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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mas por que a inflação não cai?


Parece um mistério de livro policial: o Banco Central aumenta a taxa básica de juros, e esfria, assim, ainda mais a atividade econômica, mas a inflação não se rende às propaladas leis do mercado e continua alta.

Para tentar resolver esse enigma e contribuir para o debate macroeconômica, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicou a Nota Técnica "Por que a Inflação Não Cai com o País em Recessão".

Nela, sugere que o governo, por causa do fracasso em combater a alta da inflação, indique claramente "a transição para o crescimento econômico" e, nesse caminho, conduzia "reformas estruturais que coloquem o desenvolvimento produtivo como eixo estruturante do crescimento".

Alerta, ainda que o objetivo de estabilizar preços, embora fundamental, "não pode ser considerado como um fim em si mesmo, pois não há sentido na política econômica se a estabilização não for concebida como condição necessária para a promoção do crescimento e da distribuição da renda". 

"A experiência mais recente de estabilização no Brasil, o Plano Real (1994),
deixou isso muito claro", diz o texto. "Obteve-se a estabilidade, com o recuo rápido dos níveis de preços, mas não se logrou o crescimento econômico e, tampouco, melhor distribuição da riqueza produzida." 

A seguir, a íntegra das conclusões do estudo do Dieese:


Em 2015, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, registrou 10,67%, alcançando os dois dígitos. Esse fato não ocorria desde 2002, quando o índice chegou aos 12,53%. Naquele ano, havia uma expectativa muito grande em relação à mudança de governo, e o ambiente econômico saiu de seu ritmo normal, com a taxa de câmbio, por exemplo, experimentando violenta desvalorização. A grande diferença, no entanto, é que, naquele mesmo ano, o PIB cresceu 3,1%.

Hoje o quadro é muito mais complicado. O país convive, novamente, com alta taxa de inflação – o que não deveria ocorrer em um regime de metas - agora acompanhada pela queda do PIB de cerca de 3,1%, mesmo valor de 2002, mas com sinal contrário. As perspectivas futuras também eram outras, o fato histórico que aquelas eleições significaram, insinuando um clima de renovação e esperança, também não estão mais presentes. O impasse político que o país vive causa grande inquietação.

Por mais que as autoridades econômicas se empenhem, a inflação resiste e não dá sinais de trégua. Nem sequer a recessão consegue dominá-la. Sua rigidez não mostra nenhuma sensibilidade à política monetária usualmente utilizada nesses casos. As maiores taxas de juros reais do mundo e um expressivo ajuste fiscal não conseguem quebrar seu ímpeto. Os dois dígitos são emblemáticos e deterioram ainda mais as já debilitadas expectativas sobre a economia. O cenário é preocupante, e os repasses automáticos de custos e a indexação indicam que o processo inflacionário está se tornando autônomo, isto é, o componente inercial da inflação passa a preponderar em relação às outras causas.

Até agora, as armas utilizadas pelo Banco Central no combate a aceleração dos preços mostraram-se pouco eficientes. A política monetária é inócua, pois as causas atuais do problema inflacionário são imunes às elevações das taxas de juros que, neste momento, só aprofundam a recessão e aumentam o déficit público. Os gastos com os juros que incidem sobre a dívida pública já atingem 9,0% do PIB, o que tira potência do ajuste fiscal que o governo, a duras penas, tenta implementar.

Essas inconsistências e dificuldades revelam a complexidade do problema, colocando para o governo a grande responsabilidade de dar tratamento estrutural à questão, o que exigirá: um tratamento cuidadoso da dívida pública e da sua forma de remuneração, desvinculando da taxa básica de juros (para aumentar a potência da política monetária) e diminuir a expansão dessa dívida; retornar o crescimento para recuperar o equilíbrio fiscal e colocar a trajetória da dívida pública em tendência de queda; avançar na desindexação da economia; atuar para a redução estrutural do spread bancário, trazendo o custo do crédito às empresas e famílias para padrões internacionais; retomar o desenvolvimento industrial, favorecendo a modernização do setor de serviços e a ampliação da oferta, entre outras medidas que revertam as expectativas.

Sem duvida, o fundamental é indicar claramente a transição para o crescimento econômico e, nesse caminho, conduzir reformas estruturais que coloquem o desenvolvimento produtivo como eixo estruturante do crescimento.

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2016/02/mas-por-que-inflacao-nao-cai.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Apesar de toda a histeria, inflação fecha 2014 na meta

247 – O clima era de histeria, em boa parte dos meses de 2014, em relação ao cumprimento do teto da meta estipulada pelo governo para a inflação. Depois de as revistas Veja e Época usarem na capa o tomate como símbolo dos altos preços dos alimentos, a apresentadora da Globo Ana Maria Braga apareceu com um colar feito da fruta.

Nesta sexta-feira 9, porém, dados do IBGE apontaram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, fechou o ano com alta acumulada de 6,41%, dentro do teto da meta oficial, que era de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Abaixo, reportagem da Reuters:

IPCA acumula alta de 6,41% em 2014 e fica dentro da meta

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,78 por cento em dezembro e encerrou 2014 com alta acumulada de 6,41 por cento, cumprindo a meta oficial do governo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em novembro, o IPCA havia avançado 0,51 por cento sobre o mês anterior. Em 2013 o indicador oficial de inflação terminou com avanço de 5,91 por cento, também abaixo da meta de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de que o IPCA subisse 0,78 por cento em dezembro na mediana de 23 projeções, que foram de alta de 0,73 a 0,92 por cento.

Para 2014, a projeção era de avanço de 6,42 por cento na mediana de 20 estimativas, num intervalo de 6,35 a 6,56 por cento.

(Reportagem de Walter Brandimarte e Pedro Fonseca; Texto de Camila Moreira; Edição de Patrícia Duarte)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC. Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB.



Leia o post do PSDB na foto e VEJA a mentira e a manipulação grosseira dos números.

Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995. A inflação caiu em julho de 1994, durante o governo de Itamar Franco. A nova moeda, o real, teve início em 1º de julho. Aqui foi o momento de queda da inflação. Observe a tabela com as taxas de inflação referentes a 1994, em variação %.
● Janeiro: 41,3
● Fevereiro: 40,3
● Março: 42,8
● Abril: 42,7
● Maio: 44
● Junho: 47,5
☆ Julho: 6,8
☆ Agosto: 1,9
☆ Setembro: 1,5
☆ Outubro: 2,6
☆ Novembro: 2,8
☆ Dezembro: 1.71
A MENTIRA
Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB. Basta olhar os números da tabela para se ter a certeza que não existem os tais 900%. AQUI ESTÁ A MENTIRA.
A TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO
Só é possível encontrar o número sugerido pelo PSDB se somarmos a inflação de janeiro a dezembro de 1994, mas não foi exatamente isto que foi herdado. A herança foi a inflação de julho a dezembro de 1994. Houve uma mudança estrutural durante o ano de 1994. FHC herdou a inflação com o Plano Real já implantado. Não podemos somar laranjas com bananas (não podemos somar a inflação antes e depois do Plano Real). AQUI ESTÁ A MANIPULAÇÃO GROSSEIRA.
OS DEMAIS NÚMEROS SÃO CORRETOS
FHC entregou para Lula uma inflação superior a 12,5% e que estourou a meta limite em 2001 e 2002. Nos governos de Lula e Dilma, a inflação voltou para a meta e aí está desde 2004.
Armínio Fraga é o ex-presidente do Banco Central campeão de juros altos: 45% ao ano. Ele foi presidente do BC durante o 2º governo de FHC, de 1999 a 2002.

Inflação: moderada e sob controle ou alta e descontrolada?
Por João Sicsú 09/10/2014 - Revista Forum

A discussão sobre as causas e efeitos da inflação tem sido muito rebaixada. Usa-se qualquer rótulo para classificar a inflação.  Não há compromisso com os fatos, despreza-se a coerência e faz-se o culto à superficialidade.

A inflação no Brasil não é alta. A inflação média dos últimos oito anos (2006-2013) foi de 5,2%. Nesse período, a menor taxa anual foi 3,1% e a maior foi 6,5%. Inflação alta era antes do Plano Real, lançado em 1994, quando o presidente era Itamar Franco.
Sejamos intelectualmente honestos, inflação alta existia quando a causa da inflação era a própria inflação. Quando os preços aumentavam hoje porque tinham aumentado ontem. Havia uma corrida de diferentes preços e salários para evitar perdas. Havia uma corrida descontrolada de preços, não havia previsibilidade, os contratos eram frágeis e a inflação era superior a 80% ao mês. Hoje, a inflação mensal é quase sempre inferior a 0,5%.
De 1994 para cá, temos tido taxas moderadas de inflação.  As causas são pontuais. No contexto de inflação moderada, há causas específicas, por exemplo, a alta dos alimentos ou uma desvalorização cambial. Após o Plano Real, ingressamos num regime de taxas moderadas, horas mais elevadas, horas mais baixas – mas a trajetória sempre foi de uma inflação moderada. Existe previsibilidade, os contratos não são abalados por conta de altas taxas inflacionárias. Devedor e credor podem assinar contratos com segurança.
Por motivos eleitorais, tucanos lançam o ataque: “a inflação é alta e descontrolada”.  Não querem debate de ideias. Chamam para o Fla-Flu. Então devemos mostrar o placar. Vamos à comparação numérica entre os 8 anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e as administrações do PT (2003-hoje).
Está superada a discussão se a inflação é moderada ou alta: de 1995 aos dias de hoje é moderada. A média da inflação no governo Dilma foi de 6,1% ao ano. No mesmo período, a inflação nos Brics foi de 6,3%. Mas, no Brasil o efeito da inflação tem sido neutralizado já que os reajustes dos rendimentos do trabalho e do salário mínimo desde 2003 aos dias de hoje têm sido maiores que a inflação. Isso é fato reconhecido pelos tucanos. Mas como não prestam atenção nos trabalhadores, mas somente nos negócios, dizem que essa dinâmica retira competitividade das empresas. Em outras palavras, reduz os lucros – pelo simples fato que salários reais estão aumentando.
Está ultrapassada, também, a discussão se há descontrole ou não: desde 1994, quando foi quebrado o regime de alta inflação, temos inflação sob controle. Resta a discussão: quem obteve melhores resultados em termos de taxas e custos sociais dentro desta situação consagrada de inflação moderada e sob controle que já dura 20 anos.
Vamos aos números. São, flagrantemente, favoráveis às administrações do Partido dos Trabalhadores. A inflação média nos governos tucanos foi de 9,25%. É importante apontar a causa. Sofríamos constantemente de choques cambiais que contaminavam todos os preços da economia. O câmbio disparava. Não tínhamos reservas em dólares para vacinar os choques cambiais, éramos um país com uma alta vulnerabilidade externa. Nossas reservas eram 10 vezes menores do que são hoje.

Sem reservas, os governos tucanos elevavam juros e cortavam gastos para conter a inflação matando toda economia. Ainda assim, o câmbio contaminava os preços e havia inflação. Juros eram estratosféricos, o desemprego era alto (superior a 12% ao final de 2002, hoje é 5%). A inflação média durante a gestão de Armínio Fraga (1999 a 2002) à frente do Banco Central foi de 8,8%. O anunciado ministro da Fazenda de Aécio Neves manteve taxas médias de juros próximas a 20% durante quatro anos. É o campeão de taxas de juros elevadas, ele bateu o recorde em 1999 e estabeleceu juros de 45% ao ano. Somente a insensibilidade econômica/social e a afinidade política/ideológica explicam o 45.
Foi Armínio Fraga que introduziu o regime de metas de inflação no Brasil em 1999. Nesse ano, a meta foi atingida, mas o resultado não pode ser comemorado porque a meta foi estabelecida em junho, quando já se sabia a inflação da metade do ano. Nos três anos seguintes, Armínio Fraga estourou a meta em dois, 2001 e 2002. Após ter estourado a meta de 2001, Armínio Fraga em carta (disponível no site do Banco Central) dirigida ao Ministro da Fazenda Pedro Malan, previu uma inflação de 3,7% para 2002. Errou feio. Foi de 12,5%. Bom de previsão não é. Cabe destacar: em 11 anos (2003 a 2013) de administração do regime de metas, apenas em 2003 o governo do PT estourou a meta.
Por último, se chamam a inflação durante o governo Dilma de “alta e descontrolada”, para manter a coerência política – e não técnica, essa já foi desprezada – qual seria o rótulo que usariam para descrever a inflação durante a gestão de Armínio Fraga à frente do Banco Central? Muito alta e estourada???
Armínio Fraga foi indicado para ser Ministro da Fazenda de Aécio Neves. Melhor se for ministro da fazenda de Cláudio.

Por João Sicsú - 12/10/2014 - Revista Forum
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/10/a-mentira-do-psdb-sobre-inflacao-no.html

sábado, 18 de outubro de 2014

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC. Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB.


Por João Sicsú - 12/10/2014 - Revista Forum

Leia o post do PSDB na foto e VEJA a mentira e a manipulação grosseira dos números.

Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995. A inflação caiu em julho de 1994, durante o governo de Itamar Franco. A nova moeda, o real, teve início em 1º de julho. Aqui foi o momento de queda da inflação. Observe a tabela com as taxas de inflação referentes a 1994, em variação %.
● Janeiro: 41,3
● Fevereiro: 40,3
● Março: 42,8
● Abril: 42,7
● Maio: 44
● Junho: 47,5
☆ Julho: 6,8
☆ Agosto: 1,9
☆ Setembro: 1,5
☆ Outubro: 2,6
☆ Novembro: 2,8
☆ Dezembro: 1.71
A MENTIRA
Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB. Basta olhar os números da tabela para se ter a certeza que não existem os tais 900%. AQUI ESTÁ A MENTIRA.
A TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO
Só é possível encontrar o número sugerido pelo PSDB se somarmos a inflação de janeiro a dezembro de 1994, mas não foi exatamente isto que foi herdado. A herança foi a inflação de julho a dezembro de 1994. Houve uma mudança estrutural durante o ano de 1994. FHC herdou a inflação com o Plano Real já implantado. Não podemos somar laranjas com bananas (não podemos somar a inflação antes e depois do Plano Real). AQUI ESTÁ A MANIPULAÇÃO GROSSEIRA.
OS DEMAIS NÚMEROS SÃO CORRETOS
FHC entregou para Lula uma inflação superior a 12,5% e que estourou a meta limite em 2001 e 2002. Nos governos de Lula e Dilma, a inflação voltou para a meta e aí está desde 2004.
Armínio Fraga é o ex-presidente do Banco Central campeão de juros altos: 45% ao ano. Ele foi presidente do BC durante o 2º governo de FHC, de 1999 a 2002.

Inflação: moderada e sob controle ou alta e descontrolada?
Por João Sicsú 09/10/2014 - Revista Forum

A discussão sobre as causas e efeitos da inflação tem sido muito rebaixada. Usa-se qualquer rótulo para classificar a inflação.  Não há compromisso com os fatos, despreza-se a coerência e faz-se o culto à superficialidade.

A inflação no Brasil não é alta. A inflação média dos últimos oito anos (2006-2013) foi de 5,2%. Nesse período, a menor taxa anual foi 3,1% e a maior foi 6,5%. Inflação alta era antes do Plano Real, lançado em 1994, quando o presidente era Itamar Franco.
Sejamos intelectualmente honestos, inflação alta existia quando a causa da inflação era a própria inflação. Quando os preços aumentavam hoje porque tinham aumentado ontem. Havia uma corrida de diferentes preços e salários para evitar perdas. Havia uma corrida descontrolada de preços, não havia previsibilidade, os contratos eram frágeis e a inflação era superior a 80% ao mês. Hoje, a inflação mensal é quase sempre inferior a 0,5%.
De 1994 para cá, temos tido taxas moderadas de inflação.  As causas são pontuais. No contexto de inflação moderada, há causas específicas, por exemplo, a alta dos alimentos ou uma desvalorização cambial. Após o Plano Real, ingressamos num regime de taxas moderadas, horas mais elevadas, horas mais baixas – mas a trajetória sempre foi de uma inflação moderada. Existe previsibilidade, os contratos não são abalados por conta de altas taxas inflacionárias. Devedor e credor podem assinar contratos com segurança.
Por motivos eleitorais, tucanos lançam o ataque: “a inflação é alta e descontrolada”.  Não querem debate de ideias. Chamam para o Fla-Flu. Então devemos mostrar o placar. Vamos à comparação numérica entre os 8 anos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e as administrações do PT (2003-hoje).
Está superada a discussão se a inflação é moderada ou alta: de 1995 aos dias de hoje é moderada. A média da inflação no governo Dilma foi de 6,1% ao ano. No mesmo período, a inflação nos Brics foi de 6,3%. Mas, no Brasil o efeito da inflação tem sido neutralizado já que os reajustes dos rendimentos do trabalho e do salário mínimo desde 2003 aos dias de hoje têm sido maiores que a inflação. Isso é fato reconhecido pelos tucanos. Mas como não prestam atenção nos trabalhadores, mas somente nos negócios, dizem que essa dinâmica retira competitividade das empresas. Em outras palavras, reduz os lucros – pelo simples fato que salários reais estão aumentando.
Está ultrapassada, também, a discussão se há descontrole ou não: desde 1994, quando foi quebrado o regime de alta inflação, temos inflação sob controle. Resta a discussão: quem obteve melhores resultados em termos de taxas e custos sociais dentro desta situação consagrada de inflação moderada e sob controle que já dura 20 anos.
Vamos aos números. São, flagrantemente, favoráveis às administrações do Partido dos Trabalhadores. A inflação média nos governos tucanos foi de 9,25%. É importante apontar a causa. Sofríamos constantemente de choques cambiais que contaminavam todos os preços da economia. O câmbio disparava. Não tínhamos reservas em dólares para vacinar os choques cambiais, éramos um país com uma alta vulnerabilidade externa. Nossas reservas eram 10 vezes menores do que são hoje.

Sem reservas, os governos tucanos elevavam juros e cortavam gastos para conter a inflação matando toda economia. Ainda assim, o câmbio contaminava os preços e havia inflação. Juros eram estratosféricos, o desemprego era alto (superior a 12% ao final de 2002, hoje é 5%). A inflação média durante a gestão de Armínio Fraga (1999 a 2002) à frente do Banco Central foi de 8,8%. O anunciado ministro da Fazenda de Aécio Neves manteve taxas médias de juros próximas a 20% durante quatro anos. É o campeão de taxas de juros elevadas, ele bateu o recorde em 1999 e estabeleceu juros de 45% ao ano. Somente a insensibilidade econômica/social e a afinidade política/ideológica explicam o 45.
Foi Armínio Fraga que introduziu o regime de metas de inflação no Brasil em 1999. Nesse ano, a meta foi atingida, mas o resultado não pode ser comemorado porque a meta foi estabelecida em junho, quando já se sabia a inflação da metade do ano. Nos três anos seguintes, Armínio Fraga estourou a meta em dois, 2001 e 2002. Após ter estourado a meta de 2001, Armínio Fraga em carta (disponível no site do Banco Central) dirigida ao Ministro da Fazenda Pedro Malan, previu uma inflação de 3,7% para 2002. Errou feio. Foi de 12,5%. Bom de previsão não é. Cabe destacar: em 11 anos (2003 a 2013) de administração do regime de metas, apenas em 2003 o governo do PT estourou a meta.
Por último, se chamam a inflação durante o governo Dilma de “alta e descontrolada”, para manter a coerência política – e não técnica, essa já foi desprezada – qual seria o rótulo que usariam para descrever a inflação durante a gestão de Armínio Fraga à frente do Banco Central? Muito alta e estourada???
Armínio Fraga foi indicado para ser Ministro da Fazenda de Aécio Neves. Melhor se for ministro da fazenda de Cláudio.
http://causameespecie.blogspot.com.br/2014/10/a-mentira-do-psdb-sobre-inflacao-no.html

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O mantra global sobre descontrole da inflação para derrubar Dilma



A inflação tornou-se recorrente no discurso dos presidenciáveis Marina e Aécio. Não é porque a inflação esteja fora de controle. É porque está sob o controle de um governo do PT. A Rede Globo acha isso intolerável. Como consequência, se a inflação sobe 0,0001% no mês, haverá sempre um Sardenberg, um William Waak, um Bonner ou uma Patrícia Poeta - esta tão bonitinha, sempre pronta a citar “economistas” que não identifica -, para dizer com cara feia uma besteira qualquer anunciando aos quatro ventos a explosão inflacionária.

Claro, candidatos a Presidente querem ganhar as eleições, e para ganhar eleições é importante se entender com a mídia. Assim, em lugar de eles fixarem a agenda da campanha com o risco de pouca repercussão na televisão, eles seguem a agenda da televisão, confiando que isso rende exposição na mídia, sendo que essa exposição, supõe-se, rende votos. Simples assim. Tanto Marina quanto Aécio decidiram acabar com a inflação no Brasil. Não dizem como. A receita está provavelmente guardada a sete chaves nos cofres dos irmãos Marinho!

O estranho nisso tudo é que Marina e Aécio vão acabar com a inflação usando o mesmo receituário neoliberal de políticas monetária e fiscal do atual Governo. Esse receituário está sintetizado na fórmula metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Marina elogiou repetidamente o que chama de “tripé macroeconômico”. Pode-se perdoá-la porque na sua cara estão os sinais de quem não está entendendo nada do que está falando. Aécio é menos explícito, mas também não perde oportunidade de se alinhar à ideologia da Globo para ter patrocínio midiático.

Evidentemente que a Globo não ataca a inflação por razões acadêmicas. Nem por genuíno interesse público. O ataque está firmemente ancorado em razões fiscais, não significando isso propriamente a política fiscal do Governo, mas as tramoias fiscais da própria Globo e sua criatividade em tentar burlar as leis tributárias. Do ponto de vista técnico, em nenhum momento nos últimos meses e anos houve qualquer risco de a inflação ficar descontrolada. A Globo assumiu o discurso da inflação alta com o fim único de derrubar o Governo do PT, tendo cooptado para isso os dois candidatos principais da oposição.

Para os que têm memória curta é bom lembrar que o verdadeiro descontrole inflacionário mais recente no Brasil ocorreu no último ano do Governo Fernando Henrique. Foi algo como 14%, mais do dobro do patamar atual da inflação. Isso elimina qualquer credibilidade que o tucano Aécio possa ter ao anunciar sua “tolerância zero” para a inflação. Quanto a Marina, coitada, é difícil saber o que tem na cabeça como proposta realista nessa área, exceto os conselhos dos neoliberais militantes que voaram como mariposas em torno do PSDB e que decidiram migrar para ela.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional na UEPB.
do: http://contrapontopig.blogspot.com.br/2014/08/contraponto-14603-o-mantra-global-sobre.html

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

IPCA-15: prévia da inflação oficial continua em queda



Vitor Abdala, Agência Brasil

"A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao ConsumidorAmplo-15 (IPCA-15), ficou em 0,14% em agosto deste ano. A taxa é inferior às observadas em julho deste ano (0,17%) e em agosto do ano passado (0,16%). Segundo dados divulgados hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 acumula taxas de 4,32% no ano e de 6,49% no período de 12 meses.

O principal responsável pelo recuo da taxa foram os alimentos, que tiveram deflação (queda de preços) de 0,32% na prévia de agosto. Segundo o IBGE, muitos produtosalimentícios ficaram mais baratos no período, como a batata-inglesa (-20,42%), o tomate (-16,47%), o feijão-carioca (-5,49%), as hortaliças (-5,13%), o óleo de soja (-3,17%) e o feijão-preto (-3,11%).
Também contribuíram para a inflação menor na prévia de agosto, as deflações dos grupos de despesas pessoais (-0,67%), comunicação (-0,84%) e vestuário (-0,18%).

Por outro lado, o aumento das despesas com habitação (1,44%) e transportes (0,2%) evitaram uma queda maior da taxa de inflação. No grupo habitação, a inflação foi puxada pelo aumento de preços dos artigos de limpeza (1,47%), taxa de água e esgoto (1,37%), condomínio (1,36%), aluguel residencial (0,66%) e mão de obra para pequenos reparos (0,66%).

O IPCA-15 de agosto foi calculado com base em preços coletados entre os dias 15 de julho e 13 de agosto."

terça-feira, 22 de abril de 2014

A onda pessimista


Os portais de notícias dão manchetes sobre as projeções do "mercado" para a inflação, que, segundo os tais analistas, ficará além do teto estabelecido pelo Banco Central, de 6,5% - o centro da meta é 4,5% com tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Com isso, continuam a insistir na linha do "quanto pior, melhor", recheando sua relação de notícias com tudo o que possa significar desgaste para o governo Dilma e para o PT.
Uma notícia como essa, extraída do Boletim Focus, do BC, merece, no máximo, um registro.
Não tem nenhuma importância, já que esse boletim é feito com base em entrevistas com representantes do mercado financeiro - e o mercado financeiro, qualquer criança sabe, quer mesmo é que os juros subam à estratosfera, para que seu lucro seja ainda maior do que já é.
Além do mais, essas "previsões" têm o mesmo valor científico de alguma profecia da outrora famosa Mãe Dinah, ou seja, não valem absolutamente nada.

A estratégia de "sangrar" o governo à base do noticiário negativo, esse que pinta o Brasil com as cores da tragédia, do caos e da desesperança, vem de longe, desde quando a oligarquia nacional começou a perder as eleições.
A imprensa brasileira é um oligopólio mantido por meia dúzia de famílias.
São elas que vendem o que querem ao público: otimismo, pessimismo, tempo bom, tempo ruim.
Como o Brasil é ainda uma democracia muito imperfeita, uma aberração dessas não só sobrevive, como floresce.
Não há, na chamada "grande imprensa", voz discordante.
Uma faz coro à outra.
Uma "denúncia" qualquer, sem nenhuma constatação, vira um escândalo de derrubar a República.
A oposição ao governo trabalhista seria reduzida a proporções ínfimas se não se alimentasse das excrescências publicadas diariamente pela midiazona.
Infelizmente para todos nós, as autoridades de Brasília parecem ignorar o fato óbvio de que quanto mais anunciam nesses veículos, mais alimentam o furor do inimigo.
A internet, hoje, é o único instrumento que se contrapõe a essa avalanche de notícias destrutivas.
Mas não consegue, sozinha, neutralizar o clima de pessimismo criado pelos jornalões.
O governo trabalhista faria bem, a si e ao país, que deseja evoluir para uma democracia plena, se se livrasse do masoquismo que o aflige.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/04/viva-o-pessimismo.html

domingo, 25 de agosto de 2013

Desemprego e inflação: fantasmas da mídia são fantasmas. Não existem



Por Fernando Brito
O IBGE divulgou a taxa de desemprego de julho: 5,6%.

Quatro décimos de ponto percentual a menos que em junho, quando foi de 6%.
Se tivesse subido 0,4%, a esta hora, manchetes apregoando a alta do desemprego.
Teríamos até  malandragens estatísticas dizendo que a taxa de desemprego aumento em quase 7% (0,4 em 6,0%) em apenas um mês.


Claro que isso é um besteirol terrorista, pelas mesmas razões de equilíbrio , aqui ninguém vai fazer o raciocínio inverso, porque o índice baixou.

A verdade é que chegamos a um patamar próximo do pleno emprego e as variações, agora, precisam ser maiores ou se repetir mais para que definam uma tendência.
Só a má-fé e a politicagem podem explicar coisas assim, como a que ontem “saudou” o “aumento” da inflação medido pelo IPCA-15 – prévia da inflação oficial -, que passou de 0,07% para 0,16%.

Os dados do IBGE servem, porém, para algo mais útil: trazer para cá o excelente artigo de análise sobre o tema do professor João Saboia, da UFRJ, publicado anteontem no Valor, que sai do ti-ti-ti de 0,1% pra cá ou para lá e consolida os dados, para avaliar a situação e as mudanças de características do emprego no Brasil.

Desaceleração sim, piora ainda não

João Sabóia
Nos últimos meses tem crescido a sensação de que o mercado de trabalho está piorando ao longo de 2013. O fato da economia estar rateando tem levado muitos analistas econômicos a apontarem para diversos problemas no mercado de trabalho do país, que estaria piorando, ou na melhor das hipóteses, passando por uma forte desaceleração.

O principal objetivo deste artigo é procurar relativizar os movimentos que estão ocorrendo, mostrando que o mercado de trabalho urbano ainda poderia estar distante de uma piora em relação ao passado recente.

Conforme é sabido, o mercado de trabalho passou por um longo processo de recuperação a partir de 2004. Mesmo com o crescimento econômico relativamente baixo em alguns anos, o movimento de melhora teve continuidade, a ponto de alguns afirmarem que teríamos chegado recentemente a uma situação próxima ao pleno emprego.

A única variável que piorou foi o percentual de chefes entre os desempregados que foi de 26,2% para 26,8%

Uma das maiores dificuldades na análise mensal do mercado de trabalho é a existência de um forte componente sazonal. Mesmo com correções para dar conta da sazonalidade, as comparações mensais ficam dificultadas, pois os movimentos costumam ser mínimos de um mês ao outro, ficando dentro da margem de erro das pesquisas amostrais, como no caso da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Portanto, o mais aconselhável para se tirar conclusões mais seguras é a comparação dos dados de um mesmo mês em anos subsequentes.
A partir dos dados das seis regiões metropolitanas cobertas pela PME montamos um indicador para o mercado de trabalho baseado na metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) utilizando nove variáveis agregadas em três grupos. Para medir o componente de desemprego são utilizadas a taxa de desemprego, o desemprego dos chefes de família e o desemprego de longa duração (mais de 1 ano). Para o componente de renda as variáveis são a remuneração média, o diferencial entre a remuneração dos empregados com e sem carteira e a sub-remuneração (abaixo do salário mínimo). Finalmente, em relação ao componente de inserção no mercado de trabalho são considerados o percentual de empregados com carteira assinada, o nível de escolaridade dos ocupados e a taxa de subocupação (poucas horas trabalhadas). O indicador síntese varia entre zero e um, indicando uma melhor situação quanto maior for o seu valor.

O resultado do índice síntese das nove variáveis está apresentado no gráfico. Conforme pode ser verificado, ao longo do primeiro semestre de 2013 o indicador continuava acima dos valores encontrados no mesmo semestre do triênio 2010/2012. É verdade que a melhora entre 2012 e 2013 tem sido bem menor do que nos anos anteriores, mas o indicador manteve-se na primeira metade do ano sistematicamente acima do encontrado no primeiro semestre de 2012.

Das nove variáveis utilizadas houve melhoria em oito quando comparados os dados do primeiro semestre de 2013 com 2012. Tomando-se como referência os valores médios obtidos no primeiro semestre dos dois anos podemos destacar os seguintes resultados:
- O percentual de empregados com carteira assinada passou de 53,5% para 54,4%;
- O percentual de ocupados com no mínimo o segundo grau completo aumentou de 62,1% para 63,6%;
- A remuneração média subiu de R$ 1.847 para R$ 1.875 (reais de junho de 2013);
- A taxa de desemprego caiu de 5,9% para 5,7%;
- O percentual de desempregados de longa duração caiu de 6,0% para 4,9%;

A única variável que piorou no período foi o percentual de chefes entre os desempregados que aumentou de 26,2% para 26,8%.

Conforme pode ser verificado no gráfico, a tendência nos últimos três anos tem sido de aumento do indicador ao longo de cada ano. Tal fato está associado à própria melhoria do mercado de trabalho no período 2010/2013, assim como a efeitos sazonais verificados durante cada ano. Exceto em 2010 quando a economia teve forte crescimento, em geral há uma flutuação no indicador no primeiro semestre, seguido de aumento no segundo.

Neste ano não tem sido diferente. O indicador flutuou no primeiro semestre de forma bastante semelhante ao que se verificou em 2012. A dúvida que fica é em relação ao que ocorrerá ao longo do segundo semestre. Se mantiver a tendência dos anos anteriores o indicador deverá aumentar refletindo o próprio movimento sazonal favorável encontrado na segunda metade de cada ano. Se isso não ocorrer, aí sim poderemos falar em piora no mercado de trabalho e teríamos o cruzamento das curvas de 2013 e 2012 em algum ponto do segundo semestre.

Em resumo, o mercado de trabalho continua apresentando resultados favoráveis em 2013, mas encontra-se em processo de desaceleração da melhoria. O segundo semestre deste ano será fundamental para a ocorrência ou não de uma reversão nesse processo que já dura uma década. Se o governo conseguir uma recuperação no estado das expectativas dos agentes é possível que o país feche o ano ainda apresentando resultados favoráveis no mercado de trabalho. Caso contrário, corremos o risco da desaceleração se transformar efetivamente numa piora.

domingo, 21 de julho de 2013

Adeus inflação. E agora?


A inflação vem caindo, independentemente do BC, e continuará caindo, pois refluíram os preços dos alimentos. Mas, atenção, o mercado financeiro vai tentar mais uma vez torcer os fatos e atribuir a elevação da Selic como a responsável pela queda da inflação. Por Amir Khair

Amir Khair, Carta Maior

Ao final de cada ano o mercado financeiro inicia o processo de ameaça com o fantasma da inflação. Aproveita a sazonalidade característica de maior ritmo inflacionário típico do início de cada ano.

Nesse início há os reajustes e pagamentos no IPTU, IPVA, despesas escolares e contratos com vencimentos de início de ano, visando recompor a inflação ocorrida no ano anterior. É um período favorável para as ameaças de inflação e, ato contínuo pressão ao governo para elevar a Selic.

Neste ano esses arautos do fantasma da inflação tiveram uma ajuda extra importante. Foi o choque climático que reduziu a oferta de vários alimentos in natura, sendo o tomate tomado como símbolo. Isso tudo convergiu para dar suporte a essa campanha conduzida com competência pelos representantes do mercado financeiro, que têm nos principais meios de comunicação, seus propagadores.

O resultado alcançado levou o governo a ceder em sua política de redução das taxas de juros. O Banco Central (BC) que estava acuado, sendo duramente criticado pelo mercado financeiro, resolveu usar mais uma vez a solução milagrosa de elevar a Selic, mesmo sabendo que nenhum banco central no mundo fazia elevações desde setembro de 2012.

Mas nosso BC é especial e lá foi ele subindo a Selic do seu mínimo histórico de 7,25% para até agora 8,5%, prometendo ir além.

O mercado financeiro que antes criticava o BC passou a elogiá-lo, argumentando que ele agora estava reconquistando sua liberdade e passou a ancorar (bonita palavra) as expectativas dos agentes econômicos. A razão todos sabem: quanto mais alta a Selic maior o lucro do sistema financeiro e, quem paga isso é o Tesouro Nacional.

Fato é que o choque agrícola ia naturalmente se dissipar e isso já podia ser captado pela inflação mensal cadente desde janeiro no IPCA de alimentos e bebidas: janeiro 1,99%, fevereiro 1,45%, março 1,14%, abril 0,96%, maio 0,31% e junho 0,04%.

Isso, no entanto, não pesou nas avaliações do BC. Preferiu considerar a inflação acumulada nos últimos doze meses, que era crescente devido à comparação com a inflação mensal deste ano com a correspondente de 2012.

É importante observar o peso que tem os alimentos na inflação. Na composição do IPCA os alimentos e bebidas pesam 25%. Desde maio do ano passado essa inflação ficou acima do IPCA. Caso fosse excluída sua participação, o IPCA nos últimos doze meses girou no entorno de 3,5% ao ano, ou seja, a inflação no Brasil ficou abaixo do centro da meta de 4,5% se não fosse pela inflação de alimentos e bebidas.

Essa constatação questiona a política de usar a Selic para controlar a inflação. Ninguém advoga que a Selic influencia a inflação de alimentos, muito menos a de alimentos in natura, que dependem especialmente da oferta, sujeita a chuvas e trovoadas.

Mas, novamente foi usada a elevação da Selic, como se a inflação fosse cair por ação do BC. Ela vem caindo, independentemente do BC, e continuará caindo, pois refluíram os preços dos alimentos. Mas, atenção, o mercado financeiro vai tentar mais uma vez torcer os fatos e atribuir a elevação da Selic como a responsável pela queda da inflação.

É isso aí! É pena que a presidenta Dilma, que é quem de fato conduz a economia, também tenha caído mais uma vez no engodo do mercado financeiro.

O estrago feito, e que continuará a crescer com novas elevações da Selic, sai caro ao País. Cada elevação de um ponto na Selic causa uma despesa adicional ao governo federal de R$ 27 bilhões. As elevações neste ano atingiram até agora R$ 34 bilhões.

O mercado financeiro ardilosamente pressiona por seus porta vozes, em geral ex-presidentes do BC, para a redução das despesas do governo, para evitar que o BC, sozinho (coitado) tenha que elevar a Selic. Na realidade querem espaço fiscal maior para dar lugar ao aumento das despesas com juros. Assim, vale observar a ginástica que vem fazendo o governo para cortar R$ 12 bilhões. É o mesmo que enxergar uma pulga e não ver um elefante desfilando à sua frente.

A despesa com a elevação dos juros, até a Selic de 8,5%, de R$ 34 bilhões, equivale a uma vez e meia à prevista para este ano com o Bolsa Família, que deve atingir neste ano R$ 23 bilhões. É por isso que vale a crítica de que o governo dá com uma mão os R$ 23 bilhões e retira com a outra R$ 34 bilhões para dá-lo ao mercado financeiro e ao rentismo que alimenta a elite financeira do País.

Nesse sentido todas as políticas econômicas até agora, passando por todos os governos, mantém como traço marcante o domínio do mercado financeiro. E isso em nome da independência do BC. Vale registrar a Selic média ocorrida nas gestões dos diferentes presidentes do BC. Os três primeiros comandaram o BC na fase FHC: Gustavo Loyola 22,6%, Gustavo Franco 24,6%, Armínio Fraga 19,5%, Henrique Meirelles 14,9% e Alexandre Tombini até agora 9,6%.

Uma nova política econômica se impõe para retomar o crescimento baseado na economia real, e não mais sendo pilotada ao interesse do mercado financeiro. Para isso destaco: a) operar a Selic ao nível da inflação, como fazem os demais países; b) emitir moeda para pagar os juros da dívida federal, como fazem os países desenvolvidos; c) deixar o câmbio flutuar, sem interferência do BC.

Com essas três medidas se poderá: a) economizar os recursos hoje destinados aopagamento de juros (R$ 16 bilhões em média por mês); b) devolver às empresas o poder competitivo que foi retirado com o câmbio artificialmente valorizado pelo BC; c) equilibrar as contas externas e; d) crescer de forma sustentada, com fundamentos macroeconômicos sólidos.

Caso não haja as mudanças, o governo vai continuar remando contra a maré e agravando o quadro fiscal, as contas externas e amargando a semiparalisia econômica.”