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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Por que a mídia e os EUA são contra os governos bolivarianos? Oliver Stone explica

aosul
Por Cynara Menezes, via Socialista Morena

Não tem sido fácil para a esquerda latino-americana derrotar seu principal inimigo: a imprensa burguesa, submissa ao grande capital e anti-nacionalista. A mídia tem sido o braço pseudodemocrático dos golpes brancos que vêm ocorrendo na América do Sul ao longo da última década. Como não consegue ganhar eleições, a direita se alia aos principais jornais e emissoras de TV e apela a soluções jurídicas, quando não diretamente para a força bruta, para chegar ao poder.
Assim aconteceu na Venezuela em 2002, no Paraguai em 2012 e ameaça acontecer no Brasil em 2015: um governo legitimamente eleito é deposto, sob desculpas esfarrapadas, por inimigos sedentos por chegar ao poder na marra e com as piores intenções. No caso de Hugo Chávez, como havia construído uma teia de apoiadores dentro do Exército, o golpe falhou –mas Chávez morreria em 2013, vítima de um câncer. No Paraguai, um golpe “constitucional” (eufemismo que a mídia criou para os golpes brancos) derrubou Fernando Lugo. No Brasil, tramam o mesmo contra Dilma Rousseff.
No documentário Ao Sul da Fronteira, o cineasta norte-americano Oliver Stone examina o porquê de a mídia hegemônica e os EUA se unirem contra os governos progressistas do cone Sul. Debruçado sobre anotações, Chávez explica para ele: no Iraque era o petróleo, no Irã é o petróleo, na Venezuela é o petróleo. É o petróleo, estúpido! Ou vocês acham que é à toa que este movimento de desestabilização do governo venha junto com a tentativa do PSDB de entregar o pré-sal para os gringos?
Stone também mostra como a principal oposição aos governos ditos “bolivarianos” têm vindo dos setores mais privilegiados da sociedade, incomodados com a ascensão dos mais pobres e o consequente abalo no status quo. Não querem governos de esquerda porque não querem se sentir ameaçados em seus privilégios. Algo em comum com os médicos que rejeitam cotistas? Algo em comum com os ricos que falam que os aeroportos parecem rodoviárias? Algo em comum com os que se manifestam contra o bolsa família?
Para conseguir convencer os incautos de que os governos de esquerda são ruins, a mídia hegemônica mente, e mente muito. Nos EUA, Chávez era pintado como “ditador”, dizia-se que “financiava o terrorismo” e que era “pior que Bin Laden”. Apenas, segundo Oliver Stone, por não se colocar aos pés do imperialismo, como faziam alguns governantes da América do Sul no passado, como Fernando Henrique Cardoso ou o colombiano Álvaro Uribe. Na abertura do documentário, uma apresentadora da Fox News chega pateticamente a dizer que Chávez é viciado em drogas, confundindo “cacau” com “coca”.
Stone lembra que, até aparecerem os governantes bolivarianos, os pobres da América do Sul eram utilizados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) como “ratos de laboratório” de suas experiências espoliadoras da riqueza alheia. Cristina Kirchner lembra que o antecessor de Evo Moralez na Bolívia, Sánchez de Lozada, não sabia nem sequer falar espanhol direito porque morou nos EUA quase a vida inteira e por isso tem um forte sotaque norte-americano que deixa quase ininteligível o que diz.



Oliver Stone também mostra o que era a Venezuela antes de Chávez, coisa que seus críticos desconhecem totalmente. Em 1989, sob a presidência de Carlos Andrés Pérez, a economia do país estava em frangalhos quando o presidente Carlos Andrés Perez foi, “de joelhos”, pedir ajuda ao FMI. Após o aumento das tarifas de ônibus ordenada pelo Fundo, milhares de venezuelanos foram às ruas protestar.

Como resultado do chamado “Caracazo”, 300 pessoas foram mortas a tiros pela polícia e mais de 2 mil desapareceram. E pensar que hoje os reaças compartilham fotos falsas de “mortos” pelo governo de Nicolás Maduro… O presidente de direita acabou defenestrado do cargo por fraude e corrupção. Que exemplo! Em 1998, Hugo Chávez se elegeria presidente pela primeira vez.

Triste é ver Oliver Stone dizer que lhe impressionou a “força” do comandante. “É um touro”, diz no filme. Nem podia imaginar que o touro iria morrer tão pouco tempo depois…

Vale a pena assistir ao documentário na íntegra neste momento.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Os que festejam a morte de Chávez



Altamiro Borges, Blog do Miro

“Logo após o anúncio da morte de Hugo Chávez, um grupo de venezuelanos residentes nos EUA saiu às ruas de Doral, subúrbio de Miami, para festejar. No ato macabro, que evidencia todo o reacionarismo das elites, eles aplaudiram e esbravejaram contra o líder bolivariano. Segundo a agência Associated Press, eram poucas pessoas, mas com forte sentimento anti-Chávez. “Estamos festejando a abertura de uma nova porta, de esperança e transformações”, justificou Ana San Jorge, uma das manifestantes histéricas.

Miami possui a maior concentração de venezuelanos residentes nos EUA – cerca de 190 mil. Parte deles migrou para a cidade após as primeiras medidas de Hugo Chávez favoráveis aos setores mais excluídos do país e contra os privilégios dos ricaços. O próprio prefeito de Doral, Luigi Boria, é um venezuelano radicado nos EUA, filiado ao Partido Republicano e famoso por suas posições reacionárias. Ele participou da festa e afirmou que a morte de Hugo Chávez possibilitará que oposição oligárquica retome ao poder na Venezuela.

A festança da direita em Miami é a expressão do ódio de classe. Ela gerou indignação inclusive no escritor brasileiro Paulo Coelho, que enviou mensagem na sua conta no twitter: “¿Murió Hugo Chávez y hay gente que se alegra? La burla al dolor ajeno, sólo demuestra la pobreza y miseria humana”. Fora de Miami, nas redes sociais e nas redações de alguns veículos midiáticos do Brasil, outras figuras patéticas e elitistas também devem estar festejado a morte do líder bolivariano, que tanto medo causava aos ricaços.”

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Governo Dilma enfrenta crise política inédita

A complexidade do momento político posterior à conturbada eleição presidencial de 2010 requer, acima das paixões momentâneas, reflexão serena e realista. Enquanto o Brasil se pergunta se Antonio Palocci cai ou não por conta das suspeitas sobre o expressivo aumento de seu patrimônio entre 2006 e 2010, vale refletir sobre o futuro do governo Dilma Rousseff......

quinta-feira, 10 de março de 2011

Record rompe cadeia de mentiras sobre Venezuela

É preciso mensurar a importância da série de reportagens que o jornalista Luiz Carlos Azenha fez para a TV Record sobre a Venezuela e que começou a ser apresentada nesta semana no telejornal da noite da emissora.
O título da série de reportagens é mais do que sugestivo: “Venezuela – um vizinho desconhecido”. Na verdade, o título bem poderia ser “um vizinho mal-conhecido”, pois os brasileiros, durante a última década, vêm recebendo, sim, freqüentes informações sobre o país, mas deturpadas.
A Globo, principalmente, vive apresentando matérias sobre a Venezuela. Todavia, são matérias que induzem a uma crença totalmente falsa sobre o país governado pelo presidente Hugo Chávez desde 1999, de que seria uma “ditadura” na qual o povo sofre.
Na série que a Record está apresentando, ainda que sem informações privilegiadas tenho certeza de que mostrará – como já mostrou alguma coisa nos dois primeiros capítulos – a imensa obra social que fez da Venezuela o país que mais avançou no IDH das três Américas na década passada.
Além do avanço social venezuelano sob Hugo Chávez, a série deverá mostrar como é mentirosa a afirmação da grande imprensa de que o país seria uma “ditadura”, pois tem um sistema político livre, com eleições limpas e sem absolutamente nenhuma censura.
Conhecendo o jornalista que fez a série de reportagens, porém, tenho certeza de que não deixará de apresentar o lado negativo do governo Chávez, tal como o uso do Estado como se fosse seu ou de seu partido.
Fato sobre a Venezuela totalmente reprovável é o uso de tevês públicas para proselitismo político em favor do governo ou para atacar seus adversários, pois o espectro eletromagnético, por onde trafegam as ondas de rádio e tevê, pertence a todos, inclusive aos que desaprovam o governo.
O culto à personalidade de Chávez usando recursos públicos é outro fator inaceitável. Como sempre digo, não se dá dez passos em Caracas, por exemplo, sem deparar com a imagem do presidente venezuelano. Quem paga por isso? Quem gosta e quem não gosta dele.
Muito provavelmente, porém, a série da Record, para ser correta, também deverá explicar as razões que levaram a esse estado de coisas. O complô de 2002 para derrubar o governo, estabelecido entre a mídia, grandes empresários e alguns setores minoritários das forças armadas, não poderá ficar de fora.
Apesar de estes fatos serem fartamente conhecidos por quem lê blogs políticos, o que precisa ser destacado é que as revelações que a série da Record fará romperão uma cadeia de mentiras da grande imprensa brasileira sobre o país vizinho.
Ao conhecerem programas sociais e bem-estar social, que mesmo com a inflação alta ainda são enormes naquele país, os brasileiros fatalmente farão o “link” com o que diz a mídia sobre o assunto Venezuela há anos. Ainda que inconscientemente, muitos sentir-se-ão ludibriados.
Não deixem de assistir a essa série de reportagens. Constitui um marco no jornalismo brasileiro, a ruptura de uma rede de mentiras que nunca antes neste país vi ocorrer nesse dimensão, pois demonstrará quantas mentiras uma Globo contou durante anos.
blog da cidadania

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mídia censora denuncia ‘censura’



O que você acharia de uma novela argentina que tivesse um personagem chamado “Brasil”? O nome do país seria dado a um homem feioso, estúpido, malandro, preguiçoso, covarde, invejoso e arrogante que tem uma vizinha virtuosa, bela, inteligente, esforçada, leal e humilde, vítima constante das armações do vizinho. O nome da heróina seria “Argentina”.
É sob esta ótica que peço que o leitor analise notícia sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, amplamente veiculada nos últimos dias, por ele ter proibido, em seu país, a exibição de uma produção colombiana que faz com a Venezuela o mesmo que a novela fictícia que inventei no parágrafo anterior faria com o Brasil.
Hugo Chávez determinou à rede de TV Televen que pare de transmitir a novela colombiana “Chepe Fortuna”.  A Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) avaliou que o programa “subestima a inteligência dos telespectadores” devido ao tratamento dado a duas personagens, as irmãs Colômbia (bonita, correta e cheia de virtudes) e Venezuela (feia, malandra e histérica).
Em um dos episódios, Venezuela entra em desespero ao ser informada de que perdeu seu cachorrinho de estimação, Huguito. “O que será de mim sem ele?”, pergunta, desconsolada. “Você será livre, Venezuela! Porque Huguito ultimamente andava se metendo nas casas alheias, o que te deixava mal perante os outros”, foi a resposta.
Em outro momento da série, a personagem descobre que está grávida e decide que seu filho vai se chamar Fidelito.
Segundo a Conatel, há uma “manipulação descarada no roteiro para  desmoralizar a população venezuelana”.
A mesma mídia que acusa Chávez  de promover censura  se cala sobre o documentário da BBC de Londres “Beyond Citizen Kane”, proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial, por tratar das relações sombrias entre a Rede Globo e grupos políticos, dentre os quais os que promoveram a ditadura militar brasileira.
É discutível a decisão de Chávez de proibir uma obra artística, ainda que seja possível entender que qualquer povo fique ofendido com uma novela como a colombiana. Todavia, uma mídia que pede censura a fatos indiscutíveis sobre seu tentáculo mais poderoso não tem a menor moral para acusar o presidente da Venezuela de censor.

Veraz, minucioso, aterrorizante mesmo. “Beyond Citizen Kane” ou “Muito Além do Cidadão Kane” – em tradução livre - é um documentário britânico dirigido por Simon Hartog e exibido em 1993 pela emissora pública do Reino Unido, a BBC de Londres.
O documentário mostra as relações entre a mídia e o poder do Brasil, focando na análise da figura de Roberto Marinho, fundador da Globo. Embora o documentário tenha sido censurado pela justiça, em 2009 a Rede Record comprou os direitos de transmissão exclusiva, por 20 mil dólares, do produtor John Ellis.
A primeira exibição pública do filme no Brasil ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), em março de 1994. Um dia antes da estréia, a Polícia Militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando, em caso de desobediência, multar a administração do MAM-RJ. O secretário de cultura acabou sendo despedido três dias depois.
Durante os anos 1990, o filme foi mostrado em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. Em 1995, a Globo entrou com um pedido na Justiça para tentar apreender as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo (USP), mas o pedido foi negado. O filme teve acesso restrito a grupos universitários e só se tornou amplamente visto a partir do ano 2000, graças à popularização da internet.
NÃO DEIXE DE ASSISTIR