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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Polícia Federal: Oxi não é droga nova




Oxi é uma diferente forma de apresentação da cocaína
A Polícia Federal nega que o que se tem chamado de “oxi” seja uma nova droga e informou que tratará como padrão nacional a classificação do entorpecente como uma “diferente forma de apresentação da cocaína”.
Um estudo foi realizado pela PF a partir da análise de 20 amostras de “oxi” apreendidas pela Polícia Civil nas ruas e 23 de cocaína apreendidas pela PF em condições de tráfico internacional ou interestadual no Acre.
O Serviço de Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da PF, em Brasília, com a colaboração de equipe do programa de Perfil Químico das Drogas da PF (Projeto PeQui), identificou nas 23 amostras de cocaína teores da droga na faixa de 50-85% (média de 73%), sendo compostas predominantemente de cocaína “não oxidada”, na forma de pasta base.
Para as 20 amostras de “oxi”, foram observados teores de cocaína na faixa de 29-85% (média de 65%), sendo que quatro amostras apresentavam menores teores de cocaína (29-47%) e quantidades significativas de carbonatos, o que a PF informou serem típicos exemplos da cocaína na forma crack.
A PF identificou que não havia quantidades significativas de cal (óxido de cálcio) e de hidrocarbonetos (como querosene ou gasolina) nas amostras da droga analisadas. Sete amostras de “oxi” eram compostas por cocaína “não oxidada” e foram classificadas como pasta base de cocaína, e três amostras eram constituídas por cocaína que passou por algum refino oxidativo, sendo classificadas como cocaína base. O único adulterante encontrado nas amostras de “oxi” foi a fenacetina, cuja concentração em cinco amostras de cocaína era de 0,4-10%, enquanto sete amostras de “oxi” apresentaram índices de 0,4-22%.
De acordo com a PF, a análise de perfil químico das amostras de ‘oxi’ apreendidas no Acre indica que não existe uma ‘nova droga’ no mercado ilícito.
Segundo o estudo, o que se observa são diferentes formas de apresentação típicas da cocaína (sal, crack, pasta base, cocaína base) sendo arbitrariamente classificadas como ‘oxi’, sem que sejam utilizados para este processo critérios objetivos e técnicos.
Além do crack e da cocaína sal, os usuários têm consumindo diretamente pasta base (sem refino) e cocaína base (refinada) com elevados teores da droga (acima de 60% de cocaína), o que pode contribuir para “gerar pronunciados efeitos estimulantes e psicotrópicos e aumentar a possibilidade de efeitos deletérios como overdose”.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Saiba a diferença entre oxi, crack e cocaína

Drogas têm o mesmo princípio ativo e são usadas da mesma forma.

Diferença está no que é usado para transformar a cocaína em pedra.
O oxi é cada vez mais um problema de saúde pública no Brasil. A droga chegou ao país em meados da última década pelo Acre e pelo Amazonas, nas regiões das fronteiras com Bolívia e Colômbia. Agora, há registro de mortes no Piauí e a ameaça de que ela atinja o Sudeste. A Fundação Oswaldo Cruz já prepara um mapeamento da droga no território nacional.
A droga é derivada da planta coca, assim como a cocaína e o crack. Há diferenças, contudo, no modo de preparo. Existe uma pasta base, com o princípio da droga, e de seu refino vem a cocaína.
“A pasta base é como a rapadura e a cocaína é como o açúcar”, compara Marta Jezierski, médica psiquiátrica e diretora do Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
O crack e o oxi são feitos a partir dos restos do refino da cocaína. As três drogas possuem, portanto, o mesmo princípio ativo e um efeito parecido, que é a aceleração do metabolismo, ou seja, do funcionamento do corpo como um todo.
A diferença da cocaína para as outras duas está no que os especialistas chamam de “via de administração”.
Enquanto a primeira é inalada em forma de pó, as outras duas são fumadas em forma de pedra. Isso muda a forma como o corpo lida com a dose.
O pó da cocaína é absorvido pela mucosa nasal, que tem nervos aflorados, responsáveis pelo olfato. O efeito dura entre 30 e 45 minutos. No caso das outras duas drogas, a absorção acontece no pulmão, de onde ela cai na corrente sanguínea. O efeito dura cerca de 15 minutos, e por isso, é mais intenso que o da cocaína, o que aumenta o risco de que o usuário se torne um viciado.
“Quando menor a duração do efeito, mais viciante é uma substância”, afirma Jezierski.
“Se você usa uma que dá um 'barato' de 48 horas, você não precisa de outra dose tão cedo, mas se usa uma que dá um barato de 15 minutos e, em seguida, te dá depressão, vai querer outra dose”, explica a psiquiatra.
A grande diferença do oxi para o crack está na sua composição química. Para transformar o pó em pedra, o crack usa bicarbonato de sódio e amoníaco. Já o oxi, com o objetivo de baratear os custos – e atingir um número maior de usuários –, leva querosene e cal virgem.
Querosene e cal virgem são substâncias corrosivas e extremamente tóxicas. Por isso, o consumo do oxi pode levar à morte mais rápido que o crack – no qual o que é realmente nocivo é o princípio ativo da droga.
“A hipocrisia do suicídio é bem menor”, conclui Jezierski sobre o oxi, em relação ao crack.
By: G1, via Com textolivre

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O lado dos entorpecentes Ou maconha é de esquerda, cocaína é de direita

A teoria do cartunista Angeli é simples. "Maconha é socializante, todo mundo fuma no mesmo baseado e dá risada depois. Cocaína, não. É de quem tem, e você se submete a esse poder pra cheirar uma fileirinha no cantinho do mármore do banheiro." Por isso, em entrevista à revista Trip de agosto, ele disse que "cocaína é de direita e maconha é de esquerda".
Autorretrato/Grafar 
A fórmula foi empregada por ele para conseguir se livrar do vício mantido por 10 anos de inalação do pó sintetizado a partir de folhas de coca. Aparentemente funcionou, mas para alguém que considera – e demonstra isso em seu trabalho – seu ideário anarquista e punk, a década de "convívio" com o psicotrópico reacionário pode colocar a teoria em xeque.

Mês passado, o ator José de Abreu, em entrevista aoFutepoca, ofereceu a teoria de que "toda cachaça é de esquerda". Segundo ele, a chave para a compreensão está no fato de que a "relação da política com o prazer vem da esquerda".

Do ponto de vista do cartunista Angeli, a cervejinha consumida no boteco seria de esquerda. A caipirinha no churrasco, o vinho num jantar e a cachaça numa prosa, idem. Ao passo que o uísque tomado solitariamente em casa, estaria à direita. Pela análise de Zé de Abreu, seria preciso garantir prazer a qualquer desses processos para o vínculo se estabelecer.

Foto: Louise Joly/Wikipedia
O fato é que pensar nos entorpecentes com lado e posição no espectro político é curioso. Os opióides seriam de direita? A crítica de Karl Marx à religião, classificando-a de "ópio do povo" – numa das frases mais citadas e parafraseadas de sua bibliografia – por seu efeito analgésico, de euforia e posterior sonolência conferiria esse caráter? E isso seria ruim?










 By:Futepoca