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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O pensamento binário é uma característica dos idiotas


"Você é daqueles que acham que criticar a polícia é defender bandido? O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo

Leonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu.

Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo. Se você acha que isso é impossível, sem problema: eles te dão uma mãozinha, taxando você.

Por exemplo, para esse tipo, se você critica a atuação da polícia em um operação realizada em uma comunidade pobre ou afirma que há suspeitas de envolvimento de policiais em uma chacina, é um defensor de bandidos, quer a morte de policiais e deseja beber o sangue de crianças sacrificadas em nome de algum demônio. O mais feio deles.

Como já disse aqui várias vezes, independentemente de policiais estarem ou não envolvidos na chacina de 18 pessoas em Osasco e Barueri (SP), precisamos debater profundamente nossa polícia. E isso não se resume a dar bônus a quem matar menos ou aulas de direitos humanos na academia. Passa por revisão sobre o papel, os métodos e o seu caráter em nossa sociedade. Porque o sistema se reproduz no dia a dia.

Alguns setores da corporação estão impregnados com a ideia de que nada acontecerá com eles caso não cumpram as regras.

Agem à margem da lei em nome do cumprimento da mesma lei – ao torturar para obter respostas, por exemplo. Ou passar por cima dela em proveito próprio – o que pode ser provado pela ação de milícias e grupos de extermínio integrados, muitas vezes, pela banda podre da polícia.

Outra parte, reunindo a maioria dos policiais, segue as regras, mas sabe que a mesma sociedade está pouco se lixando para eles e suas famílias. Pagamos salários ridículos, de fome, e exigimos que se sacrifiquem em nome do nosso patrimônio.

Mudanças incluem um processo de desmilitarização da polícia. As Forças Armadas são formadas para a guerra. Em última instância, militares são treinados para matar. A polícia, por outro lado, não está em guerra com seu próprio povo. Ao menos, não deveria.

Parte da população apoia esse tipo de comportamento policial. Gosta de se enganar e acha que se sente mais segura com o Estado agindo “em guerra” contra a violência – como se isso não fosse, em si, um contrassenso. Essas pessoas são seguidoras da doutrina: “se você apanhou da polícia é porque alguma culpa tem”.

E se não se importam com inocentes, imagine então com quem, posteriormente, é considerado culpado. Para eles, é pena de morte e depois derrubar a casa e salgar o terreno onde a pessoa nasceu, além de esterilizar a mãe para que não gere outro meliante.

Enfim, reforço a ideia do último texto: mais do que um país sem memória e sem Justiça, temos diante de nós um Brasil conivente com o terror como principal ferramenta de ação policial. Os métodos eram os mesmos incorporados pela polícia na ditadura? Ah, se for em nome da minha (pretensa e frágil) segurança, não importa. Tiro até selfie.

E como também disse aqui, a polícia é um instrumento. O instrumento de uma parcela da sociedade com um grupo de poder econômico para a qual os domínios fora de seu castelo são terra de ninguém. O que acontece lá, fica por lá, desde que as coisas continuem como sempre foram.

Afinal de contas, na maior parte das vezes os que morrem são pretos e pobres, inocentes, culpados, moradores, policiais.

*Leonardo Sakamoto é professor, jornalista e doutor em Ciência Política

sábado, 13 de agosto de 2011

De que são feitos os homens( segundo as revistas ditas"masculinas")



Geralmente tais idéias só me brotam na cachola quando estou em minha habitual "filada" de jornais e revistas que empreendo na hora do almoço, na banca perto do trampo. O proprietário do estabelecimento, que já sabe que trabalhei nesse ramo por um tempo, e que foi com a minha cara, não liga se eu "filo" um pouco demais. Na minha época eu não dava a mesma boiada pros vagabundos folgados...