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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Cuba descobre variante mais agressiva e preocupante do vírus HIV


Cientistas analisaram amostras de sangue de pacientes com Aids em Cuba
Especialistas em saúde de Cuba detectaram há alguns anos algo diferente e pouco comum nos pacientes com o vírus do HIV no país: eles desenvolviam a Aids de uma forma extraordinariamente rápida.

Tão rápido que, em menos de três anos, já se encontravam muito doentes, sem praticamente tempo de perceberem que tinham o HIV.

Um grupo internacional de cientistas chegou para investigar a situação e concluiu que, realmente, em Cuba existe uma variante do HIV que é muito mais agressiva.

"Sabemos que 144 pacientes têm essa linhagem do vírus, mas com certeza há mais gente. Isso é só o que conseguimos contar", disse à BBC Anne Mieke Vandamme, da Universidade Leuven, da Bélgica.

Vandamme, cujo trabalho foi publicado na revista EBioMedicine, explicou que se trata de uma linhagem do vírus que foi originalmente descoberta na África.

"Ela foi parar em Cuba por meio das relações dos cubanos com a África. Ainda que não tenhamos conhecimento de que a linhagem tenha se disseminado pela África, ela tem se disseminado em Cuba", acrescentou.

Mais rápido

Os especialistas explicam que, em uma infecção normal, o vírus do HIV tem de se "agarrar" aos receptores, as proteínas na membrana das células.

Em uma infecção comum, o vírus usa o ponto CXCR5. Depois de muitos anos em pleno estado de saúde, ele se muda para o CXCR4, o que coincide com a aceleração da propagação da Aids.

A equipe de cientistas, liderada por Vandamme, observou que, nos pacientes cubanos, essa transição acontece de forma muito mais rápida.

Isso quer dizer que o vírus não "espera" tanto para se dirigir ao CXCR4. O que elimina, de forma drástica, a fase em que o paciente tem uma vida saudável.
Crédito: AP
O preservativo é o melhor método para evitar a contaminação pelo vírus do HIV
Os cientistas estudaram amostras de sangue de 73 pessoas que haviam sido infectadas recentemente e 52 delas já haviam desenvolvido a Aids.

Vandamme explica que o HIV tem diferentes linhagens que podem ser classificadas como "subtipos"; o detectado em Cuba tem "basicamente HIV recombinado de três outros subtipos".

"Você precisa ter sido infectado por mais de um tipo de linhagem do HIV para ter um vírus recombinado como esse", esclarece.

Anti-retrovirais

A especialista explica que, se o tratamento com anti-retrovirais costuma funcionar bem para tratar infecções normais, ele perde um pouco da eficiência dependendo do nível de avanço da doença – "quanto mais avançada ela se encontra, menos consegue se recuperar do sistema imunológico".

"Inclusive, para alguns pacientes, é tarde demais para ter qualquer benefício dos medicamentos", acrescentou.

A cientista explica que, por enquanto, não há preocupação sobre a possibilidade de esta linhagem do vírus se expandir para além da ilha. Isso porque, atualmente, não há muito contato dos cubanos com o resto do mundo.

"É uma linhagem local, por enquanto. Não consigo prever se vai se expandir para fora ou não, mas se isso acontecer, então precisaremos nos preocupar."

Em Cuba, por enquanto, foram diagnosticados um total de 17.625 casos de HIV desde que a epidemia surgiu, na década de 1980, segundo dados da Infomed, site oficial da rede de saúde cubana.

A epidemia cubana é majoritariamente do sexo masculino - 80% de todos os infectados são homens. O Estado oferece atenção e tratamento gratuito a todos os infectados.

No BBC Brasil, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/cuba-descobre-variante-mais-agressiva-e.html

sábado, 11 de outubro de 2014

'Tempestade perfeita' permitiu surgimento de Aids, diz estudo


A cidade de Kinshasa, em foto de 1955, foi o centro da pandemia de Aids, segundo cientistas



Cientistas de vários países concluíram que o crescimento rápido da população, o comércio sexual e o uso de seringas não-esterilizadas em clínicas provavelmente permitiram a disseminação do vírus HIV.

O HIV é uma versão mutante de um vírus de chimpanzé, conhecido como vírus da imunodeficiência símia, que provavelmente infectado humanos através do contato com sangue infectado durante o manuseio de carnes de caça.
Linhas de trem construídas pela Bélgica e usadas por milhares de pessoas também teriam contribuído para que a doença se espalhasse para países vizinhos.

Pesquisadores das universidades de Oxford, na Grã-Bretanha, e de Leuven, na Bélgica, usaram amostras arquivadas do código genético do HIV para traçar sua origem. Eles tentaram reconstruir a "árvore genealógica" do vírus e descobriram de onde vieram os ancestrais mais antigos.

O HIV conquistou atenção global nos anos 1980 mas tem uma longa história na África. O local onde a pandemia teve início, no entanto, ainda é alvo de debate.

O estudo foi divulgado na publicação científica Science.

"Você pode ver as pegadas da história nos genomas de hoje, há um registro, uma marca de mutação no genoma do HIV que não desaparece," disse à BBC o professor Oliver Pybus, da Universidade de Oxford.

Sexo e trens

A disseminação do vírus HIV levou a uma pandemia de Aids que infectou cerca de 75 milhões de pessoas

Nos anos 1920, Kinshasa - cujo nome foi Leopoldville até 1966 - fazia parte do Congo Belga. Grandes quantidades de trabalhadores homens foram atraídos para a cidade, distorcendo o equilíbrio entre os sexos - chegou-se a ter dois homens para cada mulher -, o que levou a um intenso comércio sexual.

"Era uma cidade muito grande e uma área de rápido crescimento. Registros médicos coloniais mostram indícios de várias doenças sexualmente transmissíveis", disse Pybus.

"Há dois aspectos da infraestrutura que poderiam ter ajudado as campanhas de saúde pública para tratar pessoas por várias doenças infectocontagiosas, e injeções parecem ter sido uma rota plausível (para a disseminação do vírus)".
"O segundo aspecto muito interessante é a rede de transportes, que permitiu que as pessoas se movimentassem em um grande país".

Cerca de um milhão de pessoas usavam o sistema ferroviário de Kinshasa no final dos anos 1940. O vírus se espalhou e as províncias vizinhas de Brazzaville e Katanga foram rapidamente afetadas.

Estas condições "perfeitas" duraram por algumas décadas em Kinshasa mas, quando elas deixaram de existir, o vírus já começava a se espalhar pelo mundo.

Para Andrew Freedman, professor-assistente de doenças infecciosas na Universidade de Cardiff, o estudo é "interessante, que demonstra elegantemente como o HIV se espalhou na região do Congo antes da epidemia de Aids ser reconhecida no início dos anos 80".

"Já se sabia que o HIV em humanos surgiu através da transmissão entre espécies de chimpanzés na região da África, mas este estudo mapeia em grande detalhes a propagação do vírus a partir de Kinshasa", disse ele."

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quatro dogmas da esquerda anti-capitalista, que servem para reforçar os mitos que sustentam o capitalismo

Normalmente, os pensadores associados à esquerda anti-capitalista tem sido caracterizados por gozarem de uma atitude anti-dogmática, ao analisar diferentes sistemas políticos, econômicos, sociais ou científicos. Esta atitude foi não ter nada para questionar tudo é concedido, incluindo os pilares da sua própria ideologia.
Hoje, para estes pensadores, há certos temas que não se atrevem questionar, por medo de sofrerem rejeição por grande parte da opinião pública, fortemente manipulada (doutrinada) pela máquina midiática, ou por causa de alguns preconceitos quase religiosos, difundidos entre a esquerda anti-capitalista por supostos intelectuais progressistas. Assuntos que se tornaram verdadeiros dogmas de fé. Tudo isso pensando bem intencionadamente e não fazendo nenhuma ligação com o poder que dizem combater; uma relação que poderia impedi-los de questionar certas crenças sociais.
Entre essas questões intocáveis, há quatro em particular: o terrorismo, a Aids, o aquecimento globale os vazamentos do WikiLeaks, fenômeno recente.