Mostrando postagens com marcador balcão de negócios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador balcão de negócios. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de novembro de 2016

Temer e a realpolitik petista


O impeachmeant, não obstante execrado pela militância pró-governo, foi o ato final da realpolitik petista, este eufemismo "elegante" que o marketing político adotou para tentar legitimar uma política de alianças que está - mesmo no âmbito latino-americano - entre as mais imorais e antirrepublicanas já praticadas por um partido nascido e ainda tido (por alguns desavisados) como de esquerda.

O surto de ulrapragmatismo acometeu o PT após as três derrotas presidenciais de Lula e inclui, por um lado, a transformação do outrora ameaçador e desgrenhado líder petista no "Lulinha paz e amor" de Duda Mendonça, com fala mansa e conciliadora, ternos bem-cortados e barba aparada. De outro, o expurgo das mais combativas correntes internas do partido, em um processo cujo maior símbolo foi a expulsão de Heloísa Helena, em 2003, em decorrência de sua posição ante a reforma da Previdência (a primeira de uma série de tungas contra os aposentados promovidas pelos governos petistas).


Sem limites

Daí em diante, foi um verdadeiro vale-tudo: em um elasticismo desprovido de afinidades programáticas ou limites éticos, a tal da realpolitik - saudada e defendida com unhas, dentes e sarcasmo pela mesma militância, que não fez auto-crítica e  que hoje urra contra o PMDB - aliou o petismo a Sarney, Collor, Maluf, Kassab, Delcídio, Kátia Abreu, "bispos" diversos, além de uma miríade de figuras do baixo clero. 

Dentre elas, um tal de Eduardo Cunha, desde sempre um escroque de baixo escalão, cuja ascensão no Rio foi patrocinada pelo mesmo consórcio PT/PMDB que elegeu Paes e Cabral e bancou - com aplausos entusiasmados mesmo em setores que se diziam de esquerda - o Estado policial simbolizado pelas UPPs, responsável, em 2013 e durante a Copa do Mundo, pela maior repressão a manifestações públicas das três décadas de democracia pós-ditadura.
Em tal cenário, só a ignorância plena, a má-fé ou o fanatismo induzem à conclusão de que, nos governos Lula e Dilma, o "Mensalão", "o Petrolão" e a corrupção disseminada são exceções, esquemas pontuais e secretos sobre os quais os governantes possam alegar desconhecimento - e não a consequência óbvia e direta de tal política de alianças.


Choque de realidade

Ainda assim, açulada por um governismo cego e fanático que durante anos foi predominante na blogosfera e nas redes sociais, uma "guinada à esquerda" foi desde o início anunciada em relação aos governos petistas, tendo cumprido um papel relevante (ou mesmo decisivo) nas últimas eleições - como parte fundamental do estelionato eleitoral no qual incorreu a candidata vencedora. 
Enquanto isso, no mundo real, o governo que findou "exibiu os piores índices de reforma agrária e de demarcação de terras indígenas da história, cortou verbas da Educação, extingue direitos trabalhistas e sucateia o SUS", como aponta a psicóloga e psicanalista Vera Rodrigues, em sua corajosa carta-resposta a um desses manifestos ditos pró-democracia que proliferaram nos últimos tempos, recheados de signatários que se omitiram covardemente nas diversas vezes em que o massacre aos índios, aos jovens (e não tão jovens) manifestantes e à população não branca ou periférica manchou e relativizou a democracia brasileira em anos recentes, sob chancela governamental.

Cortina de fumaça

Claro está que, com o arco de alianças forjado pela realpolitik petista, qualquer "guinada à esquerda" jamais passou de miragem. Ele serviu, no entanto - e muito bem - ao modelo predatório e arcaico de desenvolvimento instalado no país, o qual, por sua vez, foi decisivo na instrumentalização das grandes negociatas que, mesclando dinheiro público a interesses privados, serviram ao enriquecimento de uns e à(s) eleição(ões) de outros, como as evidências judiciais colhidas no bojo da Lava-Jato - mesmo com os recentes desvios de conduta que macularam pontualmente a operação - atestam (a tal respeito, defende Vera Rodrigues: "Os excessos da Operação Lava Jato, ou do juiz de primeira instância que a conduz, devem ser combatidos nas esferas jurídicas e políticas que dizem respeito ao Judiciário como um todo, e ao Estado Policial, fomentado por esse governo sempre que lhe interessou").

Liquidação geral

Mesmo antes do recrudescimento do impeachment, a pauta priorizada por Dilma II, após ter atacado direitos trabalhistas - ao alterar regras do seguro-desemprego, de pensões por invalidez e do seguro-defenso - era aumento de impostos via volta da CPMF e (mais uma) "reforma" da Previdência (leia-se tunga em aposentados, com violação de direitos adquiridos). Calcula agora, com o Planalto transformado em balcão público de negócios e alguns dos partidos mais retrógrados do país com amplo poder de chantagem sobre a presidente!

Estado de farsa

Em tal cenário e após tantos anos, continuar a propagar (e a acreditar em) qualquer laivo de esquerdismo ou progressismo ou o nome que se queira dar a políticas que priorizem o social, o desenvolvimento sustentado e os Direitos Humanos por parte desse governo é não apenas irreal - é deliberada e escandalosamente mentiroso.

domingo, 29 de setembro de 2013

E os partidos brotam como grama. Ou será como erva daninha?



O saudoso Leonel Brizola dizia que programa partidário se encontra à venda em qualquer banca de revista.
Longe de querer menosprezar a política, Brizola, com a sua frase, apontava para um dos maiores problemas da jovem democracia brasileira, que é a falta de substância ideológica dos partidos.
A afirmação do ex-governador foi feita há uns 20 anos.
Permanece atual.
É só ler o noticiário, que informa sobre a criação de mais duas agremiações no país, uma tal de Solidariedade, criada pelo notório Paulinho da Força, e outra cuja sigla é Pros, abreviatura de Partido Republicano da Ordem Social, criada por um obscuro político de nome Eurípedes Júnior, ex-vereador de Planaltina do Goiás.

Os dois partidos nascem com o objetivo de ascender ao poder - da pior maneira.
O Solidariedade, que plagia o nome da organização sindical polonesa que derrubou o comunismo no país, está aí para servir ao PSDB, mais especificamente ao senador Aécio Neves e sua tentativa de suceder Dilma Rousseff.
Nenhuma novidade nisso.
O notório Paulinho da Força é dessas pessoas que fazem da vida pública um meio de resolver problemas da vida privada.
Já o Pros foi criado com a ajuda de integrantes do governo federal e deve, portanto, abrigar parlamentares do chamado "baixo clero" que não se acham confortáveis em seus partidos e veem esse novo como uma oportunidade para melhorar seus cacifes.
Claro que apoiando o governo. 
Com os dois, já são mais de 30 partidos no Brasil.
É impossível que em meio a tantos, de tão diferentes orientações ideológicas, os nossos políticos não achem nenhum que caiba em seus figurinos.
Mas o movimento de proliferação de siglas não para por aí.
Há ainda a Rede marineira, patrocinada por poderosos empresários que apostam numa "terceira via" como a melhor maneira de derrotar o "lulopetismo", e até organizações de extrema direita.
Por trás de todos existe uma rede de negócios extremamente dinâmica e uma legislação que permite essa deturpação de propósitos.
Nesse ritmo, em breve o país poderá comemorar a criação do seu 100º partido político em pouco tempo.
E a tão necessária reforma política vai ficando cada vez mais distante. 
Já é quase um palavrão...
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2013/09/e-os-partidos-brotam-como-grama-ou.html