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domingo, 7 de novembro de 2010

A nova história

Márcia Denser*

Para quem se lembra daquela frase “O Brasil não tem história, só geografia”, comenta-se que agora temos uma “nova geografia”, redesenhada a partir do mapa das eleições deste segundo turno. A sacada é do Paulo Henrique Amorim, diz ele que a “Secretaria de Educação – que paga o salário PSDB, o Pior Salário Do Brasil – do José Serra produziu um livro de Geografia com dois Paraguais. Agora, a Geografia do PIG redesenhou as regiões do Brasil para justificar o racismo. Quem vota na Dilma é pobre, nordestino, semi-analfabeto.”

Para a nova geografia política da elite paulistana, o Rio e Minas caíram para a segunda divisão: agora situam-se geograficamente na região Nordeste. O país fica assim dividido por região, ou seja, segundo o preconceito racial, além de monetário e social. É assim que os freqüentadores do restaurante Fasano dividem o Brasil. Naturalmente, a questão é desqualificar a vitória de Dilma.

Mas a coisa vai mais longe, para além dos óbvios empates técnicos constatados onde pretensamente Zé Pedágio teria vencido (50% a 49% no Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul, 51% a 48% no Mato Grosso), sem contar votações expressivas em Sampa (54% a 45%), Paraná (55% a 44%) e Santa Catarina (56% a 43%), existe um fato: a opinião pública no sul e sudeste agora – felizmente - está dividida!

E isto significa que emergiu no interior da própria classe média uma nova consciência política que começa a deslocar a inconsciência despolitizada, consolidada na alienação enganchada na rabeira dos velhíssimos chavões da mídia hegemônica, dos preconceitos dessa mídia não questionadora da realidade - uma vez que realidade é só aquilo que ela edita - mídia, cujas afirmações e acusações feitas num dia, são alteradas ou esquecidas ou negadas no outro, dessa mídia que, em nome da vantagem imediata, dá as costas à História.

E tais classes desinformadas, inconsistentes e sem projeto são facilmente vencidas, uma vez que nada têm por que lutar, nada têm a almejar: é a reedição piorada da não menos arcaica “maioria silenciosa” emparedada em shoppings, filmes dublados, entrincheirada atrás de muros e guaritas, acovardada, imbecilizada – mórbida. Sitiada no interior da própria hipocrisia.

É pouco. Não deu. Realmente, nem Serra, nem Aécio, nem pós e neo-tucanos poderiam contar com tal base eleitoral, neo-nazistas à parte, que estes são o que são, aberrações, minorias.

É verdade que há bem pouco tempo o Brasil voltou a ter orgulho de si,o projeto vitorioso, sobretudo do segundo governo Lula, é recentíssimo, ainda não penetrou em todos os corações e mentes. E é a este projeto que a nova consciência dum Brasil mais politizado começa a responder, atender, em resposta a uma falsa (e velhíssima) geografia alienada, entreguista, separatista.

Porque o Brasil voltou a ter História.
blog do saraiva

sábado, 21 de agosto de 2010

Todo mundo em pânico

 O neo-febeapá demotucano pós-pesquisa do Ibope
Márcia Denser

- Em 16/8, segunda-feira: IBOPE: DILMA 41% x SERRA 32%. Com apenas dez dias de intervalo entre os dois levantamentos do Ibope, Dilma dobra a vantagem sobre Serra, ampliando a diferença de 5 para 11 pontos. A pesquisa, que entrevistou 2.506 pessoas entre 12 e 16/8, apurando somente os votos válidos, deu Dilma 51% x Serra 38%. Ou seja, se as eleições fossem hoje Dilma ganharia no 1º. Turno.

- Nesse mesmo dia, em Porto Alegre, sob o efeito atordoante do Ibope, Serra elogia (pela ordem) Yeda Crusius (grande governadora!), Leonel Brizola e João Goulart! Perguntinha no editorial da Carta Maior: o tucano ainda é candidato a presidente ou aspirante a compositor de samba enredo? Porque parece que vai adotar, como jingle de campanha, uma espécie de Samba do Crioulo Doido Volume 2

domingo, 1 de agosto de 2010

Quem vai perder?

“Serra personifica a chamada direita perversa e burra, a direita alucinada que acredita piamente se manter indefinidamente no poder sem fazer a mínima concessão às questões sociais e direitos humanos”

Márcia Denser
Ao que tudo indica – e todas as pesquisas apontam nesta direção – Dilma deve ganhar a disputa presidencial, até porque agora seu maior aliado eleitoral já não é o presidente Lula, mas o próprio candidato José Serra, cuja imagem e atitude truculentas por si mesmas têm sido mais do que suficientes para afugentar o eleitor, sem contar as gestões neoliberalíssimas de apoio exclusivo ao capital, tornando-o o maior responsável pelo franco declínio de sua campanha.

sábado, 17 de julho de 2010

Por uma estética da maturidade

Márcia Denser*

Há alguns anos – quinze, para ser mais precisa – um amigo escritor me disse (recitou? citou?) que a velhice é um longo, lentíssimo naufrágio. Porque a pessoa não desaba de uma vez e de repente. Ela vai dando o ar da graça por indícios esparsos, aqui e ali, tão tênues que a princípio você não associa, aliás você DISSOCIA completamente tudo que diz respeito ao fato de estar envelhecendo. Quando não racionaliza. Secura no olho? Computador demais. Bico de papagaio? Hereditário. Protocolo de titânio? É a tecnologia. Histerectomia? Bobagem.