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terça-feira, 14 de abril de 2015

A corrupção seletiva dos que protestaram


"A terceirização que ameaça os trabalhadores também foi tema ausente nos protesto
 Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel

Os protestos minguaram, talvez porque muita gente não quis marchar com pregadores do golpe e da violência política mas outros milhares fizeram o barulho que gera instabilidade política, agora com uma agenda ainda mais difusa e contraditória.   Segundo o Datafolha,  a motivação mais citada pelos manifestantes foi a  corrupção.  Entretanto, apesar dos muitos cartazes sobre “petrolão” e Petrobrás,  não houve referências às  contas secretas no HSBC da Suiça ou sobre o mega-escândalo de sonegação revelado pela Operação Zelotes.  Deve ser a corrupção seletiva:   O cidadão se revolta com o escândalo que envolve políticos mas não se incomoda com os casos em que grandes empresas e milionários sonegaram impostos depositando dinheiro lá fora ou subornando conselheiros do CARF/Receita Federal para burlar o fisco.  Ou alguém viu um cartaz sobre os Zelotes ou sobre as contas na Suiça? Eu não vi.

A segunda motivação, segundo o Datafolha, foi impeachment de Dilma e o protesto contra o PT. Não foram os problemas do bolso e do estômago, o aumento da inflação ou do desemprego, problemas que certamente pouco afetam a vida da maioria que foi às ruas.  Talvez por isso não vi nenhuma jovem loura, nenhuim rapaz bem nutrido ou senhora elegantemente vestida reclamando do preço do feijão. Mais ainda.  Examinando imagens dos protestos não vi uma só referência àquela que é a maior ameaça aos que vivem do próprio trabalho, o projeto de terceirização de mão de obra aprovado pela Câmara.  A aprovação do projeto do deputado Sandra Mabel é  coisa do Congresso, da qual o governo não conseguiu se dissociar e acabará pagando o pato. . Se não conseguir barrar a aprovação no Senado, ainda vai tornar-se o pai desta aberração, embora o PT tenha votado maciçamento contra e o governo tenha  feito suas críticas.  Um priotesto de gente que trabalha não podia ser indiferente a um tema que está aí, ameaçando conquistas e direitos.
Os movimentos que chamaram as manifestações, mesmo rachados, anunciaram que agora vão mudar de tática, partindo para a pressão sobre o Congresso.

Deviam começar pressionando pela não aprovação do projeto de terceirização.
Mas, falando nisso, o quê irão mesmo pedir  a Renan Calheiros e Eduardo Cunha nesta marcha a Brasilia?  O impeachment de Dilma, sem que haja elementos jurídicos para fundamentar o pedido?  Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre, anunciou que uma caravana irá ao Congresso na sexta-feira “encaminhar a pauta do movimento.  Devia começar mudando o dia. Sexta-feira, mesmo nestes tempos frenéticos de Congresso hiper-ativo disputando poder com o Executivo, é dia de casa vazia.

Já  Rogerio Chequer, do Vem Prá Rua, acusado de ser bancado pelo PSDB, falou numa aliança de 50 grupos que iriam ao Congresso na quarta em busca de lideranças dispostas a encaminhar os pleitos dos movimentos.  O PSDB, até agora, não abraçou a bandeira do impeachment. Pelo menos oficialmente. Ou haverá alguma reivindicação mais viável, além do Fora Dilma?

Vai ser engraçado ver movimentos que se dizem contra todos os políticos e partidos pedindo a estes mesmos que violem as regras da políticas e tirem Dilma do governo.  Estão quase entendendo o óbvio: na democracia, por piores que sejam os partidos, não há salvação fora da política. O que precisamos é melhorar o sistema de regras em que ela exercida. É de uma boa reforma política, embora isso também não seja remédio para todos os males.
Educação política

Boa parte dos que protestam não sabe mesmo do que está falando. Assim como 12% dos defensores do impeachment, segundo o Datafolha, não sabem que se Dilma for afastada o governo será assumido por Michel Temer, desta vez apareceram cartazes pedindo “intervenção militar constitucional”.  A Constituição é consequência da luta pela democracia. Os que a escreveram não pactuaram com a ditadura e o passado, mas com o futuro e com a liberdade. Não existe tal asneira em nossa Constituição cidadã. A alma de doutor Ulysses Guimarães deve estar horrorizada com tal deturpação."

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ia ser maior, mas não foi: uma visão filosófica sobre os movimentos anti-democráticos

Emir Ruivo, DCM

O “vai ser maior” fracassou. E isso só aconteceu por que não somos os mesmos de 1964.

***

Na era da comunicação de massa, com o apoio de alguns veículos de mídia, talvez fosse possível enganar uns bobos. Isso tanto em levar as pessoas para a rua quanto em depois manipular o resultado. Na era da internet, parece que não é mais tão fácil.

Eu fico imaginando quantas pessoas, em 1964, não foram na “marcha da família com deus pela liberdade” porque simplesmente achavam que era uma marcha religiosa.

Esse, aliás, o pulo do gato no nome da marcha: 1, não deixar claro o objetivo e 2, incluir religião de alguma maneira.

Então jornais que sabiam que se beneficiariam da subida dos militares poderiam publicar fotos de ângulos mais impressionantes que nada seria questionado. Se dissessem que havia 100 mil, havia 100 mil. Se dissessem que havia 1 milhão, havia 1 milhão.

Hoje, há uma capacidade de questionamento muito mais democrática, no sentido que não é apenas um pequeno grupo rico (porque fazer mídia era caro) que determina as verdades. Há mais verdades, e você pode escolher a sua.

***

A impressão que eu tenho é que entre as manifestações do mês passado e a de ontem, há uma diferença apenas: a do mês passado juntou enganadores com enganados; a de hoje, juntou apenas os enganadores.

É como se tivessem estado juntos ilusionistas e público numa grande festa, mas grande parte desse público descobriu o truque. Ficam ilusionistas fazendo suas mágicas para uns poucos que ainda caem. Mas são tão poucos que começou a parecer carnaval – tem mais artista que espectador.

Os enganados passam a notar algo de errado no papo. Notam a demagogia. Como pode alguém reclamar da corrupção e roubar a padaria na volta? É alguém verdadeiramente interessado na ética proposta ou é alguém se utilizando da ética como subterfúgio?

É claro que você pode sempre enganar outras pessoas. Pode enganar as mesmas de novo também. Mas me parece, apenas me parece, que as dificuldades vão aumentar para os ilusionistas. Mesmo assim, é sempre bom ficar atento a eles. Sempre pinta um novo truque.

***

Com todas as reservas que se pode ter com o MPL, eles têm uma agenda clara e honesta. Você pode discordar do ideal passe livre, por exemplo. Eu discordo, ao menos no momento. Não é hora, quando não se tem educação ou saúde universais, de cuidar de passe livre no transporte público. Mas eu sei que não são pessoas que tentam derrubar os empresários de ônibus só para poder pegar as rotas para si e ganhar uma grana.

Eles verdadeiramente acreditam no modelo e por isso, bem ou mal, não apenas são um sucesso, mas são muito importantes.

Não é o caso dos que pedem impeachment. Estes são os mimados que não suportam ouvir “não”.

Não há interesse em derrubar o rei para tentar um novo regime. O que eles querem é colocar um novo rei. Um que seja amigo. Um que vá deixa-los brincar com seus ouros."

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Como ficarão os seguidores radicais de Lobão depois que ele abandonar o barco de vez?


Enquanto isso, na Paulista
DCM
"A última passeata pelo impeachment de Dilma ficou marcada pelo quórum baixo, pela declaração ridícula de Rachel Sheherazade de que “milhões” haviam saído às ruas, pela presença em São Paulo do senador Aloysio Nunes — e, sobretudo, pela defecção de Lobão, o grande “líder” da coisa.

O cantor chegou à Avenida Paulista, ponto de encontro da passeata, e deu de cara com um caminhão de som com pessoas pedindo a intervenção militar.

Ficou irritado e deu marcha à ré, indignado com o que entendeu como não cumprimento do suposto combinado.

Lobão acha que essa reivindicação, especificamente, não cabe nos protestos. Olavo de Carvalho, seu guru, considera que, para tirar o PT, vale até o PCC. O deputado eleito Eduardo Bolsonaro, que levou uma pistola à manifestação passada, desta vez disse que tinha gente armada por ele (??). O Coronel Telhada desfilou e lembrou que “lugar de bandido é na cadeia, e não governando”.

Lobão acabou se encaminhando, mais tarde, para a praça da Sé, mas sua atitude provocou um tsunami entre seu povo escolhido. O ex-artista, eventualmente, deve estar se perguntando onde se meteu.

Sua surpresa ao ver malucos pedindo o retorno dos militares não tem lógica.

Não existe almoço grátis. Não faz sentido apregoar o ódio, a obsessão, o golpismo, a histeria, a paranoia e ficar surpreso quando monstros aparecem.

Ainda vai ser objeto de estudo o que leva alguns milhares de brasileiros a tê-lo como chefe de seja lá que movimento seja. “Fale o que devemos fazer e nós faremos”, escreveu-lhe uma senhora no Twitter.

Abusando da Lei de Godwin, há um paralelo com os alemães sob o nazismo. Um bom livro sobre essa relação controversa é “Apoiando Hitler:

Consentimento e coerção na Alemanha nazista”, do canadense Robert Gellately. Ele reforça a tese de que os alemães, ao contrário do que crê uma corrente, era cúmplice do führer e sabia de tudo.

“Hitler prometeu ‘limpar as ruas’, e a maioria das pessoas aprovou a medida.

 Algumas acreditavam de fato. Outras queriam proteger seu país e lutar como nacionalistas e patriotas”, disse o autor numa entrevista. “E provavelmente a maioria lutou para manter distantes os russos e os comunistas, que eram amplamente temidos e odiados no país”.

Não faz muito tempo, o neonazi Ernst Zündel lançou alguns panfletos. Num deles, chamado “O Hitler que Amamos e Por quê”, são elencados alguns motivos para curtir o velho Adolf. Um deles: “Nós o amamos porque ele falava de tal maneira que todos pudessem entender. Ele não simplificava demais os nossos problemas. Ele os esclarecia. Ele não deu ‘garantia’ de um mundo melhor. Ele nos pediu para lutar por isso”.

“Lobão tornou-se forte, querendo ele ou não é um dos pilares do movimento, visto por muitos como grande patriota”, escreveu um sujeito nas redes sociais.

 O roqueiro pode inventar alguma fuga do teatro que inventou, mas a malta que resolveu transforma-lo em liderança não lhe dará sossego."

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vamos ter Copa, sim, e protestos agora ficaram patéticos


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Com apenas um protesto contra a Copa marcado para esta terça-feira, em Brasília, a onda de manifestações vai-se esvaziando, a cada dia de forma mais melancólica, mostrando que a maioria da população brasileira, que ama o futebol e não mistura seleção com política, não quer mais saber de baderna.

Vamos ter Copa do Mundo no Brasil, sim, apesar da urubuzada que sobrevoou o país nestes últimos meses e infernizou a vida de quem mora nas grandes cidades. Felipão e seus 23 convocados já estão concentrados na Granja Comary, em Teresópolis, só esperando o início jogo de estreia do Brasil contra a Croácia, no Itaquerão, daqui a 16 dias.

Foram patéticos os últimos protestos organizados pela turma do quanto pior, melhor, cada vez menores e mais radicais, a ponto de tentarem impedir a saída do ônibus da seleção que seguiu ontem do Rio para Teresópolis e, depois, a sua entrada na Granja Comari.

Empunhando bandeiras do Sindicato dos Profissionais de Educação e de partidos radicais da esquerda sem votos, um grupo de 200 professores xingou os jogadores que saiam do hotel próximo ao Galeão e chutaram o ônibus aos gritos de "pode acreditar, educador vale mais do que o Neymar". O que tem uma coisa a ver com a outra? Que direito estes vândalos travestidos de educadores têm de impedir a passagem de quem quer que seja? Outros 30 gatos pingados e irados se postaram diante dos portões da concentração em Teresópolis.

No último final de semana, em São Paulo, tivemos duas marchas que, mais uma vez, fecharam a avenida Paulista. Não são mais necessárias multidões nem grandes causas populares para interditar a principal via da maior cidade do país. De manhã, no sábado, foi a vez da autodenominada "marcha das vadias", em que mulheres desfilaram com os seios nus apesar do frio e da garoa; à tarde, apareceu um bando contra a Copa e contra tudo, que fez o mesmo trajeto, interditando ruas em direção ao centro. Em cada uma, não havia mais do que 300 "protestantes" nesta cidade de mais de 10 milhões de habitantes. Quem essa gente representa?

Diante do fracasso das manifestações anunciadas em larga escala pela mídia grande, ficamos sabendo que, há duas semanas, veio até um reforço do exterior. "Um grupo de cerca de cem ativistas, entre eles barbudos, mocinhas universitárias, skatistas e até rapazes com cara de advogado assistiam sem piscar à palestra do moço magrinho que tentava ensinar como mudar o mundo", relata Silas Martí, da "Folha".

O moço magrinho era um tal de Sean Dagohoy, do coletivo americano Yes Man, que deu uma "oficina de ativismo" no  Centro Cultural de São Paulo, para ensinar os nativos, durante três horas, a "pensar em ações de protesto contra o Mundial de futebol". Dagohoy ainda advertiu seus alunos que não poderia se responsabilizar pela "eventual brutalidade daqueles que estão no poder".

Era preciso informar ao ativista gringo que as maiores brutalidades a que assistimos nos últimos meses não partiram dos que estão no poder, mas de grupos de black blocs e outros celerados que se aproveitavam das "manifestações pacíficas" para afrontar a polícia, depredar patrimônio público e privado, saquear lojas, tacar fogo em ônibus.

Derrotados, eles podem voltar a qualquer momento, e todo cuidado é pouco. Que a bola comece logo a rolar para a gente poder mudar de assunto. Os nobres parlamentares brasileiros, por exemplo, já estão dando sua contribuição, ao anunciar que só vão trabalhar durante seis dias durante toda a Copa. Menos mal.

Agora é com você, Felipão!"

sábado, 26 de abril de 2014

Campanha da polícia de Nova York vira piada na internet

Polícia de Nova Iorque é ridicularizada na internet. Em vez de publicar fotos com oficiais, internautas utilizaram campanha da polícia nova iorquina para denunciar abusos
Polícia de Nova Iorque é ridicularizada na internet. Em vez de publicar fotos com oficiais, internautas utilizaram campanha da polícia nova iorquina para denunciar abusos


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quem mobiliza estes vândalos contra a Copa?


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"A menos de dois meses do início da Copa, com todos os estádios prontos, à exceção do Itaquerão do Corinthians, continuam as "manifestações pacíficas" contra o eventopromovidas nas grandes cidades, seguindo religiosamente um calendário, preparado por alguém que ninguém sabe quem é. Nesta terça-feira, tivemos mais um em São Paulo e o próximo já está marcado para o próximo dia 29.

Inventaram até um "protestômetro" para divulgar os atos marcados em todo o país para antes e durante a Copa do Mundo do Brasil. O que eles querem, afinal? Derrubar os estádios? Derrubar o governo? Provocar um clima de caos antes das eleições presidenciais?

O que me parecia um negócio de malucos desocupados, como estes "black blocs", que aparecem sempre no final dos "protestos" afrontando a polícia e quebrando tudo que encontram pela frente, está virando um movimento muito bem organizado, que não mostra suas lideranças nem os objetivos que os levam a fechar ruas e avenidas, provocando enormes congestionamentos nas capitais que sediarão a Copa.  Atribui-se tudo a uma anônima mobilização feita pelas redes sociais.

Desde as grandes manifestações de junho do ano passado, que começaram pacíficas e terminaram em confrontos com a polícia e enormes prejuízos para os comerciantes, não teve semana em que não promovessem algum protesto por qualquer motivo, muitas vezes em parceria com os "black blocs".

Assim como os "manifestantes", batalhões de policiais comparecem pontualmente aos locais marcados e, vez ou outra, prendem alguns mais exaltados.  Centenas já foram presos _ só ontem, a polícia levou mais de 50 deles_ , mas acho que nenhum permanece atrás das grades. Antes de soltá-los, no ritual que já se tornou uma rotina, será que os órgãos de segurança não poderiam pelo menos fazer uma pequena investigação para saber quem são, de onde vêm e a serviço de quem estão estas figuras estranhas que fizeram dos protestos uma profissão?

O de ontem foi o quinto ato do "Não vamos ter Copa" este ano. Lá estavam 750 PMs para tomar conta de 1.500 manifestantes. Nos dois protestos anteriores, havia mais policias do que participantes das marchas de protesto.

 Quanto custa isto ao Estado em recursos humanos e equipamentos? Quem paga esta conta? Parando o transito por onde passavam, da avenida Paulista ao Largo da Batata, em Pinheiros, cruzando toda a avenida Rebouças, eles conseguiram infernizar a vida de milhares de paulistanos que estavam voltando do trabalho ou da escola para suas casas.

Para marcar sua presença, antes do "protesto" acabar os "black blocs" destruíram três agências bancárias e correram corajosamente para dentro da estação Butantã da linha 4 do Metrô, onde foram cercados por 150 policias. Depois de revistados, foram levados para os ônibus da PM, que já estavam aguardando por eles. A polícia encontrou até coquetéis molotov nas mochilas dos "pacíficos manifestantes".

Até quando nós vamos continuar assistindo a esta baderna pré-programada sem fazer nada?"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Mascarados vieram para criminalizar democracia



A máscara é um convite para a ação da tropa de choque, pois demonstra que as autoridades se mostram incapazes de manter a ordem

Paulo Moreira Leite, ISTOÉ

Os protestos de junho de 2013 trouxeram a novidade das máscaras.

 É um debate importante, que mobilizou prós e contras em vários lugares. Cinco meses depois, os mascarados continuam em atividade, cada vez mais intensa.

As principais alegações a favor das máscaras envolvem argumentos simplórios.

Dizem que os mascarados são indivíduos no exercício de seus direitos políticos e têm direito de se proteger de qualquer ação repressiva.
Será?

Nós sabemos que a Constituição garante a liberdade de expressão, mas veda o anonimato – como aprendi recentemente durante almoço em plena Vila Madalena.

Não vamos falar de certas situações de opressão geral que em alguns países podem justificar o uso de máscaras.

Num país democratizado, como o Brasil, as máscaras teriam outro efeito político se o País se encontrasse numa situação revolucionária de duplo poder, em que é razoável colocar em questão o monopólio da violência sobre o Estado.

No país de 2013, seu único efeito prático é ajudar a criminalizar os protestos e a própria luta política extraparlamentar, necessária a todo momento para avançar determinadas reivindicações que o Congresso ignora.

A máscara é um convite para a tropa de choque entrar em ação porque é uma demonstração irrefutável de que as autoridades se mostram incapazes de manter a ordem, mesmo que momentaneamente.

O sujeito que saiu de casa mascarado se autodenuncia e manda um recado: vai aproveitar a mobilização para cometer atos ilegais.

É tão óbvio que a polícia, se tiver um mínimo de responsabilidade, de sentido de cumprir seu dever legal, irá prestar atenção redobrada a seus movimentos e contra-atacar na primeira oportunidade.

Está na cara que a PM, primeiro instrumento criado pela ditadura militar para reprimir as mobilizações populares, e que não foi reformada como ser necessário depois da democratização, fala a língua da violência. Atira para machucar e bate para ferir. Admite matar – mesmo que teoricamente por acidente -- com uma bala de borracha.

Por isso todas as intervenções da PM tendem a dar errado quando vistas pela atual consciência democrática do país. E é o caso de evitar pensamentos ingênuos quando se discute porque ela não é reformada nem reeducada. Porque não interessa, vamos combinar. E nós sabemos quem tem força e articulação para definir, estruturalmente, o que interessa e o que não interessa mudar, certo?

Estudantes serão feridos de forma bruta. Manifestantes serão conduzidos para a cadeia de modo arbitrário, cumprindo temporadas ridiculamente longas de detenção. E aí o foco do protesto, com justiça, será a própria polícia e, por essa via, a ação do Estado.

Estive em Washington quando grupos ultrarradicais queriam impedir uma reunião do FMI e foram paralisados por uma ação preventiva, pacífica e sem violência, da polícia local. Então há diferença entre uma situação e outra.

Há outras questões nestas máscaras. Sem responder a uma situação política especifica, onde pode ser necessária, sua violência permanente auxilia no reforço da ordem.

O discurso de quem esconde o rosto é que ele se dedica a destruir “símbolos” do capitalismo. Bobagem. Seus atos destroem patrimônio real do capitalismo, que custou trabalho de assalariados, que serão, de uma forma ou outra, forçados a pagar pelo prejuízo. Como empregados, enfrentarão pressões nos salários e benéficos. Como cidadãos, serão forçados a pagar sua parte no prejuízo pelo aumento de taxas e tarifas. Como consumidores, podem perder um automóvel ou mesmo serem obrigados a pagar a reforma de sua casa.
Simbólico, aqui, é outra coisa -- o show -- sob medida para reforçar clamores por lei e ordem.

A sociedade do espetáculo despreza os homens simples do povo, os verdadeiros cidadãos que podem ser protagonistas de mudanças relevantes e duradouras porque estimula símbolos que combinam com a ideologia que ela defende e divulga: o individualismo, o meio como substituto do fim. O caráter puramente destrutivo de sua atividade determina que sua função seja produzir impasses.

Seu universo não é o da política, pois pertence a sociedade de consumo. Não aceita heróis dde pessoas de carne, osso – e rostos – mas personagens que poderão ser promovidos e descartados ao saber das conveniências.

Há um elemento narcisista no militante mascarado mas sua força de atração é outra. Ele tem uma postura de busca permanente pelo confronto, que sempre poderá ser objeto de consumo num tempo em que faltam opções revolucionárias reais no horizonte.

Ao contrário do que ocorria em outros momentos históricos, a partir da chegada de Lula no Planalto temos um governo que procura encaminhar as reivindicações de trabalhadores e da população mais pobre, com avanços, recuos, acertos e muitos erros mas um saldo geral positivo, mesmo que limitado, mas suficiente para exasperar os setores historicamente dominantes.

Estes mantêm uma relação ambígua com os mascarados. Declaram-se horrorizados com seus atos mas não deixam de enviar mensagens de estímulo e tolerância, pois a máscara sempre será muito útil enquanto servir para desgastar o governo Dilma, paralisar instituições e impedir reformas necessárias – inclusive do sistema político.

A máscara tem a vantagem de que nunca se sabe quem é o rosto por trás dela e sempre será possível permitir o governo de incapaz de manter a ordem e defender a democracia, um desses argumentos obviamente ululante em toda intervenção contra os direitos do povo.

Qualquer que seja o discurso e a ideologia dos mascarados, a função real de sua violência é retirar a legitimidade do processo histórico que o país vive hoje.

O resultado dessa atividade não beneficia a maioria da população e cria obstáculos a novas conquistas.

Desmoraliza organizações dos trabalhadores, por mais que dê a impressão de ajuda-las – e até possa se mostrar útil diante da extrema violência da PM. Sua violência não corresponde ao momento político real e, como todo gesto político feito sob estas condições, cedo ou tarde se voltará com contra os mais fracos. Todas gerações de brasileiros assistiram a este filme.
Quanto o serviço de desmoralizar os símbolos da democracia tiver terminado, os mascarados serão retirados de cena – e aí sobrará menos liberdade e mais repressão para quem nada tinha a ver com machadinhas, máscaras e violência.”

terça-feira, 9 de julho de 2013

A erosão do sentido da vida e as manifestações de rua


As manifestações nas ruas do Brasil e do mundo fermentam algo mais profundo, diria quase inconsciente, mas não menos real: o sentimento de uma ruptura generalizada, de frustração, de erosão do sentido da vida, de angústia e medo face a uma tragédia ecológico-social que se anuncia por toda a parte e que pode pôr em risco o futuro comum da humanidade.

Leonardo Boff, Carta Maior

Está lentamente ficando claro que as massivas manifestações de rua ocorridas nos últimos tempos no Brasil, e também pelo mundo afora, expressam mais que reivindicações pontuais, como uma melhor qualidade do transporte urbano, melhor saúde, educação, saneamento, trabalho, segurança e uma repulsa à corrupção e à democracia das alianças sustentada por negociatas. Fermenta algo mais profundo, diria quase inconsciente, mas não menos real: o sentimento de uma ruptura generalizada, de frustração, de decepção, de erosão do sentido da vida, de angústia e medo face a uma tragédia ecológico-social que se anuncia por toda a parte e que pode pôr em risco o futuro comum da humanidade. Podemos ser uma das últimas gerações a habitar este planeta.

Não é sem razão que 77% dos manifestantes tenham curso superior, quer dizer, gente capaz de sentir este mal-estar do mundo e expressá-lo como recusa a tudo o que está aí.

Primeiro, é um mal-estar face ao mundo globalizado. O que vemos nos envergo-nha, porque significa a racionalização do irracional: o império norte-americano, decadente, para se manter precisa vigiar grande parte da humanidade, usar da violência direta contra quem se opõe, mentir descaradamente como na motivação da guerra contra o Iraque, desrespeitar acintosamente qualquer direito e norma internacional como o sequestro do presidente Evo Morales, da Bolívia, feita pelos europeus mas forçados pelos corpos de segurança norte-americanos. Negam os valores humanitários e democráticos de sua história e que inspiravam outros países.

Segundo, a situação de nosso Brasil. Não obstante as políticas sociais do governo do PT que aliviaram a vida de milhões de pobres, há um oceano de sofrimento, produzido pela favelização das cidades, pelos baixos salários e pela ganância da máquina produtivista de cariz capitalista que, devido à crise sistêmica e à con-corrência cada vez mais feroz, superexplora a força de trabalho. Só para dar um exemplo: pesquisa feita na Universidade de Brasília apurou que entre 1996 e 2005 a cada 20 dias um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, ex-cesso de tarefas e pavor do desemprego. Nem falemos da farsa que representa nossa democracia. Valho-me das palavras do cientista social Pedro Demo, professor da UNB, em sua ‘Introdução à sociologia’ (2002): ”Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis bonitas mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que sirva a ela do começo até o fim. Político é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniguados, enriquecer-se às custas dos cofres públicos e entrar no mercado por cima… Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação” (págs. 330-333). Agora, entendemos por que a rua pede uma reforma política profunda e outro tipo de democracia em que o povo quer codecidir os caminhos do país.

Terceiro, a degradação das instâncias do sagrado. A Igreja Católica ofereceu-nos os principais escândalos que desafiaram a fé dos cristãos: pedofilia de padres, de bispos e até de cardeais. Escândalos sexuais dentro da própria Cúria romana, o órgão de confiança do papa. Manipulação de milhões de euros dentro do Banco do Vaticano (IOR), onde altos eclesiásticos se aliaram a mafiosos e a corruptos milionários italianos para lavar dinheiro. Igrejas neopentecostais atraem em seus pro-gramas televisivos milhares de fiéis, usando a lógica do mercado e transformando a religiosidade popular num negócio infame. Deus e a Bíblia são colocados a ser-viço da disputa mercadológica para ver quem atrai mais telespectadores. Setores da Igreja Católica não escapam desta lógica com a espetacularização de showmissas e dos padres-cantores com sua autoajuda fácil e canções melífluas.

Por fim, não escapa ao mal-estar generalizado a situação dramática do planeta Terra. Todos estão se dando conta de que o projeto de crescimento material está destruindo as bases que sustentam a vida, devastando as florestas, dizimando a biodiversidade e provocando eventos cada vez mais extremos. A reação da Mãe Terra se dá pelo aquecimento global, que não para de subir; se chegar nos próximos decênios a 46 graus Celsius pelo aquecimento abrupto, este pode dizimar a vida que conhecemos e impossibilitar a sobrevivência de nossa espécie, com o desaparecimento de nossa civilização.

Não dá mais para nos iludirmos, cobrindo a feridas da Terra com esparadrapo. Ou mudamos de curso, preservando as condições de vitalidade da Terra, ou o abismo já nos espera.

Como insiste a Carta da Terra: ”Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados”; é esta interligação real mas, em par-te inconsciente, que leva milhares às ruas querendo outro mundo possível e agora necessário. Ou aproveitamos a chance para as mudanças ou não haverá futuro para ninguém. O inconsciente coletivo pressente este drama e daí o clamor das ruas por mudanças. Sem atender às demandas, poderemos protelar a tragédia mas não a evitaremos. Agora é ouvir e agir.”

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Protestos seguem um roteiro: quem são os autores?



Caminhoneiros protestaram na Castello Branco (SP) por 15 horas /
Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

‘Com o esvaziamento das manifestações nas ruas e praças das cidades, os protestos tomaram o rumo das estradas e caminhoneiros bloquearam ontem 22 rodovias em nove Estados, fechando inclusive o acesso ao porto de Santos, que só foi liberado na manhã desta terça-feira.

Desde o dia 6 de junho, quando dois mil manifestantes do Movimento Passe Livre protestaram na avenida Paulista, em São Paulo, contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, os protestos se espalharam por todo o pais e foram multiplicando sua pauta de reivindicações, que foi da PEC 37 ao combate à corrupção, dos gastos com a Copa à melhoria nos serviços públicos, atacando todos os governos, políticos e partidos.

Depois de três semanas, os protestos urbanos perderam o folego e foram para as estradas. O Movimento Brasil Caminheiros, liderado há 14 anos pelo empresário Nélio Botelho, que em 1999 fechou as principais rodovias do país e provocou até desabastecimento em algumas cidades, apresenta agora as mesmas reivindicações daquele tempo: redução do preço dos pedágios e do óleo diesel, entre outras benfeitorias para a categoria.

Mesmo depois que o governo de São Paulo suspendeu a cobrança de pedágio para caminhões sem carga, razão primeira do protesto, o movimento decidiu que continuará nas estradas até quinta-feira, infernizando a vida de quem precisa viajar.

É no mínimo estranho que os caminhoneiros de Nélio Botelho voltem aos bloqueios justamente agora que a situação estava começando a se normalizar nas cidades, depois que a maior parte das reivindicações do povo nas ruas foi atendida rapidamente pelos três poderes.

Na mesma hora em que as estradas eram fechadas, apenas 100 gatos pingados apareceram ontem no mesmo Largo da Batata, em São Paulo, que reuniu 65 mil pessoas do Movimento Passe Livre no último dia 17 de junho, desta vez para protestar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-SP).

No início da noite, 40 pessoas saíram às ruas de Florianópolis para pedir mais ética na politica; 200 manifestantes pediram o fim da corrupção em Manaus; mais 200 saíram em Maceió contra a contratação de médicos estrangeiros; outros 80 fecharam a PR-116 em Fortaleza, pedindo sinalização e uma passarela; com pedidos variados, 60 protestaram em Foz do Iguaçu, o mesmo número que saiu às ruas em Santos para pedir a integração das tarifas de balsas e ônibus; só em Vitória o número chegou a 1.000 para pedir o fim da cobrança de pedágio.

Geradas nas redes sociais e amplificadas pela cobertura generosa da grande mídia, inclusive durante transmissões esportivas e em programas de auditório, as manifestações de protesto parecem seguir um roteiro para que não parem nunca mais, encadeando uma pauta na outra. Certamente não se trata da obra de um único e criativo pauteiro. Pode ser tudo uma grande coincidência, mas não custa perguntar quem podem ser seus autores e quais seriam seus reais objetivos, já que até hoje tudo nos é apresentado como algo espontâneo, que brota de uma difusa insatisfação popular não registrada pelas pesquisas nem pelos agentes da Abin.

Em seu artigo de hoje no "Observatório da Imprensa", sob o título "A história ainda não foi contada, falta o narrador", Alberto Dines deixa uma pergunta no ar:
"No sábado, 6 de julho, o vulcão completará um mês de atividade ininterrupta. Hora de perguntar: alguém já contou esta história _ como começou, mudou e o que ainda vai acontecer?".

Em busca de respostas, Dines constata: "Estamos observando os escombros, identificando vítimas, avaliando efeitos, conscientes da dimensão do ocorrido, testemunhas mais ou menos informadas. Poucos, no entanto, sabem com exatidão por que a cratera adormecida, de repente, começou a cuspir fogo".
Talvez só os historiadores do futuro, daqui a muitos anos, nos contem como foi construído e desenvolvido este roteiro.”

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Palhaço, eu?



Campanha contra os cavaletes que
‘emporcalham’ a cidade. Saudades de 64?
Matheus Pichonelli, CartaCapital

“Você já chutou seu cavalete hoje? Se já chutou, curta. Se vai chutar, compartilhe”. Quem entrou ao menos uma vez na internet na última semana fatalmente esbarrou com essa mensagem, ilustrada por um bonequinho distribuindo pontapés sobre um cavalete em que se lê a mensagem de “vote em mim”.

O tempo é de indignação. No Facebook, incitações ao “vote nulo” vêm acompanhadas por animações bem sacadas de uma nova forma de consciência e juventude. Num deles, uma mulher armada de escopeta aponta o revide em direção ao dublê de candidato: “Não me vê há quatro anos e agora vem pedir meu voto, é?”

Noves fora a brincadeira, o engajamento virtual possibilitado pelas redes sociais é sintomático ao escancarar o descontentamento com o atual modelo de representação. É uma espécie de ativismo da má vontade: a indignação, sempre seletiva, é compartilhada aos pares e seguida por um alívio quase imediato de dever cívico cumprido. Um dever que vê na obrigação do voto um estorvo bianual.

Para entender esse engajamento às avessas é necessário ao menos conjecturar sobre a lógica desse eleitor a se manifestar. Uma primeira pergunta seria: os candidatos e futuros políticos são ruins porque o eleitor é preguiçoso ou o eleitor é preguiçoso porque os candidatos e futuros políticos são ruins?

Antes é preciso definir: ruim por que e para quem? A resposta parece óbvia. Ruim porque as propostas e bandeiras se repetem. Os jingles são medonhos. Os sorrisos forçados afrontam. O debate infantiliza a própria campanha. Exemplo disso é que tudo o que de pior surge na música nas vésperas da votação aterrissa aos montes na campanha eleitoral. Assim os “tchu e tchás” e “tchê tcherere tchê tchês” da rádio transformam candidatos, sérios ou não, em meros postulantes de Teletubbies.”
Artigo Completo, ::AQUI::

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Polícia de Nova Iorque ocupa o Occupy Wall Street; Justiça manda reocupar


Justiça considerou ilegal ação da polícia e autoriza retorno de manifestantes do Occupy Wall Street a praça em NY
A juíza Lucy Billings, da Suprema Corte do estado de Nova York, autorizou o retorno dos manifestantes do movimento Occupy Wall Street para a praça que ocupavam em Manhattan até a manhã desta terça-feira (15/11), quando uma operação da policia novaiorquina removeu o acampamento dos “indignados” com a crise internacional.
Manifestante encara polícia durante desocupação de praça em Nova York
Além de permitir a volta dos manifestantes, a decisão judicial também determina uma ordem de restrição que impede a Prefeitura e a polícia de Nova York de bloquear a entrada de mais pessoas no local com barracas, batizado pelos jovens de “Praça da Liberdade”.
A juíza marcou uma audiência com a Prefeitura para definir como a ordem judicial deverá ser colocada em prática. Lucy Billings criticou a ação policial, que considerou ilegal e abusiva.
No momento, parte dos integrantes do Occupy que foram dispersados pela polícia se dirigem para a sede da Prefeitura, enquanto outros voltam para a praça Zuccotti, que, apesar de pertencer a uma empresa privada, é utilizada como espaço público de lazer, segundo uma lei local.
E foi justamente essa lei a justificativa utilizada pelo prefeito Michael Bloomberg para exigir a retirada do acampamento. Segundo o prefeito, a ocupação estava impedindo que outras pessoas tivessem acesso ao local.
A decisão de Bloomberg desencadeou uma verdadeira operação de guerra na madrugada desta terça-feira. Centenas de policiais com caminhões começaram a chegar por volta das 4h20 (horário de Brasília), seguidos de helicópteros e carros blindados. O espaço aéreo e a ponte do Brooklyn, que dá acesso a Manhattan foram fechados. A presença de jornalistas no momento da operação foi proibida.
Segundo o New York Times, pelo menos 70 pessoas que resistiram à desocupação foram presas. O Occupy Wall Street afirma que entre eles está um vereador.
via Com textolivre

sábado, 15 de outubro de 2011

Situação econômica faz com que poucos brasileiros protestem contra a corrupção


SÃO PAULO - A primavera dos brasileiros já passou. Essa é a opinião de especialistas ouvidos na quarta-feira pelo GLOBO, que apontaram como grandes momentos de mobilização as Diretas Já, nos anos 80, e o Fora Collor, nos anos 90. O movimento contra a corrupção, que tem saído da internet para ganhar as ruas como aconteceu ontem em diversas cidades brasileiras, no entanto, está longe de ser uma nova primavera.
- Nossa primavera foi o momento das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas. O que são cinco mil pessoas reunidas em São Paulo ou 13 mil em Brasília? É muito pouco. Sem organicidade, esse movimento não vai crescer. As manifestações ganham força se tiveram algo orgânico, como partidos e sindicatos - afirma o cientista político Carlos Mello, do Insper.
Nossa primavera foi o momento 
das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas.
O que são cinco mil pessoas reunidas
em São Paulo ou 13 mil em Brasília?
É muito pouco
Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro afirma que um problema para a mobilização do país contra a corrupção é que as pessoas são contra a corrupção, mas dos partidos alheios:
- O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos. E é uma lástima que as pessoas usem isso contra o partido oposto.
Para Janine Ribeiro, não se pode comparar o movimento contra a corrupção com movimentos como a Parada Gay:
O problema na luta contra a corrupção é
que ela está tomada pelos partidos
- Na Parada Gay, todos estão celebrando a vida. Quando se está lidando com uma coisa suja, como a corrupção, não há toda essa euforia. Acho essa comparação inoportuna e um tanto moralista.
Janine Ribeiro, Carlos Mello e o cientista político David Fleischer, da UnB, apontam que o momento econômico brasileiro colabora com a desmobilização:
- A economia é um fator para a desmobilização. Quando a economia está positiva, com aumento do salário médio e menos desemprego, isso alivia a barra dos brasileiros que, por natureza, são mais pacíficos e conciliadores- diz Fleischer.
Para Fleischer, uma mobilização de massa precisa contar com "o elemento da opressão financeira", como tem ocorrido na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
- Nós já tivemos nossas primaveras, como as Diretas Já e o Fora Collor. Eram momentos em que os brasileiros não estavam aguentando mais.
Janine Ribeiro lembra que, nesses momentos, o Brasil estava com graves problemas econômicos e que a indignação nas ruas não era apenas política.
A economia é um fator 
para a desmobilização
- Infelizmente, parece que o ponto crucial, o determinante, é a situação econômica. Realmente, eu gostaria que tivéssemos derrubado Collor pela corrupção e não pela crise econômica, mas não foi isso o que ocorreu.
Segundo Carlos Mello, em momentos de crise econômica, "a corrupção passa a ser intolerável".
- Mas o momento é desmobilizador, com desemprego de 6% e com algum crescimento econômico. Na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a crise empurrou as pessoas para as ruas. Agora, aqui, estão exigindo espírito cívico demais para um mundo que não tem mais esse civismo - diz Mello.
Para Mello, não se pode dizer que os brasileiros não saem às ruas simplesmente porque na Espanha os "indignados" tomaram as praças.
- Os espanhóis se mobilizam agora, mas aguentaram 40 anos de regime franquista - afirma Mello.
Tatiana Farah
No O Globo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A indignação das ruas

Os protestos populares na Espanha não diferem, em sua essência, dos que ocorreram e ocorrem nos países árabes. Excluída a observação de que a Europa começa nos Pirineus, que tenta localizar historicamente a Península Ibérica na África, há mais do que a proximidade geográfica na semelhança entre os movimentos. Se, no caso dos países árabes, muitos dos manifestantes se insurgem contra o poder pessoal, na Espanha esse protesto se dirige contra o sistema como um todo.
No capitalismo neoliberal, dominado por banqueiros corruptos, políticos corruptos, intelectuais corrompidos, e alguns poderosos meios de comunicação, pouco importa o partido que se encontre no poder: a ordem de domínio e de exploração é a mesma......