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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Democracia como farsa


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A democracia brasileira é um tecido de qualidade duvidosa, sendo tencionado por todos os lados, resultando em rasgos que se abrem por toda sua extensão. O que está em questão hoje, é o que o Brasil é, e sempre foi; um país pobre, com uma incipiente e frágil institucionalidade, com partidos políticos que nada mais são que a extensão de interesses privados; grandes empresas, sócias inconfessas do Estado, e com a própria ideia de nação como algo distante e sem sentido.
No momento mesmo em que escolas e universidades e assembleias legislativas são invadidas; ruas, estradas e avenidas interrompidas; policias que abandonam sua função e se juntam aos manifestantes; operações da PF e do Ministério Público que se avolumam por todos os cantos do país; em que os líderes maiores do poder nacional articulam na calada da noite; quando o próprio presidente da República carrega a suspeição de ser parte de todo o esquema de corrupção; em que a velha imprensa faz política nas manchetes dos jornais, que a crise econômica assombra o indivíduo comum, o que se desenha com clareza é o poder e suas instituições, perdendo a legitimidade que os mantém.
O que todos se perguntam, é como pode o presidente do senado federal, ter uma dezena de processos na mais alta corte de justiça nacional, e tais processos dormitarem a mais de uma década, sem que nada lhe aconteça. O STF, é agora parte do jogo em que se tenta de todas as maneiras e artifícios, domesticar uma parte desse poder, Judiciário, levando a Lava Jato pro lugar, pensam eles, de onde ela jamais deveria ter saído, o anonimato das pastas e gavetas do ministério público, deixando impunes os corrupto, sejam grandes ou pequenos.
Ao mesmo tempo em que tudo acontece, o elemento novo é uma população digital, empurrando morro acima, a necessidade de alguma justiça e punição, algo raro, impensável e distante da realidade de quem se acostumou com o poder e a impunidade.
Embala esse teatro de horrores, o vácuo de poder político que se abriu com a bancarrota da esquerda. Com o impeachment, e a perda espetacular de prefeituras, à esquerda, nessa última eleição, o país vê levantar-se uma onda de descontentamento, de sentimentos conservadores reprimidos por décadas de politicamente correto, e autoritarismo ideológico da esquerda. A ausência de outra coisa que não fosse a esquerda liberal, no cenário cultural e político, tornando ilegítimo qualquer sentimento outro, soterrou a possibilidade do desenvolvimento de forças e ideias diferentes, e que fossem acolhidas legitimamente no palco da democracia. O resultado é agora, uma avalanche de sentimentos contidos e reprimidos que não querem apenas ser ouvidos, quer destilar ódio, vingar e afrontar, eliminando tudo e todos que de alguma maneira possam ser associados a “democracia” da esquerda liberal.
O resumo dessa história é um país carcomido pela corrupção, com todas as principais instituições do Estado e seus representantes, não apenas envolvidos na lama fétida da corrupção, mas o fato de que o próprio poder não tem mais legitimidade pras curar-se dos tumores que produziu. Esse é o buraco mais fundo de onde sairemos com imensa dificuldade; as instituições da democracia e seus representantes não tem mais legitimidade ou, perdem o pouco que tem, impedindo uma solução pelas vias legais e reconhecidas juridicamente.
A Lava Jato nos levará se assim conseguir, frente a frente com o que a democracia da esquerda liberal produziu, um modus operandi político assentado na corrupção como meio de governar. Mas se obtiver sucesso em sua empreita, o resultado será um país esfacelado diante da farsa que se tornou, por descobrir, que não construiu uma democracia, construiu uma concertação de corrupção estatal-empresarial, montada na sela de uma ideologia vendida como iluminação e modernidade.

http://lucianoalvarenga.blogspot.com.br/2016/11/democracia-como-farsa.html#.WFL4JlMrK1s

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Essa nossa democracia...


Um governador de Estado dizer que é preciso acabar com um partido político adversário deveria, numa sociedade democrática madura, causar, no mínimo perplexidade em todos os seus cidadãos.

Isso porque a base de uma democracia é justamente a pluralidade política. 

Quanto mais as diferentes visões de mundo estiverem representadas no Parlamento ou no Executivo, melhor para todos.

O contrário, como quer o governador paulista Geraldo Alckmin, segundo manifestação pública feita sábado, chama-se ditadura, o regime político mais execrável que existe. 


Uma declaração dessas, se o Brasil fosse uma democracia madura, teria repercussão imediata.

Como, porém, o país vive um momento estranho, no qual até mesmo parte das instituições se engajou numa guerra sem trégua contra o governo trabalhista, uma afirmação dessas, de uma autoridade pública do porte do governador de São Paulo, cai na vala comum das platitudes que diariamente nossos políticos vociferam.

Além disso, Alckmin, por tudo o que representa, merece da imprensa tratamento de intocável. 

Pode dizer, fazer - ou deixar de fazer, que é a sua marca registrada - a barbaridade que for, que isso soará como a mais alta expressão de uma inteligência ímpar.

O mesmo se aplica a essa imprensa que deixou de lado sua função informativa para se converter numa das mais poderosas peças da artilharia pesada dos inimigos do trabalhismo.

Seus comentaristas estão liberados para matar.

Sem cerimônia, distorcem fatos, inventam notícias, espalham boatos, ofendem e até mesmo difamam políticos e autoridades governistas.

A presidenta Dilma e o ex-presidente Lula são os alvos preferenciais, que merecem achincalhe diário.

Uma importante colunista chegou ao ponto de escrever, em tom de ameaça, que Lula não deveria concorrer à Presidência da República em 2018, porque tem "muito a perder" se fizer isso.

A revista semanal Época, das Organizações Globo, considera criminosa a atuação de Lula, já como ex-presidente, no exterior em prol das empresas brasileiras. 

Nesse cenário, portanto, o fato de o governador paulista fazer, em público, uma profissão de fé a favor da ditadura, é pouca coisa.

Como não tem nenhuma importância, para os "homens de bem" deste país, o desastre hídrico paulista, a matança indiscriminada promovida pela Polícia Militar do Estado, a suspensão da construção de várias linhas de monotrilho ou os atrasos nas obras do metrô da capital - entre várias outras façanhas do governador Alckmin.

Tudo isso merece, quando muito, notas envergonhadas nos jornalões e alguns segundos apagados nos telejornais.

Importante, mesmo, é punir quem furou o bonecão de plástico de Lula com roupa de presidiário.

Essa nossa democracia, que tristeza...


no: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/08/essa-nossa-democracia.html#more