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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

GASPARI SUGERE QUE MATANÇAS POLICIAIS POSSAM SER PROVOCAÇÕES GOLPISTAS


 
elio gaspari
O MUNDO IRREAL DE DORIA E GUEDES
Exatamente uma semana depois de a PM de Wilson Witzel ter sujado a festa do Flamengo, o governador João Doria disse no domingo (1º) que “São Paulo tem uma polícia preparada, equipada e bem informada”. 

Naquela hora, os corpos de nove jovens estavam no necrotério, pisoteados depois de uma entrada truculenta de sua PM num pancadão de Paraisópolis. Nas bancas e na rede, nesse mesmo domingo, estava também a entrevista do ministro Paulo Guedes à repórter Ana Clara Costa, na qual ele explicava o timing de suas reformas:
"Você dá pretexto para os outros fazerem bagunça. (...)  Chamar pra rua manifestação ordeira e pacífica, como a que fazem quase todo fim de semana, problema nenhum. Agora, chamar para a rua para fazer igual no Chile e quebrar tudo foi uma insanidade, irresponsabilidade"
Há algumas semanas o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, acompanhando uma ameaça vinda de um filho do presidente, havia cantado a pedra do perigo chileno como justificativa para um surto ditatorial: 
"Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter".
É irresponsabilidade (ou desejo) trazer o espantalho chileno para a situação brasileira, e a tragédia de Paraisópolis, bem como a pancadaria da festa do Flamengo, mostram que nos dois casos a insanidade saiu da PM. Não é de hoje que isso acontece.

Em outubro do ano passado, durante a gestão do governador Márcio França, a PM entrou num pancadão de Guarulhos e três pessoas morreram em situação semelhante à de Paraisópolis. Doutor Dória poderia examinar a investigação do episódio de Guarulhos. Com uma polícia preparada, equipada e bem informada, deu em nada. 

Um morador de Paraisópolis contou que a PM “chegou jogando bombas de efeito moral”. Pode ser que não tenha sido assim, mas na noite de 13 de junho de 2013 a PM paulista bloqueou uma passeata que protestava contra o reajuste dos ônibus na esquina da rua da Consolação com a Maria Antonia. Quem estava lá viu que uns vinte policiais vieram do nada, jogando bombas de efeito moral. Aquela passeata era ordeira, convocada pelo Movimento Passe Livre e povoada por gente de tênis baratos e camisetas. 

Começavam as jornadas de 2013. Anos depois, as manifestações transmutaram-se e a presidente Dilma Rousseff foi deposta. [Vale lembrar que o governador tucano Geraldo Alckmin e o prefeito petista Fernando Haddad, do PT, que haviam reajustado as tarifas, estavam num evento em Paris, onde cantaram Trem das onze durante um jantar.]
Guedes teme que apareça gente quebrando tudo, mas, até agora, quem apareceu quebrando os outros foram policiais, em São Paulo e no Rio. Esse comportamento persiste pela garantia da impunidade.

Nas divagações chilenas de Guedes e do general Heleno insinuam-se paralelos de incitação política. Já que é assim, pode-se temer também que a incitação política venha de outro lado. 

Em 1968, ela vinha de um maluco chamado Aladino Félix. Antes que terroristas de esquerda começassem a assaltar bancos e a matar gente (naquele ano), ele roubava dinamite e armas. Assaltou pelo menos um banco, explodiu uma bomba na Bolsa e outra num oleoduto. 

Como era doido, não se pode acreditar na sua palavra quando dizia que estava ligado a um general da reserva que, por sua vez, teria conexões com o governo. Uma coisa é certa: no seu grupo estavam 14 soldados e sargentos da Força Pública de São Paulo, mais tarde transformada numa Polícia Militar.

Naqueles dias o governador de São Paulo, Abreu Sodré, denunciava uma conspiração nos "subúrbios do poder". (por Elio Gaspari)
.
TOQUE DO EDITOR  Para quem não tiver entendido direito o que Elio Gaspari está insinuando, vou dar uma aclarada.

Em 1968 havia uma disputa acirrada nos bastidores do poder entre os militares que haviam dado o golpe (a corrente castellista, que pretendia devolver o poder, saneado, para os civis) e a linha dura (que queria continuar usufruindo as muitas vantagens obtidas por seus membros desde a instalação do arbítrio).

Então, paralelamente ao surgimento das primeiras ações de guerrilha urbana da esquerda, muito mais na linha da propaganda armada sem vítimas que da de "matar gente" (Gaspari sempre fez abordagens preconceituosas a tal respeito), entrou na história um guru picareta de extrema-direita, muito parecido com outro da atualidade.

A diferença é que o espertalhão daquele tempo saía na chuva para se molhar, ao contrário do atual, que delega a outros o serviço sujo e se mantém em total segurança no além-mar.

O charlatão anterior foi convencido pela linha dura a realizar atentados para criar o alarmismo propício à radicalização do regime; Gaspari sugere que matanças como a de Paraisópolis  têm exatamente a mesma finalidade.

Eis como evoquei a saga do guru picareta anterior num artigo de 2011:.

"...já houve um bizarro episódio histórico no Brasil envolvendo um debiloide obcecado por discos voadores e a extrema-direita.

Em 1968, os militares da chamada  linha dura  estavam empenhados em radicalizar ainda mais o regime, promovendo o fechamento total (que acabaria vindo com o AI-5). 

Então, incentivaram um lunático chamado Aladino Félix (foto ao lado), vulgo Sábado Dinotos, a efetuar ações armadas, espalhando para 
que elas fossem imputadas à esquerda. Uma versão tupiniquim do incêndio do Reichstag, enfim.

Liderando um bando de soldados e sargentos da Força Pública, a Polícia Militar da época, Félix foi responsável por 12 explosões de bombas e um assalto a banco. 

A ação mais espetaculosa: mandar pelos ares alguns carros do estacionamento localizado diante do prédio do Deops.

Os aprendizes de feiticeiro eram descuidados: uma unidade policial alheia ao esquema de acobertamento prendeu o guru.

E este, ao ser torturado, confessou que agira sob orientação do general Jayme Portela, chefe da Casa Militar da Presidência da República...
(por Celso Lungaretti)

domingo, 11 de dezembro de 2016

A SAGA LAVA JATO CHEGA AO FIM: "OS MÃOS SUJAS CONTRA-ATACAM" SERÁ A PRÓXIMA ATRAÇÃO DO CINE BRASIL.


"Não me convidaram pra essa festa pobre
que os homens armaram pra me convencer
a pagar sem ver toda essa droga
que já vem malhada antes de eu nascer"
(Brasil, Cazuza)

O que começa a transpirar da delação premiada da Odebrecht confirma que ela não deixará pedra sobre pedra na política brasileira. 

Mas, exatamente a quem interessam, desta vez, os vazamentos alarmistas, quase apocalípticos? Óbvio ululante: aos mãos sujas que querem estancar a limpeza em curso.

Pois, quando o presidente da República e o governador do Estado mais poderoso têm suas cabeças colocadas sob a guilhotina, juntamente com parlamentares a granel, cria-se a comunhão de interesses necessária para uma solução crapulosa prosperar, com apoio amplo, geral e irrestrito dos podres Poderes, sob o pretexto de que a alternativa será o país mergulhar no caos e a economia ir definitivamente para o brejo.

E o Partido dos Trabalhadores? O PT fará discursos inflamados, nada mais, se incluírem no pacote uma boia para o Lula, que já deve estar com as malas prontas para a viagem a Curitiba. 

Ele é a única esperança do partido para não ser estraçalhado em âmbito estadual e federal nas próximas eleições como já o foi em âmbito municipal nas últimas. Para livrá-lo da cana anunciada e tê-lo a postos como puxador de votos, o PT engolirá até o mais descomunal dos sapos. 

E o Supremo Tribunal Federal? O jornalista Bernardo Mello Franco disse tudo (e eu assino embaixo):
"Até a semana passada, a hipótese de acordão parecia remota, já que exigiria a participação do Supremo. Depois do que a corte fez para salvar Renan, nada mais é impossível"
E o rugido das ruas? Será bem menos possante, quase um miado, se o acordão nos for enfiado goela adentro enquanto a classe média estiver desmobilizada por ser período de férias escolares. Ninguém é de ferro.

Como o Cazuza pedia, o Brasil está mostrando a sua cara. 

Sugere-se aos pais que retirem as crianças da sala, pois podem ter pesadelos...
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https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/a-saga-lava-jato-chega-ao-fim-os-maos.html

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ANALISE: A OCUPAÇÃO DE ESCOLAS NO PAÍS

EDUARDO VIANNA E CELSO LUNGARETTI ANALISAM A OCUPAÇÃO DE ESCOLAS NO PAÍS

Por Eduardo Rodrigues Vianna
AS ESCOLAS OCUPADAS DE 2016 
TÊM UM GRAVE PROBLEMA
Se observarmos as coisas com alguma calma, e fizermos uma reflexão, perceberemos que o atual movimento das escolas ocupadas é todo negativo; ou seja, definido por uma característica negativa. 

O movimento não aceita a reforma do ensino médio nem a PEC 55 (1), mas não propõe nada que possa ser concretamente contraposto aos dois projetos do governo, que faça sentido, que os trabalhadores e o povo possam entender. Portanto nãoreivindica nada. 

Pelo menos, não de modo organizado. Vale a pena pensar sobre isto, particularmente quanto à reforma educacional apresentada, de um modo tão desastrado, por um governo impopular.

A atual proposta de reforma do ensino médio não é bem do governo Temer; apareceu em 2013 sob o governo Dilma, quase idêntica ao modo como está agora, e ficou mofando no Congresso. 

Já nos anos 1990 se falava de um ensino médio semelhante ao que era antes da ditadura, com matérias opcionais e aumento da carga horária. 

Em 2014, entra em vigor o Plano Nacional de Educação (PNE), uma política de Estado vigente até 2024, com vinte metas, algumas das quais contempladas pela reforma. Então, o que há de errado com a reforma? Sabemos responder a isto?

O maior problema foi, provavelmente, a medida provisória, aquela forçada de mão que o presidente pode usar, e que um sujeito como o Temer usará sem dó. 

Caiu realmente muito mal, porque Temer é uma figura odiosa, intragável. Mas tem algo a seu favor neste caso, que é a falência, real, verdadeira, do ensino médio. 

É preciso ser muito ingênuo para sair por aí repetindo que a falência do ensino médio é discurso da direita, como se a direita tivesse algum sólido repertório para discutir esses assuntos; não tem. 

Também não preciso dar os dados, conhecidos de todos, do que é o sucateamento do ensino médio, dos quais a evasão de aproximadamente 50% será talvez o mais grave, o mais perverso e duro para a juventude (é algo semelhante a um genocídio); e nem o resultado do Ideb (2) foi inventado pelo [atual ministro da Educação] Mendonça Filho. 

É óbvio que o ensino médio precisa de uma reforma, grande, estrutural. E é a partir daí que o movimento precisaria ser assertivo e positivo, propondo uma reforma alternativa, melhor que a do governo.
Parece que vêm fazendo muito sucesso nas ocupações as discussões sobre gênero, feminismo, essas conversas. Todos os temas são pertinentes e as pessoas têm mesmo o desejo de falar dessas coisas, mas política educacional, que é bom, até agora apareceu de modo bem secundário. 

Se não fosse assim, já teríamos uma pauta nacional dedicada aos rumos do ensino médio, e não há nada nem sequer parecido com isto. 

Sabemos que o assunto é mais ou menos discutido nas diversas ocupações, e que os grupos de pessoas são heterogêneos (como não podem deixar de ser), mas não existe uma reivindicação sobre a reforma, e provavelmente não existe a consideração da sua necessidade. 

E lutas que se resumem a negar ou denunciar algo, sem exigir coisas reais, e melhores, estão sempre condenadas ao fracasso. Quem estudar a história das lutas pequenas ou grandes verá que digo a verdade.

Se o problema pode ser sanado, então é uma tarefa que cabe aos atuais estudantes do curso secundário e aos atuais professores e professoras das redes públicas (e também da rede privada, se isto for possível), porque a maior autoridade para dizer como as coisas precisam ser é quem tem, neste momento, um cotidiano profissional ou estudantil na escola. 

Por outras palavras: seria tarefa dos estudantes, mas principalmente dos professores e professoras, pela importância que têm, criar a linha intelectual e política necessária.

Para definir uma pauta nacional e propô-la, um contingente de estudantes e professores em rede precisaria se dedicar a estudar, mais uma vez, tanto a proposta da reforma quanto o PNE, confrontá-los e tirar conclusões. 

A reforma e o PNE, porque são a política de governo e a política de Estado em curso, e por este motivo é de onde se pode partir. Outros elementos viriam depois, com a discussão, e o objetivo seria o de criar outra via para o ensino médio. 

Criar, produzir, projetar, construir. Seria um bocado difícil. Mas, sem um esforço desse tipo, o atual movimento das escolas ocupadas só convencerá aqueles que já estão convencidos. É o que está acontecendo. Parece que a nossa época gosta que as coisas sejam assim.

Quanto à PEC 55, creio que a linha deveria ser pela defesa de uma auditoria pública sobre os negócios do Estado e sobre a dívida pública. Este é outro assunto, embora também devesse ser considerado..
1. Proposta de Emenda à Constituição impondo limites aos gastos e investimentos públicos nos próximos 20 anos.  
2. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2015, divulgado em setembro último, mostrou que o ensino médio segue estagnado na média das escolas do país, com o mesmo resultado de 2011 e 2013: 3,7. A meta era 4,3.
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Pitaco do editor
OS ERROS NA ESCOLHA DAS 
BANDEIRAS E NO TIMING 
Além das barricadas, as ocupações de escolas e de fábricas foram iniciativas dos jovens contestadores de 1968 que impactaram fortemente em vários outros países. Um mês após o maio parisiense, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na rua Maria Antônia, já era ocupada... apenas para que permanecesse aberta durante as férias escolares de julho, servindo como ponto de aglutinação do movimento estudantil. 

Eu sei, estava lá; e também me lembro, com menos nitidez, da ocupação do Conjunto Residencial da USP, o Crusp. Aquele foi nosso território livrepor um bom tempo.

Existiam então bandeiras específicas do movimento estudantil, como a luta contra o acordo MEC-Usaid – o qual, na nossa visão, representava uma ingerência estadunidense na educação brasileira, pois os recursos vindos de fora teriam o objetivo de tecnicizá-la e de dar o pontapé inicial no processo de gradual eliminação da gratuidade no ensino universitário.

Mas, o que realmente nos motivava e mobilizava não era a perspectiva um tanto distante da aplicação do dito acordo, mas o confronto imediato com o autoritarismo, seja na escola, seja na sociedade. O slogan É proibido proibir! talvez fosse o que melhor expressava nossa geração.

Creio ser desnecessário lembrar que tudo era muito diferente quando estávamos submetidos a uma ditadura tão truculenta quanto tacanha, a ponto de apreender, quando desocupou o Crusp pela força, um Manual de bomba hidráulica por supor que se referisse à fabricação de explosivos; e A capital, do Eça de Queirós, confundindo-a com O capital, do Marx. 

Depois, ainda por cima, os incluiu no lote de livros subversivosque exibiu triunfalmente à imprensa, como troféus de batalha! Foi por essas e outras que o grande Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta definiu aquele período como sendo o de um festival de besteiras que assola(va) o País.

Hoje inexiste insatisfação com o governo federal equivalente à de 1968 (o humor do cidadão comum, azedo durante o tempo de vacas magras, só mudaria em 1970, a partir do milagreeconômico). Embora estejamos em pindaíba semelhante, as ruas culpam o PT por tal situação, daí o desempenho catastrófico que os candidatos petistas tiveram nas eleições municipais... de apenas três semanas atrás!

Então, está certíssimo o Eduardo: ocupações de escola, no presente, só terminarão em vitória se forem deflagradas por motivos claros, justos e aglutinadores no nível da escola e da comunidade a que serve. Desgastar governos deveria ficar para depois, quando a correlação de forças se alterar em nosso favor; e isto só acontecerá... se começarmos a vencer as lutas, ao invés de as perder. 

Exemplar foi a ocupação da reitoria da USP em 2007 (vide aqui), reestreia  desta prática de luta no movimento estudantil brasileiro. Alunos e professores estavam mesmo, em sua grande maioria, rejeitando os quatro decretos autoritários do governador José Serra. E eles acabaram sendo derrubados!  
O mesmo ocorreu em 2015, quando mais de 200 escolas secundárias de São Paulo foram ocupadas em protesto contra uma tentativa de reorganização da rede que implicaria fechamento de 93 unidades e transferências de alunos para estabelecimentos distantes de suas moradias. 

Com apoio dos pais e da comunidade, os estudantes conquistaram memorável vitória, lavando nossa alma: o governador Geraldo Alckmin, sob vara, teve de recuar do seu desmoralizado intento.

A onda de ocupações atual serve como aprendizado de luta para muitos jovens – e eles precisam mesmo sair de sua apatia, voltando a dar contribuição destacada para a construção de uma sociedade justa e igualitária. 

Mas, os erros na escolha das bandeiras e no timing podem ocasionar uma derrota que bem melhor seria evitarmos, deixando como última imagem, até podermos produzir outra melhor, o nocaute que os secundaristas aplicaram no Alckmin. 

É, repito, o momento de passarmos a acumular forças; fiascos já vínhamos acumulando durante todo o ano de 2016. Infelizmente, por não proporem objetivos exequíveis, as atuais ocupações tendem a engrossar a lista. (por Celso Lungaretti)
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https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/eduardo-vianna-e-celso-lungaretti.html

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

FHC VAI PARA O TRONO OU NÃO VAI?


Graziano costuma atrair holofotes
Xico Graziano, que assessorava Fernando Henrique Cardoso quando este era presidente da República, praticamente lançou a campanha para o 3º mandato, em artigo que escreveu para a Folha de S. Paulo, cujo título já diz tudo: Volta, FHC.

Eis o trecho culminante:
"Qual liderança poderá recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento? Como fazer a reforma política tão desejada? Quem conseguirá estabelecer conexão com a sociedade organizada nas redes? É o que todos querem saber.
Creio que somente o ex-presidente FHC se legitima, pela vasta experiência, sensatez e sabedoria, para nos conduzir nessa difícil travessia",
Graziano fez o serviço completo: apontou o idoso sociólogo como o melhor nome tanto na eleição indireta de um presidente-tampão até 2018 (caso o Tribunal Superior Eleitoral condene os dois integrantes da chapa vencedora em 2014), quanto na disputa nas urnas que haverá se Temer cumprir o mandato até o fim. Com os pés ou com as mãos, o Corinthians é campeão...

Numa resposta enviada do exterior por escrito, FHC desconversou: "Jamais cogitei dessa hipótese nem ninguém me consultou sobre o tema".

Já por telefone, foi curto e grosso:  "Não. A Presidência abrevia a morte".

Brigou com as palavras, como notou o jornalista Jânio de Freitas: "O que a Presidência pode abreviar não é a morte, é a vida. À morte, poderia antecipá-la". 
Teremos um recordista do Guinness Book?

E ficou parecendo um homem público um tanto poltrão. Afinal, aos 85 anos, a vida que lhe resta é tão importante a ponto de, por receio de perdê-la, recusar-se a prestar um último serviço ao País? 

Enfim, pode ser apenas uma manobra de quem não quer ver Geraldo Alckmin bombando no noticiário como está desde que elegeu o poste João Doria. Colocar outro nome na parada serviria para baixar um pouco a bola do Sr. Pinheirinho, pouco importando se os planos de FHC forem outros.

Já no caso de ser mesmo um balão de ensaio, valeria a pena FHC ponderar sobre esta avaliação da jornalista Eliana Cantanhêde:
"Quem alardeia essas ideias pirotécnicas, ou piromaníacas, de derrubar Michel Temer para pôr Fernando Henrique no lugar já pensou em quem, como, onde e por quê? 
O colégio eleitoral seria o Congresso, onde, logo, logo, mais de uma centena de camaradas estarão na fila da Lava Jato. A reação automática seria que o PSDB tirou Dilma e pôs Temer para, aí, sim, dar um golpe. E a economia, a política, a imagem do País e a paciência da sociedade explodiriam de vez"
do:  https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/fhc-vai-para-o-trono-ou-nao-vai.html

sábado, 5 de novembro de 2016

EM 2018, OU VOTO FACULTATIVO OU NULO!


"a noite esfriou,
o dia não veio, 
o bonde não veio, 
o riso não veio, 
não veio a utopia 
e tudo acabou 
e tudo fugiu 
e tudo mofou, 
e agora, José?"
(Carlos Drummond
de Andrade)
Neste período pós resultados das eleições municipais destacam-se os novos prefeitos eleitos, os mesmos de outrora e, também, os especialistas em política, os mesmos de todos os tempos. 

Para estes últimos, quem ganha ou perde são os velhos caciques dos partidos e não os prefeitos eleitos. Partindo de tal  premissa, eles já definiram o candidato à Presidência da República em 2018 pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, cuja sigla nasceu de uma costela do Partido do Movimento Democrático Brasileiro  PMDB, mas ninguém se lembra mais disso.  A constatação óbvia da derrocada do Partido dos Trabalhadores – PT fecha o ciclo de análisespolíticas.

No afã de realçarem o candidato do PSDB, fazem ilações bizarras, para dizer o mínimo. Costumam atribuir a vitória de qualquer prefeito eleito, do Oiapoque ao Chui, ao apoio dado pelo governador de São Paulo. Qualquer coisa se transforma em fator decisivo, tipo “quando morou em São Paulo nos anos 60, o prefeito vencedor era amigo da amiga de uma cozinheira que trabalhava na casa da prima do governador”. 
Quem ainda lembra deste fracasso do Alckmin?

Simples assim. Com tão poderosa influência, o resultado só poderia ser a vitória certa do candidato.

Utilizam-se da mesma régua, em sentido oposto, para vaticinar a derrota do pretenso concorrente. Aqui um parêntese: só para reforçar que a única função de partidos políticos no Brasil é lançar candidatos. Além de se sustentarem à custa do suado dinheiro do contribuinte, que recebem por meio do Fundo Partidário.

Escolhido o candidato, passa-se à exposição de suas virtudes. Nunca se aponta ou comenta uma falha, algum projeto mal executado. 

O único vitorioso destas eleições, o governador de São Paulo, talvez seja quem exerceu o cargo de governador por mais tempo na história brasileira.

Já o partido dele governa o Estado há 22 anos. Completará 24 na época em que ele estiver em campanha presidencial, prometendo a solução da segurança para o país. 

Nenhum especialista começa a pesquisar se o número de assassinatos ultrapassou um milhão de pessoas no período em que o PSDB governou o estado. Simplesmente para que, quando o candidato deste partido estiver prometendo a solução para a segurança do país, tal número de assassinatos sirva para um confronto, possibilitando indagar ao dito candidato o que faria de diferente para garantir a segurança do País, se fracassou no próprio estado que governou. 

Ele e a segurança servem de exemplo apenas por já ter sido escolhido pela mídia. Mas, vale para qualquer pretenso candidato e para qualquer área, como educação, saúde, estradas, infraestrutura e todas as demais. 
E o abastecimento de água, até bem pouco tempo atrás?
A falta de segurança pode ser atestada por qualquer um, por experiência  própria. No meu caso, em agosto de 2016 minha filha foi assaltada, por um pedestre, ao meio-dia de um sábado, na frente do condomínio em que mora. No último dia 31 de outubro foi novamente assaltada, desta feita por dois homens numa motocicleta, no mesmo lugar. Ela vai continuar pagando um celular que não possui mais.

Este exemplo pessoal não é dirigido somente ao governador, mas também aos especialistas da área de segurança, que vivem defendendo pena branda para “crime de menor potencial ofensivo”. 

Um celular! Não é pelo objeto. Minha filha teve a sensação de morte, ao ficar encostada numa parede, de costas para eles. Itso é o que chamam de menor potencial ofensivo. Se fosse um avião... Mas, o que vale menos, um celular para minha filha ou um aviãozinho para o dono da Odebrecht?]

Obs.: há um blablablá danado sobre a necessária reforma política, na proporção inversa do silêncio sepulcral quanto ao voto facultativo. Em 2018, ou facultativo ou nulo! Lema lançado.

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/11/em-2018-ou-voto-facultativo-ou-nulo.html