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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Desemprego cai e seguro-desemprego dispara? Queremos direitos, não fraudes



Não é preciso dizer que sou, e a vida inteira, contrário a qualquer retirada de direitos de trabalhadores.

Mas, igualmente, sou contra espertezas e arranjos que se possam fazer com dinheiro que pertencem ao trabalhador.

Hoje, quando os jornais noticiaram o primeiro déficit desde 1997, algo ficou pelo meio dos textos e pode ter passado despercebido.

É que os gastos com seguro-desemprego (e, em escala menor, abono salarial) responderam por R$ 10 bilhões, dos R$ 17 bilhões do déficit total do Tesouro.

Um crescimento de 21,7%.

Como são vinculados ao mínimo, estes valores subiriam 6,78%, se tivessem de atender ao mesmo número de trabalhadores desempregados.

Subiram o triplo.

E deveriam ter caído, porque o desemprego, em 2013, foi de 5,4 por cento; e em 2014, ficou em 4,8 por cento, a menor marca da história.

Algumas pessoas, todas com a maior boa-fé, estranharam aqui que eu tivesse defendido regras mais duras na regulamentação do seguro desemprego.

Não preciso fazer demagogia e não confundo cortes moralizadores com cortes desastrados, que atinjam os programas de distribuição de renda  e os investimentos públicos.

Defendi e defendo, porque não vou ser hipócrita de negar que formou-se uma teia de cumplicidade entre empregados e empregadores para demissões simuladas, com devolução de multa do Fundo de Garantia e recebimento “por fora” (e menor) enquanto dura a percepção do seguro desemprego.

Claro que isso exige a regulamentação do dispositivo constitucional que pune a rotatividade excessiva de mão de obra.

Que não é simples e não pode ser linear.

Mas é dever do governo e deveria ser também das centrais sindicais encontrar caminhos para eliminar o mau uso de um seguro que, este ano, deve ter chegado perto de 10 milhões de beneficiários.

Hipocrisia não faz bem a ninguém.

E hipocrisia com dinheiro que pertence ao trabalhador (é com recursos do PIS que se paga o seguro) é pior ainda.

As regras mais corretas podem não ser exatamente as que o governo anunciou, é preciso verificar se elas atingem injustamente trabalhadores.

Mas que é preciso regras diferentes das atuais, é.

Tanto para a rotatividade quanto para as “espertezas”.

Fernando Brito
No Tijolaço, via http://www.contextolivre.com.br/2015/01/desemprego-cai-e-seguro-desemprego.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Desemprego tem a menor taxa para o mês de setembro desde 2002


Diogo Martins, Valor

"O desemprego atingiu 4,9% da População Economicamente Ativa (PEA) de seis grandes regiões metropolitanas do país em setembro, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor taxa para meses de setembro desde início da série histórica, em 2002.

A taxa ficou abaixo da estimativa média de 5,1% apurada pelo Valor Data junto a 20 instituições financeiras e consultorias. O intervalo das projeções variou de 4,9% a 5,3%.

O desemprego em setembro foi menor que o de 5% apurado em agosto, e ficou abaixo dos 5,4% registrados em setembro de 2013. A PME mostra que em setembro o desemprego caiu porque mais pessoas saíram do mercado de trabalho e não porque foram geradas vagas. Ou seja, houve um recuo da PEA – de 0,3% ante agosto e de 1% ante setembro de 2013.

No mês passado, havia 1,2 milhão de pessoas desempregadas nas seis regiões, queda de 3,1% ante agosto e de 10,9% na comparação com setembro de 2013. Já o número de empregados somou 23,1 milhões de pessoas, queda de 0,2% ante agosto e recuo de 0,4% ante setembro do ano passado.

Renda

O rendimento médio real habitual do trabalhador ficou em R$ 2.067,10 em setembro, o que representou avanço de 0,1% sobre agosto, e alta de 1,5% na comparação com setembro de 2013.

A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 48,4 bilhões, valor estável ante agosto, e foi 0,9% maior que a verificado em setembro do ano passado. A PME abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre."

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os donos do capitalismo e o capitalismo dos donos

Os fantasmas do Lehman Brothers e do Bear Stearns, os bancos que faliram na esteira da crise de 2008, continuam provocando arrepios nos investidores.

 
José Carlos Peliano Arquivo

Acrise financeira de 2008 ainda não acabou. Seu epicentro nos Estados Unidos permanece por lá com infiltrações nos caixas fortes dos bancos, rachaduras nos sistemas de crédito e débito e nos tremores de apostas em arriscadas alavancagens financeiras. Os bancos do lado de fora do solo americano igualmente sofreram as consequências assim como as economias dos países sede.

O sistema bancário e financeiro americano que dita as normas de funcionamento do mundo do dinheiro caminha com dois passos à frente e um atrás. O risco eminente é de haver troca nas passadas, vindo para duas atrás e uma à frente. O que já seria o sinal vermelho da derrubada da confiança e da garantia de ampla cobertura das quebras. Sinais visíveis da bola de neve financeira sem tamanho ladeira abaixo.

A propalada reforma financeira pós crise de 2008 precisa ser terminada se é que foi levada a termo como convém. A única iniciativa visível até então do governo dos Estados Unidos foi a cobertura de muitos trilhões de dólares para compor a ajuda bancária. Algumas medidas para regular melhor o sistema e impedir práticas financeiras indiscriminadas foram tomadas mas os efeitos ficaram longe de atingir seus objetivos.

Os maiores bancos estão hoje maiores do que eram há 6 anos atrás além de continuarem a se envolver em vários dos mesmos comportamentos de risco que levaram àquele desmonte financeiro. O estopim do epicentro da crise foi as operações de tomada de crédito de curto-prazo no financiamento de aquisições de apólices, certificados e ações de alto risco (especulativas).

Os grandes bancos se juntaram em torno de suas empresas e de bancos menores associados para se defender das tentativas de reformas apresentadas pelo governo federal e das cobranças das agências reguladoras. Pagaram no decorrer das providências administrativas e legais um valor bem menor que o rombo por eles criado, algo no nível de US$ 100 bilhões.

Um ou outro executivo foi processado e multado, e até mesmo preso, enquanto todo o resto do time do pôquer financeiro permaneceu apostando, após o susto, do mesmo jeito que antes. Só que os valores das multas pagas não chegaram aos pés dos totais estimados pelas perdas provocadas ao mercado. Profissionais fora da jogatina consideraram as multas inacreditáveis e tão chocantes quanto indefensáveis.

Os seis maiores bancos americanos, JPMorgan ChaseBank of America, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley estão hoje com patrimônios maiores do que estiveram antes da crise de 2008. Eles detém agora entre eles uma posição em ativos superior a um terço do total que detinham um ano após a crise. Já em relação ao sistema bancário inteiro, que congrega 7.000 organizações, eles são donos de dois terços dos ativos totais.

As medidas adotadas pela Corporação Federal de Segurança de Depósitos, órgão responsável americano, apontam para novos percentuais que os grandes bancos devem seguir em relação a suas operações de empréstimos, levando em conta o total de ativos. Assim, um banco não poderá pedir emprestado mais que US$ 0,95 de cada US$ 1,00 de seus ativos (ações, papeis financeiros, empréstimos hipotecários, empréstimos comerciais, entre outros).

Essas medidas seriam cômicas se não fossem de fato duras e sérias. Pois, assim é, até na maior economia do mundo. Elas só deverão entrar em vigor a partir de 1o de janeiro de 2018. Se o sistema foi mal das pernas em 2008, vindo então tropeçando e tropicando de lá para cá, como poderá ele se sustentar em pé sem desabar até o último dia de 2017?

Ainda mais porque as manobras contábeis tem ajudado aos bancos a manipularem números e percentuais para continuarem a jogar no mercado suas apostas. As fichas estão na mesa e os lances se tornam cada vez mais altos e arriscados. O truque contábil mais evidente e usado com certa frequência é o de maquiar contas de sorte a reduzir o percentual de “alavancagem” de um banco – a relação entre o que o banco detém e o que ele deve.

Dessa forma, a jogatina no mercado de títulos financeiros de toda ordem fica com volume maior e com mais alternativas de negócios e maiores possibilidades de serem mitigadas perdas e melhoradas as chances de ganhos. Ocorre que o nível de risco sobe no mesmo ritmo do nervosismo, tensão e apreensão dos agentes.

Estimativa feita pelo Wall Street Journal indica que cerca de US$ 500 bilhões foram maquiados nos balanços dos grandes bancos americanos e injetados somente no mercado durante o ano passado, fora dos limites legais permitidos, para financiar o volume da jogatina. Aumentando o tamanho e a temeridade da bolha financeira.

Os fantasmas do Lehman Brothers e do Bear Stearns, os bancos americanos que faliram na esteira da crise de 2008, continuam provocando arrepios nos investidores, nos agentes controladores federais e mesmo nos banqueiros e seus operadores. Afinal estes últimos querem mesmo é navegar nas ondas do risco, mas não querem naufragar na jogada errada da especulação.

O grande jogo financeiro americano, não o único, mas o mais pesado e poderoso do planeta, estampa a corrida pelo ganho rápido e fácil, uma sanha destruidora sem limites que beira as raias do descontrole psicológico.

Embora relativamente estimado, o descontrole convive dia a dia com os altos e baixosdos negócios, das cotações, da incerteza latente. Mas há o padrinho fiel, companheiro inseparável dos jogadores, o sistema de reserva federal, disposto e pronto a garantir uma eventual quebradeira sem retorno. Em alguns estados americanos o limite circula por volta de 55% do total da perda. Os estados se associam assim aos jogadores para garantir pouco mais da metade de um possível e cada vez mais provável afundamento.

Os donos do capitalismo na América acabam influindo nas regras do sistema para chegarem a conseguir e ter um capitalismo do jeito que querem, o capitalismo dos donos. Satisfatoriamente sem amarras e impedimentos que prejudiquem a corrida sem barreiras ao lucro.

Há opositores americanos ao sistema de controle, porém, que combatem não só os percentuais de segurança da alavancagem bancária, mas também o prazo de entrada em vigor das novas regras. O que não altera muito o quadro uma vez que o risco do descontrole geral é crescente e progressivo. E uma nova crise pode não estar muito distante no horizonte.

Enquanto isso milhões de africanos morrem de fome, doenças e violência de mercenários. Palestinos assassinados por ações terroristas declaradas. Migrantes ilegais fugindo de seus infernos e caindo noutros legalizados. Desempregados levados às ruas pela esteira da crise de 2008. Entre outros contingentes. O mundo de pernas para o ar. Os donos do capitalismo mandam e desmandam e viram as costas para o capitalismo sem dono, por eles criado, onde vegetam e desesperam  miseráveis, oprimidos, desempregados e indefesos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Desemprego e inflação: fantasmas da mídia são fantasmas. Não existem



Por Fernando Brito
O IBGE divulgou a taxa de desemprego de julho: 5,6%.

Quatro décimos de ponto percentual a menos que em junho, quando foi de 6%.
Se tivesse subido 0,4%, a esta hora, manchetes apregoando a alta do desemprego.
Teríamos até  malandragens estatísticas dizendo que a taxa de desemprego aumento em quase 7% (0,4 em 6,0%) em apenas um mês.


Claro que isso é um besteirol terrorista, pelas mesmas razões de equilíbrio , aqui ninguém vai fazer o raciocínio inverso, porque o índice baixou.

A verdade é que chegamos a um patamar próximo do pleno emprego e as variações, agora, precisam ser maiores ou se repetir mais para que definam uma tendência.
Só a má-fé e a politicagem podem explicar coisas assim, como a que ontem “saudou” o “aumento” da inflação medido pelo IPCA-15 – prévia da inflação oficial -, que passou de 0,07% para 0,16%.

Os dados do IBGE servem, porém, para algo mais útil: trazer para cá o excelente artigo de análise sobre o tema do professor João Saboia, da UFRJ, publicado anteontem no Valor, que sai do ti-ti-ti de 0,1% pra cá ou para lá e consolida os dados, para avaliar a situação e as mudanças de características do emprego no Brasil.

Desaceleração sim, piora ainda não

João Sabóia
Nos últimos meses tem crescido a sensação de que o mercado de trabalho está piorando ao longo de 2013. O fato da economia estar rateando tem levado muitos analistas econômicos a apontarem para diversos problemas no mercado de trabalho do país, que estaria piorando, ou na melhor das hipóteses, passando por uma forte desaceleração.

O principal objetivo deste artigo é procurar relativizar os movimentos que estão ocorrendo, mostrando que o mercado de trabalho urbano ainda poderia estar distante de uma piora em relação ao passado recente.

Conforme é sabido, o mercado de trabalho passou por um longo processo de recuperação a partir de 2004. Mesmo com o crescimento econômico relativamente baixo em alguns anos, o movimento de melhora teve continuidade, a ponto de alguns afirmarem que teríamos chegado recentemente a uma situação próxima ao pleno emprego.

A única variável que piorou foi o percentual de chefes entre os desempregados que foi de 26,2% para 26,8%

Uma das maiores dificuldades na análise mensal do mercado de trabalho é a existência de um forte componente sazonal. Mesmo com correções para dar conta da sazonalidade, as comparações mensais ficam dificultadas, pois os movimentos costumam ser mínimos de um mês ao outro, ficando dentro da margem de erro das pesquisas amostrais, como no caso da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Portanto, o mais aconselhável para se tirar conclusões mais seguras é a comparação dos dados de um mesmo mês em anos subsequentes.
A partir dos dados das seis regiões metropolitanas cobertas pela PME montamos um indicador para o mercado de trabalho baseado na metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) utilizando nove variáveis agregadas em três grupos. Para medir o componente de desemprego são utilizadas a taxa de desemprego, o desemprego dos chefes de família e o desemprego de longa duração (mais de 1 ano). Para o componente de renda as variáveis são a remuneração média, o diferencial entre a remuneração dos empregados com e sem carteira e a sub-remuneração (abaixo do salário mínimo). Finalmente, em relação ao componente de inserção no mercado de trabalho são considerados o percentual de empregados com carteira assinada, o nível de escolaridade dos ocupados e a taxa de subocupação (poucas horas trabalhadas). O indicador síntese varia entre zero e um, indicando uma melhor situação quanto maior for o seu valor.

O resultado do índice síntese das nove variáveis está apresentado no gráfico. Conforme pode ser verificado, ao longo do primeiro semestre de 2013 o indicador continuava acima dos valores encontrados no mesmo semestre do triênio 2010/2012. É verdade que a melhora entre 2012 e 2013 tem sido bem menor do que nos anos anteriores, mas o indicador manteve-se na primeira metade do ano sistematicamente acima do encontrado no primeiro semestre de 2012.

Das nove variáveis utilizadas houve melhoria em oito quando comparados os dados do primeiro semestre de 2013 com 2012. Tomando-se como referência os valores médios obtidos no primeiro semestre dos dois anos podemos destacar os seguintes resultados:
- O percentual de empregados com carteira assinada passou de 53,5% para 54,4%;
- O percentual de ocupados com no mínimo o segundo grau completo aumentou de 62,1% para 63,6%;
- A remuneração média subiu de R$ 1.847 para R$ 1.875 (reais de junho de 2013);
- A taxa de desemprego caiu de 5,9% para 5,7%;
- O percentual de desempregados de longa duração caiu de 6,0% para 4,9%;

A única variável que piorou no período foi o percentual de chefes entre os desempregados que aumentou de 26,2% para 26,8%.

Conforme pode ser verificado no gráfico, a tendência nos últimos três anos tem sido de aumento do indicador ao longo de cada ano. Tal fato está associado à própria melhoria do mercado de trabalho no período 2010/2013, assim como a efeitos sazonais verificados durante cada ano. Exceto em 2010 quando a economia teve forte crescimento, em geral há uma flutuação no indicador no primeiro semestre, seguido de aumento no segundo.

Neste ano não tem sido diferente. O indicador flutuou no primeiro semestre de forma bastante semelhante ao que se verificou em 2012. A dúvida que fica é em relação ao que ocorrerá ao longo do segundo semestre. Se mantiver a tendência dos anos anteriores o indicador deverá aumentar refletindo o próprio movimento sazonal favorável encontrado na segunda metade de cada ano. Se isso não ocorrer, aí sim poderemos falar em piora no mercado de trabalho e teríamos o cruzamento das curvas de 2013 e 2012 em algum ponto do segundo semestre.

Em resumo, o mercado de trabalho continua apresentando resultados favoráveis em 2013, mas encontra-se em processo de desaceleração da melhoria. O segundo semestre deste ano será fundamental para a ocorrência ou não de uma reversão nesse processo que já dura uma década. Se o governo conseguir uma recuperação no estado das expectativas dos agentes é possível que o país feche o ano ainda apresentando resultados favoráveis no mercado de trabalho. Caso contrário, corremos o risco da desaceleração se transformar efetivamente numa piora.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Inflação e crescimento, qual o problema?



Antigamente se dizia que o Brasil vivia um dilema: ou ele acabava com a saúva ou a saúva iria acabar com ele. A saúva continua aí, firme e forte, e o mesmo acontece com o Brasil. Hoje, no lugar da saúva, os do contra, aquela turma que não se conforma em ver o país progredir, elegeu a inflação como o bicho-papão que invade os sonhos de prosperidade desta jovem democracia. E para tais arautos da desgraça, não existe outra forma de combater a alta de preços, para eles galopante, a não ser aumentar o juros e desempregar as pessoas, como forma de "arrefecer" o consumo.

Lá na África do Sul, onde foi participar da 5ª reunião de cúpula dos países que integram o grupo chamado de  Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a presidenta Dilma Rousseff disse, numa entrevista coletiva, ser contrária a medidas de combate à inflação que comprometam o ritmo de crescimento econômico do país.
“Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico, até porque nós temos uma contraprova dada pela realidade. Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende? Eu vou acabar com o crescimento do país? Isso daí está datado. Isso eu acho que é uma política superada”, afirmou.
Ela ressaltou que o governo está atento e acompanha “diuturnamente” a questão da inflação. “Não achamos que a inflação está fora de controle, pelo contrário, achamos que ela está controlada e o que há são alterações e flutuações conjunturais. Mas nós estaremos sempre atentos."
Bastou ela dar essa declaração para as agências de notícias espalharem a informação de que o governo não iria permitir que o Banco Central aumentasse a taxa de juros básica, a Selic, como o mercado financeiro espera que faça, para engordar seus lucros já estratosféricos, e que o seu governo havia trocado o combate à inflação pelo crescimento econômico - como se as duas coisas fossem excludentes.
O pessoal do contra se assanhou, e foi imediatamente à luta, por meio dos inúmeros agentes que tem espalhados pelas redações país afora. A ordem foi clara: descer a lenha na presidente e no Banco Central, criar o máximo de confusão possível. Afinal, onde já se viu um governo ir contra as determinações dessa entidade sagrada chamada "mercado"?
A reação, porém, foi quase imediata. Dilma, por meio do Blog do Planalto, foi enfática em dizer que suas declarações haviam sido mal interpretadas pelo mercado financeiro. “Foi uma manipulação inadmissível de minha fala. O combate à inflação é um valor em si mesmo e permanente do meu governo.” Segundo o Planalto, “agentes do mercado financeiro estavam interpretando erroneamente seus comentários como expressão de leniência em relação à inflação”.
Hoje, o Banco Central divulgou o seu relatório trimestral de inflação, no qual projeta uma taxa de 5,7% neste ano, acima da previsão de 4,8% do relatório anterior. Também estima que o Produto Interno Bruto aumentará 3,1% neste ano.
Não é o melhor dos mundos, mas está muito, mas muito distante daquele que a turma do contra, esse pessoal que não se conforma com os avanços do país, insiste em dizer, apesar de todas as evidências em contrário, que é o real, que é este em que vivemos.
cronicasdomotta

Antes do combate à inflação vem a defesa intransigente do emprego, prega Dilma Rousseff


Uma fala da presidente Dilma Rousseff, sobre crescimento e inflação, desencadeou mais uma onda de críticas à política econômica, como se o Brasil sacrificasse a estabilidade de preços em nome de níveis de emprego maiores; do novo ataque especulativo, fazem parte economistas, como Alexandre Schwartsman e Ilan Goldfajn, e jornalistas, como Merval Pereira e Eliane Cantanhêde; ocorre que a missão do Federal Reserve, banco central americano, traduz exatamente o que a presidente Dilma falou: antes mesmo da estabilidade, vem o emprego, como meta central.
Uma fala da presidente Dilma Rousseff, sobre crescimento e inflação, desencadeou mais uma onda de críticas à política econômica, como se o Brasil sacrificasse a estabilidade de preços em nome de níveis de emprego maiores; do novo ataque especulativo, fazem parte economistas, como Alexandre Schwartsman e Ilan Goldfajn, e jornalistas, como Merval Pereira e Eliane Cantanhêde; ocorre que a missão do Federal Reserve, banco central americano, traduz exatamente o que a presidente Dilma falou: antes mesmo da estabilidade, vem o emprego, como meta central.
Dias atrás, dois economistas ligados ao sistema financeiro, Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco, e Alexandre Schwartsman, ex-Santander, renovaram suas críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff e foram explícitos em seu receituário. Para conter a alta de preços, pregaram como remédio de política econômica que o governo incentivasse demissões na economia. Por mais que pareça incompreensível, é a pura verdade (leia mais aqui).
Foi a esse tipo de crítica e, provavelmente, a esses dois economistas que a presidente Dilma Rousseff falou ontem, na África do Sul, ao comentar a dicotomia entre emprego e inflação. “Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico”, afirmou. “Esse receituário quer matar o doente em vez de curar a doença”.
Instantaneamente, grandes bancos dispararam ordens para apostar na queda dos juros futuros, num movimento que pareceu ser coordenado. E foi isso que levou a presidente Dilma, no Blog do Planalto, a enfatizar seu compromisso com o combate à inflação.
O movimento presidencial deflagrou uma nova rodada de críticas à política econômica. Colunistas políticos, agora especialistas em economia, como Merval Pereira, do Globo, e Eliane Cantanhêde, da Folha, criticam o suposto descaso da presidente Dilma com a inflação.
Ocorre, no entanto, que a presidente não falou absolutamente nada que seja exótico ou mesmo surpreendente. Sua fala traduz uma mensagem que está expressa na missão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Lá, o emprego vem antes da estabilidade e a missão principal do Fed é “conduzir a política monetária, influenciando as condições monetárias e de crédito na economia, em busca do maior nível de emprego, de preços estáveis e de taxas de juros moderadas no longo prazo”. Ou seja, nos Estados Unidos, economistas com uma visão de mundo semelhante às de Schwartsman ou Goldfajn, não teriam sucesso, nem pautariam editoriais na chamada grande imprensa. Emprego baixo e juros na lua não têm Ibope no mundo civilizado.
Abaixo, em inglês, a missão do Fed:
The Federal Reserve System is the central bank of the United States. It was founded by Congress in 1913 to provide the nation with a safer, more flexible, and more stable monetary and financial system. Over the years, its role in banking and the economy has expanded.
Today, the Federal Reserve’s duties fall into four general areas:
* conducting the nation’s monetary policy by influencing the monetary and credit conditions in the economy in pursuit of maximum employment, stable prices, and moderate long-term interest rates
* supervising and regulating banking institutions to ensure the safety and soundness of the nation’s banking and financial system and to protect the credit rights of consumers
* maintaining the stability of the financial system and containing systemic risk that may arise in financial markets
* providing financial services to depository institutions, the U.S. government, and foreign official institutions, including playing a major role in operating the nation’s payments system

quinta-feira, 22 de março de 2012

Em fevereiro, desemprego foi de 5,7%

A taxa de desocupação foi estimada em 5,7%, a menor para o mês de fevereiro desde o início da série (março de 2002), e não variando em relação ao resultado apurado em janeiro (5,5%). Em comparação a fevereiro de 2011 (6,4%), recuou 0,7 ponto percentual. A população desocupada (1,4 milhão de pessoas) foi considerada estável no confronto com janeiro. Quando comparada com fevereiro do ano passado, recuou 8,6% (menos 130 mil pessoas). A população ocupada (22,6 milhões) não variou frente ao mês de janeiro. No confronto com fevereiro de 2011, verificou-se aumento de 1,9%, o que representou elevação de 428 mil ocupados no intervalo de 12 meses. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões) não registrou variação na comparação com janeiro. Na comparação anual, houve uma elevação de 5,4%, o que representou um adicional de 578 mil postos de trabalho com carteira assinada em um ano.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.699,70, o valor mais alto desde o início da série, em março de 2002) subiu 1,2% em comparação com janeiro. Frente a fevereiro do ano passado, o poder de compra dos ocupados cresceu 4,4%. A massa de rendimento real habitual dos ocupados (R$ 38,7 bilhões) aumentou 1,6% em relação a janeiro. Em comparação com fevereiro de 2011, a massa cresceu 5,8%. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 47,1 bilhões), estimada em janeiro de 2012, caiu 0,7% no mês e subiu 29,6% no período de um ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.
Taxa de desocupação registra declínio em três regiões em relação a janeiro
Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação (proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa, que é formada pelos contingentes de ocupados e desocupados) registrou variação significativa somente em São Paulo, onde passou de 5,5% para 6,1%. Frente a fevereiro do ano passado, a taxa registrou declínio em Recife, Salvador e Belo Horizonte (2,7, 2,5 e 1,6 pontos percentuais, respectivamente). No Rio de Janeiro, subiu 0,8 ponto percentual (passou de 4,9% para 5,7%) e manteve-se estável em São Paulo e em Porto Alegre.
contingente de desocupados (pessoas sem trabalho que estão tentando se inserir no mercado) foi estimado em 1,4 milhão de pessoas no agregado das seis regiões investigadas, resultado considerado estável em relação a janeiro último. Quando comparado com fevereiro de 2011, esta estimativa recuou 8,6% (menos 130 mil).
A análise regional mostrou que, em relação ao mês de janeiro, o contingente de desocupados cresceu 12,5% em São Paulo e ficou estável nas demais regiões pesquisadas. No confronto com fevereiro do ano passado, verificou-se queda expressiva no número de desocupados em Recife (32,1%), Salvador (25,2%) e Belo Horizonte (24,4%). Foi observada elevação de 18,0% nessa estimativa no Rio de Janeiro e estabilidade em São Paulo e Porto Alegre.
Nível da ocupação fica em 53,6%
nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa), estimado em fevereiro de 2012, em 53,6%, para o total das seis regiões, não assinalou variação significativa nas comparações com janeiro último e frente a fevereiro de 2011. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram-se estáveis. Frente a fevereiro do ano passado, Recife e Belo Horizonte apresentaram alta, (2,6 e 1,2 ponto percentual, nesta ordem).
Analisando-se o contingente de ocupados, segundo os grupamentos de atividade econômica, de janeiro para fevereiro de 2012, não foi observada variação significativa em nenhum dos grupamentos. No confronto com fevereiro de 2011, ocorreram variações positivas nos Serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, alta de 4,6% (163 mil pessoas) e na Educação, saúde e administração pública, alta de 3,7% (129 mil pessoas).
Na comparação anual, rendimento médio aumenta em cinco das seis regiões
Na análise regional, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores em relação a janeiro caiu em Recife (5,5%), Salvador (2,4%), Belo Horizonte (1,7%) e Porto Alegre (2,4%). Cresceu no Rio de Janeiro (3,7%) e em São Paulo (2,6%). Na comparação com fevereiro de 2011, o rendimento subiu em Recife (6,7%), Salvador (18,6%), Belo Horizonte (7,0%), Rio de Janeiro (0,4%) e São Paulo (5,4%). Apresentou declínio em Porto Alegre (2,4%).
Na classificação por grupamentos de atividade, foram verificadas variações positivas, na comparação com janeiro, em todos os grupos (exceto na Educação, que permaneceu estável), destacando-se a Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água, com 2,2% de crescimento. Na comparação anual, apenas os Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira tiveram queda, de 1,6%.
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, houve redução no rendimento médio real habitualmente recebido, em comparação com janeiro, para os Militares e funcionários públicos (-3,6%):
No IBGE

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Desemprego tem o menor nível para janeiro, afirma IBGE

 


Taxa é a menor para meses de janeiro desde 2003. Salário médio foi o maior da série histórica para meses e janeiro.

Do G1

O desemprego nas seis regiões metropolitanas monitoradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu de 4,7% em dezembro de 2011 para 5,5% em janeiro de 2012. Essa taxa é a menor da série história, que teve início em março de 2002. As informações são da Pesquisa Mensal de Emprego divulgada nesta sexta-feira (17). Em janeiro de 2011, a desocupação ficara em 6,1%.

A população desocupada somou 1,3 milhão de pessoas, apontando um aumento de 15,9% em relação a dezembro. Já na comparação anual, com janeiro de 2011, a taxa recuou 7,7%. Já a população ocupada chegou a 22,5 milhões de pessoas, registrando uma queda de 1,0% na comparação mensal e um aumento de 2,0% sobre janeiro passado.

Em janeiro, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que ficou em 11,1 milhões, não variou sobre dezembro. Na comparação anual, a quantidade subiu 6,3%.”
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Medo de desemprego é o menor desde 1996, aponta CNI



Do UOL 
Medo de desemprego é o menor desde 1996, aponta CNI
BRASÍLIA – O Índice de Medo do Desemprego, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu para o menor nível da série histórica, iniciada em 1996.
A taxa em setembro ficou em 78,7 pontos, de acordo com a publicação trimestral divulgada nesta segunda-feira (3). O índice é de base 100 e quanto mais alto, maior o medo das pessoas perderem o emprego.
Na comparação com julho, o indicador recuou 3,9% e, em relação a setembro do ano passado, a queda foi de 2,9%.
A parcela dos entrevistados que diz não ter medo de desemprego aumentou para 57%, ante 53,6% apurados na pesquisa de julho.
Um dos fatores apontados pela CNI para o declínio índice é “a proximidade do fim do ano, quando tradicionalmente aumentam as ofertas de vagas no mercado de trabalho”.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas em todo o país entre 16 e 20 de setembro.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

DESEMPREGO EM SÃO PAULO É O MENOR DESDE 1990 - APESAR DO PSDB


Desemprego na região metropolitana de SP é o menor para maio desde 1990, revela Dieese

Vinicius Konchinski / Repórter da Agência Brasil


São Paulo - A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo passou de 11,2% em abril para 10,7% em maio, o menor nível para o mês desde 1990, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada hoje (29).

De acordo com a pesquisa, em maio, o total de de desempregados na região metropolitana de São Paulo foi estimado em 1,152 milhão, 45 mil a menos do que no mês anterior, resultado da criação de 124 mil vagas.

Em relação a maio do ano passado, o nível de ocupação aumentou 3,7%, interrompendo movimento de desaceleração do ritmo de crescimento observado desde outubro do ano passado.

007Bondebate
 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Taxa de desemprego fecha em 6,4%, a menor já registrada para o mês de maio desde 2002

terça-feira, 26 de abril de 2011

Salário, inflação e uma idéia de jerico

Além do problema do real sobrevalorizado, comentado nesta página na sexta-feira, há outro vetor econômico que há que comentar porque também apresenta distorção: a inflação e a sua relação indissociável com os níveis de atividade econômica e emprego.
Não recomendo que se dê muita bola para o que diz a grande imprensa sobre economia. Ao menos sem analisar e checar o contraponto de cada vírgula de suas teses. Quem deu ouvidos a ela no âmbito da crise econômica internacional, por exemplo, deu com os burros n’água......

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

“Aumento” do desemprego entre os pobres é balela




No início do mês, o país foi surpreendido por uma notícia espantosa. Nos últimos cinco anos, o desemprego teria “aumentado” justamente entre o setor da sociedade que fatos e estudos diversos vinham apontando que vêm melhorando de vida, ou seja, entre os mais pobres.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Brasil atinge pleno emprego

Taxa de desocupação cai para 5,7% em novembro, menor patamar da série histórica do IBGE
Do iG

A Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada hoje pelo IBGE, mostra que, em novembro, a taxa de desemprego do país chegou a 5,7%, a mais baixa desde o início da série histórica em 2002. No mês, o número de desempregados também atingiu o menor nível dos últimos oito anos.
O número indica que, tecnicamente, o Brasil atingiu o pleno emprego, condição existente quando a taxa de desemprego é inferior a 6%, segundo dizem os especialistas. Eles explicam que isso não significa que todo mundo está trabalhando, mas que o desemprego é mínimo e motivado por razões como a falta de especialistas para determinadas funções.

A pesquisa do IBGE, porém, é feita apenas nas regiões metropolitanas de seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Delas, há pleno emprego em quatro: Porto Alegre (3,7%),São Paulo (5,5%), Rio de Janeiro (4,9%) e Belo Horizonte (5,3% ). Em Salvador (9,4% ) e Recife (8,4% ) a taxa é maior.
A queda do desemprego em relação a outubro (6,1%) foi de 0,4 ponto percentual. Em relação ao mesmo mês de 2009, ano da crise financeira internacional, a redução foi mais acentuada, de 1,7 ponto percentual.
De um mês para o outro, a população desocupada diminuiu 5,9% e fechou o mês de novembro em 1,359 milhão, em números absolutos. Frente a novembro de 2009, a redução foi de 20,7% ou 354 mil desempregados a menos, segundo a pesquisa.
Em novembro, a população ocupada ficou estável (22,4 milhão) na comparação com o mês imediatamente anterior. Mas em relação ao mesmo mês do ano passado, o crescimento foi de 3,7% ou 795 mil postos de trabalho.
Já o rendimento médio real dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do país teve uma pequena queda (0,8%) em relação a outubro e fechou novembro em R$ 1.516. O valor representa alta de 5,7% frente a novembro do ano passado.
No ano, foram criados no Brasil cerca de 2,5 milhões de empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que continuará no cargo no governo Dilma Rousseff, acredita que em 2011 serão criados no país cerca de 3 milhões de empregos formais.
E tem gente que sente saudades dos tempos de FHC...
Crônicas do Motta