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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Deu a lógica na entrevista de Marina ao Jornal Nacional

Willian Bonner pareceu satisfeito consigo mesmo ao chamar os comerciais ao fim da entrevista que Marina Silva concedeu ao Jornal Nacional em sua segunda edição desta semana. Por certo, avaliou que a encenação da qual acabara de participar fora bem sucedida.
A falta de espontaneidade nas provocações artificiais que fez à entrevistada, porém, chegou a ser constrangedora, em sua tentativa escancarada de mostrar que não bateu boca ou interrompeu somente Dilma Rousseff, a entrevistada de segunda-feira.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dilma atropela casal Simpson do JN


Luis Nassif:


A entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional foi laboratório amplo de como o jornalismo pode utilizar estereótipos vazios em uma campanha eleitoral.

TV aberta não privilegia conteúdo. Trabalha sempre em cima do bordão, em geral repetitivo para poder alcançar a faixa mais ampla de público. Como tal, há um nivelamento por baixo. A arte na TV aberta consiste no apresentador falar uma banalidade em tom grave e convincente.

Mais que isso, em emissoras partidárias – como é o caso da Globo – cria-se um mundo à parte, força-se a reportagem sempre em uma mão única. E aí sucumbem vítima de um problema bastante estudado na sociologia da comunicação: acreditam que o mundo real é aquele espelhado em suas reportagens; e, como não há o contraditório interno, acredita-se na eficácia de bordões que, na verdade, só são eficientes quando não existe alguém do outro lado para rebater.

Na entrevista, Bonner se limitou a perguntar da dependência de Dilma em relação à Lula, sobre o fato de ela ser mulher dura, pouco propensa a negociar politicamente; e, depois, na mesmíssima entrevista, do fato de sua chapa ser vítima do excesso de negociação, ao abrigar parlamentares e partidos polêmicos. Enfim, um samba do polemizador polifásico – aquele que junta um monte de bordões e não se dá conta de que não guardam coerência sequer entre si. Acusada por não saber negociar; acusada por negociar em excesso.

A consequência foi Dilma rebatendo com facilidade cada bobagem dita, reforçando o discurso social,  explicando a lógica das alianças políticas. E William Bonner interrompendo-a a toda hora, impedindo sequer uma resposta completa. Algo tão desastrado e mal educado que obrigou Fátima Bernardes, do alto de sua elegância, a calá-lo com um sinal, para que parasse de ser inconveniente.