Ao constatar o silêncio sepulcral que se derramou sobre a grande mídia neste fim de semana, logo após a denúncia que a revista Veja fez contra o ex-ministro José Dirceu e a que este fez contra a revista, fiquei imaginando quantos jornalistas sérios existem nesses grandes veículos que podem estar tendo a decência de se indignar com seus patrões por estarem impedindo que façam seu trabalho....
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Em ato falho, Instituto Millenium insinua que existe jabá para a imprensa
O Instituto Millenium publicou em seu blog (hospedado na Editora Abril), um artigo lobista sob o título "Tentativa de retirada de Agnelli da Vale prejudica funcionários, acionistas minoritários e fornecedores", e a certa altura comete um ato falho estarrecedor, neste parágrafo deles:....
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Veja: má vontade e preconceito conduzem à cegueira
Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de “Balanço dos 8 anos de Lula”, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.
Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se “de que país a Veja está falando?”. E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular. Se isso se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivosas adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos, registre-se), o Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”.
Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81? Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a dispor da mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do “Engavetador-Geral da República”?
Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero). Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.
Poderia estender-me aqui indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi o haver passado a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.
Peço a publicação.
Jorge Hage Sobrinho
Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União
By: O Mural
sábado, 23 de outubro de 2010
Oito dias de fúria midiática – bombardeio de saturação
Em matéria veiculada na sexta-feira 22 de outubro em seu site, a Agência de Notícias Reuters afirmou, em manchete, que a revista Veja “pode ser o último obstáculo para a vitória de Dilma”. O trecho inicial da reportagem assinada pelo repórter Stuart Grudgings se constitui na melhor crônica sobre o que caracteriza a reta final da disputa pela Presidência da República.
Revista pode ser o último obstáculo para a vitória de Dilma
Sexta-feira, 22 de outubro de 2010 21:05 BRST
Por Stuart Grudgings
Agência Reuters
RIO DE JANEIRO (Reuters) – Já se tornou um ritual nas manhãs de sábado durante a atual corrida presidencial –funcionários dos partidos e jornalistas correm às bancas para verem se, desta vez, a edição da revista Veja derruba a candidata Dilma Rousseff (PT).
Com sua capacidade para fazer ataques, a revista mais lida do Brasil –que já divulgou dois escândalos de corrupção que afetaram Dilma– parece ser o último grande trunfo da oposição, numa disputa em que a candidata governista chega à penúltima semana ampliando sua vantagem na dianteira das pesquisas.
Alguns analistas políticos descrevem a corrida em termos de quantas capas da Veja faltam para a eleição: duas.
A incansável campanha da publicação contra Dilma é um sinal daquilo que alguns dizem ser uma profunda tendência da mídia brasileira contra o PT e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro presidente brasileiro egresso da classe operária.
Para ler a matéria completa, clique aqui
O que torna extremamente grave a matéria da agência de notícias Reuters não é nem o seu conteúdo, que se vê reproduzido em centenas de páginas na internet, em revistas, jornais, tevês e rádios, todos de menor porte, a dita “mídia alternativa” à mídia tradicional, encabeçada pelos grupos Folha e Estado, pela Editora Abril e pelas Organizações Globo. A força da matéria está no perfil da Reuters que figura em seu site, reproduzido abaixo:
“A Thomson Reuters é a maior agência internacional de notícias e multimídia do mundo, fornecendo notícias do mundo, investimentos, negócios, tecnologia, manchetes, pequenos negócios, alertas, finanças pessoais, mercados acionários e informações de fundos mútuos disponíveis através do Reuters.com, pelo celular, de vídeos e de plataformas interativas de televisão. Os jornalistas da Thomson Reuters estão sujeitos ao Editorial Handbook, que exige apresentação justa e divulgação de interesses relevantes.”
Fica difícil, diante de um perfil como esse, qualificar a agência de notícias de “petista” ou “comunista” ou “petralha” ou seja lá que epíteto pejorativo se queira usar para acusar o veículo de parcial em favor do PT.
A matéria, aliás, foi feliz porque previu o que se viu neste sábado nessa imprensa que a Reuters considera partidarizada e que trabalha para eleger o adversário de Dilma fornecendo supostos escândalos para a campanha dele usar, como demonstra a imagem em epígrafe neste post, reproduzindo as capas de Veja e Folha de São Paulo de 23 de outubro de 2010.
Mais revelador ainda do que acontece no Brasil às vésperas da eleição que talvez seja a mais importante de sua história – pois escolherá quem administrará a rota de sucesso, de enriquecimento e de ascensão social da sociedade brasileira ao longo de quase oito anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – é a opinião do jornalista das Organizações Globo Ricardo Noblat, gravada em vídeocast, reproduzida em seu blog na sexta-feira.
Vale transcrever parte do que foi dito em vídeo:
– Os estudiosos de eleições, os marqueteiros responsáveis pela comunicação dos candidatos, os analistas de pesquisas, todos eles coincidem numa coisa: é nessa penúltima semana de campanha – não na última – onde (sic) o eleitor indeciso define seu voto.
– Ele ta confuso, ele ta (sic) em… Ele não sabe bem em quem ele vai votar, mas quando vai chegando o final desta semana, que antecede a última semana, ele se reúne com os seus parentes, com os seus familiares, ele ouve seus amigos e ele, na maioria das vezes, na esmagadora maioria das vezes, chega na próxima segunda-feira, a poucos dias da eleição, com seu voto definido.
– É por isso que todas as campanhas jogam todos os seus principais trunfos nesta semana, não na última. É agora que se dá o debate mais importante entre os candidatos, é agora que as revelações eventualmente guardadas, as denúncias acumuladas, costumam vir à luz.
(…)
Está, assim, largamente explicada e comprovada a visão da agência Reuters, da dita mídia “alternativa”, enfim, da maioria da sociedade brasileira, que confere ao governo Lula uma aprovação sem precedentes na história republicana deste país, por mais que a aprovação do conjunto da sociedade difira da do conjunto do eleitorado, que, por sua vez, aprova em maioria relativa a candidata desse governo à própria sucessão.
Restará aos historiadores do futuro decidirem até que ponto foi democrático, justo, honesto e até mesmo legal o que está acontecendo na política brasileira e que se reproduz por toda a América Latina, esse fenômeno de os setores mais abastados das sociedades da região usarem os meios de comunicação que controlam para tentarem eleger candidatos sabidamente identificados consigo.
Contudo, no presente, ao menos um fato pode ser considerado inegável por qualquer analista isento. Esses meios de comunicação que se transformaram em braços de campanha de um dos lados esgrimindo com o que chamam de “liberdade de imprensa” tentam enganar a população brasileira, pois em ampla maioria teimam em dizer que são “isentos”.
Entre si, os soldados (colunistas, repórteres, editorialistas, enfim, os funcionários desses conglomerados de mídia) da ala midiática do grupo político de oposição a Lula, à sua candidata e ao seu partido admitem abertamente o que fazem e que os seus patrões determinam que façam, mas argumentam que o fim nobre (em suas retóricas) justificaria os meios.
No momento em que termina este texto, ainda faltam nove dias, três horas e 19 minutos para terminar o processo eleitoral e as oportunidades para a fúria midiática ter sucesso em eleger José Serra presidente da República pelos próximos quatro anos.
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