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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Datafolha escancara o vale-tudo desta eleição


Essa última pesquisa Datafolha é algo para se pensar.
Foi feita sob o impacto emocional da morte trágica de Eduardo Campos, antes mesmo do enterro de seu corpo.
E, além disso, colocou a sua vice, cuja candidatura nem sequer foi ainda oficializada, em seu lugar.
Ou seja, uma das opções oferecidas ao pesquisado, Marina Silva, não era ainda candidata a nada.
Vai ser, é claro.
Mas um precedente desse tipo num levantamento que se pretende sério - apesar da circunstância temporal e emocional em que foi realizado - pode ser muito perigoso para o processo eleitoral. 
Se Marina Silva, antes de ela ser oficializada candidata, pode constar de uma pesquisa eleitoral registrada no TRE, é lícito supor que outros nomes, potencialmente fortes, também possam ser oferecidos como opção ao pesquisado.
Afinal, esses levantamentos nada mais são do que armas da guerra empreendida pela oligarquia para defenestrar os trabalhistas do 
Palácio do Planalto.
São usados para iludir o eleitor, criar manchetes nos jornalões e influenciar o voto.
São forjadas?
Não.
Apenas contêm perguntas capciosas, colocadas no questionário para induzir o pesquisado a rejeitar o nome de Dilma Rousseff - e de outros trabalhistas - e escolher aquele apoiado pela turma das trevas.
Fora isso, há a famosa margem de erro.
Três pontos para baixo, três para cima - e tudo se resolve.
Mas da forma como são apresentadas, as pesquisas eleitorais parecem ser o suprassumo da ciência.
Irrefutáveis.
Mesmo essa última do Datafolha, que, se a gente for analisar, nem poderia ter sido publicada.
Pois Marina Silva não é ainda a candidata do PSB.
Sua inclusão no levantamento é uma fraude, um crime eleitoral.
Como seria, por exemplo, colocar no questionário o nome de Lula como candidato do PT no lugar de Dilma.
Mas, como se vê, esta eleição presidencial já se tornou um vale-tudo.
Um vale-tudo para emplacar candidatos cujo único projeto é ser anti-PT, anti-Lula, anti-Dilma, anti-Brasil.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A verdade das pesquisas é a margem de erro



E haja pesquisa eleitoral! 
E haja espertalhões faturando alto com a indústria de expectativas criada por esses levantamentos.
O índice Bovespa sobe e desce a cada minuto do dia, alimentado por números cambiantes, mutáveis, mágicos.
Os jornalões contribuem para enterrar de vez qualquer traço de seriedade que os Datafolhas e Ibopes da vida possam ter.
A Folha diz no título da matéria sobre a última pesquisa de seu instituto que Dilma caiu e seus adversários pararam de subir.
Mas o texto, o gráfico, todas as informações afirmam outra coisa: os três candidatos caíram!
Pobre jornalismo, pobre ética profissional, pobres de nós...
A esculhambação chega a níveis estratosféricos, a alturas nunca antes atingidas.

Está certo que a eleição presidencial deste ano virou uma guerra, questão de vida ou morte para uma oposição desesperada, sem ideias, sem programa alternativo capaz de empolgar o eleitorado não cativo, os 30% que sempre vão votar contra o PT, compostos pela oligarquia, os endinheirados, e parcelas da classe média ressentidas pela ascensão social de milhões de pessoas e assombradas pelos seus próprios preconceitos e ódios.
Mesmo assim, vale lembrar que até a guerra, a mais sórdida invenção humana, tem lá suas regras.
A eleição presidencial deste ano, tudo indica, será um vale-tudo: vale mentir, vale caluniar, vale ofender, vale violar a legislação...
Nesse esquema, as pesquisas ocupam um lugar importantíssimo.
Ajudam a dar um lustro "científico" ao suposto pessimismo que grassa no país, ao alardeado descontentamento da população com tudo - embora haja quase pleno emprego, renda em alta, crédito farto e barato, educação acessível, uma série de benefícios sociais inexistentes há alguns anos.
A verdade de toda pesquisa está em sua margem de erro: dois pontos para cima, dois pontos para baixo e tudo se ajeita.
Sempre foi assim.
A diferença é que, desta vez, a margem de erro está mais elástica para permitir que os números sejam aliados do esforço hercúleo de defenestrar os trabalhistas do Palácio do Planalto.
vi no: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/06/a-verdade-das-pesquisas-e-margem-de-erro.html

domingo, 6 de abril de 2014

Uma pesquisa científica

O telefone toca.
- Bom dia, sr. Carlos. Aqui é do Instituto Datavênia. Estamos fazendo uma pesquisa sobre tributação. É rápida. Gostaríamos que o sr. respondesse a ela. Garantimos sigilo absoluto.
- O que vocês querem saber?
- Primeiro: o sr. acha que o brasileiro paga muito imposto? 
- Não, não acho.
- O sr. não acha? Que estranho? Posso mesmo pôr isso como resposta?
- Claro que sim. Acho que no Brasil o rico paga pouco imposto, a classe média paga um pouco mais e os pobres é que se ferram. Em resumo: o sistema tributário no Brasil é injusto, deveria taxar mais quem tem mais dinheiro e menos quem tem menos. Simples.

- Mas o sr. não acha que a carga tributária é muito alta?
- Não, não acho.
- O sr. tem certeza? Ela é uma das mais altas do mundo...
- E de onde você tirou isso? É mentira. A carga tributária no Brasil é menor que muitos países considerados de Primeiro Mundo. E é bom que os governos - eu disse governos, não o governo federal - arrecadem bastante, porque só assim a população poderá ter acesso gratuito à saúde, à educação, poderá usufruir da Previdência Social, poderá, enfim, ter uma rede de proteção mínima.
- Essa é justamente a outra pergunta que eu ia fazer ao sr. O sr. acha que o imposto que o sr. paga é bem aplicado pelo governo?
- Acho que poderia ser mais bem aplicado, sem dúvida. Mas acho que a população é responsável, em grande parte, pelos desvios na aplicação do dinheiro dos impostos.
- Como assim?
- A maioria das pessoas não se interessa em fiscalizar os órgãos públicos, não sabe sequer o imposto que é arrecadado pela prefeitura ou pelo governo estadual ou federal. É completamente ignorante de tudo o que se refere à questão fiscal, a não ser arranjar um jeito de sonegar o Imposto de Renda. Nem pede nota fiscal, deixa o empresário fraudar na boa a Receita. Não tem consciência de que se a maioria ficasse de olho no que os governantes fazem com o dinheiro dos impostos, a vida no país seria bem melhor do que é.
- Para terminar, então, o sr. é a favor de uma reforma tributária que proporcione à população pagar menos impostos?
- Sou a favor de uma reforma que simplifique o processo de arrecadação e que seja justa com todos, adotando o princípio da progressividade, ou seja, quem tem mais paga mais. Eu agora tenho uma pergunta a você: quem está patrocinando essa pesquisa?
- Ah, isso é confidencial.
- Sei... E ela será divulgada publicamente ou será de uso restrito?
- Bem... Não sei dizer ao sr. Acho que depende do resultado...
- Entendi. Se a maioria achar que pagamos muito imposto ela será manchete em todos o jornais. E é claro que a maioria vai dizer isso. É a mesma coisa que perguntar à dona de casa de ela gostou do aumento do preço do tomate.
Ou fazer pesquisa perguntando se a pessoa aprova o governo da Dilma e vai votar nela depois de ter respondido a um questionário imenso sobre não sei quantos escândalos fabricados pela imprensa - que patrocina a pesquisa.
- Desculpe, sr. Não entendi onde o sr. quer chegar. Garanto que a nossa pesquisa é séria, embasada em critérios científicos, o nosso instituto preza pela honestidade...
- Claro. E Papai Noel existe.
- Como?
- Nada, é que o Natal está chegando e eu preciso desligar o telefone porque senão chego atrasado para o desfile das escolas de samba na Páscoa.
- Hein?
- Passe bem, bom dia, boa pesquisa, seja feliz, esqueça o que eu disse.
- Não, não posso, mas o sr. fique tranquilo...
E o telefone se emudece.

 http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/04/uma-pesquisa-cientifica.html