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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

As sete marcas de chocolate que usam trabalho escravo infantil

“Os espancamentos eram parte da minha vida.” Esse é o depoimento de uma das crianças libertadas das fazendas de cacau que fornecem matéria-prima para empresas como Mars, Nestlé e Hershey. Estas marcas foram acusadas judicialmente, em 2015, de enganar seus consumidores ao afirmar que “sem querer” financiavam o mercado do trabalho escravo infantil do chocolate na África Ocidental.

Grave bem esta imagem para quando for comprar chocolate  
Crianças de 11 a 16 anos (e por vezes até mais jovens) são submetidas a até 100 horas de
trabalhos forçados em fazendas de cacau
Investigações feitas para a produção do documentário Escravidão: uma investigação global descobriram que crianças entre 11 e 16 anos (algumas vezes até mais novas) são obrigadas a trabalhar em plantações isoladas cerca de 100 horas por semana.

No documentário foram entrevistadas crianças libertadas que contaram os horrores pelos quais passaram nas plantações de cacau. Muitas afirmaram que frequentemente apanharam com murros, cintos e chicotes. “Os espancamentos eram uma parte da minha vida”, afirmou Aly Diabate, uma das crianças libertadas.

“Sempre que carregávamos sacos [de grãos de cacau] e caíamos durante o transporte ninguém nos ajudava. Em vez disso nos batiam, e batiam até que nos levantássemos de novo”, denunciou o pequeno.

Em 2001 a FDA (órgão governamental dos Estados Unidos) tentou aprovar um projeto de lei que obrigaria as empresas a identificarem suas embalagens de alimentos com o selo “slave free” (livre de trabalho escravo). Porém, antes da votação, o cartel do chocolate, que inclui a Nestlé, a Hershey e a Mars, conseguiu barrar o projeto com propina e promessas de que o trabalho escravo seria abolido até 2005.

No entanto, este prazo já foi adiado incontáveis vezes, a meta agora é abolir o trabalho escravo até 2020. Enquanto isso o número de crianças que trabalham na indústria do cacau aumentou 51% entre 2009 e 2014, segundo um relatório apresentado em julho do ano passado na Universidade de Tulane em Nova Orleans.

No documentário uma das crianças libertadas fala sobre o “preço” do chocolate: “Vocês desfrutam de algo que foi feito com o meu sofrimento. Trabalhei duro para eles, sem nenhum benefício. Estão comendo a minha carne”.

As sete empresas onde foi identificado o trabalho escravo infantil para a produção de chocolate são: Hershey, Mars, Nestlé, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft.

O documentário O lado negro do chocolate pode ser assistido abaixo:



Com Vermelho, VIA: http://www.contextolivre.com.br/2016/02/as-sete-marcas-de-chocolate-que-usam.html

sábado, 15 de novembro de 2014

Trabalho infantil no Nordeste cai 57,3% nos últimos dez anos



Trabalho infantil diminui 57,3% no Nordeste entre 2004 e 2013
"Número de crianças e adolescentes de 5 a 15 anos em situação de trabalho infantil no Nordeste caiu 57,3% entre 2004 e 2013


O Nordeste registrou queda de 57,3% no número de crianças e adolescentes de 5 a 15 anos em situação de trabalho infantil, entre 2004 e 2013, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013. O estudo também mostrou a redução de 49,8% no trabalho de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, no mesmo período.

Para ampliar esforços no combate ao trabalho infantil, gestores municipais e estaduais do Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte participam esta quinta (13) e sexta-feira (14) do Encontro Intersetorial das Ações Estratégicas do Peti – Região Nordeste I, em São Luís (MA).

Segundo a secretária nacional de Assistência Social do Ministério doDesenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Denise Colin, os dados mostram uma redução expressiva nas atividades tradicionais de trabalho infantil na região. “A fiscalização dessas atividades, a presença das crianças nas escolas e os serviços de assistência social foram os principais fatores para a mudança desse cenário”, enfatizou.

 Além disso, a educação integral e o ensino técnico são elementos fundamentais para diminuição do trabalho infantil entre os adolescentes de 14 a 17 anos. A pesquisa apontou ainda que, na região Nordeste, 1,03 milhões de crianças entre 5 e 17 anos trabalham, sendo 467,363 mil em atividades agrícolas, 185,017 mil em comércio e reparação, 213,613 mil em serviços domésticos e 573,170 mil em outros serviços.


Denise Colin lembra que, em 2013, o ministério redesenhou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), e agregou novas estratégias àquelas que já vêm sendo executadas com sucesso. A agenda do programa envolve um amplo processo pautado no fortalecimento da atuação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e na articulação intersetorial, que abrange desde o planejamento das ações estratégicas até a execução e monitoramento das ações nos municípios.

“Estamos fazendo encontros por região, apresentando um diagnóstico específico, bem como os desdobramentos necessários para erradicar o trabalho infantil”, observa a secretária, destacando ainda a realização do Encontro Nacional das Ações Estratégicas do Peti, em agosto deste ano. Até dezembro, o MDS promove mais três eventos intersetoriais em João Pessoa (Nordeste), Curitiba (Sul) e Brasília (Centro-Oeste).

Conferência

No ano passado, o Brasil sediou a III Conferência Global sobre Trabalho Infantil por ser referência na área. Na época, o ativista indiano Kailash Satyarthi, ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2014, elogiou a Declaração de Brasília, o documento final da conferência. “A Declaração de Brasília vai ajudar e servir como uma ferramenta para auxiliar a trazer a mudança aos governos”, afirmou ele.

Embora o número de crianças e adolescentes diminua a cada ano no país, o trabalho infantil tende a se concentrar em situações invisíveis às ações do poder público ou naturalizadas por famílias e comunidades.
Até a realização da próxima conferência, em 2017, na Argentina, o Brasil está se organizando para que a soma das agendas intersetoriais avance na resposta aos compromissos internacionais firmados, o que possibilitará o cumprimento da meta de erradicação do trabalho infantil até 2020."

MDS