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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A rádio que forja a notícia


Quer dizer então que a rádio Jovem Pan, segundo denúncia da revista Piauí, cobrava R$ 10 mil da prefeitura paulistana comandada por Gilberto Kassab, para cobri-la de elogios?

Passei parte de minha vida ouvindo a Jovem Pan, principalmente os seus programas esportivos.

Deixei de fazer isso depois de uma conversa, anos atrás, com um colega jornalista que trabalhou na emissora. 

Já tinha percebido que os seus "repórteres" puxavam a sardinha para o lado de alguns times e desciam o cacete em outros, principalmente no meu Palmeiras.

Estranho...

As coisas se esclareceram quando esse meu colega me disse que a rádio pagava salários baixíssimos, mas, em compensação, liberava totalmente o "jabá", isto é, o pessoal podia fazer os acertos que quisesse - exatamente como na denúncia da Piauí.

Certo dia, numa dessas feirinhas de livros das redações dos jornais, peguei um livro do jornalista José Nêumanne Filho sobre a vida de Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, filho de Paulo Machado de Carvalho, e que dirigiu a Jovem Pan praticamente toda a sua vida.

O livro, mais um longo depoimento do biografado, valeria mais pelas suas fotos históricas, se não fosse por um detalhe: em certo trecho, o homem que construiu uma das emissoras de rádio mais importantes de São Paulo, começa a falar mal dos direitos trabalhistas, como se eles fossem a origem de todos os males da sociedade.

Aí, tudo ficou bem mais fácil de entender.

A Jovem Pan não é o que é, um reduto da extrema-direita, sem nenhum traço de ética profissional, por acaso.

Está no seu DNA ser assim. 

Infelizmente, a ideologia que propaga e seu método de trabalhar não são exceção na mídia brasileira.

Há muitas outras Jovem Pan por esse Brasilzão afora, diariamente, ininterruptamente, envenenando com mentiras, muito bem pagas, toda a sociedade.

E, como qualquer criança sabe, sem informação não há democracia.

O duro é ver que é essa gente que faz campanha contra a corrupção, que aponta o dedo para os outros, que julga e condena a seu bel prazer.

Haja hipocrisia!

Haja picaretagem! 

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/07/a-radio-que-forja-noticia.html

sábado, 6 de novembro de 2010

Lula envia recados políticos em rede nacional de rádio e TV


O pronunciamento do presidente Lula em rede nacional de rádio e TV na noite de sexta-feira 5 de novembro foi o mais politizado de seus dois mandatos. Foram enviados recados claros à oposição e aos que enveredaram pelo racismo contra nordestinos.
Acompanhe, abaixo, a íntegra do pronunciamento do presidente da República.
*
Pronunciamento do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cadeia de rádio e televisão, sobre as eleições 2010
Brasília-DF, 05 de novembro de 2010
Minhas amigas e meus amigos,
No último domingo, o povo brasileiro, mais uma vez, deu uma extraordinária demonstração do vigor da nossa democracia. Mais de 106 milhões de eleitores foram às urnas. E, num ambiente de tranquilidade e entendimento, mas também de paixão e entusiasmo, promoveram uma grandiosa festa democrática em todo o Brasil.
Estamos todos de parabéns. Como Presidente da República, quero dividir com vocês o meu sentimento: estou muito orgulhoso do nosso povo e do nosso país.
Quero dar também os parabéns também à Justiça Eleitoral, que dirigiu com equilíbrio e competência a disputa. Horas depois de encerrar o pleito, graças ao sistema eletrônico de votação e apuração, já conhecíamos os resultados.
Minhas amigas e meus amigos,
A festa democrática de domingo foi o coroamento de um processo eleitoral que mobilizou o país durante meses, no qual foram escolhidos não só a nova Presidente, como também governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
Esse processo foi realizado sob o signo da liberdade. O povo pôde escolher seus dirigentes e representantes livremente. Também livremente, partidos e candidatos puderam expressar suas opiniões, defender suas ideias e criticar as propostas dos seus adversários.
Foi assim, em meio a um amplo debate nas ruas, no trabalho, nas escolas, no rádio, na televisão e na internet, que cada cidadão e cada cidadã, sem qualquer tipo de coação, pôde avaliar candidatos e projetos, firmar convicções e amadurecer o seu voto.
Nas urnas, falou o povo. Falou com voz clara. Falou com convicção. Agora cabe a todos respeitar sua vontade. Os escolhidos para governar devem ter a liberdade para organizar suas equipes e colocar em prática suas propostas, de modo a honrar os compromissos assumidos com a sociedade. Já aqueles a quem o povo colocou na oposição devem ter a liberdade de criticar e apontar os erros dos governantes, para que possam em eleições futuras se constituir como alternativa.
Passadas as eleições, quando é compreensível que o calor da disputa gere confrontos mais duros, é importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas opiniões, respeitem-se mutuamente e divirjam de forma madura e civilizada.
Como todos sabemos, o Brasil vive hoje um momento mágico, de crescimento econômico, inclusão social, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução das desigualdades regionais. Estou convencido de que, nos próximos anos, o Brasil poderá consolidar-se como uma terra de oportunidades e de prosperidade, transformando-se numa nação desenvolvida. Avançaremos mais rápido nessa direção, se soubermos qualificar o debate político.
Minhas amigas e meus amigos,
Quero dar os parabéns à companheira Dilma Roussef. Para mim, primeiro trabalhador eleito Presidente da República, será motivo de grande satisfação transmitir a faixa presidencial, no próximo dia 1º de janeiro, à primeira mulher eleita Presidente da República. Tenho perfeita consciência do imenso simbolismo desse ato.
Ele proclamará ao mundo inteiro – e a nós mesmos – que somos um país com instituições consolidadas, capazes de absorver mudanças e progressos. E que somos também um país que aprendeu a duras penas que não há preconceito, por mais forte que seja, que não possa ser vencido e superado pela tenacidade do povo.
Simbolicamente, estaremos proclamando ainda que ninguém é melhor do que ninguém. Não importam as diferenças de origem social, de sexo, de sotaque ou de fortuna. Somos todos brasileiros. E todos devem ter oportunidades iguais, o direito a sonhar com dias melhores e o apoio para melhorar sua vida e a de sua família.
Boa noite!

sábado, 18 de setembro de 2010

O que desmoraliza a imprensa


Não há como deixar de reconhecer que os fatos envolvendo a agora ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra podem até não conter ilegalidade, mas, por certo, não podem ser considerados aceitáveis para ocupantes de cargos como os que ela exerceu nos últimos anos.
Não se poderia criticar, portanto, denúncia da imprensa contra uma ministra de Estado cheia de parentes que mantêm negócios – por legais que possam ser – com empresas que, por sua vez, negociam com o mesmo Estado que ela ajudava a gerir.

domingo, 12 de setembro de 2010

O Brasil que emergirá das urnas




Pode ser cedo para afirmar que é imutável a opção que parece que o eleitorado brasileiro fará no próximo dia 3 de outubro, mas não é cedo para analisar o que deve ocorrer em caso de se confirmarem as previsões das pesquisas e, mais do que isso, caso se confirme a natureza do recado que a sociedade estará dando ao materializar a opção que parece mais provável que o país adotará, a despeito das concessões inevitáveis que se possa fazer ao acaso…