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sábado, 4 de maio de 2013

As ondas conservadoras em curso no Brasil


André Singer sugere que vivemos três ondas conservadoras. Uma delas, um repique tardio do neoliberalismo na cultura, quebrando a  hegemonia cultural da esquerda que nasce nos anos 1960 e só agora começa a ser quebrada. Interessante porque explica o "case Lobão" (não é o único) e a virada nas igrejas cristãs.
A segunda onda, que ele denomina de onda de médio prazo, é a reação da classe média tradicional à melhoria de condições de vida e consumo das classes sociais menos abastadas. Singer faz até mesmo um paralelo com a reação da classe média nos anos 1960, como a marcha pela família etc. Onda que não se expressa nos partidos porque não teria chance eleitoral.
A última onda se localizaria numa fração dos segmentos sociais que ascenderam recentemente. Esta fração significaria uma "mudança de lado", uma espécie de tentativa de romper com seu passado recente (sua ascensão, portanto, seria fruto de um esforço pessoal, individual, e não coletivo). Algo que se aproxima do "fascismo societal" sugerido por Boaventura Santos.
É possível.
Mas ainda acredito que exista, de fato, uma onda conservadora difusa, mas evidentemente majoritária, que envolve grande parte do que a FGV-RJ denomina de Classe C. Os dados são claros, a partir das pesquisas mais recentes. Se há frações em relação a este conservadorismo não são tão pertinentes em relação à estas classes subalternas, mas delas com a tradicional classe média. Mas a discussão é interessante e urgente.
rudaricci

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quando os barões saíram da sombra: o que aconteceu com a imprensa brasileira nos últimos 50 anos

Com o fim da ditadura, os donos passaram a monopolizar a voz.

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Frias e Roberto Marinho
É interessante o que aconteceu no jornalismo brasileiro nos últimos 50 anos.
Na época da ditadura militar, os donos das grandes empresas mantinham perfil baixo. Por motivos óbvios: havia risco. Ditaduras têm relação sempre áspera com o jornalismo. A exceção conspícua aí era Roberto Marinho, da Globo.  Ele era “absolutamente confiável”,  para os militares. Podia dizer que “dos seus comunistas” cuidava, e era verdade. Os comunistas que trabalhavam com Roberto Marinho não escreviam nada que pudesse alimentar sua causa.
Os demais donos não gozavam da mesma confiança dos militares. Os Mesquitas, que tinham apoiado a Revolução de 1964, exigiram depois que os militares voltassem logo para os quartéis. Mas os generais tinham gostado do poder, e terminaram por censurar o Estadão por muitos anos. Na Folha, sob Octavio Frias de Oliveira, você teve um jogo duplo. Frias não era um “pensador” como os Mesquitas.
Durante muitos anos ele manteve um jornal que era seu gesto de confraternização com o regime, a Folha da Tarde.  Iniciei minha carreira nele. Você parecia às vezes estar não numa redação, mas num quartel.  Antogio Aggio Filho, o editor-chefe, era de extrema-direita. O secretário de redação, Rodrigão, era militar. O redator-chefe, Torres, tinha livre trânsito no Dops. Não vi isso, mas contavam na redação que Torres uma vez subira numa cadeira para defender a morte de guerrilheiros – ou terroristas, como ele os chamava. A meu lado, na redação, trabalhavam um coronel, apelidado exatamente assim, Coronel. Era discreto, simpático. Guardo boas lembranças das conversas supérfluas que travávamos ali no fechamento.
Aggio foi posto no cargo de diretor da Folha da Tarde em 1969 por Frias, segundo quem a decisão se devia à competência do jornalista e não a seu trânsito com os militares. Ele varreu da redação as pessoas de esquerda. O jornalista Jorge Okubaro, que mais tarde se tornaria editorialista do Estadão, viveu a transição. “Alguns foram demitidos sob alegação de incompetência, mas o verdadeiro motivo da demissão foi o fato de terem, em algum momento, feito ou participado de alguma manifestação que os caracterizava como de esquerda, seja pelas conversas pessoais, seja pelos textos que eventualmente publicaram”, lembra Okubaro.
O outro jornal de Frias, a Folha da Tarde
O outro jornal de Frias, a Folha da Tarde

Em 1984, quando a democracia já era visível, Aggio foi demitido. Num texto memorialístico, escrito alguns anos atrás num blog que mantinha, Aggio afirmou que Frias dizia que ele era seu “braço direito”. Havia aí uma alusão ao direitismo de Aggio. Era um jogo de palavras.
O “braço esquerdo” era Claudio Abramo, diretor da Folha de S. Paulo, um jornalista de formação trotsquista que Frias tiraria do cargo abruptammente a mando do general Hugo Abreu na crise provocada por uma crônica (bela) em que Lourenço Diaféria notou que as pessoas mijavam na estátua do patrono do exército, duque de Caxias, no centro de São Paulo.
A Folha era relativamente preservada. Mesmo assim, Frias uma vez pediu a meu pai que escrevesse um editorial no qual dissesse que não havia presos políticos. Todos os presos seriam iguais. Era uma resposta ao Estado de S. Paulo, que vinha cobrindo uma greve de fome de presos políticos em 1972.
Papai não topou, e pagou o preço do congelamento. Meu pai me contou o episódio, mas só fui ver há pouco tempo, pelo arquivo, o teor do editorial pedido por Frias — que afinal foi publicado, escrito imagino a que custo emocional por Claudio Abramo. Várias vezes Claudio passara por papai, na redação da Folha, para comentar sua preocupação com amigos que tinha entre os grevistas de fome.
Um trecho: “É sabido que esses criminosos, que o matutino (Estado) qualifica tendenciosamente de presos políticos, mas que não são mais do que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítima toda promiscuidade.”
Papai na redação da Folha em meados dos anos 70: recusa a escrever editorial abjeto e congelamento
Papai na redação da Folha em meados dos anos 70: recusa a escrever editorial abjeto e congelamento

Ter jornalistas importantes em cargos de destaque era conveniente, na ditadura, para os momentos mais complicados. Quando o regime imprensou a Folha depois que o cronista Lourenço Diaféria escreveu que o povo “mijava” na estátua do Duque de Caxias, uma absoluta verdade como sabe quem a conhece, Frias pôde oferecer a cabeça de Claudio Abramo, o diretor de redação, para apaziguar as coisas.
Terminada a ditadura, o quadro mudou. Ter redações sob o comando deixou de ser um risco. Passou a ser o que é sempre em situações normais: fonte de prestígio e status.
Os jornalistas deixaram de ser um escudo. Foi quando eles, lenta, segura e gradualmente, foram perdendo espaço e voz nas corporações.  A voz dos donos foi avultando. Sem entender esse processo, ninguém conhece compreender o que aconteceu com a mídia brasileira no último meio século.
Daí a semelhança no tom mesmo de empresas aparentemente tão diferentes, como a Folha e a Globo. De Arnaldo Jabor  a Clóvis Rossi,  de Ali Kamel a Merval Pereira, os colunistas reproduzem com mínimas variações o pensamento conservador. Os jornalistas, como indivíduos independentes de suas empresas, só voltariam a encontrar microfone com a internet. O mundo digital, com sua anarquia incontrolável, romperia o domínio das opiniões. Mais do que por razões econômicas, que existem de resto, este é o principal motivo pelo qual a internet incomoda tanto as grande empresas.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo

sábado, 2 de junho de 2012

Conheça o glossário definitivo da direita brasileira


No Glossário definitivo da Direita Brasileira, ‘Favela’ é localidade habitada por traficantes, assaltantes e seus acoitadores, sob o estímulo de governantes populistas que sobreviveram ao AI-5.


direita brasileira
Gustavo Moreira, em seu blog
As categorias abaixo são fundamentais para a compreensão mútua das diversas tribos de reacionários. A lista, sem dúvida, pode e deve ser enriquecida pelos leitores.
Amazônia - região que, antes representando quase metade do território nacional, deu lugar a acampamentos do MST, reservas indígenas e falsos quilombos, todos evidentemente dirigidos por fundações estrangeiras aliadas do Foro de São Paulo.
Analfabeto - indivíduo apto à execução de alguns trabalhos braçais, mas nocivo quando cadastrado em programas sociais do governo financiados com o dinheiro dos impostos pagos pela classe média.
Árabe – fanático religioso, com propensão média ou alta ao terrorismo, a ser contido ou eliminado pela aliança militar ocidental.
Brasília- cidade que, projetada pelo comunista Oscar Niemeyer, constitui a sede do estatismo sileiro, sobretudo após sua tomada pelos petistas.
  • Bullying - termo difundido por pedagogos e psicólogos comunistófilos com o objetivo de cercear a liberdade de expressão das pessoas espontâneas, em regra conservadoras.
Capitalismo - conjunto de práticas econômicas naturais, esboçadas desde a Pré-História, consolidadas na Inglaterra da Idade Moderna e combatidas pelos coletivistas de todos os matizes.
Cinema Nacional - atividade criminosa que consiste na exaltação do consumo de drogas, do adultério, do homossexualismo, da pedofilia, do palavreado chulo e da estética da miséria.
Colonização - processo louvável, infelizmente em desuso, no qual populações selvagens eram treinadas para executar algumas tarefas úteis para as sociedades civilizadas.
Comunismo – sistema político cuja prioridade é a construção de campos de concentração nos quais pelo menos um quinto da população de cada país deverá ser exterminada.
Cuba – ilha do Caribe habitada por onze milhões de cortadores de cana, cem mil instrutores de terrorismo e dois velhos, mantidos vivos pelo Capeta, que enganam a todos os outros.
DEM – partido formado pelos herdeiros das forças de centro-esquerda que romperam com a candidatura oficial para apoiar, em 1985, Tancredo Neves, que já contava com os votos dos parlamentares comunistas e criptocomunistas.
Democracia – nome atribuído ao conjunto formado por todos os regimes que reconhecem, ou reconheceram, a livre iniciativa como motor da economia, entre eles o castelismo, o franquismo e o pinochetismo.
Doutrinação – atividade dos que, usurpando a denominação de educadores, desviam crianças e adolescentes dos salutares princípios conservadores.
Eleição – processo pelo qual as pessoas maiores de dezesseis anos devem renovar seu assentimento à direção esclarecida das elites.
Estados Unidos – país-sede da Civilização Ocidental, ao qual cabe a preservação da economia capitalista e do governo das elites em toda a superfície terrestre.
Favela – localidade habitada por traficantes, assaltantes e seus acoitadores, sob o estímulo de governantes populistas que sobreviveram ao AI-5.
Feminismo – conjunto de movimentos compostos por comunistas lésbicas, que pretendem, após a tomada do poder, relegar os homens heterossexuais aos serviços domésticos.
Greve – atividade criminosa que tem como finalidade o bloqueio da cadeia produtiva para favorecer a implantação do comunismo.
Homossexualismo – desvio de conduta que tem sido, nas últimas décadas, incentivado pelos políticos de esquerda, no intuito de dissolver as famílias conservadoras.
Império – período da História do Brasil em que as mulheres eram decentes, os políticos não roubavam e os negros, muito bem tratados, conheciam o seu lugar.
Imprensa Livre – empresas jornalísticas familiares, dirigidas por aristocratas honrados, que orientam corretamente a opinião pública nacional.
Índio – individuo selvagem, sem contato com o homem branco, que vive nu em alguns pontos da Floresta Amazônica; distinto do falso índio, estelionatário que, mesmo conhecendo a língua portuguesa e possuindo televisão, reivindica de má fé terras que devem ser destinadas à agricultura de exportação ou à produção de celulose.
Indigenismo – conjunto de movimentos que pretendem legalizar o consumo de carne humana e os sacrifícios de prisioneiros aos deuses pré-colombianos, criando uma organização econômica em que a principal atividade será a produção de cocaína.
Janismo – movimento político que, a princípio incorporando justas demandas da boa sociedade, descambou para a esquerda, culminando na vergonhosa condecoração do terrorista Che Guevara.
Judiciário – poder do Estado constituído em prol da segurança física e patrimonial das elites, nos últimos anos desfigurado para estabelecer privilégios em favor de ex-terroristas, sindicalistas, negros e gays.
KGB – diz-se, em sentido figurado, dos indivíduos e grupos que empregam seu tempo na elaboração de dossiês contendo os raros deslizes dos homens de bem.
Libertário – denominação aplicada ao elemento que, simulando ser adepto do sistema de livre mercado, defende a agenda cultural da esquerda, nela incluídos o casamento gay e a pedofilia.
Muçulmano – termo semelhante ao verbete “árabe”, porém mais empregado quando se enfatiza o papel de inimigo mortal do Ocidente.
Napalm – produto industrial de alto valor estratégico, podendo ser empregado tanto para queimar comunistas quanto para solucionar o problema da favelização das metrópoles.
Nudista – diz-se do indivíduo ou grupo, de tendência esquerdista, que visa à dissolução dos valores da sociedade ocidental por meio da generalização das posturas obscenas.
Organizações Globo – grupo empresarial mercenário que, tendo prestado alguns bons serviços à democracia a partir de 1964, vendeu-se posteriormente ao lulismo e ao dilmismo.
Pluralismo Político – situação medianamente aceitável, na qual operários, professores, estudantes, desempregados e outros tipos suspeitos falam o que querem, todavia aceitando de maneira expressa ou tácita que os representantes da indústria, do comércio e das finanças deem a última palavra.
Politicamente Correto – filosofia esquerdizante que tem como objetivo solapar as hierarquias sociais consagradas pela tradição, eliminando da língua os termos que qualificam os elementos superiores e os inferiores.
PSDB – partido socialista que, em conluio com o PT, pretende estabelecer o comunismo no Brasil, por meio da estratégia das tesouras.
PT – partido que, simulando aceitar a economia de mercado, forma o principal tentáculo do movimento comunista no país.
Quilombola – indivíduo que, se valendo da epiderme escura, reivindica terras que ao invés de cultivar pretende vender a terceiros.
Republicano – adepto do partido norte-americano que constitui a última resistência, ao lado do governo de Israel, à implantação do Estado Mundial comunista.
Sindicato – organização criminosa formada por pessoas que recebem salário sem trabalhar, propagandistas e instrutores de terrorismo e terroristas propriamente ditos.
Social-democrata – comunista envergonhado, disposto a tolerar, com indisfarçável má vontade, alguns tipos de propriedade privada.
Socialista – eufemismo gasto, empregado pelos comunistas que não gostam de se apresentar como tal.
Trabalhista – indivíduo semelhante ao social-democrata, em geral combina seu ódio à propriedade privada com táticas populistas.
Trabalho Escravo – expressão fraudulenta inventada por políticos marxistas que desejam abolir a propriedade rural, visto que desde a Lei Áurea nenhum brasileiro tem a posse sobre outro homem registrada em cartório.
Terrorista – termo aplicado a todos os indivíduos que participaram da resistência à Revolução Democrática de 1964, desde os que pegaram em armas efetivamente até os que escreveram redações escolares contra a ordem revolucionária.
Totalitário – diz-se do indivíduo, movimento ou partido que se opõe, ainda que pela via eleitoral, à abolição das relações econômicas naturais, que se materializam no capitalismo do tipo laissez-faire.
União Soviética – federação que depois de funcionar como sede do comunismo internacional foi maliciosamente dissolvida para facilitar ainda mais a difusão desta perversa doutrina.
Universidade Pública – centro que emprega o dinheiro dos impostos pagos pela classe média para sustentar professores que não trabalham e pregam o comunismo.
Veja – instituição constituída nos moldes de uma agência oficial de notícias, papel a ser desempenhado em futuro breve, após a passagem do eclipse petista.
 – título do falecido imperador do Irã, Reza Pahlavi, injustamente afastado do poder para dar lugar a clérigos cujo único propósito é construir bombas atômicas para lançar contra Israel.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Igreja negocia com os conservadores para impor nova derrota à ultradireita católica




D. Waldyr Calheiros faz uma análise
do quadro político brasileiro
A fragmentação dos partidos da direita no país empurra uma parcela significativa do eleitorado conservador para o centro, com a formação do Partido Social Democrata (PSD), liderado por Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, sob as bênçãos de tucanos e democratas ávidos por uma chance de se aproximar da parcela de centro-esquerda que ocupa o Palácio do Planalto. Esta, por sua vez, realiza um movimento de rápida aproximação do ideário capitalista, demonstrada na recente visita do presidente norte-americano, Barack Obama, ao Brasil e na defesa contundente dos interesses de ruralistas por parte do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator das reformas no Código Florestal....