Francisco estão revolucionando o nordeste, fixando o nordestino na região. Nos próximos anos o governo Dilma Rousseff proporcionará uma significativa melhora da economia e no padrão de vida no semi-árido. O relevante papel do Exército e dos engenheiros militares nesta revolução não pode ser esquecido.

Ainda é cedo, mas pelo menos no nordeste parece que a indústria da seca chegou ao fim.

“Indústria da seca é um termo utilizado no Brasil para designar a estratégia de certos segmentos das classes dominantes que se beneficiam indevidamente de subsídios e vantagens oferecidos pelo governo a partir do discurso político da seca. O termo começou a ser usado na década de 60 por Antônio Callado, que denunciava no Correio da Manhã os problemas da região do semi-árido brasileiro.

Governo Federal Brasileiro dispõe de alguns programas, como a Operação Carro-pipa desenvolvida pelo Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o Exército Brasileiro, que buscam contornar os efeitos da seca e minimizar a falta de investimento em infra-estrutura básica em determinadas regiões do país.

A problemática da seca remonta aos tempos de Dom Pedro II, que chegou inclusive a afirmar que venderia as jóias da coroa, fato que não aconteceu, para acabar com o problema, agravado pela grande seca do Nordeste em 1877."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Seca_no_Brasil#Ind.C3.BAstria_das_secas

O problema da seca no sudeste preocupa. O Estado de São Paulo não realiza obras para melhorar a captação de água há 20 anos. Há 10 anos o primeiro sinal de alerta foi dado, mas os governos tucanos nada fizeram além de privatizar a Sabesp e permitir a distribuição dos lucros auferidos pela companhia. No ano passado os reservatórios paulistas quase secaram. Neste ano, eles estão ficando secos meses antes do início do período das chuvas.

Apavorado pelo problema que criou, Alckmin pediu aproximadamente 3,5 bilhões de reais ao governo federal para sanar a crise hídrica em São Paulo. O governo Dilma Rousseff reclama que o governador paulista não detalhou como e onde pretende usar o dinheiro público dos brasileiros.

Por mais que a grande imprensa blinde o habitante do Palácio dos Bandeirantes, é público e notório que os lucros da Sabesp foram fartamente distribuídos aos acionistas da empresa nos últimos anos. Quanto deste dinheiro voltou para os cofres tucanos em forma de doações eleitorais?

Os recursos federais pedidos por Alckmin serão utilizados para realizar as obras que a Sabesp deveria ter feito com os lucros que obteve distribuindo água aos paulistas. Quem pagará a conta das despesas realizadas pela União em razão da incúria de sucessivos governos tucanos? Quem abocanhará a maior fatia dos lucros adicionais que a Sabesp terá depois que novas obras hídricas foram realizadas em São Paulo com dinheiro federal? Dos 3,5 bilhões solicitados ao governo Dilma Rousseff quando os tucanos desviarão mediante contratos de obras e serviços super faturados parecidos com aqueles que minaram a capacidade financeira do Metrô e da CPTM?

O clima paulista não é semi-árido. A seca em São Paulo não é um fenômeno natural, tampouco pode ser creditado ao desmatamento da Amazônia. Os paulistas estão ficando sem água porque houve um aumento do consumo de água e uma redução da qualidade da gestão dos recursos públicos no Estado de São Paulo nas últimas duas décadas. Os tucanos sabiam o que estavam fazendo quando distribuíam os lucros da Sabesp. Tudo indica que a seca não migrou para o planalto paulista. O que migrou para São Paulo foi a indústria da seca?

Nos próximos dois meses a economia de São Paulo pode levar o maior tombo desde a crise internacional que corroeu o valor das sacas e das safras de café. Faltará água para a atividade industrial, milhares de empresas fecharão as portas e algumas certamente irão à falência. Quem vai pagar o prejuízo causado pelos tucanos aos empresários que atuam em São Paulo? Os contribuintes paulistas?
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/11/seca-em-sao-paulo-ou-industria-da-seca.html

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC. Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB.



Leia o post do PSDB na foto e VEJA a mentira e a manipulação grosseira dos números.

Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995. A inflação caiu em julho de 1994, durante o governo de Itamar Franco. A nova moeda, o real, teve início em 1º de julho. Aqui foi o momento de queda da inflação. Observe a tabela com as taxas de inflação referentes a 1994, em variação %.
● Janeiro: 41,3
● Fevereiro: 40,3
● Março: 42,8
● Abril: 42,7
● Maio: 44
● Junho: 47,5
☆ Julho: 6,8
☆ Agosto: 1,9
☆ Setembro: 1,5
☆ Outubro: 2,6
☆ Novembro: 2,8
☆ Dezembro: 1.71
A MENTIRA
Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB. Basta olhar os números da tabela para se ter a certeza que não existem os tais 900%. AQUI ESTÁ A MENTIRA.
A TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO
Só é possível encontrar o número sugerido pelo PSDB se somarmos a inflação de janeiro a dezembro de 1994, mas não foi exatamente isto que foi herdado. A herança foi a inflação de julho a dezembro de 1994. Houve uma mudança estrutural durante o ano de 1994. FHC herdou a inflação com o Plano Real já implantado. Não podemos somar laranjas com bananas (não podemos somar a inflação antes e depois do Plano Real). AQUI ESTÁ A MANIPULAÇÃO GROSSEIRA.
OS DEMAIS NÚMEROS SÃO CORRETOS
FHC entregou para Lula uma inflação superior a 12,5% e que estourou a meta limite em 2001 e 2002. Nos governos de Lula e Dilma, a inflação voltou para a meta e aí está desde 2004.
Armínio Fraga é o ex-presidente do Banco Central campeão de juros altos: 45% ao ano. Ele foi presidente do BC durante o 2º governo de FHC, de 1999 a 2002.

Inflação: moderada e sob controle ou alta e descontrolada?
Por João Sicsú 09/10/2014 - Revista Forum

A discussão sobre as causas e efeitos da inflação tem sido muito rebaixada. Usa-se qualquer rótulo para classificar a inflação.  Não há compromisso com os fatos, despreza-se a coerência e faz-se o culto à superficialidade.

A inflação no Brasil não é alta. A inflação média dos últimos oito anos (2006-2013) foi de 5,2%. Nesse período, a menor taxa anual foi 3,1% e a maior foi 6,5%. Inflação alta era antes do Plano Real, lançado em 1994, quando o presidente era Itamar Franco.
Sejamos intelectualmente honestos, inflação alta existia quando a causa da inflação era a própria inflação. Quando os preços aumentavam hoje porque tinham aumentado ontem. Havia uma corrida de diferentes preços e salários para evitar perdas. Havia uma corrida descontrolada de preços, não havia previsibilidade, os contratos eram frágeis e a inflação era superior a 80% ao mês. Hoje, a inflação mensal é quase sempre inferior a 0,5%.
De 1994 para cá, temos tido taxas moderadas de inflação.  As causas são pontuais. No contexto de inflação moderada, há causas específicas, por exemplo, a alta dos alimentos ou uma desvalorização cambial. Após o Plano Real, ingressamos num regime de taxas moderadas, horas mais elevadas, horas mais baixas – mas a trajetória sempre foi de uma inflação moderada. Existe previsibilidade, os contratos não são abalados por conta de altas taxas inflacionárias. Devedor e credor podem assinar contratos com segurança.
Por motivos eleitorais, tucanos lançam o ataque: “a inflação é alta e descontrolada”.  Não querem debate de ideias. Chamam para o Fla-Flu. Então devemos mostrar o placar. Vamos à comparação numérica entre os 8 anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e as administrações do PT (2003-hoje).
Está superada a discussão se a inflação é moderada ou alta: de 1995 aos dias de hoje é moderada. A média da inflação no governo Dilma foi de 6,1% ao ano. No mesmo período, a inflação nos Brics foi de 6,3%. Mas, no Brasil o efeito da inflação tem sido neutralizado já que os reajustes dos rendimentos do trabalho e do salário mínimo desde 2003 aos dias de hoje têm sido maiores que a inflação. Isso é fato reconhecido pelos tucanos. Mas como não prestam atenção nos trabalhadores, mas somente nos negócios, dizem que essa dinâmica retira competitividade das empresas. Em outras palavras, reduz os lucros – pelo simples fato que salários reais estão aumentando.
Está ultrapassada, também, a discussão se há descontrole ou não: desde 1994, quando foi quebrado o regime de alta inflação, temos inflação sob controle. Resta a discussão: quem obteve melhores resultados em termos de taxas e custos sociais dentro desta situação consagrada de inflação moderada e sob controle que já dura 20 anos.
Vamos aos números. São, flagrantemente, favoráveis às administrações do Partido dos Trabalhadores. A inflação média nos governos tucanos foi de 9,25%. É importante apontar a causa. Sofríamos constantemente de choques cambiais que contaminavam todos os preços da economia. O câmbio disparava. Não tínhamos reservas em dólares para vacinar os choques cambiais, éramos um país com uma alta vulnerabilidade externa. Nossas reservas eram 10 vezes menores do que são hoje.

Sem reservas, os governos tucanos elevavam juros e cortavam gastos para conter a inflação matando toda economia. Ainda assim, o câmbio contaminava os preços e havia inflação. Juros eram estratosféricos, o desemprego era alto (superior a 12% ao final de 2002, hoje é 5%). A inflação média durante a gestão de Armínio Fraga (1999 a 2002) à frente do Banco Central foi de 8,8%. O anunciado ministro da Fazenda de Aécio Neves manteve taxas médias de juros próximas a 20% durante quatro anos. É o campeão de taxas de juros elevadas, ele bateu o recorde em 1999 e estabeleceu juros de 45% ao ano. Somente a insensibilidade econômica/social e a afinidade política/ideológica explicam o 45.
Foi Armínio Fraga que introduziu o regime de metas de inflação no Brasil em 1999. Nesse ano, a meta foi atingida, mas o resultado não pode ser comemorado porque a meta foi estabelecida em junho, quando já se sabia a inflação da metade do ano. Nos três anos seguintes, Armínio Fraga estourou a meta em dois, 2001 e 2002. Após ter estourado a meta de 2001, Armínio Fraga em carta (disponível no site do Banco Central) dirigida ao Ministro da Fazenda Pedro Malan, previu uma inflação de 3,7% para 2002. Errou feio. Foi de 12,5%. Bom de previsão não é. Cabe destacar: em 11 anos (2003 a 2013) de administração do regime de metas, apenas em 2003 o governo do PT estourou a meta.
Por último, se chamam a inflação durante o governo Dilma de “alta e descontrolada”, para manter a coerência política – e não técnica, essa já foi desprezada – qual seria o rótulo que usariam para descrever a inflação durante a gestão de Armínio Fraga à frente do Banco Central? Muito alta e estourada???
Armínio Fraga foi indicado para ser Ministro da Fazenda de Aécio Neves. Melhor se for ministro da fazenda de Cláudio.

Por João Sicsú - 12/10/2014 - Revista Forum
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/10/a-mentira-do-psdb-sobre-inflacao-no.html

sábado, 18 de outubro de 2014

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC. Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB.


Por João Sicsú - 12/10/2014 - Revista Forum

Leia o post do PSDB na foto e VEJA a mentira e a manipulação grosseira dos números.

Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995. A inflação caiu em julho de 1994, durante o governo de Itamar Franco. A nova moeda, o real, teve início em 1º de julho. Aqui foi o momento de queda da inflação. Observe a tabela com as taxas de inflação referentes a 1994, em variação %.
● Janeiro: 41,3
● Fevereiro: 40,3
● Março: 42,8
● Abril: 42,7
● Maio: 44
● Junho: 47,5
☆ Julho: 6,8
☆ Agosto: 1,9
☆ Setembro: 1,5
☆ Outubro: 2,6
☆ Novembro: 2,8
☆ Dezembro: 1.71
A MENTIRA
Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB. Basta olhar os números da tabela para se ter a certeza que não existem os tais 900%. AQUI ESTÁ A MENTIRA.
A TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO
Só é possível encontrar o número sugerido pelo PSDB se somarmos a inflação de janeiro a dezembro de 1994, mas não foi exatamente isto que foi herdado. A herança foi a inflação de julho a dezembro de 1994. Houve uma mudança estrutural durante o ano de 1994. FHC herdou a inflação com o Plano Real já implantado. Não podemos somar laranjas com bananas (não podemos somar a inflação antes e depois do Plano Real). AQUI ESTÁ A MANIPULAÇÃO GROSSEIRA.
OS DEMAIS NÚMEROS SÃO CORRETOS
FHC entregou para Lula uma inflação superior a 12,5% e que estourou a meta limite em 2001 e 2002. Nos governos de Lula e Dilma, a inflação voltou para a meta e aí está desde 2004.
Armínio Fraga é o ex-presidente do Banco Central campeão de juros altos: 45% ao ano. Ele foi presidente do BC durante o 2º governo de FHC, de 1999 a 2002.

Inflação: moderada e sob controle ou alta e descontrolada?
Por João Sicsú 09/10/2014 - Revista Forum

A discussão sobre as causas e efeitos da inflação tem sido muito rebaixada. Usa-se qualquer rótulo para classificar a inflação.  Não há compromisso com os fatos, despreza-se a coerência e faz-se o culto à superficialidade.

A inflação no Brasil não é alta. A inflação média dos últimos oito anos (2006-2013) foi de 5,2%. Nesse período, a menor taxa anual foi 3,1% e a maior foi 6,5%. Inflação alta era antes do Plano Real, lançado em 1994, quando o presidente era Itamar Franco.
Sejamos intelectualmente honestos, inflação alta existia quando a causa da inflação era a própria inflação. Quando os preços aumentavam hoje porque tinham aumentado ontem. Havia uma corrida de diferentes preços e salários para evitar perdas. Havia uma corrida descontrolada de preços, não havia previsibilidade, os contratos eram frágeis e a inflação era superior a 80% ao mês. Hoje, a inflação mensal é quase sempre inferior a 0,5%.
De 1994 para cá, temos tido taxas moderadas de inflação.  As causas são pontuais. No contexto de inflação moderada, há causas específicas, por exemplo, a alta dos alimentos ou uma desvalorização cambial. Após o Plano Real, ingressamos num regime de taxas moderadas, horas mais elevadas, horas mais baixas – mas a trajetória sempre foi de uma inflação moderada. Existe previsibilidade, os contratos não são abalados por conta de altas taxas inflacionárias. Devedor e credor podem assinar contratos com segurança.
Por motivos eleitorais, tucanos lançam o ataque: “a inflação é alta e descontrolada”.  Não querem debate de ideias. Chamam para o Fla-Flu. Então devemos mostrar o placar. Vamos à comparação numérica entre os 8 anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e as administrações do PT (2003-hoje).
Está superada a discussão se a inflação é moderada ou alta: de 1995 aos dias de hoje é moderada. A média da inflação no governo Dilma foi de 6,1% ao ano. No mesmo período, a inflação nos Brics foi de 6,3%. Mas, no Brasil o efeito da inflação tem sido neutralizado já que os reajustes dos rendimentos do trabalho e do salário mínimo desde 2003 aos dias de hoje têm sido maiores que a inflação. Isso é fato reconhecido pelos tucanos. Mas como não prestam atenção nos trabalhadores, mas somente nos negócios, dizem que essa dinâmica retira competitividade das empresas. Em outras palavras, reduz os lucros – pelo simples fato que salários reais estão aumentando.
Está ultrapassada, também, a discussão se há descontrole ou não: desde 1994, quando foi quebrado o regime de alta inflação, temos inflação sob controle. Resta a discussão: quem obteve melhores resultados em termos de taxas e custos sociais dentro desta situação consagrada de inflação moderada e sob controle que já dura 20 anos.
Vamos aos números. São, flagrantemente, favoráveis às administrações do Partido dos Trabalhadores. A inflação média nos governos tucanos foi de 9,25%. É importante apontar a causa. Sofríamos constantemente de choques cambiais que contaminavam todos os preços da economia. O câmbio disparava. Não tínhamos reservas em dólares para vacinar os choques cambiais, éramos um país com uma alta vulnerabilidade externa. Nossas reservas eram 10 vezes menores do que são hoje.

Sem reservas, os governos tucanos elevavam juros e cortavam gastos para conter a inflação matando toda economia. Ainda assim, o câmbio contaminava os preços e havia inflação. Juros eram estratosféricos, o desemprego era alto (superior a 12% ao final de 2002, hoje é 5%). A inflação média durante a gestão de Armínio Fraga (1999 a 2002) à frente do Banco Central foi de 8,8%. O anunciado ministro da Fazenda de Aécio Neves manteve taxas médias de juros próximas a 20% durante quatro anos. É o campeão de taxas de juros elevadas, ele bateu o recorde em 1999 e estabeleceu juros de 45% ao ano. Somente a insensibilidade econômica/social e a afinidade política/ideológica explicam o 45.
Foi Armínio Fraga que introduziu o regime de metas de inflação no Brasil em 1999. Nesse ano, a meta foi atingida, mas o resultado não pode ser comemorado porque a meta foi estabelecida em junho, quando já se sabia a inflação da metade do ano. Nos três anos seguintes, Armínio Fraga estourou a meta em dois, 2001 e 2002. Após ter estourado a meta de 2001, Armínio Fraga em carta (disponível no site do Banco Central) dirigida ao Ministro da Fazenda Pedro Malan, previu uma inflação de 3,7% para 2002. Errou feio. Foi de 12,5%. Bom de previsão não é. Cabe destacar: em 11 anos (2003 a 2013) de administração do regime de metas, apenas em 2003 o governo do PT estourou a meta.
Por último, se chamam a inflação durante o governo Dilma de “alta e descontrolada”, para manter a coerência política – e não técnica, essa já foi desprezada – qual seria o rótulo que usariam para descrever a inflação durante a gestão de Armínio Fraga à frente do Banco Central? Muito alta e estourada???
Armínio Fraga foi indicado para ser Ministro da Fazenda de Aécio Neves. Melhor se for ministro da fazenda de Cláudio.
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/10/a-mentira-do-psdb-sobre-inflacao-no.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vitrine de Aécio Neves quebrou em Minas Gerais

O candidato Aécio Neves (PSDB) entra no segundo turno com um paradoxo difícil de explicar ao eleitor: foi demitido pelo povo mineiro. No mínimo, muitos vão querer saber melhor as razões de ele ter perdido a eleição justamente onde é mais conhecido.

Helena Sthephanowitz - Rede Brasil Atual -

Comparação direta entre dois candidatos envolve propostas para o futuro, biografia, realizações e confiança a partir do que fez no passado. Quadro mineiro põe em xeque credenciais do tucano

O candidato Aécio Neves (PSDB) entra no segundo turno com um paradoxo difícil de explicar ao eleitor: foi demitido pelo povo mineiro. Teve uma votação nacional acima do que as pesquisas indicavam, ultrapassando com folga Marina Silva (PSB), chegando em segundo lugar na disputa pelo segundo turno, mas sofreu uma derrota acachapante em Minas Gerais, seu reduto eleitoral, onde fez toda sua carreira política.

Aécio entrou na campanha acreditando que largaria com ampla vantagem no seu estado, o segundo maior colégio eleitoral, e esperava equilibrar o resultado em São Paulo, o maior colégio, onde ele era uma incógnita. O resultado foi bem diferente. Em Minas, onde reinou nos últimos 12 anos, mantendo a hegemonia tucana em todas as eleições estaduais, teve uma votação menor do que sua adversária no segundo turno, Dilma Rousseff (PT), e ainda viu seu candidato a governador perder em primeiro turno para o candidato Fernando Pimentel (PT), aliado de Dilma. Enquanto isso, de São Paulo veio sua maior vitória, casada com o bom desempenho nas urnas do PSDB paulista.

Esse quadro dificulta a campanha do candidato tucano no segundo turno. Sua maior credencial a ser exibida ao eleitor era justamente os governos de Minas, onde foi governador por oito anos. Ao perder a eleição onde é bem conhecido, parte do eleitorado que votou nele onde era desconhecido, pode ficar com a pulga atrás da orelha.

No mínimo, muitos vão querer saber melhor as razões de ele ter perdido a eleição justamente onde é mais conhecido.

O tucano sofreu um forte desgaste de imagem recentemente quando foi descoberto que construiu aeroportos com dinheiro público, quando era governador, em locais que beneficiam suas propriedades particulares e de sua família, sem conseguir justificar com critérios técnicos. O aeroporto da cidade Cláudio foi construído a seis quilômetros de sua fazenda e em terras de seu tio-avô, desapropriadas em um processo rumoroso. O Ministério Público de Minas Gerais abriu investigação para analisar que estudos embasaram a decisão de construir ali, se já existe outro aeroporto ao lado, em Divinópolis que atende a região.

Outro aeroporto foi construído na cidade de Montezuma, onde Aécio também tem fazenda. Nos dois casos, são cidades pequenas, cujos aeroportos ficam ociosos, trancados, ainda pendentes de regularização na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e que, na prática, foram usados para uso privado do ex-governador tucano e de seus familiares.

Outros problemas são escândalos no entorno político de Aécio. Recentemente, o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB) renunciou ao mandato quando iria ser julgado no STF pelo "mensalão" tucano. A renuncia evitou o julgamento fazendo o processo voltar à justiça de Minas. A manobra de última hora foi vista por boa parte do eleitorado como confissão de culpa e busca pela impunidade, afinal se houvesse convicção de inocência poderia enfrentar o julgamento e preservar o mandato. Além disso, foi vista como uma operação para abafar o escândalo de forma ao julgamento não ocupar o noticiário próximo à campanha eleitoral.

A mesma manobra foi feita por outro político bastante próximo a Aécio. O ex-senador Clésio Andrade (PMDB) também renunciou ao mandato quando o STF já iria marcar seu julgamento pelo mesmo escândalo. Apesar de hoje estar no PMDB, o ex-senador foi vice-governador de Aécio de 2003 a 2006, e chegou ao Senado como suplente, em vaga conquistada em coligação com o tucano nas eleições de 2006.

Outro caso rumoroso envolvendo um aliado foi o do senador Zezé Perrella, quando um helicóptero de sua família foi apreendido com quase meia tonelada de cocaína. As investigações não encontraram envolvimento do senador e de sua família no crime de tráfico de drogas, mas não deixa de ser constrangedor o descontrole sobre as atividades ilícitas que eram feitas com o helicóptero. Tudo isso criou uma agenda negativa para o tucano mineiro.

Além disso, Aécio sempre contou com uma imprensa majoritariamente dócil em Minas, que blindava malfeitos e fracassos, divulgando uma agenda positiva dos governos tucanos. Ao longo de 12 anos, a percepção de que o governo tucano de Minas não estava atendendo aos anseios da população chegou à maioria do povo, que resolveu votar contra a continuidade do grupo político de Aécio.

Em eleições de dois turnos, a comparação direta entre apenas dois candidatos envolve propostas para o futuro, biografia, realizações e confiança a partir do que fez no passado. A vitrine de realizações de Aécio entrou quebrada no segundo turno, pelo resultado da eleição em Minas.
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/10/o-candidato-aecio-neves-psdb-entra-no.html