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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Vaticano e a pedofilia

Cartilha usada para os novos bispos reforça a omissão da Igreja Católica com os casos de abusos sexuais em suas fileiras

A Igreja Católica mostrou na semana passada, mais uma vez, que não está preparada, nem sequer disposta a enfrentar a chaga da pedofilia em suas entranhas. Em meio ao desconforto e à vergonha causados pelas centenas de vítimas de padres pedófilos espalhadas pelas dioceses do mundo, o Vaticano afirmou que não é necessariamente dever dos bispos denunciar situações de abusos sexuais por parte de elementos do clero. Cabe a eles apenas lidar internamente com as acusações. Quem deve denunciar formalmente a situação às autoridades são as vítimas ou as famílias das vítimas. Essa posição é contrária ao Comitê Pontifício para a Proteção de Menores, criado pelo papa Francisco para conter justamente essa escalada de abusos. Segundo essa comissão, denunciar esses casos é, acima de tudo, uma obrigação moral. Orientações tão divergentes, dentro das colunas da Praça São Pedro, mostram por que a Igreja Católica comandada pelo bem-intencionado Francisco continua omissa diante desses crimes pavorosos que continuam impunes. E, mais do que isso, seguem acontecendo nas paróquias pelo mundo.
VATICANO-04-IE.jpg
EM SEGUNDO PLANO 
Nas instruções, pouco se fala sobre a prevenção aos novos casos de pedofila
A orientação de que os bispos não precisam denunciar tem sido dada durante o curso de formação de bispos recém nomeados. “De acordo com as leis civis de cada país onde a denúncia é obrigatória, não é necessariamente dever dos bispos entregar os suspeitos às autoridades, polícia ou procuradores, no momento em que tomam conhecimento destes crimes ou ações pecaminosas”, lê-se no documento. As instruções foram redigidas pelo padre francês Tony Anatrella, consultor do Concílio do Pontificado para a Família e conhecido por ter considerado que “a homossexualidade desestabiliza a sociedade”.
Nas mesmas instruções, são poucas as referências à prevenção do abuso sexual a menores no interior da Igreja Católica, o que deveria ser a prioridades
http://oblogdoabelha.blogspot.com.br/2016/02/152-o-vaticano-e-pedofilia.html

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O PAPA E O ESTRUME DO DIABO



Por Mauro Santayana, em seu blog

(Jornal do Brasil) - O Papa Francisco está sendo amplamente atacado na internet, por ter dito, em  cerimônia, em Roma, que “o dinheiro é o estrume do diabo” e que quando se torna um ídolo “ele comanda as escolhas do homem".

Acima e abaixo da cintura, houve de tudo. 

De adjetivos como comunista, “argentino hipócrita”, demagogo e outros aqui impublicáveis, a sugestões de que ele se mude para uma favela, e - a campeã de todas - que distribua para os pobres o dinheiro do Vaticano. 

É cedo, historicamente, para que se conheça bem este novo papa, mas, pelo que se tem visto até agora, não se pode duvidar  de que daria o dinheiro do Vaticano aos pobres, tivesse poder para isso, não fosse a Igreja que herdou dominada por nababos conservadores colocados lá pelos dois pontífices anteriores, e ele estivesse certo de que essa decisão fosse resolver, definitivamente, a questão da desigualdade e da pobreza em nosso mundo. Inteligente, o Papa sabe que a raiz da  miséria e da injustiça não está na falta de dinheiro mas na falta de vergonha,  de certa minoria que possui muito, muitíssimo,  em um planeta em que centenas de milhões de pessoas ainda vivem com menos de dois dólares por dia. 

E que essa situação se deve, em grande parte, justamente à idolatria cada vez maior pelo dinheiro, o estrume do Bezerro de Ouro que estende a sombra de seus cornos sobre a planície nua, os precipícios e falésias do destino humano.               

Em nossa época, deixamos de honrar pai e mãe, de praticar a solidariedade com os mais pobres, com os doentes, com os discriminados e  os excluídos, para nos entregar ao hedonismo. 

Os pais transmitem aos filhos, como primeira lição e maior objetivo na existência, a necessidade não de sentir, ou de compreender o mundo e a trajetória mágica da vida - presente maior que recebemos  de Deus quando nascemos - mas, sim, a de ganhar e acumular dinheiro a qualquer preço. 

Escolhe-se a escola do filho, não pela abordagem filosófica, humanística, às vezes nem mesmo técnica ou científica, do tipo de ensino, mas pelo objetivo de entrar em uma universidade para fazer um curso que dêgrana, com o objetivo de fazer um concurso que dê grana, estabelecendo, no processo, uma “rede” de amigos que têm, ou provavelmente terão grana

Favorecendo, realimentando,  uma cultura voltada  para o aprendizado e o compartilhamento de símbolos de status  fugazes e vazios, que vão do último tipo desmartphone ao nome do modelo do carro do papai e da roupa e do tênis que se está usando. 

O que determina a profissão, o que se quer fazer na vida, é o dinheiro. 

Escolhe-se a carreira pública, ou a política, majoritariamente, pelo poder e pelas benesses, mas, principalmente, pelo dinheiro. 

Montam-se igrejas e seitas, também pelo poder, mas, sobretudo, pelo dinheiro.

Até mesmo na periferia, assalta-se, mata-se, se morre ou se vive - como rezam as letras dos funks de batalha ou de ostentação - pelo dinheiro. 

Para os mais radicais, não basta colocar-se ao lado do capital, apenas como um praticante obtuso e entusiástico dessa insensata e permanente “vida loca”. 

É necessário reverenciar aberta e sarcasticamente o egoísmo, antes da solidariedade, a cobiça, antes da construção do espírito, o prazer, antes da sabedoria. 

É preciso defender o dindin - surgido para facilitar a simples troca de mercadorias - como símbolo e bandeira de uma ideologia clara, que se baseia na apologia da competição individual desenfreada e grosseira, e de um “vale tudo” desprovido de pudor e de caráter, como forma de se alcançar riqueza e glória, disfarçado de  eufemismos que possam ir além do capitalismo, como é o caso, do que está mais na moda agora, o da “meritocracia”. 

Segundo a crença nascida da deturpação  do termo, que atrai, como um imã, cada vez mais brasileiros, alguns merecem, por sua “competência”, viver, se divertir, ganhar dinheiro. Enquanto outros não deveriam sequer ter nascido - já que estão aqui apenas para atrapalhar o andamento da vida e do trânsito. Melhor, claro,  se não existissem - ou que o fizessem apenas enquanto ainda se precise - ao custo odioso de quase 30 dólares por dia - de  uma faxineira ou de um ajudante de pedreiro.   

O capitalismo está se transformando em ideologia. Só falta que alguém coloque o cifrão no lugar da suástica e  comece a usá-lo em estandartes, lapelas e braçadeiras, e que em nome dele se exterminem os mais pobres, ou ao menos os mais desnecessários e incômodos, queimando-os, como polutos cordeiros, em fornos de novos campos de extermínio. 

Disputa-se e proclama-se o direito de ter mais, muito mais que o outro, de receber de herança  mais que o outro, de legar mais que o outro, de viver mais que o outro, de gastar mais que o outro, e, sobretudo, de ostentar, descaradamente, mais que o outro. Mesmo que, para isso, se tenha de aprender dos pais e ensinar aos filhos, a se acostumar a pisar no outro, da forma mais impiedosa e covarde. Principalmente, quando o outro for mais “fraco”, “diverso” ou pensar de forma diferente de uma matilha malévola e ignara, ressentida antes e depois do sucesso e da fortuna, que se dedica à prática de uma espécie de bullying que durará a vida inteira, até que a sombra do fim se aproxime, para a definitiva pesagem do coração de cada um, como nos lembram os antigos papiros, à sombra de Maat e de Osíris.   

  

A reação conservadora à ascensão de Francisco, depois do aparelhamento, durante os dois papados anteriores, da Igreja Apostólica e Romana por clérigos fascistas, e da renúncia de um papa  envolvido indiretamente com vários escândalos, que comandou com crueldade e mão de ferro a “caça às bruxas” ocorrida dentro da Igreja nesse período, se dá também nos púlpitos brasileiros. 

Não podendo atacar frontalmente um pontífice que diz que o mundo não é feito, exclusivamente, para os ricos, religiosos que progrediram na  carreira nos últimos 20 anos, e que se esqueceram de Jesus no Templo e do Cristo dos mendigos, dos leprosos, dos aleijados, dos injustiçados, proferem seu ódio fazendo política nas missas - o que sempre condenaram nos padres adeptos da Teologia da Libertação - ressuscitando o velho e baboso discurso  de triste memória,  que ajudou a sustentar o golpismo em 1964. 

O ideal dos novos sacerdotes e fiéis do Bezerro de Ouro é o de um futuro sem pobres, não para que diminua a desigualdade e aumente a dignidade humana, mas, sim, a contestação aos seus privilégios. 

Em 1996, em um livro profético - “L´Horreur Economique”, “O Horror Econômico” - a jornalista, escritora e ensaísta francesa, Viviane Forrester, morta em 2013, já alertava, na apresentação da obra, para o surgimento desse mundo, dizendo que estamos no limiar de uma nova forma de civilização, na qual apenas uma pequena parte da população terrestre encontrará  função e emprego. 

“A extinção do trabalho parece um simples eclipse - afirmou então Forrester - quando, na verdade, pela primeira vez na História, o conjunto formado por todos os seres humanos é cada vez menos necessário para o pequeno número de pessoas que manipula a economia e detêm o poder político... 

dando a entender que diante do fato de não ser mais “explorável”, a “massa” e quem a compõe só pode temer, e perguntando-se se depois da exploração, virá a exclusão, e, se, depois da exclusão, só restará a eliminação dos mais pobres, no futuro. 

O culto ao Bezerro de Ouro, ao dinheiro e ao hedonismo está nos conduzindo para um mundo em que a tecnologia tornará o mais fraco teoricamente desnecessário. 

A defesa dessa tese, assim como de outras que são importantes para a implementação paulatina desse processo, será alcançada por meio da implantação de uma espécie de pensamento único, estabelecido pelo consumo de um mesmo conteúdo, produzido e distribuído, majoritariamente, pela mesma matriz capitalista e ocidental, como já ocorre hoje com os filmes, séries e programas e os mesmos canais norte-americanos de tv a cabo, em que apenas o idioma varia, que podem ser vistos com um simples apertar de botão do controle remoto, nos mesmos quartos de hotel - independente do país em que se estiver - em qualquer cidade do mundo.        

As notícias virão também das mesmas matrizes, em canais como a CNN, a Fox e aBloomberg, e das mesmas agências de notícias, e serão distribuídas pelos mesmos grandes grupos de mídia, controlados por um reduzido grupo de famílias, em todo o mundo, forjando o tipo de unanimidade estúpida que já está se tornando endêmica em países nos quais - a exemplo do nosso - impera o analfabetismo político. 

E o controle da origem da informação, da sua transmissão, e, sobretudo dos cidadãos, continuará a ser feito, cada vez mais, pelo mesmo MINIVER, o Ministério da Verdade, de que nos falou George Orwell, em seu livro “1984”, estabelecido primariamente pelos Estados Unidos, por meio da internet, a gigantesca rede que já alcança quase a metade das residências do planeta, e de seus mecanismos de monitoração permanente, como  a NSA e outras agências de espionagem, seus backbones, satélites, e as grandes empresas  norte-americanas da área, e a computação em nuvem, identificando rapidamente qualquer um que possa ameaçar a sobrevivência do Sistema.    

O mundo do Bezerro de Ouro será, então - como sonham ardentemente alguns - um mundo perfeito, onde os pobres, os contestadores, os utópicos - sempre que surgirem -   serão caçados a pauladas e tratados a chicotadas, e, finalmente, perecerão, contemplando o céu,   nos lugares mais altos, para que todos vejam, e sirva de exemplo, como aconteceu com um certo nazareno chamado Jesus Cristo, há 2.000 anos. 

No: http://blogdoitarcio.blogspot.com.br/2015/04/o-papa-e-o-estrume-do-diabo.html

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fiéis da JMJ: “Graças a Deus não existem gays na África”


Participante da JMJ, peregrina africana diz que não há casais gays em São Tomé e Príncipe (Foto: Maurício Tonetto)

Graças a Deus’ não existem gays na África, dizem peregrinos da JMJ que acompanham o Papa Francisco no Brasil


Se as posições da Igreja Católica sofrem resistência de grupos anti-homofobia no Brasil e em várias partes do mundo, o mesmo parece não acontecer em São Tomé e Príncipe, na África. A condenação da prática homossexual da Igreja está alinhada com parte da população local, conforme relatos de peregrinos nesta terça-feira na centenária paróquia Nossa Senhora de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

É o caso de Eva de Carvalho, 48 anos, que dá “graças a Deus” ao dizer que “não existe isso (homossexuais)” em seu país. Ela é originária do país africano, que conta com uma população predominantemente católica (70,3%, segundo senso realizado em 2001). Eva diz que o tema sequer é abordado por lá.

Itola Lima, 62 anos, também de São Tomé e Príncipe, faz coro com a amiga ao dizer que não existe homossexualidade em seu país e faz uso da Bíblia para condenar a prática. “Deus fez um homem e uma mulher”, argumenta.

O assunto, no entanto, não deverá ser tema de debate nos dias de Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro. Com intenção de reunir fiéis e alcançar os menos religiosos, a Igreja – a exemplo do Papa, em sua primeira declaração no País – deverá evitar temas mais controversos.

Entre quarta e sexta-feira, diversas paróquias da cidade vão oferecer catequeses sob a temática central do evento (“Ide e fazei discípulos” – um mandamento de Jesus, segundo a crença cristã). As pregações serão feitas em vários idiomas e a abordagem será menos profunda, justamente para contemplar os não-iniciados nos assuntos religiosos e os estrangeiros que não dominam o português.

“O objetivo é anunciar o evangelho. É levar Cristo a todas as nações, como é o tema da Jornada. Fazer com que todos experimentem profundamente a fé em Jesus Cristo”, explica o padre Pedro dos Santos, da paróquia Nossa Senhora de Copacabana, que espera receber 2 mil pessoas nos três dias de catequese.

Papa Francisco no Brasil

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 ocorre entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, realizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o Papa. A última edição da JMJ ocorreu em 2011, em Madri, na Espanha, e reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, de mais de 190 países. O JMJ 2013 marca também a primeira grande visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março deste ano.”

sábado, 11 de maio de 2013

Bolsa-estupro: abaixo assinado contra projeto que condena as mulheres


Bolsa estrupo - Estatuto do Nascituro (PL 478/2007). Entre outros absurdos, o projeto prevê que o Estado uma espécie de "bolsa-estupro" às mulheres que engravidarem de um estupro, e dá direito de paternidade ao estuprador.

Bolsa-estupro: abaixo assinado contra projeto que condena as mulheres
Postado em: 10 mai 2013 às 11:57
PL 478/2007
Bolsa-estupro: abaixo assinado contra projeto que condena as mulheres

LANÇADO ABAIXO-ASSINADO CONTRA PL QUE INSTITUI O “BOLSA ESTUPRO”. PROJETO RETROCEDE DIRETOS JÁ CONQUISTADOS, COMO O QUE AUTORIZA O ABORTO PRATICADO POR MÉDICO EM CASOS DE ESTUPRO E DE RISCO DE VIDA PARA A MÃE

O movimento de mulheres lançou uma petiçãona Avaaz.org para mobilizar a sociedade contra a proposta do Estatuto do Nascituro, que concede direitos ao embrião humano logo após a concepção e oferece benefício financeiro mensal às vítimas de estupro que engravidarem e não interromperem a gestação. Já foram reunidas mais de 8 mil assinaturas contra o PL conhecido como Bolsa Estupro.

De acordo com o texto, mesmo o embrião gerado a partir de um estupro não deve sofrer restrição de direitos e discriminação e deverá receber pensão alimentícia do pai, se identificado, ou do Estado. O PL dá o mesmo status jurídico e moral de pessoas nascidas e vivas. Ou seja, o embrião terá mais direitos que a mulher, mesmo quando for resultado de estupro.

Para as organizações feministas, o projeto retrocede diretos já conquistados como o artigo 128 do Código Penal, que autoriza o aborto praticado por médico em casos de estupro e de risco de vida para a mãe. “É preciso muita luta dos movimentos sociais para impedir a aprovação deste projeto que derruba qualquer direito de as mulheres decidirem pela interrupção da gravidez, mesmo em caso de risco de vida da mulher, anomalia grave (como anencefalia) e estupros, já garantidos por lei no Brasil”, diz um trecho de uma nota divulgada recentemente pela União Brasileira de Mulheres (UBM).

“O avanço rumo à aprovação do chamado “Estatuto do Nascituro”, deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e as instituições que o perpetuam, ao longo dos séculos: controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino das mulheres”, completa a nota.

Outra conquista recente foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de incluir, nessa lista, os casos de anencefalia. Existe, ainda, uma Norma Técnica para Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes, publicada pelo Ministério da Saúde, em 1998, que orienta os serviços de saúde a oferecerem apoio laboratorial para diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis; prevenção profilática de DST; garantia de atendimento psicológico; coleta e guarda de material para futura identificação do agressor por exame de DNA; administração de anticoncepção de emergência (até 72 horas da agressão); interrupção da gravidez até 20 semanas de idade gestacional; acompanhamento pré-natal, quando a mulher decidir pela não-interrupção.

O projeto estava na pauta de votação da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados de quarta-feira (8), onde sofreu adequação financeira e orçamentária. De acordo com a página da Comissão, no site da Câmara, o PL não foi votado. Ele deverá ser incluído novamente na pauta entre segunda-feira (13) e sexta (17), quando estão previstas duas reuniões da comissão. Caso seja aprovado na Comissão de Finanças, seguirá para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara.

Para acessar o abaixo-assinado contra o Bolsa Estupro clique aqui.

Para acompanhar a tramitação do projeto na Comissão de Finanças e Tributação da Câmaraclique aqui.


A consultora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Kauara Rodrigues, lembra de dois casos recentes de estupros. Ela critica o fato de, enquanto o Brasil precisa explicar estupros coletivos como o de uma turista estrangeira em uma van, no Rio de Janeiro, ou o cometido contra um grupo de mulheres em Queimadas, no interior da Paraíba, o Congresso Nacional se ocupa com esse tipo de projeto.

“O PL propõe que o Estado seja cúmplice do crime hediondo de estupro, legitimando a violência sexual no país, ao invés de investir em políticas de segurança pública e de saúde voltadas para as mulheres”, afirma.

O movimento de mulheres defende que o aborto deve ser tratado como caso de saúde pública e alerta para a rede de atendimento e acolhimento de mulheres vítimas de estupro, que ainda é bastante limitada. O número de Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher é de apenas 387. Se incluir os núcleos de atendimento em delegacias comuns, o número sobe para 520, o que não representa nem 10% dos 5.564 municípios brasileiros. São disposnibilizados em todo país 63 serviços, em hospitais públicos, de aborto legal.
Religião

Se for mais além no texto do projeto, apesar de não estar expressa literalmente, a questão religiosa está colocada de alguma forma, tendo em vista que algumas religiões são contrárias ao aborto sob qualquer justificativa. Desse ponto de vista, ele seria inconstitucional por ferir princípios da Constituição Federal, que estabelece um Estado laico (sem religião) e garante direitos fundamentais à liberdade de crença, pensamento e igualdade de todos.

Ainda sob o aspecto religioso, o uso da pílula do dia seguinte, implantada na rede de saúde pública em 2002, é condenado por religiões, como a Católica. No entanto, ela pode contribuir para a redução do número de abortos, principalmente os praticados clandestinamente.

No início de 2012, a Organização das Nações Unidas (ONU) chamou a atenção do país para o grande número de mulheres vítimas de aborto inseguros: 200 mil mulheres ao ano. Segundo pesqusa realizada pela Universidade de Brasília, em parceria com o Instituto Bioética e o Fundo Nacional de Saúde, cerca de 15% da população feminina brasileira, entre 18 e 49 anos, já abortaram.

Projeto inviabiliza pesquisa com células-tronco

Outro ponto questionado do PL é a definição para nascituro e as penas previstas, no artigo 25, para quem “Congelar, manipular ou utilizar nascituro como material de experimentação” o que inviabilizaria as pesquisas com célula-tronco no País, utilizadas em terapias de combate à diversas doenças. O conceito de nascituro, segundo o PL, inclui os seres humanos concebidos “in vitro”, os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito.

Deborah Moreira, Portal Vermelho

domingo, 17 de março de 2013

"Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino da Terra", Chico 2.0





A mídia está querendo transformar o novo Papa em aliado de sua luta contra os governos populares da América Latina (berço da Teologia da Libertação). Pode vir a ser, mas acho difícil. Essa luta não é o foco atual da igreja Católica e um escorregão nessa direção pode atrapalhar na sua questão principal, que é a luta contra o avanço dos evangélicos, basicamente os pentecostais e neopentecostais. Ao contrário do medievalismo católico, que oferece como única alternativa “concreta” a felicidade no Reino do Céu, os evangélicos acenam com riquezas bem terrenas a seus fiéis. A partir dessa diferença básica e com uma estratégia de marketing bem mais agressiva, os evangélicos arrebanham fatias cada vez mais expressivas das estatísticas católicas (principalmente nas áreas urbanas, com suas franjas lumpen). No Brasil, o maior país católico do mundo, de 1970 para 2010, a participação do catolicismo caiu de 91,8% para 64,6%, enquanto a participação dos evangélicos pulou de 5,2% para 22,2%. (Destacamos que, na Argentina, as estatísticas de 2008 mostram 75,5% de católicos contra 9% de evangélicos – mas com grande crescimento desses últimos, o que também ajuda a explicar um Papa argentino.)
Diante dessa realidade infernal, à igreja Católica – agora sob nova direção –, interessa muito mais aliar-se aos governos populares do que forçá-los a uma aproximação do universo evangélico. Se o Papa Francisco nos tempos das ditaduras foi conivente ou omisso, é uma questão que vai se tornar um “não foi nada disso”. E em vez de oferecer riquezas imateriais, a igreja Católica passará a acenar com riquezas mais palpáveis, capazes de abafar o canto da sereia evangélico. Para isso, terá que apoiar as políticas sociais e fugir como o diabo foge da cruz da política de terra arrasada dos neoliberais. "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”, como diz Lucas 6.20? Nem pensar. O mote é outro, surge a possibilidade de uma nova aliança popular. E quem saltou na frente estendendo a mão para esse novo acordo político-religioso foi o presidente Maduro, da Venezuela, que atribuiu aos conselhos do “apóstolo” Chávez a escolha do novo Papa. Apesar desse Papa estar sendo visto (com razão) com certa desconfiança por parte da esquerda,  pode estar sendo lançada a Nova Igreja Católica Popular da América Latina.
(“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.” Lucas 6.24 e 25)
blogdogadelha

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sacerdote mostra pornografia por engano durante reunião com pais

A Igreja Católica da Irlanda confirmou nesta segunda-feira que investiga um sacerdote que, por engano, mostrou imagens pornográficas quando conversava com um grupo de pais em um colégio primário de Pomeroy (Irlanda do Norte).

Em comunicado, o primaz irlandês, cardeal Séan Brady, informou que o sacerdote Martin Mcveigh "mostrou, sem se dar conta, imagens inapropriadas" no início de uma "apresentação de Power Point, o que causou inquietação entre os presentes".

"O sacerdote declarou que não tem conhecimento das ofensivas imagens. A arquidiocese entrou em contato imediatamente com a PSNI (Polícia da Irlanda do Norte) que de acordo com as provas disponíveis disse que não havia delito algum", afirmou Brady.

A máxima autoridade católica na Irlanda acrescentou que Mcveigh "coopera com uma investigação sobre este assunto, realizada pela arquidiocese".

Segundo um comunicado redigido pelos pais dos alunos, o fato aconteceu no dia 26 de março na Saint Mary''s School durante uma reunião na qual o religioso conversaria sobre a Primeira Comunhão, e pelo menos um menor estava presente.

A nota explica que imagens de homens apareceram na tela depois que Mcveigh introduziu um cartão de memória em seu computador portátil.

"Agitado e nervoso", continua o texto, o sacerdote extraiu o cartão rapidamente e abandonou a sala sem oferecer "explicação alguma ou desculpas".

A reunião com "um coordenador e professores" continuou em sua ausência, mas os "pais que viram as imagens estavam horrorizados e distraídos".

Mcveigh retornou "20 minutos depois" e retomou sua apresentação, que concluiu com a advertência aos pais de que "as crianças recebem dinheiro demais por sua Primeira Comunhão e deveriam considerar dar uma parte à Igreja".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Escândalo de corrupção por vazamento de cartas abala Vaticano


 


O Vaticano foi sacudido por um escândalo de corrupção nesta quinta-feira (26) depois que a investigação de uma televisão italiana informou que uma autoridade do alto escalão foi transferida após reclamar sobre irregularidade na concessão de contratos.


O programa “Os Intocáveis”, transmitido na respeitada rede de televisão privada L7, mostrou na noite desta quarta-feira (25) o que disse ser cartas enviadas em 2011 pelo arcebispo Carlo Maria Vigano, então vice-governador da Cidade do Vaticano, a seus superiores, incluindo ao papa Bento 16, sobre a corrupção.


O Vaticano emitiu uma declaração nesta quinta-feira criticando os “métodos” usados na investigação jornalística. Mas confirmou que as cartas são autênticas ao expressar “tristeza pela publicação de documentos reservados”.


Como vice-governador da Cidade do Vaticano por dois anos entre 2009 e 2011, Vigano era o número dois de um departamento responsável pela manutenção de jardins, edifícios, ruas, museus e outros pontos de infraestrutura da minúscula cidade-Estado.


Atualmente embaixador do Vaticano em Washington, Vigano disse nas cartas que, quando assumiu o cargo em 2009, descobriu uma rede de corrupção, nepotismo e clientelismo associados à concessão de contratos a companhias de fora com preços inflacionados.


Transferência


Em uma carta, Vigano conta ao papa sobre uma campanha difamatória contra ele (Vigano) promovida por outras autoridades do Vaticano que queriam a sua transferência porque estavam insatisfeitos com as medidas drásticas que ele havia tomado para poupar o dinheiro do Vaticano ao racionalizar os procedimentos.


“Santo Padre, minha transferência agora provocaria desorientação e desestímulo aos que acreditaram que era possível limpar tantas situações de corrupção e de abuso de poder enraizadas na administração de tantos departamentos”, escreveu Vigano ao papa em 27 de março de 2011.


Em outra carta ao papa em 4 de abril de 2011, Vigano afirmou ter descoberto que a administração de alguns investimentos da Cidade do Vaticano havia sido confiada a dois fundos gerenciados por um comitê de banqueiros italianos “que cuidava mais de seus interesses do que dos nossos”.


No dia 22 de março de 2011, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, informou que Vigano estava sendo retirado de seu posto, embora ele devesse ter ficado no cargo até 2014.


(Reuters)
(Blog do Eliomar)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para líder católico, mulheres que abortam merecem ser estupradas



Javier Martínez considera que o
aborto é mais grave do que crimes
provocados pelo nazismo.

O arcebispo de Granada, na Espanha, Javier Martínez, causou polêmica no domingo, dia 31/12, durante uma missa, ao afirmar que o estupro é válido em mulheres que já fizeram aborto.

Para Martínez, “matar uma criança dá ao homem a licença absoluta, sem limites, de abusar do corpo desta mulher, porque ela trouxe a tragédia para a própria vida”. As informações são do jornal argentino Diario Registrado.

O religioso espanhol realizava sua homilia no último dia do ano e aproveitou para criticar a lei do aborto, na Espanha. A lei, aprovada pelo governo de José Luis Zapatero (2004-2011), aprovada no primeiro ano do antigo governo, legalizava o aborto para mulheres com até 14 semanas de gravidez, ou em 22, no caso de risco para gestante.

Entretanto, o dispositivo poderá ser revogado pelo recém-empossado governo do PP (Partido Popular), de tendência conservadora e ligado à Igreja Católica.

O arcebispo comparou a medida com o regime nazista de Adolf Hitler. Para ele, os crimes cometidos pelo regime alemão não eram tão repugnantes quanto o ato do aborto.

O aborto na Espanha
Em 2010, ano em que o Ministério da Saúde conduziu o último senso nacional do gênero, a Espanha registrou um total de pouco mais de 100 mil procedimentos abortivos em todo seu território. Desse montante, mais de 46% dos casos envolveram mulheres com idade entre 20 e 29 anos. Apenas 4% das pacientes abortaram naquele ano por conta de gravidez de risco, enquanto cerca de 43% tomaram a decisão com base em vontade própria.

Entre 2001 e 2010, o aumento na quantidade de procedimentos abortivos em clínicas autorizadas foi gradual e constante. Em 10 anos, o crescimento desse número foi de aproximadamente 62%. A preferência massiva das mulheres foi por estabelecimentos privados.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Por que e Natal: origem da riqueza acumulada pela Igreja Católica

Anotações de Aleppo
(Papa LeónX)"A igreja é a maior de todas as corrupções imagináveis."
(O filósofo Friedrich Nietzsche)"Nós realmente queimar com a luxúria, e enquanto vociferantes contra o dinheiro, encher nossos potes de ouro, e nada será suficiente."
(O bispo Jerônimo)
As riquezas da Igreja Católica:
O Vaticano tem o segundo maior tesouro de ouro no mundo



. ■ No italiana "Oggi" tesouro revista ouro no Vaticano, em uma "informação especial" foi colocado atrás os EUA, como o segundo maior do mundo: 7.000 milhões de liras = 3500000000 Euros. Em comparação, o valor do tesouro de ouro no estado da Itália é "apenas" 400 bilhões de liras. Isso foi em 1952. Qual é o tamanho atual do tesouro do Vaticano? Calcular o aumento do valor, então o valor do ouro hoje seria 63% maior. Com a venda do tesouro do Vaticano, de acordo com o tempo de uma eventual pagamento, poderia ter produzido um ganho de 650%.E aqui uma pergunta:
. Como é que esta riqueza do Vaticano enorme em ouro?.....

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Jesus, o policial e o cardeal (Ratos e Urubus)

Estarrecido, o Brasil soube na segunda-feira do Carnaval de 1989 que Jesus aplica a pena de morte e não se mistura com mendigo nem favela.

O anticristo da pena capital é o investigador Celso Jesus da Cruz, da polícia de São Paulo, que espremeu 50 presos na manhã de domingo numa cela minúscula de 1,5 por 3 metros. Três horas depois, quando apareceu ali o espírito mais cristão do juiz-corregedor para abrir a porta daquele inferno, 18 presos estavam mortos por asfixia.
O Cristo alheio à miséria está encarcerado na mente estreita do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles, que apelou para a Justiça dos Homens para evitar que a imagem do Cristo Redentor abrisse a o desfile de miseráveis da Beija-Flor na iluminada passarela da Marquês da Sapucaí.
O Jesus de São Paulo e o Cristo do Rio de Janeiro são as duas faces de um mesmo e dramático flagrante da rotina de insensatez e incompreensão humanas que afundaram este país. No zelo extremado pela lei e pela fé, o agente da Ordem e o pastor de Deus usaram e abusaram da mesma dose de intolerância que acabou em morte, em São Paulo, e culminou no ridículo, no Rio.
O policial quis punir exemplarmente os amotinados de uma delegacia paulistana que acomodava 63 pessoas onde não cabem mais do que 26 — e socou 50 deles numa cela de castigo, sem uma única janela, com capacidade para apenas cinco presos. “É um castigo que jamais irão esquecer”, praguejava o Jesus da polícia, advertindo aos que duvidavam de seu sermão: “Aqui quem manda sou eu”.
No Cristo Redentor, quem manda é o cardeal Eugênio Salles, que atravessou na passarela do samba com uma liminar da Justiça proibindo o desfile de uma imagem do Filho de Deus no carro abre-alas da Beija-Flor. O genial Joãozinho Trinta idealizou um desfile de lixo e pobreza no maior espetáculo de luxo e riqueza do mundo, trazendo para o sonho do carnaval a realidade nem sempre colorida do grande drama social deste Brasil de ratos e urubus, a sétima maior economia do ocidente no enredo de José Sarney.
Foi um banho de criatividade, lirismo, bom humor e sensibilidade do carnavalesco, mas o arcebispo não se empolgou. Nesta cruzada pela salvação do homem aqui na Terra, dom Eugênio Salles está na obrigação, agora, de apelar ao Supremo Tribunal Federal para embargar o verdadeiro Cristo Redentor, lá no alto do Corcovado, com os braços escancarados sobre os três milhões de mendigos e favelados, um terço da população carioca.
O que, convenhamos, é uma imoralidade.
* Luiz Cláudio Cunha era diretor da sucursal de O Estado de S.Paulo em Brasília em 1989
No blog do Gilson Sampaio,Via SUL 21

quinta-feira, 24 de março de 2011

SAI, CAPETA! BISPO CATÓLICO QUE TENTOU FAZER CAVEIRA DE DILMA NA ELEIÇÃO PROCESSA JORNAL DE SÃO BERNARDO (E PEDE SIGILO DE JUSTIÇA!!!)

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Deu no ABCD Maior

Depois de sustentar, em 2010, campanha para identificar com a defesa do aborto a então candidata à presidência Dilma Rousseff, o bispo da Diocese de Santo André, Nelson Westrupp, resolveu pedir indenização, em dinheiro, ao jornal ABCD Maior. O bispo alega ter sofrido danos morais por conta de reportagens publicadas pelo jornal. Além de aceitar a denúncia, o Poder Judiciário atendeu ao pedido do bispo de segredo de justiça ao processo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dê as costas para a Igreja Católica Apostólica Romana



Não escondo de ninguém o quanto eu abomino certas instituições. E uma delas, talvez a principal, é a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).
É, aquela mesma, sediada no Estado da Cidade do Vaticano, o qual constitui a menor teocracia do mundo, e chefiada por um sujeito que se considera o representante de um deus na Terra, o Papa.
De antemão já deixo claro que, a priori, nada tenho contra os representantes e/ou os fiéis dessa instituição.

sábado, 30 de outubro de 2010

“É importante não sermos vítimas de hipocrisia”

É importante que na intervenção do Papa na política interna do Brasil acerca do tema do aborto, tenhamos presente este fato para não sermos vítimas de hipocrisia: nos catolicíssimos países como Portugal, Espanha, Bélgica, e na Itália dos Papas já se fez a descriminalização do aborto (Cada um pode entrar no Google e constatar isso). Todos os apelos dos Papas em contra,  não modificaram a opinião da população quando se fez um plebiscito. Ela viu bem: não se trata  apenas do aspecto moral,  a ser sempre considerado (somos contra o aborto), mas deve-se atender também a seu aspecto de saúde pública. No Brasil acada dois dias morre uma mulher por abortos mal feitos , como foi publicado recentemente em O Globo na primeira página. Diante de tal fato devemos chamar a polícia ou chamar médico? O espírito humanitário e a compaixão nos obriga a chamar o médico até para não sermos acusados de crime de omissão de socorro.

Curiosamente, a descriminalização do aborto nestes países fez com que o número de abortos diminuisse consideravelmente.
O organismo da ONU que cuida das Populações demonstrou há anos que quando as mulheres são educadas e conscientizadas, elas regulam a maternidade e o número de abortos cai enormente. Portanto, o dever do Estado e da sociedade é educar e conscientizar e não simplesmente condenar as mulheres que, sob pressões de toda ordem, praticam o aborto. É impiedade impor sofrimento a quem já sofre.
Vale lembrar que o canon 1398 condena com a excomunhão automática quem pratica o aborto e cria as condições para que seja feito. Ora, foi sob FHC  e sendo ministro da saude José Serra que foi introduzido o aborto na legislação, nas duas condições previstas em lei: em caso de estupro ou de risco de morte da mãe. Se alguém é fundamentalista e aplica este canon, tanto  Serra quanto  Fernando Henrique estariam excomungados. E Serra nem poderia ter comungado em Aparecida como ostensivamente o fez. Mas pessoalmene não o faria por achar esse cânon excessivamente rigoroso.
Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez.  Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz ao feto, por não ter os orgãos todos preparados, apelou para este canon 1398 e excomungou os medicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.
Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez.  Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz é edicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.
É bom que mantenhamos o espírito crítico face a esta inoportuna intervenção do Papa na política brasileira fazendo-se cabo eleitoral dos grupos mais conservadores. Mas o povo mais consciente tem, neste momento, dificuldade em aceitar a autoridade moral de um Papa que durante anos, como Cardeal, ocultou o  crime de pedofilia de padres e de bispos.
Como cristãos escutaremos a voz do Papa, mas neste caso, em que uma eleição está em jogo, devemos recordar que o Estado brasileiro é laico e pluralista. Tanto o Vaticano e o Governo devem respeitar os termos do tratado que foi firmado recentemente onde se respeitam as autonomias e se enfatiza a não intervenção na política interna do pais, seja na do Vaticano seja na do Brasil.
Um abraço fraterno
Leonardo Boff