Mostrando postagens com marcador A mídia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A mídia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quanto pode o quarto poder?



Pode ser muito cedo para dar a história como escrita, mas me atrevo a dizer que o desenho político do Brasil de hoje foi traçado por dois acontecimentos capitais: as Jornadas de Junho de 2013 e a investigação da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014. Em ambos, a imprensa foi levada de roldão.
Nos protestos de rua, os meios (mas não só eles) foram atropelados por fenômenos de massa que não conseguiram antever e demoraram a compreender (se é que os compreendemos). É difícil acreditar que movimento de tal magnitude tenha sido gerado sem um período de incubação – e é inquietante que essa incubação tenha ficado fora do radar de quem escreve a crônica do dia a dia.
No segundo momento-chave, a revelação do esquema de corrupção da Petrobras, os meios ficaram longe do protagonismo registrado em outros escândalos, como o dos anões do Orçamento, o impeachment de Fernando Collor ou a revelação do mensalão. Na Lava Jato, quem deu a letra e pautou a cobertura foram o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro. Nunca antes tanta informação ficou concentrada em tão poucas mãos.
Mera coadjuvante
No papel de coadjuvante, a imprensa comeu na mão de fontes cevadas na conveniência do anonimato, relaxou controles, publicou manchetes baseadas em cacos de informação, reproduziu delações sem provas. Reinaram a estridência desmedida, a superficialidade, o desapreço pela exatidão, o despreparo profissional, a opção pelo sensacionalismo em vez da sobriedade.
Para o aprimoramento do jornalismo, porém, é necessário reconhecer que esses problemas estão longe de serem características destes tempos. São pragas antigas que, se ora arregimentam um exército de críticos e ganham a berlinda, o fazem mais em consequência da polarização nacional, inexistente no impeachment de 1992, do que por viés político da imprensa.
De novo no front – e certamente um agravante –, só a disrupção tecnológica que corrói a sustentação econômica do impresso e é matriz do enxugamento das redações e do descarte dos profissionais mais experientes (e, portanto, mais caros). Mesmo a crise econômica atual, que solapou a governabilidade de Dilma Rousseff, já era pano de fundo de outros escândalos.
É mistificação jogar os erros de cobertura na conta do antipetismo dos meios de comunicação, ainda que esse sentimento tenha crescido, adubado pelo próprio petismo, com suas propostas de controle ou sua estratégia de ataque permanente à imprensa. A perspectiva sectária pode ser útil a propósitos políticos, mas é um desserviço à atividade jornalística, cujos defeitos crônicos acabam escamoteados e identificados como viés ideológico de ocasião.
Essa visão não sobrevive a uma comparação meticulosa com coberturas passadas nem a uma avaliação desapaixonada do cenário, com seus ingredientes picantes que são matéria-prima de sonho para qualquer profissional: um esquema de corrupção de dimensões surpreendentes até para os padrões de um país sabidamente corrupto, uma investigação policial de enorme atração midiática, o envolvimento do partido há 12 anos no poder, confissões e delações fartas, prisões de figuras até então intocáveis.
Vigilância das redes sociais
Sugiro revisitar a cobertura feita pelos maiores jornais, mas substituir o elenco: em vez do triunvirato Dilma/Lula/PT nos papéis principais, entram FHC/Aécio/PSDB. Há quem acredite que o resultado seria substancialmente diferente. Eu não. Numa redação profissional, que vive do mandato concedido pelo seu leitorado, o apelo da história é superior a ideologias ou preferências partidárias.
É ingenuidade ou arrogância acreditar que a imprensa possa determinar a agenda, os rumos ou o humor de sociedades democráticas complexas como a brasileira, ainda mais agora, sob a vigilância estreita de redes sociais e canais de notícias alternativos. O chamado quarto poder, para usar o epíteto presunçoso que embasa muitos delírios de grandeza, só ganha ressonância e legitimidade quando está conectado com a sociedade à qual se dirige. É, pois, uma influência de mão dupla.
A imprensa não escreve sozinha a história de um país. Não é o caso de menosprezar seus erros nem sua influência sobre a opinião pública, mas tampouco é razoável atribuir-lhe mais peso do que ela realmente tem.
***
Vera Guimarães Martins é jornalista e foi ombudsman da Folha de São Paulo, até abril de 2016.
http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/quanto-pode-o-quarto-poder/

sábado, 3 de dezembro de 2011

O PIG PREOCUPADO COM O LUPI E OS EUA COM A DILMA



O noticiário do PiG (*) neste sábado se dedica a derrubar o Lupi.

Clique aqui para votar no Não e no Sim: o Lupi deve pedir para sair ?

O partido da Controlar, do leilão de emendas na assembléia legislativa e da concorrência do metrô parece muito preocupado com o emprego do Roberto Freire e da filha do FHC no gabinete do Heráclito Fortes – quer dizer, do Lupi.

Como diria o Mino, é o denuncismo hipócrita

E, por isso, o PiG (*) perseguiu a Dilma em Caracas com o Lupi.

E se esqueceu de entender o que acontecia em Caracas.

O Brasil afirmou sua liderança no grupo de 33 países que formam a América Latina e o Caribe. 

A Presidenta disse claramente que pretendia compartilhar a prosperidade brasileira com a comunidade vizinha. 

E, ao lado de Hugo Chávez – que o PiG brasileiro ainda não conseguiu derrubar – citou Celso Furtado, como o pioneiro dessa integração econômica latino-americana, como caminho para o desenvolvimento.

(Como se sabe, o pensamento neolibelês (**) brasileiro não conseguiu produzir um pensador à altura de Furtado. O Cerra, por exemplo, jamais escreveu um livro. O FHC renegou a obra. Sobra a Urubóloga, essa, sim, uma legítima contribuição do Brasil ao pensamento neolibelês mundial. Viva a Globo !)

Enquanto o PiG fica preocupado com o Lupi, os Estados Unidos, estão é preocupados com a Dilma e sua diplomacia: uma sequencia perfeita da obra do Nunca Dantes e do grande chanceler Celso Amorim.

Clique aqui para ler “Irã e Síria, Dilma diz não ao Obama” 

aqui para ler o Santayana em “Irã – por trás da Europa estão os Estados Unidos”

Os Estados Unidos não foram à reunião de Caracas.

Nem o Canadá, o México do Norte.

Quando os americanos abrirem o olho …

Não tem importância.

Breve, o Merval, o Fernando Rodrigues e o Waack explicam a eles como é que é …

Leia o Blog do Planalto:

Celac reflete importância geopolítica da América Latina e do Caribe, diz presidenta Dilma

Chefes de Estado da América Latina e do Caribe deram hoje (2) um significativo passo para fortalecer a integração dos países da região. Reunidos em Caracas, na Venezuela, criaram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que conta com a participação de 33 países. As exceções são os Estados Unidos e o Canadá.


Na primeira sessão plenária da 3a Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma afirmou que a Celac é fato político e econômico de “grande envergadura”. A integração regional, reiterou, é condição para que as economias da América Latina e do Caribe enfrentem os desafios impostos pela crise internacional, mantenham suas taxas de crescimento acima das registradas pelo resto do mundo e preservem seus ciclos atuais de desenvolvimento.


“A Celac é a expressão da capacidade que nós tivemos de olhar para nós mesmos e perceber a importância estratégica e geopolítica desta região. O Brasil tem hoje uma economia sólida, diversificada e competitiva, mas nós não queremos olhar só para dentro do Brasil ou para a Europa e os países desenvolvidos. É chegada a hora de construir a nossa prosperidade em conjunto com todos os países da região.”


A Celac nasce da união da Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), voltada para a cooperação entre os países, com o Grupo do Rio, que teve forte atuação política desde os anos 1980. Segundo o Itamaraty, surge para contemplar a nova realidade internacional. Nesta, latino-americanos e caribenhos contribuem para resolver a crise que afeta com seriedade os países ricos. Além disso, a nova organização pode estimular a cooperação e fortalecer a integração regional.


Na sua contundente defesa da integração regional, Dilma Rousseff argumentou que são reais os temores de uma recessão global. E, na contramão do que vive hoje a Zona do Euro, “onde velhos modelos foram colocados em xeque pela especulação financeira”, os países da América Latina e do Caribe devem, segundo ela, perseguir a integração.


“Sabemos que a integração não é um processo de curto prazo ou um caminho de facilidades, mas é uma construção contínua e paciente, com respeito à pluralidade. Há que se respeitar a soberania e a independência das nações. Juntos seremos mais fortes. Juntos podemos crescer de forma solidária e mutuamente benéfica.”


Aos 33 chefes de Estado presentes à Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma ressaltou o caráter pacífico da região.


“Nós também somos uma zona de paz, livre de armas de destruição em massa, que cultiva a via do entendimento e do consenso, e que não se deixa tentar por soluções impositivas de um país pelo outro. Aprendemos a lidar com nossas diferenças pelo caminho do diálogo.”

 (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconheciment
Paulo Henrique Amorin

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pacotão: Choque na economia


A central Globo de boatarias é inacreditável, mesmo.

Serra diz (na verdade ele não diz, mas a imprensa diz que ele diz) que o Governo vai dar um choque na economia?

Isso lembra os pacotões da época do Collor, do Sarney.

Mas choque por qual razão? Temos inflação? Temos desemprego? Estamos quebrando?

Não. Nada parecido.

Mas é a síndrome do desespero. Não importa o que dizem. Importa é que dizem, e a imprensa alegremente faz repercussão.

Choques causam corridas aos bancos, aumentos de juros. Um monte de coisas boas pra desestabilizar qualquer economia. O PSDB é o campeão do quanto pior, melhor.

Vão fazer de conta que é verdade. 

Esse é o homem que quer assumir a Presidência do Brasil.

Esse irresponsável.
Anais políticos