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sábado, 4 de março de 2017

COMO GANHAR NA LOTERIA?

Entre as tentativas sem fim de se ganhar na loteria, a melhor delas é a do governo. Ele é o banqueiro. Fica com quase toda a grana e não precisa arriscar um centavo.


D. Pedro II proibiu no ano de 1884, em todo o Império, a venda de bilhetes de loteria. Eram estrangeiros! 

Na ausência do imperador, os bilhetes voltaram. O Brasil nacionalizou os jogos de azar. E olha quantos filhotes já nasceram: loteria esportiva, quina, dupla-sena, mega-sena, lotomania, lotofácil, timemania, totobol, loteria federal, raspadinhas. Esqueci algum?

Os estados também trataram de se virar e criaram as próprias loterias para fazer receita, hoje extintas. Nossa, quantas suspeitas de roubalheira! 

A iniciativa privada também foi atrás desses ovos da galinha de ouro e criou seus próprios joguinhos. Veja-se a tele-sena do ex-camelô e depois riquíssimo Sílvio Santos. É a capitalização da esperteza. Você compra os números e, se não for sorteado, o Sílvio te devolve um pouquinho do que você gastou. Tem de esperar um ano. Não rende nada.

E observem essa tal de capitalização, vendida pelos bancos. Igualmente, não rende nada. O otário do comprador, quando vai resgatar, só recebe o valor gasto. O cretino capitaliza o banco enquanto ele mesmo e sua família ficam descapitalizados. É um jogo. Perde-se sempre.
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"Perde os três contos/ no conto da loteria"
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Tolerados e camuflados persistem os bingos, caça-niqueis, roletas, bacarás, vinte-e-um, bisca, pôquer.

Ah, o imortal jogo do bicho! Ilegal, oficialmente tolerado, arrecada ouro puro para os seus banqueiros. Sem impostos. O jogo do bicho é tido pela criatura popular como a única instituição que funciona bem neste país. É o jogo mais confiável. Código de honra da loteria zoológica: ganhou, recebeu.

Mas, o respeitável público já sabe de tudo isto. O que ele quer mesmo saber é como ganhar na loteria. Há mais de 40 anos o matemático Flávio Wagner Rodrigues, da Universidade de São Paulo, fez uma análise das chances de se acertar na antiga Sena. Chegou à conclusão de que naquele jogo só ganhava o governo. Aliás, como já se pode constatar nas primeiras linhas desta lenga-lenga.

O matemático advertia que havia uma única chance em 16 bilhões de se acertar os seis números. É preciso ter muita fé em Deus para ganhar, já rezava aquele guru dos números. 

Vai ter fé em Deus assim no meio do mato, deputado João Alves, chamado anão do orçamento, alusão a mais um escândalo de corrupção que rendeu CPI, esta em 1993. 

Tido como chefe do bando, ele renunciou antes de ser cassado] disse ter ganhado 125 vezes na loteria, com a ajuda de Deus. Apesar do cheiro de enxofre que empesteava o ar...

Anotem alguns sortilégios para ganhar: fé em Deus. Os números das idades ou datas de nascimento dos membros da família. Números dos RGs e CPFs. As idades das muitas namoradas (quem não teve muitas joga menos). Os números dos códigos de barra dos supermercados. Os números das casas pelas quais o pobre que mora de aluguel já passou (foi como um sujeito se tornou milionário nos EUA). 

Ponho em prática esses aplicativos desde o começo do século passado. Já com um pé na cova e outro na sepultura, não ganhei nada até hoje.
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Não desisto. Coloco três montinhos de açúcar na mesa. À medida em que as moscas pousam, marco as colunas na loteria esportiva. Atenção, mosca à esquerda, coluna um. À direita, coluna dois. No meio, empate. Meu bendito pai, só olhando. Balança a cabeça e lamenta: posso ficar louco um dia, nunca se sabe, mas não vai ser desse jeito

Inventei um piãozinho de madeira de seis faces, com as colunas um, do meio e dois nos lados. Aí meu pai fala que vai rezar em favor do meu equilíbrio mental.

Ah, me deixem falar sobre os ateus que ganham na loteria. Espertíssimos, não rezam. Fraudam resultados. Houve manipulação de sorteios de jogos de futebol na Alemanha, Itália, Brasil e outras louvadas democracias.
Há uns 40 anos o jornalista Juca Kfouri denunciou na revista Placar a manipulação dos jogos da loteria esportiva daqui. Pela justiça anglo-saxã, os finórios seriam presos. Cá na patriamada, não!

Menos tempo atrás, a TV Globo denunciou uma quadrilha de integrantes de alto coturno que fraudava nossa rica mega-sena. O programa foi exibido às 3  da madrugada (para não provocar ondas de indignação?). 

No Equador, também há um tempão, uma quadrilha fez sair no primeiro prêmio da loteria federal os números todos iguais. Tudo zero. Assim dá na vista, malandros! Deu prisão.

No mês de janeiro do Ano de Nosso Senhor de 2006, o jornal Agora, de São Paulo, noticiou, sem muito alarde, a desconfiança dos apostadores na lisura da mega-sena. 

Duas coisas. Primeira: perguntem a qualquer um na rua, em casa, no trabalho, no metrô, no ônibus, no táxi, se alguém acredita na honestidade da mega-sena. Tenho perguntado muito. A resposta é sempre não

Segundo: impressionantes os seguidos recordes nos resultados da mega-sena. A cada sorteio, centenas de milhões de perdedores.
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Ótimo filme sobre bicheiros, baseado em peça teatral de Dias Gomes.

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/02/como-ganhar-na-loteria.html

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO É UM PERFEITO... HISTRIÃO!!!

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO É UM PERFEITO... HISTRIÃO!!!

Histrião: diz-se de um homem miserável e envilecido, que se faz notar pela abjeção dos atos que pratica. 

Histrionar é oferecer um espetáculo cômico, contrair a face grotescamente, vestir-se com espalhafato. Histrionar também significa pôr para fora a miserabilidade das dores humanas. Dá no mesmo.  

Se Caldas Aulete estiver certo nessas definições, está explicado por que alguns governantes, ao assumirem posturas histriônicas, podem estar praticando catarse, quer dizer, aliviando suas almas das próprias miserabilidades humanas. O perigo é que está em jogo a sobrevivência dos governados. 

Atemorizam o eleitorado tais governantes histriônicos empenhados a expulsar conteúdos internos tenebrosos. Nestes casos, agita-se a lei natural de sobrevivência dos súditos. 

Eu não conseguiria produzir mais do que uma notinha de umas 8 linhas sobre o tema. O assunto é bom mas não  estou bom para o assunto. Invade-me uma implacável indignação com o sarcasmo de histriônicos governantes, durante a propaganda eleitoral e a partir do instante em que assumem o poder.
Jânio Quadros, professor que se fingia de pobretão.

Governantes sérios pelo menos nas expressões faciais, com posturas comedidas, se não para merecerem credibilidade, indispensáveis para se cumprir educadamente o cerimonial do cargo e evitarem o ridículo. Esta é a exigência mínima para quem se satisfaz com a democracia que aí está.

Sem ânimo para listar pelo menos meia dúzia de personagens marcadamente histriônicos da vida do Brasil, falarei então de dois deles, um antigo, um atual.

O Brasil submergia na guerra civil da inflação de 100% ao ano, na estagflação, no assédio militar por golpes de estado, e eis que é premiado com um leve e solto Jânio da Silva Quadros, homem de discursos inflamados, a proibir, quando presidente, o uso de  biquínis nas praias e o acesso de funcionárias públicas ao trabalho de minissaia.
João Dória travestido de gari...
Candidato a presidente teatralmente descabelado, histrionicamente descabelado, Jânio vestia roupas amassadas, espalhava talco no paletó escuro para parecer caspento e ostentava sanduíches de mortadela nos bolsos. 

Eu sou um homem pobre! era um de seus bordões. varre, varre, vassourinha, varre varre a bandalheira, a música com que Jânio prometia acabar com a corrupção, equilibrar as finanças públicas e diminuir a inflação. O povo acreditou, o povo sempre acredita, tamanho o poder de convicção das histrionices. 

Possa falar? Jânio foi meu professor de Português e de minhas três irmãs no ginásio Vera Cruz, no Brás. Minha mente infantil já parodiava então as sagradas escrituras; as muitas letras que tinha o faziam delirar, supunha eu.

Passemos ao segundo histriônico a que me referi, permitam-me: João Agripino da Costa Dória Júnior, eleito prefeito de São Paulo 
...e comendo pastel de feira.

De antepassados abastados, ele mesmo um abastado às próprias custas. Nada contra. Como trabalha esse moço, desde criança! 

Os ricos, melhor dizendo osempreendedores oferecem o maior bem que um humano pode aspirar, que é o emprego. Muito bom. Pelo menos enquanto nosso cambaleante sistema capitalista e sua vampiresca globalização conseguirem se manter de pé. 

Pelo visto até agora, tais as histrionices trombeteadas desde o período da propaganda eleitoral até a posse, pode-se dizer ao mundo, não a São Paulo apenas, que esta quarta metrópole do planeta começa a ser governada por um garoto que se fantasiou de gari (feito um palhaço de vassoura na mão a varrer as ruas...), de poses estudadas para as câmeras como grande gestor. 

Não, não, esta não, não é verdade. Dória sempre esteve mergulhado até o pescoço, isto sim, nas lides políticas. 

Um ator que coloca tapumes e telas nos viadutos para ocultar moradores de rua. 

Que chega sôfrego, com o pêndulo da direita, para tirar o leite das crianças e o transporte escolar.  

Há nos histriônicos algo dos risos dos palhaços tristes.
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/o-excelentissimo-senhor-prefeito-e-um.html

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"VIDA, PAIXÃO E AGONIA DOS JORNAIS IMPRESSOS"


Há muito se profetiza o fim dos jornais impressos. 

Um apressadinho trombeteou que, nos Estados Unidos, eles baixariam à sepultura em 2017. Bem, o ano começou e eles continuam lá, só que nem firmes nem fortes: Wall Street JournalNew York TimesThe Boston Globe, os mais prestigiosos e influentes veículos da terra do Cidadão Kane sofrem contínuas quedas na tiragem. 

Foi no final da década passada que Francis Gurry, então cabeça da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, lançou a previsão furada do parágrafo acima. E também esta: “Os jornais no formato como os conhecemos hoje, vão desaparecer até 2040. Até essa data, todos os países do mundo devem fazer a transição do papel para o meio digital”. Gurry dizia que os sinais da mudança já se vislumbravam, como no fato de que as vendas de versões digitais de jornais superavam as registradas em bancas.

Outro necrólogo dos jornais, Philip Meyer, professor da Universidade da Carolina do Norte, em seu livro The Vanishing Newspaper,  concedeu uns bons aninhos a mais para os jornais em papel nos EUA, antes de expirarem inapelavelmente.

Segundo ele, de todos os meios antigos, são os jornais impressos os que mais espaço vêm perdendo para a internet, daí terem um encontro marcado com a morte no primeiro trimestre de 2043, “quando o último leitor estiver cansado e colocar de lado a última edição amarrotada”.

Chutes de datas à parte, a tendência é inequívoca. Tanto que, no último mês de março, The Independent se tornou o primeiro jornal britânico a ser publicado apenas em versão digital.

Na ocasião, El País, o jornal mais global em língua espanhola, anunciou que também preparava a transição para se tornar um veículo estritamente digital (o que não ocorreu até agora). E grandes jornais do mundo inteiro priorizavam em seus investimentos as melhoras nas edições digitais, sinal inequívoco de que não veem futuro nas edições impressas. 

Até porque o modelo de negócios dos ditos cujos está implodindo, à medida que os leitores jovens vão atrás de notícias nos tabloides gratuitos e na mídia eletrônica. A internet, com sua vastidão, energia e imediatismo, deixa pra trás, ofegantes, os sonolentos dinossauros de papel.

"ABAIXO A DITABRANDA!"

No Brasil, à parte jornais influentes assassinados pela ditadura militar implantada em 1964, como o sólido Correio da Manhã, a mortandade impressa por motivos naturais já chegou. 
Assim morre um jornal

Um dos outrora mais importantes do país, o Jornal do Brasil, antes de estrebuchar de uma vez por todas promoveu, inutilmente, uma radical reforma gráfica, que trouxe como grande novidade um novo formato, o berliner (veja mais sobre isto no antepenúltimo parágrafo).

Seguia receita usada por tradicionais periódicos europeus. Prático de manusear e carregar, mais agradável aos olhos das novas gerações, tal tratamento intensivo ao paciente terminal não deu, contudo, sobrevida nem a jornais bicentenários pelo mundo, que acabaram fechando.

Outro cadáver, o do Jornal da Tarde, do Grupo Estado, em São Paulo, foi sepultado no final de 2012. O motivo do falecimento, segundo seu criador Mino Carta, foi ter perdido a própria razão de ser:
"Toda a imprensa brasileira decaiu, mas a morte do jornal há de ser vista como conseqüência fatal da decadência do jornalismo impresso, cercado por forças novas, encaradas com perplexidade por este velho profissional, incapaz de imaginar o desfecho disso tudo".
Uma das forças novas (por enquanto ainda imperceptível) a cercar o jornalismo impresso e a minar suas forças, não é digital e sim ideológica. O saudoso professor Perseu Abramo avaliou, emPadrões de Manipulação da Grande Imprensa, que o jornalismo precisa se libertar de seu pior inimigo, que é a própria imprensa tal como ela existe hoje. 

O que é um jornal? Um punhado de cidadãos com dinheiro para comprar impressoras e montar infraestrutura de redação e distribuição para publicar o que eles querem que o público leia e não publicar o que eles não querem que o público leia, para o bem de seus próprios interesses econômicos, políticos e ideológicos. Numa palavra, manipulação das consciências. Perfeitamente democrático. Perfeitamente amoral.

Abramo foi além, captando outra tendência que, vampirescamente, drenaria o sangue das jugulares dos jornais: a de que as classes dominadas não mais teriam motivos para acreditar ou confiar na imprensa, em papel ou digital, muito menos para seguir suas orientações:
"Passariam a intensificar sua postura crítica, sua análise de conteúdo e forma, diante dos órgãos de comunicação. Por meio de seus setores mais organizados, contestariam as informações jornalísticas, fariam a comparação militante entre o real acontecido e o irreal comunicado, fariam a denúncia sistemática da manipulação e da distorção. Tomariam como uma de suas principais tarefas de luta a desmistificação organizada da imprensa e das empresas de comunicação". 
Um episódio emblemático neste sentido foi o contundente e abrangente repúdio, nas redes sociais e em manifestação de rua, a um editorial da Folha de S. Paulo que, em fevereiro de 2009, minimizou os horrores do regime militar, afirmando ter havido no Brasil uma mera ditabranda
  
UMA HISTÓRIA DE 2 MILÊNIOS

Enquanto isto, ao redor das tumbas dos jornais finados, ecoam os sussurros da fascinante história da imprensa escrita.
Acta Diurna, a vovó dos jornais
O primeiro jornal de que se tem notícia no mundo foi criado pelo imperador romano Júlio César em 59 a.C., para divulgar suas conquistas militares e informar o povo da expansão do Império, fazendo embutir, como bom marqueteiro que era, muita propaganda pessoal nos relatos.

Tratava-se da chamada Acta Diurna, publicado em grandes placas brancas de papel e madeira, que eram expostas nas principais praças das grandes cidades a fim de que as pessoas lessem de graça. Para escrevê-lo, surgiram os primeiros jornalistas, com a denominação de correspondentes imperais.

O formato, semelhante ao dos outdoors atuais, foi adotado porque a fabricação do papel era muito onerosa utilizando-se a tecnologia então conhecida em Roma (desde 105 a.C. já se fabricava papel a partir de fibras vegetais na China, mas a novidade ainda não havia chegado no Mediterrâneo).

Passamos então pela prensa de Gutenberg, inventada em 1438; e tivemos na Revolução Francesa o maior impulso de um dos mais antigos métodos de impressão, a tipografia, com a publicação de 1.500 títulos na época, duas vezes mais que no século e meio anterior a 1789. 

Inventamos, nestes 578 anos transcorridos desde o surgimento da prensa, velocíssimos, nítidos e econômicos métodos de impressão em superfícies lisas ou não, chamados, entre outros, de off-set, flexografia, rotogravura, litografia, tampografia, xerografia.

Ao chegarmos no ano de 2006, resolvemos diminuir o tamanho do velho jornalão, que ora xingamos de mastodonte. Os primeiros de menor tamanho circularam e ainda circulam pelo mundo e também no Brasil, denominados padrão berliner, imagens e textos curtos pipocando em seu formato de 47 x 37,5 centímetros, um pouco menor do que o tabloide.
Jornal  de Marat, o mais emblemático da Revolução Francesa

Ingressamos na era do plasma, um pedaço de papel eletrônico, espécie de plástico dobrável, para pôr no bolso. Uma tela portátil, denominada e-reader, de 12,2 por 16,3 centímetros. Impresso e alimentado via internet sem fio, a rotatividade das notícias é monitorada via digital. Encostamos a ponta da unha e pronto, temos sempre novas e novas notícias.

Não há jornal impresso que resista ao furacão de avanços tecnológicos a que chegamos neste século 21 e das tempestades eletrônicas que se avizinham. 

E os avanços ideológicos nas classes dominadas, estes igualmente carregam a alça do esquife dos jornais impressos rumo ao cemitério.
 (por Apollo Natali)https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/01/apollo-natali-vida-paixao-e-morte-dos.html

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ASSIM FALOU O HOROSCOPISTA ACIDENTAL


"O ano de 2017 vai enriquecer a sua personalidade. Você terá mais força, mais persistência e mais equilíbrio. Um bom ano para encontrar a paz interior. Até setembro haverá grande necessidade de autoaperfeiçoamento no plano global e um aumento de consciência coletiva. Muitos de nós vamos nos conseguir fazer entender, reivindicar e abrir uma nova era."
(horóscopo pinçado na web: espertalhões
falam sempre o que os otários querem ouvir)
Ano novo, esperançosa temporada de se buscar novos e floridos caminhos.

Sucede que, desde que pela primeira vez senti cheiro das donzelas, em inacreditáveis verdes anos, venho empregando um procedimento científico para ver como são agora as amazonas de tal ou qual signo, em relação ao meu. 

Sempre fiz questão de combinar com elas. Pois não é uma vereda cheia de flores? Hoje, empoeirado pelo chão desértico de tantos atalhos explorados, acabei por concluir: quem ama e pensa, não ama, pensa. 

O procedimento científico que usei é a perseverante observação, complementada pela comparação, indução e dedução. 

Ridículo. Homem de sucesso com as mulheres é aquele alto, topetão, voz de trovão, de formas agradáveis, proporções harmônicas, graça exemplar da evolução das espécies, de Charles Darwin.

Então. Antes de começar namoro, os da minha espécie inferior se defendiam esquadrinhando os signos. 

Meu bondoso e paciente pai me disse que ele poderia ficar pirado um dia, neste mundo qualquer um está sujeito; mas não seria fazendo essa pesquisa, desde os verdes anos até os maduros. 

Pior era um amigo meu, da Mooca, darwiniano legítimo, verdade, cara do ator italiano Marcello Mastroianni melhorado. Ele contava piadas para as namoradas e quando a eleita do seu coração abria a boca para rir, se exibisse um resquício de cárie anti-darwiniana no mais longínquo molar, o namoro não engatilhava.    

Então. É a evolução das espécies, ora.

Curiosamente, nas minhas observações, via uma mulher de tal ou qual signo, virtuosa, e uma outra, do mesmo signo, nem tanto. Via um colega sacerdote de um signo e outro, do mesmo signo, com problemas com a polícia. Um violento de um signo e outro um carneirinho do mesmo signo. Alguns com muita sorte de um signo e outros do mesmo signo, nem tanto. 

Conclusão científica: o signo não tem nada a ver com o caráter nem com a lei das probabilidades de bem suceder. Deve ter algo a ver com o humor.

Minhas observações mostram, sim, que o signo não pode determinar o caráter de alguém. Se não, vejamos. 
Acredite quem quiser...
Deduções: o destruidor de vidas Hitler era de Áries. Alma doce, mundialmente querido, Charles Chaplin, um dos maiores críticos do próprio Hitler, também era de Áries. Este que vos aborrece escrevendo estas mal traçadas linhas, igualmente é de Áries. Desato a soluçar até em inauguração de posto de gasolina.

Dizer que, por carregar nas costas tal ou qual signo, alguém é bondoso ou mau, líder ou liderado, honesto ou desonesto, que pode viajar de avião ou não pode, que deve ser prudente ao volante, que está sujeito a gripe, que vai receber uma carta, que precisa ficar calmo, resistir às tentações e que terá negócios fáceis com Júpiter na triangulação, mas precisa cuidar da alimentação, é dose. Tomada de cena: sorrisinho crítico de quem ouve falar nessas coisas.

No entanto, minhas honradas investigações me levaram a uma conclusão muito séria. Trata-se mais de uma percepção e isto não se explica cientificamente.Tenho a minha percepção e vocês têm as suas. 
Vejam bem: somos influenciados por tudo o que nos cerca, palavras, atitudes, o berro no ouvido, as belezas naturais, a cruel força bruta, os humanos bondosos por natureza, o céu bordado de estrelas, a água transparente do mar, o furacão, o regato, essa lindeza de águas límpidas a descer cambaleando pelas matas como louco, qual bêbado deixando o bar de madrugada.

Quando faz sol, temos um humor. Quando não faz, outro. Quando é lua cheia, um. Quando não, outro. Vivemos ou não hipnotizados por tudo o que nos cerca? Nosso humor não estaria condicionado a tais forças, esses enormes globos flutuando no cosmo, girando, afastando-se, aproximando-se? Não estaria o nosso humor influenciado pela criação ao nosso redor? 

Então. As almas que nascem sob determinadas influências, em tal ou qual momento, com tal e qual lua, com tal e qual planeta, não seriam, talvez, possuidoras de tal ou qual fluído, uma energia, uma atmosfera (achei!) que pode ou não combinar com as das outras pessoas? Não é complicado.

Então. As atmosferas se entrechocariam ou se afinariam, dando bom casamento ou não, boas amizades ou não, relações comerciais ricas ou não. Mas daí a dizer, como ouvi de um amigo, que por ser de tal signo tinha direito a sete mulheres, é o fim do mundo, embora um aprazível fim do mundo. O que o astrólogo dizia é que no planeta Terra existe uma proporção de sete mulheres para cada homem, e desta bênção não se pode reclamar.

Então. Minha brincalhona pesquisa revela que, se uma pessoa pôs tanta amargura em teu pobre coração, estimado leitor, ou leitora, sejam quais forem os seus signos, as suas atmosferas não se casaram. O certo, então, seria cada um procurar a suaatmosfera gêmea, ou trigêmea, pouco importa, sem se amargurar.

Quanto ao meu signo, nas minhas observações de décadas, constatei que num ponto os horoscopistas parecem ter alguma razão: eles dizem que Áries combina com Aquário, Sagitário e Leão.  Destes três, para mim, tem sido melhor Leão. No entanto, já ouvi mulher de Leão dizer que detesta Áries. Durma com um barulho desses.

Com mulher de Leão, eu sou mais eu, embora já tenha combinado, e bem, e as pesquisas não explicam, com Aquário, Áries, Gêmeos, Capricórnio, Câncer, Libra, Touro. Com todos os signos. 

E com que excelência coexisto com a doce mulher de Touro! Quer saber mais? Sabe aquele olhar estonteante, aqueles lábios de seda? Essa hipnótica expressão do rosto feminino acaba com a minha pesquisa, essa é que é a verdade. Mas que signo!

Estas questões não devem preocupá-los, amáveis leitores e leitoras, sejam vocês de tal ou qual signo. Com a Lua minguante em sextil a Júpiter e Saturno, nada a temer em 2017.  

Mas, ouçam os astros! Eles, os astros, estão certos em recomendar cautela ao manobrar o carro em ruas movimentadas e ficar esperto ao atravessar a Radial Leste. 
(por Apollo Natali)
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/divagacoes-de-um-horoscopista-acidental.html

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O APLICATIVO DA SUBTRAÇÃO DE BENS ALHEIOS FOI INSERIDO NAS COSTELAS QUE FORMATARAM O HOMEM. COMO REMOVER?

ENSAIO SOBRE A SUBTRAÇÃO
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Não se iludam: o ser humano não presta! 

Um professor de Direito da USP começava cada aula recitando solenemente tal imprecação.  

Exposta a récita com autoridade de catedrático, a sentença soava desconcertante. O calouro é demasiado impressionável. Balancei no meu idealismo, pois acreditava que o curso de Direito poderia me qualificar a fazer alguma coisa de bom para o Brasil. 

No entanto, a sobressaltar minha santa ingenuidade, outro professor ressaltava que a Faculdade de Direito era o escoadouro das profissões indefinidas. 

Mais um outro me arremessava então diretamente para o abismo da descrença. Sentenciava, off the record, que o jovem começa a trilhar o caminho da corrupção política quando ingressa na Faculdade de Direito. Por coincidência, a maioria dos ditos representantes do povo no governo procede das escolas de Direito. 

Após sofrer violentíssimo trote em 1964, discursei no palanque de pedra do Largo São Francisco. Um pouco ensanguentado, para a multidão que se reuniu eu clamei: daqui saem os políticos que vocês elegem e deixam vocês peladinhos. Aqui estão os que estudam com o dinheiro de vocês.

Verdadeiramente, parlamentares corruptos transformam a democracia e o espaço republicano numa caverna de Ali Babá. 

Utopia: se fossem todos honestos o Brasil seria o país respeitado que todos sonhamos. Que pena.  

Há vida no entorno do quadrilátero das leis? – eu me desesperava.

Fazer o que para meu país, eu me perguntava no meio de 400 alunos do período da manhã, debaixo das decantadas arcadas. 

Como ajudar meu Brasil a se depurar das conseqüências de suas raízes de 358 anos de regime escravagista, três períodos monárquicos absolutistas e 50 presidentes da República, cada um deles sempre despertando esperanças natimortas de melhora das condições de vida dos brasileiros?

Já disse isto em algum lugar: do descobrimento até o chamado Governo Geral, a então Terra de Santa Cruz vivera sob o signo do arbítrio, campo fértil para livres roubalheiras. Para tomar posse da terra definitivamente e defendê-la contra invasores e ladrões de ouro, madeira, território, Portugal instalou em 1549 tal governo. 

Os três governadores gerais, o militar Tomé de Souza e os fidalgos Duarte da Costa e Mem de Sá, são identificados pela História como sobejamente corruptos. 

Todo homem é fraco e ladrão, rezava Tomé de Souza. Ele sofria de uma doença chamadamedo da pobreza.  Será este o embrião da compulsão para subtrair?   
Tomé de Souza de mão estendida... para receber o que

Pois é o que venho rastreando, tal porquê multimilenar de os integrantes da espécie humana, em sua brevíssima peregrinação pela terra, subtraírem bens, direitos, corações, afetos. Meter a mão em tudo o que não é deles.

A cada três horas nasce um ladrão no mundo, garantia antiga pesquisa trabalhada pelo país das pesquisas, os Estados Unidos. Hoje seriam três minutos?

Nem mesmo uma pitadinha de religião desvenda o enigma: por que o ser humano vive a subtrair? Segundo a Revelação, o coração de todo ser humano é corrupto. A corrupção está dentro do homem e profundamente instalada. Há uma tendência para a corrupção, desde a tenra idade. O ser humano é corrupto por natureza. Caramba!!!      

Minha santa ignorância encoraja-me-me tão somente a me valer deste ensaio para cavocar um mínimo de entendimento sobre esta doença incurável de se subtrair intermitentemente bens materiais e morais. E o ensaio, como já opinei em algum lugar por aí, é um texto em que se rodeia um determinado tema, envolvendo-o, cercando-o e o emboscando, para, no fim, muito se falar e nada se dizer. E que culpa tenho eu?

Meu catedrático, se estiver certo, e está (quero ver quem vai conseguir provar o contrário!), não circunscreve em sua sentença apenas aquela cultura de corrupção despachada para o Brasil nos costados das caravelas. A endemia de subtrair não contagiaria só àqueles portugueses rijos. 

Ensaiando ainda, prosseguindo na tentativa de destrinchar o porquê do eterno movimento repetitivo de subtrair, imagino que o poder maior que criou os homens deve ter esquecido de tirar o aplicativo da subtração inserido nas costelas que os formataram. Brincadeirinha.

O ser humano não presta, o homem é fraco e ladrão, o Direito é o ralo das profissões indefinidas, a corrupção política começa na Faculdade de Direito. Que ensino tencionavam compartilhar meus queridos professores da Academia? 

O Brasil é o país mais corrupto do mundo. Também já disse isto em algum lugar.

Este o bordão que faltou nas faixas e nos gritos durante os protestos populares de junho de 2014, a reivindicarem saneamento político. Os manifestantes se arrepiavam de emoção diante do Hino Nacional mais belo do universo, mas talvez não tenham se dado conta de que neste quesito de subtrair, o Brasil dá de goleada no resto do mundo. 

Ao tempo dos protestos nas ruas, disseram as cartas dispostas na mesa em pesquisa da Transparência Internacional. que os brasileiros consideram corruptos ou muito corruptos os políticos e instituições como o Congresso, a polícia, o sistema de saúde, o Judiciário, o funcionalismo público, imprensa, Ong's, Igreja. Estão tecnicamente empatados com os outros países em nível de corrupção nossas Ong's, a imprensa, a Igreja, o setor privado e o militar.

Dia vai dia vem, nos 5l6 anos de existência do país, os brasileiros têm convivido conformada e pacificamente com a impune subtração dos bens públicos, sem ao menos entrever-se um quê de trovejar para despertar deste sono profundo. 

Investigações, julgamentos e prisões, circunscritas ao âmbito da Petrobrás, acabaram por diagnosticar tamanho alastramento de ilicitudes em outras áreas, que autoridades dignas de serem ouvidas admitem uma corrupção metastática, um câncer espalhado por todo este imensoBrasil, il, il, il, de 8 milhões e 542 mil quilômetros quadrados de extensão.

O despertar recente da justiça e a boa porção de prisões pontuais tornaram mais difícil para os corruptos a aceitação, por parte dos bancos do exterior, de depósitos sem origem clara. 

Mas vai continuar a doer na alma do brasileiro a inviabilidade de se punir cerca de 300 políticos de mais de 20 partidos, listados por uma empreiteira com apelidos e valores registrados para cada um deles.

Monstruosidade de alma talvez seja a resposta que procuro para entender porque o homem, como um sepulcro, é branco por fora e podre por dentro, segundo ainda a pitadinha de religião.

Meditemos de passagem sobre quatro engenharias recentes de subtrações, a constatar a ilimitada monstruosidade de alma dos roubadores e a provocar ânsia de vômito até em quem não é tão ladrão assim:
— fraude na compra de aparelhos para implante em pacientes com mal de parkinson deu prejuízo de R$ 13,5 milhões no Hospital das Clinicas de São Paulo. Esquema durou seis anos. Sem licitação, itens que custavam R$ 27 mil saiam por R$ 114 mil. Uma centena de pacientes ficou sem tratamento.  
— fraudes no Teatro Municipal de São Paulo desviaram de realizações de espetáculos mais de R$ 20 milhões. 
— R$ 100 milhões subtraídos de empréstimos destinados a servidores públicos.  
— Sabe aquela comidinha distribuída para as crianças-estudantes, denominada de merenda escolar? Furtada em R$ 36 milhões. Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de São Paulo teatralizou demoradamente sem nada parir o assalto ao estômago da meninada. 
Acabar com o foro privilegiado, em que políticos, ministros e altos executivos públicos habitam os palácios da impunidade, poderá ser um golpe no fígado dos maiores subtraidores. Pode mudar os rumos do país.  Tomara se torne uma bola de neve. Mas, resta ainda por explicar a natureza corrupta da espécie humana. 

A amenizar um pouco o revirar do estômago provocado por miríades de ladroíces, entre elas as que abalam as estruturas das maiores estatais do país, contamos com  a genialidade do poeta português Almeida Garrett. 

Com graça e mordacidade, ele encerra este ensaio reprovando, indignado, a atividade repulsiva do cavaleiro andante da subtração: 
"Esse monstro!... e das garras sanguinárias. (...) Roubais a miseranda pátria?"
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/o-aplicativo-da-subtracao-de-bens.html