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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

VOCÊ É RICO POBRE OU MISERÁVEL? – (Decida)


Sede do Banco Mundial - Washington
VOCÊ É RICO, POBRE OU MISERÁVEL? – (Decida...)

Ouvimos falar muito sobre pobreza , mas na realidade boa parte da humanidade não sabe o que ela realmente é, como é produzida, e, pior ainda, a propriedade a confiabilidade e a veracidade da definição de “pobre”. Para o Banco Mundial, pobre é todo aquele que vive com menos de 1 USD (Um dólar norte americano) por dia, embora hajam outros índices que completam a definição de pobreza. Sabendo-se que o custo de uma passagem de Ônibus anda á volta desse valor, constata-se facilmente que um trabalhador iria trabalhar mas não poderia pagar a passagem de volta: Esse dólar por dia só seria suficiente para pagar a passagem de ida. Além disso, não teria dinheiro para roupas, residência, água, energia elétrica, alimentação, diversão.
Mas quem é o Banco Mundial?
O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional que fornece empréstimos para países em desenvolvimento para programas de capital. Financiado pelos países mais ricos do planeta, cobram juros, é um grande negócio. O Banco Mundial é composto por duas instituições: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). O Grupo Banco Mundial abrange estas duas e mais três: Sociedade Financeira Internacional (SFI), Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) e Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI). Com o limite tão baixo do valor que define como necessário para que se deixe de ser pobre, repito, um miserável dólar por dia, os pobres deixam de ser pobres, pagam imposto de renda, as estatísticas desses países melhoram no conceito mundial, os governos ficam satisfeitos, o Banco engole bilhões de dólares de lucro dos investimentos, lucro esse que cresce a uma taxa média de 20% ao ano... Grande negócio!
A definição de pobreza do Banco Mundial é uma mentira!
A definição pode servir isso sim, para estabelecer um limite á miserabilidade, mas falta o limite superior que defina o que é “não ser pobre”. Quem vive com até um dólar por dia vegeta nas ruas de cidades dormindo no chão, não se locomove, ficando sempre no mesmo bairro, e gasta esse dólar em um pão e uns goles de cachaça para esquecer que é miserável... Basta andar pelas ruas de Paris, Nova York, Rio de Janeiro, S. Paulo, e nem vamos falar nos países asiáticos, do Oriente Médio, nem de África... Seria razoável definir a pobreza de outra forma: por País, em razão de um salário mínimo regional, o que ficaria mais próximo da realidade. Salário mínimo é o mínimo para não morrer de fome e se sustentar a si mesmo.
As cifras atuais de pobreza, com base no Banco Mundial são de cerca de 1.100.000.000 de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, e cerca de 2.700.000.000 de pessoas que vivem numa “pobreza moderada” porque ganham menos de dois dólares por dia (3,4 reais, o que coloca todos os que vivem no Brasil com um salário mínimo como “pobres moderados”). Mais razoável seria dizer que pobre é todo aquele que ganha até 3 dólares por dia, e nesse caso teríamos cerca de 4.000.000.000 de pessoas pobres no planeta, ou seja, sessenta por cento da população mundial é pobre... Isso mesmo... O mundo é eminentemente pobre e miserável.
Os índices que nos mostram são políticos de conivência com os governos. Bancos e governos dividem entre si o botim das verbas públicas e as aplicam como desejam. As propagandas que emitem regularmente visam tranqüilizar a população, como “conversa para boi dormir”.
Se quisermos acabar com este Status Quo da política internacional, devemos ter voz firme e ouvida nas Assembléias e parlamentos nacionais, através de voto pessoal e não representativo como tem sido em países que se “dizem” democráticos. Isso se faz através da Democracia Participativa . Não podemos esperar que governos “concedam” a seus cidadãos a prerrogativa de falar através de voto nas decisões mais importantes da nação, porque são enormes e ricos os interesses que motivam cidadãos a se candidatarem a falar, no governo, em nome dos cidadãos, mas vemos que usam seu poder para aumentar os próprios salários, dividir verbas, ocupar ministérios que fraudam descaradamente. Esses “representantes”, alguns ministros, aconselham presidências, como por exemplo, a “doar” verbas públicas a Bancos para “salvá-los” das crises – que não existiam, mas que por causa disso, apareceram.
A maioria dos ministros de economia dos países mais ricos veio de instituições bancárias. Isso não é por acaso.
Veja neste site como se pode ter um mundo mais justo com a Democracia Participativa. http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Rui Rodrigues
 http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/voce-e-rico-pobre-ou-miseravel-decida

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

E o Brasil optou por ser uma Libéria



Construir leva tempo, destruir, não, ensina a sabedoria popular.

O golpe foi dado para, entre outros objetivos, acabar com o Estado de bem-estar social propugnado pela Constituição de 88 e que os trabalhistas tentavam instituir de fato no país.

Em poucos meses os golpistas desmontaram grande parte do arcabouço que erguia um sistema social e econômico que pretendia aproximar o Brasil das nações mais avançadas do planeta, ao mesmo tempo em que sinalizaram que querem redobrar os esforços para pôr abaixo tudo que não lembre o mais descarado mercadismo.


O fato é que, a continuar nesse ritmo alucinado, em poucos meses o Brasil estará em frangalhos, reduzido a escombros.

A letargia que se observa hoje na maior parte da população, aceitando passivamente todas as desgraças que se anunciam, não vai durar para sempre.

Uma hora ou outra, num futuro próximo, as pessoas vão sentir na carne o que é viver - ou sobreviver - no chamado "Estado mínimo", esse que cobra, e muito caro, tudo que hoje, bem ou mal, é garantido como direito do cidadão - saúde, educação, aposentadoria...

Os poucos mais de dez anos de governos trabalhistas foram, ao menos, suficientes para mostrar que integrar o grupo das nações mais avançadas, social e economicamente, do planeta, e se tornar uma Suécia, uma Noruega tropical, não é apenas um sonho, mas uma meta perfeitamente alcançável.

Os poucos meses de governo golpista, porém, estão ensinando que o país, a depender dos endinheirados de sempre, nunca deixará der ser um gigante bobo, uma colônica americana, uma república de bananas.

Uma nação em que 10% da população viverá na Suécia e 90% na Libéria. 
(Carlos Motta)http://segundocliche.blogspot.com.br/2016/12/e-o-brasil-optou-por-ser-uma-liberia.html#more

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Qual a prioridade? O banqueiro bilionário ou a criança faminta?

Por que existem alguns poucos bilionários no Brasil enquanto muitas outras pessoas passam fome?


Esses bilionários trabalham mais que os demais? Ou são mais inteligentes? Eles merecem suas fortunas? É uma questão de sorte?

Por que existem pessoas que trabalham muito durante toda a sua vida, vários são até considerados bem inteligentes, e mesmo assim não chegam nem perto de se tornarem milionários?

Por que algumas dessas pessoas, mesmo trabalhando muito e sendo capacitadas, vivem em condições precárias de vida?

Por que mendigos morrem de frio em frente a prédios com dezenas de apartamentos desocupados?

Essas perguntas, a princípio, possuem respostas bastante complexas, certo?

Pois é, mas há alguns dias eu estava folheando a revista do CREA/RS, edição de maio/junho de 2016, e me deparei com o seguinte gráfico representativo dos gastos do orçamento público brasileiro:




Só olhando para ele salta aos olhos a maior parte de todas as respostas para as perguntas que fiz acima. É tão flagrante que chega a ser constrangedor.  

Suponha que você fosse eleito para administrar o orçamento público e recebesse a informação que estava faltando dinheiro para os serviços básicos. Suponha ainda que você não tenha nenhuma noção de administração e finanças, e te mostrassem esse gráfico acima. Por onde devemos começar a mexer para ajustar o orçamento? Qual item é o mais crítico?

Uma criança seria capaz de responder facilmente a pergunta, é tão lógico que chega a ser infantil. Mas então por que só ouvimos os nossos governantes e nossos jornais citarem o “rombo” da previdência, o gasto com saúde, educação, programas sociais e quase nunca ouvimos falar em auditoria e renegociação da dívida pública?

Em resumo, praticamente metade de todo o nosso orçamento está indo para as mãos de banqueiros e especuladores financeiros, limpo, “legalmente”, enquanto crianças não têm acesso à educação básica e enquanto cidadãos que trabalharam a vida inteira estão morrendo nas filas de hospitais públicos sem atendimento. Esse tipo de gráfico explica em grande parte porque 0,9% dos brasileiros detêm 60% da riqueza do país. Veja bem: 46% para a tal dívida, enquanto a menos de 4% vai para a saúde e educação e pouco mais de 20% vai para custear a tão “badalada” Previdência Social.

Embora houve várias políticas inclusivas nos últimos anos e houve uma ascensão na renda das classes mais baixas da pirâmide social, nem o Presidente FHC, nem o Presidente Lula e nem a Presidenta Dilma tomaram qualquer atitude ou protagonizaram qualquer política para mexer nos privilégios dos poucos e riquíssimos brasileiros que se beneficiam da dívida pública para enriquecer sem produzir um único pirulito sequer. Nenhum deles jamais pensou em auditar essa grotesca e injusta dívida ou em taxar grandes fortunas. O fato de todos eles terem tido suas campanhas financiadas por grandes bancos e agentes financeiros deve ser pura coincidência.

Com o Sr. Michel Temer e sua “ponte para o futuro” obviamente não preciso nem dizer que não há possibilidade nenhuma de avanço nesse sentido. Os primeiros discursos de seus ministros apontam como ações para resolver o problema do orçamento público a Reforma da Previdência (fazendo novamente o trabalhador assalariado pagar a conta, se possível trabalhando e “contribuindo” até o dia de sua morte) ou então a genial “desvinculação de gastos públicos”, que retira a obrigatoriedade de reservar uma parte do orçamento para um determinado fim, como saúde e educação. Na prática, acabará diminuindo ainda mais os recursos para essas áreas, sucateando ainda mais a saúde e educação públicas, como ilustra bem a reportagem da BBC no link a seguir:http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/05/160517_desvinculacao_saude_ab.

O fato das grandes empresas de planos de saúde serem também grandes financiadores de campanhas, inclusive os maiores financiadores das últimas campanhas do novo Ministro da Saúde Ricardo Barros, também deve ser pura coincidência.

Mas e nossa imprensa, por que continuam dizendo que a Previdência Social é o grande vilão do orçamento? (Veja você mesmo como o site da Rede Globo trata a questão do que chamam de “rombo” da Previdência: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/05/sem-mudar-fator-previdenciario-deficit-do-inss-ja-iria-r-7-tri-em-2060.html .

Por que as poucas família que controlam toda a nossa mídia (jornais, TVs, rádios e revistas) querem que os assalariados trabalhem até a morte e não discutem com clareza assuntos importantes como auditoria ou renegociação da dívida, ou ainda taxação de grandes fortunas? Por que os especuladores financeiros e donos de bancos continuam comprando seus helicópteros, lanchas e carros de luxo às custas do sangue da grande maioria da população e não há um Globo Repórter especial para denunciar esse escândalo?

Não vou responder a pergunta. Vou apenas citar alguns fatos abaixo e deixar que cada um chegue às próprias conclusões:

- Segundo a Revista Forbes, conforme publicação de 2014, a família Marinho, dona da Rede Globo, é a família mais rica do Brasil, com uma fortuna estimada em quase 30 bilhões de dólares:http://www.valor.com.br/empresas/3547766/familia-marinho-e-mais-rica-do-brasil-diz-forbes .

- Segundo reportagem da Revista Carta Capital, em 2015, mesmo com a crise financeira, o Grupo Globo aumentou seu lucro líquido, saltando para mais de 3 bilhões de reais, e grande parte desse lucro foi conseguido com o “mercado financeiro”, especialmente com a vulnerabilidade do câmbio e com a subida da taxa básica de juros. A reportagem é excelente e recomendo que tirem um tempo para leitura: http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/em-meio-a-crise-economica-globo-tem-lucro-liquido-superior-a-r-3-bi .

- A TV Globo vendeu mais de 3 bilhões de reis em cotas comerciais para 2006. Entre os seus principais parceiros estão os Bancos Itaú, Santander e Bradesco:http://propmark.com.br/midia/globo-vende-mais-de-r-3-bilhoes-de-cotas-comerciais-para-2016 .

Enfim, como disse antes, são só fatos. Cada um pode ligá-los como achar mais adequado.

Mas vou terminar o texto exatamente como comecei, com algumas perguntas para reflexão:


Será que a regulação da mídia e o controle de propriedade dos meios de comunicação, evitando o monopólio e a acumulação de meios por uma mesma família, como existe em quase todos os países desenvolvidos do mundo, pode ser considerado censura ou ataque à liberdade de imprensa?

Será que uma mídia mais diversificada e plural, com espaços para organizações públicas e não governamentais, não seria muito bom para o desenvolvimento da nossa sociedade e para uma participação mais ampla da mesma em temas polêmicos e importantes?

Será que são os políticos os únicos culpados pela pobreza, miséria, fome e violência existentes na sociedade brasileira?

Até onde pode chegar a ganância e o egoísmo em um ser humano?

“Quanto vale a vida”?

Até quando usarão a tal “meritocracia” para explicar o inexplicável e para justificar injustiças flagrantes?

A quem interessa que sejamos tão divididos?
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Vi no: http://francamente1909.blogspot.com.br/2016/06/qual-prioridade-o-banqueiro-bilionario.html




segunda-feira, 8 de junho de 2015

PARA CAETANO E GIL: 'Armazéns de crianças africanas' geram polêmica em Israel

Creche clandestina em Tel Aviv | Foto: Getty
Organizações de direitos humanos dizem que creches podem ter até 100 crianças em más condições de higiene

Dentro do que pode ser um abrigo antibombas transformado em apartamentos em Tel Aviv, o centro financeiro de Israel, há um espaço escuro, úmido e malcheiroso. Aqui, música é ouvida a todo o volume para abafar o choro de um grupo que, algumas vezes, chega a 100 crianças, a cargo de apenas duas babás.
É neste local que imigrantes africanas oferecem serviços de creche a preços módicos para milhares de outros africanos que se refugiaram em Israel.
Estes "armazéns de bebês" – também chamados de "estacionamentos de crianças" – têm sido denunciados pela imprensa local e por organizações de direitos humanos, por conta da superlotação e pelas condições precárias de operação.
Há dezenas de estabelecimentos do gênero em Tel Aviv. No início do ano, cinco bebês morreram em creches improvisadas em apenas um mês e meio.
A organização beneficente Unitaf, que patrocina projetos para o cuidado de menores sem cidadania israelense em Tel Aviv, criou creches e centros para crianças em idade pré-escolar, mas diz que ainda é preciso muito mais para atender à demanda dos refugiados.

Sem direitos

De acordo com a ONU, Israel abriga cerca de 53 mil refugiados africanos, a maioria vindos de forma ilegal pela fronteira com o Egito. Pelo menos 36 mil seriam da Eritreia e 14 mil, do Sudão.
Eles buscam o país porque é o único da região com um alto padrão de vida e aonde é possível chegar caminhando.
No entanto, Israel poucas vezes lhes concede asilo político, deixando a maioria deles em situação vulnerável, à margem da sociedade.
Refugiados africanos em Israel | Foto: Getty
Israel tem cerca de 53 mil refugiados africanos, a maioria deles sem cidadania e acesso à seguridade social
Para ganhar a vida, os imigrantes trabalham longas horas em diversos empregos, algumas vezes em locais muito longe de onde vivem. Por isso, precisam deixar seus filhos aos cuidados de outros.
Como muitos não podem pagar creches autorizadas pelo governo com o pouco dinheiro que recebem, recorrem aos "armazéns", cujas babás não têm o treinamento nem a equipe necessária para cuidar adequadamente dos menores.
Iris Alter, da Unitaf, disse à BBC que alguns bebês chegam a ficar horas dentro de berços em condições insalubres e sem os acessórios apropriados.
"Só podemos imaginar o efeito adverso que essas babás podem ser sobre o desenvolvimento destas criaturas", afirma.
De acordo com Alter, há falta de estímulo ou contato físico e, muitas vezes, as crianças veem televisão o dia inteiro. Também não é possível alimentar a todos e muitos sofrem de má nutrição.
"Normalmente deve haver uma babá para cada três a seis crianças e ela deve ser supervisionada por outro profissional. Mas nestes lugares pode haver uma, duas ou, no máximo, três, encarregadas de 20 a 50 bebês", diz Alter.

Única alternativa

Alter explica que, em Israel, não há educação nem cuidado público para crianças até os três anos de idade.
Mesmo os cidadãos israelenses que têm filhos pequenos e precisam trabalhar precisam encontrar uma solução privada. Mas, enquanto eles podem pagar creches privadas ou contar com a ajuda de seus pais, os imigrantes sem cidadania tampouco têm acesso à seguridade social.
"Muitas vezes o pai ou a mãe ficam sós porque seu cônjuge foi deportado e eles não sabem ou não aprenderam a cuidar de crianças muito novas", diz.
Babá com criança em Tel Aviv | Foto: Getty
Creches de africanas têm até três babás para cuidar de 20 a 50 crianças
As mulheres que se oferecem para cuidar dos menores são trabalhadoras imigrantes, geralmente de Gana, que também tentam ganhar a vida.
Para pagar seus aluguéis, comer e mandar algum dinheiro para a família em seu país de origem, acabam tentando administrar muitos bebês, mesmo sem preparo adequado para isso.
"Elas não fazem isso de forma criminosa, nem para se aproveitarem da situação. É o resultado da pobreza e da falta de oportunidades", afirma Alter.
Apesar de serem, de modo geral, anti-higiênicas e mal cuidadas, estas creches sem licença não são completamente ilegais. Mesmo assim, não contam com qualquer tipo de supervisão.
As autoridades locais não as fecham porque são a única alternativa econômica para as famílias sem documentos.
"É preciso apresentar outra solução. Se fecham uma creche, imediatamente abrem outra sem que soubéssemos onde."
A Unitaf afirma que está tentando fazer com que as mulheres que administram estas creches clandestinas sejam transferidas para centros bem equipados e administrados pela prefeitura, em que elas poderão ter capacitação, apoio e supervisão para realizar seu trabalho.
no: http://blogdoitarcio.blogspot.com.br/2015/06/para-caetano-e-gil-armazens-de-criancas.html

sábado, 31 de janeiro de 2015

Nascer em bairro pobre ‘prejudica ascensão social por décadas’

Na hora de determinar nosso destino econômico, poucas coisas importam tanto como o bairro em que nascemos e crescemos.
Todos sabemos que viver em uma região mais pobre reduz as possibilidades materiais de seus habitantes. Por isso, muitos sonham ir para uma parte mais afluente da cidade onde vivem.
Mas um estudo recente dos pesquisadores americanos Douglas Massey, da Universidade de Princeton, e Jonathan Rothwell, do Instituto Brookings, vai além: traz novas evidências de que simplesmente se mudar de um bairro precário para um melhor não é suficiente.
Estudo afirma que viver em um bairro pobre durante os primeiros 16 anos de vida afeta a renda por muitas décadas
Estudo afirma que viver em um bairro pobre durante os primeiros 16 anos de vida afeta a renda por muitas décadas
De acordo com a pesquisa, o local específico da cidade onde uma pessoa passa os primeiros 16 anos de sua vida é determinante na renda que ela terá muitas décadas depois, mesmo que mude seu local de residência diversas vezes.
A conclusão é uma má notícia para os que acreditam na possibilidade de ascensão e mobilidade social. E pode fornecer mais argumentos às discussões sobre propostas polêmicas de vários países, incluindo alguns latino-americanos, de levar habitantes de bairros pobres para viver em regiões mais ricas das cidades.
“O bairro é o ponto crítico onde se bloqueiam as aspirações das pessoas para subir na vida”, disse Massey à BBC.
Para ele, as experiências vividas no local de nascimento também são uma herança da qual é difícil escapar.
“Os bairros pobres tendem a ter taxas mais altas de desordem social, crime e violência. As pesquisas mostram cada vez mais que a exposição a este tipo de violência não tem somente efeitos de curto prazo, mas também de longo prazo na saúde e na capacidade cognitiva de seus habitantes”, afirma o pesquisador.
“Esses efeitos não se apagam quando as pessoas crescem.”
A exposição a altos índices de violência pode causar consequências permanentes nos jovens, segundo Massey e Rothwell
A exposição a altos índices de violência pode causar consequências permanentes nos jovens, segundo Massey e Rothwell

Integração

A vida nos bairros mais carentes implica frequentar escolas de má qualidade, ficar mais longe das oportunidades de trabalho e mais perto dos focos de violência de nossas cidades.
Segundo o estudo de Massey e Rothwell, um americano deixa de ganhar, em média, cerca de US$ 900 mil, ao longo de sua vida se vive em um bairro pobre, comparado com o que recebe uma pessoa de um bairro de classe alta.
Segundo os pesquisadores, a tendência é que esse valor aumente.
“À medida em que a distribuição de renda fica mais desigual, ocorre o mesmo com a distribuição dos bairros. A concentração da riqueza e da pobreza aumentou. Os bairros pobres se tornaram mais pobres e ficou mais difícil escapar do status socioeconômico da pobreza”, afirma Massey.
Mas qual seria a solução para evitar que nascer em determinado bairro se transforme em uma sentença?
Massey acredita que é importante acabar com a segregação por bairros, a mesma que faz com que a vida de cidadãos de diferentes classes econômicas acabem tomando direções opostas em suas vidas.
O pesquisador recomenda “ajudar as pessoas a se mudar de regiões de muita pobreza para áreas de classe média e alta, onde tenham acesso às vantagens que as comunidades mais abastadas oferecem”.
Ele sugere construir moradias públicas subsidiadas em bairros mais ricos para que os pobres possam sair dos bairros marginalizados das cidades.
Após a Segunda Guerra, Londres construiu moradias estatais subsidiadas em bairros ricos da cidade
Após a Segunda Guerra, Londres construiu moradias estatais subsidiadas em bairros ricos da cidade
Oferecer aos jovens de classes sociais mais baixas a oportunidade de começar suas vidas em regiões mais ricas, diz Massey, pode ter um grande impacto positivo em suas trajetórias de vida.
Esse é um dos argumentos usados em capitais europeias como Londres, onde, após a Segunda Guerra Mundial, foram construídos conjuntos habitacionais estatais subsidiados em meio aos bairros mais ricos da cidade – que ainda existem.
Nos últimos meses, a proposta do prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, de um programa piloto para levar habitantes pobres para viver em um conjunto de edifícios de um bairro rico causou polêmica na Colômbia.
A ideia foi chamada por opositores de medida populista e classificada como uso pouco eficiente de recursos públicos escassos. Eles afirmam que estes recursos deveriam ser usados para melhorar as condições dos bairros pobres onde vive a maioria dos habitantes da capital colombiana.

Estigmatização

O estudo de Massey e Rothwell se baseou em informações sobre bairros nos Estados Unidos, mas Massey insiste que os resultados encontrados na pesquisa se aplicam a qualquer outro país onde há altos níveis de segregação por causa de classe social.
“É um fenômeno que se observa frequentemente na América Latina”, afirma.
Pesquisadores dizem que resultados da pesquisa, feita nos EUA, se aplicam a qualquer país com alto nível desigualdade e segregação
Pesquisadores dizem que resultados da pesquisa, feita nos EUA, se aplicam a qualquer país com alto nível desigualdade e segregação
No entanto, a conclusão da pesquisa causou mais surpresa nos Estados Unidos.
“Os americanos não gostam de admitir, mas a classe social está se tornando uma prisão para as pessoas porque os bairros determinam nossa sorte. Nossa taxa de mobilidade social está ficando para trás em relação à de outros países industrializados”, explica Massey.
“Nos Estados Unidos gostamos de pensar que qualquer pessoa pode ir para onde quiser com base apenas em seus talentos e habilidades. Mas isso é cada vez menos o que acontece. O talento e a habilidade se contraem quando as pessoas estão presas em ambientes segregados.”
VIA: BBC, sugado do: http://pensadoranonimo.com.br/nascer-em-bairro-pobre-prejudica-ascensao-social-por-decadas/

sábado, 8 de junho de 2013

Um mundo sem pobreza é possível




Podemos fazer alguma coisa para acabar com a pobreza ou este é um fenômeno milenar, tão complexo e enraizado na sociedade, que está além da nossa capacidade e competência equacioná-lo?
Além de deplorá-la, será que podemos fazer alguma coisa para, se não acabar ao menos minorar a pobreza em nosso bairro? E em nossa cidade? Em nosso Estado? Em nosso país?
Será que ao menos damos nosso apoio às pessoas e/ou às instituições, governos, parlamentares ou partidos que preconizam, defendem e implantam políticas públicas que visam atender/defender os desassistidos?
Já confessei aqui, não sou daqueles que são radicalmente contra o capitalismo e que acham que só o socialismo é a solução para os problemas da humanidade ou o único caminho para a construção de uma sociedade mais humana, igualitária, fraterna; sou daqueles que creem que a solução está no próprio capitalismo. Ou melhor, para além dele. Numa espécie de "hibridismo": um capitalismo social ou "sócio capitalismo". Sei que muitos torcem o nariz para esse tipo de formulação. Acham que é "coisa de poeta". Mas sigamos adiante. Desnudemos as palavras e (pré)conceitos com a crueza das ações.
E tudo bem que alguns, quase sempre armados com seus preconceitos e/ou interesses privados, ou confortavelmente acomodados em decantadas(os) ideias e ideais, não entendam ou aceitem determinados conceitos; que pensem que tudo isso é rematada tolice, um contrassenso; e achem que "social" e "capital" sejam dois paradoxos excludentes e "inarmônicos" – uma insolúvel contradição em termos.
O que você diria então se utilizasse a expressão "empresa social" ou "negócio social"? Ou mesmo empreendedorismo social? Já ouviu falar nisso ou em algo parecido? Ou ainda continua achando que tudo isso é "papo de poeta" ou de "comuna"?
E se eu lhe falasse ainda, veja bem, na concepção, na ideia de se criar um banco dotado de uma linha de crédito para emprestar dinheiro a mendigos? Impensável? Um despautério?
Mas e se lhe falasse em outros termos. Se falássemos então em dar uma oportunidade aos desassistidos, aos desamparados? Isso mesmo: o-p-o-r-t-u-n-i-d-a-d-e. Assim, com todas as letras. O que você acha? Começa a soar melhor aos ouvidos? Ainda não?
E se eu lhe dissesse que existe um homem que já trabalha com projetos nessa linha há décadas, que dedica sua vida a realizações desses sonhos-projetos; que é doutor honoris causa em diversas universidades mundo afora [isso deve estar lhe fazendo lembrar alguém – não?]. E que esse homem, certamente em decorrência disso inclusive, já ganhou o prêmio Nobel da Paz?
E se eu lhe dissesse ainda mais? Que esse homem, cidadão de um país paupérrimo, edificou um banco lastreado no fornecimento de microcrédito aos pobres e desassistidos? Inclusive a já citada – e impensável! – linha de crédito para pedintes.
E se lhe disser ainda que esse homem conseguiu que uma multinacional comprasse uma dessas suas ideias "foras de lugar" e "estapafúrdias"; apoiasse os seus projetos e investisse em uma empresa para fabricar e vender iogurtes mais baratos e mais nutritivos a comunidades carentes e desnutridas? Você acreditaria? Ou prosseguiria imerso em seu individualismo e/ou ceticismo paralisante? Sacando do seu coldre retórico, por exemplo, uma daquelas verdades absolutas e inquestionáveis: "que toda empresa ou negócio, no capitalismo, visa apenas e tão somente o lucro, que esse seria uma espécie de leitmotiv do capitalismo e seu sentido de ser/existir"? Tá certo...
De fato, o empreendedor, e em última instância o capitalismo, sem a devida fiscalização e regulação do Estado é uma espécie de "besta-fera" movida tão somente pela ânsia de acumular, acumular, acumular; destruir, destruir.
Mas algumas experiências bem sucedidas – que me deem licença os radicais e extremistas – atestam que certo "tempero humanista" pode tornar o capitalismo um sistema a serviço de muitos, e não mais somente de alguns poucos privilegiados. E pode, aos poucos, trocar o verbo acumular por distribuir; e destruir por criar. Por vezes é preciso que transformemos em poesia o nosso ordinário cotidiano; que subvertamos a lógica e a camisa de força da semântica.
É o que parece nos ensinar as obras e o exemplo do indiano Muhammad Yunus.
É vendo o exemplo e as obras de cidadãos como Yunus que devemos repensar as nossas certezas e perguntar a nós mesmos: eu já fiz alguma coisa para, se não acabar ao menos minorar a pobreza em meu país?
O que você fez/faz? Já pensou nisso? Isso lhe diz respeito? Isso é problema seu/nosso?
A realidade da Índia não lhe parece um tanto similar a do Brasil? As iniciativas dos bancos populares que se espalham hoje pelo nosso país não lhe parece ter tudo a ver com a iniciativa do microcrédito de Yunus, o "banqueiro dos pobres"? E o nosso Bolsa Família?
Iniciativas como essa não podem transformar as pessoas em microempreendedores, se bem estimuladas e preparadas? Você conhece os diversos casos de empreendedorismo bem-sucedido em favelas e bairros periféricos de algumas cidades, graças à renda mínima assegurada pelo "Bolsa" ou à política de crédito subsidiado dos governos?
Imagine agora os empreendimentos e os resultados para a sociedade que uma inversão social equivalente ao preço de uma Ferrari de R$ 2 milhões poderia gerar? Ou ainda o efeito multiplicador da renda que poderia causar aqueles R$4 milhões que o político tal desviou do erário e gastou na sua cobertura situada num bairro nobre da capital paulista ou num bairro nobre na orla de uma grande cidade pobre do Nordeste, se aplicado numa empreendimento social? Já pensou?
Encerremos por aqui com a definição do próprio Yunus para empresa social extraída do seu livro Um mundo sem pobreza: "É uma empresa projetada para atender a uma meta social. Nesse caso [o da Grameen Danone], a meta é melhorar a nutrição das famílias pobres nas aldeias de Bangladesh. Uma empresa social não paga nenhum dividendo. Vende produtos a preços que fazem dela um negócio autossustentável. Os proprietários da empresa podem receber de volta a quantia que investiram no negócio após um período; contudo, os investidores não recebem nenhum lucro na forma de dividendos. Em vez disso, qualquer lucro obtido permanece na empresa, a fim de financiar sua expansão, criar novos produtos ou serviços e trazer o bem ao mundo."
Sim, um mundo sem pobreza [material] é plenamente possível. Já com relação a pobreza [de espírito e caráter] dos homens...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Receosa com tamanho da crise mundial, OIT aplaude Bolsa Família


Marcelo Semer, Terra Magazine / Blog do Marcelo Semer 
http://terramagazine.terra.com.br/

Enquanto no Brasil o Bolsa Família caminha sob fogo cerrado, entre boatos e bordoadas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) acaba de ressaltar em seu relatório sobre o Mundo do Trabalho em 2013, a importância fundamental do projeto em tempos de crise.

Somado aos seguidos aumentos reais do salário mínimo, o Bolsa Família ajudou a vitaminar o crescimento da classe média no país em 16%, entre os anos de 1999 e 2010.

Para a OIT, um salário mínimo sólido e mecanismos efetivos de transferência de renda têm sido as ferramentas mais importantes para superar a pobreza.

Os resultados brasileiros tiveram ainda maior relevância na análise do cenário mundial, comparados com a compressão quase global da classe média que aparece como um dos efeitos perniciosos da crise econômica.

O relatório divulgado nessa segunda-feira, em Genebra, mostra que os grupos de renda média estão encolhendo na maioria das economias avançadas, consequência de um desemprego de longa duração. Na Espanha, por exemplo, a classe média já reduziu de 50% para 46% desde o início da crise.

O que se pode constatar, ainda pelo estudo, é que os efeitos da crise econômica estão longe de se distribuírem de forma equitativa na sociedade.
As desigualdades de renda aumentaram entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias desenvolvidas, incluindo França, Dinamarca, Espanha e os Estados Unidos. Os níveis de desigualdade em sete dos doze outros países analisados foram ainda maiores do que eram antes do início da crise.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os 7% mais ricos da população tiveram aumento de seu patrimônio líquido durante os dois primeiros anos da recuperação, de 56% em 2009 para 63% em 2011; os restantes 93% dos norte-americanos, ao contrário, viram seu patrimônio só declinar.

A principal justificativa tem sido o crescimento dos níveis de desemprego –justamente o que não tem acometido o Brasil, que contou ainda com aumentos reais de salários em média de 4% em 2012.

A OIT realça também a importância dos mecanismos de ampliação de emprego formal, citando especificamente projetos empreendidos na Argentina e Costa Rica.

No lado rico do mundo, a mesma disparidade entre indivíduos se repete na relação de grandes e pequenas empresas.

A maioria das grandes empresas já recuperou o acesso aos mercados de capitais, mas as pequenas estão sendo desproporcionalmente afetadas pelas condições de crédito bancário. Este é um problema grave para a recuperação imediata de trabalho que, segundo a organização, afeta em muito as perspectivas econômicas de longo prazo.

E enquanto a crise se aprofunda nas economias centrais, a tal ponto que a OIT afirma que "a situação em alguns países europeus está começando a forçar o seu tecido econômico e social”, a avaliação sobre a América Latina dá conta de que a região registrou uma diminuição do risco de ‘descontentamento social’ entre 2007 e 2012.

A recente vitória da diplomacia brasileira, e dos países emergentes sobre norte-americanos e europeus na OMC, como se vê, não foi à toa.

As economias avançadas estão cada vez mais longe do papel de farol na crise, ainda que continuem sendo exemplos que magnetizam as elites periféricas.
Assim, embora o Brasil seja destaque internacional pela ampliação da classe média e a superação da pobreza durante a crise, continuamos a difundir por aqui o catastrofismo e a replicar, no quase-consenso da grande imprensa, fórmulas preparadas justamente por quem provocou o tormento e se mostra cada vez mais incapaz de resolvê-lo.

A mimese nem sempre se dá por incompetência.

O documentário Inside Job (vencedor do Oscar de 2010) já havia mostrado como economistas das principais universidades norte-americanas, que jamais questionaram os fundamentos da desregulamentação que resultou na crise de 2008, estavam também vinculados a instituições financeiras, em um evidente conflito de interesses.

E para os que seguem repetindo sem parar propostas de redução de gastos e achatamento do Estado, a OIT, como recomendação final de seu trabalho, sugere que sejam eliminadas as crenças negativas sobre intervenções dos governos no crescimento econômico e a capacidade que elas têm de reduzir a má distribuição de renda entre a população.

A recomendação cai como uma luva para grande parte do jornalismo econômico nacional.”