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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cunha preso: fim da impunidade ou bode expiatório?

Caio Dezorzi
Na esquerda, há quem comemore a prisão preventiva de Cunha decretada pelo juiz Sergio Moro. Claro que dá gosto ver se dar mal um crápula político como Cunha, porém diria o filósofo holandês Espinoza “Nem rir, nem chorar, mas compreender!”.
A Operação Lava-Jato, por seu alcance e envergadura, pode ter muitos propósitos, mas nenhum deles é “acabar com a impunidade e a corrupção”, pelo contrário. Seu propósito central é manter o sistema capitalista, seu Estado e suas instituições; logo manter também a corrupção, que é inerente e intrínseca ao capitalismo.
O Poder Judiciário brasileiro está muito afinado com a burguesia imperialista internacional. Buscam salvar o Estado burguês brasileiro e suas instituições contra a revolta popular. Este alarme soou para eles com as Jornadas de Junho de 2013. Logo após, no início de 2014, deflagram a Operação Lava Jato. Seus principais objetivos políticos são:
  1. Promover uma renovação de representantes políticos da burguesia (compreenderam a necessidade disso para buscar salvar as instituições). E há referências históricas disso em outros países; a mais notável foi a “Operação Mãos Limpas” que promoveu uma renovação desse tipo na Itália nos anos 1990, levando a uma remodelação de todos os grandes partidos italianos.
  2. Criminalizar e desmoralizar o PT (a renovação já incluiria o PT, ainda mais quando este mostrou não ser mais útil como mantenedor da “paz social”, após junho de 2013) e com isso criminalizar todos os movimentos sociais e organizações da classe trabalhadora e da juventude (aqui é preciso dizer que isso vinha sendo operado com o apoio do próprio governo Dilma – por exemplo, Lei Antiterrorismo).
  3. Facilitar a concentração de capital para as grandes multinacionais do petróleo e da construção (por isso o cerco às empreiteiras nacionais privadas como Odebrecht, OAS, etc. e à petroleira estatal Petrobras).
Cunha articulou o impeachment de Dilma para tentar safar ele e seus comparsas desta faxina imposta pelo imperialismo e seus sócios menores burgueses através do Judiciário brasileiro. Isso está nítido nos grampos divulgados com conversas entre Romero Jucá e Sergio Machado. E os que de fato mandam no jogo, muito mais espertos que Cunha, deixaram que ele trabalhasse enquanto lhes era conveniente. Ele acabou ajudando em um dos objetivos da operação: desmoralizar o PT. Mas agora, chegou a sua vez. Resta saber se ele ainda terá cartas na manga para tentar ser varrido somente para debaixo do tapete. O mais provável é que façam de Cunha um bode expiatório para que a limpeza não vá “longe demais”. Certamente, Serras, Aécios, Alckmins, Calheiros, Temers e outros estão trabalhando para isso. Nenhum deles gostaria de uma delação premiada de Cunha. Mas ainda assim, Cunha pode negociar e delatar quem lhe for conveniente, poupando outros aliados. A mesma Lava-Jato pode ainda buscar condenar Lula, mesmo sem provas. Será uma decisão política e não uma consequência jurídica, assim como foi o impeachment de Dilma.
Romero Jucá e Sérgio Machado falavam claramente em uma das conversas grampeadas: "ELES querem pegar todos os políticos (...) Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...".
"ELES" são os seus amos imperialistas, que decidiram renovar seus representantes brasileiros, antes que o povo em revolta o faça. E os seus ex-representantes estão tentando se defender. O impeachment de Dilma foi um meio para chegar a um pacto que consideram necessário com o Supremo, para estancar a Lava-Jato. Mas não combinaram com os imperialistas. E os imperialistas estão medindo a temperatura para ver até onde devem levar a cabo sua faxina. Pretendem refundar a república sobre bases burguesas ainda mais submissas ao capital financeiro internacional – a PEC 241 que propõe congelar por 20 anos o orçamento nacional para engordar o pagamento de juros da dívida é uma amostra disso.
No meio desta guerra entre máfias brasileiras e setores do imperialismo e da burguesia nacional, nós devemos ganhar tempo para construir as forças do proletariado e varrer todos eles através de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte, que decrete a falência do Estado Burguês. Construir isto é o único caminho. Não é pra já, sabemos. Pode levar tempo. Mas as massas estão fazendo suas experiências. Demonstraram um claro rechaço ao sistema político burguês com o aumento de votos nulos, brancos e abstenções nas duas últimas eleições. Aprenderão a superar suas direções que só falam em Greve Geral da boca pra fora, e na prática desorganizam e rifam o movimento. Uma nova geração de trabalhadores, que hoje são estudantes ocupando escolas, virá. É provável que ainda haverá eleições burguesas no meio do caminho que não deverão ser ignoradas. Participaremos delas também, mas sempre levantando alto as consignas revolucionárias. E só assim asseguraremos que todos os Cunhas não sejam varridos para debaixo do tapete, mas para a lata de lixo da história, que é o lugar deles!
 Do: http://www.marxismo.org.br/content/cunha-preso-fim-da-impunidade-ou-bode-expiatorio

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Os homens de bem e suas prisões espetaculares


Da mesma forma que o artefato que explodiu na sede do Instituto Lula teve consequências mais morais que materiais, como um aviso do que pretendem fazer contra os "petralhas" os homens de bem desse "novo Brasil" que vai tomando forma, a prisão de José Dirceu tem justificativa e significado muito mais profundos que possa expor o texto do juiz Moro, autor da ordem para trancafiar o ex-ministro.

Na verdade, não se prendeu Dirceu. 

Foram trancafiados Lula e Dilma, a alta cúpula do PT, seus milhões de simpatizantes - e, por fim, jogou-se na cadeia um projeto de país menos desigual, com menos miseráveis e mais esperança.


O simbolismo da prisão de Dirceu é claríssimo: por tudo o que no Brasil se chama "imprensa" já imputou a ele, todas as maldades, crimes, desfeitas e traições que lhes foram atribuídas, o ex-ministro encarna a podridão absoluta do partido que ajudou a fundar e que, para desespero da oligarquia, chefia o Executivo nacional desde 2003.

Condenado em um processo político, Dirceu poderia estar no ostracismo, se não fosse a necessidade de, por falta de outros bodes expiatórios tão grandes, reconduzi-lo à ribalta.

Com direito a luzes, câmeras, muita ação - e, se possível, algemas.

Um dos principais responsáveis pela estratégia petista de poder, e, consequentemente, pelo êxito da política do governo Lula, político com invejável currículo de lutas democráticas, Dirceu é o homem certo para servir de exemplo: na falta do chefe, elimina-se um de seus antigos e principais lugares-tenentes, pois as pessoas precisam, de uma vez por todas, se convencer que este país tem dono.

As prisões curitibanas se entopem de ladrões, vigaristas, corruptos, corruptores, delatores e, principalmente, inocentes úteis.

Fora dela, os homens de bem constroem um país marcado pela injustiça, intolerância, ódio, brutalidade - um país que cultiva a infâmia.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/08/os-homens-de-bem-e-suas-prisoes.html

terça-feira, 5 de julho de 2011

Prisão só para crimes graves

A partir de agora, pessoas que cometerem crimes leves, punidos com menos de quatro anos de prisão, e que nunca foram condenadas por outro delito só serão presas em último caso. É o que prevê a Lei nº 12.403/2011, que altera 32 artigos do Código de Processo Penal. Anteriormente, quem se enquadrava nesses casos ou era encaminhado à prisão, caso o juiz entendesse que a pessoa poderia oferecer riscos à sociedade ao longo do andamento do processo, ou era solto.
Com as alterações, nove possibilidades entram em vigor.....