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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As urnas eletrônicas são mesmo seguras?



Dessa vez o PSDB tem razão. O resultado de uma eleição precisa poder ser conferido. Estranho é o silêncio de Marina e dos institutos de pesquisas, atropelados numa arrancada por fora de Aécio que os deixou comendo poeira de uma hora pra outra. A discrepância entre as previsões das pesquisas no primeiro turno e o resultado obtido por Aécio nas urnas foi espantoso sob todos os aspectos, mas ninguém reclamou até agora.

Nem Marina, nem o PT, nem o Ibope e o Datafolha, nem muito menos Aécio, é claro.

Embora seja oportuna, a reclamação do PSDB está tão atrasada que cheira a oportunismo. O engenheiro de segurança de sistemas Amilcar Brunazo – professor da Poli-USP, fiscal do PDT e crítico de primeira hora da segurança das urnas eletrônicas – acompanha o processo de geração e instalação dos programas oficiais contidos nas urnas desde o ano 2000. Nesse tempo todo ele nunca encontrou ninguém do PSDB interessado no assunto. O professor Pedro Rezende da UnB, revelou que se recusa a votar nas urnas brasileiras por motivos de segurança e o professor Pedro Aranha, da Unicamp, criou o site Voce Fiscal para possibilitar a fiscalização popular dos votos registrados em cada urna. Todos eles fazem parte do CMind, um comitê independente de análise e fiscalização do voto eletrônico no Brasil que a Justiça eleitoral faz questão de desprezar solenemente.

O PDT chegou a notificar o TSE oficialmente sobre seis vulnerabilidades que encontrou nos programas carregados nas urnas. Neste ano o PT não enviou nenhum representante para conferi-los.

No YouTube, o canal humorístico Porta dos Fundos, chegou a ser censurado pela justiça eleitoral por causa de uma piada sobre as urnas eletrônicas. Ao mesmo tempo, o PDT denunciou que uma das vulnerabilidades estava na porta dos fundos das urnas.

O problema estava no Inserator, um dos milhares de programas inseridos nas urnas eletrônicas que nem o TSE soube explicar pra que servia. O Inserator é um produto da Modulo, uma empresa de segurança de sistemas que atende bancos e a Receita Federal. Ela está na origem tanto da declaração de imposto de renda pela internet quanto do voto eletrônico. A relação entre segurança bancária e voto eletrônico no Brasil é profunda. A Diebold, empresa americana que fabrica as urnas eletrônicas também é do ramo. E até a propaganda da Justiça Eleitoral compara a segurança das suas urnas com os cofres de banco.

Vamos imaginar o seguinte: você faz um depósito num caixa eletrônico e a máquina não emite o recibo. Você reclama pro gerente do banco e ele retorna dizendo que o departamento de informática do banco não localizou qualquer depósito seu. É exatamente assim que funciona a Justiça Eleitoral e suas maravilhosas máquinas de votar. Se der pau e você reclamar, quem vai decidir quem tem razão é o departamento de informática do TSE, que projetou, comprou, programou e instalou as urnas. A nossa Justiça Eleitoral reúne poderes executivos, legislativos e judiciários. Ou seja: tem o poder de julgar a si mesma.

O PT é contra a verificação por um motivo simples: ele ganhou a eleição. Mas qual a garantia que tem de que daqui a quatro anos não estará na mesma situação do PSDB hoje? E o PSB, por sua vez, por que nunca reclamou da derrota massacrante para Aécio, contra todas as previsões dos institutos de pesquisa?

Afinal de contas, somos bombardeados por pesquisas dia e noite durante meses a fio antes das eleições para no final descobrirmos que elas não servem pra nada? E como elas conseguem se recuperar tão rapidamente e acertar na mosca vinte dias depois? São muitas interrogações de uma vez só e todos temos o direito de ter certeza. Eu, você, Aécio, Dilma e Marina. A Justiça Eleitoral brasileira se orgulhar de ser a fiadora da “verdade eleitoral” no país. Mas será que ela está conseguindo como promete na propaganda que faz de si própria, paga com o nosso dinheiro?

Para responder a tantas interrogações, é preciso recorrer ao fio de Ariadne. Graças a esse presente que recebeu da filha do rei Minos, Teseu conseguiu escapar do labirinto de Dédalo em Creta. A resposta está no ponto de partida.

A Fundação Konrad Adenauer publicou neste ano um caderno de estudos sobre a Justiça Eleitoral em que a professora Tereza Cristina de Souza Cardoso Vale comenta que as fraudes eleitorais atravessaram toda a colônia, o Império e a República Velha. As velhas oligarquias sempre dominaram os cadastros eleitorais, as eleições e a contagem de votos. Durante o Império as mesas eleitorais eram ocupadas por juízes, mas nem isso evitava as fraudes. Foi assim que surgiu a expressão “eleição a bico de pena”. Antes e depois da revolução de 30 a preocupação com o controle do voto pelas oligarquias era grande.

A Aliança Liberal assumiu o poder prometendo acabar com essa farra e a Justiça Eleitoral foi instituída por Getúlio junto com o primeiro Código Eleitoral do país, promulgado alguns meses antes da revolução de 1932, quando os paulistas já preparavam suas trincheiras na Mantiqueira. Foi ai que ela adquiriu a capacidade de controlar o processo eleitoral inteiro, desde o cadastro dos eleitores até a declaração dos eleitos. Isso vai fazer uma diferença enorme, que nós sentimos até hoje. A primeira eleição promovida pela Justiça Eleitoral foi a de maio de 1933. Ela nasceu com a força dos revolucionários de 30 renovada pela vitória de 32, sobreviveu à própria inutilidade durante todo o Estado Novo, quando foram extintos os partidos, e renasceu em 1945 ao ser incorporada ao poder Judiciário brasileiro, repetindo a estrutura da Justiça Federal. É por isso que temos um TSE e um TRE em cada estado. E foi mantida intacta durante toda a ditadura. Ainda que não houvesse liberdade política nem eleições para os cargos executivos, o cadastramento de eleitores continuou sendo feito regularmente.

É esse acumulo de poderes que explica o autoritarismo com que o voto eletrônico foi implantado no Brasil em apenas cinco meses, sem maiores contestações – do PSDB ou de quem quer que seja, além da comunidade científica – a partir de um projeto de lei de iniciativa dos próprios ministros da Justiça Eleitoral, encaminhado pelo senador tucano mineiro Eduardo Azeredo – hoje mais famoso pelo seu envolvimento no mensalão mineiro do que pela paternidade das urnas de que seu partido desconfia. Azeredo fez carreira como engenheiro de sistemas, presidiu o Serpro e a Prodemge entre vários outros cargos executivos na indústria de informática. Foi governador de Minas e, em 2003, apresentou o projeto de lei que tornou definitivo o “registro digital do voto”, no lugar do voto impresso. Ou seja, tornou impossível a recontagem de votos que seu partido agora exige.

Enfim, o PSDB tem razão ainda que não tenha memória. É preciso conferir o resultado das urnas, sempre. Do primeiro e do segundo turnos e dos governos estaduais, dentre os quais Geraldo Alckmin alcançou um récorde histórico mergulhado na secura das represas do Estado e num mar de acusações de ineficiência e corrupção. Para isso, é preciso que o Congresso aprove e a Justiça cumpra leis que garantam aos eleitores brasileiros comprovar o destino de seus votos. A história da Justiça Eleitoral, porém, demonstra que manda quem pode, obedece quem tem juízo. Se o poder realmente emana do povo e em seu nome é exercido, somente a reforma política por uma Constituinte especialmente eleita pra isso pode dar conta do recado. A fraude eleitoral não foi extinta, apenas a possibilidade de comprova-la é que deixou de existir.

Jura Passos
No DCM
via http://www.contextolivre.com.br/2014/11/as-urnas-eletronicas-sao-mesmo-seguras.html

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Caso Lupi: a outra versão da história

Você tem direito de ter a sua verdade. Para isso você precisa conhecer todas as versões de uma história para escolher a sua. A deles é fácil, é só continuar lendo a VejaO Globo, assistindo ao Jornal Nacional. A nossa vai precisar circular por essa nova e democrática ferramenta que é a internet.
Meu nome é Angela, sou esposa do Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi. Sou jornalista e especialista em políticas públicas. Somos casados há 30 anos, temos três filhos e um neto. Resolvi voltar ao texto depois de tantos anos porque a causa é justa e o motivo é nobre. Mostrar a milhares, dezenas ou a uma pessoa que seja como se monta um escândalo no Brasil.
Vamos aos fatos: No dia 3 de novembro a revista Veja envia à assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho algumas perguntas genéricas sobre convênio, ONGS, repasses etc. Guarda essa informação.
Na administração pública existe uma coisa chamada pendência administrativa. O que é isso? São processos que se avolumam em mesas à espera de soluções que dependem de documentos, de comprovações de despesas, prestação de contas etc. Todo órgão público, seja na esfera municipal, estadual ou federal, tem dezenas ou centenas desses....

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pesquisa diz que presidenta Dilma conquistou a confiança dos eleitores do PSDB e de José Serra

Decorridos cinco meses desde o segundo turno presidencial, Dilma Rousseff conquistou a confiança de parcela expressiva dos eleitores do PSDB e de José Serra. Na primeira pesquisa Datafolha de avaliação do novo governo petista, apenas 15% dos entrevistados que manifestam preferência pela sigla tucana e votaram no seu candidato consideram a administração ruim ou péssima, e 31% a classificam como boa ou ótima. O desempenho da presidente é regular para 45% dos que se declaram tucanos e para 41% dos que optaram por Serra em 2010.
Eleitores do PDT, cuja bancada rachou na votação do salário de R$ 545, dão maior aprovação a Dilma (45% de ótimo e bom e 31% de regular) que os simpáticos ao fiel PMDB - 40% e 42%, respectivamente.
Entre os petistas, a presidente obtém 56% de conceitos ótimo e bom e 32% de regular. Só 2% consideram seu início de mandato ruim ou péssimo. Os que declaram ter votado em Dilma dão a ela aprovação similar: 57% de bom e ótimo, e 30% de regular.

Na coluna da Renata Lo Prete da Falha de S.Paulo

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Osmar Dias e Dilma reúnem 200 prefeitos no Paraná


Roger Pereira, Paraná Online
“Com a presença da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, os candidatos da chapa “A união faz um novo amanhã” reuniram ontem à noite no Clube Concórdia, no centro de Curitiba, cerca de 200 prefeitos dos partidos que formam a coligação para tentar garantir o apoio integral à chapa. Dilma, o candidato ao governo, Osmar Dias (PDT), os candidatos ao Senado Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) e o governador Orlando Pessuti (PMDB) pediram unidade aos prefeitos, que, por questões politicas locais possam hesitar no apoio a Osmar para o governo do Estado.

“Eu perdi a eleição de 2006 porque não tinha essa gente comigo. Não tinha PT e PMDB. Eleição não se ganha sem o apoio dos prefeitos e eu assumo desde já o compromisso: o prefeito que me apoiar nesta eleição terá meu apoio em 2012”, prometeu Osmar Dias. “Tenho certeza que os prefeitos não vieram aqui por curiosidade. Vieram para para consolidar o apoio a essa chapa. Dilma, Osmar, Requião e Gleisi. Faço o apelo pela chapa fechada”, emendou Requião.

Com a maioria dos prefeitos filada ao PMDB, o governador Orlando Pessuti teve papel importante na conversa com os prefeitos. Pessuti explicou que abriu mão da candidatura pela união da base, disse que sabia que muitos dos prefeitos queriam sua candidatura, mas pediu para os prefeitos apoiarem a candidatura de Osmar “em nome da unidade nacional, da manutenção dos programas sociais do governo Lula e de nosso governo”, disse Pessuti, em sua primeira aparição na campanha. “E para quem me pergunta até onde me evolverei nessa campanha, digo que não estou envolvido, estou comprometido, 100%, em eleger Osmar e Dilma”, declarou o governador.”
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