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terça-feira, 30 de abril de 2019

Novo surto da crise mundial no horizonte


A revista eletrônica espanhola Sin Permiso publicou um artigo de Michael Roberts, em 19/04/2019. O economista marxista britânico inicia o texto alertando que em recente reunião conjunta, FMI e Banco Mundial novamente avaliaram que se tornou muito provável uma “nova recessão” na economia mundial.

Mas o que interessa destacar são as conclusões do próprio Roberts:

Toda crise possui um gatilho diferente ou causa próxima. A recessão internacional de 1974-5 foi provocada por um forte aumento dos preços do petróleo e o abandono dos Estados Unidos do padrão dólar-euro. A crise de 1980-1982 foi provocada por uma bolha imobiliária na Europa e uma crise industrial nas principais economias. A recessão de 1990-2 foi provocada pelos preços do petróleo e a guerra do Iraque. A leve recessão de 2001 foi o resultado da explosão da bolha dot.com. E a Grande Recessão se iniciou com o colapso da bolha imobiliária nos Estados Unidos (...). Mas, por trás de cada uma destas crises está o movimento de queda na rentabilidade do capital produtivo e, finalmente, uma desaceleração ou diminuição da massa de lucros.

Desta vez, acredito que o deflagrador será a dívida empresarial, já que as empresas conseguem acumular um excesso de créditos baratos e quando os lucros caem e o custo dos juros sobe, tornam-se insolventes.

Importante acrescentar que, de todas as crises acima, a mais profunda foi a de 2008. Aquela que nunca terminou e trouxe com ela uma onda ultraconservadora que vem varrendo muitos países importantes.

Quando um novo surto da crise vier, ou a classe trabalhadora responde com suas alternativas socialistas ou haverá ainda mais barbárie.

sábado, 5 de janeiro de 2019

A sombra chinesa sobre 2019

A sombra chinesa sobre 2019

Uma guerra comercial entre Estados Unidos e China é uma das mais graves ameaças para a economia mundial em 2019. Mas o gigante asiático também apresenta sérios problemas internos.

A China foi fundamental para evitar um colapso econômico mundial após a crise de 2008. Mas houve um custo. Entre 2000 e 2008, a dívida bruta chinesa ficou entre 150 e 180% do PIB. Mas de 2009 a 2018 essa proporção quase dobrou, chegando a 300%.

Os números são de um artigo de José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

Já Jenny Clegg, especialista britânica em assuntos chineses, prevê que a China pode superar os Estados Unidos como potência econômica antes de 2030. Mas avisa que o país vem mantendo:

...níveis elevados de dívida e ainda pode ocorrer um crash ao estilo chinês. Poderá a China limitar, ou ao menos resistir, as pressões de uma guerra comercial com os Estados Unidos? De fato, as perspectivas para a economia estadunidense também não são boas. A recuperação da economia produzida pelo corte de impostos de Trump pode ser efêmera e o presidente do slogan “América primeiro” pode se ver obrigado a aprender que os Estados Unidos e a China se necessitam mutuamente.

O problema é que ninguém parece muito preocupado em aprender coisa alguma. Trump é péssimo aluno. A liderança chinesa, por sua vez, acha que pode fugir aos efeitos das implacáveis leis capitalistas tornando sua economia cada vez mais capitalista.

Enquanto isso, por aqui, o futuro presidente se elegeu dizendo que não entende nada de economia. Fora isso, tá tudo ok, certo?
http://pilulas-diarias.blogspot.com/2018/12/a-sombra-chinesa-sobre-2019.html


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Notícias póstumas sobre um capitalismo moribundo




Em 12/08/2018, o Estadão reproduziu reportagem publicada pelo “The Economist” sobre o livro “Quebradeira: como uma década de crises financeiras mudou o mundo”, ainda sem edição brasileira.

A obra do historiador britânico Adam Tooze mostra que os principais mecanismos causadores da crise mundial de 2008 continuam em pleno funcionamento.

Um trecho da resenha afirma:

Ninguém que dormisse em 2006 e despertasse para observar os mercados financeiros hoje teria ideia de que houve uma crise. Os preços das ações nos EUA tiveram repetidamente novas altas e as valorizações foram superadas apenas pelas épocas de bolha de 1929 e 2000. As taxas de juros pagas por governos e corporações para tomar dinheiro emprestado são muito baixas, tomando-se por base padrões históricos. Em termos globais, o volume da dívida em relação ao PIB é quase tão alto quanto era antes da crise.

Outra passagem utiliza a seguinte metáfora:

Os bancos centrais interromperam um ataque cardíaco econômico global com uma cirurgia de emergência, mas o paciente voltou aos velhos hábitos de fumar, beber demais e se encher de comida gordurosa. Ele pode até parecer saudável, mas o próximo ataque poderá ser mais violento, e as técnicas de ressurreição que funcionaram uma década atrás podem não dar certo uma segunda vez.

Chris Harman, no entanto, prefere outra imagem. Em seu livro “Capitalismo Zumbi”, de 2009, ele afirma que o capitalismo estaria “morto para o efeito de atingir objetivos humanos e de responder a sentimentos humanos”, mas é “capaz de exercer atividades causadoras de caos em seu próprio entorno”.

Em outras palavras, seja agonizando, seja morto, o sistema permanece fatal.