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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O silêncio dos nem tanto inocentes



No começo da semana que passou, o ex-governador paulista e ex-candidato à Presidência da República José Serra foi destaque nos portais da internet - e provavelmente nos jornais impressos, que hoje leio tão pouco. Os títulos das notícias não poderiam ser mais expressivos. Serra mereceu tratamento de grande liderança política, imprescindível para o futuro da nação:

"Serra acha difícil Brasil conseguir cadeira no CS da ONU"
"Serra: Pimentel 'não está acima de qualquer suspeita'"
"Governo Dilma ainda não começou, diz Serra"
"Para Serra, grampo no PSDB é 'gravíssimo'"
"'Drama do atual governo é não saber para onde vai’, critica Serra"
"Serra considera grave notícia de que PSDB foi grampeado"


Nenhuma referência ao livro-bomba lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., "A Privataria Tucana", no qual Serra é destaque.
Estranho isso, né?
Ah! Hoje leio que, segundo o Datafolha, Serra tem a maior rejeição entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, simplesmente o dobro de suas intenções de voto. Isso um ano depois de ele ter concorrido à presidência.
Ou seja, Serra agora é um político absolutamente irrelevante no quadro nacional.
Não sei não, mas alguma coisa anda muito errada com esta nossa imprensa.



Crônicas do Motta
via esquerdopata 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cacareco, Tião, Tiririca

O fenômeno Tiririca, que pede o voto ao eleitor "porque pior que está não fica", embora seja objeto de uma avalanche de críticas, não é algo novo na política brasileira.

Em todas as eleições aparecem candidatos como ele, sem nenhum preparo para exercer o cargo, e que apenas se lançam na vida pública para ganhar um tanto de publicidade.

Se, num desses acasos, acabarem eleitos, tanto melhor: afinal, com toda a verba disponível para manter um gabinete cheio de assessores, a rotina de um deputado não deve ser de todo desagradável ou complicada.

O caso do Tiririca se destaca das outras candidaturas "trash" porque ele foca, explícita e desavergonhadamente, aquele eleitor desiludido com a política e os políticos. Nesse sentido, votar em Tiririca é um ato de protesto. Não deixa de ser uma incoerência, mas o que fazer?

Esse tipo de voto também não é novidade nas campanhas eleitorais brasileiras. Em 1958 o rinoceronte Cacareco, que habitava o Zoológico de São Paulo, teve cerca de 100 mil votos para vereador, na frente do candidato mais bem colocado.

Em 1988, o Macaco Tião, um chimpanzé ranzinza que vivia no zoo do Rio, teve 400 mil votos na eleição para prefeito, ficando em terceiro lugar entre 12 candidatos.

O efeito desse voto de protesto ajudou, sem dúvida, a eleger várias pessoas, como, por exemplo, do jogador de futebol Biro-Biro, bom meio de campo corintiano, que foi vereador em São Paulo de 1989 a 1992. O caso mais recente que me lembro é do costureiro Clodovil, que em 2006 conseguiu a façanha de ser o terceiro candidato ao Congresso mais votado em todo o país, com inacreditáveis 493 mil votos.

Com esses exemplos quero apenas relativizar a presença dessa turma nas eleições deste ano. É do jogo democrático. Quem não concorda com elas que não vote nelas.

O que realmente exige uma discussão mais profunda é o sistema político brasileiro, que permite a proliferação de partidos sem nenhum traço ideológico, que surgem apenas para atuar como balcão de negócios, transacionando legendas para quem quiser, vendendo seus horários gratuitos a quem pagar mais.

Se a legislação não fosse tão leniente, aposto que o horário eleitoral não teria essa infestação de Tiriricas que se vê agora.
Crônicas do Motta

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Triste fim de Chirico

Queda livre
A última pesquisa Ibope confirma o que todos já sabem: a eleição presidencial pode ser decidida, a favor de Dilma Rousseff, já no primeiro turno.

O horário eleitoral gratuito começa da pior maneira para o candidato oposicionista, que está, no mínimo, segundo o Ibope, 11 pontos percentuais atrás de Dilma.

Com menos de dois meses de campanha pela frente, é uma diferença e tanto.

Principalmente porque agora, efetivamente, entra em campo o maior cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula, que deverá ter papel de destaque nos programas de rádio e televisão.

É bom lembrar que, ainda segundo o Ibope, 78% dos entrevistados avaliaram como ótimo ou bom o governo Lula, 18% como regular, e apenas 4% como ruim ou péssimo.

É um resultado impressionante.

Com notícias tão ruins, o QG demotucano tem pouco a fazer.

Insistir na "desconstrução" de Dilma? Apostar no Serra continuador do governo Lula? Reforçar as "denúncias" contra integrantes do governo para criar um novo "escândalo"?

Teria sido bem melhor apresentar ao país, enquanto era tempo, um programa de governo sério.
Dessa forma, pelo menos, Serra poderia encerrar sua carreira política de modo mais digno.
Crônicas do Motta, via Esquerdopata

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O medo da luz

Ver como se desenrola a campanha presidencial dos tucanos-pefelistas, com tantas exibições explícitas do mais puro conservadorismo, não deixa de ser um exercício interessante. Ou reflexivo.

Nos faz pensar, por exemplo, de como este país foi infeliz há tão pouco tempo, numa época em que a liberdade - em todas as suas formas - era apenas uma concessão dos generais que se sucediam no poder.