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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Filha de Alckmin e a parcialidade da mídia

Por Lino Bocchini, na revista CartaCapital:


Sophia-Alckmin


Viralizou na internet nesta terça-feira, 15, uma fotografia de Sophia Alckmin, filha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que apareceu involuntariamente ao lado de duas celebridades americanas, na semana de moda de Nova York. Vários sites de celebridades e amenidades noticiaram o caso como algo pitoresco, divertido.


Agora pare um minuto, olhe novamente para a imagem e pense: e se ao invés de Sophia Alckmin fosse o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, sentado no banco nesta foto?

Os sites e os jornais colocariam a imagem na parte de celebridades e amenidades ou nas páginas de política?

A filha do governador de São Paulo pode viajar para onde bem entender e fazer o que quiser que ninguém questiona nem ela nem ao pai. Nem um único jornalista liga para o Palácio dos Bandeirantes para saber quem pagou sua viagem, suas roupas, sapatos e bolsas de marca, a fatura do seu cartão de crédito internacional.

Ninguém faz plantão na porta de seu hotel para questionar se ela foi de classe executiva ou econômica, se o seu blog de moda tem algum financiamento ou saber quanto custou a garrafa de vinho que ela tomou com as amigas na noite anterior –era Romanée-Conti?

Não sabemos nada sobre os gastos da filha jet-setter do governador. E ninguém se interessa em perguntar. Fica tudo por isso mesmo. Afinal, Sophia está em seu “habitat natural”, no entender dos editores e diretores dos meios de comunicação. Já o Lulinha... esse, como se sabe, é dono da Friboi, da Ambev, do Uber, do Facebook e da lua, e já deveria estar preso com o pai há muito tempo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sem luz e sem água. Cadê o Alckmin?


http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Altamiro Borges

A vida dos paulistanos na semana passada foi um inferno - com todo o respeito ao governador tucano Geraldo Alckmin, que já foi um fiel seguidor da seita Opus Dei. Vários bairros da cidade ficaram sem luz; na periferia, milhões de famílias seguem sem água, num racionamento que o governo do PSDB insiste em ocultar; a violência policial prosseguiu matando jovens negros; e os trens do Metrô e da CPTM continuaram lotados e com panes. A sorte do "picolé de chuchu" é que a mídia chapa-branca, que ganha fortunas em anúncios publicitários, mantém o silêncio, o que evita que os paulistanos se deem conta da tragédia do "choque de indigestão" tucano - que já dura mais de 20 anos.   

No caso da energia, vários bairros da capital paulista ficaram sem luz por mais de 24 horas. Segundo a mídia tucana, o "apagão" decorreu das fortes chuvas na terça-feira (8). Cerca de 130 circuitos foram desligados - deixando milhares de casas às escuras e ruas sem semáforos, gerando congestionamentos quilométricos. O Procon registrou 38 reclamações contra a AES Eletropaulo. Até bairros "nobres", como o da Vila Madalena, ficaram sem luz, para a indignação dos seus inconsequentes revoltados. O caos na cidade só não deixou indignados os comentaristas das emissoras de rádio e televisão, sempre tão servis ao governador Geraldo Alckmin. O assunto também não foi manchete nos jornalões!  

Já no que se refere ao racionamento de água, a irresponsabilidade do governo e o silêncio da mídia seguem no "volume morto". Apesar das chuvas desta semana, os reservatórios do Sistema Cantareira continuam diminuindo. Os bairros mais atingidos são os da periferia da capital e em algumas cidades da região metropolitana de São Paulo, que ficam sem água na torneira por várias horas. Diante desta tragédia, a Sabesp teve o cinismo de culpar os moradores, "que aumentaram o consumo de água em plena crise". Geraldo Alckmin também responsabilizou os "gastões", mas rejeitou decretar o rodízio neste ano - como se nas regiões periféricas já não fossem vítimas do racionamento não oficial.

Quanto à violência policial, mais um caso deprimente foi registrado na semana passada. Soldados do 23º Batalhão da PM foram flagrados, em vídeo, matando duas pessoas e forjando as cenas do crime no bairro do Butantã, na zona leste da capital paulista. Eles até tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas nada deve mudar na violência policial contra os jovens, os negros e os moradores da periferia. Até hoje, Geraldo Alckmin não esclareceu a chacina de 19 pessoas em Osasco e Barueri. Por último, sobre o caos no Metrô e na CPTM, basta assistir as imagens do inferno diário - com todo respeito ao governador que já promoveu sessões do Opus Dei em pleno Palácio dos Bandeirantes!

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A última do Alckmin: acabar com o Cepam e a Fundap


O governador Geraldo Alckmin deve detestar São Paulo. 

Não contente em piorar todos os serviços públicos, desde a segurança pública à educação, quer agora acabar com dois importantes órgãos de assessoramento e aperfeiçoamento da administração pública, o Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal (Cepam) e a Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap). 

Para tanto, enviou à Assembleia Legislativa, onde a maioria dos deputados come em sua mão, projeto de lei solicitando autorização legislativa para extinguir os dois órgãos.

O Cepam (www.cepam.org/institucional/quem-somos.aspx) dá assistência a municípios e existe há 47 anos. 

A Fundap (www.fundap.sp.gov.br/a-fundap/o-que-fazemos/) trabalha para o desenvolvimento da administração pública estadual.

Para alertar a sociedade sobre o absurdo dessa decisão, os funcionários do Cepam prepararam um documento em repúdio à medida e que explica o que faz órgão e a sua importância:


Cepam: remodelar SIM, extinguir NÃO!

1- Uma Instituição necessária
O Cepam foi criado para apoiar o desenvolvimento dos municípios.
Ao longo dos seus 47 anos de existência, a instituição ajustou a sua atuação de forma a atender as necessidades do momento. Na década de 1970 teve os Planos Diretores, as Leis de Uso e Ocupação do Solo e a Contabilidade Pública como principais focos de atuação. Em 1980, a Participação Popular, a Redemocratização e a Descentralização. Nos anos 1990, a Gestão de Recursos Humanos, a Modernização Administrativa e as Leis Orgânicas Municipais. Nos anos 2000, a Responsabilidade Fiscal, as leis de Orçamento e Contabilidade, e a Tecnologia da Informação. Nos anos 2010, a gestão das Políticas Públicas, a Transparência, o Controle Social e o Controle Orçamentário e Financeiro ganham atenção e se tornam os principais pontos de atuação. Tudo permeado pela capacitação dos servidores municipais, de vereadores e de conselheiros da sociedade civil, e pelo fornecimento de assessoria e de pareceres jurídicos e técnicos sobre a gestão municipal.

Hoje, a instituição é tão ou ainda mais necessária do que quando foi criada, pois o pacto federativo transferiu aos municípios, locus de toda atividade pública, a prestação de serviços e de grande parte das políticas públicas. Além disso, a transferência de atribuições em algumas políticas (iluminação pública, saneamento, saúde, assistência social, educação etc), trouxe aos municípios desafios nunca enfrentados.

Se a administração municipal for dotada de boas técnicas de gestão, de mecanismos para torná-la transparente e democrática, o Estado, ente político e organizativo dos territórios municipais, será proporcionalmente fortalecido e desonerado.

2- A maioria dos municípios do Estado precisa do Cepam
São 515 municípios com até 50 mil habitantes no estado de São Paulo (80%). A maioria não conta com orçamento suficiente para dispor de qualquer assessoramento técnico por instituições privadas e nem dispõe de capacidade administrativa interna desenvolvida para enfrentar os novos desafios. Além disso, mesmo municípios de maior porte necessitam do Cepam quando precisam de apoio técnico qualificado expedido por um órgão público credenciado.

3- A economia com a extinção é irrisória
A “economia” pretendida pelo governo será irrisória uma vez que, mesmo após a demissão de 90 servidores e de 34 a serem demitidos até 31 de dezembro, restarão ainda 96 servidores estáveis.

4- A atuação do Cepam traz economia para o Estado
A atuação do Cepam orientando os gastos públicos municipais, bem como com procedimentos para incremento das receitas e melhoria dos processos administrativos, impacta positivamente as contas dos governos municipais, possibilitando menor dependência dos recursos do governo estadual.

5- O acúmulo de conhecimento de quase meio século em gestão municipal se perderá
O acúmulo de conteúdo e a maneira de ver e tratar as questões de gestão municipal foram lapidados ao longo desses 47 anos de existência, por meio do desenvolvimento de projetos in loco, assessorias, capacitações e atendimentos pessoais por equipes multidisciplinares, o que proporcionou uma visão holística das questões municipais. Este acúmulo de conhecimento se perderá com a dispersão dos funcionários na estrutura da administração direta do Estado.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/08/a-ultima-do-alckmin-acabar-com-cepam-e.html

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O aparelhamento político e estratégico do governo de SP por Alckmin



Condenar a repartição da máquina pública em lotes que são distribuídos a aliados é algo que fazem frequentemente com Dilma Rousseff (PT), embora a petista não tenha inventado esse modus operandi que se reproduz país afora, há décadas, em várias instâncias do poder, com distintos governantes. Hoje, aliás, é impossível negar que a maioria deles tem tido muito mais sucesso com essa fórmula do que a presidente.

Vejamos o governo estadual paulista. A regra, neste segundo mandato de Geraldo Alckmin, do PSDB, segue a mesma: se a eleição é bem sucedida, a participação é garantida. Os aliados não são esquecidos.

Um exemplo de fidelidade à parceria é o retorno de Soninha Francine ao governo. Em abril, segundo o Diário Oficial, a jornalista e ex-vereadora foi alçada ao Conselho Fiscal da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo).

A Prodesp era vinculada à Secretaria de Gestão Pública que, até o ano passado, Alckmin delegava ao partido de Soninha, o PPS. O setor é visado porque, entre outras funções, cuida da construção das unidades do Poupatempo espalhados por São Paulo, servindo de plataforma para um bom relacionamento com prefeitos e, convenhamos, de vitrine em época de eleição.

Um exemplo do uso político da Prodesp pelo PPS é a indicação de Admir Ferro, ex-vereador de São Bernardo do Campo, para atuar na Prodesp, em 2013. Admir, então do PSDB, foi indicado pelo hoje deputado federal Alex Manente (PPS).

Manente e Admir disputaram o Paço de São Bernardo com o atual prefeito, Luiz Marinho, em 2012. Perderam. Mas como a ideia é disputar novamente juntos em 2016, Manente indicou Admir para a Prodesp, e não um nome do próprio PPS. Como há construção de unidades do Poupamento em Mauá e Santo André (cidades vizinhas de São Bernardo), a dupla vinha mantendo a frequência nos jornais da região nos últimos anos.

Admir Ferro hoje está no PTB e ficou sem cargo na Prodesp após a reeleição de Alckmin, pois o governador refez o secretariado com vistas à disputa presidencial de 2018. A Secretaria de Gestão foi extinta e a participação do PPS o governo, um tanto afunilada. O popular-socialista Davi Zaia, ex-secretário de Gestão, virou deputado estadual em outubro passado. A Prodesp foi vinculada à Secretaria de Governo do Estado, agora liderada por Saulo de Castro Abreu Filho, ligado ao PSDB.

Alckmin empoderou Saulo de Castro com o intuito de concentrar nele a responsabilidade pelas ações estratégicas do governo, incluindo as parceiras com instituições privadas. A ideia é destravar os grandes projetos que ajudarão a pavimentar o caminho de Alckmin até o Palácio do Planalto.

Ao PPS sobrou a inexpressiva Secretaria de Agricultura, entregue ao deputado federal licenciado Arnaldo Jardim.

O caso Prodesp

Saulo de Castro é hoje presidente do Conselho Administrativo da Prodesp, que ainda conta com a participação de Carlos Moretzsohn (engenheiro que coordenou a equipe que inventou a urna eletrônica, em 1996), Célio Bozola (presidente da Prodesp, do ramo de telecomunicações), Moacir Rossetti (secretário-adjunto da Casa Civil, do grupo de Saulo), Daniel Edelmuth (economista, marido da deputada tucana Célia Leão), Emília Ticami (que atua na Fazenda do Estado), José Eduardo Poyares (ex-chefe da Casa Civil do governo Serra), Júlio Semeghini Neto (deputado federal pelo PSDB) e o advogado e assessor de comunicação Márcio Aith (que já foi alvo de artigos aqui).

Responde ao Conselho Administrativo da Prodesp o Conselho Fiscal onde Soninha Francine figura ao lado de outros dois conselheiros: Maria de Fátima Alves Ferreira (do elenco da Fazenda do Estado) e Amauri Gavião Almeida, que já passou pela Secretaria de Habitação, hoje liderada por Rodrigo Garcia, eleito deputado federal e presidente do DEM paulista.

Amauri também acumula a função de chefe de gabinete da Secretaria de Planejamento, comandada por Marcos Antonio Monteiro. Este último, ao lado de Saulo de Castro, compõe o núcleo duro do governo Alckmin.

Em 2014, a Prodesp discutiu a fixação da remuneração dos membros de Conselho Fiscal em R$ 18 mil em dinheiro, mais extras que podem chegar a R$ 10 mil.

O loteamento da Cetesb

Antes de chegar à Prodesp, Soninha Francine (que hoje acumula o posto de conselheira fiscal da Associação dos Artistas Amigos da Praça, instituição que promove ações com a Secretaria de Cultura de Alckmin) também passou, em 2013, pelo Conselho de Administração da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), entidade ligada à Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

Quem presidia o Conselho, à época, era Rubens Naman Rizek Junior. Formado em Administração e Direito, atualmente é secretário-adjunto de Agricultura. É filho de Rubens Nanam Rizek, conselheiro vitalício da Fundação Mário Covas, com passagem, ainda, pela Secretaria de Meio Ambiente na época em que o titular era Bruno Covas (PSDB), hoje deputado federal.

O aparelhamento da Secretaria de Meio Ambiente por Covas foi denunciada em reportagem do Estadão, em 2013. Naquele ano, o jornal apontou que ambientalistas estavam preocupados com a demissão em massa de técnicos da área para dar lugar a funcionários comissionados com pouca ou nenhuma experiência no ramo. A própria cúpula da Pasta, segundo o Estadão, estava recheada de advogados.

Primeiro escalão

Se a divisão de poder entre aliados de Alckmin ficar apenas na análise do primeiro escalão do governo, veremos que o governador tucano soube deixar boa parte dos partidos da base feliz.

O PRB tem Jean Madeira na Secretaria de Esportes desde 2014. Antes, a pasta era ocupada por José Auricchio Junior, ex-prefeito de São Caetano do Sul pelo PTB, nome ligado ao presidente estadual do partido, Campos Machado.

Na Justiça, outro nome indicado pelo PTB: o desembargador Aloisio de Toledo Cesar, também próximo de Campos Machado. Abaixo dele, no comando do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas), mais uma indicação petebista. O superintendente é Clovis Volpi, ex-prefeito de Ribeirão Pires pelo PV.

O Solidariedade do deputado federal Paulinho da Força conseguiu emplacar João Dado, também eleito deputado federal, na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho de Alckmin.

O DEM tem sua parcela com o deputado Rodrigo Garcia, presidente estadual da legenda, no topo da Secretaria de Habitação.

O PSB tem o vice-governador Márcio França desde a reeleição de Alckmin, em 2014. França, presidente estadual do partido, acumula a função de secretário de Desenvolvimento Econômico. Essa semana ele chegou a declarar que a sigla pode deixar de lançar um candidato próprio à eleição municipal para apoiar o candidato do PSDB.

Já o PV ficou com a Secretaria de Turismo, do deputado licenciado Roberto de Lucena.

Como se vê, Alckmin segue reproduzindo em São Paulo o loteamento da máquina a troco de apoio político para governar e vencer eleições. Nada diferente do que fez FHC no plano federal, na década de 1990 — é só resgatar, por exemplo, as reportagens sobre as disputas entre PSDB e aliados em torno das estatais.

A diferença é que, hoje, Alckmin, ao contrário do que tem ocorrido com Dilma, possui controle de seus parceiros políticos na Assembleia Legislativa. Não se vê o governador perdendo os poucos cabelos que lhe restam na cabeça com criações de CPIs indigestas ou problemas sérios de governabilidade. Talvez por isso o aparelhamento de parte do Estado pelo tucano passe despercebido.

Cíntia Alves
No GGN, via http://www.contextolivre.com.br/2015/08/o-aparelhamento-politico-e-estrategico.html

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Financial Times, sobre o trensalão tucano: “Constrange o PSDB”

 Reportagem do jornal britânico evidencia que a imprensa internacional tem dedicado mais espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, mas “outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”
PROPINODUTO
Por Redação
O jornal britânico “Financial Times” publicou uma reportagem nesta segunda-feira (29) em que afirma que a corrupção não pode ser aplicada somente ao Partido dos Trabalhadores. A matéria cita a suposta formação de cartel na compra de trens envolvendo governos do PSDB em São Paulo. De acordo com o veículo, a acusação “constrange o PSDB, que governa o estado de São Paulo há 20 anos”.
A reportagem também evidencia que, ao publicar reportagens referentes ao Brasil, a imprensa internacional tem dedicado espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, o que atinge, principalmente, os partidos da base aliada do governo federal. “Mas, ainda que receba menos atenção, outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”, diz o jornal.
Ainda segundo o Financial Times, “o escândalo ferroviário de São Paulo, que poderia se estender por 15 anos de governos do PSDB entre 1998 e 2013, mostra que a corrupção nos contratos públicos é um problema brasileiro, e não um desafio de apenas um único partido”.

Sanguessugado do SPressoSP, via: http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2014/12/financial-times-sobre-o-trensalao.html?spref=fb

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin



Ele
Os fatos se atropelam: pode parecer absurdo, mas a corrida pela sucessão presidencial já começou, menos de seis meses após o início do novo governo. Surfando no comando da onda conservadora que assola o país, sai na frente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já se lançou ostensivamente em campanha, ao propor o rompimento do PMDB com o PT e se aliar ao PSDB na CPI da Petrobras.

No mesmo final de semana em que Cunha se utilizou mais uma vez do Twitter para ganhar as manchetes, subindo o tom das suas críticas ao governo e partido aliados, as convenções estaduais do PSDB em Minas Gerais e São Paulo se apressavam em lançar as candidaturas presidenciais de Aécio Neves e Geraldo Alckmin, respectivamente, mas ninguém deu muita bola aos tucanos.

 Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin
Aécio e Alckmin
O dono da bola agora é o fominha Eduardo Cunha, que deu mais um passo em sua cruzada rumo ao poder central ao receber nesta segunda-feira, em São Paulo, o epicentro da ação reacionária, 30 representantes de 10 grupos organizados para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não por acaso, o porta-voz dos grupos foi o advogado Danilo Amaral, típico playboy paulistano, integrante do movimento Acorda Brasil, de quem até outro dia ninguém havia ouvido falar, é aquele cidadão que no mês passado afrontou o ex-ministro Alexandre Padilha num restaurante da cidade.

"Todos temos simpatia pelas ações do Cunha, e pela saída da presidente — ou por impeachment ou por renúncia", disse Amaral à imprensa que lhe ofereceu câmeras e microfones após o encontro. Os neogolpistas cobraram Cunha sobre o andamento do pedido de impeachment da presidente, que lhe foi entregue dias atrás pelo Movimento Brasil Livre, ao final da marcha fracassada de alguns gatos pingados de São Paulo até Brasília.

Ações sincronizadas agora se voltam para o Tribunal de Contas da União. Sai de cena o jurista Miguel Reale Junior, que não entregou os pareceres com o mesmo objetivo encomendados pelo PSDB, e entra o presidente do TCU, Augusto Nardes, que já marcou para esta quarta-feira o julgamento das contas do governo federal de 2014, com as chamadas "pedalas fiscais", aguardado pelas oposições para fundamentar um novo pedido. Eles não desistem. A Folha já se antecipou e informa que, com base no que o tribunal decidir, "caso os parlamentares não aprovem o balanço, qualquer cidadão poderá pedir à Câmara abertura de um processo de impeachment".

Em outro flanco, Cunha, Aécio e Alckmin apostam alto nas investigações promovidas pela frente formada por Justiça Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, com o alegre apoio da mídia hegemônica, para investigar Lula e tirar o ex-presidente da disputa de 2018, que é o que eles mais temem. Na retaguarda, fica o ministro Gilmar Mendes, aliado de Cunha e líder da oposição no STF.

Pelos últimos movimentos dos correligionários dos três, temos a impressão de que não querem esperar até lá. Na sofreguidão para garantir a dianteira na corrida presidencial, parece até que temos novas eleições marcadas para a semana que vem.

Aos que acham que estou vendo chifres em cabeça de cavalo, lembro apenas que, quando Fernando Collor, de quem Eduardo Cunha foi cria, lançou sua candidatura a presidente da República, em 1989, também ninguém o levava a sério nem acreditava ser possível a sua chegada ao Palácio do Planalto.

Autonomeado dono do PMDB e de todas as suas instâncias partidárias, em nome de quem tem lançado seus ataques ao PT e ao governo, controlador de ampla bancada suprapartidária que manda na Câmara, praticamente sem adversários políticos à vista, nem no governo nem na oposição, o principal objetivo de Cunha no momento é tirar da frente o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o investiga na Operação Lava Jato e é o único que pode obstar suas pretensões.

Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que já começaram a trocar finas farpas, podem ficar para depois, mas desde já o todo poderoso presidente da Câmara atropela meio mundo na ânsia de garantir todos os espaços possíveis.  
http://www.contextolivre.com.br/2015/06/ofensiva-de-eduardo-cunha-atropela.html

sexta-feira, 6 de março de 2015

E do escândalo da água do Alckmin ninguém fala mais?


torneira E do escândalo da água do Alckmin ninguém fala mais?
As águas de março fechando o verão já estão quase indo embora e as torneiras de São Paulo continuam com a corda no pescoço. Final de março foi o prazo dado pelo governador Geraldo Alckmin para implantar o rodízio que prevê quatro dias sem água por dois com no abastecimento da Sabesp na região metropolitana, e agora ninguém mais fala no assunto.
De repente, como que por encanto, o escândalo da falta d água na maior cidade do país foi desaparecendo do noticiário, substituído por planos, projetos, obras de emergência e providências variadas adotadas pelo governo estadual, como se os reservatórios estivessem cheios e o problema definitivamente resolvido. Enquanto isso, continuamos tomando água do volume morto do Sistema Cantareira, cujo nível permanece estacionado em torno de 11%, mesmo após as últimas chuvas.
A maior obra implantada por Alckmin neste período foi um tal de "comitê de gestão de crise", que passou a pautar a imprensa amiga e sumir com as questões incômodas para o eterno governador paulista, que esta semana se deu ao desfrute de comentar um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. E o dele? Por acaso não é crime de responsabilidade deixar a população da maior cidade do país ameaçada de ficar sem água por falta de planejamento e investimentos na área de abastecimento comandada pela Sabesp?
"Alckmin planeja parceria privada para reduzir desperdício de água", dá em manchete de página a Folha desta sexta-feira, em mais uma reportagem sobre as maravilhosas ideias lançadas pelo governador, depois que não tinha mais jeito de esconder a gravidade do problema. A cada dia, o governo solta mais um factoide do "comitê de gestão de crise" para o deleite de quem gosta de ser enganado.
Nem se pode mais falar em racionamento, rodízio e nas dezenas de bairros onde falta água desde outubro do ano passado. Agora, tudo é só "crise hídrica", como se este fosse apenas um acidente de percurso do destino provocado pela má vontade de São Pedro.
Só no dia 13 de fevereiro, já com todos os bairros da capital paulista sofrendo as consequências da redução de pressão de água, o governador Alckmin saiu dos seus confortos para promover a primeira reunião do "Comitê da Crise Hídrica" com prefeitos e entidades civis das cidades atingidas, um ano depois que os reservatórios começaram a esvaziar.
Na vida real, fora dos gabinetes que abrigam as infindáveis reuniões para discutir medidas de prevenção de incêndio numa casa que está pegando fogo, os paulistanos que moram em regiões mais altas e distantes dos reservatórios já convivem com o drama das torneiras secas faz muito tempo.
E vamos que vamos.
http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/03/06/e-do-escandalo-da-agua-do-alckmin-ninguem-fala-mais/

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Alckmin descartou plano da Sabesp de 2014 que teria economizado 120 bilhões de litros de água



“Estamos conseguindo superar essa seca duríssima sem levar a população a riscos e sofrimento”, afirmou o governador Geraldo Alckmin ao jornal O Estado de S.Paulo em agosto de 2014. O tucano havia descartado um plano de racionamento de água elaborado pela Sabesp em janeiro daquele ano, o mesmo período oficial do começo da crise hídrica. No mês seguinte, começaram os rodízios forçados de água em regiões abastecidas pelo sistema Cantareira.

Na prática, a água costumava acabar no período da madrugada sem aviso prévio da Sabesp e de nenhuma outra autoridade. Era uma espécie de racionamento, embora, nos projetos, a empresa fornecedora de água descartasse qualquer tipo de redução no fornecimento.

A negligência do governador, ao barrar o rodízio que poderia ter começado logo com o projeto de janeiro de 2014, está documentada em um email enviado ao promotor Otávio Ferreira Garcia. A correspondência foi anexada em um inquérito civil instaurado em 22 de julho do ano passado. O autor é o próprio jornalista do Estadão, Fabio Leite, que entrevistou Alckmin. “Creio que esse documento possa ajudar na investigação da crise da água. Se o plano tivesse sido posto em prática, a partir de fevereiro [de 2014], a economia teria chegado a 120 bilhões de litros, 12,3% da Cantareira, sem sacrificar os demais sistemas”. A mensagem é de 4 de fevereiro deste ano e consta na investigação do Ministério Público.

DCM teve acesso ao documento “Rodízio do Sistema Cantareira 2014”, recusado por Alckmin em janeiro do ano passado, e também ao arquivo “Plano de Contingência II”, que foi formalizado pela Sabesp em junho. O segundo documento foi obtido com exclusividade. Comparando ambos, é possível ver como o discurso sobre os problemas do sistema Cantareira mudou radicalmente após a decisão do governador.

“Evitar o colapso”

O projeto de racionamento da Sabesp pensado em janeiro de 2014 foi elaborado pelo superintendente da unidade de produção de água da empresa, Marco Antônio Barros. A iniciativa traz dados sobre a situação de mananciais, cujas áreas foram devastadas, além de preocupações com o bem-estar da população e utiliza a palavra “colapso” para se referir ao esgotamento das reservas do Cantareira.

“Todas as estratégias foram adotadas concomitantemente no intuito de evitar a adoção do rodízio, pelo constrangimento que este causa à população”, afirma o documento de racionamento em seu tópico sobre o histórico do problema, abordando as medidas adotadas em 2013. E ele estabelece como objetivo “reduzir a produção do sistema Cantareira para evitar o colapso de seus mananciais”.

O uso do termo “colapso” é evitado publicamente tanto pela Sabesp quanto pelo governador Geraldo Alckmin. Fala-se em “crise hídrica”. A adoção de um rodízio era a última alternativa da Sabesp, segundo o projeto. O volume morto não foi mencionado em nenhuma passagem.

A situação de outras reservas é alarmante, segundo o mesmo arquivo. “O sistema Guarapiranga também está no seu limite de captação, com base na sua outorga para retirada de água da manancial. Com isso seria uma ampliação do sistema do Alto Tietê sobre o Cantareira, tornou-se praticamente inviável em caráter perene, servindo apenas para manutenções temporárias”.

O plano de rodízio foi entregue ao Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), cumprindo a formalidade para obter a aprovação e tentar evitar o pior antes do agravamento da seca na região sudeste. De acordo com o documento, a ARSESP (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), nomeada pelo governo Alckmin, seria a responsável pelo monitoramento da execução e alterações de contratos.

Em fevereiro, Geraldo Alckmin barrou o plano e a Sabesp lançou o programa de bônus para reduzir a conta do cidadão que fechar mais sua torneira. Foi uma “decisão técnica”, sob a justificativa de que o racionamento reduziria a pressão nas tubulações e contaminaria a água. O problema é que o volume morto também reúne sedimentos do fundo das represas que fazem mal à saúde se não forem corretamente tratados.

Relatório da Sabesp alertando que o rodízio "deve ser adotado"
Relatório da Sabesp alertando que o rodízio devia ser planejado
Os rodízios se tornam “malefícios”

Um segundo documento foi produzido pela diretoria metropolitana da Sabesp, sob tutela de Paulo Massato há 11 anos, em junho de 2014. No “Plano de Contingência II”, a palavra colapso desaparece e entra uma série de medidas para controle de vazões, tratamento de água e toda e qualquer medida que mantenha o sistema funcionando.

Este plano se insere nos investimentos de R$ 1,1 bilhão que a Sabesp passou a realizar, sobretudo na contenção de vazamentos de água. A ideia por trás da contingência é que a otimização da distribuição e de toda a infraestrutura seriam suficientes para manter o sistema funcionando no volume morto até o reestabelecimento das chuvas.

O racionamento é tratado como uma solução precipitada, mesmo se for organizado de maneira exemplar.

“O Plano de Contingência II está, então, evitando que a população seja submetida ao rodízio e aos malefícios correspondentes à sua implementação, cujos mais impactantes são os riscos à saúde pública devido às pressões negativas às quais as redes ficam submetidas”. O documento conclui que, além da diminuição da qualidade da água, o corte no fornecimento mobilizaria um contingente grande de mão de obra que a Sabesp deveria evitar para investir na melhoria da infraestrutura.

Em janeiro de 2015, mais de seis meses depois, Dilma Pena disse que ordens diretas do governo Alckmin evitaram falar sobre a falta de água. Paulo Massato falou para os paulistanos deixarem sua cidade natal. Os dois áudios vazaram de reuniões internas da Sabesp.

“Falta de transparência”

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aprovada na Câmara dos Vereadores em 6 de agosto de 2014. Nelo Rodolfo (PMDB) e Ari Friedenbach (PROS) assumiram a relatoria e vice-presidência, respectivamente, do grupo de políticos que investiga irregularidades da Sabesp. Outros nomes que estão fazendo requisições à empresa são Nabil Bonduki (PT) e Laércio Benko (PHS).

Bonduki se licenciou no dia 3 de fevereiro para assumir a Secretaria Municipal de Cultura, no lugar do novo ministro Juca Ferreira. No entanto, o então vereador deixou um documento sobre suas contribuições para a CPI que dão um panorama sobre as ingerências da Sabesp. O DCM teve acesso exclusivo ao arquivo.

“A crise é resultado de uma combinação de fatores: gestão tradicional de água com foco em obras de ampliação de demanda, degradação de mananciais e aumento de consumo; pouco espaço de participação da sociedade e falta de transparência da gestão da água; seca extrema e déficit de chuvas, em especial no sistema Cantareira”, explicou Nabil Bonduki.

Com formação em arquitetura e urbanismo, Bonduki é doutor em estruturas ambientais urbanas pela Universidade de São Paulo (USP) e fala com propriedade sobre o conjunto de fatores que levaram a Sabesp a chegar próximo do colapso de sua principal reserva hídrica.

Este documento da CPI frisa que o programa de redução de perdas de vazamentos não atingiu o resultado esperado. Bonduki também caracteriza como “sistêmica” a atitude da Sabesp em buscar outras reservas para repor estoques de águas, sem ter uma ação localizada para captar recursos das chuvas e de formas de reuso do líquido.

“Outro ponto importante é a falta de transparência por parte da Sabesp e do governo do estado sobre cortes de fornecimento de água, bem como a falta de articulação com outras instâncias de governos”, explica Nabil Bonduki.  O Ministério Público Federal (MPF) chegou a recomendar formalmente que a gestão Alckmin executasse, com a Sabesp, o racionamento de água publicamente. Essa ação não aconteceu desde o mês de janeiro de 2014.

O governo Alckmin é o maior acionista da companhia e, como o lucro é da  venda de volume de água, o rodízio não era uma alternativa interessante.

O problema é que essa decisão forçou um racionamento feito de forma velada, enquanto os cortes foram desconsiderados do planejamento. Nesta mudança de percurso, a ideia de “colapso hídrico” foi abandonada e voltou com a seca de janeiro na Cantareira, que fez o nível cair até 5%. Chuvas não esperadas em fevereiro fizeram a reserva subir para 10%.

Mas hoje se fala abertamente em começar um racionamento por temores de um colapso das reservas do sistema. A palavra proibida voltou a tona. Primeiro o governador Alckmin cogitou o mês de março para iniciar o processo de maneira pública. Hoje a iniciativa pode começar só na metade de 2015.

“As eleições de 2014 podem ser consideradas como um fator agravante para a crise de água em São Paulo, uma vez que as decisões mais radicais como racionamento e multa foram evitadas no período”, diz Nabil Bonduki. Alckmin foi reeleito no primeiro turno com mais de 12 milhões de votos.

Dilma Pena, presidente da Sabesp, e Alckmin
Dilma Pena, presidente da Sabesp, e Alckmin

Esta é mais uma reportagem da série do DCM dedicada a investigar o papel da Sabesp e de seu controlador, o governo do estado de São Paulo, na crise da falta de água. As demais matérias estão aqui.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/alckmin-descartou-plano-da-sabesp-de.html

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A inversão das notícias sobre o Sistema Cantareira para favorecer Alckmin


Alckmin, o volume morto
A chuva acima da média no Sistema Cantareira foi a gota d’água para a mídia gerar uma enxurrada de boas notícias para o Governo Alckmin.

Os termos “descarte do rodízio”, “soma das águas” e “recuperação do Cantareira” foram usados ad nauseum. Vale tudo para coroar o sucesso do Governador Geraldo Alckmin na luta contra a “maior estiagem de todos os tempos”.

Balela.

Passados os dias de pânico com a possível seca geral e sucessivos recordes de vendas de caixas d’água, eis que se anuncia que o Cantareira está com 9,5% de sua capacidade.

Piada de mau gosto.

Na verdade, o Sistema Cantareira está com 90,5 negativos. Não se trata da afirmação do copo meio cheio, meio vazio. Fato é que ainda estamos no segundo volume morto, com apenas 9,5%.

Desde o início de 2014, o Diário do Centro do Mundo vem anunciando a gravidade da gestão da água pela Sabesp.

Em fevereiro do ano passado, o DCM já alertava para os riscos de desabastecimento quando reservatório Cantareira já registrava 22% de sua capacidade.

DCM também apontou o desprezo da Sabesp para com manutenção do sistema de distribuição e o desleixo na conservação ambiental do Sistema.

Na ocasião, o descumprimento de vários preceitos da outorga de 2004 já colocava a Sabesp no banco dos réus. Aproveitando-se da estiagem, livrou-se renovação da outorga adiada diante o caos que já se anunciava.

Aqui também anunciamos os riscos à saúde ao disponibilizar água de reuso do Rio Pinheiros para consumo ou ainda o bombeamento das mesmas poluídas águas para a combalida Billings.

Na versão oficial do Palácio dos Bandeirantes, o paulistano está próximo de se livrar do rodízio.

Na vida real, enquanto estimulam os grandes consumidores com tarifas irrisórias, Alckmin penaliza o trabalhador com seca nas torneiras e multa. É a lógica do mercado: ao anunciar aumento da tarifa e multa por consumo acima da média, o resultado foi valorização das ações da Sabesp na Bolsa de Valores de Nova York.

Inverter a análise sobre a drástica crise de abastecimento de água anunciando melhoria do cenário hídrico é tão irresponsável quanto o mantra de 2014 de que não haveria racionamento.

Não há o que comemorar. De novo Alckmin aposta na chuva e no blá blá blá.

Edson Domingues
No DCM, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/a-inversao-das-noticias-sobre-o-sistema.html

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Água: Privatização é o X da questão

A privatização do serviço de saneamento básico está por trás da atual crise que atinge o estado de São Paulo, com maior intensidade, e que está se espalhando para outros estados brasileiros. E isso em dois sentidos.
O primeiro é que a crise foi causada pela privatização da Sabesp. Esta é atualmente uma empresa de capital aberto, que tem ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque, o que orientou a atuação da empresa para o lucro dos acionistas, não para o atendimento das necessidades da população. Dez anos depois de abrir suas ações, a Sabesp foi premiada nos Estados Unidos por ser a empresa que mais se valorizou no período. Enquanto isso, São Paulo ia secando. É evidente que o objetivo era apenas distribuir dinheiro para os acionistas, enquanto a população foi deixada de lado, a tal ponto que se fala agora em um rodízio em que o paulistano ficaria até cinco dias sem água. Um verdadeiro absurdo para o país que tem a maior reserva de água doce do mundo.
Mas o segundo sentido é o mais preocupante. A Sabesp passou por um processo de privatização, mas que está longe de ser satisfatório para os abutres internacionais. O governo de São Paulo continua administrando a empresa e detém pouco mais da metade do seu capital.
Numa época de crise econômica como a que estamos vivendo, o imperialismo precisa aproveitar todas as oportunidades, explorar todos os recursos disponíveis. E que recurso mais lucrativo do que a água, indispensável para os seres humanos?
Não é de hoje o plano das grandes empresas imperialistas para dominar esse recurso precioso. Em 2003, a tentativa de privatizar a água boliviana, que mais que dobraria o preço da água, deu lugar a uma verdadeira insurreição popular, que acabou levando Evo Morales ao poder apenas três anos depois.
Sendo o Brasil o país que tem a maior quantidade de água por habitante no planeta, é natural que ele faça salivar as empresas do setor. Em 2005, durante o Fórum Social Mundial, a especialista canadense Maude Barlow já alertava para o problema da privatização. Segundo ela, os países chamados “em desenvolvimento” são os principais alvos dessas empresas.
Em um livro sobre o assunto, Barlow descreve o processo de privatização da água no mundo e as suas consequências. A principal delas, evidentemente, é o encarecimento do serviço, o que fez com que inúmeros governos voltassem atrás nas parcerias público-privadas, modelo no qual o governo concedia a exploração a uma empresa privada.
Uma das mais recentes medidas de Alckmin, de incluir um galão de 10 litros de água na cesta básica, também fez com o que o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) alertasse para o problema: “Isso ratifica que a água potável, que deveria ser fornecida pelo governo por um preço módico, será um bem escasso. Isso tem que nos deixar em alerta para uma possível privatização da água, porque já há um fomento da indústria da água”, afirmou a advogada do instituto, Claudia de Moraes Pontes.
Não há cenário melhor para uma privatização. Assim como aconteceu com a Telesp e outras, o governo promove uma destruição dos serviços para justificar a suposta necessidade de uma administração privada. Assim, a desculpa da falta de chuvas serve apenas para esconder a atividade predatória que foi realizada a serviço dos lucros dos especuladores e pode servir para justificar um ataque ainda maior ao direito da população ao consumo de água.
no: http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/02/agua-privatizacao-e-o-x-da-questao.html